Opiniões

Carta a Zezé Barbosa

Por Diva Abreu Barbosa

Zezé,

Senti uma imensa tristeza quando soube que você nos deixava aqui nesta terra dos homens… Senti como se você fosse um ser muito próximo. E tenho a certeza de que o era.

São laços que se estreitam, sem que a gente nem saiba bem explicar. E que começou quando você me convidou para chefiar àquela época, o departamento municipal de Cultura da Prefeitura de Campos.

Aceitei, impondo um princípio, que você respeitou com uma maestria invejável: a Diva sua funcionária nada teria a ver com a Diva cidadã, nem a diretora da Folha. E assim, apesar da fragilidade estrutural que encontramos ao assumirmos o cargo, obtive em você todo o apoio necessário para, em pouco tempo, revolucionarmos a pacata vida cultural da planície.

Sem o poder dos royalties, arrecadação pequena numa Campos acanhada, fizemos construções gigantes. Lutamos muito pela preservação dos nossos prédios históricos e até ao então presidente Sarney nós fomos em busca de salvar o secular Solar do Colégio. Em todas as nossas ações, o seu entusiasmo nos acelerava.

Mas não cabe aqui contarmos nossas conquistas. Cabe, sim, evidenciar a sua percepção, a sua intuição, a sua autoridade e, acima de tudo, a honra da sua palavra, sendo um grande democrata apesar de supostos ares coronelistas.

E foi a partir daí, Zezé, que nasceu entre nós uma grata sintonia. Forte, apesar da distância que o dia a dia exerce. Nos falávamos vez em quando, nos víamos também assim, mas sabíamos do imenso carinho que tínhamos um pelo outro. Tínhamos a mais valia da amizade.

É, Zezé, como disse Guimarães Rosa você não morreu, você ficou encantado. E gravado para sempre no coração daqueles que, como eu, tiveram o grande prazer de ter trabalhado, algum tempo, sob o seu comando.
Que Deus o abençoe!!!!

P.S.  Você me ligou um dia, talvez um ano atrás, lamentando o descaso com o belo Jardim de Alá, onde você colocou tanto carinho, proporcionando tantos momentos belos o jardim, após a sua reforma, hoje em estado agonizante. Pediu socorro!!

Prometo a você que cumprirei o seu desejo. Vamos fazer o belo jardim resplandecer novamente. E florir como a primavera!!!!

Atenção, Rosinha, está iniciada a nossa campanha. Contamos com você!
(com royalties ou sem eles, claro!)

Médicos de Campos que se negarem a atender pelo SUS serão presos

(Foto de Mariana Ricci)
(Foto de Mariana Ricci)

“Na próxima semana, depois do feriado, vou enviar o GAP (Grupo de Apoio à Promotoria) para conferir o atendimento médico em todos os hospitais conveniados de Campos. Se for constatado que algum médico não está atendendo pelo SUS (Sistema Único de Sáude), só pelo social, ele será preso por corrupção passiva. Se não estiver atendendo nem por um, nem por outro, o médico omisso será preso por prevaricação”. Foi o que garantiu agora há pouco ao blogueiro, por  telefone,  o promotor estadual Marcelo Lessa, que na edição impressa de hoje da Folha, publicou uma nota de esclarecimento em resposta a um manifesto, publicado ontem no jornal, assinado por 32 médicos, ameaçando suspenderem o atendimento pelo SUS, em solidariedade à prisão do colega Hugo Manhães Arêas, por cobrar consulta de pacientes da saúde pública.

O promotor ressaltou que nenhum médico é obrigado a atender pelo SUS, mas entende que aqueles que quiserem se descredenciar da saúde pública, precisam antes cumprir os atendimentos já agendados. Marcelo destacou seu apoio à classe médica na reivindicação de melhor remuneração pelo atendimento público, lembrando o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), celebrado por ele, durante o governo Arnaldo, que vigora até hoje, garantindo uma complementação municipal ao valor pago pelo SUS.

“Sempre estive ao lado dos pleitos dos médicos, categoria pela qual tenho o maior respeito e admiração. Não entendo que ela seja representada pelos 32 que assinaram uma nota mentirosa e em solidaridade a um crime contra a parcela mais carente da população. E eu não vou permitir que ela seja afetada nos seus direitos. Se essa queda de braço, que não desejo, é comigo, que me acionem, muito embora a  correção da prisão efetuada seja endossada pelo simples fato de que, até agora, ela se mantém. Quem achar que pode se solidarizar negando atendimento, vai ser solidário na cadeia ”, garantiu Lessa.

 Abaixo, a nota assinada pelos 32 médicos e a de resposta do promotor…

Um grito de socorro em favor da dignidade na saúde

 

Neste momento em que se discute a imoralidade dos honorários pagos pelo SUS aos médicos e aos hospitais, nos deparamos com uma situação já condenada anteriormente por autoridades, inclusive do Poder Judiciário, que consideram absolutamente desnecessária e exagerada a prisão “com colocação de algemas”, no banqueiro “X”, por ele não configurar pessoa perigosa. No entanto, o “médico” Hugo Manhães Areas foi algemado e ainda não vimos nenhuma autoridade ou instituição se pronunciar publicamente contra o fato. Será que Dr. Hugo é um criminoso mais perigoso que o banqueiro “X”? Será que os valores relativos às denúncias contra Hugo Areas, são maiores que o do banqueiro? Ou será que ele está sendo usado com “Boi Baguá”? Que ao ser derrotado e desmoralizado levaria toda uma categoria a “morrer de medo” e aceitar qualquer esmola do SUS?

Queremos, antes de tudo, deixar bem claro que se um dia tivermos uma gangrena na mão direita, preferimos amputar todo o braço a fazermos um acordo com o “diabo” para aliviá-la. Não estamos defendendo o “crime” caso ele tenha ocorrido, pois este será julgado pela Justiça ao seu tempo. Estamos, sim, completamente estarrecidos com o tratamento dado ao cidadão Hugo Areas que é medico do SUS. Todos os dias se vêem políticos, juízes, promotores, líderes sem terra e bandidos de crimes hediondos serem tratados com mais condescendência. Será que todos os inúmeros pacientes operados e ajudados por Hugo Areas também concordam que ele é esse criminoso ou gostariam de falar publicamente sobre isso?

