Opiniões

Como a Folha adiantou, Fábio Ribeiro vai ao Rio pela benção de Garotinho a prefeito

 

(Facebook de Fábio Ribeiro)

Ontem (25), na matéria em que este Opiniões e a Folha da Manhã adiantaram (confira aqui) que o ex-vereador Fábio Ribeiro (PSD) deve assumir a pré-candidatura do garotismo a prefeito de Campos, no lugar do deputado federal Wladimir Garotinho (PSD), foi revelado que no mesmo dia um encontro estava marcado no Rio para definir a questão. Nele, sem Wladimir, Fábio foi pedir a benção do cacique do grupo, o ex-governador Anthony Garotinho (sem partido), para disputar a eleição majoritária de novembro na planície goitacá. Neste domingo (26) Fábio divulgou em suas redes sociais uma foto sua do encontro carioca de sábado com Garotinho, na qual admitiu: “Uma conversa sobre o futuro de Campos sim, mas sobretudo sobre amizade, lealdade e paz!”.

Nas redes sociais da planície goitacá, onde a matéria de sábado viralizou e teve conteúdo copiado por sites locais, muitos comentários foram feitos. Inclusive em apoio à pré-candidatura de Fábio, evidência de que esta não começou ontem e já conta com sua base de defensores virtuais. Na página do Opiniões no Facebook, até o início da noite de hoje, o link da matéria já tinha gerado gerado (confira aqui) mais de 144 comentários. Neles, a nova pré-candidatura garotista a prefeito de Campos teve apoio. Mas também críticas:

—  Fábio Ribeiro é o melhor candidato, administrou a secretaria de Administração por longos anos. É o único que tem experiência, é um cara sério, é advogado — defendeu a leitora Ivone Carvalho. E foi questionada abaixo por outro comentarista:

— Ivone Carvalho, administrou o quê? Porque na nossa Campos dos Goytacazes RJ não vejo nada de administração. Há décadas que nossa cidade está sendo destruída com essa turma gafanhotos — criticou Maria de Fátima Crespo Fernandes.

— Fabio Ribeiro é a pior espécie de ser humano que já conheci. Quando foi secretário parecia estar com um rei na barriga. Quer conhecer melhor a fera? Caminhem com ele no lugar onde foi criado, em Rio Preto. Em toda aquela região, ninguém gosta — desafiou o comentarista Maurício Manhães. E foi contrastado logo abaixo por um defensor do ex-secretário da ex-prefeita Rosinha Garotinho (Pros):

— Discordo desse comentário acima citado. Eu pessoalmente não tenho nada a falar do Fábio. Pelo contrário, me atendeu várias vezes no seu gabinete. E me ajudou nas coisas que eu necessitei como servidor da PMCG. Muitas pessoas queriam coisas, além do que ele podia ajudar. Ele era bem sincero. E dizia: isso eu não posso. As pessoas saíam falando mal do cara. Isso eu achava totalmente errado. Pelo ao menos ele sempre foi correto nas palavras. Gosto muito da pessoa dele. Será um bom candidato — defendeu Moyses Lima.

Houve outros que não gostaram da mudança. E chegaram a declarar que só votariam no grupo dos Garotinho a prefeito se Wladimir fosse o candidato:

— Pior que Fábio Ribeiro vai ser igual a Chicão (Oliveira, candidato garotista a prefeito de Campos em 2016). É melhor deixar Wladimir mesmo — aconselhou Isaías Marques.

— Se Wladimir não vier como prefeito de Campos dos Goytacazes RJ não voto em ninguém — firmou posição Lusia Fátima.

— Não acredito nisso. Se Wladimir não for candidato não voto em ninguém! — garantiu Joilma Barbosa.

— Eu só voto na família (Garotinho). Aliado não — diferenciou Marinete Marques.

Em contrapartida, houve não só quem apoiasse Fábio como pré-candidato garotista, como tenha aproveitado para fazer críticas a Wladimir:

— Fábio Ribeiro, um homem honrado, honesto e trabalhador. Diferente do herdeiro dos rosetas, que nunca teve uma carteira de trabalho assinada — alfinetou Heloercio Batista.

O mesmo leitor fez depois outro comentário, definindo o que é apontado nos bastidores como principal motivo para Wladimir desistir da pré-candidatura a prefeito de Campos:

— Vocês acham que Garotinho vai deixar o filho pegar uma Prefeitura falida e endividada como essa de Campos dos Goytacazes? Ele e a Roseta afundaram nossa cidade — complementou Heloercio. E teve o reforço em comentário abaixo, ao criticar Wladidmir pela suposta desistência:

— Heloercio Batista, se (Wladimir) amasse realmente nosso município, aceitaria o desafio. O negócio é que esvaziaram os cofres e agora preferem posar de bonzinhos! — acusou o leitor Valdir Fuly.

— Já estão com medo da decepção mais uma vez. Usaram Dr. Chicão de bucha, agora vem Fábio — concluiu Nilton Rangel.

 

Sai Wladimir e entra Fábio Ribeiro a prefeito? O que muda na conta de Campos?

 

Wladmir Garotinho, Fábio Ribeiro, Edson Batista e Paulo Hirano (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

“Política é como nuvem. Você olha e está de um jeito. Olha de novo e ela já mudou”. A definição do falecido ex-governador mineiro Magalhães Pinto virou jargão da política por ser a sua melhor definição. Entre 31 de agosto e 16 setembro, se darão as convenções partidárias. Em Campos, as movimentações desta semana se intensificaram sobre o que o eleitor vai encontrar como opção nas urnas de 15 de novembro. Se fosse hoje, elas talvez não trouxessem um dos pré-candidatos considerados mais fortes ao Executivo. Quem quisesse votar a prefeito no representante dos ex-governadores Garotinho e Rosinha, poderia ter que fazê-lo não no deputado federal Wladimir Garotinho (PSD), mas no ex-vereador Fábio Ribeiro, do mesmo partido. Que traria como vice um ex-vereador rosáceo de “cabeça branca”: Edson Batista ou Paulo Hirano. Caso se confirme, a troca trará alterações profundas na disputa a todos pré-candidatos a prefeito, inclusive outros também considerados competitivos, como Caio Vianna (PDT) e o atual ocupante da cadeira, Rafael Diniz (Cidadania). Mas a pergunta sem resposta matemática permaneceria a mesma a qualquer um: como administrar uma cidade com orçamento previsto em abril para R$ 1,7 bilhão em 2021, que pode cair até a R$ 1,5 bilhão por conta da crise econômica advinda da pandemia da Covid-19, com R$ 1,1 bilhão já comprometido só com a folha de pagamento dos servidores?

Anthony Garotinho

Em busca de resposta não à indagação fundamental para quase 600 mil almas, mas à chance de poder ser candidato, Fábio Ribeiro hoje vai se encontrar no Rio com Garotinho, que busca impor a candidatura ao filho Wladimir. Este não estará presente, para evitar atritos com o pai. Nos bastidores circula o pensamento: deputado de bom mandato na Câmara Federal, Wladimir perderia a prefeito de qualquer maneira. Menos, todavia, se desistisse da pré-candidatura do que se saísse derrotado nas urnas de novembro. Com uma carreira política promissora, Wladimir poderia perder ainda mais se for candidato em 2020 e ganhar. O que o obrigaria a enfrentar em 2021 a realidade de queda nas receitas do petróleo, mais a crise econômica mundial da Covid, mais a herança financeira ao município deixada por seus pais.

