Opiniões

Covid-19 — Hospital estadual de campanha em Campos adiado e com denúncias

 

(Foto: Genilson Pessanha – Folha da Manhã)

 

Segundo o deputado estadual Rodrigo Bacellar (SD), após contato com o secretário estadual de Saúde Edmar Santos, o novo prazo para entrega do hospital estadual de campanha para a Covid-19 seria 5 de maio. Mas ele só entraria em operação duas semanas depois, daqui a cerca de um mês.

Pela grande demanda no mercado internacional, a dificuldade seria a compra de respiradores mecânicos para os leitos de UTI, necessários aos casos mais graves da doença. Montado na área da antiga Vasa, na av. 28 de Março, o hospital de campanha de Campos foi projetado para ter 20 leitos de UTI e 80 leitos clínicos.

O adiamento do prazo inicial de entrega para o dia 30 deste mês, foi anunciado pela Folha (confira aqui). No domingo, o jornal trouxe uma matéria (confira aqui) sobre as denúncias de superfaturamento no contrato para construção dos hospitais estaduais de campanha em Campos e Casimiro de Abreu.

No contrato assinado entre o governo Wilson Witzel (PSC) e a organização social Instituto de Atenção Básica e Avançada à Saúde (Iabas), só a implementação das duas unidades custará ao cofre público quase R$ 20 milhões por mês, 10 vezes mais que a construção de um hospital de campanha em São Paulo com maior capacidade. Após o contrato, o Ministério Público Estadual instaurou inquérito civil para investigar as denúncias de superfaturamento.

 

Mosteiro da Santa Face continuará a distribuir comida, mas com novo protocolo

 

Por conta da aglomeração de pessoas na distribuição de comida pelas freiras, a rua Marechal Floriano foi fechada e novos protocolos serão estabelecidos (Reprodução de vídeo)

 

A distribuição diária de refeições pelas freiras do Mosteiro da Santa Face, que teve grande aumento na demanda por conta do isolamento social para conter a pandemia da Covid-19, vai continuar com o fechamento (confira aqui) da rua Marechal Floriano, no entorno do Jardim São Benedito. Mas, a partir desta terça (21), funcionará com filas em sentidos opostos, separadas entre homens e mulheres. E um novo protocolo, com distribuição de senhas, deve passar a vigorar a partir de quinta (23). Foi o que ficou decidido na tarde de hoje (20), entre o prefeito Rafael Diniz (Cidadania), integrantes do gabinete municipal de crise, incluindo Ministério Público e forças de Segurança Pública, e dois representantes do Mosteiro, já que suas 10 freiras fizeram voto de clausura.

Amanhã, a secretária municipal de Desenvolvimento Humano e Social, Priscila Marins, deve se reunir com a irmã Maria da Encarnação, madre superiora do Mosteiro. Comunicadas de teor do que foi discutido na reunião de hoje por seus representantes, elas concordaram com as medidas, que visam a manutenção da ordem pública e as normas sanitárias de afastamento entre as pessoas, por conta da pandemia do novo coronavírus. Uma nova reunião será marcada na quarta (22), entre os representantes do Mosteiro do Jardim São Benedito e a secretária de Desenvolvimento Humano e Social, para fechar as regras do protocolo que será adotado a partir do dia seguinte.

 

Covid-19 — Com 6 casos confirmados, 1 morto e 3 curados, Bom Jesus tem nova UTI

 

 

Com uma morte (confira aqui), seis casos confirmados, 34 suspeitos e 49 descartados de Covid-19, Bom Jesus do Itabapoana teve hoje duas boas notícias sobre a pandemia do novo coronavírus. A primeira é, apesar do óbito do taxista Farley Cursio no dia 5, dos outros cinco casos confirmados, três já são considerados curados. Outro segue internado e o último está em isolamento residencial.

A outra boa notícia é que o Hospital São Francisco de Paulo conta com uma nova UTI, com 13 leitos, sendo um para paciente com necessidade de isolamento, para atender o município:

— Mais uma vez agradeço todo o empenho do diretor do Hospital, Vitor Pavan, que possibilitou a montagem dessa UTI para atender a população bom-jesuense nesse momento de crise — disse o prefeito Roberto Tatu.