O nosso maior pesar é ver que as nossas instituições: Sindicato dos Médicos, Sociedade Fluminense de Medicina e Cirurgia e todos as demais que pagamos para que proteja, acima de tudo, a moral médica, ficarem mais uma vez inertes e não se pronunciarem publicamente, nem tomarem condutas como mobilizar seu departamentojurídico em defesa do colega e sócio. Pois pela lei, todos têm o direito de defesa até que tenham sido condenados pela justiça. Ou será que colegas que estão na direção destas instituições já colocaram toga e já condenaram Hugo Areas   sumariamente.

Reiteramos a nossa postura de não estarmos defendendo um “crime”, caso ele tenha corrido, pois caberá a justiça fazer esse julgamento. O que exigimos é que Dr. Hugo Areas tenha direito amplo de defesa, como é facultado a todos, inclusive aos que praticam crimes hediondos, porque Dr. Hugo Areas não é merecedor de tamanha injustiça.

Por último gostaríamos de convocar todos os colegas médicos a não fazer trato com o “diabo” e sim amputar a gangrena.

Vamos todos suspender o atendimento ao SUS até que haja dignidade nesse atendimento, principalmente para os pacientes, bem como para os hospitais e para os médicos.

 

Lista médicos (Abaixo assinado)

Alcides Guimares, Marcos Gonçalves, Jefferson Mansini, Ralph Pessanha, Paulo Romano, Geraldo Ribeiro, Rodrigo Rambaldi, Roberto Carvalho, João Américo, Marcelle Maron, Sérgio Salfk, Antonio Alexandre, Marlon Ribeiro, Carlos Hamilton, Jaime Bello, Euclere Bello, João Jorge Rodrigues, Paulo Cesar Rocha, Sérgio Ronaldo, Marisa Eiko, Rodrigo Venâncio, Rocklane V. Areias, Marcelo Rufino, André Bousquet, Jose de Oliveira, Victor Cortes, Fabrício Cardoso, André Lobo, Jairo Perissé, Victor Perissé, Marcio Rufino e Fábio Porto

 

 

NOTA DE ESCLARECIMENTO

 

Em relação à “nota de repúdio” à prisão do Dr. Hugo Áreas, assinada por 32 médicos, tenho a esclarecer o seguinte: 1º) O médico preso não foi algemado, ao contrário do que mentirosamente se afirmou, já que tal medida não foi necessária. Se fosse, o seria, como qualquer cidadão está sujeito a ser.

2º) A má remuneração do SUS aos procedimentos médicos, causa contra a qual, ao longo desses mais de 10 anos na Tutela Coletiva, sempre briguei ao lado da classe médica, não justifica a exigência de “propina”, eufemicamente chamada de “consulta social”, a pacientes atendidos pelo SUS, que ainda que pouco, já pagou pelo procedimento, do qual a consulta pós-operatória para retirada de “pinos” e de gesso é uma consequência natural, a não ser que se deseje mumificar os pacientes ortopédicos.

3º) Considerando que Campos e Região tem em exercício muito mais do que 32 médicos, não reputo representativa da opinião da Classe a “nota de repúdio” em comento, que não impedirá o Ministério Público de prosseguir exigindo o respeito, também pelos médicos, à dignidade e ao sofrimento dos seus pacientes.

4º) Finalmente, quanto à anunciada paralisação no atendimento aos pacientes do SUS, lembro aos interessados que o médico é responsável criminalmente, por sua simples omissão, por eventual morte ou agravamento de eventual lesão de seus pacientes, na forma do art. 13, § 2º, “a”, do Código Penal, pelo quê podem estar sujeitos a novas prisões em flagrante, até mesmo por crime de homicídio doloso, conforme o caso.

5º) Espero que tal episódio não ocorra, porém não me furtarei às devidas reações caso necessário. O episódio em destaque deveria servir de reflexão e não de manifestações obnubiladas por lamentável e acrítico corporativismo, que nada contribui para a merecida valorização da classe médica, da qual sou declaradamente fã e está muito acima dos maus profissionais que parecem renegar o Juramento de Hipócrates.

Marcelo Lessa Bastos
Promotor de Justiça

 

Atualização às 17h35 de 14/11/11: No dia seguinte, o post foi copiado aqui, sem o crédito ou a atualização de datas devidos.

Octávio Carneiro trabalha para se manter líder na corrida por Quissamã

Líder até nas pesquisas governistas na corrida ao Executivo de Quissamã, o ex-prefeito Octávio Carneiro (PP) teria, segundo outra amostragem, feita em setembro, 45,2% das intenções de voto, seguido da candidata oficial, a vereadora petista Fátima Pacheco, com 24,9%, e do vereador Juninho Selem (PR), apoiado pelo deputado federal Anthony Garotinho, com 17%. Para consolidar essa liderança até a eleição de 2012, ele confirma que pessoas do seu grupo têm mantido contato com o também ex-prefeito e atual secretário de Educação do município Arnaldo Matoso (PMDB), não sem deixar de lembrar que os dois, concorrendo contra Armando Carneiro (PSC) em 2008, tiveram mais votos juntos do que o prefeito reeleito, fato até então inédito à oposição em Quissamã. Buscando contrariar os críticos que apontam sua suposta falta de articulação política, Octávio também disse trabalhar para ampliar sua base partidária, que hoje, além do PP, contaria também com o PSB, PPL e PV. Sobre esta última legenda, disse não se preocupar com a recente aproximação entre Garotinho e o verde Dr. Aluízio, também deputado federal e pré-candidato a prefeito em Macaé. No lugar da possibilidade de levar o PV à pré-candidatura de Juninho, ele prefere apostar nas chances de atrair para junto de si o PR.

