Opiniões

Altura lança no 3º FDP! seu segundo livro de poesia, “Provocações e Silêncios…”

 

Capa do livro “Provocações e Silêncios…”

Parte do 3º Festival Doces Palavras (FDP!), às 19h de hoje o professor e poeta Luiz Antonio Cosmelli, o Altura lança seu segundo livro de poesia: “Provocações e Silêncios”. Será na Santa Paciência Casa Criativa, na Barão de Miracema, nº 81, com entrada franca. Segundo o autor: “Esse novo trabalho se apresenta como um diário de bordo, onde, entre refugiados e desvalidos, vasculho os horizontes dos silêncios e das provocações que alimentam e denunciam minhas viagens afetivas, políticas, sociais, num eterno bem-me-quer, mal-me-quer… Navego não em busca de informação, mas de clareza… Não quero respostas prontas, quero perguntar o que há de novo, rasgar o peito, não me poupar, provocar os possíveis leitores pelos caminhos do mundo, da solidão, da morte… Na verdade, esse trabalho é fruto de encontros às escondidas com poetas/poetisas do mundo e desta terra goitacá… Todos destemidos(as) e atrevidos(as), como o mundo detesta e precisa…”.

Diretor teatral e poeta, Antonio Roberto de Gois Cavalcanti, o Kapi, foi talvez o maior artista que viveu nesta terra de planície parida e cortada pelo rio Paraíba do Sul. Ele dizia: “Eu não acredito em artista humilde”. Embora não seja conhecido pela vaidade, nas páginas de “Provocações e Silêncios…”, a confirmar Kapi, entre os poemas estão as fotos do rosto de Altura, de perfil e frontal, com brinco na orelha esquerda.

Há na obra poemas sociais, como o “provocações…”, na página 63, que batiza o livro. Na bifurcação entre pessoal e coletivo “a resistência dos meus versos/ pelas juras de amor/ pela luta contra todos os tipos de opressão”, os dois caminhos são trilhados. O segundo, a despeito da opressão ambidestra da história, tem seu adversário político desnudado no poema “no terceiro dia…”, na pág. 75: “sob a direita poderosa/ que julga e executa/ os vivos e os mortos”.

Luiz Antonio Cosmelli, o Altura

Menos político, o primeiro caminho revela a face das “mãos carinhosas…” na pág. 53, outro poema social. Mas onde esta característica é eclipsada pela sensibilidade “incontrolável” como “o desejo de amanhã/ brotando por entre os dedos/ como raízes em direção ao sol”. Poeta irlandês e ganhador do Nobel de Literatura, William Butler Yeats ressalvava: “Dos questionamentos do homem com o mundo, surge a retórica. Dos questionamentos do homem consigo mesmo, nasce a poesia”.

Logo à pág. 19, em “a primeira flor de setembro…” Altura sinaliza que, nessa encruzilhada entre pessoal e coletivo, no primeiro está a maior virtude dos seus versos: “ao acordar já não estavas mais/ apenas a camisola negra que te fazia tão linda…/ outras dores outras culpas outras saudades…/ na última hora na hora precisa do encantamento/ não soube dizer que te amava/ dizer amor é sempre ter medo de perder…/ e o tempo perdeu-se no lado escuro/ da lua…/ (…) meus olhos guardam o gosto do teu batom vermelho/ (…) e uma lágrima colorida como arco-íris sem pote de ouro”.

Há influências possíveis, como do diálogo tenso sobre o rei, o verme e o mendigo, que se dá entre Hamlet e Cláudio, após o príncipe matar Polônio. Seja ou não influência da maior tragédia de William Shakespeare, é poderosa a imagem de Altura em “delírios…”. Na pág. 49: “dos que se fingem de mortos/ e se banqueteiam com os próprios vermes”. É antes do poema se fechar com a expiação lunar pela sedução de meninas armadas: “e quando a lua surgir fervendo/ anunciarei o rosário de mentiras/ com as quais iludi meninas/ amadas e armadas com dentes serrilhados”.

Das figuras de linguagem, com sua associação de contrários para reforçar uma ideia, o oxímoro está entre as mais refinadas na língua portuguesa. Estão aí o “Hércules-Quasímodo” do prosista Euclides da Cunha e o “Narciso Cego”, do poeta Thiago de Mello, para não deixarem ninguém mentir. Nem o Altura de “cotidiano…”, na pág. 47: “o mito da força da imortalidade/ guardado a sete palmos de terra…”. Ou em outro guardado de sete, em “espumas…”, na pág. 103: “guardado a sete chaves numa gaveta arrombada”.

Luiz Antonio Cosmelli, o Altura

Para além das provocações do animal político aristotélico, este livro guarda as solidões do seu autor. Em “aquele seu vestido azul…”, na pág. 93: “num oásis do coração guardo sementes e gentes/ alimentando as fomes e sedes da minha solidão”. Ou nas interrogações “???” na pág. 31: “a solidão é um sonho de cimento armado?/ ou o prazer da masturbação?/ para que serve a minha poesia?”. Resposta dada nas “lembranças torrenciais” que desaguam nas páginas 35 e 36: “…sou um cais sem embarcação/ (…) minha solidão me protege/ (…) … só me resta embrulhar meu coração/ afogado em amargurada chuva de novembro/ transbordando de lembranças torrenciais/ para sempre…”.

