Campos dos Goytacazes,  29/06/2017

 

por Aluysio Abreu Barbosa

Gustavo Alejandro Oviedo — O futuro chegou

 

(Foto: Filipe Lemos – Campos 24H)

 

 

“Eu não disse?” Talvez esta seja uma das frases mais odiosas que possam existir. O sujeito se espatifa no chão, se da mal, se lasca, se ferra, etc. Ai vem outro e lhe espeta: “Eu não disse?”. Dá vontade de mandá-lo para algum lugar.

Portanto, desculpem de antemão. Mas, infelizmente, nos não dissemos?

O desembargador Marcelo Pereira da Silva do TRF do Rio de Janeiro derrubou a liminar que mantinha a obrigação do Municipio de Campos de pagar o empréstimo contraído pelos Garotinho em até o limite de 10% das receitas provindas dos royalties e participações especiais. Por enquanto, existe a obrigação de devolver o dinheiro tal e como foi contratado.

É bom recordar que o ex secretario de Rosinha Garotinho conseguiu, graças ao seu amigo Crivella, que o Senado flexibilize a regra de concessão de empréstimos em troca das receitas futuras. Antes da Resolução 002/2015, o prazo para a devolução do dinheiro não podia ultrapassar o mandato da gestão do administrador que pedia emprestado. Após sua aprovação, essa limitação temporal foi relaxada – agora, outros governos podem continuar pagando. Porém, há na norma uma limitação que estabelece que o máximo que pode ser pago é 10% do que entrar nos cofres da prefeitura, por ano.

Essa limitação de devolução do empréstimo com apenas 10% dos royalties recebidos foi muito explorada por Garotinho, dando a entender que o pagamento ia ser quase insignificante. No seu programa de rádio ‘Entrevista Coletiva’ do dia 17 de outubro de 2015, Garotinho explicou (mal) que esse 10% ia significar um sobrecusto de ‘menos de 1% ao mês’, confundindo o teto com a taxa de juros.

Curiosamente, após ter tranquilizado a população indicando que a quantia a restituir seria um décimo do que for recebido de royalties, o co-prefeito  combinou com a Caixa Econômica Federal em devolver muito mais do que isso. Em fevereiro deste ano, a CEF ficou com quase 50% do que o município deveria receber, apesar da resolução do Senado. Isso é o que hoje está sendo discutido na justiça.

Só para lembrar: Garotinho pegou emprestado 562 milhões, e comprometeu os futuros gestores (e a população campista) a devolver 1,34 bilhão, até 2026.

Na edição da Folha da Manhã do dia 17 de outubro de 2015, referindo-me as absurdas desculpas dadas por Garotinho para justificar a operação de crédito, escrevi:

“Tudo o exposto não pode menos do que inquietar qualquer campista com um mínimo de preocupação em relação ao futuro do município. Ainda mais quando o governo municipal se nega a explicar com transparência uma operação financeira que será suportada em mais de 90% pelas próximas administrações- pensando bem, talvez a falta de esclarecimento se deva precisamente a isso.”

A Folha da Manhã batizou as operações financeiras que os Garotinho fizeram desde 2015 como ‘A Venda do Futuro’, o que provocou, à época, o protesto de vereadores, de funcionários da prefeitura e até de jornalistas de outras mídias, que se apresavam a esclarecer que o termo era um subjetivismo do jornal. A foto que encabeça este texto mostra alguns legisladores zoando com a frase.

Caso não se consiga reconhecer as pessoas da fotografia, são eles: Dona Penha , Cecília Ribeiro Gomes, Fábio Ribeiro, Ozéias, Thiago Virgílio, Albertinho,  Neném, Miguelito, Paulo Hirano, Abdu Neme, Mauro Silva, e Edson Batista. Não estão na foto Álvaro César, Auxiliadora Freitas e Altamir Bárbara. Todos eles autorizaram a ‘Venda do Futuro’.

