Opiniões

Magal nega tentativa de destituir Nahim e Matoso, enquanto busca vaga no PR

Líder de Rosinha na Câmara, o vereador Jorge Magal (ainda no PMDB) disse ao blog que, por enquanto, os governistas não pretendem entrar com nenhum requerimento para destituir Nelson Nahim (de saída do PR) e Rogério Matoso, respectivamente, da presidência e vice da Casa, após a confusão generalizada da última sexta. Ele também garantiu que nenhum pedido do deputado federal Anthony Garotinho foi feito neste sentido. De qualquer maneira, Magal disse que foram resquisitadas e estão sendo estudadas todas as gravações em vídeo da sessão convocada para a posse de Nahim como prefeito de Campos.

Com base nessas gravações, o líder da situação sustenta que quem quebrou o microfone de Rogério Matoso, já empossado presidente da Câmara, não teria sido ele, mas sim o próprio Nahim:

— Vieira Reis (PRB) pediu a palavra por questão de ordem e Nahim negou. Eu pedi por questão de urgência e ele voltou a negar, antes de passar a palavra a Matoso. Em primeiro lugar, tanto eu, quanto Vieira Reis, tínhamos direito de falar. Em segundo, como este direito poderia ter sido negado por Nahim, se naquele momento ele não era mais o presidente da Casa, cargo que já tinha sido passado a Matoso? Por fim, revoltado com essa arbitrariedade, eu realmente segurei e virei o microfone de Rogério, já que se nós não podíamos falar, porque eles poderiam? Mas foi nesta hora que Nahim puxou o microfone para o alto, quebrando-o. As imagens são bem claras, basta ver — garantiu.

Quanto às assinaturas dos vereadores Altamir Bárbara (PSB), Abdu Neme (PSB), Dante Lucas (de saída do PDT) e Jorginho Pé no Chão (PTdoB), que não estariam no documento que gerou o pedido de questão de ordem feito por Vieira Reis, para tentar barrar a posse ne Nahim, e que só teriam sido feitas só após a liminar do TRE ter autorizado Rosinha voltar ao cargo por 30 dias, Magal disse não poder afirmar se foram antes ou depois, mas confessa que os quatro colegas foram os últimos a endossar por escrito o compromisso exigido por Garotinho.

Sobre seu destino partidário, que tem até sexta-feira para ser definido, com vistas às eleições de 2012, Magal revelou que na tarde de hoje, o diretório regional do PMDB negou seu pedido de desfiliação do partido pelo qual se elegeu vereador, mas hoje é oposição aos Garotinho. Antes, o diretório municipal, atualmente sob comando do ex-vereador Nildo Cardoso, também não o teria atendido. Ele teve aunciada em abril a expulsão do partido do governador Sérgio Cabral e busca se desfiliar na Justiça desde 9 de setembro. Para tentar a reeleição, apesar da nominata forte, seu destino seria mesmo o PR.

Advogados de Arnaldo ainda estudam “conveniência” de recorrer ao TRE

O blogueiro voltou a falar agora há pouco, por telefone, com João Batista Oliveira, advogado do ex-prefeito e ex-deputado Arnaldo Vianna (PDT), na ação que já gerou, por duas vezes, o afastamento de Rosinha Garotinho (PR) da Prefeitura de Campos. Diferente do que tinha revelado aqui ao blog, na última sexta, ele não ingressou hoje com o agravo regimental contra a decisão liminar monocrática do desembargador Cláudio Schwaitzer, que permitiu Rosinha permanecer prefeita por 30 dias.

Hoje, o advogado mineiro disse ainda estar estudando se é “conveniente” ou não entrar com o agravo. Ele ressalvou que apenas hoje teve acesso à liminar concedida a Rosinha, sem que a defesa de Arnaldo ainda tivesse sido ainda citada, a partir do que teria prazo de três dias para recorrer. Se realmente decidir fazê-lo junto ao TRE, isso seria ainda esta semana.

De qualquer maneira, João Batista informou que desde a última sexta, quando saiu a liminar do TRE, ele entrou com embargos declaratórios junto à 100ª ZE de Campos, visando esclarecer algumas dúvidas quanto à decisão da juíza Grácia Cristina Moreira do Rosário, que dois dias antes cassou Rosinha em primeira instância.

