Opiniões

Doutor usa anúncio publicitário para tentar influenciar a linha editorial da Folha

 

O mais didático dos momentos de polarização social é a revelação que ela é capaz de fazer da índole das pessoas, algumas com as quais convivemos há anos, sem nunca ter percebido, de fato, de quem se tratavam. Identificar, por exemplo, quem é capaz de passar pano em milícias, nepotismo, invasão de terras indígenas, desmatamento da Amazônia, defesa de tortura, assassinato e ocultação de cadáver, para tentar defender o seu “político de estimação”, serve para saber com que tipo de gente estamos lidando. E que seguirá sendo o que é quando passarem os governos.

Sobre a greve dos médicos da Saúde Pública de Campos, deflagrada na quarta (07), o médico Jóber Brito, que conheço pessoalmente há anos, já havia entrado em contato comigo, via WhatsApp, desde o sábado anterior (03). O fez para contestar uma nota da coluna Ponto Final (aqui), na edição da Folha daquele dia, especificamente falando sobre a implantação do ponto biométrico em todo o serviço público, incluindo os médicos:

Sem nenhuma edição, vamos à integra da conversa:

 

 

O contato foi amistoso. E serviu para que o presidente do Sindicato dos Médicos, José Roberto Crespo, fosse o convidado da manhã de hoje do programa Folha no Ar, mais ouvido de Campos e região, na Folha FM 98,3. Para quem não viu ou quiser rever, confira abaixo:

 

 

Pois Jóber voltou hoje a fazer contato via WhatsApp. Por conta de cinco notas da coluna de Murillo Dieguez, publicada sempre às sextas, que traziam uma visão crítica da greve dos médicos, Jóber acusou a Folha de parcialidade. Mesmo que o contraditório fundamental ao jornalismo tenha sido oferecido no mesmo dia, com a entrevista de José Roberto Crespo.

Ainda assim, franqueei mais uma vez o espaço para que Jóber se manifestasse, garantindo democraticamente a publicação. Mas no particular da acusação de parcialidade crítica que não se sustenta diante dos fatos, a não ser que se busque a parcialidade favorável, pedi a Jóber, na intimidade do conhecimento de anos: “não encha o saco”.

Daí, o que se deu foi a atitude mais coronelesca possível. Por ter veiculado um anúncio publicitário na Folha e feito o “favor” de pagar por ele, Jóber sugeriu que isso deveria ser levado em conta na condução da linha editorial do jornal. Chegou, pasme-se, a enviar cópia da fatura paga, na pretensão de tranformá-la em cobrança. Não sei com que tipo de mídia o doutor está acostumado a lidar, mas na Folha da Manhã ele foi posto em seu devido lugar.

Até pelo sigilo que protege a relação repórter/fonte, resguardada nos artigos 5º e 220 da Constituição Federal, os mesmos que hoje se põem nacionalmente em questão por quem pretende subverter o estado democrático de direito, não tinha a intenção de revelar nada disso. Nunca o fiz, ou voltarei a fazê-lo, desde que a relação de confiança não seja rompida e adulterada pela fonte. Foi o que constatei ao ser alertado que, para fazer média com seus colegas e posar de defensor da categoria, o doutor publicou em grupos de WhatsApp uma parte editada da conversa.

Na versão do doutor, editada dolosamente para favorecê-lo, ela teria ocorrido apenas assim:

 

 

Na versão integral dessa segunda (e última) conversa, com a tentativa patética do doutor de chantagear com anúncio publicitário a linha editorial de um jornal, ela ocorreu na verdade assim:

 

 

Peço desculpas ao leitor do blog, por divulgar um assunto tão menor e mesquinho. Mas, em nome da verdade, nenhuma edição deve ser admitida para que cada um, doutor ou não, possa fazer seu diagnóstico por conta própria.

 

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