 

Autoridades do município e direção do hospital de Bom Jesus diante da nova UTI (Foto: Divulgação)

 

PGR pede investigação de atos contra a democracia com a presença de Bolsonaro

 

Bolsonaro saudou no domingo seus apoiadores, que quebraram o isolamento social para pedirem intervenção militar no país com o presidente no poder (Foto: Pedro Ladeira – Folhapress)

 

O procurador-geral da República, Augusto Aras, solicitou hoje (20) ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de inquérito para apurar “fatos em tese delituosos envolvendo a organização de atos contra o regime da democracia participativa brasileira”. Aras não citou especificamente o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que participou ontem (19) do ato dos seus militantes em Brasília, em frente ao Quartel-General do Exército Brasileiro, no Da d Exército. Vários apoiadores do presidente pediram a intervenção militar no país, o fechamento do STF e do Congresso Nacional, além da volta do AI-5. Assinado em 13 de dezembro de 1968, o Ato Institucional nº5 inaugurou o período mais violento da última ditadura militar brasileira (1964/1985). Cassou direitos políticos, censurou, prendeu, torturou e matou os opositores daquele regime, que sempre teve em Bolsonaro um defensor.

O procurador-geral da República justificou o pedido de abertura de inquérito ao STF dizendo que os atos foram cometidos “por vários cidadãos, inclusive deputados federais” da base de apoio do governo Bolsonaro. Cabe ao Supremo investigar pessoas com foro, como deputados. A presença do presidente na manifestação dos seus militantes, com pedidos em afronta ao estado democrático de direito, gerou forte repercussão negativa entre políticos, ministros da Suprema Corte e entidades. Bolsonaro não é alvo do inquérito pois até o momento não há indício de participação dele na organização dos atos.

A investigação não é restrita ao ato de Brasília, com a presença do presidente. Mas é extensiva a todos os atos realizados ontem no país, em que participantes pediram o fechamento de instituições democráticas, como o Congresso Nacional e o STF. O inquérito visa apurar possível violação da Lei de Segurança Nacional (7.170/1983). “O Estado brasileiro admite única ideologia que é a do regime da democracia participativa. Qualquer atentado à democracia afronta a Constituição e a Lei de Segurança Nacional”, afirmou o procurador-geral, Augusto Aras. No domingo, ele já havia divulgado uma nota pública em que reiterou o compromisso do Ministério Público brasileiro de velar “pela ordem jurídica que sustenta o regime democrático, nos termos da Constituição Federal”.

Após a participação nos protestos de ontem promovidos por sua militância, Bolsonaro teria sido advertido pela cúpula militar do seu governo. Na manhã de hoje, na saída do Palácio da Alvorada, ele tentou botar panos quentes nas fortes reações geradas pelos protestos contra a democracia com a sua participação. O presidente chegou a advertir um militante que pediu que ele fechasse o Supremo:

— Sem essa conversa de fechar. Aqui não tem que fechar nada, dá licença aí. Aqui é democracia, aqui é respeito à Constituição brasileira. E aqui é minha casa, é a tua casa. Então, peço por favor que não se fale isso aqui. Supremo aberto, transparente. Congresso aberto, transparente.

Sobre as várias faixas e pedidos por intervenção militar, retorno do AI-5, fechamento do Congresso e do Supremo, aos quais se calou ao participar dos protestos no dia anterior, o presidente tentou atribuir a “infiltrados” entre os seus militantes:

— Em todo e qualquer movimento tem infiltrado, tem gente que tem a sua liberdade de expressão. Respeite a liberdade de expressão. Pegue o meu discurso, dá dois minutos, não falei nada contra qualquer outro poder, muito pelo contrário. Queremos voltar ao trabalho, o povo quer isso. Estavam lá saudando o Exército Brasileiro. É isso, mais nada. Fora isso, é invencionice.