Fred Machado

Parte desta será revelada na divulgação do relatório da CPI do PreviCampos, marcada para às 14h desta terça (28). O rombo deixado, segundo o presidente da Câmara Municipal, vereador Fred Machado (Cidadania), adiantou no Folha no Ar de ontem (24), é de cerca de R$ 500 milhões. Isto em valores não corrigidos.

Arnaldo Vianna

As dificuldades que Wladimir teria pela frente, caso se elegesse a prefeito de Campos em novembro, não seriam diferentes a nenhum outro governante que sair das urnas. Ele só teria a dificuldade adicional das cobranças que o pai poderia fazer, caso não seguisse suas orientações de como governar. O que não seria constrangimento para Fábio, pelo menos enquanto candidato, por não ser dono do capital eleitoral necessário para chegar à Prefeitura. Também sem mandato eletivo, embora bem votado a prefeito em 2016 e a deputado federal em 2018, Caio não tem nada a perder voltando a se candidatar ao Executivo goitacá. Mesmo contra Wladimir, a baixa rejeição do filho do popular ex-prefeito Arnaldo Vianna (PDT) é considerada sua maior arma para vencer a eleição em um eventual segundo turno.

 

Caio Vianna e Rafael Diniz (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A situação de Caio é oposta à de Rafael, com quem disputou e perdeu a crista da onda do antigarotismo em 2016. Vencedor daquele pleito em turno único, o prefeito enfrenta a rejeição por ter prometido na campanha o que não pode cumprir no governo. E hoje parece não ter saída política a não ser se candidatar à reeleição. Com decisões administrativas questionadas nos últimos três anos e meio, em meio a uma crise financeira cuja face mais cruel é a falta de pagamento dos RPAs nos últimos seis meses, Rafael parece ter diminuído a rejeição por conta da atuação firme no enfrentamento à pandemia da Covid. Mas esta reavaliação a partir da inauguração do CCC, em 30 de março, é ainda restrita à classe média. À maioria da periferia, em que se espraiou a “onda verde” de 2016, a reação de decepção é emocional. E consideravelmente mais difícil de ser revertida pela racionalidade dos números.

 

Aberto em 30 de março, o Centro de Controle e Combate ao Coronavírus (CCC) impediu que o sistema de saúde de Campos colapsasse com a pandemia da Covid-19 (Foto: Divulgação)

 

Rosinha Garotinho

Se Wladimir decidir que não deve ser candidato a prefeito, e conseguir convencer seu pai disto, caberá à sua mãe, a também popular ex-prefeita Rosinha, a tarefa de levar Fábio Ribeiro embaixo do braço na campanha. Sobretudo na periferia, área de maior penetração histórica do garotismo. Se já não seria fácil, a missão terá a dificuldade extra das limitações de contato físico da Covid. Contra a desistência de Wladimir, está o fato de que ela seria encarada e explorada como a confirmação do que Rosinha chegou a admitir, em ato falho, em live nas redes sociais em plena campanha de 2016: “Campos está no buraco”. Constatação reforçada por Garotinho em dezembro daquele ano, com a eleição já perdida, quando “profetizou” que Rafael não conseguiria pagar os salários dos servidores a partir de maio de 2017.

 

Roberto Henriques, Alexandre Tadeu, Odisséia Carvalho, Lesley Beethoven, Cláudio Rangel e Jonathan Paes (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr)

 

Há outros atores com ânsia de protagonismo: o ex-prefeito Roberto Henriques (PC do B), os ex-vereadores Alexandre Tadeu (Republicanos) e Odisséia Carvalho (PT), Lesley Beethoven (PSDB), Cláudio Rangel (PMN) e Jhonatan Paes (PMB). Henriques foi prefeito por 43 dias em 2008, no afastamento temporário de Alexandre Mocaiber do cargo, e se elegeu deputado estadual em 2010, com o apoio do então prefeito Nelson Nahim, que governou mais tempo no afastamento de Rosinha. Tadeu deve contar com o apoio fiel da Igreja Universal e espera ter o apoio do clã Bolsonaro, após o seu partido abrigar o senador Flávio e o vereador carioca Carlos. Odisséia encara a missão de dar visibilidade à sua legenda, na disputa por uma cadeira na Câmara de Campos. Beethoven, após conseguir o comando do PSDB local pelo qual tanto lutou, tentará algo parecido. Cláudio e Jonathan têm pouca densidade. Todos ambicionam chegar lá, o que é legítimo. Como é brigar pelo máximo possível de votos no primeiro turno para cacifar seu apoio entre os dois que forem ao segundo. Mas, com o naufrágio anunciado do governador Wilson Witzel (PSC), a grande surpresa de 2018 é muito difícil de ser repetida.

 

Wilson Witzel ainda candidato a governador em 2018 (Foto: Folha da Manhã)

 

Marcelo Mérida

A situação cada vez mais difícil do ocupante do Palácio Guanabara tem reflexos diretos sobre as outras pré-candidaturas a prefeito de Campos. A mais óbvia é na do líder lojista Marcelo Mérida pelo PSC. Mas também sobre as articulações do relator da comissão que analisa o pedido de impeachment do governador na Alerj, deputado estadual Rodrigo Bacellar (SD). Ao lançar como pré-candidato o juiz aposentado Pedro Henrique Alves, ele tencionava repetir o fenômeno do ex-juiz federal Witzel. Como não foi registrada, pesquisa recente a prefeito de Campos pelo instituto Paraná não pode ter os números divulgados. Mas não apontou nada que ninguém já não soubesse. E o fato de ter sido encomendada pela Alerj com o nome da médica Cândida Barcelos como prefeitável do SD indica que o magistrado está fora do jogo.

 

Rodrigo Bacellar, Pedro Henrique, Cândida Barcelos, Igor Pereira e Éber Silva (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

O problema é que Cândida também teria decidido esta semana não concorrer a prefeita, o que acendeu a luz ao vereador Igor Pereira (SD). No Folha no Ar da última quarta (22), ele reafirmou sua intenção de disputar a reeleição. E não é segredo que sonha suceder a Fred Machado na presidência da nova Legislatura. Mas, no streaming do programa ao vivo, alguns simpatizantes do edil lançaram em comentários seu nome a prefeito, possibilidade que ele não assumiu, nem negou. Seu aliado Rodrigo era considerado o principal articulador da pré-candidatura de Caio, até os dois romperem. Ao que consta, após o pedetista ter se recusado a deixar o deputado indicar o vice da chapa e aceitar um acordo prévio para fazer de Igor o próximo presidente da Câmara. O filho de Arnaldo receava ser feito de refém, como o então prefeito Alexandre Mocaiber foi do pai de Rodrigo, Marcos Bacellar, quando este presidia a Casa do Povo. Enquanto o SD não se define, quem espera na possibilidade de aliança é o DEM do ex-deputado federal Pastor Éber Silva, pré-candidato a prefeito restante.