Versão de Thiago Ferrugem sobre tumulto na Câmara

Em entrevista dada aqui ao blogueiro e reproduzida na edição impressa da Folha de ontem, o vereador Nelson Nahim acusou o presidente estadual da Juventude do PR, Thiago Ferrugem, de ter liderado uma claque na galeria que teria ajudado a iniciar o tumulto generalizado na Câmara de Campos, na última sexta. Aqui, em seu próprio blog, Ferrugem deu sua versão dos fatos.

Nahim confirma saída do PR, mas para qual partido e candidatura?

Como o jornalista Alexandre Bastos revelou aqui, o presidente da Câmara de Campos, Nelson Nahim, oficializou hoje aquilo que já havia adiantado aqui, desde a coletiva de sexta-feira, após a confusão generalizada na Câmara, e reafirmado no sábado, em entrevista aqui, concedida ao blog: sua desfiliação do PR de Garotinho.

Como a única novidade em relação a isso, seria um recuo de Nahim, possibilidade cada vez mais remota, as perguntas a serem agora feitas sobre o futuro político do presidente da Câmara de Campos (e prefeito de prontidão em caso de nova cassação de Rosinha) são:

1) Qual será a nova legenda do irmão de Garotinho?

2) Ele concorrerá novamente como vereador ou tentará a eleição majoritária?

Em relação à indagação inicial, difícil por ora saber, muito embora o vereador esteja hoje mantendo uma conversa fundamental para a definição do seu destino, decisão que tem até esta semana para ser tomada, pelo menos tendo em vista o pleito de 2012.

Quanto a saber qual eleição Nahim disputará, se novamente a vereador, ou na majoritária, se dependesse apenas da sua vontade, a segunda opção seria uma certeza. E ela tende a ganhar contornos cada vez mais sólidos, caso o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) decida afastar novamente Rosinha da Prefeitura — definição que tem até o próximo dia 27 para ser dada.

TRE define o destino de Campos em 6, 13, 20 ou 27 de outubro

O prazo de 30 dias para Rosinha na Prefeitura começou mesmo a contar no dia da decisão monocrática liminar do desembargador federal Cláudio Schwaitzer, na última sexta-feira, não a partir da nova posse, hoje, da prefeita.

De qualquer maneira, não faz diferença, pois como as votações em plenário do TRE ocorrem sempre às quintas-feiras, a conclusão do relatório do desembargador (que não pode ou deve ser confundida com sua liminar) e sua votação pelo colegiado do Tribunal tem apenas quatro datas possíveis no calendário: 6, 13, 20 ou 27 de outubro.

Versos do domingo — Gregório de Matos (II)

Reconhecidamente nosso maior poeta barroco e, na irrelevante opinião deste blogueiro, o maior talento já produzido pela poesia brasileira, Gregório de Matos Guerra (1636/95) mais uma vez aparece (aqui) para cadenciar o ritmo neste espaço em que a prosa, em respeito ao dia mais nobre de domingo, cede vez aos versos.

Para endossar a importância, a incrível atualidade e a surpreendente ousadia verbal do autor também conhecido em vida como “Boca do Inferno”, após ler abaixo um dos seus poemas mais conhecidos, tente você, leitor, sobretudo se campista, acatar a sugestão do título para definir também esta nossa cidade, assim como o poeta fez com a sua há 400 anos. E, neste raciocínio, aproveite e me responda: de quantos “ff” se compõe mesmo C-A-M-P-O-S-D-O-S-G-O-I-T-A-C-A-Z-E-S???…

 

 Define sua cidade

De dois ff se compõe

esta cidade a meu ver:

um furtar, outro foder.

Recopilou-se o direito,

e quem o recopilou

com dous ff o explicou

por estar feito, e bem feito:

por bem digesto, e colheito

só com dous ff o expõe,

e assim quem os olhos põe

no trato, que aqui se encerra,

há de dizer que esta terra

de dous ff se compõe.

Se de dous ff composta

está a nossa Bahia,

errada a ortografia,

a grande dano está posta:

eu quero fazer aposta

e quero um tostão perder,

que isso a há de perverter,

se o furtar e o foder bem

não são os ff que tem

esta cidade ao meu ver.

Provo a conjetura já,

prontamente como um brinco:

Bahia tem letras cinco

que são B-A-H-I-A:

logo ninguém me dirá

que dous ff chega a ter,

pois nenhum contém sequer,

salvo se em boa verdade

são os ff da cidade

um furtar, outro foder.

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