Opiniões

Com Covid, Makhoul teve parada cardíaca ontem na UTI da Unimed, mas está estável

 

Makhoul Moussallem (Foto: Folha da Manhã)

 

Ontem (29), após apresentar uma piora da condição cardíaca, o médico Makhoul Moussallem, de 75 anos, chegou a ter uma parada cardíaca na UTI do Hospital da Unimed, onde está internando, entubado e no respirador desde 22 de junho (confira aqui), por conta da Covid-19. Seu quadro ainda é muito grave, mas se estabilizou desde a tarde de ontem e segue sem alterações. Até o momento, ele não voltou a apresentar nenhuma arritmia cardíaca.

Também com complicações renais, mas sem novas intercorrências até o momento, ele fez a última hemodiálise no domingo (28). As informações foram passadas pelo irmão e a companheira de Makhoul, os também médicos Bassam Moussallem e Vera Marques.

As complicações cardíacas de Makhoul seriam fruto de uma fibrose, consequência da quimioterapia que fez para curar um câncer, cujo tratamento já havia concluído. Essa fibrose cardíaca teria causado o edema agudo que o levou a ser entubado e colocado no respirador, logo após dar entrada na UTI da Unimed, no dia 22. A quimioterapia também deixou um leve comprometimento renal, que foi agravado pela Covid.

— Eu fui vê-lo ontem, depois de estar entubado, pela primeira vez. Mas depois ele estabilizou e continua muito grave. Porém, de ontem para hoje, mantém um quadro estável. A gente espera cada hora para ver se ele não piora e o corpo possa compensar. Fui vê-lo hoje também, toda paramentada, para ficar um pouco com ele. Eu sei que está grave, mas não perdi a esperança. Ainda bem que, de ontem para hoje, ele não teve nenhuma intercorrência até o momento — explicou Vera Marques, médica e companheira de Makhoul.

 

Na UTI da Unimed, com Covid, Makhoul tem piora do quadro cardíaco e renal

 

Makhoul Moussallem (Foto: Folha da Manhã)

 

Internado e entubado na UTI da Unimed desde 22 de junho (confira aqui), com Covid-19, o médico Makhoul Moussallem, de 75 anos, apresentou piora em sua condição renal e cardíaca de ontem (28) para hoje (29). Segundo seu irmão, o também médico Bassam Moussallem, os rins de Makhoul não estão funcionando bem, mesmo submetido a hemodiálise (confira aqui) desde sexta (26). E sua a frequência cardíaca estaria muito alta. O quadro é considerado gravíssimo.

O quadro cardíaco seria fruto de uma fibrose, consequência da quimioterapia que Makhoul fez para curar um câncer, cujo tratamento já havia concluído. Essa fibrose cardíaca teria causado o edema agudo que o levou a ser entubado e colocado no respirador, logo após dar entrada na UTI da Unimed. A quimioterapia também deixou um leve comprometimento renal, agora agravado pela Covid.

 

Freixo: Bolsonaro “serial killer da Constituição” e Witzel, “ex-governador em exercício”

 

Em sua última entrevista à Folha (confira aqui), em maio de 2018, o hoje deputado federal Marcelo Freixo (Psol) falou ao maior jornal de Campos no mesmo dia que seu então colega de Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) Flávio Bolsonaro (confira aqui), hoje senador e pivô da maior crise do 1 ano e meio do governo do pai. Freixo admitiu que a popularidade do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), “uma média de 30%” mantida mesmo após a prisão de Fabrício Queiroz no dia 18, “ainda é muito elevada”. Mas ressalvou: “A rejeição a Bolsonaro cresce (…) pela sua incompetência, pela incapacidade de governar, de gerar emprego e, principalmente, pela incapacidade em tratar o Brasil no momento da pandemia, cuja existência ele negou”. Ele considerou Wilson Witzel (PSC), sob ameaça de impeachment da Alerj, como “ex-governador em exercício” que “reproduziu práticas encontradas no governo de Sérgio Cabral”.

Freixo também falou sobre as eleições presidenciais dos EUA, sobre a perspectiva de se chegar aos mandantes da execução da ex-vereadora carioca Marielle Franco (Psol) ainda este ano e sobre a aliança feita pelo Centrão com o governo federal “para se esconder das investigações da Lava Jato”. Em maio de 2018, o deputado mais de uma vez se referiu ao impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) como “golpe”, versão que mantém dois anos depois. Só que, agora, preferiu repetir: “Bolsonaro é um ‘serial killer’ da Constituição”. E voltou a falar em golpe: “Nós temos um presidente que vai a atos promovendo a ideia de fechamento de Congresso, de fechamento do Supremo e de intervenção militar. Então já temos um golpe em curso”. Do Planalto Central à planície goitacá, apostou: “Tudo indica que o Psol de Campos caminhará com candidatura própria (a prefeito)”.