Bolsonaro disse que não precisaria conspirar para chegar ao poder por já estar no poder. Ainda assim, em alusão ao rei francês Luís XIV (1638/1715), famoso como símbolo do poder absolutista na Europa pré-iluminista e pela frase “O Estado sou eu!”, o presidente do Brasil disse ser a Constituição:

— O pessoal geralmente conspira para chegar ao poder. Eu já estou no poder. Então, eu estou conspirando contra quem, meu Deus do céu? Eu sou, realmente, a Constituição!

Ainda ontem, sete oficiais-generais das Forças Armadas Brasileiras (FAB) foram ouvidos (confira aqui) pelo Estadão: cinco do Exército, um da Aeronáutica e um da Marinha. O protesto diante ao QG do Exército com a presença do presidente foi classificado como “provocação”, “desnecessário” e “fora de hora”:

— Se a manifestação tivesse sido na Esplanada, na Praça dos Três Poderes ou em qualquer outro lugar seria mais do mesmo. Mas em frente ao QG, no dia do Exército, tem uma simbologia dupla muito forte. Não foi bom porque as Forças Armadas estão cuidando apenas das suas missões constitucionais, sem interferir em questões políticas — analisou um dos generais ouvidos pelo Estadão, que tiveram seus sigilos de fonte foram mantidos, já que chefes militares não podem se pronunciar politicamente.

 

Em 15 de março, bolsonaristas de Campos também fizeram protesto para pedir intervenção militar, fechamento do STF e do Congresso (Foto: Genilson Pessanha – Folha da Manhã)

 

Com mais oito casos confirmados de Covid-19, Campos chega a 40

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr)

Cresce a pandemia da Covid -19 em Campos, que chegou neste domingo (19) a 40 casos confirmados. Hoje (19) foram mais oito. Quatro são mulheres: duas profissionais de saúde, respectivamente de 52 e 54 anos, ambas sem comorbidade; uma idosa de 79 anos, diabética, hipertensa e obesa; e sua neta de 20 anos, sem comorbidade. E mais quatro homens: um de 37 anos, profissional de saúde, sem comorbidade; um de 59, hipertenso; um de 39, sem quadro de comorbidade definido; e um petroleiro de 41, obeso. Todos os oito novos casos estão em isolamento residencial.

Entre os 40 casos confirmados, quatro estão internados em estado grave. Três estão na UTI do Hospital Dr. Beda: um homem de 60 anos, sem comorbidade; outro de 31, com obesidade mórbida; e um senhor de 81 anos, que estava em tratamento de home care, marido da senhora de 79 confirmada hoje. A outra, na UTI da Unimed, é uma mulher de 58 anos, com doença cardiovascular e diabetes. Outros três casos confirmados apresentam quadro moderado da doença e estão em leitos clínicos. Entre os 45 suspeitos de Covid-19 em Campos há 10 internados na rede de saúde. Outros 35 tiveram a infecção pelo novo coronavírus descartada.

Por enquanto, a única morte confirmada da doença no município foi (confira aqui) o caminhoneiro Hudisson Pinto dos Santos, de 39 anos, casado e pai de dois filhos pequenos, morador do bairro da Penha. Ele veio a óbito na UTI do Centro de Controle e Combate ao Coronavírus (CCC) de Campos, no último dia 11, onde havia sido internado já em estado grave no dia 4. Médico intensivista do CCC, Vitor Carneiro garantiu (confira aqui) no programa Folha no Ar da última quinta (16), que todos os esforços foram feitos para tentar recuperar o paciente. Inclusive ministrando a ele cloroquina, droga apontada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) como cura para a Covid-19. A morte de Hudisson pela doença só seria confirmada oficialmente ontem (confira aqui), pelo Laboratório Central Noel Nutels (Lacen), credenciado pela secretaria estadual de Saúde.

 

Fake news sobre Garotinho, Justiça e Ministério Público em outro tiro pela culatra

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr,)

 

Capitaneado por “um mercenário que vende a mãe em seu portal de notícias” — na famosa definição feita aqui pelo sociólogo Roberto Dutra, professor da Uenf — um site caça-níqueis publicou uma notícia falsa sobre a Folha da Manhã ter exposto uma fonte na sua matéria que noticiou (confira aqui) um recurso negado de Anthony Garotinho pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Que, por sua vez, manteve a condenação em segunda instância do ex-governador, por calúnia contra um juiz federal.