Das influências possíveis, há aquelas certas. O “Meu tempo é quando!” de Vinicius de Moraes é cozido em “fogo brando…” na pág. 105: “me falta o verso do tempo do quando”. Na confluência entre literatura e música do Poetinha, Altura também toma benção a Nelson Motta e Dori Caymmi. Em “De onde vens”, a música dos dois canta: “Dor de amor quando não passa/ É porque o amor valeu”. E “a história…” se repete na pág. 17 deste livro: “explosão do argumento definitivo/ de que o amor valeu/ porque doeu”.

Assumidas como grandes influências do autor, dois mestres da literatura universal batem ponto nos “Mundos…” da pág. 45. Criador do verso livre, que ainda no século 19 libertaria a poesia da rima e da métrica, Walt Whitman sentenciou: “I believe in you my soul, the other I am” (“Eu acredito em você minha alma, eu sou o outro”). Com o que Altura dialoga, na tradição de chamado e resposta tão cara ao maior poeta dos EUA: “O meu humor/ ácido/ é minha/ vingança/ contra/ o que não sou/ no outro…”.

Para roçar sua língua na língua de Luís de Camões, como cantou Caetano, é na “Tabacaria” do poeta português Fernando Pessoa, em sua face mais modernista de Álvaro de Campos, que Altura fila um cigarro: “Pessoando:/ não sou tudo/ nunca serei tudo/ não posso querer ser tudo/ à parte isso tenho em mim/ todos os nadas do mundo…”.

 

Capa da Folha Dois de hoje (29)

 

Publicado hoje (29) na Folha da Manhã

 

Pré-candidato a prefeito de Campos pelo PT, José Maria Rangel no Folha no Ar

 

José Maria Rangel, petroleiro e pré-candidato a prefeito de Campos pelo PT, foi o entrevistado da manhã de hoje (25) no Folha no Ar (Foto: Isaias Fernandes – Folha da Manhã)

 

No início da manhã de hoje, o convidado do Folha no Ar 1ª edição, da Folha FM 98,3, foi o petroleiro José Maria Rangel. Ele se assumiu como pré-candidato do PT e prefeito de Campos. Mas ressalvou que outros nomes do partido no município também devem postular a pré-candidatura, embora tenha preferido não adiantar nomes, além do seu. Segundo ele, até o início de 2020 a decisão do partido à sucessão do prefeito Rafael Diniz (Cidadania) deve ser anunciada pela legenda:

— O meu nome (a prefeito) surge fruto de eu ter sido candidato a deputado federal em 2018. Na conjuntura que o partido viveu, de um ataque muito grande (ao PT), a nossa candidatura foi bem votada (20.5921 votos, 15.621 em Campos). Ficamos à frente de ex-ministros de Estado (do governo Dilma Rousseff), como (os petistas) Luiz Sérgio (18.461 votos), como Celso Pansera (15.287 votos). E eu nunca tinha sido candidato a cargo político nenhum. Então meu nome surge dessa candidatura. Mas eu não tenho dúvida que o Partidos dos Trabalhadores tem quadros bastantes qualificados, que podem também postular. É fundamental colocar que nós discutimos, sim, que o partido tem que apresentar uma alternativa e um projeto para a população de Campos. A gente espera até o começo do ano que vem estar apresentando o nome do nosso candidato, ou nossa candidata, a prefeito de Campos.

Independente do nome escolhido pelo partido, José Maria foi questionado sobre as dificuldades que um candidato a prefeito do PT teria em Campos. Já que na eleição de 2018, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) recebeu votação maciça no município — 55,19% ainda no primeiro turno e 64,87%, no segundo. Apesar dos números, ele discordou:

— Eu não avalio dessa forma. Campos reflete um pouco o que acontece no país. Você tem uma parcela do eleitorado que, mesmo tendo ganho nos governos do PT, não vota no PT de jeito nenhum. Isso é ideológico. Você tem um outro segmento da sociedade que, mesmo chateado com o PT, vota no PT. E você tem aquela parcela que eu chamo do “meio de campo”, que vai muito ao sabor da economia. E hoje a economia do país está em frangalhos. O governo Bolsonaro é um desastre. É uma continuidade piorada do governo Temer (MDB). Todos os indicadores econômicos e sociais do país comprovam isso. Nós vimos o que aconteceu no Chile (protestos contra o governo do presidente de centro direita Sebastian Piñera), nós vimos o que aconteceu na Argentina, com a derrota do (ex-presidente liberal Mauricio) Macri. No Brasil todo, e inclusive aqui, em Campos, as eleições de 2020 são fundamentais ao PT, para a gente retomar o governo (federal) em 2022.

Sobre a questão local, o petista também questionou o emprego dos royalties em Campos ao longo dos últimos 20 anos:

— Alguém sabe quanto de royalties Campos recebeu de 1999 para cá? Foram R$ 24 bilhões. O que que foi feito com esse dinheiro? Será que Campos melhorou na Saúde, na Educação, na Segurança Pública? Esse dinheiro é calcado em produção de petróleo, em valor de barril e do câmbio. São variáveis que o governo da nossa cidade tinha que ter o olhar mais atento, tinha que ter uma equipe que olhasse para isso o tempo inteiro. A cidade basicamente vive dos royalties, a Participação Especial cai em 40%. Será que não tem ninguém na Prefeitura para ver isso? Como é que está a Saúde de Campos? Eu tive a oportunidade de ir duas vezes no (Hospital) Ferreira Machado, tanto no governo atual (Rafael), quanto no governo passado (Rosinha Garotinho, hoje Patri). Aquilo ali é uma vergonha para quem teve os recursos que recebeu de royalties. É esse debate que nós queremos fazer com a sociedade de Campos.