 

Marcelo Freixo (Foto: Folha da Manhã)

 

 

Folha da Manhã – Sua última entrevista à Folha, em 20 de maio de 2018, foi feita e publicada no mesmo dia de outra, com seu então colega na Alerj Flávio Bolsonaro (atual Republicanos). Hoje, ele é senador e você, deputado federal. E, após a prisão do ex-assessor dele, Fabrício Queiroz, no dia 18, é bem mais fácil falar contigo. O que pode falar sobre isso?

Marcelo Freixo – O senador Flávio Bolsonaro não deve estar muito disponível para entrevistas, e nem mesmo disponível para a Justiça. São muitas as tentativas de seu advogado para obstruir a investigação sobre os esquemas de “rachadinha” no seu gabinete quando era deputado estadual. Eram esquemas comandados pelo Fabrício Queiroz, o que gerou a prisão deste. E hoje a esposa do Queiroz está foragida. O senador Flávio Bolsonaro tenta fugir dessa investigação, mas eu acho difícil que ele consiga. Tudo isso cada vez mais coloca a família presidencial próxima de pessoas que viviam, conviviam com as milícias e com muitas práticas ilegais dentro da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro.

 

Folha – Naquela entrevista, perguntado sobre onde poderia chegar a liderança de Jair Bolsonaro em todas as pesquisas sem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na eleição presidencial daquele ano, você respondeu: “Qual o tamanho disso? Não sei”. Hoje, quando já sabemos, o que pode dizer sobre estes últimos dois anos?

Freixo – Jair Bolsonaro foi eleito, o que eu considero um acidente histórico. Uma pessoa, quando é eleita, não se torna dona da democracia nem dona de um país, nem das pessoas que vivem nesse país. Ao tomar posse, ele jura uma Constituição e tem que respeitá-la. Hoje são diversos pedidos de impeachment, todos por crime de responsabilidade gravíssimos. Jair Bolsonaro hoje é acusado em tribunais internacionais por crimes de genocídio. Neste momento (quinta, dia 25) em que dou entrevista para a Folha da Manhã, vejo mais de 54 mil brasileiros mortos, mais de 1 milhão de pessoas contaminadas e um presidente que sequer coloca um ministro da Saúde para fazer com que a população possa se defender dessa pandemia. Então, é muito grave o momento que os brasileiros estão vivendo. O presidente se mostra um despreparado completo para exercer a função para a qual ganhou a eleição. Ele tem que respeitar a Constituição Federal. Se ele não respeita, não pode continuar como presidente.

 

Folha – Também naquela entrevista, analisando os 20% de intenções de votos com que Bolsonaro já aparecia nas pesquisas presidenciais, você disse: “A gente vai concluir que 20% do eleitorado brasileiro é fascista? Não, não é. Se for, a gente está perdido”. Bolsonaro foi eleito no 2º turno presidencial com 55,13% dos votos válidos. E, mesmo após a prisão do Queiroz, o presidente manteve 30% de apoio popular nas pesquisas. O que esses números permitem concluir? Como adjetivo ou substantivo, o emprego da palavra “fascista” tem sido numericamente exitoso à esquerda?

Freixo – Eu acho que aquele meu raciocínio é válido para hoje. Pesquisas apontam uma média de 30% de apoio ao presidente Bolsonaro. Ainda é uma média muito elevada. Mas, em pesquisa recente da pesquisadora Esther Solano, percebe-se uma divisão entre aqueles fiéis. Que seriam bem menos que 30%. Não chegariam a 10%, menos os críticos e os arrependidos. Não são todos iguais, os brasileiros que estão nesses 30%. No Nordeste, por exemplo, eles nem chegam a 20%. É muito importante fazer o número de apoiadores de Bolsonaro ser reduzido, pela tragédia que é o governo dele. Agora, por outro lado, tem 70%, em alguns lugares 80%, que já são contrários a ele. A rejeição a Bolsonaro cresce desde o primeiro momento do seu governo, e cresce pela sua incompetência, pela incapacidade de governar, de gerar emprego e, principalmente, pela incapacidade em tratar o Brasil no momento da pandemia, cuja existência ele negou. Ele chegou a chamar de “gripezinha” uma pandemia que hoje vitima mais de 50 mil famílias no Brasil. O meu raciocínio ainda é o mesmo. Não são todos iguais esses que ainda apoiam o Bolsonaro. É um número bem menor do que aquele que o elegeu. É muito importante que a gente vá acompanhando. Essa pesquisa de 30% foi feita antes da prisão do Fabrício Queiroz (e confirmada depois). Essa prisão do Queiroz vai revelar relações muito criminosas da família. Bolsonaro vai perder, com sua família, o lugar da honestidade sobre a qual tanto fala, pois dificilmente o senador Flávio Bolsonaro vai escapar dessa investigação. Sem dúvida alguma, isso vai reduzir o número de apoiadores do presidente.