 

Prefeitura vai denunciar governo Rosinha pela destinação da “venda do futuro”

 

Charge do José Renato publicada hoje (28) na Folha

 

 

Ainda esta semana a procuradoria geral de Campos vai denunciar a gestão anterior do município, de Rosinha Garotinho (PR), pela não destinação dos recursos da antecipação dos royalties com a Caixa Econômica Federal (CEF) naquilo previsto pela resolução nº 43 do Senado e na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). De acordo com o procurador José Paes, um levantamento da secretaria de Transparência e Controle constatou que os recursos teriam sido aplicados pelos Garotinho em despesas de custeio e obras que estavam paradas:

— A resolução do Senado e a LRF determinam que o dinheiro dessas operações teriam que ser aplicados no PreviCampos e em investimentos novos. Não em custeio ou em obras que estavam paradas por falta de previsão orçamentária ou prévio empenho. E, quanto ao PreviCampos, todos sabem que o governo anterior, no lugar de colocar, tirou dinheiro da previdência do servidor.

José Paes também disse que se darão em duas frentes a reação jurídica da Prefeitura de Campos contra a decisão do desembargador Marcelo Pereira da Silva, do Tribunal Federal do Estado do Rio de Janeiro (TRF-RJ), que na última segunda (26) derrubou a liminar anterior, da Justiça Federal do Rio, que garantia ao município pagar à Caixa apenas os 10% dos royalties previstos na resolução do Senado. Os recursos serão feitos tanto no TRF-RJ, quanto no Superior Tribunal de Justiça (STJ) em Brasília:

—  Estamos fechando o levantamento das secretarias de Controle e Ciência e Tecnologia (que engola a antiga pasta do Petróleo) para mostrar ao desembargador, ao TRF e ao STJ que essa decisão inviabiliza financeiramente o município. E estou esperançoso de que tenhamos êxito — disse o procurador do município.

A assessoria de Rosinha se manifestou sobre a ameaça da administração dela ser denunciada pelo governo Rafael Diniz (PPS):

— A ex-prefeita Rosinha Garotinho afirma que agiu estritamente dentro da lei. Diz ainda que já passou da hora de o atual prefeito parar de arrumar desculpas e começar finalmente a governar a cidade de Campos.

 

Atualização às 20h26 para correção

 

Atualização às 20h34 para incluir a resposta de Rosinha 

 

Leia a matéria completa na edição de amanhã (29) da Folha

 

Caos à vista: Caixa liberada para cobrar “venda do futuro” nos termos de Rosinha

 

Em 12 de abril de 2016, Garotinho, Rosinha e a presidente da Caixa de Dilma, Miriam Belchior, quando venderam o futuro de Campos (Foto: Rodrigo Silveira – Folha da Manhã)

 

 

Desde ontem à noite, caiu a liminar da Jutiça Federal que impedia Campos de pagar a “venda do futuro” nos termos do contrato celebrado entre o governo Rosinha Garotinho (PR) e a Caixa Econômica Federal (CEF), no apagar das luzes do governo petista de Dilma Rousseff (relembre aqui). A decisão suspensiva ao agravo que a CEF interpôs foi dada pelo desembargador Marcelo Pereira da Silva, do Truibunal Federal do Estado do Rio (TRF-RJ).

Na prática, não há mais nada que impeça a Caixa de cobrar bem mais do que os 10% dos royalties do petróleo recebidos por Campos, além da integralidade das suas Participações Especiais (PEs).  Desde fevereiro  deste ano, o governo Rafael Diniz (PPS) se recusou a pagar além dos 10% dos royalties fixados na lei que autorizou a “venda do futuro”, aprovada pelo então senador Marcelo Crivella (PRB), num acordo com o ex-governador Anthony Garotinho (PR). Mas a recusa só teve respaldo jurídico em abril, com a liminar favorável a Campos concedida pelo juiz Julio Abranches, titular da 14ª Vara Federal do Rio de Janeiro. Com a decisão de ontem do TRF-RJ, isso deixa de existir.

O procurador geral do município José Paes Neto informou ao blog que irá tentar restabelecer no TRF-RJ a liminar. Caso não seja exitoso, as perspectivas financeiras do município, que já não eram boas, se tornarão alarmantes.