Folha da Manhã – Na pesquisa do IBPS (aqui), feita em julho, que definiu a vereadora Fátima Pacheco como pré-candidata governista à Prefeitura, em detrimento do secretário de Educação Arnado Matoso, você ficou à frentede ambos nas consultas espontânea e estimulada, segundo admitiu o próprio prefeito Armando Carneiro. Ainda que ele não tenha divulgado seus números, estimula essa liderança numa pesquisa dos adversários?

Octávio Carneiro – Com certeza é um estímulo saber que venho liderando as pesquisas, mas estamos cientes que há um trabalho sendo realizado para consolidação desses índices. Não vi os resultados da pesquisa realizada pelo governo, porém tivemos acesso à pesquisa realizada no mês de setembro, onde foi confirmada a minha liderança com 45,2%, a candidata Fátima Pacheco (PT) com 24,9% e o Juninho (PR), com 17%. Mesmo com um bom percentual sei que a disputa será muito acirrada, acredito que a tendência é o crescimento do grupo daqui pra frente.

Folha – Armando também não revelou os números da sua rejeição, que no caso dos pré-candidatos do governo, serviram de fiel da balança na opção por Fátima. Sabe qual é hoje sua rejeição? Este índice poderá será o principal critério para definir o vencedor numa eleição que se anuncia tão acirrada?

Octávio – Nessa pesquisa (a de setembro) estou com rejeição de 8,9%, o Juninho com 27,9%, e a candidata do prefeito Armando, a vereadora Fátima, com 38,8%. Acho que será importantíssimo acompanhar esses índices, pois eles demonstram a capacidade do candidato em conquistar novos eleitores. Acreditamos que o fator rejeição seja importante, mas não é o único critério que irá definir a eleição.

Folha – Embora Armando e Fátima se esforcem em demonstrar uma unidade no grupo governista, confirmada publicamente até  por Arnaldo (aqui), se comenta que este saiu contrariado por ser preterido. Acredita que o PMDB de Quissamã vai realmente se empenhar para eleger Fátima prefeita? Já manteve algum contato com Arnaldo após ele ter a candidatura descartada?

Octávio – Até o momento não sei qual o caminho do PMDB. Afirmar qualquer coisa agora seria mera especulação. Arnaldo e eu fomos adversários políticos durante alguns anos, mas hoje temos um bom relacionamento, estou aberto a novas alianças. Pessoas do meu grupo político têm conversado com ele e com outras lideranças do PMDB no município.

Folha – Como a candidatura do vereador Junhinho Selem, apoiado por outros dois edis e por Garotinho, pode interferir na disputa? Ele atrapalha mais a você ou a Fátima?

Octávio – Todos contam com seus aliados políticos, isso é parte natural do processo, mas certamente que sim. Na última eleição isso ficou muito claro, já que pela primeira vez em Quissamã a oposição obteve mais votos do que a situação, perdendo a eleição por estar dividida. Mas como a política é um processo democrático e dinâmico, acredito que a situação hoje é diferente, pois a rejeição ao atual governo é ainda maior.

Folha – Fátima tem o apoio de cinco vereadores, Juninho conta com dois, enquanto você, nenhum. Até que ponto isso dificulta?

Octávio – Evidente que o apoio de vereadores de mandato tem um peso nesse processo, porém hoje contamos com um grupo fortalecido e com o apoio dos ex-vereadores Ana Alice (PSB) e Marcelo Batista (PV), que tiveram uma votação expressiva no último pleito e são políticos de grande expressão na cidade, além de várias lideranças locais que concorreram ao Legislativo. Mas conto mesmo é com o povo, pois é quem decide a eleição.

Folha – E como está a nominata à Câmara? Em 2008, a diferença no número e na força entre os candidatos a vereador que lhe deram apoio e os que ajudaram a eleger Armando não foi uma das causas da sua derrota?

Octávio – Nesta eleição até o momento estamos com o PP, PSB, PV e PPL. Acredito que, na eleição de 2008, a falta de tempo para articulação foi o principal motivo, pois decidi vir candidato só em março daquele ano e com apenas quatro candidatos a vereador. O cenário hoje é totalmente diferente, estou tendo mais tempo para as articulações. Já contamos com mais de 40 pré-candidatos e estamos conversando com outros partidos.

Folha – Seus críticos apontam a capacidade de articulação política como uma deficiência. Sem nenhum vereador eleito a lhe apoiar, isso não confirma essa visão?

Octávio – Não, hoje já somos quatro partidos e acredito que outros virão. Como todos sabem, é muito fácil articular com a máquina do governo na mão, isso acontece aqui co-mo em outros municípios. Das seis eleições que participei, ganhei cinco, portanto acredito que isso faz de mim um bom articulador. Hoje recebemos essa crítica do próprio governo, composto por pessoas que nunca fizeram parte da oposição.

Folha – Até que ponto está certo quem afirma que Armando, seu primo e ex-secretário de Agricultura e de Governo, mas hoje prefeito e opositor, era o principal articulador do seu grupo político, gerando a deficiência na função desde que vocês dois romperam, em 2007, para sair ambos candidatos a prefeito em 2008? Até pelo parentesco, é uma ruptura irreversível?

Octávio – A articulação política sempre contemplou as idéias de um grupo e não exclusivamente as de Armando, pois tudo sempre foi conduzido de forma democrática e com a presença de autoridade, não de autoritarismo, como percebemos hoje. Bem antes de ingressar na vida política, eu já recebia deputados, senadores e governadores em minha casa, para defender os interesses de Quissamã, enquanto ainda era distrito de Macaé. Nesta época, Armando ainda frequentava os bancos escolares. Se observarmos bem o governo de Armando e os últimos acontecimentos da cidade, fica claro a falta de comando e articulação dele. Avalio a ruptura política com ele irreversível sim, pois não conjugamos mais as mesmas idéias.

Folha – Outra que começou na vida pública com você foi a própria Fátima, como secretária de Ação Social. Indagada sobre isso, a vereadora disse aqui: “somos uma cidade que quer olhar o futuro, pois está na hora de falar de projetos, pensando no século 21”. Mesmo quando sutil, como reage à menção à sua idade? E como projeta o futuro do município, sobretudo em relação ao Complexo Logístico de Barra do Furado, programado para entrar em atividade daqui a um ano e meio?

