Opiniões

Último debate antes da eleição que definirá presidente dos EUA e rumos do mundo

 

Joe Biden abriu sua participação no último debate antes da eleição a presidente dos EUA exibindo a Donald Trump a máscara de proteção facial que, segundo o candidato democrata, teria evitado metade das 222 mil mortes por Covid-19 no país (Foto: Morry Glass- AP Photo)

 

No final da noite brasileira dessa quinta, acabou o último debate antes da eleição que definirá o presidente dos EUA e os rumos do mundo. Diferente do primeiro, no bate-boca (relembre aqui) de 29 de setembro, desta vez houve debate. Entre o presidente republicano Donald Trump e o candidato democrata Joe Biden, venceu a novidade do microfone interrompido ao final do tempo de fala de cada um. No Brasil, já existe há muito tempo. Nos EUA, teve que ser adotado para conter as interrupções constantes do seu atual mandatário.

Trump não conseguiu fazer das acusações de corrupção na Ucrânia contra Hunter Biden, filho de Joe, a bomba que prometia. Foi, no máximo, um estalinho. Mas o presidente demonstrou presença de espírito, e seu conhecido talento como comunicador, quando ridicularizou Biden pai após este se voltar à câmera e dizer que os candidatos deveriam estar ali discutindo não as suas famílias, mas a do eleitor de classe média dos EUA.“Viu? É isso que políticos fazem!”, taxou Trump, ao gosto do tal eleitor de classe média.

Abraham Lincoln, presidente que liderou os EUA em sua Guerra Civil (1861/1865) para libertar os negros da escravidão, e seria assassinado por isso

Se tinha perdido a chance de “matar” Trump no debate anterior, com a revelação então fresca de que o presidente que se diz milionário não pagou nada de imposto de renda em 10 dos últimos 15 anos, Biden acertou ao retomar o caso para responder às denúncias de corrupção dirigidas ao seu filho. Como acertou ao chamar seu adversário de “racista”. E também ridicularizá-lo, após Trump ter delirado ser o presidente dos EUA que fez mais pelos negros desde Abraham Lincoln, líder do país em sua sangrenta Guerra Civil no séc.19 para libertar os negros da escravidão.

Trump se safou bem no bloco inicial, dedicado à Covid-19 nos EUA, deixando sua liderança desastrosa na crise sanitária passar sem novos danos. E conseguiu conduzir o debate dali até a metade, quando um Biden até então no polo passivo da “dança” abraçou o eixo da principal questão da pandemia aos vivos. E afirmou com convicção que, se eleito, irá impor o salário mínimo de US$ 15,00 por hora — lá não é por mês — ao trabalhador dos EUA.

Na questão racial para além dos negros, Biden condenou a desumanidade promovida pelo governo Trump. Que separa os pais dos filhos entre os imigrantes latinos capturados na fronteira com o México. Mas o atual presidente não reagiu mal, ao lembrar que as jaulas usadas para confinar e separar seres humanos como animais de zoológico foram uma invenção do governo Barack Obama, do qual Biden foi vice. Ao que o agora cabeça de chapa democrata não teve resposta.

No final do debate, outra oposição de visão de mundo ficou clara entre os dois candidatos. Como fez ao se comparar com Lincoln, Trump mentiu de cara deslavada ao declarar seu “amor” pela preservação ambiental. Ao que Biden respondeu dizendo que marcará seu eventual governo pela transição da matriz energética do petróleo nos EUA para alternativas limpas, como a solar e a eólica. O presidente disse ser “ótimo” saber que o adversário era contra a energia fóssil. Ainda que tirado de contexto, talvez fosse uma dúvida que o favorito nas pesquisas não precisasse gerar.

Todos os analistas diziam que, para tentar virar o jogo, Trump precisava de um nocaute neste último debate a menos de duas semanas das urnas de 3 de novembro. Mesmo que cerca de 1/3 do eleitorado dos EUA, onde o voto não é obrigatório, já tenha votado pelos Correios. O fato é que, no embate retórico do final da noite dessa quinta, qualquer vencedor só seria definido por pontos. Sem excluir o empate como possibilidade.

Agora é no voto. Não só no popular, onde Hillary Clinton superou Trump por quase 3 milhões de eleitores em 2016. Mas do complicado sistema do colégio eleitoral, onde vence quem levar os estados com mais delegados. Neles, Biden também mantinha vantagem nas pesquisas, mais apertada, até o debate de ontem. Como Hillary tinha quatro anos atrás, considerada a vencedora dos três debates antes das urnas. O resultado, no entanto, foi o mundo que temos hoje.

Aos cínicos que professam que tanto faz ao Brasil quem vencer a eleição a presidente dos EUA, o aviso: ela pode influenciar muito mais o governo Jair Bolsonaro do que o despencar nas pesquisas dos seus candidatos a prefeito do Rio e São Paulo. A ver.

 

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