Opiniões

Covid-19 — Queixa sobre EPIs faz Cremerj fiscalizar Saúde Pública de Campos

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Os equipamentos de proteção individual (EPIs) para Covid-19, disponíveis aos profissionais da rede de Saúde Pública de Campos, está sendo alvo hoje (11) de fiscalização pelo Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj). Um membro do Cremerj adiantou que os principais problemas constatados são a falta de máscaras cirúrgicas, com tripla camada, e os aventais de proteção. A fiscalização se dará no Centro de Controle de Combate ao Coronavírus (CCC) de Campos, nos hospitais Ferreira Machado (HFM) e Geral de Guarus, além das UPHs São José, de Guarus e de Travessão. Um relatório será produzido até o final do dia e enviado à sede do Cremerj no Rio, à promotora Maristela Naurath, da 3ª Promotoria de Tutela Coletiva de Campos, e à secretaria municipal de Saúde.

Secretária de Saúde de Campos, Cíntia Ferrini admite que a falta de EPIs é um problema não só local, mas do mundo. É agravado pelo retorno dos brasileiros às ruas (confira aqui o novo caso de hoje em Campos), incentivados pelo mau exemplo (confira aqui) do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), e pelo fato dos EUA, novo epicentro mundial do novo coronavírus, estarem usando seu poder econômico para comprar todo o material de proteção disponível no mercado internacional. Em relação aos aventais de proteção, a secretária municipal argumentou que as mudanças nos critérios pelo ministério da Saúde têm sido constantes, por isso difíceis de acompanhar e suprir de maneira adequada.

Distribuição de máscaras inapropriadas para uso médico foi denunciada nas redes sociais por profissionais da Saúde Pública de Campos (Foto: Facebook do vereador Álvaro Oliveira)

Sobre a falta de máscaras cirúrgicas, principal queixa, Cíntia garantiu que elas estão em processo de compra. E admitiu que as máscaras de dupla face, cuja distribuição foi denunciada nas redes sociais por profissionais da Saúde Pública, não são para uso médico. Ela alegou que a demanda vem sendo atendida pelas máscaras nº 95, mais caras, mas ainda em estoque. A secretária admitiu, entretanto, que o problema das EPIs tende a se agravar com o aumento da doença. Até ontem, Campos registrava 14 casos confirmados de Covid-19. O pico da doença no Brasil é esperado para o final deste mês. E, segundo todas as projeções, deve se manter pelo menos até junho.

Com assento no gabinete de crise criado pelo governo de Campos por conta da pandemia do novo coronavírus, o Cremerj tem orientado os profissionais de Saúde a não atenderem casos suspeitos sem EPIs. Mesmo contando com todos eles, no começo da pandemia pelo mundo, o percentual de contaminação dos profissionais de saúde que trataram dos doentes de Covid-19, na China e na Itália, chegou a até 40%.

Nos dias 19 e 30 de março, esta última em parceria com o Ministério Público, o Cremerj já havia realizado fiscalizações na rede de Saúde Pública de Campos. No último dia 5, em atendimento à demanda gerada pelo blog, o delegado local do Cremerj, Dr. Rogério Bicalho, fez elogios aos profissionais da Saúde Pública que estão à frente do combate à Covid-19 no município. Mas fez a ressalva clara (relembre aqui) em relação aos EPIs:

— O Cremerj já informou que “os profissionais de saúde, na rede pública e privada, só devem atender à população de risco com os EPIs, composto, minimamente de máscaras de proteção, luvas descartáveis e, quando for o caso, avental de proteção”. Portanto na ausência de EPIs, os médicos não irão atender. Diante dos dados que 20% a 40% dos contaminados na Europa são profissionais de saúde, sendo sua maioria médicos, não restou ao Cremerj outra opção. As resoluções foram apresentadas ao gabinete de crise de Campos e foram entendidas por todos, inclusive pelo MP e Defensoria Pública. Posso afirmar que hoje em Campos e região não faltam EPIs. Amanhã a realidade pode ser outra, por isso as fiscalizações são diárias.

 

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