 

Confira a reportagem completa na edição de amanhã (28) da Folha da Manhã

 

Pausa do blogueiro de hoje à segunda

 

 

 

Por motivos de ordem pessoal, o titular do blog irá fazer fazer uma pausa nas atualizações próprias, de hoje à próxima segunda (26). Até lá, você, leitor deste “Opiniões”, fica na companhia dos colaboradores do blog. Inté!!!…

 

Manuela Cordeiro — Moradas

 

 

 

Tinha aberto a porta da sacada da frente da casa da avó e se debruçado. Lembrava quando era criança de sentar no mármore frio do parapeito, junto com a sensação de liberdade que vinha ao somente mudar a perspectiva do olhar. E ver, do alto, a rosa vermelha do jardim que tanto admirava.

Contemplava pela porta de vidro da frente da casa o cenário da vida pacata da roça. O cavalo que gostava de chamar de seu, o pequeno aglomerado de árvores. Sentia-se extremamente feliz com o cheiro da terra molhada e os limites serem traçados só com arame farpado. Ao fundo, o pé de ingá e o balanço de criança sempre afagavam suas tardes.

Ao receber as chaves da quitinete, saberia que muitas outras portas serão abertas. Mesmo sem divisão nenhuma no espaço, conseguia organizar os seus sonhos entre a mesa de estudos, o lugar de dormir e a geladeira emprestada. O cheiro da tinta barata recém aplicada não se comparava ao alto preço da novidade de morar sozinha.

Gostava mesmo do burburinho. Abria a porta de entrada do prédio antigo, estilo português para adentrar um pouco a vida dos outros, o aroma do alho fritando para o almoço. Depois dos três lances de escada, ficava um pouco atordoada com a divisão esquisita dos espaços do apartamento, mas adorava a possibilidade de ter um cantinho na metrópole.

O apartamento não era tão grande, mas talvez a maior viagem de sua vida tenha mudado tudo de perspectiva. Tratou de juntar as malas no quarto que seria seu, com mobília nova, estrear a roupa de cama e apagou. Ao acordar, olhou ainda sonolenta para o pátio e se surpreendeu com a neve. Parecia um quadro emoldurado pela janela hermeticamente fechada por conta do frio. Branco e sereno.

A casa estalava de nova. Em seus planos de vida, fazia parte aquele momento de começar absolutamente do zero e imprimir sua personalidade a um espaço. Se orgulhava de cuidar imaculadamente da mesa de vidro, dos moveis com os tons corretos. Era como se vangloriava de encaminhar a sua vida. Até que os copos começaram a quebrar.

Nos sonhos, as casas tinham grandes corredores com inúmeros armários. Cada pequeno compartimento poderia revelar um segredo, uma pequena lembrança. As casas também geralmente eram perto de água e tinham vários andares. Um empilhar de coisas, fluxos e memórias.

Eram casas muito engraçadas. Tinham teto, tinham coisas, abrigavam sonhos e choros. Ao longo do tempo, percebeu que deveriam ser cuidadas com grande esmero, para que pudesse sentir amparada. Em cada espaço, podia limpar o espelho aos poucos, deixando cada vez mais nítida sua própria imagem. E se perguntava, olhando nos seus olhos: “Quantas casas para ensinar ser o seu coração sua verdadeira morada”.

 

Chequinho: certeza de condenação em WhatsApp atribuído a Garotinho

 

Charge do José Renato publicada hoje (21) na Folha

 

 

 

 

“Serei condenado”

Em grupo de WhatsApp entre dos áulicos do ex-governador Anthony Garotinho (PR), uma mensagem a ele atribuída circulou ontem. Nela, o autor se colocou como quem terá que vir a Campos na próxima terça, dia 27, prestar depoimento como réu do julgamento criminal da Chequinho. Não se pode dizer se foi o próprio Garotinho quem escreveu ou não a mensagem, mas o mi-mi-mi parece familiar: “Serei condenado. Minha culpa, acusado de ajudar a colocar comida na mesa dos mais pobres, desde 1999, quando foi criado o Cheque Cidadão”.

