Opiniões

Triatleta goitacá, Chistiano Abreu Barbosa disputa Mundial do Ironman na França

 

O século 20 de Jesse Owens, Joe Louis, Johnny Weissmuller, Emil Zátopek, Adhemar Ferreira da Silva, Sugar Ray Robinson, Zizinho, Alfredo Di Sténao, Juan Manuel Fangio, Ferenk Puskás, Didi, Mané Garrincha, Pelé, Maria Esther Bueno, Éder Jofre, Teófilo Stevenson, Jacques Mayol, Yasuhiro Yamashita, Carl Lewis, Karch Kiraly, Martina Navrátilová, John McEnroe, Zico, Diego Maradona, Sugar Ray Leonard, Julio César Chávez, Mike Tyson, Magic Johnson, Michael Jordan, Alexander Karelin, Miguel Indurain, Kelly Slater, Alexander Popov, Royce Gracie, Niki Lauda, Alain Prost e Ayrton Senna produziu grandes atletas, verdadeiras lendas do esporte. Mas, talvez mais do que todos os outros, foi o pugilista Muhammad Ali quem reuniu o que há de melhor entre homem e esportista. Com seu título de campeão profissional peso pesado de boxe cassado e impedido mais de três anos de lutar nos ringues, por ter se recusado a lutar para matar na Guerra do Vietnã, passou a viver de palestras. Saindo de uma delas, na conceituada universidade de Harvard, os estudantes lhe pediram em coro um poema. O campeão parou, pensou alguns segundos, e disse: “Me, we!” (“Eu, nós!”).

Entre a mãe Diva e a esposa Julie, o triatleta Christiano Abreu Barbosa, que disputa neste domingo o Campeonato Mundial do Ironman, em NIce, na França (Foto: Arquivo Pessoal)

Um boleiro habilidoso desde moleque, que na meia idade se aposentou do futebol por contusões. E, pelos mesmos motivos, abandonou a curta carreira seguinte como maratonista. Mas, para dar vazão ao seu espírito altamente competitivo, acabou se tornando um triatleta de destaque, chegando a recentemente liderar o ranking de todo o Brasil em sua faixa etária. Este é Christiano Abreu Barbosa, 46 anos, diretor e blogueiro da Folha, e meu irmão caçula, que neste domingo (08) disputa o Campeonato Mundial do Ironman, em Nice, no litoral mediterrâneo da França.

A largada será  às 9h da manhã, 4h da madrugada no Brasil, nas águas azuis do Mar Mediterrâneo, eixo comercial do mundo até as grandes navegações do séc. XVI. Daí será 1,9 km de natação, com tempo médio previsto entre 30 a 35 minutos. Depois é sair do mar para pegar a bicicleta e pedalar 92 km, parte considerada mais dura da prova, pelo circuito montanhoso nos arredores de Nice, com subidas muito íngremes e descidas perigosas, sobretudo se cair a chuva prevista. Quem conseguir cumprir essa etapa muito bem, deve fazê-lo em cerca de três horas, com médias de km/h consideradas baixas.

Após o pedal, de volta a Nice, é largar a bicicleta para a última etapa do Ironman: correr a pé uma meia-maratona de 21 km. Serão duas voltas pela orla do balneário mediterrâneo, cada uma com 10,5 km. Para quem cumprir muito bem o total da prova, a estimativa é entre cinco horas e cinco horas e meia. É considerado um tempo lento, mas que se justifica pelas dificuldades naturais do percurso no litoral sul da França. A perspectiva de encerramento do Mundial é às 14h locais, 9h da manhã no Brasil.

Como nosso pai antes dele, Christano é um campista apaixonado por sua terra de planície, cortada e parida pelo rio Paraíba do Sul. É ela que ele representará neste domingo, em mar e terra de França, entre os melhores triatletas do mundo. A um oceano, um hemisfério e cinco horas de fuso horário de distância, fica daqui a torcida. E o orgulho, independente do resultado.

Nadando, pedalando e correndo por mais de cinco horas ininterruptas no palco do Mediterrâneo, pia de batismo de uma tal Civilização Ocidental, que o pensamento do triatleta goitacá seja o mesmo do campeão: “Eu, nós!”

 

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