 

(Foto: Rodrigo Silveira – Folha da Manhã)

 

Assim foi como as nuvens pareceram esta semana sobre a política goitacá. Dificilmente manterão a forma nos 115 dias que separam este sábado do domingo de 15 de novembro. O que não mudará é o sol real acima das nuvens, que deveria cegar todo o eleitor campista responsável para tudo mais ao redor: como governar uma cidade com R$ 1,6 bilhão de orçamento e R$ 1,1 bilhão comprometido com pagamento de servidor? Na dúvida, uma certeza: sabendo ou não, você vai pagar a conta.

 

Publicado hoje (25) na Folha da Manhã

 

Especialistas de Campos projetam vacina contra Covid mais perto dos brasileiros

 

Entre o final deste ano e o início de 2021, uma vacina contra a Covid-19 estará pronta. E o acesso a ela em larga escala se dará no Brasil até meados do próximo ano. Estas foram as projeções feitas no painel com cinco especialistas locais que a Folha buscou para responder às principais perguntas da humanidade, desde que a pandemia parou o mundo e foram anunciados os avanços no desenvolvimento de vacinas. Sobre o que esperar delas, em ordem alfabética, falaram a médica infectologista Andreya Moreira, que tem coordenado o combate ao novo coronavírus em Campos, à frente da Vigilância em Saúde; o biólogo Carlos Bacelar, há décadas à frente do conceituado laboratório Plínio Bacelar; a médica epidemiologista Elizabeth Tudesco, com vasta experiência em Saúde Pública; o médico infectologista Nélio Artiles, entre os mais respeitados da cidade em sua especialidade; e o biólogo Renato da Matta, professor da Uenf que tem trabalhado na parceria da universidade com o governo municipal na testagem da população do Norte Fluminense. O esforço de cada um deles, assim como das enfermeiras Roberta Lastorina e Fernanda Mattos, da Vigilância Epidemiológica, que auxiliaram Andreya nas respostas, é mais um dos tantos exemplos de como a ciência e a perseverança de mulheres e homens contribuem para se responder à indagação que fecha esta entrevista: “existe algo mais valioso que a vida humana?”.

 

Andreya Moreira, Carlos Bacelar, Elizabeth Tudesco, Nélio Artiles e Renato da Matta (Montagem: Eliabde de Souza, o Cássio Jr)

 

 

Folha da Manhã – Entre as mais de 160 candidatas no mundo a vacina contra a Covid-19, 24 já são testadas em humanos. A desenvolvida pela universidade britânica de Oxford, com a farmacêutica anglo-sueca AstraZeneca, e a da empresa chinesa Sinovac, são as mais avançadas, em fase 3, de ensaio em larga escala. E as duas já são testadas no Brasil. Qual a sua expectativa?

Andreya Moreira – Um dos capítulos mais brilhantes da história da ciência é o impacto das vacinas na saúde e na longevidade dos seres humanos. Para isso, normalmente, as vacinas exigem anos de pesquisas e testes antes de chegarem na fase clínica. Contudo, diante do estado de emergência em saúde pública internacional, os cientistas estão se empenhando para produzirem uma vacina segura e eficaz até o próximo ano. As pesquisas com o objetivo de desenvolvimento de uma vacina contra o Sars-CoV-2, da síndrome respiratória aguda grave, começaram em janeiro com a descrição do genoma viral. Os primeiros testes para avaliação da segurança de vacinas em seres humanos começaram em março. Algumas tentativas falharam e outras poderão terminar sem um resultado claro, mas algumas podem conseguir estimular o sistema imunológico a produzir anticorpos eficazes contra o vírus. Tanto a vacina desenvolvida pela Oxford quanto aquela da AstraZeneca estão na fase 3 de estudos denominados ensaios clínicos. Nessa fase, a vacina é administrada em milhares de pessoas e os pesquisadores esperam para verificar quantos serão infectados, em comparação com os voluntários que receberão um placebo. O objetivo dessa fase é determinar se a vacina protege contra o coronavírus. Após a fase 3, ainda há a última, a fase 4, onde testes de acompanhamento são elaborados e implementados em milhares de pessoas, em vista de possibilitar o conhecimento de detalhes adicionais sobre a segurança e a eficácia da vacina.

Carlos Bacelar – Estou otimista. A evolução da imunologia aliada à genética acelera largamente o horizonte na produção de vacinas e elementos indutores de repostas imunológicas através dos linfócitos “T” (células do sistema imunológico). O tempo final de produção de vacinas é, em média, 22 meses, sendo 70% desse tempo gasto na avaliação das respostas em cobaias e depois no homem. Conseguindo trazer esse prazo para cerca de um ano, é fantástico.

Elizabeth Tudesco – A expectativa é a de que a melhor, a que apresentar maior eficácia mediante estudos epidemiológicos sérios e comprovação científica, deverá ser utilizada. Com todo o cuidado, levando em conta as várias faixas etárias que receberam as vacinas e a possibilidade de surgirem eventos adversos após a aplicação. A ansiedade é grande, mas a certeza de um bom resultado deve ser maior.

Nélio Artiles – Das mais de 160 vacinas em desenvolvimento, cinco vacinas estão em fase 3, que é a última para demonstrar efetividade e segurança. A vacina de Oxford é uma vacina composta de um outro vírus, um adenovírus de chimpanzé modificado, inativado e que foi acrescentado a proteína S da espicula da coroa do coronavírus. Com isto o organismo cria anticorpos efetivos e aparentemente duradouros contra o Sars-CoV-2. A outra, da Sinovac, usa o próprio vírus inativado e, de acordo com as informações, também apresenta uma boa eficácia. A perspectiva é muito boa e com uma boa possibilidade de termos vacina disponível até o fim do ano.

Renato da Matta – A minha expectativa, baseada nos testes iniciais, é boa. Vale lembrar que esses resultados foram anunciados antes, mas publicados em 20 de julho, após os manuscritos das duas vacinas serem analisados por pares em artigos na revista The Lancet, de grande prestígio mundial. O desenvolvimento de vacinas, assim como outros fármacos e procedimentos, segue um protocolo que é dividido em fases. Em cada fase se tem uma avaliação. Se tudo correr bem na fase, o processo segue para a fase seguinte. Esses artigos reportam as fases 1 e 2. As vacinas testadas induziram resposta imunológica entre 90% a 95% do grupo testado. Isso é um ótimo resultado. Portanto, minha expectativa é que em breve teremos vacinas contra o Sars-CoV-2, o coronavírus que causa a Covid-19.

 

Folha – Em entrevista ao Folha no Ar da última segunda (20), o jornalista José Trajano fez as perguntas mais importantes e pragmáticas à maioria de não especialistas: “Quando é que vai chegar a vacina? Ela será eficaz? Será distribuída em larga escala?”. Como você responderia?