 

Folha – Na entrevista que deu no mesmo dia que você à Folha, naquele maio de 2018, Flávio Bolsonaro, entre outras coisas, afirmou: “a direita saiu do armário”. E os fatos de lá para cá, provam que ele estava certo. Com que roupa essa direita saiu do armário? As ações no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e os inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF) podem pô-la a nu?

Freixo – O Brasil vive ao mesmo tempo três investigações muito profundas, muito graves, que envolvem diretamente pessoas muito próximas do presidente. Mais do que ficar falando de fascismo, que é uma palavra que boa parte da população não entende, eu acho que todo o campo progressista, comprometido com a democracia, tem que falar com as famílias, falar de saúde e de emprego. Foram três coisas que o Bolsonaro abandonou: saúde, família e emprego. As investigações atuais sobre grupos bolsonaristas são muito graves. Eles respondem por fake news, tem uma investigação sobre isso e que pega muita gente próxima ao presidente. Há uma investigação sobre crimes contra a democracia, inclusive com deputados sendo investigados por terem financiado com dinheiro público crimes contra a democracia, como propor fechamento do Congresso Nacional, do Supremo Tribunal Federal, intervenção militar. Dinheiro público foi desviado para financiar esse tipo de coisa. Isso é muito grave, assim como a própria ação de milícia envolvendo Queiroz, envolvendo “rachadinha” e a própria família Bolsonaro diretamente.

 

Folha – Você disse ter aberto mão da pré-candidatura a prefeito do Rio para “chamar todos aqueles setores, para além da esquerda, que estão comprometidos com a democracia”. Que ameaça a democracia sofre? Como o discurso de união e o Psol ficam quando o PT insiste no personalismo de Lula e fica fora da Frente Democrática com Ciro Gomes (PDT), Marina Silva (Rede) e o ex-presidente Fernando Henrique (PSDB)?

Freixo – São dois momentos distintos no que diz respeito a essa unidade. Primeiro, é uma unidade pela democracia, uma unidade para exigir respeito à Constituição da República. Nessa unidade, cabe todo mundo, como aconteceu no movimento das Diretas Já na década de 1980. No palanque das Diretas Já, você tinha forças antagônicas, mas todas eram comprometidas com a derrota da ditadura e queriam a eleição direta para presidente. Apesar de a emenda Dante de Oliveira não ter sido aprovada pelo Congresso Nacional, sem dúvida alguma aquele movimento foi vitorioso e decisivo para sairmos de uma ditadura civil-militar com tantos prejuízos à história do Brasil. Agora, esse primeiro movimento é semelhante, é para não permitir que Bolsonaro continue rasgando a Constituição do Brasil todos os dias. Bolsonaro age como um “serial killer” da Constituição, ele mata a Constituição todos os dias. A cada dia, um novo artigo é rasgado por Bolsonaro. Isso tem que ser impedido por forças democráticas. Não é um movimento da direita ou da esquerda, mas de todos juntos pela democracia. Este é um momento. Um outro momento é o de alianças de um campo progressista que possa ter um programa, mais do que um líder. Nós temos grandes figuras nacionais, e não somente o Lula. Nós temos o Ciro Gomes, o Flávio Dino, o Fernando Haddad, a Manoela D’ Ávila. Nós temos pessoas com muita capacidade de liderar. O que a gente precisa é de um programa, um projeto, que garanta saúde pública, educação pública, segurança pública, emprego, desenvolvimento, que dê conta da questão ambiental. Qual programa todas essas lideranças podem defender juntas? Essa será uma unidade programática em um segundo momento, ai sim, já pensando em uma eleição. Agora é hora de respeitar a Constituição, de garantir democracia e vida.

 

Folha – Analistas sustentam que o perigo de uma ruptura democrática no Brasil poderia vir menos das Forças Armadas, sobretudo após a prisão de Queiroz, do que das milícias e do forte apoio que o presidente tem entre as Polícias e os Bombeiros Militares. Com sua experiência à frente da CPI das Milícias na Alerj, concorda com essa tese?

Freixo – Nós não vivemos o mesmo momento que vivemos em 1964. Em 64, havia o governo João Goulart, que falava das Reformas de Base. Houve uma ruptura democrática ali, feita pelos militares e por um setor dos empresários brasileiros da época. Não é isso que vivemos hoje. Agora, nós já temos um governo que não respeita a Constituição, nós já temos um governo que é absolutamente violento, que fala em armas no lugar de entregar respirador. Que não amplia leitos e fala em guerra civil. Nós temos um presidente que vai a atos promovendo a ideia de fechamento de Congresso, de fechamento do Supremo e de intervenção militar. Então já temos um golpe em curso. Eu não acredito que as Forças Armadas cometam mais um erro em sua história em relação a isso, essa ruptura. O que a gente precisa fazer é interromper uma ruptura que já acontece, e não que vai acontecer. Nesse sentido, as Polícias Militares são muito práticas, e obedecem aos governos estaduais. Também não acredito nisso que falam, nessa inversão de valores nas polícias. Bolsonaro tenta alimentar uma sociedade armada, formando milícias políticas, como esse acampamento dos 300, que é algo violento e completamente ilegal, com gente já presa, inclusive. Então, é evidente que Bolsonaro quer um governo autoritário, mas não tem força política. A prisão do Queiroz vai revelar a proximidade do presidente com grupos criminosos, e ele vai, cada vez mais, perder força e apoiadores, ficar mais frágil.

