Opiniões

Mais R$ 200 milhões

Ontem, em visita à Folha, a vereadora Odissséia Carvalho e o deputado estadual Rodrigo Neves, na lente de Antonio Cruz (Folha da Manhã)
Ontem, em visita à Folha, a vereadora Odissséia Carvalho e o deputado estadual Rodrigo Neves, na lente de Antonio Cruz (Folha da Manhã)

Mais R$ 200 milhões. Este é o valor que será solicitado ao governo federal para mais duas etapas de obras na rede de canais de Campos, única válvula de escape das águas, caso caiam sobre o município as chuvas que o devastaram no último verão. Quem adiantou o valor e a intenção foi o líder do PT na Alerj, deputado Rodrigo Neves, que ontem cumpriu agenda na cidade, em companhia da vereadora Odisséia Carvalho. O primeiro fará o encaminhamento do pedido via Assembléia, cabendo à segunda aglutinar e também enviar ao governo federal os pleitos das entidades locais, relativos às necessidades de reforma dos canais. Caso sejam atendidos, a nova verba seria locada a partir de um segundo pacote do PAC, ainda a ser anunciado pelo presidente Lula, com início previsto para 2010, ano em que será escolhido seu sucessor.

No entanto, nem mesmo os R$ 98 milhões já aprovados à reforma os canais, no PAC ora em andamento, farão alguma diferença se as chuvas vierem no verão que se avizinha. Segundo informou ao blog e à Folha o líder do PT na Alerj, essas primeiras obras do PAC só devem começar entre fevereiro e março de 2010. Isto, se as chuvas não provocarem novos estragos, adiando ainda mais o inicío da solução para uma demanda que urge desde o verão passado.

Rodrigo Neves lembrou que o Inea possuiu R$ 18 milhões para obras emergenciais, que muitas entidades locais  julgam atrasadas e tecnicamente ineficazes. O deputado ressaltou ainda que o governo municipal de Rosinha também precisa fazer a sua parte, o que a vereadora Odisséia denunciou não estar acontecendo.

Violência no Engenhão

Acabei de assistir, agora, pela ESPN-Brasil, as cenas de violência entre as torcidas do Flamengo e Botafogo, Polícia Militar e Guarda Civil Municipal carioca, no lado de fora do Engenhão, no clássico de hoje. Gostaria, pois, de reescrever o que afirmei agora há pouco (aqui), acerca da torcida apenas do Bota. Se a questão da violência das torcidas, presente em todas elas, do Rio, de São Paulo e do Brasil, não for enfrentada seriamente e em conjunto pelas autoridades públicas e esportivas, todos terão pouco coisa para comemorar.

E o motivo do pesar pode ser bem maior do que a perda de um jogo, um título, uma vaga na Libertadores ou a permanência na Primeira Divisão.

Correção às 6h43 de 26/10/09: O leitor Zeca, que foi ao Flamengo 1 x 0 Botafogo, corrigiu minha apreensão equivocada do noticiário da TV, ressaltando que a confusão no Engenhão com a PM foi restrita à torcida rubro-negra. Peço desculpas a ele e aos demais botafoguenses, que já têm motivos reais suficientes para tristeza, prescindindo dos inventados. Muito embora volte a ressaltar que o problema da violência nas torcidas independa das cores dos clubes. Ontem foi o Flamengo, amanhã será uma outra, depois de amanhã, a continuar como está, numa Olimpíada.

E o Botafogo?

Bem, com menos interrogações na busca de resposta, o time do Botafogo de hoje, assim como o dos último três anos, pode ser resumido na atuação do seu camisa 10, o superestimado Lúcio Flávio: se jogando na área para tentar cavar um pênalti, em vez de insistir na jogada, e, na hora de decidir, despediçando a cobrança de outro, igualmente inexistente — muito embora, em jogada anterior, Toró tenha metido a mão na bola dentro da área, em penalidade não assinalada.

Caia ou não, se time e boa parte da torcida não mudarem a mentalidade, terão poucas coisas a comemorar na próxima temporada…

Qual Flamengo???

Acabou de acabar o jogo Flamengo 1 x 0 Botafogo, gol de Adriano, aos 31  minutos do 1º tempo. Excetuadas a manutenção de uma humilhante escrita em favor do time da Gávea, que se estende já por três decisões consecutivas do Campeonato Estadual, e a constatação óbvia da ampla superioridade atual, técnica e tática, sobre a equipe da estrela solitária, a pergunta que fica é: qual será o Flamengo que disputará as sete rodadas restantes do Campeonato Brasileiro?

Se for o time insinuante do primeiro tempo, o Fla tem chances, sobretudo com a volta de Williams à meia-direita, no lugar de Fierro, que ontem perdeu dois gols incríveis. Mas se for aquele time que se acovardou, recuando acintosamente para garantir uma vitória magra de 1 a 0, conquistada em jogada individual, diante de um adversário visivelmente inferior, que briga para não cair outra vez à Segundona, é melhor se contentar com uma vaguinha no G-4.

