Opiniões

Roberto Dutra — Brasil, Bolsonaro e tradição patrimonialista? São as contradições, estúpido!

 

Karl Marx e Max Weber

Roberto Dutra, sociólogo e professor da Uenf

O atraso conceitual sobre Bolsonaro e o complexo de vira-latas na sociologia

Por Roberto Dutra

 

Certamente uma das coisas mais fascinantes da vida intelectual é saber que as ideias importam na vida social e política. Na política, as ideias, religiosas, científicas, artísticas e jurídicas, importam porque são capazes de mobilizar corações e mentes em torno de movimentos, partidos e líderes que incorporam e institucionalizam estas ideias de modo mais ou menos convincente e arrebatador. Ideias elaboradas em livros e discutidas na universidade podem extrapolar o espaço acadêmico e influenciar bastante na política. Isto ocorre porque as ideias orientam a identificação de problemas coletivos e das soluções que também demandam ação coletiva. Para isso é preciso que elas se tornem as ideias de atores políticos ou politicamente relevantes, como os atores da esfera pública política.

Marx dizia, n’O Dezoito Brumário de Luís Bonaparte, que nos tempos de crise política aguda, os atores, impelidos a encontrar orientação em meio ao caos, apelam com fervor a velhas ideias e símbolos. A crise representada pelo governo Bolsonaro – tanto para o modo como se faz como para o modo como se vê a política – têm levado muita gente a buscar explicação e orientação em velhos conceitos do pensamento social e político brasileiro, como o conceito de patrimonialismo. O livro de Lilia Schwarz, Sobre o Autoritarismo Brasileiro é um exemplo: recorre ao conceito de patrimonialismo para explicar nossos males, sobretudo o que chama de inflacionamento da esfera privada por sobre a esfera pública. Outro exemplo é o artigo de meu colega de Uenf, professor Hamilton Garcia, Costeando o Alambrando: Bolsonaro Rumo à normalidade?, publicado aqui neste blog.

O conceito de patrimonialismo é uma das ideias acadêmicas de maior influência na vida politica brasileira. Seu sentido e trajetória são inseparáveis de uma explicação sobre o Brasil que identifica as raízes de nossos males na reprodução de uma “herança cultural” ibérica, particularmente o modo de domínio político da aristocracia colonial de Portugal que consiste em não separar as esferas pública e privada. A não separação destas esferas, para os que se orientam pelo conceito de patrimonialismo, ocorreria no funcionamento concreto de nossas instituições, na formação de nossos atores políticos e em nossa cultura política de matriz rural. Na comparação com países de suposta modernidade política avançada, o patrimonialismo, entendido como indiferenciação da esfera política em relação à esfera privada, representa nosso “déficit de modernidade” e tem a pretensão de explicar problemas de autoritarismo e inclusão política com base em características socioculturais específicas do Brasil, como a cultura política agrária e oligárquica que teríamos herdado de Portugal e que até hoje teria condições de dominar nossa vida política. O conceito de patrimonialismo está ligado a uma sociologia “vira-lata” do Brasil: os problemas de autoritarismo, corrupção e desigualdade seriam explicáveis pela ausência, entre nós, do que é moderno cultural e institucionalmente em termos de política. Enquanto em outros países estes problemas são explicados a partir das contradições sociais e culturais da política e da sociedade moderna, no Brasil eles seriam explicados pelo atraso, especialmente pelo atraso da política e do estado.

Na minha opinião, o sociólogo Jessé Souza foi quem melhor demonstrou a influência deste conceito acadêmico sobre a política: as ideias acadêmicas de “estamento burocrático” e “estado patrimonial” foram traduzidas, politicamente, na ideologia neoliberal de que a aristocracia política e o estado são a fonte de nossos problemas e a “sociedade civil” a solução. Atualmente, a Operação Lava Jato (OJL) é o ator político que faz o uso mais efetivo e, ouso dizer, conclusivo deste conceito em nossa vida política: fez uma aliança com vários setores da “sociedade civil” – o que inclui o mercado financeiro, a grande mídia e até setores da intelectualidade – para a empreitada de acabar com a “corrupção sistêmica”, que os próprios agentes da operação também descrevem como “patrimonialismo”. A demonização da política brasileira como “velha política” é o cimento ideológico que permite a OLJ legitimar a violação de “garantias individuais” para “combater a corrupção”. Aliás, essas garantias individuais, como o professor Hamilton mesmo afirma, seriam mera desculpa para manter os privilégios estamentais do sistema patrimonialista.

Não é por acaso que o uso do conceito de patrimonialismo termine no apoio convicto à OLJ.   Carregando toda a tradição da sociologia “vira-lata”, que vê como singularmente brasileiros problemas típicos da política moderna, o conceito de patrimonialismo idealiza a separação entre as esferas pública e privada nos países que traz explícita ou implicitamente para comparar com o Brasil. Neste quadro, a política brasileira, em tempos de simplificação extrema como o atual, aparece como atraso a ser destruído por todos os meios.