 

(Foto: Folha da Manhã)

 

 

Folha – Em Campos, no dia 5, a PM reprimiu (confira aqui) com bombas de gás lacrimogêneo um protesto antirracista pacífico de cerca de 16 estudantes no Centro da cidade, que respeitava as regras sanitárias da pandemia da Covid-19. Como a PM não tinha feito o mesmo em atos bolsonaristas na cidade de 15 de março (confira aqui) e 17 de abril (confira aqui), a reação das instituições como OAB, Ministério Público, Legislativo e imprensa locais (confira aqui) fez com que uma nova manifestação antirracista, em 10 de junho, pudesse ocorrer (confira aqui) em respeito às regras e sem repressão. O exemplo de Campos, com a imposição das instituições, vale ao Brasil?

Freixo – Diante de uma ameaça às instituições, a melhor coisa a fazer é ver as instituições responderem dentro das suas atribuições. Se o presidente participa de um ato pedindo o fechamento do Congresso, o Congresso tem que reagir. Se um deputado fala em AI-5, existe Comissão de Ética no Congresso para ele. São as instituições respondendo à altura das ameaças e das violações. Se um deputado paga a organização de um ato antidemocrático pelo fechamento do Supremo, o Supremo investiga esse deputado, quebra seu sigilo e exige que se cumpra a lei. Existe uma Constituição para isso. Então, são as instituições reagindo. Se o presidente manda um jornalista calar a boca, cabe à imprensa falar ainda mais, ser ainda mais crítica. São as instituições da sociedade civil, ou instituições do Estado, reagindo para garantir a democracia. A democracia não é algo natural, é uma construção que passa por pessoas e por instituições. Por isso que é muito importante fazer com que a lei seja cumprida, e, neste sentido, as instituições são decisivas. Não pode haver tolerância para atos que sejam criminosos perante a Constituição e repressão para atos que pedem democracia, como este ao qual você se refere. É uma inversão completa de valores. Vamos combinar que não é liberdade de expressão dizer que um juiz tem que morrer, que um deputado tem que morrer, que tem que estuprar filha de juiz. Isso não é liberdade de opinião, de expressão; isso é crime. Quem fala algo criminoso responde por crime. Isso não pode, de forma alguma, ser chamado de liberdade de expressão. A gente precisa muito bem equilibrar esses limites, que estão muito claros, sem sombra de dívida, dento da Constituição de 1988. Não é à toa que ela é chamada de Constituição Cidadã. É uma constituição feita à luz de uma vitória sobre uma ditadura. Não pode ser ameaçada por um ditador de plantão. O Bolsonaro age como um serial killer da Constituição. Ele mata um artigo por dia. É contra isso que precisamos reagir, e nada melhor do que as instituições para fazerem valer o que está escrito na Constituição de 1988.

 

Folha – O ato antirracista reprimido pela PM em Campos foi em torno do Pelourinho, monumento histórico do passado da escravidão negra na cidade. E foi lá que terminou o ato seguinte com um cartaz afixado no Pelourinho, indagando: “Quem mandou matar Marielle?”. Com a prisão dos executores da ex-vereadora carioca do Psol, como chegar aos mandantes? O silêncio dos milicianos Ronie Lessa e Élcio de Queiroz, presos pela Polícia Civil do Rio, ou de Adriano da Nóbrega, morto pela PM da Bahia, continuará valendo?

Freixo – Eu acompanhei muito de perto essa investigação, junto com a família e junto com a delegacia de homicídios aqui do Rio de Janeiro. Eu não tenho a menor dúvida de que, neste ano ainda, nós vamos saber qual grupo político, quais figuras políticas do crime do Rio de Janeiro foram responsáveis, foram os mandantes da morte da Marielle. Novas prisões vão acontecer, já aconteceram agora há pouco tempo, e a Polícia Civil tem linha de investigação, a gente acompanha de perto e confia muito, tanto no Ministério Público quanto na polícia. Não tenho dúvida: este ano nós saberemos quem foram os mandantes da morte da Marielle.

 

Folha – Embora dificilmente vão ocorrer em outubro, por conta da pandemia, o TSE trabalha para realizar as eleições municipais ainda este ano. O Psol não apresentou nenhum pré-candidato a prefeito em Campos. Como vocês pensam o partido no município e na região?