Octávio – Quanto a minha idade, sinto muito orgulho, pois trago uma experiência que só vai contribuir para o crescimento de Quissamã, conforme foi demonstrado em minhas administrações. Todos os projetos em andamento hoje no município foram implantados no meu governo. Tenho disposição de sobra para mais uma vez servir à Quissamã, estive prefeito do município por 11 anos, administrei com e sem royalties, e Quissamã sempre cresceu com destaque na região. O município caminha para um futuro com novas expectativas, com os empreendimentos em Barra do Furado, um sonho antigo que começou no meu governo, e estaremos prontos para trabalhar sob esse novo cenário, visando o desenvolvimento e as oportunidades de geração de emprego e renda para nossa população. Esse será o início de um novo ciclo no nosso município, gerando emprego e renda sem a dependência dos royalties, com muito planejamento. Espero dotar o município de infra- estrutura para acompanhar o grande crescimento que está por vir, bem como capacitar a nossa população para as oportunidades de emprego que serão gerados pela iniciativa privada em todas as fases do projeto. Acreditamos na força das novas idéias e nos empreendimentos que alavanquem o progresso, pois é através deles que geramos as oportunidades para a absorver a mão-de-obra da nossa juventude e ao mesmo tempo possibilitar avanços nas áreas de cultura, educação e lazer.

Folha – Armando, Arnaldo e Fátima foram lançados à vida pública em suas administrações. Incomoda que a maioria dos seus principais opositores sejam ex-aliados?

Octávio – Não, na política enfrentamos esse tipo de situação sempre. Como fui o primeiro prefeito de Quissamã, todos que fazem parte do cenário político local já foram meus adversários ou aliados, já que isso faz parte de um processo democrático. Caminhamos em sintonia com a população e seus anseios e nossa preocupação é mostrar nossas idéias e projetos para o município. Sempre houve respeito com meus adversários e não há porque mudar isso agora.

Folha – No caso da coligação com o PV, preocupa a aproximação recente entre os deputados federais Garotinho e Dr. Aluízio? Sendo o último pré-candidato verde à Prefeitura de Macaé, isso não poderia levar o partido, na vizinha Quissamã, para o colo de Juninho?

Octávio – A coligação já existe, visto que a maioria dos integrantes do PV sempre foram companheiros de luta, inclusive no pleito passado. Hoje o PV é presidido pelo ex-vereador Marcelo Batista, o que traz tranquilidade na negociação até mesmo junto ao deputado Federal Dr. Aluízio, o que nós faz crer que não há possibilidade de racha. O Dr.Aluízio é um grande amigo e estamos sempre juntos. No sentido oposto ao da pergunta, espero até que esta aproximação possa trazer o PR para o diálogo.

Folha –Em 2008, seus votos não foram computados pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), em virtude de uma condenação no Tribunal de Contas do Estado (TCE), por conta de uma subvenção para uma associação de moradores, no ano administrativo de 2003. Como está sua situação jurídica para que o mesmo não se repita em 2012?

Octávio – Acho bom esclarecer essa questão de uma vez por todas. Em primeiro lugar o TCE é um órgão fiscalizador e não faz parte do Judiciário. Esse processo foi arquivado com comprovação de boa fé e sem dano ao erário, não gerando nem mesmo multa. Estou apto a concorrer a qualquer cargo, já que não tenho nenhuma condenação em nenhuma instância do Judiciário.

 

Folha – Em caso de impossibilidade jurídica, poderia lançar a prefeito os ex-vereadores Marcelo Batista ou Ana Alice? Algum deles tem chance de ser seu vice?

Octávio – Não trabalho com essa possibilidade, mas não teria problema nenhum em apoiar um dos dois. Quanto à composição de chapa, claro que sim, os dois sempre estiveram ao meu lado e são pessoas capacitadas e de minha inteira confiança, mas estamos aguardando uma melhor definição do cenário político.

Ézio — O super-herói do meu irmão

Era 24 de agosto de 1994, seis dias antes do meu irmão caçula, Christiano, completar 21 anos. Como ele morava, estudava e trabalhava no Rio, eu estava por lá, mas não poderia ficar até seu aniversário, resolvi acompanhá-lo no Fluminense x Internacional, válido pelo Campeonato Brasileiro. O jogo seria disputado naquele mesmo dia, no estádio das Laranjeiras, cujo charme até então desconhecia pessoalmente.

Após um primeiro tempo sem gols, o placar foi aberto numa cobrança de falta, pelo meia colorado Daniel Frasson, aos 18 minutos da etapa final. A tristeza de Christiano e do resto da torcida tricolor apinhada no estádio não durou muito, pois um minuto depois, o meia Welton driblaria dois dentro da área do Inter, antes de chutar para empatar o placar.

Aos 34 minutos, lançado em contra ataque pela esquerda, o centro avante Ézio corre e, acompanhado pelo marcador, dá um único toque na bola, de canhota, na quina da área, para encobrir o goleiro Sérgio Guedes e, de virada, selar a vitória tricolor. Foi realmente um golaço, mas a cena que mais me impressionou não veio do campo, mas da sua reação imediata nas aquibancadas: Christiano desce seus degraus em desabalada corrida, salta como um felino sobre o alambrado, escala-o até à altura do peito, começa a balançá-lo vigorosamente com as duas mãos, enquanto, com as veias do pescoço saltadas, usa todo seu fôlego para libertar aquele brado do fundo da alma: “Super Ézio! Super Ézio! Super Ézio!”

Quem só conhecesse Christiano a partir dessa narração, teria a impressão de se tratar de indivíduo diametralmente oposto ao que de fato é: um sujeito pragmático, frio, pacato, educado, chato de tão racional — “um prussiano que por acaso nasceu no Brasil”, como costumo dizer. Suas exceções passionais, no entanto, não poderiam ser mais brasileiras, por reveladas quase unicamente em duas paixões confessas: futebol e carnaval.