 

Arquiteto do HGG, Victor Aquino será o entrevista desta terça do Folha no Ar (Foto: Isaias Fernandes – Folha da Manhã)

 

Nesta terça, sempre a partir das 7h da manhã, o convidado do Folha no Ar 1ª edição será o arquiteto Victor Aquino. Superintendente portuário e industrial do governo Carla Machado (PP) em São João da Barra, ele vai ao programa para falar como autor do projeto do Hospital Geral de Guarus (HGG), que sofre há anos com infiltração da água da chuva. No último dia 20, o problema causou (aqui) a interdição de sete setores do hospital, que interrompeu seu atendimento clínico.

Até o Folha no Ar de amanhã, confira abaixo os dois blocos da entrevista de hoje com José Maria Rangel, pré-candidato do PT a prefeito de Campos:

 

 

 

Um dia após a Libertadores, Flamengo é campeão brasileiro sem entrar em campo

 

Em pé: Diego Alves, Pablo Marí, Filipe Luís, Willian Arão, Rodrigo Caio e Bruno Henrique. Agachados: Gabigol, Rafinha, Éverton Riberiro, Gérson e Arrascaeta. Campeões da Libertadores e do Brasieiro de 2019, no espaço de dois dias (Ilustração: Flamengo)

 

Ainda curando a ressaca do Bicampeonato da Libertadores, conquistado ontem (aqui), na virada épica de 2 a 1 sobre o tradicional copeiro argentino River Plate, no Estádio Monumental de Lima, os 42 milhões de flamenguistas do país — um entre cada cinco brasileiros — já podem comemorar outro título. Sem precisar entrar em campo, desde que acabou o Palmeiras 1 a 2 Grêmio na tarde de hoje, o Flamengo é também o campeão brasileiro de 2019. Vice-líder, ao lado do Santos, o Verdão precisava vencer para manter chances matemáticas de sonhar com o título. É o sétimo Brasileiro do Fla, que conquistou os títulos nacionais de 1980, 1982, 1983, 1987 (Copa União, não reconhecida pela CBF), 1992 e 2009. Desde o Santos de Pelé, em 1963, até o Rubro-Negro de Gabigol, Bruno Henrique e do treinador português Jorge Jesus, nenhum time tinha sido campeão brasileiro e da América do Sul no mesmo ano.

“Em dezembro de 81”, adaptação rubro-negra da música “Primeiros Erros”, de Kiko Zambianchi, é a trilha sonora das conquistas de um ano que passa à história do futebol brasileiro, sul-americano e do Flamengo, reconhecido pela Fifa como o mais popular do mundo. Até hoje, as conquistas daquele time mítico de Zico, Leandro e Júnior são a grande glória rubro-negra. Nas últimas semanas daquele ano mágico de 1981, o clube da Gávea conquistou três títulos no espaço de apenas 35 dias: o Campeonato Carioca, a Libertadores e o Mundial.

 

Entre Leandro e Júnior, Zico carrega a taça de Campeão Mundial em 13 de dezembro de 1981, em Tóquio (Foto: Flamengo)

 

Ponto alto daquela jornada histórica, em 13 de dezembro de 1981, o Flamengo de Zico goleou por 3 a 0 o Liverpool em Tóquio. Hoje liderado dentro do campo pelo craque egípcio Mohamed Salah, é o mesmo clube inglês que, após levantar mais uma Champions da Europa, pode disputar outra final do Mundial, desta vez contra o Flamengo de Gabigol. Agora no Qatar e com participantes de outros continentes, os campeões europeu e sul-americano terão antes que vencer seus jogos nas semifinais para disputarem mais uma vez o título de campeão mundial, em 21 de dezembro.

 

Santos de Pelé comemora no Maracanã o Mundial de 1963, conquistado com a vitória de 1 a 0 sobre o italiano Milan (Foto: Santos)

 

De ontem para hoje, no espaço de menos de 24h, o Flamengo já é o campeão da Libertadores e do Brasileiro de 2019. Se conseguir chegar à final do Mundial e vencê-la, se igualará ao Santos de Pelé. Até lá, ainda estará atrás do Flamengo de Zico. Para quem entende alguma coisa de futebol, é a dimensão onde simples homens se tornam deuses. Crentes, 42 milhões cantam a plenos pulmões: “Em dezembro de 81/ Botou os ingleses na roda/ Três a zero no Liverpool/ Ficou marcado na história/ E agora o seu povo/ Pede o mundo de novo”.

 

No início da noite de ontem, o Flamengo comemorou o Bi da Libertadores, conquistado sobre River Plate em Lima, no Peru (Foto: Divulgação Libertadores)

 

Populismo político tenta pegar carona na glória do Flamengo

 

Gabigol dribla Wilson Witzel no gramado no Monumental de Lima (Foto: Reprodução)

 

O Flamengo nunca havia conquistado um título nacional ou continental sem alguém da era Zico. Seja dentro do campo, ou no comando fora dele, como Andrade, clássico volante daquele time mítico de 1981 e técnico do último Brasileiro do clube, em 2009. Ao conquistar a Libertadores ontem (aqui), no Monumental de Lima, finalmente se libertou dessa escrita. E, como todo renascimento, foi parto dolorido.