O problema não está apenas na tradução política do conceito. Está no próprio uso acadêmico em si. Na sociologia de Max Weber, que é de onde vem o conceito, política patrimonialista implica que a mistura entre público e privado não é um problema para a sociedade: o “reino”, os súditos, e tudo que nós modernos entendemos como próprios da esfera pública, são propriedade de um estamento, e esta posse pode ser exercida e reproduzida de modo explícito e legítimo. Apesar de suas variações, os regimes que Max Weber chamava de patrimonialistas não conheciam a diferenciação entre economia, política, direito, esfera privada e religião. E como não conheciam diferenciação entre as esferas, regimes patrimonialistas também não podiam desenvolver a consciência da corrupção como problema político. A aplicação do conceito ao Brasil atual é equivocada justamente por isso: a existência de corrupção como um problema político e público entre nós, ao lado de outros problemas como o autoritarismo, indica justamente que não há patrimonialismo vigente em nossa sociedade. Caso contrário, nada disso seria problema.

Para quem usa o conceito político-ideológico de patrimonialismo de modo coerente, como o faz de fato Hamilton Garcia, o autoritarismo e outros problemas de nossa vida política também são problemas herdados de um passado pré-moderno e particular à experiência da formação social brasileira. Se politicamente, o conceito é bem-sucedido em fornecer pelo menos uma narrativa coerente e aderente, cientificamente ele não serve para analisar a realidade política vivida no governo Bolsonaro. Seu maior pecado é o idealismo moralista, que sacrifica a realidade empírica em nome da diferença moral entre “velha” (ruim) e “nova (boa) política”. A ideia de que democracia e estado de direito constituem a política moderna em si (“nova política”), da qual o Brasil seria um desvio com sua realidade de autoritarismo e corrupção (“velha política”), não tem validade na ciência social. Em escala global, “ondas de democratização” e constitucionalização da política não existem sozinhas na política moderna. Emergem formas modernas de autocracia, que exercem o poder se legitimando em valores modernos como eficiência econômica e bem-estar social. Os valores políticos modernos (igualdade, liberdade, solidariedade, transparência etc.) não se realizam de modo completo em nenhum país. A política moderna oscila entre autocracia e democracia, ao contrário de caminhar para uma democratização geral e plena. Não é o Brasil com sua tradição patrimonialista que atrapalha o estado democrático de direito. É o estado democrático de direito que possui contradições que podem ser observadas e comparadas no Brasil e em outros lugares. São as contradições, estúpido!

Em seu artigo, o professor Hamilton atribui ao patrimonialismo problemas de oligarquização e corrupção da política pelas velhas oligarquias e também por parte da aristocracia financeira. Em seu argumento o governo Bolsonaro é uma tentativa de romper com estas oligarquias patrimonialistas. A prova disso seria sua aliança com a Operação Lava Jato, especialmente no esforço de mobilizar a opinião pública contra os “estamentos” políticos e jurídicos que desejam preservar o patrimonialismo: “Embora se possa ter dúvidas acerca do significado da nova política pregada pelo Governo — não da velha, sobejamente conhecida —, o fato é que, com todas as suas contradições, dificuldades e incongruências, o presidente, até aqui, foi capaz de cumprir a agenda, mantendo o Congresso e o STF sob pressão de modo a não só aprovar uma reforma da previdência de proporções significativas, como de promover a Operação Lava Jato à política de Estado; estratégia posta em risco diante do inusitado pacto espúrio.”

O jargão da “nova política” obviamente é indispensável nesta narrativa que descreve nossos problemas políticos como se fossem especificidades brasileiras explicáveis por um passado ibérico que se reproduz. Ao contrário das análises de política comparada que têm buscado observar similaridades e diferenças entre os fenômenos autocráticos que ocorrem no Brasil e os que ocorrem em países ricos como E.U.A, o conceito de patrimonialismo parte da tese de nossa singularidade. Não é que não exista uma singularidade política brasileira, mas se ela existe, deve ser encontrada pela observação comparada de nossa realidade com outras, e tendo como foco o modo como o Brasil lida com problemas políticos que, desde sempre, resultam das promessas que a modernidade não têm conseguido cumprir em quase todas as suas experiências nacionais. Ou de promessas que, na verdade, nunca podem ser plenamente cumpridas em virtude das exigências improváveis que representam para a conduta humana. Romper com a sociologia “vira-lata” do patrimonialismo é uma contribuição que a ciência social brasileira tem trazido à nossa reflexão política. O governo Bolsonaro e os problemas políticos a ele relacionados não são problemas tipicamente brasileiros, por mais que as vezes pareça. Envolvem mudanças estruturais na política e em sua relação com a sociedade que podem ser observadas em vários contextos, apesar das variações: exemplos significativos são a crise do sistema de partidos, a fragmentação da esfera pública e o aumento da percepção de decadência social em “setores médios” de muitos países.

