Opiniões

A três semanas da urna, Wladimir contra Caio ou Bruno?

 

Campos entre Wladimir Garotinho, Caio Vianna e Bruno Calil (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Wladimir Garotinho (PSD) lidera a corrida à Prefeitura de Campos, com vaga praticamente garantida ao segundo turno. A vaga restante seria disputada por Caio Vianna (PDT), ainda com vantagem, mas diminuída pela força da campanha de Dr. Bruno Calil (SD). Abaixo, em bloco intermediário, viriam o prefeito Rafael Diniz (Cidadania) e o ex-vereador Tadeu Tô Contigo (Republicanos). Em ordem alfabética, o terceiro bloco seria composto por Beethoven (PSDB), Cláudio Rangel da Boa Viagem (PMN), Jonathan Paes (PMB), Odisséia (PT), Professora Natália (Psol) e Roberto Henriques (PCdoB). Com muitas pesquisas, mas poucas registradas para divulgação, é o que as casas de aposta informais apontam se a eleição fosse hoje. Como é daqui a 22 dias, todas as 11 candidaturas têm, em tese, as mesmas chances. E todas as apostas têm o mesmo valor real de qualquer outra antes do páreo cruzar a linha final.

Na aposta pela liderança de Wladimir, outra surgiu na semana que se encerra: seu vice, o empresário Frederico Paes, será mantido até a segunda, dia 26, quando acaba o prazo para mudança nas chapas? Considerado o vice de maior peso — sobretudo na “pedra” (98ª Zona Eleitoral), tradicional bastião de resistência ao garotismo —, Frederico teve sua candidatura questionada na Justiça Eleitoral. A coligação “Nova Força” (SD, DEM, PTC e PV), de Bruno Calil, alega que o vice adversário teria se desincompatibilizado fora do prazo das funções de diretor do Hospital Plantadores de Cana (HPC) e presidente do Sindicato dos Hospitais, Clínicas, Casas de Saúde e Estabelecimentos de Saúde da Região Norte Fluminense (SindihNorte).

 

Vice de Wladimir, Frederico Paes

 

 

Deputado estadual Rodrigo Bacellar

No último dia 16, após parecer favorável (confira aqui) do Ministério Público Eleitoral, Frederico teve sua candidatura a vice deferida (confira aqui) pelo juiz Paulo Maurício Simão Filho, da 76ª ZE de Campos. Mas a coligação de Calil, montada e comandada pelo deputado estadual Rodrigo Bacellar (SD), recorreu ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Se a decisão sair depois do dia 26, ou antes e ratificar a primeira instância, não afeta a chapa do filho do casal mais famoso da Lapa. Mas se sair antes e for desfavorável, colocaria a candidatura garotista em risco. Wladimir tem dito que, ainda assim, não mudará a chapa, apostando todas as fichas na reversão no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

De aposta em aposta, naquelas que indicam um bloco dianteiro na corrida à Prefeitura, as candidaturas de Wladimir e Caio apostam que o crescimento de Bruno, pela força da sua campanha capitaneada por Rodrigo, mesmo se continuar sem bater teto, não teria tempo para ultrapassar o pedetista. Na última quinta (22), o prefeitável do SD reconheceu (confira aqui) no programa Folha no Ar, da Folha FM 98,3, que ele hoje disputaria com Caio uma vaga ao segundo turno com Wladimir. O que é endossado pelo fato das campanhas destes dois terem passado a semana atacando a candidatura de Bruno nas redes sociais. Ao mesmo tempo em que Rodrigo investe sobre candidatos a vereador dos clãs Garotinho e Vianna. Líder do primeiro, o ex-governador admite internamente sua preocupação com o crescimento do nome apoiado pelo clã Bacellar. Ainda observador arguto de eleições, Anthony Garotinho preferia que seu filho enfrentasse o filho do ex-aliado e ex-prefeito Arnaldo Vianna (PDT) no eventual turno final.

 

Líderes políticos dos seus clãs, o ex-governador Anthony Garotinho, o ex-prefeito Arnaldo Vianna e o ex-vereador Marcos Bacellar (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

As apostas não desconsideram as chances do bloco intermediário da disputa, que seria composto de Rafael e Tadeu. O primeiro finalmente reencontrou o político de talento inato que teve mais brilho como vereador de oposição a Rosinha, do que como prefeito. A despeito de um governo unanimemente criticado pela comunicação, sua campanha mostra a mesma qualidade da vencedora de 2016. Seu dilema é que o campista que observasse os muitos buracos das suas ruas pintados de rosa há quatro anos, hoje os contabiliza ainda mais numerosos, de esquina a esquina em qualquer ponto de Campos. E, ainda que não estejam pintados de verde, a campanha eleitoral de 2020 ecoa ao rádio do mesmo carro obrigado a driblar crateras. Ver isso só agora é se arriscar a cair nelas por miopia.