Andreya – O fato de termos diferentes vacina em fase 3 nos permite ter expectativas positivas em relação a identificação de um imunobiológico contra o Sars-CoV-2, uma vez que a fase 2 já foi capaz de demonstrar a segurança e a capacidade de estimularem o sistema imunológico. Contudo, apesar dos ensaios clínicos serem uma poderosa ferramenta para a avaliação de intervenções para a saúde, sejam elas medicamentosas ou não, eles apresentam alto grau de complexidade, uma vez que além de investigarem a eficácia ou não de uma intervenção, também são responsáveis por identificarem a segurança da mesma. Logo, a vacina apenas poderá ser disponibilizada após evidencias cientificas claras em relação à eficácia contra o Sars-CoV-2 e segurança para a população.

Carlos – As informações, até o momento, indicam que no final do ano deveremos ter as duas vacinas já comercializadas. Ela só deverá ser aplicada com sua eficácia comprovada como capaz de induzir respostas imunológicas ao vírus. Acredito que depois, durante o próximo ano, haverá um acompanhamento sobre a necessidade de revacinar, e por quais períodos. Mas a vitória inicial foi obtida. É certo que será distribuída em larga escala cumprindo um cronograma inicial que será divulgado. Não haverá, no primeiro momento, vacina para todos, mas a “linha de produção” estará funcionando em pleno vapor. Sem esquecer que existem duas vacinas a mais e outras 166 em fases adiantadas de pesquisas.  Sem comentários, por falta de conhecimentos, a propaganda do governo da Rússia informou que já está com uma vacina pronta, com a qual já teria vacinado todo seu contingente militar. A conferir.

Elizabeth – É preciso levar em conta, apesar da urgência da situação e de toda a tecnologia de hoje, que a vacina é aplicada em seres humanos que apresentam respostas diferentes. Isso implica na necessidade de estudos de acompanhamento às respostas imunológicas específicas de cada grupamento étnico, social e etário. E que atualmente nenhuma vacina é 100% eficaz. Depende da resposta imunológica, da sua conservação, do local de aplicação, de uma série de fatores que interagem.

Nélio – Uma vacina tradicionalmente passa por três fases, separadas entre elas por muita discussão, publicações e planejamentos. Neste momento estes intervalos estão sendo abolidos, com fases contíguas. Existem algumas indústrias mundiais que já iniciaram o processo de produção das vacinas, mesmo sem a conclusão final, acreditando nos resultados positivos até o momento. Acredito que em tempo recorde teremos vacinas disponíveis para toda a população mundial no início do próximo ano.

Renato – Não sou um especialista em vacinas, mas trabalho numa área que permite entender um pouco mais o que está acontecendo. Tudo indica que até o final do ano teremos vacinas! Mas para a população em geral receber a nova vacina é importante levar em conta uma logística complexa. Prever o futuro é missão impossível, afinal não existe bola de cristal. Então, isso é uma opinião. Dentre vários fatores, é necessário levar em conta a capacidade de produzir a vacina e os grupos prioritários que devem receber a vacina. O Brasil tem a tecnologia de produzir vacinas em escala industrial, graças aos investimentos estratégicos: temos a Fiocruz e o Butantan. Portanto, temos condições de ser um dos primeiros países no mundo a produzir as vacinas. Tendo a vacina, existe a problemática de administrá-la, o que não é simples de fazer em 210 milhões de pessoas. Fora isso, quem deve receber primeiro a vacina? Vemos isso com outras vacinas. Segue-se a lógica ética. Portanto, uma estimativa otimista é que em meados de 2021 teremos a população brasileira vacinada. Nesse caso, é crucial continuar educando o povo, focado no letramento científico, para que sigamos o “novo normal”: 1- não saiam de casa; 2- usem máscara; 3- troquem a máscara de duas em duas horas; 4- lavem as mãos com detergente, usem álcool 70% ou álcool gel nas mãos por pelo menos 20 segundos; 5- tenham cuidado extra, evitando levar as mãos a face; 6- mantenham distância de dois metros dos colegas; 7- tapem o espiro ou tosse com papel, ombro ou cotovelo; 7- cumprimente o amigo à distância e sem contato físico. Essas medidas socioculturais devem ser incorporadas no famoso “novo normal”, até que toda a população esteja vacinada. Não existe outra alternativa. Não usar máscara na rua é uma atitude ignorante, irresponsável e arrogante.

 

Folha – A vacina da Sinovac é desenvolvida em parceria com o Instituto Butantan, de São Paulo, maior produtor de vacinas da América Latina e a 4º do mundo. E a de Oxford, em parceria com a Fiocruz, do Rio de Janeiro, referência global em pesquisas de saúde pública. Como essas parcerias facilitarão o acesso do brasileiro a essas vacinas? O fato de o país ser um dos maiores epicentros mundiais da Covid, paradoxalmente, adianta nosso lugar na fila de espera?

Andreya – O que está acontecendo é uma parceria política que envolve interesses em comum. O Brasil tem a grande estrutura para a linha de produção e profissionais de excelência e os laboratórios internacionais possuem a técnica. Isso firma um acordo de transferência de tecnologias, onde um auxilia na descoberta do outro e favorece a grande produção, visando o bem comum. Os critérios para a distribuição em meio a uma pandemia serão extremamente difíceis, no entanto o fato de ter parcerias como estas nos coloca em uma posição de pleito favorável.

Carlos – A notícia é que o ministério da Saúde se adiantou fazendo a reserva de um grande lote no primeiro momento. Além disso houve um louvável movimento de particulares, como a Fundação Lehman e outras, que investiram recursos consideráveis no Butantan e na Fiocruz, via Instituto Manguinhos, entidades detentoras de reconhecimento mundial em produção e vacinas. Em um movimento sem precedentes no lado de ajuda humanitária, fundos como o Einstein e da Rede D’Or construíram hospitais de campanha em São Paulo e Rio de Janeiro para atender exclusivamente pacientes do SUS.

Elizabeth – Estudos com a vacina de Oxford já saíram em revistas científicas internacionais, conforme exigência da OMS e outras órgãos de controle de saúde no mundo. Vamos aguardar os resultados de cada uma, independente de corrida política, porque vacina precisa ser eficaz e segura, com o mínimo de eventos colaterais após sua aplicação.

Nélio – Essas parcerias são positivas e certamente trarão benefícios ao acesso dos brasileiros à vacinação, visto que parte da produção acontecerá aqui no país. E, pelo fato de estarmos em um momento crítico de transmissibilidade da doença, os testes estão sendo aplicados em vários estados brasileiros, principalmente em profissionais de saúde e pessoas que tem exposição provável, em idades variadas.

Renato – As instituições Butantan e Fiocruz são excelentes. A presença delas nos coloca em um grupo seleto de países que detém a tecnologia e o “saber como” produzir e usar vacinas. Infelizmente ainda não detemos a capacidade de produzir a vacina na velocidade de outros países; precisamos de mais investimentos em ciência. Pelo que vi na imprensa, a tecnologia será transferida, o que é extremamente vantajoso para todos nós. Ontem anunciaram que os EUA já se anteciparam e compraram todas as doses de duas grandes companhias que estão também desenvolvendo vacinas contra o Covid-19. Portanto, a “equação” não é simples. Mas como as instituições Butantan e Fiocruz são públicas, não acredito que esse tipo de ação atrase a vacinação dos brasileiros. Logo, é grande vantagem ter essas parcerias.

