Opiniões

Campeão Brasileiro de 2019, instabilidade de Gabigol preocupa Jesus

 

Expulso de maneira justa e desnecessária, Gabigol saiu de campo provocando os gremistas ao contar nos dedos os 5 a 0 da eliminação dos gaúchos pelo Flamengo na Libertadores (Foto: Reprodução)

 

O Flamengo já era campeão do Brasileiro de 2019 antes de entrar hoje na Arena Grêmio. E saiu dela com seu título mais consolidado, após o pênalti discutível, convertido por Gabigol para definir a vitória de 1 a 0. Somado ao 1 a 1 entre Bahia e Palmeiras, segundo colocado na tabela, o Rubro-Negro se isolou ainda mais na liderança: 13 pontos a apenas cinco rodadas do fim. O desafio do Fla já não é mais ser campeão brasileiro, mas o maior deles na era dos pontos corridos.

Fatura definida, noves fora as possibilidades matemáticas, resta o que o jogo de hoje deve ensinar a quem quer passar à história como primeiro time a conquistar o Brasileiro e a Libertadores na mesma temporada, depois do Santos de Pelé, que bisou a façanha em 1962 e 1963. Após reclamar da marcação com o bandeirinha e o árbitro, como já havia feito em lance anterior, Gabigol sofreu uma expulsão tão justa, quanto absolutamente desnecessária. Com um homem a mais, o Grêmio tomou conta do jogo e só não empatou por sorte.

Após a partida, o treinador português Jorge Jesus citou seu compatriota Luís de Camões para falar da “inveja”. Foi uma resposta velada, mas contundente, aos colegas brasileiros de ofício que têm sua reserva de mercado no futebol brasileiro ameaçada pelo sucesso do técnico do Flamengo, além do argentino Jorge Sampaoli, no Santos. Mesquinhez humana à parte, Jesus também admitiu estar preocupado com a falta de inteligência emocional do seu artilheiro.

Com 36 gols marcados na temporada — 22 só no Brasileiro, superando a marca história dos 21 que Zico anotou em 1980 e 1982 —, Gabibol também se destaca no recebimento de cartões: com os de hoje, já foram 19 amarelos e dois vermelhos em 2019. Adversário do Flamengo na final na Libertadores, em jogo único em Lima, no Peru, no próximo sábado, dia 23, o River Plate não é um time catimbeiro. Mas é representante do futebol argentino, que se destaca pela pressão emocional e física sobre os adversários, tanto quanto pela qualidade no toque de bola.

Comandante do River fora de campo e considerado o melhor treinador da América Latina, cotado inclusive para assumir o Barcelona de Messi, Marcelo Gallardo tem no seu volante Enzo Pérez, ex-jogador de Jorge Jesus no Benfica de Portugal, uma boa fonte de como pensa o técnico do Flamengo. Para saber da instabilidade emocional de jogadores rubro-negros como Gabigol e Arão, as fontes são suas próprias atitudes em campo.

Trinta e oito anos de história e a possibilidade de fazer outra final de Mundial, contra o mesmo Liverpool batido pelo Flamengo de Zico por 3 a 0 em 1981, são importantes demais para serem jogados fora por descontrole dos nervos. São só seis dias para colocá-los no lugar.

 

 

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