O conceito de patrimonialismo não pode contribuir para essa empreitada. Ele não serve para analisar os problemas políticos em sua complexidade. Sua função é puramente político-ideológica:  demonizar a política real e possível por meio de conceitos idealistas neoliberais, e na prática atacar o que há de mais democrático na política brasileira: o presidencialismo que permite às maiorias um avanço direto ao centro do poder, rompendo com a lógica das oligarquias políticas. Ao criticar o presidencialismo como expressão mais grave do patrimonialismo, defender os métodos da OLJ e costear o alambrado do bolsonarismo para destruir a “velha política”, Hamilton Garcia acaba sendo coerente com uso político-ideológico do conceito de patrimonialismo.

Mas sua análise não consegue deixar de ser mais que justificação ideológica para a OLJ e o próprio bolsonarismo. Julgada em termos de sociologia, sua análise demonstra que o atraso não é da realidade política brasileira, mas sim do conceito de patrimonialismo e da sociologia vira-lata que a ciência social brasileira tem conseguido superar. O atraso mais sério neste debate não é em relação ao problema que se quer descrever como reprodução atávica da dominação oligárquica patrimonialista, mas sim em relação aos conceitos usados. O atraso político é uma projeção do atraso intelectual em entender a contemporaneidade, a modernidade e globalidade de crise da política brasileira, como crise da democracia em atender às demandas da sociedade e do sistema político em legitimar suas estruturas vigentes. Se o leitor, por acaso, tiver interesse na discussão, recomendo o trabalho dos colegas Marcos Abrrão Ribeiro (IFF) e Wânia Amélia (Uenf)(http://revistas.unisinos.br/index.php/ciencias_sociais/article/viewFile/csu.2019.55.1.08/60747159), além do meu próprio sobre o tema (https://periodicos.ufsc.br/index.php/politica/article/view/2175-7984.2016v15n34p77).

 

Em assembleia médicos decretam o fim da greve na Saúde Pública de Campos

 

Assembleia dos médicos que na noite de hoje pôs fim à greve de 23 dias (Foto: Rodrigo Silveira – Folha da Manhã)

 

 

Confirmando o que o blog antecipou ontem (aqui), acabou a greve dos médicos de Campos, deflagrada desde o último dia 7. A decisão foi tomada na noite de hoje em assembleia geral extraordinária da categoria, no auditório da Sociedade Fluminense de Medicina e Cirurgia.

A possibilidade parecia certa depois que ontem a 2ª Vara Cível de Campos acatou (aqui) a manifestação do Ministério Púbico Estadual e marcou uma audiência de conciliação entre todas as partes em 12 de setembro, para tentar pôr fim à paralisação. E que, também ontem, representantes da categoria se reuniram mais uma vez com o prefeito Rafael Diniz (Cidadania), seu secretário de Saúde, Abdu Neme (PR), e, pela primeira vez, com o procurador-geral do município, José Paes Neto.

A dúvida passou a existir depois que o Ministério Público Federal (MPF) anunciou na tarde de hoje ter pedido a execução imediata de uma sentença para garantir a regularização dos serviços da Saúde Pública Municipal, dada pela Justiça Federal desde maio deste ano. Era baseada em denúncia sobre a rede municipal de Saúde em 2015, ainda no governo Rosinha Garotinho (hoje, Patri). Mas era um dos pleitos atuais dos médicos, que poderiam encarar a manifestação do MPF de Campos como reforço à sua posição em um clássico conflito entre patrão e empregado.

Ao blog do Edmundo Siqueira, hospedado no Folha1 e que sempre andou à frente na cobertura do complexo caso, o procurador da República Guilherme Garcia Virgílio disse (aqui) que era “coincidência” a divulgação hoje da determinação do MPF sobre a Saúde de Campos. Mas usou a greve para endossá-lo:

— A sentença proferida não tem relação com a greve dos médicos. Porém ela (a greve) deixa claro que os problemas não foram resolvidos.

Ao que José Paes Neto, procurador do município, respondeu:

—  Qualquer pessoa que acompanha o assunto sabe que a greve não teve início por conta de condições de trabalho. Mas por conta da instalação do ponto biométrico. E por conta dos cortes de gratificações e substituições, que é sim um problema nosso, causado pela atual situação financeira do município.

Como sabe a imensa maioria dos mais de 500 mil campistas que não têm condições de pagar um plano de saúde — e outros tantos de municípios vizinhos que diariamente buscam o Hospital Ferreira Machado (HFM) como polo regional —, o fim da greve não é a solução ao problema da Saúde Pública de Campos. Como prova a cronologia do que hoje determinou o MPF, e o próprio presidente do Sindicato dos Médicos de Campos (Simec), José Roberto Crespo, admitiu (aqui) no último dia 9 ao programa Folha no Ar, da Folha FM 98,3: “os problemas não vêm de hoje”.

A decisão dos médicos baixou a corda. É uma oportunidade para todos se sentarem e debaterem o que fazer para que ela não arrebente de vez. Sempre sobre o lado mais fraco: a população.