Rei rubro-negro, Zico e sua era de ouro sempre serão a referência maior a qualquer flamenguista. Mas, a despeito do nó tático que tomou do River Plate de Marcelo Gallardo no primeiro tempo, o Flamengo de Jorge Jesus provou que pode haver vida para além do complexo de Édipo. Sem matar o “pai”, encarnou a mensagem generosa que o Galinho de Quintino enviou do Japão — “Pra cima deles, Flamengo!” — e assumiu seu lugar como protagonista da própria história.

Isso posto, resta lamentar por quem não tem nenhum papel a desempenhar na reconquista da América do Sul pelo Flamengo, 38 anos após o feito de Zico. Um deles, o governador Wilson Witzel (PSC) foi driblado por Gabigol ainda no Monumental de Lima. Ao se ajoelhar diante do autor dos dois gols da virada história de 2 a 1, o governador do “tiro na cabecinha” foi alvejado por seu disparo oportunista saído pela culatra.

 

 

Não pode ser esquecido que, após fazer gestos obscenos com uma garrafa d’água para o banco do River, Gabigol mereceu a expulsão que os flamenguistas tanto temiam. Mas sua atuação no jogo e depois dele, reduzindo Witzel ao seu papel patético, deram crédito ao jovem artilheiro da Libertadores e do Brasileiro.

Mas Witzel não foi o único “papagaio de pirata” na glória do clube mais popular do mundo. Usando a Força Aérea Brasileira como sua milícia eleitoral, o presidente Jair Bolsonaro mandou caças para escoltar o vôo do time do Flamengo no retorno ao país. Até aí, tudo bem. Mas quando o piloto, servidor público federal, repetiu no rádio o slogan eleitoral do capitão, ultrapassou, mais que o limite do som, aquele que deveria existir entre público e pessoal.

 

 

Witzel e Bolsonaro não chegam a ser uma novidade. Ditador fascista, Benito Mussolini também aproveitou o Bicampeonato Mundial da Itália de 1934 e 1938 para fazer propaganda política. Embora composto de craques, como Giuseppe Meazza, faltou àquele grande time alguém com a atitude de Gabigol. Todos faziam a saudação fascista antes dos jogos.

 

Primeira bicampeã mundial na história do futebol, a Itália das Copas de 1934/38 fazia a saudação fascista antes dos jogos

 

Do lado de cá do Atlântico, os exemplos são mais próximos. E independem de bandeira ideológica. Pode ser o ditador Emílio Garratazu Médici — referência presidencial maior assumida por Bolsonaro — pegando carona na glória da Seleção Brasileira de 1970, na volta do Tri no México.

 

Maior jogador de todos os tempos, Pelé levanta a taça Jules Rimet ao lado do ditador brasileiro Emílio Garrastazu Médici, após o Tri de 1970

 

Pode ser a desastrosa tentativa de Dilma Rousseff na Copa de 2014, sediada em um Brasil que o PT acintosamente quis vender como “Pátria de Chuteiras”. O placar final (relembre aqui)? Basta ver o algarismo vaticinado pela “presidenta” antes da fatídica semifinal contra a Alemanha.

 

Na síntese da sua passagem como presidente, Dilma antevê o placar entre Brasil e Alemanha em 2014

 

Na vitória e na derrota, inerentes ao futebol e à vida, o populismo político poderia fazer o favor de ficar bem longe do campo. Nele, não serve nem como gandula ou maqueiro.

 

Flamengo Bi na Libertadores — Não foi como a torcida queria. Mas como sua alma foi forjada

 

Acompanhado por Bruno Henrique, Gabibol tira a camisa para comemorar o gol da Libertadores (Foto: Raul Sifuentes – Getty Images)

 

Não foi na técnica pela qual o time de Jorge Jesus se marcou. Foi na raça e no drama, marcas da história do Flamengo. Herói do jogo com os dois gols na virada nos últimos minutos do jogo, Gabigol acabou expulso por ter feito gestos obscenos à torcida do River. O que reforçou o caráter épico da conquista da Libertadores da América, como se regido pela torcida: “Pra cima deles, Mengo!”

O time argentino mandou no primeiro tempo. E abriu o placar aos 15 minutos com um gol do atacante colombiano Borré, numa jogada pela direita. A bola cruzou a defesa flamenguista, que voltou a apresentar o preocupante apagão dos 4 a 4 contra o Vasco. O erro coletivo foi coroado com a falha individual de Willian Arão, que teve atuação muito ruim.

Completamente perdido, o volante rubro-negro personificou o nó tático que Marcelo Gallardo aplicou em Jesus na etapa inicial. Ao marcar sob pressão no campo do adversário, o River deu ao Flamengo uma dose do seu próprio veneno. Com atuação monstruosa de Enzo Pérez, ganhou o meio de campo, dificultou a saída de bola do time carioca, cortou suas linhas de passe e explorou os espaços dos seus laterais. Gallardo deu o xeque, mas não o mate.

