Opiniões

À espera de inquérito do MPF, MPE não viu indícios de queima de corpos em Cambaíba

 

 

Bolsonaro mirou na OAB, acertou em Cambaíba e mentiu sobre prisão de preso político (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr)

 

Cambaíba e o MPF

Concluído no último dia 26 e ainda sob sigilo, o inquérito do Ministério Público Federal (MPF) de Campos sobre a suposta queima de corpos de presos políticos na usina Cambaíba, durante a ditadura militar (1964/85), se tornou bastante aguardado após a polêmica criada pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL). Na segunda (29), ele disse poder contar ao presidente nacional da OAB, Felipe Santa Cruz, como o pai deste, o militante de esquerda Fernando Santa Cruz, “desapareceu no período militar”. Preso no Rio em fevereiro de 1974, ele teria sido torturado e morto em Petrópolis. E seu corpo transportado a Campos, para ser incinerado em Cambaíba.

 

MPE não viu indícios

Esse roteiro entre a Casa da Morte de Petrópolis, centro de tortura e execução de presos políticos na ditadura, à usina de Campos, é narrado pelo ex-delegado do Dops Cláudio Guerra, no livro “Memórias de uma Guerra Suja” (2012). Na página 58, ele faz menção nominal a Fernando Santa Cruz. Assim que o livro saiu, um dos herdeiros de Cambaíba, o empresário Jorge Lyzandro, pediu que o Ministério Público Estadual (MPE) de Campos abrisse investigação. Em 10 de agosto de 2012, o promotor Marcelo Lessa concluiu: “desses supostos assassinatos ou ocultação de cadáver, não há o menor indício sério e idôneo de quem possam ter ocorrido em território campista”.

 

Rede nacional

Ontem, o inspetor de Polícia Civil José Bainha, da família dos proprietários do espólio de Cambaíba, falou com a coluna. Ele lembrou que, enquanto a investigação do MPF de Campos é aguardada por toda a imprensa brasileira em 2019, a feita pelo MPE da comarca em 2012 concluiu que o relato de Cláudio Guerra “parece ser um devaneio irresponsável (…) talvez para se promover e angariar alguns segundos de fama em rede nacional, o que até acabou conseguindo, infelizmente às custas da honra alheia”. Quase sete anos depois, com o caso novamente em rede nacional, ontem Bolsonaro questionou a Comissão da Verdade: “isso aí é balela”.

 

Da família dos proprietários de Cambaíba, José Bainha diz ser impossível a incineração de corpos na usina (Foto Genilson Pessanha – Folha da Manhã)

 

Questionamentos

Para reforçar que “isso é impossível de ter acontecido”, José Bainha disse que os fornos da usina ficavam em frente a uma via pública, diante de um vilarejo com 200 casas. Contou que, no período da moagem, os fornos operavam 24h, com 20 funcionários em cada turno de 12h. E que, no total, a usina tinha 300 funcionários, mais o movimento dos caminhões de cana. “Meu avô (o usineiro Heli Ribeiro Gomes, duas vezes deputado federal e vice-governador biônico do antigo Estado do Rio) era um político importante e conhecido na cidade. Se isso tivesse acontecido, diante de tanta gente, não seria explorado na época?”, questionou o neto.

 

Possibilidades e certeza

A versão de que o corpo de Santa Cruz teria sido incinerado em Cambaíba não é a única. A Comissão da Verdade aponta também a possibilidade dele ter sido sepultado em vala comum, no Cemitério do Perus, em São Paulo. Na dúvida, a certeza é que Bolsonaro mentiu ao dizer em live que o pai do presidente da OAB foi morto pelo próprio grupo, o Ação Popular Marxista-Leninista (APML). O relatório secreto RPB 655 da Aeronáutica atesta que ele foi preso em 22 de fevereiro de 1974. Independente do destino do corpo, foi morto pela ditadura que o presidente nega ter existido. E falta com o decoro ao cargo ao usar isso como arma, enquanto ri, contra um filho.

 

Relatório secreto RPB 655, do Comando Costeiro da Aeronáutica atesta que Fernando Santa Cruz foi preso pela ditadura

 

Orávio quer Chicão

No Folha no Ar da manhã da última segunda, o jornalista, professor e dramaturgo Orávio de Campos Soares lançou uma opção ao vivo no microfone de rádio mais ouvido de Campos. Garotista histórico, para ele seria importante que Wladimir Garotinho (PSD) desse seguimento ao seu mandato na Câmara Federal. Como opção do grupo político na eleição a prefeito de Campos em 2020, Orávio lançou Dr. Chicão. Vice-prefeito das gestões municipais Rosinha (hoje, Patri), ele foi o candidato governista na eleição de 2016, vencida no primeiro turno pelo então opositor e atual prefeito, Rafael Diniz (Cidadania).

 

Chicão quer Wladimir

Ouvido ontem pela coluna, Chicão se disse “lisonjeado” pela lembrança. Mas negou a possibilidade: “Estou completamente mergulhado na medicina”. Entre os pediatras mais conceituados da cidade, tem se dividido entre sua clínica, o atendimento na saúde pública municipal, onde é médico concursado, e Quissamã. Recentemente, ganhou um título de cidadão quissamaense, “pelo trabalho como médico, não como ex-vice-prefeito de Campos”. Primo de Wladimir, Chicão considera o deputado o melhor candidato do grupo: “Vi a entrevista dele no Folha no Ar (no dia 22) e o achei muito amadurecido e embasado”.

 

Publicado hoje (31) na Folha da Manhã

 

Este post tem um comentário

  1. É Wladimir contra Rafael e todo seu grupo politico, Marcão como presidente da câmara não conseguiu se eleger a deputado federal.

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