Opiniões

Eleição a reitor da Uenf: Carlão sobe o tom das críticas a Raúl no 2º turno do dia 17

 

(Foto: Folha da Manhã)

 

No início da manhã de ontem (04), logo assim que saiu (aqui) o resultado do primeiro turno da eleição a reitor da Uenf, o professor Raúl Palacio (chapa 10 “Cada vez mais Uenf: Inovadora e Participativa”) ficou com 41,70% dos votos. Que o definiram como primeiro colocado à disputa do segundo turno, que começa no dia 14 nos polos avançados do Cederj e atinge seu ápice no dia 17, nos campi de Campos e Macaé.

 

Raúl Palacio e Carlão Rezende vão disputar o 2º turno da eleição a reitor da Uenf no dia 17 (Fotos de Isaias Ferenandes, montagem de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A dúvida inicial sobre o concorrente de Raúl se deu por conta do empate entre os outros dois candidatos a reitor: os professores Carlão Rezende (chapa 11, “AvançaUenf: Ciência e Sociedade”) e Enrique Medina-Acosta (chapa 12, “Uenf Renova”), cada um com 28,52% dos votos. Embora, inicialmente o presidente da Comissão Eleitoral da Uenf, professor Sérgio Arruda, tenha projetado um prazo mais longo à definição do desempate, ainda no final da tarde de ontem ele foi revelado com base no estatuto da universidade: Carlão.

Desde que Raúl foi definido como vencedor parcial, o blog pediu que ele fizesse uma análise das suas perspectivas para o segundo turno pela reitoria da Uenf. O que ele projetou pode ser conferido aqui. Assim que Carlão foi posteriormente definido como seu adversário, foi pedido que ele fizesse o mesmo tipo de análise. Em viagem a São Luís, no Maranhão, o candidato da chapa 11 só pôde escrever e enviar na madrugada de hoje. Como o texto elevou o tom das críticas à chapa de Raúl, parece que a campanha na Uenf tende a esquentar até o segundo turno do dia 17.

Preterido pelo criério de idade previsto no estatuto, o professor Enrique Medina-Acosta também foi indagado se queria se posicionar sobre o processo eleitoral à reitoria da Uenf, que seguiu sem ele ao segundo turno. E preferiu apenas responder: “Agora é com os candidatos”. Confira abaixo a análise de Carlão:

 

Carlão Rezendo, professor e candidato a reitor da Uenf

As eleições para a reitoria da Uenf no período 2020-2023: uma breve reflexão crítica

Por Carlão Rezende

 

Gostaria de iniciar minhas considerações agradecendo aos votos que a chapa 11 (Avança Uenf) recebeu de estudantes de graduação e pós-graduação, servidores técnicos e professores. Nas últimas semanas visitamos os polos do ensino à distância (EAD), centros e laboratórios, e conversamos com todos os segmentos da comunidade universitária da Uenf. Ainda nestas semanas de campanha participamos de debates organizados pelo sindicato que representa os servidores, o Sintuperj, e pela Comissão Eleitoral, assim como uma sabatina também organizada pelo Sintuperj.

Atuo como professor e pesquisador na Uenf desde os seus primeiros passos e durante várias ocasiões fui questionado sobre a minha participação em eleições na condição de candidato a reitor. No entanto, por problemas de ordem pessoal, sempre me mantive ativo nas questões de defesa da instituição, mas nunca concorri a um cargo que demanda respeitabilidade no meio acadêmico, extrema dedicação e esforço cotidiano de quem se prontifica a ocupá-lo. No entanto, quis o destino que, exatamente neste momento, depois de superadas as questões pessoais, a cobrança fosse refeita e finalmente me sinto pronto a aceitar esta missão institucional. Porém, havia necessidade de encontrar uma pessoa, a meu lado, para compartilhar este período de quatro anos a frente da reitoria da Uenf. Depois de consultar muitos colegas, o nome que emergiu de forma natural foi o do professor Juraci Aparecido Sampaio, depois de um longa conversa em que foi feito o convite para que fosse o meu vice-reitor. Felizmente, após um período de reflexão, o professor Juraci resolveu aceitar o convite e decidiu compor comigo a Chapa 11 Avança Uenf: Ciência e Sociedade.