Freixo – Tudo indica que o Psol de Campos caminhará com candidatura própria, mas os prazos foram esticados, e este é um debate, o das eleições em todo o Estado do Rio de Janeiro, que ainda não estou conseguindo acompanhar neste momento da pandemia e de uma crise tão grande em Brasília. Tenho certeza de que os dirigentes e os filiados ao Psol de Campos vão escolher o melhor caminho. Torço muito para isso porque tenho uma visão muito estratégica dessa região para o desenvolvimento do Estado do Rio de Janeiro e mesmo do país. Não podemos pensar pequeno sobre isso. O Norte Fluminense tem um potencial que jamais poderia ter sido desprezado por nenhum governante. Infelizmente foi, durante muito tempo, mas não pode ser mais. Campos, Macaé e toda a região são cada vez mais estratégicas para todos nós, para a política e para a economia do Rio de Janeiro, não só em função do petróleo, mas principalmente pela necessidade crucial que temos de melhorar a qualidade de vida e a atividade econômica fora da Região Metropolitana.

 

Folha – Como vê as atuações do governo Wilson Witzel (PSC) e Jair Bolsonaro na pandemia? O governador está seriamente ameaçado de impeachment, após a operação Placebo, que teve como alvo a compra de respiradores e os hospitais estaduais de campanha. Campos já pode desistir do dele, que atenderia todo o Norte e Noroeste Fluminense?

Freixo – Os hospitais de campanha nunca representaram uma solução para o novo coronavírus. Todos os especialistas, todos os profissionais da Fiocruz e os representantes mais sérios das entidades médicas dizem que o que a gente precisava era abrir os leitos existentes e desativados, garantir sua reativação. Por exemplo, os leitos dos hospitais federais que estão fechados até hoje e não foram disponibilizados. Isso Bolsonaro poderia fazer com muita facilidade. Então, a gestão hospitalar de um lugar já com profissionais e equipamentos é o mais importante e mais rápido. Os hospitais de campanha são muito caros, lentos, e eles não necessariamente atendem a essa demanda. Inclusive, hoje, já temos uma utilização dos leitos bem menor nos hospitais, não chega a 40% no Rio de Janeiro, o que mostra que a utilização de hospitais de campanha não era, desde o início, uma boa ideia. Isso já tinha sido alertado por muitos profissionais. E tudo isso acabou servindo a algumas investigações sobre superfaturamento e corrupção. Sem dúvida alguma, acho que o Witzel é um ex-governador em exercício. Ele reproduziu práticas encontradas no governo de Sérgio Cabral. Não representava uma nova política, como foi anunciado por Bolsonaro e por Flávio Bolsonaro no momento da sua eleição.

 

Folha – Bolsonaro e Witzel foram eleitos com o discurso da “nova política”. O segundo é investigado por desvios na Saúde, envolvendo o escritório de advocacia da primeira dama e o empresário Mário Peixoto. São a mesma área, modus operandi e empresário do esquema de corrupção do ex-governador Sérgio Cabral (MDB). E o presidente corre o risco de ter o seu Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras que catapultou a Lava Jato, que só contou o que sabia com a ameaça da sua família também ser presa. Como ocorre agora com a mulher de Queiroz, enquanto a ex-namorada do advogado Frederick Wassef começa a ser investigada. A “nova política” envelheceu?

Freixo – Na verdade não existe uma nova política representada por Bolsonaro. Ele sempre conviveu no subterrâneo da política, é deputado há quase 30 anos, sempre conviveu com as práticas do Centrão, foi do mesmo partido do Paulo Maluf, nunca levantou a voz contra a corrupção e sempre foi um deputado apagado, com pouquíssima contribuição no Congresso, assim como seus filhos no parlamento. O resultado daqueles movimentos de 2013, com a crise de representatividade profunda na sociedade, é que se passou a buscar uma nova política, mas Bolsonaro não a representa, definitivamente. A nova política não pode descartar as instituições e nem tentar remeter a períodos de tortura e de fim da democracia. Isso é velho demais. Bolsonaro sempre conviveu com esquemas corruptos, dentro dos seus partidos e no próprio parlamento. E, agora, as investigações sobre Queiroz e sobre seu advogado vão deixar muito claro que não temos uma nova política, muito pelo contrário, temos o que sempre houve de pior na velha política.

 

Folha – Nos EUA, embora tenha sido obrigado a adotar a quarentena horizontal para enfrentar a pandemia, Donald Trump também politizou o vírus, numa tática desastrosa tanto na saúde, quanto eleitoral, como indicam todas as pesquisas ao pleito presidencial deles em 3 de novembro. Se o moderado Joe Biden vencer, o eixo político do mundo penderá ao centro? Isso poderia favorecer alguém como Sérgio Moro?