 

Na edição da Folha da Manhã deste sábado (31) saiba o que a população de Campos, que usa a Saúde Pública de Campos, pensa da greve dos médicos 

 

Ponto a ponto, entenda a greve dos médicos, que pode chegar ao fim nesta sexta

 

 

Anunciada em 1º de agosto e deflagrado no dia 7, a greve dos médicos da Saúde de Campos pode acabar nesta sexta (30), em assembleia da categoria. Para que você, leitor, possa entender melhor a cronologia do complexo caso, relembre clicando abaixo em cada um dos seus principais pontos:

 

08/04 – Prefeitura de Campos começa a implantar o ponto biométrico, inclusive para os profissionais da Saúde.

12/07 – Governo municipal anuncia contingenciamento de despesas por conta da queda na arrecadação de roylaties e PEs.

01/08 – Atingidos pelo ponto biométrico e pelo contingenciamento nas substituições e gratificações, médicos anunciam greve a partir do dia 7.

13/08 – Representantes dos médicos assinam “Pacto pela Saúde” proposto pelo governo, com abono de faltas e pagamento de 50% das gratificações e substituições.

14/08 – Em assembleia, médicos rejeitam “Pacto pela Saúde” assinado por seu representantes e mantêm greve.

15/08 – Médicos anunciam suas contrapropostas ao governo.

18/08 – Matéria da Folha mostra que entre 2017 e 2019, no governo Rafael Diniz (Cidadania), Campos recebeu na média das PEs três vezes menos do que entre 2009 e 2016, nos dois governos  Rosinha Garotinho (hoje, Patri).

19/08 – Mesmo sem o fim da greve, governo anuncia o pagamento de 50% das gratificações e substituições dos médicos, a partir do recebimento da PE, e prefeito divulga aberta aberta à categoria, com novas propostas.

19/08 – Promotor estadual Marcelo Lessa Bastos contesta versão do Simec, diz que não há endosso do Ministério Público Estadual à greve dos médicos e retifica: “o que não há é censura”.

22/08 – Em mais uma assembleia, médicos rejeitam as propostas do governo e mantêm greve.

22/08 – Despencam os royalties recebidos pelo município. 

23/08 – Sindicato dos Odontologistas no Norte do Estado do Rio (Sonerj) anuncia assembleia e assume o ponto biométrico na Saúde Pública de Campos como primeiro item da pauta.

25/08 – Matéria da Folha mostra que a média de royalties e PEs em 2019 é a terceira menor valor pago ao município desde 2003, no governo Arnaldo Vianna (PDT).

25/08 – Médico questiona o ponto biométrico como pauta da categoria, em vídeo no Facebbok, e tem questionado seu talento como bobo da corte.

25/08 – Após a reação ao ponto biométrico como primeiro ponto da pauta, presidente do Sonerj procura a redação da Folha para anunciar o cancelamento da assembleia e depois a reconfirma em grupo de WhatsApp. 

26/08 – Cremerj anuncia criação de gabinete de crise por conta da greve dos médicos.

26/08 – Marcada, cancelada e reconfirmada, assembleia do Sonerj termina com presidente entregando o cargo, sem discussão da pauta e com troca de acusações.

27/08 – É divulgado que o Cremerj encontrou 186 inconformidades no Hospital Geral de Guarus (HGG) e 132, no Hospital Ferreira Machado (HFM).

28/08 – Vereadores se reúnem na Câmara Municipal com representantes dos médicos para tentar pôr fim à greve.

29/08 – A pedido do MP, Justiça determina audiência de conciliação entre as partes para tentar por fim à greve dos médicos. No mesmo dia, representantes do Simec e do Cremerj voltam a se reunir com o prefeito. Entre os itens, além do pagamento dos 50% restantes das gratificações e substituições, o ponto biométrico.

30/08 – Fim da greve dos médicos?

 

Juiz marca audiência para tratar greve dos médicos, que se reuniram hoje com Rafael

 

 

Uma audiência de conciliação no dia 12 de setembro na 2ª Vara Cível de Campos, presidida por seu juiz titular Rodrigo Moreira Alves, para tratar da greve dos médicos da Saúde Pública de Campos, deflagrada desde o útimo dia 7. No mesmo dia da decisão judicial, os representantes da categoria voltaram a se reunir hoje com o prefeito Rafael Diniz (Cidadania) para tentar negociar o fim da greve. O poder público municipal acenou com: 1) liberação de férias sem custo ao erário, 2) abono das faltas com reposição, 3) pagamento dos 50% restantes das gratificações e substituições só depois do pagamento da próxima Participação Especial (PE) trimestral na exploração de petróleo, e 4) negociação do ponto biométrico no serviço ambulatorial, entre carga horária e produtividade, em critérios a serem definidos. A decisão se dará em mais uma assembleia dos médicos nesta sexta (30).

