Opiniões

Após desconto de faltas, médicos pedem abono, negociações avançam e política se acirra

 

Charge do José Renato publicada hoje (13) na Folha

 

Médicos: greve x faltas

A greve dos médicos da Saúde Pública de Campos continua. Pelo menos até hoje, quando nova reunião ocorrerá entre o prefeito Rafael Diniz (Cidadania), seu secretário de Saúde, Abdu Neme (PR), e o presidente do Sindicato dos Médicos de Campos (Simec), José Roberto Crespo. Na que eles tiveram até às 21h de ontem (12), as negociações avançaram (aqui). Mas dados técnicos ficaram de ser levantados para hoje. Entre eles o do pleito de abono das faltas de quem aderiu à greve deflagrada (aqui) no dia 7. O endurecimento do prefeito, que anunciou o desconto das faltas em entrevista à Folha (aqui) no domingo (11), parece ter surtido efeito no dia seguinte.

 

Lutas de classe e política

Após a reunião de ontem na Prefeitura, José Roberto foi à Sociedade Fluminense de Medicina e Cirurgia (SFMC). Levou o que foi discutido ontem e o que será hoje. E a decisão da categoria foi manter a greve. Presente em qualquer disputa de patrão e empregado, a luta de classes faz seu jogo de espera. Mas a luta política se acirra. Líder governista, o vereador Genásio (PSC) anunciou ontem (aqui) que Abdu vai à Câmara debater Saúde com a oposição, em audiência pública ainda sem data marcada. E o edil garotista Álvaro Oliveira (SD) entrou (aqui) com denúncia no Ministério Público Federal (MPF), contra o que classificou de “descaso” com a Saúde.

 

O bolso e o paciente

A coluna advertiu (aqui) no sábado (10): “Como todo médico sabe, a diferença entre o remédio e o veneno é a dosagem”. Com justiça contrariados pela suspensão das gratificações e bloqueio das substituições, mas sem nenhuma razão contrariados com a biometria, os médicos talvez tenham se excedido ao postar nas redes sociais flagrantes de precariedade das unidades de Saúde. Não porque não existam, mas porque “não vêm de hoje”, como José Roberto admitiu (aqui) em entrevista ao Folha no Ar, da Folha Fm 98,3. Ou porque só foram lembradas quando o sintoma se deu sobre o bolso, não quem deveria interessar: o paciente que não pode pagar saúde privada.

 

O bolso, o voto e a corda

Acuado, o governo partiu para dentro com o corte das faltas dos grevistas. Estrategista de campanha do ex-presidente dos EUA Bill Clinton, Jim Carville imortalizou a sentença entre bolso e voto: “É a economia, estúpido!”. Pode ter valido agora para os médicos. A certeza talvez se tenha ainda hoje, ou nos próximos dias. Mas também pode ter consequências mais adiante, no pleito de 2020. Influentes em todos os setores sociais, os médicos geralmente compõem a chamada “pedra”, eleitorado original de Rafael. Na lei universal da ação e reação, a hora talvez seja de baixar a corda. Antes que ela arrebente (mais) sobre a população.

 

No PSC

Está marcada (aqui) para hoje, às 15h, a filiação do presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado do Rio de Janeiro (FCDL), Marcelo Mérida, no PSC do governador Wilson Witzel, com a presença do presidente nacional da legenda, Pastor Everaldo. Candidato a deputado federal pelo PSD em 2018, Mérida não se elegeu e busca protagonismo em uma agremiação fortalecida com a eleição de Witzel. O lojista ensaia uma candidatura própria a prefeito, mas vai para o partido do deputado Bruno Dauaire, que já declarou apoio a outro pré-candidato, o amigo Wladimir Garotinho (PSD).

 

Destaque

O Festival de Petiscos de Farol de São Thomé, em Campos, pode se tornar patrimônio cultural imaterial do Estado. Pelo menos, esse foi o projeto de lei que o deputado estadual Gil Vianna (PSL) apresentou na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). O evento é organizado pela Associação de Comerciantes, Hotéis e Similares do Farol e acontece anualmente desde 2013, atraindo milhares de turistas para o litoral campista, aquecendo a economia local. O parlamentar tem boa expectativa para que o texto seja aprovado.