 

O fato

Definido como “prefeito de fato” pela Justiça Eleitoral de Campos durante o governo Rosinha Garotinho (PR), seu marido é também apontado como chefe do “escandaloso esquema” da troca de Cheque Cidadão por voto, na eleição municipal de 2016. Seja dele ou não, a mensagem de WhatsApp de ontem só esqueceu de dizer que a acusação não criminaliza o Cheque Cidadão, apenas o fato do benefício ter passado dos 11,5 mil atendidos, até junho do ano passado, para 30,5 mil em setembro — quase triplicou nos três meses anteriores à eleição. E a denúncia foi feita à Polícia Federal (PF) pelas assistentes sociais da própria Prefeitura.

 

Profeta desastrado

Não há como saber se a mensagem de WhatsApp é ou não de Garotinho. Tampouco se a decisão do juiz Ralph Manhães, da 100ª Zona Eleitoral (ZE), será pela condenação do réu. Mesmo porque, embora possa sair na terça, a sentença poderia ser dada outro dia. De qualquer maneira, caso e a previsão fosse mesmo do ex-governador, a julgar pelas últimas, ele estaria mais uma vez errado.

 

Erros e aposta

Garotinho errou quando apostou em ser governador em 2014 e não chegou nem ao segundo turno. Errou quando apostou em Dr. Chicão (PR) e, na reta final, numa aliança por baixo dos panos com Caio Vianna (PDT), na eleição a prefeito de Campos, vencida em turno único por Rafael Diniz (PPS). Errou ao publicamente profetizar a anulação daquele peito e uma nova eleição em maio. Mas seus liderados ainda acreditam que ele acerta quando aposta em reverter qualquer decisão desfavorável da Chequinho no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). E, apesar de tantos erros, a análise fria dos fatos mostra que, neste particular, podem ter razão.

 

Boi voador

Ainda na tal mensagem de WhatsApp atribuída a Garotinho, há um trecho em que se afirma na primeira pessoa: “Em um país onde tudo é possível ao ricos (…) eu mereço ser condenado”. Como a maior esperança no TSE é o bom trânsito que nele goza o advogado Fernando Augusto Fernandes, que cobrou a bagatela de R$ 5 milhões para defender o delator da Lava Jato e ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, é mesmo possível se imaginar que “tudo é possível aos ricos”. Para um TSE que já inocentou a chapa Dilma Rousseff (PT)/Michel Temer (PMDB), na frase celebrizada pelo deputado federal Paulo Feijó (PR): “Só falta boi voar”.

 

Arraiá Solidário

Um dos setores da Uenf que está sendo fortemente afetado pela falta de repasse do governo estadual é o Hospital Veterinário (HV). Para arrecadar produtos de limpeza para a unidade, a comunidade acadêmica tem se mobilizado nos preparativos do II Arraiá do HV. O evento, mobilizado através das redes sociais, acontece nesta sexta-feira (23), a partir das 19h, no estacionamento do hospital. A entrada é apenas a doação de um produto de limpeza, de rodos e vassouras até detergente, sabão em pó e pano de chão.

 

Mobilização

A população atafonense foi às ruas e tem demonstrado garra para conseguir mobilizar todo o município e também pessoas de cidades vizinhas. Além de se reunirem em movimentos como o “SOS Atafona” e “Atafona resiste”, um abaixo-assinado foi lançado em apoio à contenção do mar de Atafona e Barra do Açu. Em quatro dias de coleta de assinaturas mais de duas mil pessoas se manifestaram a favor da causa. O objetivo é enviar o documento para os governos federal e estadual, e autoridades responsáveis pela costa brasileira, em caráter de extrema urgência, para uma visita in loco e obras emergenciais de contenção marítima. Oxalá o objetivo seja alcançado o mais rápido possível, antes de novas destruições.

