Opiniões

Necessidade de luta no sábado vira cumprimento constrangido na 2ª

Lembrou um leitor atento, e é verdade. Mais que a vitória avassaladora do professor Eduardo Peixoto, a derrota humilhante do grupo que encabeça o antigo projeto de outro professor como candidato do PT a prefeito de Campos, já havia sido anunciada pelo próprio, um dia antes, ainda que mal camuflada em “necessidade de luta”.

Bem, como lutar contra a realidade da própria inexpressão é tarefa inglória, melhor mesmo essa meia dúzia de gatos pingados ficar nos cumprimentos constrangidos ao Eduardo pela sua bela vitória. Agora, só poderiam tê-lo feito desde o domingo, embora entenda-se que a ressaca só tenha passado no dia seguinte… (rs)

Água suja de sangue

Em São João da Barra, assim como em São Francisco e ao contrário de Campos, a Prefeitura preserva a vida dos banhistas e cria empregos durante o verão (foto de Paulo Sérgio Pinheiro)
Em São João da Barra, assim como em São Francisco e ao contrário de Campos, a Prefeitura preserva a vida dos banhistas e cria empregos durante o verão (foto de Paulo Sérgio Pinheiro)

Mesmo com o orçamento bilionário administrado por Rosinha (PMDB) em Campos, a comunidade de Lagoa de Cima usa o espaço democrático da Folha para solicitar guarda-vidas no sábado, para, no domingo, ter que retirar dois corpos sem vida das águas da lagoa, vítimas de afogamento. A saber: Rogério Silveira de Sá, de 43 anos, e Caio Vitor Santos, de apenas 3.

A partir de recursos  bem mais modestos, a São João da Barra de Carla Machado (PMDB) emprega 136 guarda-vidas municipais durante a estação do sol. Com ainda menos dinheiro, a São Francisco de Itabapoana de Beto Azevedo (PMDB) contrata 80 guarda-vidas para atuar em suas praias no verão.

Além de guardar as vidas dos banhistas, essa contratação temporária oferece emprego para muitos jovens, geralmente estudantes do ensino médio e origem humilde, que complementam a renda de suas famílias com o dinheiro pago por prefeituras conscientes de que os Bombeiros não são capazes de dar conta da grande demanda do verão. Em justo em Campos, onde a busca de praias e lagoas é potencializada pela passagem de ônibus a R$ 1,00, a administração lava as mãos nessa água suja de sangue.

Sobre o Monitor

Antropóloga, professora, poeta, amiga e companheira de blog no “Cantos” (aqui), Fernanda Huguenin me deu o toque. E concordo com a sua concordância. De tudo que foi dito sobre a suspensão ou encerramento das atividades do centenário jornal Monitor Campista, uma das coisa mais lúcidas que li, foi escrita pelo repórter-fotográfico e estudante de Psicologia, Ricardo Avelino, em seu blog “Sujeito” (aqui), hospedado na Folha.

Não por outro motivo, segue abaixo a transcrição…

Monitor

 Por ricardo, em 17-11-2009 – 9h43

 “Meu sonho é trabalhar no Monitor”

“Jornalista do Monitor é um verdadeiro funcionário público”

“Lá é tudo tranquilo, você faz a sua e não tem aquela pessoa em cima de você cobrando”

“O Monitor não bate em ninguém”

“Compro o Monitor porque é diário oficial do município”

“ O Monitor não arruma problema com ninguém”

“ O Monitor evita polêmica”

 Nós, do meio jornalístico de Campos, não conseguiríamos afirmar que estas falas não existiram nos bate-papos dos profissionais entre uma matéria e outra.

Talvez o Monitor esteja saindo de cena por ter buscado uma zona de conforto sem se prevenir com relação ao futuro. Acredito que o fato de ter sido o diário oficial do município lhe deu uma sensação de proteção, o impedindo de desenvolver estratégias para enfrentar a guerra pela sobrevivência.

Quem acompanhou o jornalismo de Campos, pelo menos no final da década de 70 e início de 80, sabe que a opção de ficar em “cima do muro” nem sempre foi praticada no Monitor. Será que isto foi o que levou o jornal a esta situação que se encontra hoje. 

Sem voto, projeto velho beija a lona de novo

Não foi só a pretensão do Flamengo de conquistar o Hexa que levou um banho de água fria com os resultados de ontem. Depois de contabilizados os votos do PT local, que deram ao professor Eduardo Peixoto uma vitória tão esmagadora quanto o nocaute de Rogério Minotouro no UFC, quem também beijou a lona (de novo!!!… rs) foi o velho projeto de fazer um outro professor candidato petista a prefeito de Campos.

UFC 106 — recuperação de Griffin e cartão de visitas de Minotouro

Na raça e na trocação, Griffin se impôs sobre Ortiz (site do UFC)
Na raça e na trocação, Griffin se impôs sobre Ortiz (site do UFC)

Depois que o campeão peso-pesado do Ultimate Fighting Chapionship (UFC), o brutamontes estadunidense  Brock Lesnar, se contundiu durante os treinamentos para a disputa de título marcada contra o também gigante e compatriota Shane Carwin, a luta principal do UFC 106, realiado na madrugada de sábado, em Las Vegas, acabou sendo a revanche entre os também estadunidenses Tito Ortiz e Forrest Griffin, ambos ex-campeões na categoria meio-pesado. Numa luta dura, como foi a primeira, três anos atrás, a decisão por pontos foi unânime a favor de Griffin, após três assaltos de cinco minutos.

