Opiniões

Com bolsonarista facilmente nocauteado, UFC ensina sobre lutas e além delas

 

Chute com que o nigeriano Israel Adesanuya abriu o caminho para nocautear o brasileiro Paulo Borrachinha, na madrugada brasileira deste domingo (Foto: Getty Images)

 

 

Nesta madrugada, na peleja entre invictos pelo título dos pesos médios do UFC 253, em Abu Dhabi, o nigeriano naturalizado neozelandês Israel Adesanya deu uma aula de luta em pé ao brasileiro Paulo Borrachinha. A quem nocauteou com facilidade no segundo assalto de uma luta programada para cinco, que se esperava difícil. Adesanya manteve o cinturão e sua invencibilidade, agora de 20 lutas, pondo fim à de Borrachinha.

 

Na pesagem da luta, separados pelo patrão trumpista Dana White, Adesanya é provocado por Borrachinha, que exibiu sua faixa preta de jiu-jitsu e levou uma branca para quem o nocautearia

 

No dia anterior, na pesagem para a luta, Borrachinha tentou desestabilizar Adesanya psicologicamente. Exibiu sua faixa preta de jiu-jitsu e entregou ao campeão uma faixa branca, que lhe foi atirada de volta. Os dois tiveram que ser contidos para não começarem ali o combate.

Quando a luta chegou, Borrachinha continuou com o combate psicológico. Adesanya manteve o foco e impôs a longa distância no combate real, favorável ao seu estilo mais técnico e sua maior envergadura. E respondeu às provocações com vários chutes baixos no joelho esquerdo do brasileiro, visivelmente magoado já ao final do primeiro assalto.

No segundo, após receber um chute alto que abriu seu supercílio, Borrachinha foi ao chão com um cruzado na têmpora. Adesanya foi para cima e desferiu mais socos, até o juiz interromper para declarar o nocaute técnico. Antes de sair de cima do adversário batido no combate psicológico e real, coube ao campeão a ironia final: usou o quadril para simular sobre o corpo passivo e de bruços o que fez com ele na luta.

Antes da luta, o hercúleo Borrachinha disse em uma de suas provocações que Adesanya era muito franzino para ser lutador. Após a luta, a derrota do falastrão brasileiro foi mais uma das tantas provas de que, mesmo no confronto físico entre homens, a inteligência sempre leva vantagem sobre a força bruta.

 

Borrachinha  ao lado de Bolsonaro, diante do Palácio do Planalto, nas manifestações de 15 de março convocadas em apoio ao presidente, contra o Congresso e o Supremo Tribunal Federal

 

Ademais, assistir a um marombado defensor do presidente Jair Bolsonaro, com quem Borrachinha posou junto nos protestos de 15 de março, ser facilmente batido por um africano negro e magro, tem um significado maior. Pelo menos a quem tem noção do que acontece no Brasil e no mundo, fora dos octógonos. Dentro deles, Adesanya lembrou ao final da luta o melhor que o Brasil já teve. E disse querer deixar um legado no UFC como o de Anderson Silva.

 

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