 

Com a colaboração do jornalista Mário Sérgio

 

Publicado hoje (21) na Folha da Manhã

 

Ricardo André Vasconcelos — Temer e a lei da sobrevivência

 

Principal aliado de Temer no PSDB, Aécio foi afastado do mandato por causa da deleção do mesmo Joesley Batista que delatou o presidente

 

 

Os tucanos, que nasceram de uma costela do PMDB ou, sendo mais justo, de uma depuração do PMDB de José Sarney e assemelhados, têm hoje em suas mãos o destino do governo, mas com papel diferente do que tiveram quando governaram o país de 1995 a 2002. Agora não são protagonistas, mas fiadores de uma administração que caminha numa corda bamba. Apesar de ter seu principal líder (Aécio Neves) pilhado com a boca na botija e na constrangedora condição de “senador afastado do mandato por decisão judicial”, o PSDB ainda empresta alguma credibilidade ao que resta do governo Temer, ao lado, é claro do ministro da Fazenda Henrique Meirelles, preposto que é do “grande capital” dentro do governo. Aliás, o foi também nos oito anos da administração petista como presidente do Banco Central.

São o PSDB e a economia aparentemente sob controle, as frágeis vigas de sustentação de Temer na Presidência da República. Os deputados do baixo clero que lhe garantem os votos necessários para barrar a iminente denúncia da Procuradoria-Geral da República não são suficientes para aprovar as reformas que os patrões de Meirelles exigem. Sendo assim, o descarte de um presidente que se tornou, além de incômodo, incapaz de produzir os frutos que os patrocinadores esperam, é destino líquido e certo.

Revendo antecedentes de crises políticas anteriores, é possível constatar, na atual, a ausência do segmento da sociedade que as protagonizou, como causa ou solução (ou ambas) — os militares —, e a presença de outro — o Poder Judiciário. Tanto em 1945, no golpe que derrubou Getúlio Vargas depois de 15 anos no poder; em 1954, com o suicídio do caudilho gaúcho que quatro anos antes voltara ao poder pelo voto direto, quanto em 1964, as Formas Armadas desempenharam papel fundamental, seja para o bem ou para o mal, dependendo do gosto de quem analisa. Já neste 2017, quase três décadas de vigência da mais democrática de nossas oito constituições, é o Poder Judiciário que tem, pela vulnerabilidade evidente dos outros dois poderes, a oportunidade de exercer o papel literal de juiz para arbitrar um caminho.

Há duas semanas, no entanto, o TSE, se apequenou e deu sobrevida ao governo moribundo ao absolver a chapa Dilma-Temer. No Supremo Tribunal Federal a iminente denúncia da PGR contra Temer somente vira ação penal (e o imediato afastamento do presidente por 180 dias) com a concordância de 342 deputados federais, ou seja, basta que 172 não concordem para a denúncia ser arquivada. Portanto, a solução para a crise há de ser encontrada dentro do regime democrático e no âmbito da mais natural das leis, a da sobrevivência. A pouco mais de um ano das eleições de 2018, deputados e senadores em busca da reeleição e do abrigo do foro privilegiado, hão de achar um caminho nem que sejam apenas compelidos pelo instinto da sobrevivência. A começar pelos tucanos, que são a opção natural na próxima disputa presidencial e precisam, por isso mesmo, se descolar da figura de Temer, a quem se atribui a cada dia mais atos de corrupção.

Em 1961, é bom que se lembre, foi o Parlamento quem resolveu a crise aberta com a renúncia de Jânio. O vice, João Goulart, estava na China e os militares não admitiam sua posse como presidente da República e o Congresso Nacional em 48 horas aprovou mudança na forma de governo e adotou o Parlamentarismo. Durou pouco, mas adiou o golpe militar por alguns meses. O atual Congresso, com grande parte de seus membros de quase todos os partidos investigados nas mesmas falcatruas que envolvem o atual e todos os ex-presidentes da República vivos, tem legitimidade para pouca coisa ou quase nada.

E não é só: além do problema Temer e outras centenas de picaretas envolvidos em corrupção, o país ainda não decidiu como quer financiar a democracia. A doação de pessoas jurídicas foi proibida e as regras das eleições de 2018 precisam estar aprovadas um ano antes, ou seja, até o próximo 07 de outubro. Mas aí é outro assunto…

 

Das hiprocrisias que se criam em Campos, a burguesinha do lanche sem Toddynho

 

 

 

Há algum tempo, o amigo Geraldo Machado, comunista histórico, conceituado advogado e ex-presidente da OAB/Campos, definiu um seu colega de lida, mas reputação duvidosa: “É um analfabeto de pai, mãe e parteira. Só em Campos uma figura dessas se cria”.