A decisão de hoje da 2ª Vara Cível acatou a manifestação, também de hoje, do promotor estadual Marcelo Lessa, da 2ª Promotoria de Tutela Coletiva. Foi sobre uma ação civil pública movida pelo defensor público Thiago Abud, na qual foi pedida a tutela de urgência a vários pedidos. Todos foram indeferidos pelo juízo. Pelo menos até a audiência do dia 12, da qual participarão o poder público municipal, o Sindicato dos Médicos de Campos (Simec), o defensor Thiago, o promotor Marcelo e sua colega Maristela Naurath Rabello de Farias, da 3ª Promotoria de Tutela Coletiva.

Abaixo, a decisão do juiz Rodrigo Moreira Alves:

 

 

Após a decisão do juízo da 2ª Vara, o Ministério Público também pediu que participasse da audiência o Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio (Cremerj). Como todas as demais recomendações do promotor Marcelo Lessa foram atendidas, é provável que essa também será. Abaixo, a manifestação do MP que já foi acatada pela Justiça de Campos:

 

 

 

 

 

O blog procurou o defensor Tiago Abud, que moveu a ação civil pública. Sobre o indeferimento dos seus pedidos pela Justiça, acatando a manifestação do MP, ele disse:

— Estou aqui para cumprir a determinação da Justiça. Todavia, sempre me anteciparei para tentar evitar a morte de pessoas e diminuir o sofrimento dos que necessitam do serviço público de saúde. Cumprimento do dever funcional e empatia com os mais pobres não se confundem com açodamento. Ao menos no meu dicionário.

Também procurado, o promotor Marcelo Lessa não quis se manifestar. No final da noite, o Sindicato dos Médicos de Campos (Simec) divulgou nota sobre a reunião com o prefeito. Nela, confirmou nova assembleia da categoria nesta sexta (30), para definir os rumos da greve, assim como a ida às 15h ao Ministério Público Federal (MPF) para entregar relatório sobre a Saúde Pública do município. Confira abaixo:

“Representantes do Sindicato dos Médicos de Campos participaram, na noite desta quinta-feira (29), na sede da Prefeitura, de uma reunião com o prefeito Rafael Diniz, com o secretário de Saúde Abdu Neme e com o procurador geral do município, José Paes Neto, quando foram tratadas as reivindicações da categoria em prol de melhores condições de trabalho para os servidores. Há 22 dias em greve, os médicos de reunirão em assembleia extraordinária nesta sexta-feira, para definirem os rumos do movimento, em local a ser definido.

Durante a reunião vários assuntos foram abordados, e dentre os compromisso firmados estão o pagamento integral da categoria nesta sexta-feira, incluindo as gratificações e substituições, o abono das ausências ocorridas no período de greve, mediante a reposição de horas, a liberação do agendamento de férias sem a necessidade de substituições (casos específicos serão tratados pelos gestores das unidades de saúde), a adoção do modelo de gestão por produtividade nos ambulatórios, respeitando o número mínimo de 60 consultas por semana, com a utilização da biometria. Ficou decidido ainda que os plantões de 24h não sofrerão alterações e que o departamento médico da secretaria municipal de Saúde será administrado por um profissional da medicina.

De acordo com o presidente do Simec, José Roberto Crespo, o resultado da reunião foi positivo. No entanto, por se tratar de uma decisão coletiva, não há como garantir, antecipadamente, que a greve chegará ao fim. Segundo ele, a decisão da categoria será tomada em assembleia. “Estamos satisfeitos com a sensibilidade do prefeito, que reconheceu nossas reivindicações como justas. Quanto aos custos da saúde, ele nos pediu apoio para encontrar um caminho de adequação à nova realidade do município”, declarou José Roberto Crespo.

Ainda nesta sexta-feira, buscando melhores condições de trabalho para a categoria, representantes do Simec apresentarão do Ministério Público Federal, um relatório contendo informações referentes ao atual cenário da saúde pública no município. A reunião no órgão está agendada para às 15h”.

 

Confira a cobertura completa na edição desta sexta (30) da Folha da Manhã

 

Enrique a reitor: “Por que a Uenf foi montada? Diminuir as desigualdades sociais”

 

Na bancada do Folha no Ar, os professores Enrique Medina-Acosta (esq.) e RodrigoTavares Nogueira (dir.), candidatos a reitor e vice-reitor da Uenf (Foto: Isaias Fernandes – Folha da Manhã)

 

“Existe uma relação indissociável entre a qualidade do ensino público superior com a qualidade do ensino fundamental e médio (…) A Uenf pode fazer isso, mas nós temos que sair ao campo e trabalhar em parceria. Nós temos programas de extensão maravilhosos da Uenf, que precisam ser regionalizados para capacitação de professores da rede pública de ensino. E como nós vamos resolver isso? Educando melhor e tendo um número maior de alunos qualificados entrando na universidade pública”. Entre outras coisas, é o que pretende fazer o professor de biotecnologia colombiano Enrique Medina-Acosta, caso se eleja reitor da Uenf. Com seu candidato a vice-reitor, o professor campista de engenharia Rodrigo Tavares Nogueira, eles fecharam na manhã de hoje o ciclo de entrevistas do Folha no Ar 1ª edição, da Folha FM 98,3, com os três candidatos ao comando da maior universidade de Campos e região. Na terça (27), Carlão Rezende abriu (aqui) a série, seguido do professor Raul Palacio (aqui) na quarta (28).

