Opiniões

Debate sobre uso medicinal da maconha na Uenf antecipado no Folha no Ar

 

Pesquisadores Almy e Igrid falaram hoje no Folha no Ar do seminário sobre o uso medicinal da maconha, amannhã na Uenf (Foto: Cláudio Nogueira – Folha FM)

 

Cannabis sativa é o nome científico da maconha. E nesta quinta (21), o uso medicinal da planta será tema de seminário no Centro de Convenções da Uenf, das 8h às 17h20. Um dia antes, no início da manhã do feriado de hoje (20), dia da Consciência Negra, dois organizadores do evento, engenheiros agrônomos e pesquisadores da maior universidade de Campos e região adiantaram um pouco do polêmico assunto no Folha no Ar 1ª edição, na Folha FM 98,3: a pós-graduanda Ingrid Trancoso e o professor Almy Júnior, ex-reitor da Uenf.

—  O seminário vai focar no uso medicinal, principalmente devido à demanda que está havendo na sociedade. Não só no Brasil, mas no mundo inteiro. Diversos locais estão mudando a sua legislação. Mas é claro também que é difícil também separar os temas (uso medicinal e recreativo da maconha). E acho interessante que hoje, dia da Consciência Negra, a gente estar trazendo esse tema aqui, porque a proibição do uso da cannabis está muito ligada ao preconceito racial. A primeira lei no mundo que a proibiu foi no Rio de Janeiro, em 1830. É importante trazer esse debate também para a universidade. Como pesquisador, o nosso foco é no uso medicinal. A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária, vinculada ao ministério da Saúde, que regula serviços e produtos) já recebeu milhares de pedidos para fazer esse tratamento (com uso medicinal da maconha). Este é o foco do debate, mas com certeza os palestrantes também vão abordar a proibição (para uso recreativo).

— A gente vai fazer um seminário amanhã na Uenf sobre uso medicinal da cannabis. E este é um tema que todos nós apoiamos, porque ele é ciência pura. É um tema que países conservadores como Israel, ou estados conservadores (dos EUA) como o Texas, já fazem há muito tempo. E as pessoas só vão entender no dia em que alguém da família precisar de um medicamento qualquer. E eu não estou falando só do canabidiol, que é oriundo da cannabis. O Brasil é um país que importa um produto pagando US$ 2 mil, US$ 3 mil a tonelada, que exportou recebendo US$ 200, US$ 300. A gente não agrega valor à nossa produção e depois a importa. Isso ocorre com o maracujá, que é uma planta nativa do Brasil, que a gente exporta princípio ativo para produzir medicamentos que estão nas farmácias. Então o debate é que a gente está cerceado do direito de fazer ciência. Além do problema financeiro, que é um problema brasileiro, quando comparado aos países do primeiro mundo, o pesquisador aqui tem o problema da legalização, corre o risco de ser preso porque usa o material nativo do Brasil para fazer ciência. E nós estamos falando de uma planta (a cannabis) que tem 10 mil anos de utilização pelo homem.

 

Professora Elizabeth Araújo (Foto: Aluysio Abreu Barbosa)

 

No início da manhã desta quinta, um pouco antes do debate sobre o uso científico da maconha ter início na Uenf. a convidada do Folha no Ar 1º edição é a educadora Elizabeth Araújo, Prêmio Alberto Lamego de Cultura. Até lá, confira abaixo os quatro blocos da entrevista com os pesquisadores da Uenf Ingrid Trancoso e Almy Júnior:

 

 

 

 

 

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