 

Comemoração

O XIV Aniversário do Jeep Clube de São João da Barra promete atrair um grande público no próximo fim de semana – 17 e 18 de agosto –, das 8h às 17h, na estrada da Restinga, nos fundos do Balneário de Atafona. Na programação passeio off-road, exposição de jipe, atrações musicais, campanhas ambientais e provas de obstáculo e arrancadão. A programação será aberta com o Desafio Espartano, com os competidores correndo a pé na pista de obstáculo dos jipes. O evento atrai jipeiros não só da região, mas também de outros estados.

 

Com Aldir Sales e Mário Sérgio

 

Publicado hoje (13) na Folha da Manhã

 

Este post tem 4 comentários

  1. Médicos em greve, entendo que se a greve, seguiu os trâmites legais, amparada pela Justiça, a decisão da Prefeitura é em meu raso entendimento – sindicalista que sou até a medula dos ossos – extremada e açodada, mas confesso que não me surpreendeu, haja vista que as negociações em relação ao funcionalismo público é encarada sob a ótica de não atender à nenhuma revindicação e ainda jogar uma cortina de fumaça, alegando um tal de “contigenciamento” como se nós, funcionários públicos, fôssemos culpados por uma propalada “crise”, discurso eleitoral que vem de tempos de campanha e é repetido para justificar a falta de planejamento estrátegico e a falta de projetos que possam propiciar crescimento econômico de nosso município. Eu estou decepcionado com a política pública desse governo, que apoiei durante a campanha, pois acreditava que haveriam mudanças de paradigmas no sentido de mudança na postura e relação política com um viés voltado para a cidadania, para as necessidades dos cidadãos.

  2. Vale ressaltar que não é uma greve de uma categoria profissional e sim ,de todos os servidores de nível superior que atuam na rede de urgência e emergência do município ( Enfermeiros,fisioterapeutas,psicólogos,assistentes sociais, administradores hospitalares e etc). O real motivo passa longe da questão do ponto, biométrico ou não. O pleito se faz por : falta de reajuste salarial, a desvalorização do servidor, que foi inclusive, promessa de campanha,suspensão de direitos adquiridos( férias,licença prêmio), escalas de serviço com menor número de servidores do que o necessário,sobrecarregando o profissional e prejudicando diretamente a população usuária da saúde pública do município, suspensão das gratificações e substituições já realizadas, ou seja, o servidor não sofreu o contingenciamento, mas teve parte do seu rendimento mensal já trabalhado , não paga pelo empregador, no caso, a prefeitura. Assim como os movimentos deflagrados no governo Dilma, não é pelos “. 20 centavos “ ou o ponto biométrico como a imprensa faz questão de frisar, muito menos , pleito de uma só categoria. É um movimento dos servidores da saúde pública do município que devem ser respeitados enquanto prestadores de serviços essenciais, que salvam vidas e precisam de condições de trabalho e de subsistência. Pela isenção e imparcialidade o comentário foi feito com intuito de mostrar o real motivo da greve.

  3. PROTEÇÃO A CUNHA COLOCA MORO NO CENTRO DO GOLPE DE 2016.

    Caiu como uma bomba no meio político a revelação de que o ex-juiz Sergio Moro impediu a apreensão dos celulares de Eduardo Cunha – ex-deputado que tramou a compra de votos para derrubar a ex-presidente Dilma Rousseff no golpe de 2016. Para parlamentares da oposição, a revelação deixa claro que Moro foi peça decisiva no golpe de estado de 2016, que derrubou a presidente Dilma Rousseff e a substituiu por Michel Temer.

  4. É A ECONOMIA, ESTÚPIDO!.

    Parafraseando a celebre frase do marqueteiro de Bill Clinton, James Carville, alguém tem que avisar Sergio Moro que ele é submetido às estreitas margens da lei para qualquer ato, nesse sentido, a questão é: “É a lei, estupido!” e que sair dessas margens, torna-o uma pessoa que extrapola a lei, o que faz com que não atendendo o que a lei determina, torne-se fora da lei, ou seja, marginal!

    Para os operadores do direito, para os defensores da democracia e pessoas de boa índole é muito simples entender isso, contudo, para ditadores esse princípio fere suas almas.

    Sergio Moro… com seis meses de trabalho tira férias… assim, ao arrepio da lei! Sem mais, nem menos (pelo menos, aparentemente) foi ao tio Sam se aconselhar e voltou de lá pronto, acreditando que a lei havia sido revogada para que ele pudesse destruir provas, olhar processos e procedimentos de operações da polícia federal e determinar conduções que não estão dentro de sua capacidade postulatória de um simples ministro da justiça!

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