A eleição à reitoria da Uenf começa já no sábado (31), nos polos da Fundação Centro de Educação à Distância do Estado do Rio de Janeiro (Cederj). E, na próxima terça (03/09), atinge seu clímax no campus de Campos e no campi da universidade em Macaé. O universo é de aproximadamente 8 mil alunos, divididos entre cerca de 300 professores, 600 técnicos e 7 mil alunos. Na definição do resultado, os votos dos professores terão peso de 70%, cabendo 15% aos alunos e os outros 15% aos técnicos. Se nenhum dos candidatos alcançar mais de 50% do colégio eleitoral, os dois primeiros colocados disputarão o segundo turno.

O reforço na extensão da Uenf é proposto dos seus três candidatos a reitor. “Ela é uma pauta comum porque faz parte do tripé da fundamentação da Uenf (definido por seu idealizador, o antropólogo Darcy Ribeiro): excelência no ensino, pesquisa e extensão. E cada docente concursado na Uenf se pauta por esse tripé. Mas, na extensão, ele ganha uma visão muito importante na tradução do que se tem diretamente nos seus melhores saberes, nas suas técnicas de ensino, para a sociedade. A Uenf tem uma história excelente na exteriorização das suas atividades na região. Agora precisamos regionalizar e pautar a relação entre a qualidade do ensino médio em relação ao futuro aluno que entre na universidade”, explicou Enrique.

Da extensão à pesquisa, o candidato a reitor propõe redimensionar o papel histórico da universidade com o Norte Fluminense: “Lembremos o que é a Uenf. Por que a Uenf foi montada? O que se queria com a Uenf? Alavancar a região. Mas para quê? Diminuir as desigualdades sociais. Nós temos que aumentar o potencial de ação da universidade com sua responsabilidade social revista e ampliada. Quando eu falo em revisar, não é que estava errada. É redimensionar, atualizar, renovar. Para que a maioria das ações que nós fazemos em pesquisa, por exemplo, se traduzam em resolução dos dilemas das desigualdades regionais”.

Nos microfones da Folha FM, Medina-Acosta foi complementado por seu candidato a vice-reitor: “Estou recebendo e-mails de alunos que ainda não terminaram os cursos de graduação e pós, mas já estão contratados por empresas satélites da Petrobras. Pelo menos para engenharia, o mercado está começando a ficar aquecido. A gente não está com dificuldade de pegar formandos nossos e colocar no mercado de trabalho. A Uenf não quer ser sobrevivente. Nesse mar de crise que a gente vive, quer ser vencedora”, pregou Rodrigo Tavares Nogueira.

Como já havia sido com os candidatos Carlão Rezende e seu vice Juraci Sampaio, da chapa 11, e Raul Palacio, pela chapa 10, Enrique e Rodrigo responderam na manhã de hoje a uma pauta comum às três candidaturas a reitor da Uenf. E nela falaram sobre a autonomia financeira da universidade (saiba mais aqui), o legado do seu fundador Darcy Ribeiro, a relação com o governo estadual Wilson Witzel (PSC) e a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), a integração do campus Leonel Brizola com Campos, as parcerias com a  iniciativa privada e o momento difícil que as universidades vivem no Brasil e no mundo, com a onda de negacionismo e ataques ao conhecimento científico.

Os representantes da chapa 13 também falaram da importância simbólica da Casa de Cultura Villa Maria. Construído em 1919, pelo arquiteto italiano José Benevento, o palacete foi um presente do usineiro e engenheiro Atilano Chrysóstomo de Oliveira à sua esposa, D. Maria Queiroz de Oliveira. Conhecida como Dona Finazinha, por ter nascido no Dia de Finados, e por seu interesse na promoção de atividades culturais, ela morreu em 1970, quando deixou o prédio em testamento para que viesse a funcionar como sede da futura universidade no Norte Fluminense. Antes da instalação da Uenf em 1993, a Villa chegou a ser sede da Prefeitura de Campos.

As respostas de Enrique e Rodrigo sobre essa pauta comum às três candidaturas podem ser conhecidas nos vídeos do programa ao final desta postagem, ou na edição da Folha da Manhã desta sexta (30). Em rádio e jornal, o mesmo espaço foi ocupado pelos representantes das duas outras chapas.

Trincheira na luta pela Uenf desde antes da sua implantação, em 1993, a Folha cumpriu seu papel com a divulgação e o debate das propostas ao comando da mais importante universidade de Campos e região, pelos próximos quatro anos. Quem define, nestes sábado e terça, é a escolha democrática dos seus professores, técnicos e alunos.