 

Página 6 da edição de hoje (25) da Folha

 

Folha – No domingo (19), diante dos seus apoiadores em Brasília cada vez menos numerosos, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) levantou a cloroquina como outros capitães, da seleção brasileira de futebol, fizeram com a Copa do Mundo em nossos cinco títulos. Sem nenhum estudo científico que aponte o remédio como eficaz no tratamento da Covid, como você vê? A vacina virá para sepultar de vez esse tipo de populismo político com a doença?

Andreya – Em um momento de pandemia, uma doença nova em que o mundo se viu de mãos atadas, todo fio de esperança foi e é válido ao pensar como estratégia a ser testada para salvar e proteger vidas. Dentro das prescrições médicas existe uma prática que são os usos off-label (diferentes do aprovado em bula) de algumas drogas que não necessariamente necessitam de aprovações imediatas dos líderes, mas sim de um comitê de ética e do próprio paciente. O emprego na cloroquina foi uma prática não somente brasileira, mas mundial. Fazem parte das práticas em saúde os estudos empíricos não só com drogas recém descobertas, mas também com aquelas já existentes para descobrir novos usos para as mesmas, buscando mecanismos de cura ou que salvaguarde os vulneráveis. Isso é pesquisa. E, claro, quando praticada e direcionada por pessoas técnicas, sempre é melhor. O ato de uma pessoa divulgar aquilo que acredita sempre deve ser observado criticamente para minimizar as chances de insucesso.

Carlos – Os governos com tendência autoritária têm a necessidade de tentar impor suas ideias em questões de interesse público. Mas, neste caso, a resposta foi grande, a ciência prevaleceu e colocou as coisas em seus devidos patamares. Um dos mais reconhecidos imunologistas do mundo, o francês Didier Raoult publicou um artigo em 28 de março mostrando como tratava a Covid-19 com cloroquina e azitromicina. Atendendo em hospital mais de 600 pacientes/dia, disse ele: “Há 13 anos pesquiso a cloroquina em vírus com sucesso absoluto”. Cada profissional médico usa o protocolo que melhor lhe convier, não sendo obrigado ou proibido receitar tal produto, desde que este seja aprovado em seus país.

Elizabeth – A cloroquina e outros medicamentos estão sendo testados, mas o uso desses medicamentos depende da precocidade do tratamento, da presença de outras doenças que afetam e aumento o dano do vírus ao organismo, da idade de quem recebe. Com a vacina será igual: deverá ser eficaz, dar imunidade segura, sem apresentar reações recentes ou tardias.

Nélio – Posturas políticas poderiam mudar caso tivessem uma base de informação científica adequada, ouvindo a sociedade civil especializada como as sociedades médicas de conhecimento específico, como é o caso da Sociedade Brasileira de Infectologia. Ainda não existe nenhuma droga antiviral de efeito comprovado cientificamente. É de fundamental importância que todo ato médico seja baseado em evidências científicas. Caso contrário poderá haver uma infração grave em um dos princípios básicos da bioética, que é não fazer o mal. Já há evidências comprovadas que cloroquina e a hidroxicloroquina não só não funcionam, como colocam em risco a vida das pessoas. Assim como o absurdo de vermos hoje o uso indiscriminado e popular da ivermectina, que funcionou em laboratório, mas não conseguem ser efetivos in vivo, apenas em doses centenas de vezes maiores. Não concordo com uma autonomia médica de prescrever medicações sem comprovação científica e com riscos à população.

Renato – A atitude do nosso atual presidente é lamentável, revela uma profunda ignorância. Algo, infelizmente, difundido por boa parte da população brasileira, revelando como somos atrasados em diferentes aspectos. Uso de medicamentos para tratamento de doenças exige trabalhos científicos longos que aplicam metodologias estatísticas específicas, como seleção de grupos por técnicas randômicas e cegas. Sem isso, o estudo pode indicar algo irreal, pois pode ter “variáveis de confusão”. A cloroquina se encaixa nisso. Não existe ainda um estudo seguindo essas diretrizes. No entanto, o médico tem autonomia e o dever de se informar sobre o uso de qualquer composto em qualquer situação. A vacina virá para nos salvar desse “novo normal”. Para “sepultar de vez o populismo político” é necessário investir na educação.

 

Folha – Além de apostar nas vacinas já em teste, é preciso se resguardar no caso delas falharem. Para tanto, o Brasil precisa aderir à Covax, iniciativa da OMS para garantir acesso às primeiras vacinas que derem certo. O que só foi feito após vencer resistências do governo Bolsonaro, que considera a OMS “globalista”. Partidários do presidente já declararam que não tomariam a vacina da Sinovac porque a China é “comunista”, quando na verdade tem um sistema híbrido de capitalismo de estado. Para salvar vidas, a questão não deveria ser apenas científica?

Andreya – Tudo no mundo abrange um processo político. A imunização é prevista dentro das políticas sociais em saúde e o Brasil sempre foi e é respeitado mundialmente pelas suas instituições públicas produtoras como o Butantan e Fiocruz e pelo Programa Nacional de Imunização (PNI), com mais de 40 anos de vida e distribuição de vacinas, soros e imunoglobulinas a níveis continentais. Atuar diplomaticamente em acordos e compreensão entre diversos países e interesses deve ser uma tarefa árdua, porém o Brasil tem um grande poder de barganha no que tange imunização em acordos de fornecimentos com a Opas (Organização Pan-Americana de Saúde), por exemplo.

Carlos – O presidente também falou: “quem é de direita toma cloroquina e quem é de esquerda toma tubaína”. Seria mais ou menos: os brasileiros que não aceitam seus argumentos, tomam a vacina; os que aceitam… Além de salvar vidas, a vacina é o único caminho da volta à normalidade.

Elizabeth – Existem protocolos internacionais que todos os fabricantes de vacina devem observar e estudos observacionais que devem ser seguidos. Devemos confiar em laboratórios internacionais com comitês científicos de especialistas, cujo compromisso maior é com a saúde pública mundial. Devemos esperar para que tenhamos a melhor vacina do mundo, com o mínimo de erros.

Nélio – Concordo e acredito que qualquer gestão em saúde deve ser em consonância com as evidências científicas atuais. O Brasil precisa de um ministério da Saúde e um da Educação para mudarmos este cenário em que vivemos.

Renato – Deveria ser, mas isso é utópico, pois o mundo é multidimensional e as pessoas têm suas crenças, cultura e atitudes baseadas no que aprenderam e viveram ao longo de suas vidas. No caso do Covid-19, as pessoas deveriam ser mais científicas. No entanto, até alguns colegas meus da Uenf, que foram formados fazendo “ciência” em seus doutoramentos, e fazem até hoje orientando seus alunos, acreditam que cloroquina é válida para tratar Covid-19, ou que o vírus foi uma criação de laboratório. De certa forma, são negacionistas e não procuram entender o que se tem que fazer, qual protocolo seguir, para que um composto usado no tratamento de certas doenças seja validado para outras. Isso faz parte da sociedade, envolve aspectos ideológicos e merece um estudo mais profundo pelas ciências sociais.

