Opiniões

Covid-19 — Secretária de Saúde: 15% dos profissionais recusam atender emergência

 

Cíntia Ferrini no Folha no Ar da manhã de hoje, feito por Skype para manter o isolamento social (Reprodução)

 

“Da listagem do ambulatório (dos profissionais da Saúde Pública de Campos relotados ao serviço de emergência, para atender à pandemia da Covid-19) eu posso estimar: ainda 15% se recusam. A gente tem feito um trabalho de conscientização. Acho que a gente também tem que entender que é um momento em que as pessoas ainda têm muito medo (…) A gente precisa conscientizar, treinar para que eles (os profissionais da Saúde Pública) se sintam seguros para trabalhar nas emergências. Não existe pré-julgamento, mas existe um momento em que a gente precisa dos profissionais nas emergências. A gente precisa garantir que as emergências funcionem. E se a gente tem um profissional de saúde efetivo, com o pagamento regular, é a primeira mão de obra que a gente precisa contar. Este é um trabalho que a gente tem feito todos os dias, junto com representantes do Cremerj (Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro), inclusive fazendo contato com esses profissionais no sentido de conscientizar. E a gente está avançando, com algumas dificuldades, algumas escalas em aberto ainda”.

Essa ausência de profissionais da Saúde Pública no atendimento de emergência à população foi admitida no início da manhã de hoje (15), no programa Folha no Ar, pela secretária de Saúde de Campos, Cintia Ferrini. No programa ao vido da Folha no Ar 98,3, ela foi indagada sobre qual processo administrativo está sendo adotado pelo poder público municipal em relação a esses profissionais que se recusam a trabalhar na emergência:

— A gente faz a convocação (de relotação dos profissionais às emergências) por meio de Diário Oficial. A gente entra e contato e apresenta quais são as vagas disponíveis. O que acontece? No momento em que a gente levanta esse número de profissionais e alguns se recusam (a trabalhar na emergência), há uma determinação para que a gente encaminhe para o Ministério Público essa listagem. O processo administrativo é esse. Porque não é uma decisão específica da gestão municipal, é do gabinete de crise. E o que está definido por ele hoje é que os profissionais que se recusam a se apresentar, tem casos que a gente não conseguiu contactar e tem casos de recusa, a gente encaminha essa relação ao Ministério Público. Essa é a orientação do próprio Ministério Público e do Cremerj.

Desde que a pandemia da Covid-19 chegou ao município, a secretária de Saúde também relatou que subiu muito o número de atestados médicos entre a classe médica que atua na rede municipal:

— A gente teve atestado médico em um dia de mais de 100 profissionais médicos. É sempre colocado algum problema de saúde por imunocomprometimento. E isso tem sido avaliado pela PreviCampos. Ou é algum problema respiratório, alguns casos relacionados a problema mental, depressão ou pânico. O número de atestados apresentados tem sido muito expressivo. E isso é bem preocupante. Fora os afastamentos que o próprio decreto (da pandemia da Covid-19) prevê: tem mais de 60 anos, é imunocomprometido, paciente oncológico, cardíaco. A gente tem profissionais de saúde com mais de 60 anos, que devem ser afastados, mas eles querem trabalhar nesse enfrentamento. E é fato, a gente está neste momento de relotação. Infelizmente ainda tem profissionais que se recusam a ir para as emergências. E isso está sendo acompanhado pelo Cremerj e pelo Ministério Público. A gestão da Saúde hoje é compartilhada, no sentido de tornar tudo muito transparente.

Em contrapartida, Cintia Ferrini também foi questionada dos vários problemas com fornecimento de equipamentos de proteção individual (EPIs). Encontrados em vistoria recente do Cremerj em todas as principais unidades da rede de Saúde Pública de Campos (confira aqui e aqui), eles estariam motivando o receio dos profissionais em ser relocados ao serviço de emergência, onde poderiam ficar expostos à contaminação pelo novo coronavírus:

— O que acontece no Brasil e no mundo é que as necessidades que você tem para EPI quadriplicaram. O mercado não consegue atender a necessidade. Este é um fato. A gente tem vivido um dia de cada vez. Você não consegue hoje ter um estoque para garantia de um mês, dois meses. Isso hoje é quase que utópico. Nós temos feito treinamentos constantes. Alguns equipamentos o fornecedor entrega com um pouco mais de facilidade, outros com um pouco mais de dificuldade. Temos trabalhado com os profissionais para que eles sejam conscientizados da importância de utilizar com responsabilidade, para que a gente evite o desperdício. Existe realmente no país uma possibilidade, dependendo do aumento aí de casos da evolução da doença no país e na cidade de Campos, de faltar. E se faltar? Você vai deixar de atender a um paciente? Você vai deixar um paciente vir a óbito pela falta de EPI? — questionou a secretária municipal de Saúde.

 

Confira nos vídeos abaixo os três blocos do Folha no Ar de hoje com a secretária Cintia Ferrini:

 

 

 

 

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