Em exercício de “adivinhação” de caixa registradora mal disfarçada de bola de cristal, o site caça-níqueis alegou equivocadamente que o promotor Leandro Manhães teria sido a fonte da informação da Folha da Manhã, de uma decisão que é pública. Tal afirmação é falsa.

Os advogados de Anthony Garotinho, na falta de argumentos jurídicos e fáticos para rebater as acusações em ações nas quais ele já foi condenado, buscam validar a narrativa do ex-governador de que há um complô do Judiciário e do Ministério Público contra ele, nominando alguns membros. Narrativa abraçada em operação de compra e venda por um site que já produziu algumas das páginas mais vergonhosas da história recente do jornalismo na região.

Sempre a soldo ou na tentativa de intimidação miliciana contra quem não o paga, pode ser para defender um prefeito da região atacando outros (confira aqui). Pode ser na tentativa abjeta de usar um feminicídio para atacar os políticos que se negam a pagar “proteção” (confira aqui). Pode ser para atacar de maneira torpe um vereador de São João da Barra (confira aqui) por motivos que só interessam à sua intimidade familiar.

Pode ser para atender a interesses de um dos seus “colaboradores”, reunidos em interesses de ocasião por quem não tem o hábito de pagar a nenhum profissional de jornalismo. E produzir fake news para tentar corromper a eleição a reitor de uma instituição séria como a Uenf. Em setembro de 2019, gerou o repúdio daquela comunidade acadêmica. Seja de seus líderes estudantis, ou de professores como o Roberto Dutra, quando cunhou a definição que se tornaria famosa para esse tipo de “jornalismo”. Quem não se lembra, basta conferir aqui e aqui.

 

 

O fato é que a atuação midiática desastrada do site caça-níqueis, como é sua sina, acabou sendo também desastrosa a quem pretendia servir para depois se servir. Foi um tiro pela culatra na eleição a reitor da Uenf, vencida pelo alvo das fake news veiculadas “em conchavo inescrupuloso com um mercenário que vende a mãe em seu portal de notícias”.

Deputado federal de boa atuação parlamentar (confira aqui) e pré-candidato bem cotado a prefeito de Campos, Wladimir Garotinho (PSD) deveria colocar as barbas de molho. Com os “amigos” que sobraram ao pai, o filho pode não precisar de inimigos.

 

Vereador Jorginho Virgílio

Atualização às 16h03 para acrescer à postagem o comentário do vereador Jorginho Virgílio (DC). Ex-presidente da CPI do Fundecam, ele relatou aqui mais um exemplo de “jornalismo” alugado para promover ataques violentos até contra o trabalho de recuperação de R$ 500 milhões desviados dos cofres públicos de Campos: 

— Este mesmo “jornalista” andou criticando a CPI do FUNDECAM que apurou um ROMBO de mais de MEIO BILHÃO de reais dos cofres do município de Campos! Em uma das suas últimas matérias, muito mau escritas por sinal, ele defende o CALOTE de uma usina de cana de açúcar que funciona na divisa entre Campos e São Francisco do Itabapoana dizendo que a usina irá gerar 400 empregos na próxima safra e por isso justificava os MILHÕES DE REAIS que deixou de ROMBO no município em 2 empréstimos no mínimo suspeitos! Mas o que esperar de um “jornalista” que foi secretário de um governo como o de Alexandre Mocaiber onde vários saíram PRESOS no avião da POLÍCIA FEDERAL?

O relatório final da CPI de Fundecam foi concluído e entregue pela Câmara Municipal de Campos, em 28 de janeiro, (confira aqui) ao promotor de Justiça Marcelo Lessa. Ele elogiou o trabalho: “primorosa auditoria feita pela CPI, que investigou a fundo todos os contratos do Fundecam”.

