Opiniões

Dr. Beda e Santa Casa registram 2ª onda da Covid, infectologista fala em lockdown

 

 

Nas últimas duas semanas, com o aumento da procura de pacientes com sintomas de Covid-19, de internações em leitos clínicos e de UTI pela doença, autoridades médicas de Campos alertam que o município vive a segunda onda da pandemia, registrada em todo o mundo e em várias outras cidades brasileiras. “Não tenho dúvida ao afirmar que Campos começa a viver a segunda onda da Covid”, afirmou Cléber Glória, diretor-clínico da Santa de Misericórdia. “A volta da fase Verde para a Laranja, com adoção do lockdown parcial, é inevitável, vai acontecer”, projetou o médico infectologista Nélio Artiles, referência regional na área. “A percepção é de tendência de aumento nas últimas semanas, mas não ao ponto de segunda onda. Aliás, pensando sob o ponto de vista estatístico, me parece que não haverá segunda onda”, questionou Eduardo Shimoda, professor da Universidade Candido Mendes, que trabalha na contabilidade e projeção dos casos, com base em modelos estatísticos, que determina o combate à Covid em Campos.

 

Cléber Glória, Nélio Artiles e Eduardo Shimoda (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Uma fonte do Hospital Dr. Beda, que preferiu não se identificar, informou que a demanda de pacientes com o novo coronavírus também aumentou muito nas duas últimas semanas. Atualmente, o hospital da rede privada tem 16 doentes de Covid internados em leitos clínicos, com outros sete na UTI. O ápice de ocupação do Dr. Beda pela doença foi em agosto, quando chegou a ter 25 internos pela pandemia em leitos clínicos e outros 15, na UTI.  Nesta quinta (19), dado o aumento de casos, o hospital decide se suspenderá, ou não, suas cirurgias eletivas. No Hospital da Unimed, pelo mesmo motivo, elas chegaram a ser suspensas em 4 de novembro, mas foram retomadas na semana seguinte de “forma contingenciada”. O hospital privado, no entanto, não informou sua ocupação de leitos pela doença.

Diferente do que aconteceu na primeira onda da Covid em Campos, que cresceu em junho e julho, até atingir seu pico em agosto, agora a procura dos doentes se dá mais na rede privada, sem crescimento substancial ainda na rede pública. É o que explica o infectologista Nélio Artiles:

— Na primeira onda, quem tinha que sair de casa para trabalhar e garantir sua subsistência, se infectou e buscou a rede pública. Na privada, houve muitos casos também, mas as pessoas que recorrem a ela geralmente têm condições financeiras de fazer o isolamento. Agora, parece que as classes média e alta se comportam como se a pandemia tivesse acabado. Como não acabou, acabam se infectando. Daí a procura maior na rede privada. Mas ainda há vagas no CCC (Centro de Controle e Combate ao Coronavírus, instalado na Beneficência Portuguesa). Eu mesmo consegui a transferência de um paciente assintomático do Hospital Ferreira Machado (HFM), mas que testou positivo, para lá. Para ser sincero, não sei se estamos na segunda onda. Talvez ainda não tenhamos saído da primeira. As próximas semanas dirão. Mas em Campos e no Brasil não parou de morrer gente por Covid. Não foi como na Europa, onde os casos explodiram, caíram com o lockdown e voltaram a subir muito após a flexibilização — comparou Nélio.

Conveniada à rede pública pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mas que também atende pacientes privados, a Santa Casa também registra o crescimento dos casos da pandemia nas duas últimas semanas. Segundo seu diretor-clínico, Cléber Glória, o hospital pensou em desativar leitos de UTI para a Covid, com a queda dos casos em setembro e outubro, mas repensou com o aumento da demanda pela doença:

— Hoje, dos nossos 30 leitos de UTI, 10 são reservados a pacientes com Covid. E nossa taxa de internação oscila na casa dos 90%. Temos também oito leitos clínicos, em um espaço reservado para evitar a contaminação, com a taxa de ocupação atual de 70%. Baseado no que tenho visto no dia-a-dia da Santa Casa, e no que vimos entre junho e agosto, não tenho dúvida agora: a coisa vai piorar — projetou Cléber.

O blog tentou contato com a chefe de Vigilância em Saúde, Andreya Moreira, sem sucesso. Às 20h30 de hoje, a superintendência de Comunicação (Supcom) divulgou a atualização dos números da pandemia em Campos: 9.942 casos confirmados de Covid, com 8.358 recuperados e 454 mortes confirmadas.

 

(Infográfico: Supcom)

 

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