Se o time portenho sobrou no primeiro tempo, Gallardo errou ao fazer substituições no segundo, quando o Flamengo conseguiu igualar as ações. Supôs que poderia garantir o 1 a 0, a quinta Libertadores ao River e sua terceira como técnico. Faltou combinar com Bruno Henrique, sempre ele, que inventou aos 43 a jogada do primeiro gol, marcado por Gabigol após ótimo passe de Arrascaeta.

Após empatar o jogo, que levaria a final à prorrogação, o mérito da virada histórica foi todo de Gabigol. Ganhou uma disputa de bola aérea com dois jogadores mais altos dentro da área do River e fuzilou de canhota. Literalmente aos 46 minutos do segundo tempo. Ao tirar a camisa para comemorar o gol, levou o cartão amarelo. Que depois seria completo pelo vermelho.

Não foi uma exibição de gala, como sua apaixonada torcida queria. Mas como sua alma foi forjada.

 

 

É hoje! — Futebol da América do Sul entre o Time da Favela e Los Millionarios

 

Capa da Folha da Manhã de hoje (23)

“Quieta que eu quero ouvir Flamengo e River Plate”. O verso do tricolor Chico Buarque foi escrito para a música “Biscate” em 1993. E nunca foi tão válido quanto hoje. Os dois clubes do Rio de Janeiro e Buenos Aires já escreveram seus nomes na história do futebol. Mas hoje se enfrentarão pela primeira vez numa final da Libertadores da América. A partir das 17h de Brasília, no Estádio Monumental de Lima, Peru, Brasil e Argentina vão parar para assistir. E se dividirão entre torcer a favor e contra. Vascaínos comporão o Rivasco. Xeneizes, como são chamados os torcedores do Boca Juniors, clube mais popular entre os argentinos, fecharão com o Flamengo, reconhecido pela Fifa como o mais popular do mundo. Quem dúvida tiver, basta ver o fenômeno antropológico que nos últimos dias faz as ruas da capital peruana serem confundidas com o Baile do Vermelho e Preto do carnaval carioca.

As diferenças entre os dois finalistas da Libertadores são de raiz. Chamado pelos adversários de “Time da Favela”, o Flamengo se assemelha ao Boca em sua popularidade democrática. Enquanto o River atende pela alcunha de “Los Millionarios”, condição elitizada que remete no Brasil ao Fluminense e ao São Paulo. Mas, “Favela” ou “Millionarios”, Fla e River também têm características em comum. Seus êxitos no futebol refletem a seriedade da gestão administrativa fora do campo, onde servem de exemplo a seus rivais locais. E, apesar dos vários grandes jogadores de lado a lado, as principais estrelas dos dois times hoje estarão à beira do gramado: o técnico português Jorge Jesus, que provocou uma revolução no futebol brasileiro, e o ex-craque Marcelo Gallardo, considerado o melhor treinador da América Latina e cotado até para assumir o Barcelona de Lionel Messi.

 

Craques dos times fora do campo, Jorge Jesus e Marcelo Gallardo (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Conhecido por não poupar jogadores em jogos de menos importância, Jesus entrará com sua força máxima. A escalação já está decorada pelos flamenguistas: Diego Alves, Rafinha, Rodrigo Caio, Pablo Marí e Filipe Luís; Willian Arão, Gérson e Arrascaeta; Éverton Ribeiro, Gabigol e Bruno Henrique. A dúvida, que só será desfeita momentos antes da partida, fica por conta do time que Gallardo levará a campo. O mais esperado é que entre com Armani, Montiel, Martínez Quarta, Pinola e Casco; Enzo Pérez, De La Cruz, Palacios e Nacho Fernández; Borré e Suárez. Mas se decidir entrar com uma escalação mais defensiva para tentar conter o ímpeto ofensivo do Flamengo, pode adotar a linha de três zagueiros que andou treinando. No caso, o beque chileno Paulo Díaz entraria no lugar de um meia: Palacio ou De La Cruz.

 

Candidatos a craque da Libertadores: Bruno Henrique, Gabigol, De La Cruz e Nacho Fernández

 

Rafael Santos Borré

Em outra semelhança, Flamengo e River têm seus respectivos artilheiros, Gabigol e o colombiano Borré, brilhando no futebol da América do Sul, depois de terem fracassado no futebol da Europa. Na Libertadores, no entanto, o atacante brasileiro tem brilhado mais. Lidera a artilharia do Sul-Americano, com sete gols. Pelo clube portenho, os dois que mais marcaram até agora foram os meias Nacho Fernández e De La Cruz. Cada um balançou as redes adversárias três vezes. Não por acaso, os dois estão previamente indicados como candidatos do River a craque do torneio. Pelo Flamengo, além de Gabigol, o outro pré-candidato é seu parceiro de ataque. Destaque rubro-negro da temporada, tanto mais em momentos decisivos, Bruno Henrique já marcou cinco gols na Libertadores. E tem o mesmo número de assistências, estatística que lidera na competição.