 

Pré-candidato a prefeito de Campos, Alexandre Tadeu espera apoio dos Bolsonaro

 

Nota 10 para o governo federal Jair Bolsonaro (sem partido), pela “grande tentativa de colocar o país em ordem”. E nota 3 para o governador Wilson Witzel (PSC) e o prefeito Rafael Diniz (Cidadania), pelo “fechamento total do comércio nesse período de pandemia” da Covid-19, mantido aberto apenas aos serviços essenciais, como foi feito no resto do mundo. São as avaliações de Alexandre Tadeu, jornalista, apresentador da TV Record e pré-candidato a prefeito de Campos, cujo partido Republicanos recentemente abrigou dois filhos do presidente: o senador Flávio e o vereador carioca Carlos Bolsonaro. Tadeu espera contar com o apoio do clã presidencial, caso confirme sua candidatura. Católico, ele se considera “privilegiado em participar do grupo formado pelo Republicanos, Iurd (Igreja Universal do Reino e Deus) e Record”. Sem citar nomes, pregou a eliminação “do privilégio de grupos e famílias que se sentem donos de Campos”. E foi além: “A cidade já teve o governo da enganação, da corrupção e agora o da decepção. É preciso se libertar de tudo isso”.

 

(Foto: Folha da Manhã)

 

Folha da Manhã – Na condição de jornalista, político e cidadão, como está vendo a pandemia da Covid-19 em Campos, Norte e Noroeste Fluminense, Estado do Rio e Brasil?

Alexandre Tadeu – Vejo a pandemia como um problema que deve ser encarado com muita responsabilidade, independente da condição em que nos encontramos e do local onde estamos. A Covid-19 não escolhe as vítimas e está espalhada pelo mundo. E as consequências são inimagináveis. Vão muito além da propagação e de mortes. As consequências econômicas e psicológicas também vão tirar muitas vidas. Talvez até mais do que a própria doença em alguns lugares. Somos todos iguais para o coronavírus. Por isso, somente unidos seremos capazes de vencê-lo.

 

Folha – Ainda ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta projetou que a pandemia atingirá seu pico no final deste mês, que deve permanecer por maio e junho. A previsão de queda é só para agosto ou setembro. Acredita que o calendário eleitoral do pleito municipal será mantido para outubro? Se for adiado, isso seria bom ou ruim politicamente? Por quê?

Tadeu – Acho prematuro decidir algo neste momento. Faltam três meses para as convenções, quase cinco meses para o início da campanha eleitoral e seis meses para as eleições de outubro. Deve-se esperar um pouco mais. No entanto, se o pleito for adiado para dezembro não vejo prejuízo, porque serão poucos meses de diferença. Mas se for para 2022, certamente, alguns candidatos sairão ganhando e outros perdendo, porque o cenário político será outro.

 

Folha – O Republicanos e a TV Record são ligados à Igreja Universal do Reino de Deus, cujo líder, Edir Macedo, postou em março um vídeo nas redes sociais chamando a Covid-19 de “inofensiva” e “invenção do Satanás”. Depois, pela repercussão ruim, apagou. Como você vê?

Tadeu – Eu não sou membro da Igreja Universal. Sou católico. Mas me sinto um privilegiado em participar do grupo formado pelo Republicanos, Iurd e Record TV. Essa união tem feito muito pelas pessoas e pelo país. Sobre a declaração do bispo, acredito que, na condição de líder espiritual, ele não tinha a intenção de levar pânico para as pessoas.

 

Folha – O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) também causou reações negativas ao chamar a Covid-19 de “gripezinha” e “resfriadinho” em rede nacional. Além pregar e agir abertamente contra o isolamento social adotado em todo o mundo para conter a pandemia. Qual a sua opinião? 

Tadeu – O presidente Bolsonaro, além da preocupação com a saúde, se preocupa com a economia do país, o que vejo como correto. Suas ações refletem a postura corajosa de um dirigente máximo da nação. Ele não transmite pavor para a população com a letalidade do vírus.

 

Folha – Sem conseguir montar seu novo partido, o Aliança pelo Brasil, para as eleições municipais, o clã Bolsonaro teve o senador Flávio e o vereador carioca Carlos abrigados no Republicanos, em acordo costurado com o prefeito do Rio, Marcelo Crivella. O presidente ainda é muito popular em Campos. Conta com esse apoio, se confirmar sua candidatura a prefeito da cidade?