Freixo – Acho que a derrota do Donald Trump vai mexer com o mundo inteiro, porque há uma onda conservadora, da qual o Trump foi uma pessoa muito importante, que se espalhou por vários países da Europa e também da América. A derrota do Trump, igualmente, vai gerar uma derrota muito grande para toda essa extrema direita eleita. Não acho que a vitória do Biden vá favorecer a um ou outro no Brasil, mas vai trazer um debate de volta para o campo da democracia. Acho que o Sérgio Moro cometeu erros muito graves, em aproximação com o governo Bolsonaro, e se apagou demais. Não acredito que ele volte a ser uma figura proeminente depois do desastre que foi sua participação em um governo tão atrasado como o de Bolsonaro.

 

Folha – Quando o socialista Bernie Sanders ainda tinha chances nas primárias democratas a presidente dos EUA, o filósofo da USP Vladimir Safatle, que já tinha causado grande impacto com o artigo (confira aqui) “Como a esquerda brasileira morreu”, disse em entrevista ao jornalista Mario Sergio Conti que identificava elementos “revolucionários” tanto no projeto de governo de Sanders, quanto no governo Bolsonaro. No sentido de que, mesmo em espectros políticos opostos, ambos tentavam romper com o status quo, ao qual o PT aderiu no poder. Como você vê?

Freixo – Eu não vejo qualquer aspecto revolucionário no governo Bolsonaro. Eu vejo todos os aspectos reacionários, ou seja, mais do que conservadores. Ele não quer conservar, ele quer retroagir. Ele elogia tortura, fala em ruptura democrática, e ele tem ali, evidentemente, um elo de uma extrema direita autoritária. Como ele se elege? Ele não se elege por ser antipetista. Havia muitos outros antipetistas que foram derrotados junto com PT. Bolsonaro se elege ao construir uma imagem falsa da não-político, e ele precisa provocar crises atrás de crises no seu governo para não entregar o resultado de um governo, porque ele precisa dizer que a política não o deixa governar. Essa é uma estratégia que leva à ideia de que só é possível governar com poder autoritário. Isso não tem nada de revolucionário, na minha opinião. Isso é reacionário, e não é o que o Brasil precisa, ainda mais diante de uma pandemia com mais de 54 mil brasileiros mortos até este momento.

 

Folha – Naquela entrevista de maio de 2018, você afirmou e reafirmou que o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) em 2016 foi “golpe”. Por que não foi com o ex-presidente Fernando Collor de Mello (hoje Pros) em 1992? Ou não seria no caso de Witzel ou Bolsonaro? Sobre este, após a aliança do governo com o Centrão ter engessado o presidente Rodrigo Maia (DEM), vê ambiente no Congresso para isso?

Freixo – Olha, é golpe quando você não tem crime de responsabilidade. Está muito comprovado que no governo Dilma, que foi um governo ruim, não tinha crime de responsabilidade. A pedalada é um debate que evidentemente foi forçado pelo próprio Centrão, que hoje escora o governo Bolsonaro, e Michel Temer (MDB). Já Bolsonaro tem uma fila de crimes de responsabilidade, inclusive crime de genocídio já denunciado ao Tribunal de Haia. São sucessivos crimes gravíssimos. Aliás, eu tenho até saudade do Brasil de quando o debate de crime de responsabilidade era sobre pedalada. Agora é sobre genocídio. Bolsonaro não é cassado porque fez acordos, entrega cargos atrás de cargos ao Centrão. E a única coisa que o Centrão quer neste momento do governo Bolsonaro é se esconder das investigações da própria Lava Jato. O governo Bolsonaro virou um grande esconderijo da Lava Jato. É isso que buscam os líderes dos partidos que o apoiam, formam um grupo de 200 deputados ao lado dele. Mais do que cargos, que eles têm e Bolsonaro entrega, mais do que emendas, que deveriam estar indo para a Saúde e vão para mãos de deputados e partidos, o que os líderes do Centrão querem é fugir das investigações ligadas à Lava Jato. Hoje, aquele governo construído por Bolsonaro e Sergio Moro é o maior esconderijo de criminosos da Lava Jato. O Brasil realmente não é um país para principiantes. O governador Wilson Witzel terá um processo de impeachment contra ele por desvios e crimes claros na área de saúde. É robusta a denúncia contra o Witzel. Isso tudo é muito diferente do que aconteceu em relação à presidenta Dilma. E eu reafirmo, não era um governo que eu apoiava, não era um governo com o qual eu concordava. Mas para sofrer impeachment tem que ter crime de responsabilidade. Se o governo Bolsonaro fosse um governo ruim, eu jamais pediria impeachment. Mas é um governo péssimo, ruim e criminoso, com atos antidemocráticos financiados por pessoas ligadas ao presidente e com a participação do presidente, além do crime de pandemia, que é inclusive previsto no Código Penal.