Apesar de essa ser a primeira vez que concorro ao cargo de reitor, quero esclarecer que, ao longo da minha trajetória institucional dentro da Uenf, ocupei inúmeras funções administrativas, tais como vice-reitor, pró-reitor de Graduação, diretor do Centro de Biociências e Biotecnologia, e ainda estive à frente da criação do Laboratório de Ciências Ambientais; além de participar de inúmeros conselhos, colegiados e comissões. Como eu, o professor Juraci também possui uma sólida experiência acadêmica e administrativa, tendo também participado de vários conselhos, colegiados e comissões. Mas, além destas funções institucionais, me orgulho de ter participado da criação da Associação de Docentes da Uenf, tendo participado de várias diretorias ao longo dos anos. Mas gosto de frisar que em momento nenhum eu e o professor Juraci deixamos de cumprir nossas atividades de ensino, pesquisa e extensão.

Em relação ao primeiro turno que acaba de se encerrar, considero que a campanha eleitoral começou em um bom tom e dentro dos padrões democráticos que devem reger a vida universitária. Lamentavelmente em algum momento os representantes e apoiadores da chapa que representa a continuidade da gestão do professor Luís Passoni, começaram a faltar com a verdade em várias questões. Uma delas foi afirmar que eu e o professor Juraci não tínhamos uma experiência administrativa. Além disso, aparentemente em um esforço de mostrar que usaram construtivamente o período em que compuseram a atual gestão, os membros da chapa continuísta começaram a se apropriar de projetos que já vinham sendo realizados antes de sua chegada à reitoria e a colocar como se tivesse sido criado na atual gestão. Este tipo de situação me parece totalmente desnecessária em uma eleição para reitor e vice-reitor de uma instituição pública de ensino como é o caso da Uenf, além obviamente de faltar com a verdade, fato esse que reproduz alguns dos piores aspectos da ação de partidos em períodos eleitorais. E mais: na nossa área preservar a origem do trabalho realizado por antecessores é uma questão de respeito  e um procedimento ético basilar.

Noto ainda, com tristeza, que no estatuto da Uenf não existe a figura de reeleição, mas a chapa composta pelos professores, Raúl Palácio e Rosana Rodrigues, se autodenomina a chapa da continuidade, o que configura um claro projeto de poder dentro da Uenf. Este tipo de postura me parece desnecessária, pois considero que em universidades, após o encerramento de cada ciclo de administração, dirigentes universitários deveriam ter a clareza de reconhecer os benefícios da alternância de visões de desenvolvimento institucional, e dar oportunidade para outras pessoas à frente da reitoria. Assim, quando vejo a chapa apoiada pelo professor Luís Passoni, que se auto-rotula como sendo a da continuidade, prometendo resolver questões que deveriam ter sido resolvidas por eles ao longo destes últimos quatro anos, me causa um misto de surpresa e indignação.

Outro aspecto que nos incomodou bastante foi a prática também alienígena à vida universitária de fazer promessas que se sabe ser incumpríveis apenas para aumentar as chances eleitorais de quem as faz. Nesse sentido, esclareço que a Chapa 11 Avança Uenf: Ciência e Sociedade, não fez e não fará promessas para conquistar votos seja dos estudantes, servidores técnicos ou professores. Entretanto, reafirmamos a nossa disposição e compromisso de trabalhar incansavelmente pela Uenf e buscar ampliar as condições de vivência e convivência democrática dentro de todas as unidades que compõe a nossa universidade. Esta é a missão que estamos propondo. Também tenham certeza que não abriremos mão da defesa incondicional do ensino público, gratuito, de excelência, socialmente referenciado e inclusivo.

Concluindo, entendo que para ser reitor e vice-reitor de uma universidade algumas características têm que ser respeitadas. Não basta, por exemplo, um dado candidato informar que está disposto a conversar com lideranças políticas e acadêmicas. Penso que é preciso estar preparado para dialogar intensamente não apenas com a comunidade universitária e nossos pares, mas também com a população dos municípios em que a Uenf está presente. Aliás, isto faz parte da liturgia do cargo. Contudo, considero a pessoa que está à frente de uma reitoria também deve possuir um desempenho científico à altura dos maiores objetivos que nortearam a criação da Uenf pelos saudosos Leonel Brizola e Darcy Ribeiro. É essa capacidade científica que trará a respeitabilidade necessária junto aos governantes e a população em geral em momentos em que precisarmos obter os apoios necessários para que possamos atingir os altos objetivos que nos foram legados pelos fundadores da Uenf.

 

Atualização às 13h16: Após ler a postagem com a análise crítica de Carlão sobre a sua candidatura, Raúl preferiu não polemizar. Mas enviou a observação: “A comunidade universitária deu a sua resposta em relação ao projeto de universidade que deseja. Simples assim!”

 

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