Enzo Pérez

No River, a variação na escalação e no esquema do também pode ocorrer durante a partida, a depender do desenrolar. Há quem aposte que a dúvida seria só um estratagema para tentar confundir o treinador português, que fez treinos fechados não para esconder variações de escalação ou táticas. Mas para treinar o que tem sido uma das maiores armas ofensivas do Flamengo: jogadas ensaiadas de bola parada. Em contrapartida, Gallardo tem no clássico volante Enzo Pérez uma das armas para descobrir os segredos do técnico rubro-negro. O jogador argentino era terceiro homem do meio de campo, mais próximo ao ataque, até ser treinado por Jesus no Benfica de Portugal. Foi quem convenceu Pérez a recuar à posição de volante, onde atua até hoje e é um dos destaques do River. Volta de contusão no ombro, mas deve jogar.

Cláudio Coutinho

O que não é segredo é o que transformou o Flamengo sob o comando de Jesus no melhor time do Brasil com sobras: posse de bola, marcação sob pressão, compactação entre os três setores, mobilidade, velocidade e, sobretudo, intensidade. Titulares absolutos do meio de campo do Flamengo que conquistou a Libertadores em 1981, Zico, Adílio e Andrade comparam aquele time mítico ao atual. E lembram do princípio do boxe que o falecido treinador rubro-negro Cláudio Coutinho adaptou ao futebol. Quando o pugilista adversário sente um golpe, análogo ao gol, não é o momento de parar para tentar ganhar por pontos. Mas de encaixar quantos golpes mais forem necessários para vencer por nocaute. Foi o caso da goleada aplicada pelo Rubro-Negro em seu último jogo na Libertadores: os 5 a 0 na semifinal sobre o Grêmio, no Maracanã. Entre o Flamengo de 81 e o de hoje, para quem viu o ex-campeão peso pesado Mike Tyson lutar no início de carreira, é mais ou menos aquilo ali.

 

 

Se não tem a mesma intensidade que o Flamengo apresenta há cinco meses, o River é o atual campeão da Libertadores, fruto de um trabalho consistente há cinco anos. Na sua fase de recuperação após cair à segunda divisão do Campeonato Argentino em 2011, para voltar à primeira no ano seguinte, o jogo de hoje será a terceira final de Libertadores que o clube disputará com Gallardo como técnico. Sob seu comando, o River foi senhor da América do Sul em 2015 e 2018, repetindo os títulos que o clube havia conquistado em 1986 e 1996. Quando “Los Millionarios” entrarem em campo contra o “Time da Favela”, disputarão a 14ª final de campeonato com Gallardo, que já conquistou 11 títulos nestes últimos cinco anos. É o patrimônio de um campeão, independente do placar final no Monumental de Lima.

Virtual campeão brasileiro de 2019, o Flamengo pode garantir matematicamente este título sem entrar em campo. Basta que o vice-líder Palmeiras não vença o Grêmio neste domingo (23). Mas os 81 pontos (13 de vantagem) no Brasileirão remetem ao objetivo mais alto que será decidido na véspera: foi em 1981 que Zico e companhia conquistaram não só a única Libertadores do Rubro-Negro, como depois o Mundial, com um passeio de 3 a 0 sobre o Liverpool, em Tóquio. Aparentando destino, é o mesmo clube inglês que, após levantar mais uma Champions da Europa, espera 38 anos depois o vencedor entre Fla e River no Mundial deste ano, no Qatar. A final será jogada em 21 de dezembro.

“Em dezembro de 81/ Botou os ingleses na roda/ Três a zero no Liverpool/ Ficou marcado na história/ E no Rio não tem outro igual/ Só o Flamengo é campeão mundial/ E por isso o seu povo/ Pede o mundo de novo”. É o que cantam 40 milhões de flamenguistas — um entre cada cinco brasileiros — na adaptação da música “Primeiros Erros”, de Kiko Zambianchi, que fez sucesso nos anos 1980, tempo das glórias de Zico. Sonhando revivê-las, Bruno Henrique, Gabigol, Arrascaeta, Gérson, Filipe Luís, Éverton Ribeiro e Jorge Jesus despertaram uma nação. Que no meio do caminho tem o River, tem o River no meio do caminho.

 

 

 

Marcelo Gantos, professor e diretor do CCH da Uenf, argentino e brasileiro, torcedor do River e do Flamengo

Este sábado 23 fechamos por futebol

Por Marcelo Gantos

 

O convite ao desafio de escrever sobre futebol é, parafraseando Jorge Valdano, o de escrever sobre homes que jogam ou vêm jogar. Entretanto, no meu caso, o futebol inexoravelmente vai além, é uma alegria que dói. A validade desta afirmação estará em jogo este sábado que se avizinha, quando o juiz apite e de início ao pleito continental. Até ali o tempo do torcedor está em suspenso e a data ensejada de ver a bola rodando no Monumental de Lima parece não chegar nunca.

Respira-se ansiedade nas ruas e nas casas dos torcedores da nação rubro-negra, que espera palpitante e com alegria inusitada o desenlace desta epopeia com sabor de drama pelo que estará em disputa. Poderá o Flamengo quebrar o jejum da Liberta, como gostava chamar meu filho Lautaro a cobiçada taça continental? Tento fugir com desculpas intelectuais dessa ansiedade e sentimento plural que mobiliza a metade mais um deste país. Mas é impossível, pois meu coração de torcedor também bate forte. Com um agravante especial: tanto Flamengo quanto River Plate são os times dos meus amores, um desde o berço quase prescritivamente por mandato familiar e opção, outro por destino e conversão. Desafiadora contradição que faz parte de minha experiência vital. Assim como ser argentino e me sentir e brasileiro ao mesmo tempo.