Alguns anos depois daquele Flu 2 a 1 Inter, não me lembro se ainda nos fins da década de 90, ou no começo da seguinte, o fato é que Christiano já voltara a Campos e trabalhava na Folha, enquanto seu ídolo dos campos já havia se aposentado. Bate o telefone da minha sala e meu irmão diz que está indo até lá, me apresentar uma pessoa. Ele entra, seguido por alguém que levei alguns segundos para reconhecer, um pouco mais gordo e sem a capa de super-herói tricolor.

Ézio trabalhava como representante comercial de algum produto do qual havia identificado o jornal como potencial comprador. Não lembro bem, até porque a conversa que se seguiu, como não poderia deixar de ser, foi só sobre futebol. Recordo, porém, que a pergunta para mim mais instigante, cuja resposta me encheu de orgulho, partiu de Christiano.

Após Ézio revelar que havia jogado ao lado de Zico apenas em peladas de veteranos (o primeiro estreou no Flu em 1991, enquanto o segundo se despediu do Fla em 1989), meu irmão indagou:

— E ele foi mesmo isso tudo?

— Nunca joguei com alguém mais habilidoso, com tanta visão de jogo. Jogar na frente, com Zico lançando, mesmo numa pelada, é até complicado, pois muitas vezes ele mete a bola num lugar onde você não espera, que só vai ver que existia depois que a bola já passou — testemunhou Ézio, enquanto eu encarava Chistiano com aquele olhar de “não te disse?”.

Atacante de razoável habilidade e com faro de gol, Ézio nunca chegou a ser um craque. Foi, no entanto, um dos jogadores que vi mais identificados com a apaixonada torcida do Fluminense, figurando entre os maiores artilheiros da história do clube, sobretudo pelos 12 gols marcados contra o Flamengo, na disputa do clássico que, como sentenciou o tricolor Nelson Rodrigues, “nasceu 40 minutos antes do nada”.

Só hoje, dia seguinte à sua morte, por conta de um câncer no fígado e no pâncreas, lendo aqui o Ponto de Vista saudoso de Christiano, fui saber de outra mostra louvável do caráter de Ézio, endossada pela humildade e simplicidade que pude constatar naquela nossa conversa: ele chegou a assinar vários contratos em branco com o Fluminense, algo impensável no futebol mercantilista de hoje.

Quando um homem de bem se vai precocemente, com apenas 45 anos, diante de uma doença terrível, o lamento é sempre necessário. Para mim, é necessidade reforçada pela lembrança daquilo que, em vida, quando já não jogava, Ézio confirmou sobre Zico, meu maior ídolo no futebol. Sobretudo, lamento a morte de Ézio porque, quando ainda vivia, ainda jogava e, segundo alguns tricolores, até voava, aquele super-herói carregado de humanidade revelou, num Flu x Inter das Laranjeiras, a face mais próxima a mim do meu próprio irmão.

Joe Frazier — “Baixinho” à altura do maior

 

Frazier cruza a canhota e diz a Ali: “Pois Deus hoje caiu de bunda!”
Frazier cruza a canhota e diz a Ali: “Pois Deus hoje caiu de bunda!”

Nova York, Madison Square Garden, noite fria de 8 de março de 1971. Dentro da mais lendária casa de espetáculos e eventos esportivos dos EUA, absolutamente lotada, com direito a Frank Sinatra contratado pela revista Life como fotógrafo do evento, transmitido ao vivo pela tv para 300 milhões de pessoas, o clima era quente. Embora muitos pelejas de boxe, antes e depois, tenham sido igualmente alcunhadas de “luta do século”, aquela foi a primeira e única disputada entre dois campeões invictos de todos os pesos. Não por outro motivo, o combate correu equilibrado até o décimo quinto e último assalto.

Mártir de uma causa nobre, Muhammad Ali contava com generosa torcida nos quatro cantos do mundo, em sua tentativa de reconquistar o título que lhe fora roubado pelo governo do seu país, após ter se recusado a lutar na impopular Guerra do Vietnã (1959/75). Neste hiato, campeão olímpico em Tóquio (1964) e sem ter nada a ver com isso, Joe Frazier se tornou campeão mundial dos pesos pesados em 1970, após derrotar Jimmy Ellis, ex-sparring de Ali — este, por sua vez, ouro na Olimpíada de Roma, em 1960.

Convertido ao islamismo, fé pela qual abandonou o nome cristão de Cassius Marcellus Clay e que representava a ala mais radical na luta pelo direitos civis dos negros nos EUA, além de incurável falastrão, Ali tinha seu nome gritado pela multidão no Garden, enquanto vociferava para Frazier. Round a round, buscava nocautear o psicológico do adversário, antes de fazê-lo com o açoite rápido e preciso dos seus punhos: “Caia, idiota! Caia! Não sabe que Deus quer que eu seja o campeão? Deus quer que você caia!”

Com a guarda sempre baixa, na mesma demonstração de superioridade técnica (e de certa arrogância) que o brasileiro Anderson Silva hoje desfila nos octogons do MMA, Ali deixou espaço para o gancho de canhota, golpe mais letal de Frazier, que o lançou à lona e ao plano dos mortais. Antes de encontrar forças para se levantar e consumar por pontos, em decisão unânime, sua primeira derrota, Ali teve que ouvir (e engolir) a resposta de Frazier: “Pois Deus hoje caiu de bunda!”

Os dois se reencontrariam dentro do ringue mais duas vezes. Na revanche, em 1974, novamente no Madison Square Garden, Ali venceu por pontos e empatou o placar geral. No ano seguinte, o tira teima seria bancado pelo ditador filipino Ferdinando Marcos, no combate conhecido como “Thrilla in Manilla”. Tanto pela definição de uma rivalidade tão acirrada e igual, quanto pelo clima quente e úmido da capital do arquipélago asiático, a luta é até hoje considerada entre as mais violentas da história do boxe. 

No intervalo do último assalto, Eddie Futch, treinador de Frazier, jogou a toalha, já que seu lutador estava com o olho direito completamente fechado, em consequência dos incessantes jabs de esquerda de Ali. Smokin Joe, com era conhecido, queria continuar a lutar. Ali, após o anúncio da sua vitória, confessou completamente exausto e amparado por seus segundos: “Nunca cheguei tão perto da morte!”