 

Folha – Até o momento, a vacina mais rápida produzida pelo homem foi contra a cachumba, que levou quatro anos. Se conseguir a imunização contra a Covid em cerca de um ano, será uma vitória da ciência? Mais, será a aprovação da humanidade em um teste da natureza por sua sobrevivência? Como vê a versão de que o vírus Sars-CoV-2 teria sido criado em laboratório?

Andreya – Caso a vacina contra a Covid-19 seja desenvolvida em um ano e a mesma tenha poder de imunoprevenção, a doença e com elevado fator de proteção do organismo humano com certeza será um dos grandes feitos da humanidade. A luta pela sobrevivência é algo intrínseco dos seres humanos, desde o momento da concepção, aos momentos de observações empíricas que geraram as melhoras das condições sanitárias no Egito Antigo. Ou no século 19, por medidas de cuidado do ambiente de saúde e higienização das mãos, destacados por Florence Nightingale (enfermeira britânica) e Ignaz Semmelweis (médico húngaro); ou John Snow (médico inglês), quando observou o ciclo da cólera ao olhar o comportamento da distribuição da transmissão da doença no território. A luta pela sobrevivência é constante e ultrapassa as gerações. À medida que as tecnologias em saúde se ampliam a expectativa de vida tende também a dar grandes saltos na prevenção das doenças. O grande desafio com o desenvolvimento da vacina será a produção em massa, a distribuição e o acesso.

Carlos – Já circulou também que o HIV foi criado em laboratório. Faz parte do imaginário. O Brasil foi pródigo em grandes nomes na ciência e hoje temos Dr. Pedro Moreira Focegatti, que mora na Inglaterra é um dos responsáveis pela vacina da Oxford. Nos Estados Unidos, o Dr. Fernando Chaves é consultor médico da Ortho Clinical Diagnostics, da Johnson&Johnson, participando em estudos pioneiros do Sars-CoV-2. Conterrâneos nossos colaborando pela sobrevivência da humanidade.

Elizabeth – Esperamos quatro anos, mas hoje praticamente não observamos a cachumba, que pode causar sérias complicações, principalmente em adultos. E a vacina é aplicada na primeira infância. A biotecnologia avançou, mas até hoje não se conseguiu uma vacina contra o HIV. Conhecemos pouco sobre o Covid-19. Se ela veio de laboratório ou não, não é o problema. O importante hoje e amanhã é manter situações que dificultem sua disseminação. A humanidade na Idade Média sobreviveu à peste bubônica. Sobreviveremos a esse novo desafio.

Nélio – O sequenciamento genético do Sars-CoV-2 é muito parecido com o Sars-CoV, responsável pelo Sars de 2002/2003. Com isto, após estudos deste genoma, se pode afirmar que é um vírus que vem sofrendo diversas mutações, principalmente quando passa por outros animais. Esta versão do coronavírus da atual pandemia já vem sofrendo novas mutações, com piora da transmissibilidade e de mortalidade de acordo com os primeiros casos na China. A vacina tão precoce será uma grande demonstração da importância da ciência e da necessidade de uma maior valorização aos pesquisadores e cientistas brasileiros e mundiais, tão desacreditados e renegados.

Renato – Certamente é uma vitória da ciência. O desenvolvimento de uma vacina em tempo recorde é mais um claro sinal de que o avanço tecnológico, boa parte baseado na ciência, tem contribuído de forma definitiva ao avanço da expectativa de vida do ser humano. Não entender esse desdobramento é ir além do negacionismo. Esse avanço é certamente mais uma prova de que a humanidade se mantém apta para sobreviver nesse mundo que “usamos” de forma descabida e ignorante. Até onde conseguiremos fazer isso, é complexo de prever, pois a tendência biológica é de a espécie crescer até um determinado ponto máximo e depois se extinguir. No entanto, o conhecimento gerado nas ciências da vida tem, de forma sistemática, melhorado a condição de vida do ser humano. Isso mostra que ciência merece mais investimento, assim como a educação. As evidências levantadas até agora sugerem fortemente que o Sars-CoV-2 veio do morcego. É muito improvável que tenha sido criado em laboratório e escapado, propositalmente ou não.

 

Folha – O governo Rafael Diniz tem uma atuação considerada boa no enfrentamento à pandemia da Covid. Mas tem sido criticado por ter reaberto os shoppings centers na última segunda. Em Campos e no mundo, qual seria o ponto de equilíbrio entre pressão dos empresários, para preservar a economia, e a necessidade de preservar vidas humanas?

Andreya – A abertura de shoppings somente se mostrou adequada após análise criteriosa dos indicadores do plano “Campos Daqui Para Frente”. Especialmente no que diz respeito aos reflexos após 20 dias de abertura do comércio de rua, sem nenhum registro de diferença no comportamento da disseminação do vírus desde então. Aliado a isso, protocolos rigorosos foram seguidos, como a vedação de acesso a crianças e idosos, e aumento na fiscalização, para que não haja maiores riscos aos consumidores. Entendemos que há uma luta constante, em todo mundo, em uma balança que de um lado figura a sobrevivência econômica e de outro a preservação de vidas, após análise científica criteriosa em vista de garantias de segurança. Desde a abertura dos shoppings temos monitorado e não houve qualquer denúncia de aglomeração ou de descumprimento às normas do plano.

Carlos – Considerando o momento atual e a falta de recursos federal e estadual, o governo municipal vem fazendo o que pode nesse enfrentamento. A abertura dos shoppings, assim como todas as aberturas sociais, depende de algoritmos que avaliam o momento, baseados entre outros itens, no número de leitos de UTI e enfermarias, bem como outras capacidades de atendimento. Campanhas educativas devem ser somadas a essas iniciativas e a vigília de abusos devem ter rigor. Algumas manifestações ocorridas em São Paulo, e avaliadas 15 dias após, mostraram que não houve aumento de casos. Já no Maranhão e, agora, em Minas Gerais, na capital Belo Horizonte, tiveram que fechar tudo novamente. A preservação de vidas está acima dos desejos de preservar a economia.

Elizabeth – O confinamento apresenta uma série de resultados negativos para crianças, jovens, adultos e idosos. Precisamos balancear o estresse, síndrome do pânico, falta de lazer, de atividades físicas. Campos tem acompanhado as características da epidemia e o município precisa seguir seu caminho produtivo. O correto é que aqueles que não cumprirem medidas de prevenção sejam punidos. A cidadania implica em direitos e deveres. A Vigilância em Saúde do município tem trabalhado com precisão. Sua ação vai acompanhar e controlar a doença em nossa cidade e no entorno.

Nélio – Não é fácil. Visto que a economia dita vários parâmetros em uma sociedade. Porém, tenho visto que as atitudes têm sido de acordo com parâmetros técnicos de diversas variáveis. Com a progressiva flexibilização aumenta a responsabilidade do cidadão, pois há necessidade mais que nunca de manter todo o processo de prevenção que é comprovado cientificamente. Se todos usassem as máscaras de forma correta, haveria uma redução importante de disseminação do vírus no ambiente. Reforçar a lavagem das mãos e manter sempre um distanciamento seguro, mesmo com o uso de máscaras. E buscar uma maior testagem da população. Assim, cada um de nós, além do poder público, poderemos preservar vidas humanas, principalmente os idosos e as pessoas de grupos de riscos.