Com o passar dos anos, sobretudo a partir da democracia irrefreável das redes sociais, fui constatando serem muitos os exemplos, alguns hereditários, que julgam ter “se criado” nesta planície de hipocrisias cortada pelo rio Paraíba.

O que dizer da típica menina mimada de classe média campista, cujo hobby é posar de defensora dos “frascos e comprimidos”, como diria Didi Mocó, enquanto seu genitor se destacava em alguns governos municipais recentes como um dos mais perniciosos e amorais parasitas do poder?

Certo dia, numa conversa pessoal, perguntei à moça como levava para dentro de casa sua retórica questionadora das ruas. Ao que, num rasgo raro de sinceridade, talvez amolecida pelas cervejas anteriores, ela respondeu: “Uma vez perguntei e ele me disse: Filhinha, não pergunte como papai faz para pagar o seu Toddynho”.

Na dúvida se existe exemplificação mais clara do conceito marxista de pequeno burguês, a certeza ecoa ao canto de Seu Jorge: “Burguesinha, burguesinha, burguesinha, burguesinha, burguesinha/ Só no filé”.

Quem não tem filé, nem Toddynho, que se contente com a distribuição de lanche e café no Centro de Campos, em ato político partidário travestido de caridade. Tudo a mando de quem, além de quebrar a cidade e ser o empregador do papai, municipalizou o Restaurante Popular sem deixar para ele nenhuma previsão orçamentária.

E, no cocho mal disfarçado em prato raso, a distribuição de lanche — sem Toddynho — só durou um dia…

Nem é preciso perguntar como essa gente dorme. Afinal, ausência de noção de ridículo pode ter propriedades mais poderosas que o Rivotril achocolatado do chefe.

Como por exemplo definir a dondoca capaz de ligar para colunista social e questionar que o convidado de honra não foi proibido pela Justiça de ir ao casamento da filha do seu áulico, mas d’ELA? Megalomania pura e simples? Viuvez judicial de luz própria?

Na paráfrase politicamente correta do conhecido dito popular: filhx de sapo, girino é.

 

 

 

Ocinei Trindade — Receita para geleias e felicidades

 

Geleias de cascas de frutas

 

 

 

Sou contra desperdiçar qualquer coisa, desde o tempo até a água e a comida. Por outro lado, consumir em excesso tudo que nos oferecem também sou contra. Nem sempre pratico o que penso e concordo, é fato. Sei que não dispomos de todo o tempo, água e comida, mas quando os temos em abundância, aparentemente, fica aquela impressão de que estas coisas nunca se esgotam. Nem o tempo, nem a água, nem a comida que, para mim, são três sinônimos de felicidade. Às vezes, a gente joga a felicidade no lixo e nem se dá conta de tamanho desperdício.

Acabei de chegar de uma viagem ao Sul do Brasil que durou uma semana. Foi o suficiente para sair da rotina pesada, ficar contente, e também para voltar à realidade que quase sempre queremos escapar, mas que insiste em se mostrar com toda a verdade que lhe convém.  Não se pode fugir de todos e de tudo por muito tempo. Principalmente, de nós mesmos.  Mesmo quando se viaja até os confins do mundo, levamos o nosso próprio corpo, nossa própria mente e visão para a diversão e para o choque de realidade que cedo ou tarde nos estapeia com uma certa fúria e pressa.

Assim que voltei à casa, fui logo em direção à vassoura, sacos plásticos, lixeira, balde, rodo, mangueira. A sujeira dos cães espalhada pelo quintal dava a certeza de como a inspiração de Rita Lee está correta em transformar pelo menos estrume em arte e melodia: tudo vira bosta. As paisagens lindas do Paraná e do Rio de Janeiro precisam esperar em algum canto da memória para darem lugar à faxina necessária no lugar onde habito e vivo quase a metade do tempo diário. Partidas e chegadas têm dessas coisas. Que dirão aqueles que nunca viajam?