Ambos passaram os dias seguintes no hospital. E há quem diga que levaram consequências neurológicas desse último combate pelo resto de suas vidas.

A de Frazier se encerrou hoje, aos 67 anos, na sua Filadélfia natal, em um nocaute rápido e fulminante, como aqueles que gostava de aplicar, imposto por um câncer de fígado descoberto há apenas um mês. Enquanto pôde bater de volta, foram 32 vitórias, 27 por nocaute, com apenas quatro derrotas. Perderia outras duas para o também legendário George Foreman, campeão olímpico (em 1968, no México) e dono do direto de direita mais devastador da história do boxe, com o qual tirou de Frazier (em 1973, na Jamaica) o cinturão dos profissionais que cederia a Ali (em 1974, no Zaire) em outra “luta do século”.

Para muitos fãs leigos conquistados na esteira da militância política e da técnica exuberante de Ali, Frazier fazia jus, enquanto lutador, ao apelido pouco lisonjeiro de “gorila” dado por aquele. Quem entende um pouco de boxe, no entanto, sabe que o estilo elegante e plástico do primeiro, baseado no combate à distância segura dos jabs e diretos, era também necessidade da sua longa estatura e envergadura.

Baixo para um peso pesado, o atarracado Frazier preciava fintar o primeiro golpe dos braços geralmente mais longos do oponente, para então entrar em seu raio de ação com uma sucessão impiedosa de golpes diagonais em cruzados e ganchos. Pelos mesmos motivos, o estilo encontra analogia ao de outros dois gigantescos “baixinhos”, campeões de antes e depois: Rocky Marciano (1923/69) e Mike Tyson.

Sim, Muhammad Ali foi o maior pugilista peso pesado de todos os tempos. E, cara a cara dentro de um ringue, ninguém esteve à sua altura como Joe Frazier.

 

 

Vôo tucano da oposição à situação em Campos

O governo Rosinha (PR) tem pontos a melhorar, mas demonstra vontade de fazê-lo, é sensivelmente melhor em relação aos anteriores e conta com maciço apoio popular, que hoje seria suficiente para assegurar a reeleição da prefeita ainda no primeiro turno. A avaliação é do presidente municipal do PSDB (também da regional da Firjan e do sindicato das usinas de açúcar) Gel Goutinho. Foi baseado nela que seu partido, após costura nacional e estadual, migrou da oposição à situação em Campos, selando a aliança pela campanha de Rosinha para 2012, com contrapartida governista no apoio à nominata tucana à Câmara de Campos, em coligação com o PTB de Edson Batista, além da esperança de apoio do deputado federal Anthony Garotinho (PR) à candidatura do PSDB à presidência, em 2014, provavelmente do senador mineiro Aécio Neves. Na mesa de conversa para se chegar ao acordo, Gel admitiu ter sido convidado para integrar a adminitração municipal, convite que teria declinado por motivo de agenda.

Folha da Manhã – Em entrevista à Folha (aqui) na mesma semana da composição entre PSDB e PR às eleições municipais de 2012, Geraldo Pudim foi indagado sobre a possível contradição no apoio de um partido presidido por você, à frente da Usina Paraíso, ao grupo do deputado Anthony Garotinho, que se elegeu prefeito de Campos pela primeira vez, em 1989, atacando frontalmente o setor sucroalcooleiro. Pudim respondeu que “muita coisa mudou de lá para cá”. Afinal, em que os dois lados mudaram nestes 22 anos?

Gel Coutinho – Um homem sensato tem o dever de mudar de opinião sempre que muda a realidade em seu entorno. Um homem que pensa, pode mudar sua opinião a partir do instante em que muda sua compreensão da realidade que se apresenta. Tenho a convicção que a percepção do deputado Garotinho a respeito do setor sucroalcooleiro é, hoje, bem diferente daquela que tinha quando foi candidato, pela primeira vez, a prefeito de Campos. O tempo gera conhecimento, o conhecimento desfaz falsos estigmas e possibilita uma visão mais apurada de uma realidade. Portanto eu diria que quem mudou, de fato, foi o calendário, que distanciou em duas décadas os momentos trazidos por você na análise.

Folha – Deixando para trás a década de 80 e avançando até a entrevista que fizemos em fevereiro deste ano de 2011, sobre o governo Rosinha, você disse aqui: “não havia e não há qualquer identidade minha com a orientação política do grupo do Garotinho, como também não há nenhuma coincidência quanto ao modelo de administração utilizado pela atual administração e aquele que eu julgo mais adequado”. Não parece ser muita diferença para uma mudança completa em tão pouco tempo?

Gel – Primeiro, é preciso ficar claro que continuo com as mesmas convicções de sempre. Sigo acreditando nas bandeiras do PSDB e obediente à orientação maior do meu partido. O PSDB tem, neste momento, uma leitura do quadro local que recomenda uma politica de aliança e esta aliança foi concretizada tendo como ponto central a reeleição da prefeita Rosinha. Alianças se fazem sem que se perca a identidade das partes, não significa incorporação de um partido por outro, nem mesmo de um ideário por outro. Quanto ao modelo de gestão, acho que existe sim, forma bem mais eficaz de gerenciar o futuro do município. Não podemos, porém, deixar de reconhecer que progressos foram contabilizados neste atual governo e muita coisa que seguia sem direção, hoje tem rumo certo.

Folha – Consta que o acordo começou a ser costurado por Garotinho primeiro na esfera nacional, com o deputado federal Sérgio Guerra (PE), e depois na estadual, com o deputado estadual Luiz Paulo Corrêa da Rocha, respectivamente presidentes nacional e regional do PSDB. Foi isso mesmo? Em caso afirmativo, seria correto entender que esse foi um acordo imposto de cima para baixo?