Apesar da tentativa racional de amenizar e justificar perante gregos e troianos a complexa natureza dessa contraditória paixão e amálgama identitária, a potência e ineditismo deste momento decisivo, único e irrepetível durante o resto da minha existência, obriga-me pelo amor ao futebol a assumir e viver com grandeza e liberdade esta condição proibida de bigamia de chuteiras.

O que sabemos do futebol é que se trata de uma aventura coletiva na qual, em distinta medida, triunfam e fracassam todos, embora nos encante santificar ou apedrejar apenas um responsável. Ainda que nos encante ter sempre a razão, bastarão apenas alguns segundos de bola rodando para que, em meio da guerra de nervos que todo jogo cria, se desate um terremoto emocional e a cordura e a mesura saiam disparadas para o espaço sideral. O que sentimentalmente me provoca esta espetacular final entre River e Flamengo é uma força imprevisível chamada futebol e que, seja qual for o resultado, não nos deixará em paz por muito tempo. O futebol, como alguma vez decretou Juan Sasturain, independente do eventual resultado, é infinito.

Este sábado desde cedo a porta de nossa vida ficara “Fechado pelo Futebol”. Tentarei assistir o jogo animado não pelo dever de ver um dos times ganhar e se coroar. Mas pelo prazer do gozo da fantasia que o futebol nos oferece de tanto em tanto. Sobretudo em épocas tão sombrias para sonhar, como as que vivemos em nosso país e parte do continente. Deus salve o futebol. E que triunfe o “mais” melhor.

 

Página 8 da Folha da Manhã de hoje (23)

 

De Zico ao Flamengo x River, às vaias a Rafael por claque de Wladimir

 

Zico já demonstrava inteligência emocional de vencedor, mesmo quando ainda era mais jovem que Rafael e Wladimir (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Reconhecidos pela Fifa como a maior torcida do planeta, o que os flamenguistas fizeram ontem no Rio de Janeiro, na despedida do time do Ninho do Urubu ao aeroporto do Galeão, e voltou a fazer na madrugada e no dia de hoje em Lima, tingindo de vermelho e preto as ruas da capital do Peru, torna todo o resto menor para uma nação de 40 milhões — um entre cada cinco brasileiros. E assim será até que a bola finalmente role entre o Flamengo e o tradicional copeiro argentino River Plate, a partir das 17h deste sábado (23), no Estádio Monumental de Lima, pela final da Libertadores da América.

 

 

 

 

Eleito não só pela Fifa, como pelas revistas europeias World Soccer e France Football, entre os 10 grandes camisas 10 do futebol mundial no séc. 20, além de maior jogador do Flamengo de todos os tempos, Zico gravou na terça (19) uma live em seu canal no YouTube. Nela, falou do que espera da final da Libertadores. E comungou a experiência de quem liderou no campo a conquista rubro-negra da América do Sul e do mundo, em 1981. Feito que o time de Bruno Henrique, Gabigol, Arrascaeta, Gérson, Filipe Luís, Éverton Ribeiro e Jorge Jesus tenta repetir.

Aos 25’36 do vídeo, respondendo à pergunta de um telespectador, Zico aconselhou Gabigol, cujo destempero provocou sua merecida expulsão e quase custou a vitória de 1 a 0 do Flamengo sobre o Grêmio no último domingo (17). O ex-craque usou seu próprio exemplo. Na série de três jogos da final da Libertadores de 1981, contra o violento e desleal time chileno do Cobreloa, lembrou como um dos jogadores adversários lhe aplicou um “exame de urologia” quando que ele ia cobrar uma falta, sua especialidade.

 

 

A reação de Zico? Nas suas palavras: “Tranquei. E na hora de bater eu olhei para ele e falei assim: ‘Olha, no final do jogo você me dá seu telefone, tá?’. O cara começou a rir e parou. Agora, se eu dou uma porrada na cara dele e revido, o jogo 0 a 0, era isso que ele queria. Eu não ia jogar o outro jogo”. O Galinho de Quintino revidou de outra maneira. Nos três jogos contra o Cobreloa, fez quatro gols: dois de bola rolando, um de pênalti e o último, que selou o título da Libertadores ao Flamengo, em cobrança de falta. Na sua especialidade, o craque deu o “toque retal” definitivo.

Comandado por Zico, o Flamengo foi fazer a final do Mundial contra o Liverpool, no Japão, batido em 13 de dezembro de 1981, em ritmo de treino, por 3 a 0. Coincidência ou não, é o mesmo clube inglês que esperará no Qatar o vencedor do sábado entre Flamengo e River, para disputar outro Mundial de Clubes. Sua final será jogada em 21 de dezembro.

Descer das glórias do passado do Flamengo, ou da possibilidade de repeti-las daqui a apenas dois dias, para falar de política, deveria ser proibido. Mas o exemplo de Zico, como de hábito, serve também para outros campos. Ocorrida no final da manhã de hoje, a inauguração do Guarus Plaza Shopping, do empresário Joilson Barcelos, viralizou nas redes sociais pelas vaias ao prefeito Rafael Diniz (PPS). No palanque, também estavam o governador Wilson Witzel (PSC) e o deputado federal Wladimir Garotinho (PSD), entre outros.

