Opiniões

Atafona e Convivência — Homens e cães entre a luz e as próprias sombras

 

O pescador e os cães na Convivência, manhã de 06/07/20 (Foto de Ícaro Barbosa)

 

 

Semana aberta aos passos entre Atafona, a foz fechada do Paraíba e a Convivência. Fotos de Ícaro Barbosa.

 

 

Convivência, manhã de 06/07/20 (Foto de Ícaro Barbosa)

 

 

Atafona, manhã de 06/07/20 (Foto de Ícaro Barbosa)

“este mundo, que é o mesmo para todos, nenhum dos deuses ou dos homens o fez; mas foi sempre, é e será um fogo eternamente vivo, que se acende com medida e se apaga com medida”

(heráclito, d 30)

 

faces do mesmo

 

poderia ter usado a coroa do rei de éfeso,

mas renunciou à honra em favor do irmão.

prestar governo aos surdos, dever funesto,

aqui, agora, jônia européia há cinco séculos;

ou na ásia menor, meio milênio antes de cristo.

 

por iluminar seria, já aos antigos, o obscuro;

nada revelariam suas palavras de sibila,

não fosse a oposição do ouvido surdo,

como, sem tensão na corda, emudece a lira

e a do arco, por relaxada, inutiliza a flecha.

 

ao alcançar a outra margem, não era

mais o mesmo homem, nem mesmos

eram os rios atravessados, múltiplos

a desaguar no Um que a todos gera.

 

media a largura do seu pé pela do sol

por desconhecer outra grandeza ao passo

do homem entre a luz e a própria sombra.

 

domingos martins, 01/05/07

 

Cães na Convivência, com Atafona ao fundo, manhã de 06/07/20 (Foto de Ícaro Barbosa)

 

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