Gel – É correto dizer que, para se chegar a este acordo, as estruturas hierárquicas do partido foram ouvidas e participaram ativamente, avaliando oportunidades e perspectivas imediatas do PSDB em Campos. A sequência das conversas, de fato, se iniciou na presidência nacional, passou pelo comando estadual, chegando, por fim, ao diretório local. Não houve imposição e sim uma articulação que envolveu toda a cadeia decisória do partido.

Folha – Mesmo que a aliança tenha sido fechada por cima, a você restaria a opção de se desligar do partido, ou deixar sua presidência em Campos, onde o acordo será de fato cumprido. Chegou a cogitar isso? De qualquer maneira, por que decidiu aceitar?

Gel – A única opção que não considerei, em momento algum, foi a de me afastar do encargo que assumi ao aceitar a presidência do diretório regional. Jamais me utilizei da alternativa de resolver qualquer tipo de problema contornando-os. Para o certo ou para o errado, sempre encarei de frente as questões que me são colocadas, por mais difíceis ou polêmicas que possam ser. Preferia ter um nome do PSDB que fosse competitivo para este pleito. Não tendo, concordei com a aliança proposta por entender que esta é a melhor alternativa para a nossa cidade e possibilita a revitalização PSDB em Campos, ajudando o projeto do partido no plano nacional.

Folha – Até pela já exposta inversão de 180º em relação ao grupo de Garotinho, muito já se especulou sobre os termos desse acordo. Politicamente, a composição com Rosinha teria a contrapartida do apoio deles à nominata tucana, suficiente para eleger ao menos um vereador. Ademais, Garotinho se comprometeria a apoiar o candidato tucano à presidência em 2014, provavelmente o senador Aécio Neves (MG), ligado ao Sérgio Guerra. É isso mesmo? Nada além?

Gel  – Desconheço qualquer acordo que possa ser feito que garanta a eleição à vaga de vereador e que independa da performance do candidato. O que define a eleição do candidato é o seu trabalho, é a junção de bons nomes que assegure um bom desempenho da legenda. Na composição que fizemos está contemplado um arranjo extremamente promissor para a nossa nominata, mas, garantia ninguém pode dar.  Evidente que a questão de 2014 foi colocada e, hoje, tudo aponta para o apoio do deputado Garotinho ao candidato do PSDB. São expectativas que se colocam de parte a parte, não tem nenhum contrato obrigando a isso, mesmo porque a boa politica sempre se fará quando houver coincidências de interesses, caso contrário deixa de fazer sentido.

Folha – Por falar em nominata do PSDB à Câmara de Campos, como ela está? Vocês conseguiram filiar em tempo hábil algum puxador de voto? Quem? Você mesmo, que era pré-candidato a prefeito, até fechar com a reeleição de Rosinha, não pensa nessa possibilidade?

Gel – Conversamos muito com o nosso diretório e também com a base de filiados postulantes à vaga em nossa nominata. Ao fim deliberamos por não tentar atrair nenhum candidato com mandato, consagrado ou que tivesse perfil de puxador de votos. Nossa legenda virá composta por bons nomes, vários deles estreantes na disputa eleitoral e todos com chances de chegarem à Câmara. Acredito que o PSDB irá fazer dois vereadores, talvez três. Esta próxima eleição é uma incógnita em termos de cálculo de legenda. Teremos poucas coligações, o que aumenta em muito o número de candidatos e também as sobras de legenda. Só se conhecerá os eleitos depois de conhecidos os boletins das urnas. Uma candidatura minha à Câmara de Vereadores está descartada. Isto é definitivo, é irreversível.

Folha – Há chance da coligação tucana com o PR, além da majoritária, se dar também na proporcional?

Gel – Não. Não há a menor chance. Primeiro porque isto não seria bom nem para o PSDB nem para o PR. Segundo por que fechamos um acordo com o Dr. Edson Batista para que o PSDB coligue com o PTB. As nominatas dos dois partidos são complementares e concorrem em igualdade de condições. O único nome consagrado e que já temos como eleito é o do próprio Dr. Edson, politico sério e que merece todo o nosso respeito. Como a coligação promete fazer três, talvez quatro vereadores, existem duas ou três vagas para disputa interna.

Folha – Em nossa última entrevista, você negou que tivesse sido convidado, na formação do governo, para assumir qualquer cargo na administração Rosinha. E agora, na composição com o PR, também não houve nenhuma sondagem nesse sentido, nem na conversa pessoal entre você, Garotinho e o também deputado Paulo Feijó, que selou a aliança?

Gel – Desta vez, de fato, houve uma consulta e o registro de que eu seria bem recebido dentro da estrutura administrativa municipal. Mas, tive que responder à sondagem de forma negativa. Tenho uma agenda muito congestionada e que me obriga a deslocamentos constantes, não teria como dar a atenção necessária para bem cumprir uma nova missão que me fosse atribuída. Não obstante a isto, sempre estive à disposição deste governo e de todos os outros que passaram para cooperar com o desenvolvimento de nossa cidade nos temas que me julgarem competente, que entendam que eu possa somar.

Folha – Logo após a última cassação de Rosinha, você disse que o acordo com o PR para 2012 só valerá sendo ela a candidata. Caso contrário, novas conversas seriam necessárias. Como o PSDB trabalha com as possibilidades jurídicas sempre abertas, em se tratando da política de Campos?

Gel – Em momento algum consideramos a hipótese de que Rosinha viesse a ser afastada da Prefeitura. Aliás, acho um absurdo esta tendência de judicialização da administração pública, opinião que sustento, não de agora, mas desde sempre. Quem mais sofre com isto é o município, é a população. Quando declarei que o acordo passava necessariamente pela candidatura da prefeita Rosinha, eu apenas externava uma condição que foi premissa para que o acordo acontecesse. A primeira questão que tivemos que responder na elaboração do prognóstico para as eleições do próximo ano é se teríamos candidatura própria competitiva. A resposta foi bem clara e objetiva: não acontecendo nenhum fato novo muito relevante, todas as pesquisas indicam a eleição de Rosinha no primeiro turno. Se, por qualquer motivo pessoal, a Rosinha não desejar concorrer, nós precisaríamos conhecer o nome a substituí-la para fazermos uma avaliação, inclusive do novo equilíbrio de forças que esta novidade iria produzir no quadro politico. Nesta eventualidade, que não é considerada por nós, um novo arranjo seria necessário.

