Opiniões

Governo Rafael e eleições de outubro por Hamilton Garcia no Folha no Ar

 

Cientista político e professor da Uenf, Hamilton Garcia na manhã de hoje (13) no Folha no Ar (Foto: Genilson Pessanha)

 

“Rafael colocou Campos em um patamar diferenciado de administração pública em termos éticos. Também ele pegou a cidade (dos dois governos Rosinha Garotinho, hoje Patri) no fundo do poço. Mas pesam neste momento sérias limitações, em termos da própria visão dele, sobre realidade onde está e seu modus operandi. Ele fraquejou diante das necessidades de ajuste no início do governo. É aquele negócio clássico: você, quando tem que dar a má notícia, dá logo de uma vez só, trata de arrumar a casa e de produzir boas notícias a partir de um determinado momento. No primeiro ano ele não soube fazer as reformas na radicalidade necessária para aquela realidade. E não fez isso em função de um outro problema: ele acabou formando um governo só dele e do grupo dele, com gente muito jovem, algumas delas brilhantes, promissoras para a renovação política da cidade, mas sem experiência. E mais, um governo politicamente estreito, que não foi capaz de incorporar os setores políticos e sociais que, desde o ‘Muda Campos’, nos anos 1980, lutavam pela renovação política e a democratização da municipalidade”. Foi a análise do governo Rafael Diniz (Cidadania) pelo cientista político e professor da Uenf Hamilton Garcia, feita no início da manhã de hoje no Folha no Ar 1ª edição, da Folha FM 98,3. Ele continuou no que considera ter sido o maior erro do prefeito:

— Rafael foi eleito em primeiro turno, mas não foi capaz de desenhar um governo de coalisão com essas forças políticas que representaram esse fluxo de mudança dos anos 80 do século passado. E isso foi uma coisa trágica. Porque ele acaba isolado politicamente. Ele não é defendido por essas forças que querem a mudança política. E essas forças são de centro, de direita e também de esquerda. Ele não foi capaz de enfrentar o desafio de fazer um governo com pessoas que ele não confia diretamente, pessoalmente, ideologicamente e politicamente. Mas essa era a grande tarefa: fazer um governo de salvação municipal. Faltou uma perspectiva de encarar esse desafio de fazer um governo com pessoas que não são da sua confiança pessoal, o que é da dimensão política maior.

Para o cientista política, faltou experiência não só à equipe que o prefeito reuniu, mas a ele próprio, para incorporar e liderar pessoas com mais bagagem:

— Rafael é muito jovem, com um mandato de vereador, não tem esse estofo político para enfrentar isso. Inclusive com pessoas mais experientes, muito mais capacitadas, que ele teria que ter posto no governo. Ele teria que liderar essas pessoas no governo dele. E isso fragilizou ele, a ponto de não tomar medidas duras quando tinha que tomar. Então, ele ficou no meio do caminho. E, em certas circunstâncias, ficar no meio do caminho é o pior lugar. Quando você faz um governo só com pessoas que você conhece e confia, isso denota uma inexperiência e uma insegurança. Eu acho que isso vem da pouca idade dele e da pouca experiência política. E na tradição política dele, que é muito familiar, ele não tinha bem o avô (o ex-prefeito Zezé Barbosa) vivo e nem o pai (o ex-deputado estadual e ex-vereador Sérgio Diniz) vivo. De modo que ele ficou muito sozinho. O povo vai lá e se manifesta, te dá o poder. Deu um poder muito forte para ele no primeiro turno. Eu acho que ele não soube avaliar esse poder e avaliar também uma coisa paradoxal: teria que tomar medidas que iriam contrariar o público que lhe deu esse poder.

E as perspectivas do professor da Uenf para as eleições de outubro em Campos?

— À luz da história, quando a alternativa não é bem sucedida, retornam as velhas oligarquias, repaginadas. Ou às vezes nem repaginadas. Na desilusão das pessoas diante da alternativa, vem a visão ingênua: “Ah, no tempo de fulano era melhor!”. Bom, mas também no tempo do fulano a conjuntura era diferente, a situação orçamentária era diferente. Mas as pessoas não levam em conta essa questão, porque ela é muito racional. As pessoas levam em conta a experiência individual, emocional delas: “Ah, eu tinha mais satisfação naquele tempo”. Eu estava bem e agora estou mal. Mas você não está mal por causa do governo, é porque a conjuntura mudou. As oligarquias têm chance de voltar: tanto o Caio (Vianna, pré-candidato do PDT), quanto o Wladimir (Garotinho, deputado federal e pré-candidato do PSD). Arnaldo (Vianna, PDT, ex-prefeito e pai de Caio) veio do grupo do Garotinho. Mas o modelo não é muito diferente, é o mesmo governo de oligarquias opacas e familiares. O governo, apesar da dificuldade, tem o que mostrar, inclusive o fato de não ter afundado a cidade; a cidade sobreviveu. Na área da Educação e dos Esportes têm coisas muito interessantes a mostrar. Se as velhas oligarquias voltarem, vamos dar um passo atrás.

 

Confira nos três vídeos abaixo a íntegra da entrevista de Hamilton Garcia ao Folha no Ar. O primeiro sobre o governo Jair Bolsonaro (sem partido), o segundo sobre o governo Wilson Witzel (PSC) e o terceiro, sobre o governo Rafael: 

 

 

 

 

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