 

 

 

 

Vereadores com representantes dos médicos na Câmara para tentar encerrar greve

 

 

O presidente do Sindicato dos Médicos de Campos (Simec), José Roberto Crespo, e o conselheiro do Cremerj, Rogério Bicalho, se reuniram esta tarde na Câmara Municipal com os veredores Igor Pereira (PSB), Jorginho Virgilio (PRP), Enock Amaral (PHS), Ivan Machado (PTB), Josiane Morumbi (PRP), Cabo Alonsimar (PTC), Marcelo Perfil (PHS), Paulo Arantes (PSDB), Álvaro César (PRTB) e Joilza Rangel PSD). A pauta foi tentar encontar uma saída para acabar com a greve dos médicos da Saúde Pública de Campos, que hoje completou 21 dias.

Segundo os vereadores, os médicos se mostram dispostos a encerrar a greve se for apresentado pelo poder público municipal um cronograma para quitação do pagamento das substituições, de reformas em unidadesde  e reposição de medicamentos e insumos para trabalhar. Hoje, depois da sessão da Câmara, os vereadores tentarão marcar uma reunião com o prefeito Rafael Diniz (Cidadania) e seu secretário de Saúde, Abdu Neme (PR), para levarem a proposta dos médicos. A inciativa de se encontrar com os representantes da categoria partiu dos edis. Embora quase todos sejam governistas, não houve consulta prévia ao prefeito.

 

Raul Palacio a reitor: “A Uenf tem um papel de desenvolver a nossa região”

 

Candidato a reitor da Uenf, professor Raul Palacio foi o entrevistado da manhã de hoje no Folha no Ar (Foto: Isaias Fernandes – Folha da Manhã)

 

“A polarização não leva a nenhum resultado. É muito difícil convencer uma pessoa que está polarizada a ele sair do seu ponto e entender o outro. Porque não existe entendimento na polarização”. Foi que o professor e candidato a reitor da Uenf Raul Palacio, cubano naturalizado brasileiro, disse no início da manhã de hoje, ao vivo no programa Folha no Ar 1ª edição, da Folha FM 98,3, sobre a situação entre os regimes opostos da sua Cuba natal e dos Estados Unidos. Mas que também pode se aplicar à sua narração da luta política, travada pela Uenf na Alerj, para garantir a autonomia financeira das universidades estaduais fluminenses a partir do sistema de duodécimos.

Apesar de classificar como “inumano” o bloqueio comercial dos EUA à Cuba, Palacio também criticou a falta de transparência da ditadura de esquerda da ilha caribenha na prestação de contas à sua população. Assim como a separação entre pais e filhos promovida pelos dois países ideologicamente opostos. E que sofreu na pele, após ficar alguns anos sem poder ver sua família em Cuba, incluindo seu filho do primeiro casamento, depois que veio dar seguimento à formação acadêmica no Brasil e decidiu ficar por aqui. “Por isso tenho problemas dos dois lados. Porque eu acho que os dois lados estão errados”.

O candidato a reitor pela chapa 10 também falou da transferência da Escola Técnica Estadual (ETE) Agrícola Antonio Sarlo para a Uenf, ponto levantado pelo diretor da ETE, Marcelo Almeida, em participação a partir de comentário no streaming do Folha no Ar, sempre disponível (aqui) na página da Folha FM 98,3 no Facebook. Palacio respondeu que “o processor de incorporação do colégio agrícola é um processo que já não tem volta (…) o que está faltando é a assinatura do governador”. A intenção é usá-la como porta de entrada à Uenf, no estágio de iniciação científica entre estudantes universitários e do ensino médio. Isso poderia ser o início do Colégio de Aplicações.

Ao elogiar o ensino médio público dos EUA nas highschools, para além do Antonio Sarlo, Palacio lembrou: “A Uenf tem um papel de desenvolver a nossa região”. Como exemplo, ele acenou que isso poderia ser feito encurtando a distância entre o ensino médio local e a universidade. Segundo ele, que coordena o programa “Uenf Portas Abertas”, 4 mil estudantes de escolas públicas e particulares puderam ter contato direto com a universidade. “A Uenf em determinado decidiu apostar nos cursos de licenciatura. E isso é fundamental para desenvolver aquelas escolas. São os nossos estudantes que vão dar aulas naqueles cursos. Nós temos que levar os nossos estudantes para fazer estágio naquelas escolas, como estamos fazendo”, garantiu.

Como já havia sido feito (aqui) no Folha no Ar de ontem (27) com o professor Carlão Rezende, da chapa 11, e será a partir das 7h desta quinta, com o professor Enrique Medina-Acosta, da chapa 12, Palacio respondeu a uma pauta comum aos três candidatos a reitor. E nela falou sobre a autonomia financeira da universidade (saiba mais aqui), o legado do seu fundador Darcy Ribeiro, a relação com o governo estadual Wilson Witzel (PSC) e a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), a integração do campus Leonel Brizola com Campos, as parcerias com a  iniciativa privada e o momento difícil que as universidades vivem no Brasil e no mundo, com a onda de negacionismo e ataques ao conhecimento científico.