O resultado foi merecido, pois apenas no primeiro round, o wrestler Ortiz conseguiu equilibrar as ações. No segundo, quando conseguiu derrubar o adversário e executar sobre ele a especialidade do seu repertório, o ground and pound (socos e cotoveladas contra o rosto de quem está por baixo), o estadunidense de ascendência mexicana foi surpreendido pela grande virtude de Griffin: a raça. Mesmo com o rosto sangrando bastante, em virtude das coteveladas recebidas, ele usou uma raspada de jiu-jítsu (inversão de posição, para sair debaixo do adversário) para não só escapar da situação adversa, como ainda vencer o assalto na trocação (luta em pé).

No último round, demonstrando o cansaço natural após um ano e meio de inatividade, Ortiz foi presa fácil para as combinações de socos e chutes de Griffin, um lutador sem especialidade, produto desta nova fase do Mixed Martial Artas (MMA, ou artes marciais mistas). Após a divulgação do resultado, ao ser vaiado pelo público por ter alegado que lutara contundido, Ortiz foi defendido pelo próprio adversário, que tomou o microfone para dizer que as contusões não só fazem parte do treinamento, como afetam, sim, o desempenho nas lutas.

Além dos pontos dos juízes pelo desempenho como lutador, Griffin ganhou pontos com o público pelo caráter de homem. Por um motivo e o outro também, foi uma merecida recuperação depois do humilhante nocaute que sofreu na luta principal do UFC 101, imposto pelo peso-médio brasileiro Anderson “Spider” Silva, considerado o maior lutador de MMA de todos os tempos, ao lado do pesado russo Fedor Emilianenko.

Todavia, a grande atuação do UFC 106 coube ao meio-pesado brasileiro Rogério “Minotouro” Nogueira, irmão gêmeo do lendário peso-pesado Rodrigo “Minotauro”, que espera o vencedor da luta entre Brock  Lesnar e Shane Carwin, para ter sua chance de disputar o título na categoria máxima do UFC. Faixa preta de jiu-jítsu, Minotouro é também pugilista de nível olímpico, tendo conquistado, para o Brasil, a medalha de bronze nos Jogos Pan-Americanos do Rio, em 2007.

Famoso por suas participações no Pride — extinto torneio de MMA japonês —, Rogério lutou pela primeira vez no UFC. E seu cartão de visita não poderia ter sido melhor. Após conectar alguns cruzados de esquerda, ele tratorou ninguém menos que Luiz “Banha” Cane, também brasileiro, também canhoto, também faixa-preta de jiu-jítsu e lutador de muay thay conhecido pela pegada devastadora.

Com um nocaute inquestionável, ainda nos minutos iniciais do primeiro assalto, Minotouro, como o irmão, se credencia aos primeiros lugares da fila na disputa pelo cinturão da sua categoria. No caso dos meio-pesados, ele terá que esperar a revanche entre o campeão Lyoto Mashida e o desafiante Maurício Shogum, também brasileiros.

O canhoto Rogério Minotouro conectando sua esquerda em contragolpe à esquerda do também canhoto Luiz Banha, que seria nocauteado pelo golpe (site do UFC)
O canhoto Rogério Minotouro conectando sua esquerda em contragolpe à esquerda do também canhoto Luiz Banha, que seria nocauteado pelo golpe (site do UFC)

Fla não quis ser campeão

Não há desculpas. Na hora de decidir seu destino, em que dependia só dele para chegar ao Hexa, o Flamengo não quis ser campeão. Mesmo com a postura defensiva, o uso e abuso da falta como recurso de jogo e a cera por parte do Goiás, o Rubro-negro tinha obrigação de encontrar o caminho da vitória, diante da sua imensa torcida, dentro do Maracanã. Desta vez, Adriano e Petkovic não decidiram.

Embora esteja só com um ponto de vantagem, o São Paulo terá dois jogos bem mais fáceis pela frente: contra o mesmo Goiás, no Serra Dourada, e depois contra o já eliminado Sport, dentro do Morumbi. Difícil acreditar que pegando primeiro o forte Corínthians, no Brinco de Ouro, em Campinas; e depois o sempre aguerrido Grêmio, novamente no Maracanã, o time de Andrade vá tirar a diferença, sobretudo depois do banho de água fria de hoje.

Se lado bom existe na frustração, é constatar que, ano passado, o Goiás tirou do Fla a vaga na Libertadores, conquista praticamente já assegurada nesta campanha, independente do título nacional.

Esperança carioca no Brasileirão, faltou ao time da Gávea a capacidade de recuperação que o Botafogo demonstrou hoje e que o Fluminense tem apresentado em todos os seus últimos jogos.

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