Renato – Respondo com uma pergunta: existe algo mais valioso que a vida humana?

 

Página 7 da edição de hoje (25) da Folha

 

Publicado hoje (25) na Folha da Manhã

 

Caio Vianna costura aliança com o PSB de Molon que iria apoiar Rafael Diniz

 

PDT de Caio Vianna disputa o PSB de Alessandro Molon com o Cidadania de Rafael Diniz para a eleição a prefeito de Campos (Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

O PSB sairá da base de apoio à pré-candidatura à reeleição do prefeito Rafael Diniz (Cidadania) para à de Caio Vianna (PDT)? Desde o final da noite de ontem (23), essa movimentação tem agitado os bastidores do pleito municipal de 15 de novembro. Com base na aliança nacional entre PSB e PDT, o acordo tem sido tentado desde 2019 por Caio junto ao deputado federal Alessandro Molon, presidente estadual do PSB. E parece estar próximo de um desfecho, que segundo o pré-candidato a prefeito de Campos pelo PDT, será oficializado por Molon:

— Estou construindo a aliança com o PSB há algum tempo, fomos parceiros na eleição de 2016. Existe um entendimento nacional do PDT e PSB, e venho conversando muito com o deputado Federal Alessandro Molon para termos essa parceria importante para a recuperação da nossa cidade. Precisamos unir esforços por Campos. No momento que o deputado achar adequado, ele vai se manifestar — disse Caio Vianna.

Roberta Barcellos, presidente do PSB em Campos (Foto: Facebook)

Presidente do PSB em Campos, a professora de História Roberta Barcellos disse também ter tomado conhecimento da possibilidade através da sua divulgação nas redes sociais locais, desde a noite de ontem. Ela admitiu que uma possível aliança do seu partido com o PDT de Caio é uma orientação nacional para as eleições municipais de novembro. Mas que ainda não foi comunicada de nada oficialmente pelo deputado Molon. Para ela, a aliança com Rafael continua valendo:

— Nem Molon, nem ninguém da executiva estadual entrou em contato comigo sobre o assunto. Sabemos que é algo que Caio vem tentando desde 2019, seguindo uma diretriz nacional de coligação com o PDT. Mas toda nossa conversa com Molon sempre foi em torno da aliança com o prefeito Rafael — disse Roberta, presidente da comissão municipal provisória do PSB, condição que se tornaria fixa justamente a partir da convenção municipal do partido para definir apoio a uma candidatura a prefeito de Campos, além das nominatas. Em tese, o fato da executiva goitacá ser ainda provisória, facilitaria a imposição de um acordo costurado por cima.

 

Brand Arenari, Enock Amaral, Fabinho ALmeida, Alonso Barbosa e Rogério Siqueira (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Se o a aliança entre PSB e PDT for confirmada em Campos, teria reflexo direto na nominata de vereadores que o primeiro partido monta para disputar as eleições. Nela, estão dois vereadores que buscam a reeleição; Enock Amaral e Fabinho Almeida. Além de outros nomes considerados pré-candidatos de boa densidade, como do sociólogo Brand Arenari, do jornalista Rogério Siqueira e do estudante de Direito Alonso Barbosa. Este é filho do falecido ex-vereador Renatinho Barbosa. Já os dois primeiros foram integrantes do governo Rafael, até dele saírem recentemente, no prazo de seis meses antes do pleito fixado pela Justiça Eleitoral. É provável que Brand e Rogério abandonem suas pré-candidaturas a vereador, caso o PSB caminhe com Caio a prefeito.

Quando secretário de Educação de Campos, Brand trabalhou junto com Roberta, presidente municipal do PSB. Os dois eram considerados os principais articuladores da aliança do partido com a pré-candidatura de Rafael à reeleição. O blog, assim como a executiva do PSB em Campos, vêm tentando contato com a direção estadual da legenda, até agora sem sucesso. Fontes ligados ao partido consideram que Molon, líder da oposição ao governo Jair Bolsonaro (sem partido) na Câmara Federal, poderia estar ressentido da falta de um contato mais direto com o governo de Campos. O que poderia contribuir para empurrar o PSB para Caio.

— É sabido por nós, do PSB, que existe essa aliança com o PDT em nível nacional. Ainda não fui informado quanto a essa decisão final. O que o PSB acabar por decidir, vamos sentar e analisar. Nosso grupo político tem tido muita garra e animação para darmos continuidade ao lindo trabalho e bela trajetória que meu pai, Renato Barbosa, teve na política. Continuidade esta com muitas ideias, a força de vontade da juventude e sempre com muito caráter e honestidade, princípios que aprendi com meus pais e que todos na política deveriam ter. Queremos uma Câmara mais renovada e honesta, que produza mais do que procrastine — disse Alonso Barbosa, indicando que manterá sua pré-candidatura a vereador, independente do apoio do PSB na eleição a prefeito de Campos

 

Atualizado às 14 25 para colocar a posição de Alonso Barbosa, pré-candidato a vereador do PSB

 

Fred Machado analisa eleições de Campos e SJB no Folha no Ar desta sexta

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A partir das 7h da manhã desta sexta, quem fecha a semana do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é o presidente da Câmara Municipal de Campos, Fred Machado (Cidadania), vereador e pré-candidato à reeleição. Ele falará sobre a atividade política e legislativa em tempo de pandemia da Covid-19, sobre a CPI recém-concluída do PreviCampos e da eleição a vereador. Aliado político do prefeito de Campos, Rafael Diniz (Cidadania), e irmão da prefeita de São João da Barra, Carla Machado (PP), ele analisará também a disputa ao Executivo dos dois municípios.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta sexta, pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

Ivan Machado fala de G-8, eleição a vereador e prefeito no Folha no Ar desta 5ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A partir das 7h da manhã desta quinta (23), o convidado do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é o vereador Ivan Machado (PDT). Ele falará sobre política e retomada das sessões ordinárias da Câmara Municipal em tempo de Covid-19, além do seu abandono (confira aqui) do G-8, grupo legislativo “independente” que virou G-7 e se extinguiu com a sua saída. Analisará também o tabuleiro das eleições de novembro, a vereador e prefeito de Campos.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quinta, pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

Igor Pereira fala sobre eleição a vereador e prefeito no Folha no Ar desta 4ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A partir das 7h da manhã desta quarta (22), o convidado do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é o vereador Igor Pereira (SD). Ele falará sobre política e retomada das sessões da Câmara em tempo de pandemia da Covid-19, além do grupo legislativo “independente” G-8, que liderava, virou G-7 e foi aparentemente extinto. Analisará também o tabuleiro das eleições a vereador e prefeito de Campos.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quarta, pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

José Trajano: críticas a Bolsonaro, nota 8,5 a Jesus e lembrança a campistas

 

José Trajano (Foto: Reprodução)

 