 

Página 2 da edição de hoje (27) da Folha

 

 

Página 3 da edição de hoje (27) da Folha

 

Publicado hoje (27) na Folha da Manhã

 

Com Covid, Makhoul segue sem febre na UTI da Unimed e vai fazer hemodiálise

 

Mahoul Moussallem (Foto: Folha da Manhã)

 

Até o começo desta tarde de sexta-feira (26), o quadro de saúde do médico neurologista Makhoul Moussallem, de 75 anos, seguia grave, mas estável, na UTI do Hospital da Unimed de Campos. Infectado pela Covid-19, seus parâmetros respiratórios seguem inalterados e ele está sem febre, indicando que a infecção vem respondendo aos medicamentos. Porém, devido a uma piora da função renal, passará a partir de hoje a se submeter a hemodiálise. As informações foram passadas por sua companheira Vera Marques, também médica, que vem acompanhando o caso de perto.

Makhoul deu entrada na Unimed (confira aqui) na manhã de segunda (22), após uma tomografia mostrar piora da infecção, que passou de 25% para 50% a 75% dos pulmões. À noite do mesmo dia, já na UTI, ele foi entubado e colocado no respirador, após um edema agudo. Foi provavelmente causado por uma fibrose cardíaca, consequência da quimioterapia que fez para curar um câncer, cujo tratamento já havia concluído. E também deixou um leve comprometimento renal, cuja piora gerou a necessidade da hemodiálise, fundamental para manter seu quadro estável.

 

Marcelo Freixo analisa Brasil de Bolsonaro e RJ de Witzel neste sábado na Folha

 

“Pesquisas apontam uma média de 30% de apoio ao presidente Bolsonaro. Ainda é uma média muito elevada”.

“Mais do que ficar falando de fascismo, que é uma palavra que boa parte da população não entende, eu acho que todo o campo progressista, comprometido com a democracia, tem que falar com as famílias, falar de saúde e de emprego”.

“Bolsonaro age como um ‘serial killer’ da Constituição, ele mata a Constituição todos os dias”.

“Nós temos um presidente que vai a atos promovendo a ideia de fechamento de Congresso, de fechamento do Supremo e de intervenção militar. Então já temos um golpe em curso”.

“Vamos combinar que não é liberdade de expressão dizer que um juiz tem que morrer, que um deputado tem que morrer, que tem que estuprar filha de juiz. Isso não é liberdade de opinião, de expressão; isso é crime. Quem fala algo criminoso responde por crime”.

“Não tenho dúvida: este ano nós saberemos quem foram os mandantes da morte da Marielle”.

“Tudo indica que o Psol de Campos caminhará com candidatura própria (a prefeito)”.

“Sem dúvida alguma, acho que o Witzel é um ex-governador em exercício. Ele reproduziu práticas encontradas no governo de Sérgio Cabral”.

“Bolsonaro sempre conviveu com esquemas corruptos, dentro dos seus partidos e no próprio parlamento. E, agora, as investigações sobre Queiroz e sobre seu advogado (Frederick Wassef) vão deixar muito claro que não temos uma nova política, muito pelo contrário, temos o que sempre houve de pior na velha política”.

“Acho que o Sérgio Moro cometeu erros muito graves, em aproximação com o governo Bolsonaro, e se apagou demais”.

“Havia muitos outros antipetistas que foram derrotados junto com PT (em 2018). Bolsonaro se elege ao construir uma imagem falsa da não-político, e ele precisa provocar crises atrás de crises no seu governo para não entregar o resultado de um governo, porque ele precisa dizer que a política não o deixa governar”.

“Bolsonaro não é cassado porque fez acordos, entrega cargos atrás de cargos ao Centrão. E a única coisa que o Centrão quer neste momento do governo Bolsonaro é se esconder das investigações da própria Lava Jato. O governo Bolsonaro virou um grande esconderijo da Lava Jato”.

 

Marcelo Freixo (Foto: Folha da Manhã)

 

Estas foram algumas das afirmações feitas pelo deputado federal Marcelo Freixo (Psol/RJ), em entrevista exclusiva respondida por e-mail entre quarta (24) e quinta (25). Para conferi-la na íntegra, falando sobre Brasil, EUA, Estado do Rio, Campos e Norte Fluminense, confira a edição da Folha da Manhã deste sábado (27), bem cedo nas bancas e na casa dos assinantes.

 

STF desmente bravata bolsonarista sobre resposabilidade pelo desastre da Covid

 

STF, Carmém, Fux, Bolsonaro e as covas abertas pela Covid em Manaus (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Sabe aquela bravata dos bolsolavistas, de que eu “Mito” não teria culpa pelos até aqui 54.434 mortos oficiais da Covid-19 no Brasil, 2º país do mundo com mais óbitos na pandemia, porque o Supremo Tribunal Federal (STF) teria delegado a responsabilidade a governadores e prefeitos?

