Opiniões

Cremerj elogia Campos no combate à Covid-19, mas exige EPIs aos profissionais

 

Desde sexta (03), quando o blog anunciou (relembre aqui) que os dois novos infectados pela Covid-19, dos três casos até então confirmados em Campos, eram profissionais de saúde, foram gerados pedidos de posicionamento ao Sindicato dos Médicos de Campos (Simec) e ao delegado local do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj), Dr. Rogério Bicalho. A resposta do Simec veio ontem (04) e publicada aqui. A do Cremerj chegou na manhã de hoje (5), pouco antes de serem confirmados (confira aqui) mais três casos de Covid-19 na cidade: agora são seis.

O delegado do Cremerj ressaltou que a instituição integra o gabinete de crise criado pelo governo Rafael Diniz (Cidadania). E elogiou a postura do prefeito, da médica infectologista Dra. Andreya Moreira, no comando do enfrentamento do município à pandemia do novo coronavírus, e da nova secretária municipal de Saúde, Dra. Cintia Ferrini. E também lembrou a participação de dois membros do Cremerj, os Drs. Vitor Carneiro e Dra. Cynthia Cordeiro, no Centro de Controle e Combate ao Coronavírus (CCC). Ele também falou da situação dos equipamentos de segurança individual (EPIs) aos profissionais de saúde, sem os quais estes não devem atender pacientes com suspeita da Covid-19.

Confira abaixo a íntegra da posição do Rogério Bicalho, falando em nome do Cremerj, sobre o enfrentamento da crise do novo coronavírus em Campos e região:

 

 

 

O Cremerj tem como o objetivo mais importante garantir as condições de atendimento da população.

Assim, algumas ações foram ampliadas para o enfrentamento do Covid-19.

Estamos fazendo fiscalizações sistemáticas em todo Estado do Rio de Janeiro.

O foco de nossas visitas é verificar se a unidade conta com fluxograma padronizado pela SES, organizando o atendimento do paciente suspeito desde sua entrada, até sua internação ou transferência, caso necessário. Além de checar o fornecimento de equipamentos de proteção individual (EPIs) adequado para os profissionais de saúde.

No site do Cremerj foi criado ainda o canal Covid-19 (confira aqui), onde chegam denúncias de médicos das demais unidades. Uma equipe de médicos do Cremerj analisa a denúncia e notifica o diretor da unidade, para que envie esclarecimentos em até 24 horas. Se necessário, a unidade é fiscalizada.

Caso não seja possível a solução de inconformidades, encaminhamos a demanda ao Ministério Público para providências imediatas.

Ainda no canal Covid-19, dúvidas de médicos sobre resoluções, EPIs e questões técnicas são prontamente respondidas pela equipe com o apoio das câmaras técnicas das especialidades e do setor jurídico.

Ainda estamos atentos à conduta de profissionais que divulguem práticas não reconhecidas, levando risco à população, encaminhando estes casos para abertura de sindicância.

Foi criado um gabinete de crise no Cremerj onde diretores e conselheiros estão trabalhando de forma continua, diuturnamente.

O Cremerj está ao lado dos médicos, autoridades e população, neste momento difícil, com maior dos seus objetivos proteger vidas.

Em Campos e região o Cremerj já sabia as condições de trabalho dos médicos, pois fiscalizamos ano passado todos os hospitais e unidades pré-hospitalares (UPHs).

As fiscalizações foram encaminhadas ao MPERJ e a Defensoria Pública. Isso gerou uma ação civil pública com pedido de liminar que aguarda julgamento.

Porém, diante da pandemia de Covid-19, realizamos em março fiscalizações direcionadas para EPIs, fluxos de atendimento e estrutura de urgência e emergência no Hospital Geral de Guarus (HGG), Hospital Ferreira Machado (HFM) por duas vezes e ainda nas UPHs de Travessão, São José e Guarus. Os relatórios foram encaminhados a Defensoria Pública e MPERJ. Por determinação do MP também fiscalizamos os três maiores hospitais privados de Campos, onde encontramos uma excelente estrutura.

Entretanto, nesse momento de gravidade entendemos que não adianta apenas fiscalizar e gerar demanda às autoridades e esperar julgamento. Assim como um casal divorciado que deve se unir para cuidar da saúde do filho, preferimos o diálogo e ações conjuntas com os gestores. Fomos prontamente recebidos pelo prefeito Rafael Diniz.  Ambos os lados levantaram uma bandeira branca e assim montamos um gabinete de crise que inclui gestores municipais, Cremerj, Sindicato dos Médicos de Campos (Simec), MPERJ e Defensoria Pública.