 

Rafael discusa sob vaias no palco junto ao governador Witzel, Joilson, Mérida e Wladimir (Foto: Isaias Fernandes – Folha da Manhã)

 

Enquanto era estridentemente apupado, Rafael buscou demonstrar coragem: “Talvez muitos não estivessem aqui hoje. Talvez muitos não tivessem a coragem de pegar o microfone, aqui, agora, e olhar nos olhos dos senhores”. E, no que disse, estava absolutamente certo no motivo que tinha para nada ter dito. Sobretudo no dia seguinte à interdição (aqui) de sete setores do Hospital Geral de Guarus (HGG), por problemas de infiltração de água de chuva que se arrastam desde o governo municipal Rosinha Garotinho (hoje, Patri).

 

 

O fato da vaia ter sido puxada pela claque de Wladimir, liderada pelo vereador de oposição Alonsimar (PTC) e por Dinalva da Silva, irmã da ex-vereadora Linda Mara (do mesmo PTC de Alonsimar), foragida há 44 dias da Polícia Federal, não altera o desgaste à imagem do prefeito nas redes sociais. Na verdade, tem o mesmo efeito prático de quem cometeu a ingenuidade, primária na política, de não compor uma claque oposta porque estaria vistoriando o estrago das chuvas da semana, que interditou o HGG, nos distritos do município.

Como pouco importa se Joilson é muito ligado a Marcelo Mérida, que já foi secretário municipal de Rosinha, é pré-candidato a prefeito pelo PSC de Witzel e se especula poder funcionar como linha de apoio à pré-candidatura de Wladimir em 2020. Rafael é flamenguista como Wladimir, que teve a malandragem de levar sua claque e não fazer uso da palavra.

Pela idade, Rafael e Wladimir não deram a sorte de ver Zico jogar. Mas podem, como o Flamengo contra o River, herdar sua lição: um vencedor, além da coragem e do talento, só se constrói ou sustenta com inteligência emocional nas reações.

 

Debate sobre uso medicinal da maconha na Uenf antecipado no Folha no Ar

 

Pesquisadores Almy e Igrid falaram hoje no Folha no Ar do seminário sobre o uso medicinal da maconha, amannhã na Uenf (Foto: Cláudio Nogueira – Folha FM)

 

Cannabis sativa é o nome científico da maconha. E nesta quinta (21), o uso medicinal da planta será tema de seminário no Centro de Convenções da Uenf, das 8h às 17h20. Um dia antes, no início da manhã do feriado de hoje (20), dia da Consciência Negra, dois organizadores do evento, engenheiros agrônomos e pesquisadores da maior universidade de Campos e região adiantaram um pouco do polêmico assunto no Folha no Ar 1ª edição, na Folha FM 98,3: a pós-graduanda Ingrid Trancoso e o professor Almy Júnior, ex-reitor da Uenf.

—  O seminário vai focar no uso medicinal, principalmente devido à demanda que está havendo na sociedade. Não só no Brasil, mas no mundo inteiro. Diversos locais estão mudando a sua legislação. Mas é claro também que é difícil também separar os temas (uso medicinal e recreativo da maconha). E acho interessante que hoje, dia da Consciência Negra, a gente estar trazendo esse tema aqui, porque a proibição do uso da cannabis está muito ligada ao preconceito racial. A primeira lei no mundo que a proibiu foi no Rio de Janeiro, em 1830. É importante trazer esse debate também para a universidade. Como pesquisador, o nosso foco é no uso medicinal. A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária, vinculada ao ministério da Saúde, que regula serviços e produtos) já recebeu milhares de pedidos para fazer esse tratamento (com uso medicinal da maconha). Este é o foco do debate, mas com certeza os palestrantes também vão abordar a proibição (para uso recreativo).

— A gente vai fazer um seminário amanhã na Uenf sobre uso medicinal da cannabis. E este é um tema que todos nós apoiamos, porque ele é ciência pura. É um tema que países conservadores como Israel, ou estados conservadores (dos EUA) como o Texas, já fazem há muito tempo. E as pessoas só vão entender no dia em que alguém da família precisar de um medicamento qualquer. E eu não estou falando só do canabidiol, que é oriundo da cannabis. O Brasil é um país que importa um produto pagando US$ 2 mil, US$ 3 mil a tonelada, que exportou recebendo US$ 200, US$ 300. A gente não agrega valor à nossa produção e depois a importa. Isso ocorre com o maracujá, que é uma planta nativa do Brasil, que a gente exporta princípio ativo para produzir medicamentos que estão nas farmácias. Então o debate é que a gente está cerceado do direito de fazer ciência. Além do problema financeiro, que é um problema brasileiro, quando comparado aos países do primeiro mundo, o pesquisador aqui tem o problema da legalização, corre o risco de ser preso porque usa o material nativo do Brasil para fazer ciência. E nós estamos falando de uma planta (a cannabis) que tem 10 mil anos de utilização pelo homem.

 

Professora Elizabeth Araújo (Foto: Aluysio Abreu Barbosa)

 

No início da manhã desta quinta, um pouco antes do debate sobre o uso científico da maconha ter início na Uenf. a convidada do Folha no Ar 1º edição é a educadora Elizabeth Araújo, Prêmio Alberto Lamego de Cultura. Até lá, confira abaixo os quatro blocos da entrevista com os pesquisadores da Uenf Ingrid Trancoso e Almy Júnior:

 

 

 

 

 

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