Pois é. É mais uma deslavada mentira do governo investigado pelo mesmo STF no inquérito das fake news:

— O que o Supremo disse é que a responsabilidade é dos três níveis (federativos: União, estados e municípios). E não é hierarquia, porque na federação não há hierarquia. para estabelecer condições necessárias, de acordo com o que cientistas e médicos estão dizendo que é necessário, junto com governadores, junto com prefeitos. Acho muito difícil superar (a pandemia) com esse descompasso, com esse desgoverno (…) isso vai resultar em mortes, e haverá responsabilidade por isso — esclareceu (aqui) a ministra do STF Carmém Lúcia, em live promovida pela Unicamp.

No dia 22, o também ministro do STF Luiz Fux já havia desmentido (aqui) Jair Bolsonaro (sem partido) e seus apoiadores, na “narrativa” que disseminam nas redes sociais para tentar eximir o governo federal pela desastrosa condução do combate da Covid-19 no Brasil. Que já foi chamada em rede nacional pelo presidente de “gripezinha” e “resfriadinho”:

— O Supremo não exonerou o Executivo federal das suas incumbências. Porque a Constituição Federal prevê que, nos casos de calamidade, as normas federais gerais devem existir. Entretanto, como a saúde é direito de todos e dever do estado, num sentido genérico, o estado federativo brasileiro escolheu o estado federado em que os estados têm autonomia política, jurídica e financeira — explicou Fux, eleito hoje como próximo presidente do STF.

 

Pré-candidato a prefeito, Caio Vianna fecha a semana do Folha no Ar nesta sexta

 

(Arte: Eiabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A partir das 7h desta sexta (26), quem fecha a semana do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é o pré-candidato do PDT a prefeito de Campos, Caio Vianna. Ele falará sobre a pandemia da Covid-19, governo Jair Bolsonaro (sem partido) x seu PDT de Ciro Gomes, além do governador Wilson Witzel (PSC) sob ameaça de impeachment. Analisará também a as quedas substanciais e progressivas das receitas do petróleo (confira aqui e aqui) com a necessidade que elas impõem de redução na máquina pública municipal. E, no último bloco, falará da administração Rafael Diniz (Cidadania), do deputado federal Wladimir Garotinho (PSD), da sua pré-candidatura a prefeito e demais adversários.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quarta, pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

Internado na UTI da Unimed com Covid, quadro de Makhoul é grave, mas estável

 

Makhoul foi três vezes candidato a prefeito de Campos pelo PT, mas nunca deixou de ser crítico ao partido e suas lideranças, como os ex-presidentes Lula e Dilma (Foto: Folha da Manhã)

 

Internado por conta da Covid-19 ontem (22) na UTI do Hospital da Unimed de Campos, o médico Makhoul Moussallem, de 75 anos, apresenta um quadro grave, mas estável. Segundo explicou sua companheira, a também médica Vera Marques, ele foi entubado e passou a usar respirador após um edema agudo. Teria sido causado por uma fibrose cardíaca, consequência da quimioterapia que fez para curar um câncer, cujo tratamento já havia concluído. Nascido e criado no Líbano, se radicou com a família em Campos ainda adolescente, onde salvou várias vidas ao longo da uma brilhante carreira na medicina. E quase chegou a governar a cidade que o adotou.

Candidato a prefeito de Campos três vezes (2004, 2006 e 2012) e uma a deputado federal (2014), além de um dos médicos neurologistas mais respeitados da cidade, Makhoul começou a apresentar os primeiros sintomas da Covid no dia 15, com febre e tosse. No dia seguinte (16), começou o tratamento com antibiótico e corticoide. Fez também uma tomografia, que apresentou comprometimento de 25% dos pulmões, e um teste PCR para a doença, cujo resultado foi confirmado no dia 20.

Ontem, apesar de ter acordado bem disposto e sem febre, Makhoul fez uma segunda tomografia, que apontou uma evolução do comprometimento dos pulmões para 50% a 75%. Saiu do exame feito na manhã já sentindo cansaço e foi direto para a Unimed, da qual foi um dos fundadores em Campos. Ficou inicialmente na terapia semi-intensiva, até vagar um leito na UTI. E, após o edema, teve que ser entubado e colocado no respirador à noite do mesmo dia.

Além das consequências cardíacas da quimioterapia, que concluiu há dois anos, Makhoul já teve dois infartos, há mais de 20 anos. Sua condição respiratória é afetada por um enfisema pulmonar. Além da fibrose no coração, no qual usa por isto um aparelho desfibrilador, a quimioterapia também deixou um quadro de leve comprometimento renal, que vem respondendo ao tratamento, desde que se internou na Unimed.

— O quadro de Makhoul é grave, mas estável. E, apesar das comorbidades, todas as adversidades de saúde que já passou demonstraram que ele tem uma resposta medicamentosa impressionante. É um dos homens mais fortes que já conheci. Ele luta pela vida, tem uma vontade de viver incrível. Acorda todo dia com vontade de tomar café e ser feliz. Acho que ele vai sair vencedor — testemunhou Vera Marques, companheira de Makhoul.

 

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