Tadeu – Todo apoio de pessoas corretas, com responsabilidade com o próximo e sem medo de desafios, será sempre muito bem recebido. Por isso, o Republicanos acolheu a família Bolsonaro. E ter o apoio do presidente da República será fundamental para apresentarmos uma forma de administração municipal semelhante à que vem sendo aplicada no país, ou seja, acabando com práticas da velha política, eliminando o privilégio de grupos e famílias que se sentem donos de Campos. A cidade já teve o governo da enganação, da corrupção e agora o da decepção. É preciso se libertar de tudo isso, é a hora do governo da libertação.

 

Folha – Quem também conta com o apoio dos Bolsonaro nas eleições a prefeito de Campos é o deputado estadual Gil Vianna (PSL). Como vê essa disputa local pelo apoio presidencial?

Tadeu – Gil é um grande amigo, mas não acredito que haverá disputa. Até porque Gil permaneceu no PSL, contrariando a família Bolsonaro.

 

Folha – Em 2016, você estava bem nas pesquisas a prefeito de Campos. Mas o ex-governador Anthony Garotinho costurou por cima e levou o apoio do então PRB, atual Republicanos, para a chapa dele encabeçada por Dr. Chicão, em troca do apoio do PR à candidatura de Marcelo Crivella a prefeito do Rio. Receia que algo assim possa acontecer de novo?

Tadeu – Não. Estou muito tranquilo quanto a isso. O cenário é outro. Há uma determinação do Republicanos nacional para que haja candidatura própria para o Executivo em todas as cidades com mais de 100 mil eleitores.

 

Folha – Em 2012, você foi o segundo vereador mais votado de Campos, com 5.341 votos. Mas, depois de não conseguir emplacar a candidatura a prefeito em 2016, perdeu a reeleição na Câmara Municipal naquele ano, com 1.815 votos. A que credita essa perda de eleitores?

Tadeu – Sem dúvida, o motivo foi o acordo costurado por Garotinho para a retirada da minha candidatura. Liderei as pesquisas por longos meses e o povo estava confiante na minha vitória. Eu estava com mais de 10 pontos na frente de Rafael Diniz (Cidadania). Faltavam poucos meses para as eleições quando fui obrigado a sacrificar minha candidatura para garantir o apoio a Crivella no Rio. O povo sentiu a dor da manobra. Os eleitores que votariam em mim para prefeito já tinham decidido o voto para vereador. Mesmo assim mantive a confiança de 1.815 campistas. Mas não foi o suficiente para a reeleição.

 

Folha – O vereador eleito em 2016 por seu grupo político foi o Pastor Vandelry, com 5.227 votos. Como avalia a atuação dele, como integrante da base governista?

Tadeu – Tenho grande respeito pelo Pastor Vanderly, mas a base governista assim como o governo, não teve e não tem a aprovação da população, por uma série de ingerências. Falo como cidadão.

 

Folha – A expectativa é que o Pastor Vanderly não concorra à reeleição, como é a prática de revezamento político da Universal entre seus pastores, para ceder lugar nas eleições municipais ao Pastor Anderson, presidente do Republicanos em Campos. É isso mesmo ou uma candidatura sua a prefeito faria crescer essa nominata?

Tadeu – O pastor Anderson de Matos, presidente do Republicanos, sendo confirmado em convenção, é quem disputará o pleito no lugar do Pastor Vanderly.

 

Folha – Só três partidos em Campos estariam ainda soltos na questão de apoio à eleição majoritária: o PMB, o Rede e o Patri. O Republicanos está conversando com algum deles?

Tadeu – Não estamos conversando com nenhum deles.

 

Folha – Se tivesse que dar uma nota de 0 a 10, tendo que justificar, como avaliaria as atuações dos governos Bolsonaro, Wilson Witzel (PSC) e Rafael? No todo e no enfrentamento de cada um à pandemia da Covid-19?