“Nós temos um vírus, que todo o mundo enfrenta. E temos um verme e seus vermezinhos, em um país onde o presidente nega a ciência, a OMS, os grandes infectologistas do país. Se você tem que sair para trabalhar, é um serviço essencial, se tem que sair para comprar alguma coisa na farmácia, no supermercado que saia, preparado. Agora, o que eu tenho visto é gente achando que já acabou, que o vírus já se mandou do país. Isto é incentivado pelo Capitão Corona lá de Brasília. Se o exemplo lá de cima é esse, que você não precisa usar máscara, que você tem que tomar cloroquina, que é um remédio repudiado e sem efeito científico nenhum comprovado, o resultado é que o número de mortos e infectados aumenta sempre. Nós temos 2 milhões de infectados e hoje (20) deveremos passar dos 80 mil mortos. É um momento muito difícil para todos nós. Até quando vai durar? Quando é que vai chegar a vacina? Ela será eficaz? Será distribuída em larga escala?”. Com sua contundência característica, foi o que afirmou e indagou no início da manhã de hoje o jornalista José Trajano. Conhecido nacionalmente por sua atuação na ESPN Brasil, da qual foi fundador e diretor por muitos anos, ele abriu esta semana o programa Folha no Ar, na Folha FM 98,3. Falando de São Paulo, mas atento ao regionalismo fluminense, Trajano completou sobre a pandemia:

—  O momento que nós vemos agora é preocupante, porque a pressão do comércio está vencendo. Então, na hora que vocês noticiam (na abertura do Folha no Ar) que os shoppings centers aí em Campos abrem hoje, eu não entendo. Eu vi aqui em São Paulo. As academias de ginástica abrindo em São João da Barra (risos)… ontem (19) eu vi um programa no Fantástico, com vários especialistas dos Estados Unidos, que deram uma nota de perigo de contágio, de você conviver com abertura de academias, ir ao shopping. E depois quatro especialistas brasileiros, ligados a Fiocruz, que é uma instituição seríssima, analisaram essas pontuações. E uma das coisas que falaram é que academias de ginástica são um dos lugares mais perigosos de contágio que existem. Então acho inacreditável você reabrir essas academias na cara de pau.

Na abertura do último bloco do programa, grande conhecedor da cultura dentro e fora do futebol, Trajano saudou grandes vultos de Campos:

— Já falei do querido (jornalista) Péris Ribeiro, grande biógrafo do Didi (meia bicampeão mundial pelo Brasil em 1958 e 1962), Valdir Pereira, um dos orgulhos do futebol campista. Assim como Pinheiro (zagueiro, Copa de 1954), Evaldo (atacante, com passagem pela Seleção em 1968), Amarildo (atacante, campeão mundial em 1962), até o Odvan (zagueiro, com passagem pela Seleção na segunda metade dos anos 1990), que até hoje mora aí em Campos. Outro registro que eu gostaria de fazer é sobre a Música Popular Brasileira. Outro dia eu falei de Wilson Batista (sambista de Campos), que morreu num dia 7 de julho. E hoje estaria completando 80 anos um dos maiores cantores da Música Popular Brasileira: Roberto Ribeiro. Era de Campos, ligado ao Império Serrano e gravou grandes discos de samba (…)

O jornalista seguiu na transição da política ao futebol. Lembrou da Itália de Mussolini para traçar um paralelo com a aliança entre o Flamengo do presidente do clube, Rodolfo Landim (carioca com família em Campos), e o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), contra quem já tinha feito e repetiu duras críticas. Torcedor apaixonado do America, ele disse, no entanto, que gostaria de ser flamenguista por um dia:

— Futebol e política sempre se misturaram. E futebol sempre foi utilizado por vários regimes. Quando a Itália foi para a França, disputar a Copa de 1938, Mussolini (ditador fascista italiano) foi ver o jogo final e o capitão italiano, Meazza, que deu o nome ao estádio de Milão, fez o gesto fascista para saudá-lo. Para não ir tão longe, vamos dar um exemplo do que está acontecendo agora no Brasil, com o Flamengo (…) Eu gostaria de um dia só na minha vida ser Flamengo. Porque eu, como torcedor do America (..) você vai ver os jogos da série B do Rio, onde estão Americano, o Goytacaz do grande (ator campista) Tonico Pereira, são 300, 400 pessoas espalhadas pelo estádio (…) Então que queria um dia só ter essa sensação de ser Flamengo, porque deve ser uma coisa vibrante, emocionante e inesquecível (…) Mas o Flamengo hoje através do seu presidente, esse Landim, tem feito, é o aproveitamento pela política do esporte. Se abraçou ao Capitão Corona, conseguiu que o Capitão Corona lançasse uma MP (do Futebol), que tem umas coisas até interessantes, mas não teve discussão suficiente entre os clubes. Foi uma coisa açodada, com o objetivo claro de afrontar a TV Globo, que tem feito várias críticas ao Capitão Corona, com o apoio do presidente do Flamengo (…) O retorno apressadíssimo do futebol carioca também foi uma pressão política feita principalmente pelo Flamengo.

Sobre o Flamengo dentro de campo, Trajano analisou a saída do técnico português Jorge Jesus, que voltará para o Benfica, maior clube do seu país. Ele reconheceu as virtudes do treinador, mas as relativizou, creditando os muitos títulos recentes conquistados pelo Rubro-Negro também à qualidade do seu elenco:

— Como diria o nosso Leonel de Moura Brizola, eu andei fazendo uma reflexão sobre tudo isso. Sobre a revolução, vamos chamar assim, que ele fez à frente do Flamengo. Com essa reflexão, eu cheguei a uma conclusão, com a qual muitos podem não concordar. Que ele (Jesus) foi importantíssimo, foi; na maneira de jogar do Flamengo, marcação sob pressão, marcação mais adiantada. Ele incutiu nos jogadores esse espírito, os jogadores atenderam às recomendações dele. Agora, nós vamos dizer o seguinte: o Flamengo que eu critiquei, de Landim, ajudou muito, contratando jogadores. Não é o Vasco, que não tem dinheiro para contratar ninguém; não é o Fluminense, que tem uma folha limitada. O Flamengo trouxe jogadores muito importantes, que deram certo ali. Então, o elenco do Flamengo possibilitou que o Jorge Jesus pusesse em prática o esquema de jogo que ele acreditava. Conseguiu colocar alguns conceitos, deu certo, sai endeusado. Sem desmerecer o trabalho dele, tem que colocar na balança: se estivesse no Fluminense, ou no Vasco, teria tido o mesmo sucesso? (…) Eu acho que ele sai do Brasil, volta para Portugal, deixando um trabalho admirável, mas não vejo ele com essa bola toda. Eu daria a ele não nota 10; daria oito e meio, para ser rigoroso (…) Porque a história apaga muita coisa. Talvez o maior técnico estrangeiro do Flamengo não tenha sido Jorge Jesus. E, sim, (o paraguaio) Fleitas Solich, tricampeão (carioca) pelo Flamengo. Ganhou três títulos seguidos em (19)53, 54 e 55, dois em cima do America. Então, devagar com o andor.

 

Confira abaixo os três blocos do Folha no Ar com o jornalista José Trajano:

 

 

 

 

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