Opiniões

Bruno Henrique leva o Flamengo à final do Mundial, 38 anos depois

 

Bruno Henrique acerta o cabeceio, após belo cruzamento de Rafinha pela direita, para virar o jogo em 2 a 1 sobre o Al-Hilal (Foto: Kai Pfaffenbach – Reuters)

 

Não é mais um sonho. Trinta e oito anos depois daquele inesquecível 13 de dezembro de 1981, quando o mitológico Flamengo de Zico conquistou o mundo, ao amassar o Liverpool por 3 a 0 em Tóquio, o Flamengo de Bruno Henrique fez hoje a sua parte no Qatar. Agora só falta o time inglês também fazer a dele.

Jogador que sempre brilha nos momentos decisivos, Bruno Henrique foi protagonista de todos os gols rubro-negros na virada de 3 a 1 sobre o bom time do Al-Hilal, na semifinal desta tarde em Doha. Agora o clube carioca espera para fazer outra final de Mundial, no sábado (21), contra o mesmo Liverpool. Que terá passar pelo mexicano Monterrey na semifinal desta quarta (18).

Como ocorreu na final da Libertadores, contra o River Plate, o time da Arábia Saudita dominou o primeiro tempo. Seguindo a lição aplicada pelo time argentino, o Al-Hilal também deu ao Flamengo uma dose do seu próprio veneno: marcou sob pressão no campo de ataque, dificultando a saída de bola do adversário.

Aos 15 minutos, o goleiro Diego Alves fez uma defesa salvadora, cujo rebote ainda seria desperdiçado pelo centroavante francês Gomis, livre de marcação. Dois minutos depois, o meia-atacante Salem Al-Dawsari abriu o placar de uma maneira muito semelhante ao River: um chute dentro da área nascido de bola cruzada da direita. A área defensiva do experiente lateral-esquerdo Filipe Luís é o problema a ser resolvido pelo treinador português Jorge Jesus.

Se há muitas coisas a consertar caso o Flamengo pegue mesmo o Liverpool no sábado, Jesus começous os reparos ainda no intervalo do jogo de hoje. Foi o suficiente para dominar o Al-Hilal desde o início segundo tempo. Missão facilitada pelo fato de, também como ocorreu com o River, o time árabe ter cansado nos 45 minutos finais, incapaz de manter o ritmo na marcação.

Com mais espaços, começou a brilhar a estrela de Bruno Henrique. Aos 48 minutos, três da etapa final, ele foi lançado no setor direito da área e cruzou para o uruguaio Arrasceta, sem marcação, empatar o jogo quase da marca do pênalti. Aos 77, a jogada do segundo gol nasceu dos pés do meia Diego Ribas, que mais uma vez entrou muito bem vindo do banco. Ele abriu a bola na quina direita da área para Rafinha. Que fez ótimo cruzamento no primeiro pau para a cabeçada certeira de Bruno Henrique. Foi o gol da virada.

A tampa do caixão do Al-Hilal ainda seria fechada de vez por Bruno Henrique. Novamente Diego enfiou o atacante, dessa vez na esquerda da área. O nome do jogo cruzou na intenção de servir a Gabibol, entrando pelo meio. Mas a bola foi antes desviada pelo zagueiro saudita Ali Hadi Albulayhi, que marcou contra.

Quem acreditou que o Flamengo estava destinado a ganhar a Libertadores, por tê-la disputado quando tinha exatos 81 pontos no Brasileirão, hoje teve mais um sinal. O último gol do Rubro-Negro contra o Al-Hilal, para reeditar a final do Mundial de 1981 diante do mesmo Liverpool de 38 anos atrás, foi marcado aos 81 minutos de jogo.

Desde o final de agosto, quando embalou de vez na construção de uma jornada histórica, cada jogo do Flamengo foi ecoado por 42 milhões de almas — um entre cada cinco brasileiros — cantando a plenos pulmões: “E agora o seu povo/ Pede o mundo de novo”. Bruno Henrique não se limitou a ouvir. Eleito craque do Brasileiro, da Libertadores e do jogo de hoje, ele atendeu.

 

 

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