Tadeu – A nota para o presidente Bolsonaro seria 10. Medidas necessárias têm sido tomadas por seu governo. Há uma grande tentativa de colocar o país em ordem, apesar de muitos políticos tentarem o contrário. Para o governador Witzel e o prefeito Rafael Diniz, a nota seria 3. Entre muitos pontos que discordo em suas administrações, está o fechamento total do comércio nesse período de pandemia. Eles politizaram a questão.

 

Folha – Como pré-candidato a prefeito de Campos, você tem um discurso de valorização do servidor. Rafael sofreu muitas críticas porque, diferente do que prometeu em campanha, não reajustou o servidor e suspendeu Restaurante Popular, Cheque-Cidadão e Passagem Social. Com um orçamento estimado para 2021 em R$ 1,7 bilhão, antes de sofrer os graves efeitos da crise econômica mundial da Covid-19, e uma folha de pagamento de pessoal de cerca de R$ 1,1 bilhão, seria possível valorizar o servidor, ou retomar esses programas sociais? Como?

Tadeu – Entendo que a valorização de um servidor não se dá apenas com reajuste salarial, mas também com reconhecimento, com investimento profissional, com condições de trabalho e com amparo às suas famílias. Nada disso é feito pelo atual governo. Aquele servidor que na Câmara era defendido com discursos bonitos, hoje se encontra abandonado e certo de que serviu apenas como trampolim para mais uma eleição. O orçamento enxuto pode dificultar a execução de programas sociais, mas a população carente precisa ser olhada com carinho e atenção. Para isso, parcerias com os governos estadual e federal serão fundamentais.

 

Folha – Por enquanto, está mantido para 29 de abril o julgamento da partilha dos royalties no Supremo Tribunal Federal (STF). Que, se valer como aprovada no Congresso, vai piorar muito a situação econômica de Campos, já ruim pela queda das receitas do petróleo. Que cairão ainda mais com a diminuição da demanda mundial por combustível fóssil, consequência do isolamento social para conter a pandemia. Há saída financeira ao município?  

Tadeu – Não acredito na aprovação da redistribuição dos royalties. Está comprovado que o repasse para os municípios não produtores de petróleo será insignificante para suas receitas. Enquanto que os municípios produtores seriam brutalmente atingidos economicamente. Nada justifica a nova partilha.

 

Folha – Sem dúvida, o governo Crivella no Rio é o grande outdoor do seu grupo político no poder executivo. No seu entender, a referência ajuda ou atrapalha? Por quê?

Tadeu – Crivela é um grande líder, um grande político, um pai de família, que representa muito bem os Republicanos. Tem meu respeito e admiração. Fez muito pelo país como senador e, apesar das dificuldades, continua fazendo muito pela cidade do Rio de Janeiro.

 

Página 2 da edição de hoje (19) da Folha da Manhã

 

Campos tem mais 2 casos confirmados de Covid-19 e chega a 32, 4 em estado grave

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Além de Hudisson Pinto dos Santos, primeiro morto de Covid-19 em Campos (confira aqui) oficializado sete dias depois, a Vigilância em Saúde confirmou hoje mais dois outros casos da doença no município, que agora contabiliza 32. São duas mulheres, uma de 35, sem comorbidade, que é filha de outra paciente internada, na UTI da Unimed. A outra é uma profissional de saúde, de 37 anos, também sem comorbidade prévia. Com ela, já são 12 profissionais de saúde de Campos com infecção confirmada do novo coronavírus. Há outros 43 casos suspeitos e 24 descartados.

Entre os 32 casos confirmados, quatro estão internados em estado grave. Três estão na UTI do Hospital Dr. Beda: um homem de 60 anos, sem comorbidade; um de 31, com obesidade mórbida; e um senhor de 81 anos, que estava em tratamento de home care. A outra é uma mulher da Unimed, de 58 anos, com doença cardiovascular e diabetes.

Outros três casos confirmados do novo coronavírus apresentam quadro moderado. E estão internados em leitos clínicos. Dois estão no Beda: um homem de 47 anos, sem comorbidade; e uma mulher de 35, também sem comorbidade, que está na Unimed. O outro caso confirmado em estado moderado é uma mulher de 59 anos, igualmente sem doença prévia, que está no Beda.

 

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