Como, apesar dos pesares, a diferença encolheu na ponta da tabela — Palmeiras com 54 pontos, Atlético MG  com 53, Inter e São Paulo com 52, e o Fla com 51 — e não há time nenhum convencendo, vejamos o que a noite da próxima quarta-feira, dia 28, a partir das 21h50, reserva ao Rubro-negro, contra o modesto Barueri. E dessa vez sem Petkovic, cumprindo suspensão pelo terceiro cartão amarelo levado hoje, quando foi novamente o melhor em campo, ao lado do jovem zagueiro Fabrício.

UFC 104 — Mashida é humano

Big boss do UFC, Dana White entre Lyoto Mashida e Maurício Shogum, na pesagem para a luta
Big boss do UFC, Dana White entre Lyoto Mashida e Maurício Shogum, na pesagem para a luta

Sei que estou devendo uma nota prévia à 104ª edição do Ultimate Fighting Championship (UFC), disputado na madrugada de hoje, no Staples Center, em Los Angeles, sobretudo pelo combate entre os brasileiros Lyoto Machida e Maurício Shogum, na disputa do cinturão dos meio-pesados no maior evento de MMA (Mixed Martial Arts), em poder do primeiro. Todavia, se tivesse cumprido minha obrigação de blogueiro antes da luta, diria não ter muita dúvida de que Mashida venceria.

Embora considerasse Shogum um lutador de exceção, com um boxe muay thay do mais alto nível e um jiu-jítsu eficiente, a forma revolucionária de lutar de Mashida, resgatando o caratê do limbo das artes-marciais, e seu devastador nocaute sobre o ex-campeão Rashad Evans, não apontavam para nenhum prognóstico diferente. Ademais, por ser Shogum um lutador agressivo, isso o faria, em tese, um adversário perfeito para um mestre do contragolpe como Lyoto.

Bem, não posso dizer que meu prognóstico não foi cumprido. Após cinco rounds — no MMA, as lutas por título têm cinco assaltos, com três para as que não valem cinturão, durando cada um cinco minutos, dois a mais do que os rounds do boxe —, o campeão manteve não só sua invencibilidade, como o título pela unanimidade dos três juízes e pela mesma pontuação: 48 a 47. Quem assistir friamente à luta, poderá constatar que, mesmo por margem apertada, foi isso mesmo: Mashida venceu os três primeiros por 10 a 9 e Shogum os dois últimos, por diferença igualmente mínima.

Todavia, como foi uma das lutas mais técnicas e estratégicas da história do MMA, a interpretação tática também é permitida. Ao refrear seu ímpeto ofensivo, para não oferecer a Mashida o contragolpe, Shogum trabalhou uma das principais armas do muay thay: o chute baixo, circular, na perna do adversário — cujos danos são contundentes, mas sentidos geralmente a médio prazo. Minado pela repetição dos golpes, Lyoto começou a acusar os efeitos justamente a partir do 4º assalto, chegando a passar por dificuldades para se sustentar com as próprias pernas no último round. Agora, certamente, não deve estar nem conseguindo andar.

Além de provar estar completamente recuperado das duas operações que fez no joelho, Shogum conseguiu três coisas extremamente importantes:

1) O direito a uma revanche, cobrada após a luta pelo locutor oficial, pelo público — com direito a Demi Moore de tiete — e aceita pelo próprio Mashida;

2) Com a manifestação favorável do público após a luta, mesmo público que gritava o nome de Mashida antes do combate, Shogum aparentemente começou a pavimentar nos EUA a mesma empatia popular que conquistou no Japão, quando era a estrela mais brilhante do Pride — evento japonês de MMA, que chegou a rivalizar e mesmo ultrapassar o UFC;

3) Além de contundentes joelhadas no tronco — outro recurso típico do muay thay — e alguns socos que castigaram o rosto de Mashida, no último assalto, quando este já havia perdido sua mobilidade, foram os golpes que caçaram esta a primeira demonstração de como o campeão pode ser enfrentado e, quem sabe, derrotado: os chutes baixos, rodados, na perna. Lutador com menor percentual de golpes sofridos na história do UFC, a grande inovação de Lyoto é a base aberta do caratê, que deixa sua cabeça distante do alcance do adversário. Mas para isso, expõe a perna da frente — que ele troca, eventualmente, com a excelência técnica de todo ambidestro —, brecha encontrada pelo curitibano Shogum para mostrar que o filho de japonês, nascido em Salvador e criado em Belém do Pará, quem diria, é humano.

Além do chute baixo, a joelhada no tronco foi outro recurso do muay thay utilizado por Shogum para minar a mobilidade de Mashida
Além do chute baixo, a joelhada no tronco foi outro recurso do muay thay utilizado por Shogum para minar a mobilidade de Mashida

Flagrante de vandalismo

Num tempo em que os noticiários policias evidenciam cada vez mais a participação de jovens de classe média no crime, uma leitora enviou o flagrante de vandalismo na rua Alvarenga Pinto, paralela à av. Pelinca. No último dia 17, três jovens aparentemente de classe média, são flagrados destruindo dois porteiros eletrônicos nos fundos de uma clínica médica.

Pelo horário, às 5h45 da manhã, é fácil saber o que eles tinham na cabeça…

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