 

Buracos nas ruas de Campos, pintados de rosa em 2016, e agora (Fotos: Folha da Manhã – montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Por sua vez, se tem o “voto de cabresto” da Igreja Universal, o católico Tadeu conta com o apoio dos Bolsonaro em sua campanha para furar esse teto. Ele e alguns outros observadores, vendo do ângulo de outras campanhas, acreditam que isso poderia alterar o quadro. Já outra raposa felpuda da política goitacá, mesmo conservadora, faz a ressalva: “Os presidentes Fernando Henrique Cardoso, Lula e até Dilma Rousseff foram tão ou mais populares que Jair Bolsonaro. E isso nunca elegeu prefeito em Campos por conta do apoio do PSDB ou do PT”.

 

Prefeito Rafael Diniz e ex-vereador Tadeu Tô Contigo (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

O fato talvez mais relevante é que, se Rafael e Tadeu fizerem juntos o mínimo de 30 mil votos, e Caio e Bruno não desidratarem à frente deles nas apostas, isso tornaria muito difícil a possibilidade de a eleição ser definida no primeiro turno, pelo teto do garotismo sobre Wladimir. Tanto mais se alguém na pulverização das outras seis candidaturas for além do que hoje se projeta. Nesta alternativa, entre os quatro marinheiros de primeira viagem, o potencial de Natália Soares é considerado. Mesmo quando comparada a políticos experientes, como o ex-prefeito Roberto Henriques e a ex-vereadora Odisséia Carvalho. E apesar do racha que as candidaturas próprias do Psol, PCdoB e PT trazem à esquerda de um município que deu quase 65% dos seus votos válidos a Bolsonaro na última eleição majoritária.

 

Professora Natália, Roberto Henriques e Odisséia (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Jovem, articulada e fruto do polo universitário em que a cidade se transformou há anos, entre nossas poucas heranças positivas dos tempos das “vacas gordas” dos royalties, Natália pode surpreender. E somar pontos na sucessão da esquerda identitária do Psol sobre a velha esquerda sindical do PT, como maior partido da esquerda fluminense. Mesmo que os petistas pareçam ter mais chances reais de eleger um vereador em Campos do que os psolistas.

Lesley Beethoven

Prefeitável sabatinado no Folha no Ar de sexta (22), Beethoven disse que, se eleito, sua prioridade seria pagar os servidores em dia — o que já é feito hoje com grande dificuldade. Diante do déficit orçamentário de Campos para 2021 (confira aqui), o tucano classificou as promessas (confira aqui) de retomada dos programas sociais garotistas Cheque Cidadão e Passagem Social como “irresponsáveis” e “estelionato eleitoral”. Entre os 11 prefeitáveis, elas são feitas apenas por Caio (confira aqui) e Natália (confira aqui). São as mesmas que Rafael fez em 2016. E que, eleito no primeiro turno, não conseguiu cumprir, dando início ao desgaste da sua popularidade entre as camadas populares.

“Política é como nuvem. Você olha e ela está de um jeito. Olha de novo e ela já mudou”. É a definição batida, mas vera, imortalizada pelo ex-governador mineiro Magalhães Pinto. Nesta semana que se encerra, a apenas outras três das urnas de 15 de novembro, foi assim que as nuvens pareceram no horizonte da planície. E não passam de meras apostas.

 

Publicado hoje (24) na Folha da Manhã.

 

Este post tem 3 comentários

  1. Wladimir tem um vice de peso, já os outros candidatos não tiveram a mesma sorte na escolha.

    1. Caro Cesar Peixoto,

      Bruno Calil (SD), que tem como vice o pastor e ex-deputado federal Éber Silva (DEM), também.

      Abç e grato pela participação!

      Aluysio

  2. NÃO DAR PARA ACREDITAR EM POLITICO, UMA HORA O GOVERNADOR EM EXERCICIO DIZ QUE O ESTADO ESTA SEM VERBA PARA PAGAR O FUNCIONALISMO. AGORA TEM DINHEIRO PARA AUXILIO DE TRES MIL E SEIS MIL REAIS PARA O PESSOAL DA CULTURA.

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