A Presença nesse gabinete de crise do MP e Defensoria Pública foi de fundamental importância, pois trabalham como mediadores. Além da cobrança não ser apenas feita por ofícios, mas olho no olho.

O prefeito de forma muito humilde e serena entendeu que precisa dos médicos, soldados na linha de frente nessa guerra, assim como os médicos sabem que precisam do gestor fornecendo condições de trabalho e EPIs.

Essa parceria (PMCG, MP, CREMRJ, Sindicato e Defensoria) está trazendo enorme resultado. Estamos longe do ideal, pois a estrutura de Saúde Pública de Campos está sucateada e caótica. Porém, com a sensibilidade dos gestores municipais, empenho dos médicos e autoridades conseguimos o máximo possível.

O prefeito colocou na linha de frente uma grande autoridade médica em saúde pública, a infectologista Andreya Moreira, que tem comandado diuturnamente as ações.

A nomeação de Dra. Cintia Ferrini para secretaria municipal de Saúde trouxe serenidade e competência. Profissional de carreira extremamente técnica com formação em gestão sem nenhum viés político.

O Ministério Público e a Defensoria Pública estão auxiliando com sugestões e cobranças. Porém, assim como o Cremerj, não abandonaram sua função de órgão fiscalizador e têm cobrado incansavelmente as ações definidas pelo gabinete de crise.

As ações de saúde pública voltadas ao combate do Covid-19 em Campos hoje são tomadas por esse gabinete. Os frutos são excelentes.

A falta de EPIs (que hoje são pontuais) imediatamente é informada ao gabinete e solucionada pelo gestor municipal.

O Cremerj participou a convite do prefeito da criação e montagem do Centro de Combate ao Covid-19 (CCC), onde temos dois representantes (Dr. Vitor Carneiro e Dra. Cinthia Cordeiro). Participamos da montagem do fluxo de atendimento de Covid-19 no município. O Cremerj sugeriu o reaparelhamento do 192 para atendimento e orientações ao Covid-19 o que foi imediatamente aceito pelo prefeito. Participamos também da relocação dos médicos dos ambulatórios para as emergências evitando assim qualquer equívoco.

O Cremerj publicou resoluções que são bem claras. A primeira fala que os responsáveis técnicos (médico) das unidades serão responsabilizados pela falta de EPI. Na segunda o Cremerj informa que “os profissionais de saúde, na rede pública e privada, só devem atender à população de risco com os EPIs, composto, minimamente de máscaras de proteção, luvas descartáveis e, quando for o caso, avental de proteção”. Portanto na ausência de EPIs, os médicos não irão atender. Diante dos dados que 20% a 40% dos contaminados na Europa são profissionais de saúde, sendo sua maioria médicos, não restou ao Cremerj outra opção.

As resoluções foram apresentadas ao gabinete de crise de Campos e foram entendidas por todos, inclusive pelo MP e Defensoria Pública.

Posso afirmar que hoje em Campos e região não faltam EPIs. Amanhã a realidade pode ser outra, por isso as fiscalizações são diárias.

Em relação aos outros municípios, no qual a delegacia do Cremerj de Campos é responsável, cobramos junto ao MP e Defensoria ações, pois a inércia dos gestores municipais poderia sobrecarregar Campos. Entretanto, assim como foi feito em Campos, optamos pelo diálogo e tivemos sucesso na maioria dos municípios. Os secretários municipais de saúde e prefeitos entenderam que não podemos esperar o Governo do Estado, pois historicamente nunca ajudaram a região. O foco sempre foi a capital.

O município de São João da Barra está reabrindo o Centro de Emergência e terá 10 leitos de CTI e cerca de 40 outros leitos.  O município de São Francisco de Itabapoana na pessoa do seu secretário de saúde, Dr. Sebastião Campista, está a todo momento em contato como o Cremerj e já montou um centro de triagem além de leitos de CTI. Aguarda recurso estadual para abrir mais leitos. São Fidelis está com 10 leitos de CTI. Esta semana junto ao MP e Defensoria Pública iremos cobrar as ações do município de Cardoso Moreira.

As ações de isolamento estão trazendo resultados. Na região Norte só temos três casos, todos em Campos, sendo todos importados. Não há transmissão local comprovada. Infelizmente dois desses casos são profissionais de saúde. Porém, segundo informações, a contaminação correu em outro município onde trabalham. Todos estão bem e em observação domiciliar.

Para terminar imploro a população que fique em casa. Mantenham o isolamento.

 

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