Opiniões

É hoje! — Flamengo pega ex-time de Jesus na semifinal do Mundial no Qatar

 

Gabigol e Gomis, artilheiros do Flamengo e do Al-Hilal (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A partir das 14h30 de hoje (horário de Brasília), no Estádio Internacional Khalifa, em Doha, capital do Qatar, o Flamengo tentará dar o penúltimo passo dos dois que o separam da maior glória dos seus 124 anos de história. Seu único Mundial foi conquistado há 38 anos, pelo time mítico de Zico e companhia, com um passeio de 3 a 0 sobre o inglês Liverpool em Tóquio. Para reeditar no sábado (21) a sonhada final contra o mesmo Liverpool, o Rubro-Negro terá que superar antes o Al-Hilal, da Arábia Saudita. Pouco conhecido dos brasileiros, é o campeão da Ásia e tem no elenco bons jogadores europeus e sul-americanos. E foi o último time do treinador português Jorge Jesus, antes de assumir em junho o Fla. Para os 42 milhões — um entre cada cinco brasileiros — da torcida reconhecida pela Fifa como a maior do mundo, o Mundial começa nesta terça. Se você é flamenguista e tiver trabalho, doe seu sangue rubro e pegue o comprovante com tinta negra para ter a falta abonada (inciso IV do artigo 473 da CLT) por dois motivos nobres: ajudar o próximo e torcer por sua Nação.

O time que Jesus levará a campo já tem a escalação na ponta da língua dos flamenguistas e não-flamenguistas, inclusive aqueles que torcerão hoje por um tropeço do campeão do Brasileiro e da Libertadores da América: Diego Alves, Rafinha, Rodrigo Caio, Pablo Marí e Filipe Luís; Willian Arão, Gérson, Éverton Ribeiro e Arrascaeta; Gabigol e Bruno Henrique. As dúvidas ficam por conta do time árabe do técnico romeno Ravzan Lucescu, filho do lendário treinador Mircea Lucescu. A escalação mais provável, mas que só será confirmada antes da partida, é Al-Maiouf; Al-Berik, Jang, Al Bulaihi e Al-Shahrani; Cuéllar, Otayf, Carlos Eduardo, Al-Dawsari (Giovinco); André Carillo e Gomis. O último, com passagem pela seleção da França, saiu do banco nas quartas de final do último sábado (14) para marcar o gol de placa que deu a vitória do Al-Hilal, pelo placar mínimo, sobre o tunisiano Espérance, campeão da África.

 

 

Os pontos fortes do Flamengo são conhecidos do Brasil e da América do Sul que conquistou: posse de bola, marcação sob pressão, compactação entre os três setores, mobilidade, velocidade e, sobretudo, intensidade. Na dupla de ataque, Gabigol e Bruno Henrique marcaram juntos 60 gols no Brasileiro e na Libertadores. Menos constante, o uruguaio Arrascaeta é o jogador de frente mais refinado tecnicamente, enquanto Éverton Ribeiro é o motor da equipe, armando jogadas e cumprindo importante função tática. Cria das divisões de base do Fluminense, mas reinventado como meia no tempo em que jogou na Itália, Gérson é o cérebro do time. Comanda a saída de bola, assim como os dois experientes laterais, Rafinha e Filipe Luís, sob cobertura de Arão. Firmes na dupla de zaga, Rodrigo Caio e o espanhol Pablo Marí se tornam opções ofensivas no cabeceio das bolas paradas. No caso de o empate persistir em tempo normal e prorrogação, os pênaltis são considerados especialidade de Diego Alves.

Talvez não haja exagero em considerar o Al-Hilal o Flamengo da Arábia Saudita. Tanto por sua condição financeira privilegiada, quanto pela popularidade. Também gosta de ter a posse de bola e agredir o adversário, estilo que pode ser alterado no jogo de hoje, dada a vocação ofensiva do time carioca. Além de Gomis, centroavante de difícil marcação pelo porte físico e técnica, um dos destaques ofensivos é o peruano Carrillo. Rápido e habilidoso, cai pela direita, onde deve dar trabalho a Filipe Luís. Também veloz, mas sem a mesma qualidade, Al-Dawsari gosta de atuar pela esquerda, no setor defensivo de Rafinha. Meia com visão de jogo, o brasileiro Carlos Eduardo é o municiador do ataque, onde aparece vindo de trás. A proteção da defesa árabe e sua saída de bola ficarão por conta do volante colombiano Cuéllar, ex-titular do Rubro-Negro. Não confirmado, o meia-atacante italiano Giovinco, com passagem na Juventus e na Azurra, pode ser uma surpresa. Pelo que mostrou no jogo contra o Espérance, a insegurança do goleiro Al-Maiouf é um ponto a ser explorado.

O Flamengo é considerado o favorito para chegar à final do sábado (21). Cujo adversário sairá da outra semifinal, nesta quarta (18), entre o time inglês do Liverpool, campeão da Europa, e o mexicano Monterrey, campeão da América do Norte. Os europeus sempre chegaram à final do Mundial de Clubes. Atual campeão da América do Sul, o time de Jesus deve lembrar que antes dele outros quatro grandes clubes, igualmente considerados favoritos, caíram na semifinal: os brasileiros Internacional (2010) e Atlético Mineiro (2013), o colombiano Atlético Nacional (2016) e, no ano passado, o argentino River Plate. Que o Rubro-Negro bateu a duras penas por 2 a 1, em virada histórica já nos descontos, na final da Libertadores da América deste ano.

Pelo menos desde o final de agosto, quando o time de Bruno Henrique, Gabigol, Arrascaeta, Éverton Ribeiro, Gérson e Jesus embalou de vez na construção de uma jornada histórica, cada jogo da conquista da Libertadores e do Brasileirão foi empurrado a plenos pulmões pelo hit rubro-negro: “Em dezembro de 1981/ Botou os ingleses na roda/ Três a zero no Liverpool/ Ficou marcado na história/ E no Rio não tem outro igual/ Só o Flamengo é campeão mundial/ E por isso o seu povo/ Pede o mundo de novo”. A música “Primeiros Erros”, do compositor santista Kiko Zambianchi, teve sua letra reescrita para lembrar o maior feito da história do clube da Gávea, em um memorável 13 de dezembro de 1981. Que alguns ex-jogadores daquele grande time inglês recentemente quiseram desmerecer, em jus esperneandi (“direito de espernear”) causado por trauma duradouro, 38 anos depois.

 

Camisas 10 do Brasil: Pelé. Zico e Rivelino

 

Entre o passado e o presente, sempre há curiosidades. E o fato de Jorge Jesus ter treinado o adversário árabe do Rubro-Negro na semifinal de hoje não é a única. Entre o final dos anos 1970 e início dos 1980, enquanto aquele Flamengo mitológico era formado, o Al-Hilal seria também o último time profissional de um dos maiores camisas 10 da história do futebol: Roberto Rivelino. Ele a vestiu também na Seleção Brasileira, quando a passou entre uns tais de Pelé e Zico.

 

Página 10 da edição de hoje (17) da Folha da Manhã

 

Publicado hoje (17) na Folha da Manhã

Este post tem 2 comentários

  1. Já, se formos jogar a final contra o Liverpool, além de Jesus vamos precisar da intervenção do Sobrenatural de Almeida!

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