 
Folha – No cenário de hoje, os nomes da oposição para disputar a Prefeitura em 2012 parecem ser Odete Rocha (PCdoB), Makhoul Moussallém (PT), Arnaldo Vianna (PDT), Roberto Henriques (PSD) e Graciete Santana (PCB), além de João Peixoto (PSDC) e Andral Tavares Filho (PV), que podem vir tanto como cabeças, quanto na composição de chapa. Para você, que já esteve na oposição, a união desses votos no primeiro turno, seria capaz de forçar o segundo, mesmo diante do franco-favoritismo de Rosinha?

Gel – São todos nomes que merecem respeito. Não sei se todos teriam legitimidade ou, ainda, se teriam competência para ocupar cargo tão importante e com atribuições tão distintas daquelas que habitualmente desempenham. O certo é que alguns destes nomes merecem e, cada um a seu tempo, terá sua chance de contribuir com o futuro da cidade. Neste próximo pleito, por tudo o que indicam as mais diversas pesquisas, é difícil imaginar que mesmo a soma das forças que você cita seja suficiente para reverter a tendência de vitória da Rosinha já no primeiro turno.

Folha – Em relação ao esvaziamento da Frente Democrática de Oposição, sobretudo após o recente abandono do PMDB, você sempre se mostrou crítico ao caráter de ações que julgava mais denuncistas que propositivas. Independente da posição do PSDB em 2012, falta discurso à oposição de Campos? 

Gel – Não diria que falta discurso, mas é fato óbvio que falta estrutura e articulação. Bom que se diga que esta carência não é exclusividade de Campos, é uma realidade de todo Brasil. Fruto de um sistema político perverso que privilegia o poder constituído e sufoca as organizações oposicionistas. Mais impactante do que o sistema politico é o posicionamento distanciado do cidadão. Todos gostam muito de professar arranjos e receitas que solucionariam a administração pública. Infelizmente estas mesmas pessoas tem preconceito com a prática política ou preferem se manter no conforto da imparcialidade. São cidadãos do bem, mas são ingênuos ao permitir que seus inconscientes sigam acreditando que surgirá um salvador da pátria montado em um cavalo branco para realizar as transformações que eles desejam ver acontecer. Os “Williams Wallaces” da vida ficaram na história remota e as soluções de hoje dependem da reunião e do esforço de cada um dos “corações valentes” que sonham com um mundo melhor. Falando no popular: é preciso chegar pra perto, é preciso por a mão na massa, caso contrário nada se constrói.

Folha – Agora na situação, como avalia a gestão Rosinha? Em seu entender, quais seus pontos administrativos fortes e fracos? Em relação aos últimos, o PSDB estará disposto a apontar sugestões de melhora e correção de rumo, na formação do novo programa e de um eventual novo governo? Quais seriam?

Gel – Por qualquer indicador que você desejar observar, iremos constatar progressos no governo Rosinha. Se compararmos aos dois últimos governos veremos que, em alguns aspectos, houve um salto de qualidade. Haverá quem diga que qualquer governo será sempre melhor quando comparado à uma experiência catastrófica que o antecedeu. Isto é verdade, mas não é justo encerrarmos a análise nesta afirmativa. Vemos hoje um governo que vem acertando em varias iniciativas e naquelas que entendemos necessitar de correções e ajustes, percebemos uma vontade de acertar. Esta é a regra geral, claro que tem pontos onde ainda somos críticos, mas o que importa é saber que estamos buscando um rumo, importante é tratar o futuro da cidade com preocupação e relevância, cuidar da infraestrutura, estarmos atentos aos desafios que se apresentam no nosso caminho, mantermos o foco em busca da construção da melhor cidade possível. Nos alegra e estimula vermos deixado no passado a farra dos shows, as obras de varejo, sem qualidade e sem propósito, contratações em massa sem critério algum. Enfim, identificamos progresso no atual governo e entendemos haver espaço para evoluir. O PSDB tem seu jeito próprio de governar, eu tenho uma experiência acumulada muito diversificada, acredito que podemos sim contribuir para que tenhamos uma gestão mais eficaz e que os resultados possam ser percebidos e apropriados pela população. No que diz respeito à gestão pública municipal a única coisa que me move é o sonho de ver fincada as bases para a construção da melhor cidade que sejamos capazes de erguer.

Folha – A não composição com o PT nas eleições de 2004 e 2006, o papel de Feijó como candidatura de apoio a Rosinha em 2008, a posterior migração dele para o grupo de Garotinho, Robson Colla já integrando o atual governo municipal e ainda presidente local do PSDB, as doações das suas empresas à campanha vitoriosa da prefeita, o não alinhamento crítico com a Frente Democrática, não formam um caminho claro, apesar do discurso contrário, rumo à aliança com o grupo de Garotinho que só agora foi externado?

Gel – Não. Nem sequer existe relação entre a maioria dos eventos que você cita. Posso comentar cada um em profundidade no momento que desejar. Mas, para melhor aproveitar o espaço sem fugir do foco da entrevista, permita-me dizer o seguinte: é fato que temos um governo que precisa melhorar e o PSDB está se disponibilizando a contribuir para esta melhora; é fato também que este governo avançou muito em relação ao padrão que vínhamos experimentando; há uma constatação inequívoca que a aprovação popular é maciça; percebe-se um sinal claro da vontade acertar por parte da prefeita Rosinha. Estes são ingredientes que só agora estão reunidos e que acabam por criar alguma identidade entre aqueles que querem ver o desenvolvimento responsável desta cidade. Volto a dizer, precisa melhorar muito, mas como se melhora uma equipe se todos os que são bons fogem da responsabilidade? Este é o ponto central. O PSDB tem modelo de gestão, tem bons quadros e não se omitirá na missão de bem contribuir com uma gestão que mostra vontade de acertar e que se põe receptiva às sugestões e argumentos de quem queira contribuir.

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