O representante da chapa 10 também falou da importância simbólica da Casa de Cultura Villa Maria. Construído em 1919, pelo arquiteto italiano José Benevento, o palacete foi um presente do usineiro e engenheiro Atilano Chrysóstomo de Oliveira à sua esposa, D. Maria Queiroz de Oliveira. Conhecida como Dona Finazinha, por ter nascido no Dia de Finados, e por seu interesse na promoção de atividades culturais, ela morreu em 1970, quando deixou o prédio em testamento para que viesse a funcionar como sede da futura universidade no Norte Fluminense. Antes da instalação da Uenf em 1993, a Villa chegou a ser sede da Prefeitura de Campos.

As respostas de Palacio sobre essa pauta comum podem ser conhecidas nos vídeos do programa ao final desta postagem, ou na edição da Folha da Manhã desta quinta. Em rádio e jornal, o mesmo espaço foi e será ofertado aos representantes das duas outras chapas.

A eleição começa já no sábado (31), na Fundação Centro de Educação à Distância do Estado do Rio de Janeiro (Cederj). E, na próxima terça (03/09), atinge seu clímax no campus de Campos e no campi da universidade em Macaé. O universo é de aproximadamente 8 mil alunos, divididos entre cerca de 300 professores, 600 técnicos e 7 mil alunos. Na definição do próximo reitor da Uenf, nos quatro anos seguintes, os votos dos professores terão peso de 70%, cabendo 15% aos alunos e os outros 15% aos técnicos.

Nos três blocos abaixo, confira a entrevista de Raul Palacio:

 

 

 

 

“A Morte Pede Carona”, em homenagem a Rutger Hauer, nesta quarta no Cineclube

 

Na pele do implacável psicopata de “A Morte Pede Carona”, Rutger Hauer tem homenagem póstuma no Cineclube Goitacá

 

Às 19h desta quarta (28), o Cineclube Goitacá traz um clássico cult dos anos 1980. Como sempre o espaço é da Oráculo Produções, do ator Luiz Fernando Sardinha, na sala 507 do edifício Medical Center, no cruzamento das ruas Conselheiro Otaviano e 13 de Maio. Misto de thriller de suspense e road movie, “A Morte Pede Carona” (1986), de Robert Harmon, será exibido em homenagem póstuma ao ator holandês Rutger Hauer. Morto (aqui) aos 75 anos em 24 de julho, ele imortalizou na história do cinema o replicante Roy Batty, em “Blade Runner — O Caçador de Andróides” (1982), de Ridley Scott, exibido em 19 de junho no Cineclube, pelo estudante e cinéfilo Lucas Rodrigues.

Em “A Morte Pede Carona”, Hauer vive o misterioso e cruel psicopata John Ryder, que pega carona pela mítica Route 66, em meio ao deserto do sudoeste dos EUA. E não poupa da sua sanha sanguinária nem as mulheres e crianças nos carros que cometem a imprudência solidária de pegar-lhe na estrada. Ele tem menos sorte com o jovem Jim Halsey, interpretado por C. Thomas Howell, que guia um carro para entregá-lo na Califórnia. Por isso Ryder passa a perseguir obsessivamente o rapaz, matando quem cruzar à sua frente, inclusive todos os policiais de uma delegacia. Tudo para incriminar Halsey. Só quem acredita na sua incocência é a garçonete Nash, na pele de Jennifer Jason Leigh, outra figurinha carimbada dos anos 1980.

Há uma evidente tensão sexual entre o psicopata, o rapaz e a garçonete. Que só se consuma com mais violência. É uma pequena obra prima do diretor Robert Harmon, que não emplacou no cinema e migraria à TV nos anos 1990. O mesmo aconteceria com o ator C. Thomas Howell, após iniciar sua carreira no clássico “E.T. — O Extraterrestre” (1982), de Steven Spielberg, antes de protagonizar outro filme cult daquela década, “Vidas Sem Rumo” (1983), de Francis Ford Coppola. Nele, contracenava com outros então jovens e desconhecidos atores que depois se tornariam astros, como Tom Cruise, Patrick Swayze, Matt Dillon e Diane Lane.

Se Harmon e Howell não repetiriam o mesmo sucesso de público e crítica alcançado em “A Morte Carona”, o filme não envelheceu nos últimos 33 anos. E continua a cumprir seu objetivo, que é prender a respiração do espectador e seu corpo à poltrona. Sua figura feminina principal, Jennifer Jason Leigh também se seguraria na carreira, participando do elenco de produções recentes importantes, como “Os Oito Odiados” (2015), escrito e dirigido por Quentin Tarantino.

Mas a estrela de “A Morte Pede Carona” é mesmo Rutger Hauer. Seus olhos azuis deram brilho a um dos psicopatas mais marcantes do cinema de uma década. A popular advertência “não dê carona a estranhos”, exibida no cartaz do filme, poucas vezes fez tanto sentido.

 

Confira o trailer do filme:

 

 

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