A casa vazia e silenciosa tem lá suas vantagens para prestarmos mais atenção em certas coisas, além de nós mesmos. Na fruteira da cozinha, recolhi banana, tangerina, limão e laranja que não foram consumidos e que acabaram se estragando. Pena. Algumas tangerinas e maçãs poderiam ser aproveitadas se cortassem as partes deterioradas. Cortei. Na geladeira, carambolas e cajás estavam na mesma situação. Ia jogar tudo fora, mas bateu aquela dor de consciência do desperdício e da fome mundial. Alimento é coisa sagrada e cara, cada vez mais em tempos de crises e incertezas.

Tive a ideia de fazer geleias e sucos com o que podia aproveitar. O suco é fácil, mas geleia nunca tinha feito. Viva a Internet e suas receitas! Panela, frutas batidas no liquidificador, açúcar, suco de limão, fogo baixo, retirando espumas por quase trinta minutos, vidros esterilizados, e de repente, virei doceiro na emergência. Que seja doce!  Mas a geleia de tangerina com maçã ficou amarga. Descobri tarde que não se pode cozinhar a parte branca da tangerina em nenhuma hipótese, pois ficará com gosto de xarope expectorante. Enfim, é assim a vida. Mesmo com receita nem sempre dá certo. No entanto, se a gente não tentar ou não experimentar, felicidade e geleia dificilmente se tornarão reais.

Transformar o tempo, a água, a comida e as frutas maduras demais em geleia exige uma certa boa vontade. Entretanto, ser feliz exige também algum tipo de esforço e dedicação. Constato que a era dos culinaristas de televisão também me afetou. A gente pode nem ter toda a felicidade do mundo o tempo todo, mas pelo menos parte dela passa e passeia pela cozinha ou por algum alimento. Felicidade é também para se comer. Já a receita, …

 

Delírio sob encomenda de Garotinho é tratado com a seriedade que merece

 

Charge do José Renato publicada hoje (20) na Folha da Manhã

 

 

 

 

 

Delírio sob encomenda

Ontem, em seu blog, hospedado na Folha Online, o jornalista Esdras Pereira registrou (aqui) mais um fruto do desespero que tomou conta do ex-governador Anthony Garotinho (PR), desde que foi fragorosamente derrotado em todas as sete Zonas Eleitorais de Campos, na última eleição municipal de Campos. Segundo Esdras, o novo delírio do político da Lapa, embora reflita sua ausência de responsabilidade ou escrúpulos morais, além de “uma obra de ficção muito mal construída, está sendo creditada a advogado e jornalista ligados ao grupo que foi ejetado do poder em Campos”.

 

Triste fim!

De fato, o cheiro ruim lembra a ação de dois profissionais conhecidos e reconhecidos em suas áreas pela venalidade do caráter. Como ambos foram responsáveis pelo final melancólico do governo Alexandre Mocaiber — considerado o pior da história de Campos, ao lado da segunda administração municipal Rosinha Garotinho (PR) —, o papel que a patética dupla hoje parece desempenhar junto ao marido da ex-prefeita evidencia a vertiginosa decadência de quem, um dia, chegou a ter 15 milhões de votos à Presidência da República.

 

Crime

Na democracia irrefreável das redes sociais, a jornalista da Folha Suzy Monteiro fez (aqui) uma pertinente observação sobre a ficção de péssima qualidade que Garotinho se prestou a reproduzir, dizendo se tratar de uma gravação, que teria destruído para preservar a “fonte”: “A qualquer jornalista é garantido o sigilo da fonte. O que não significa dizer destruição de ‘provas’. Destruir ‘provas’ é crime. Assim como calúnia, injúria e difamação. Isso aqui ou em qualquer lugar do mundo”.

 

Assombração

Em comentário à postagem de Suzy no Facebook, o jornalista Alexandre Bastos, chefe de gabinete do governo Rafael Diniz (PPS), observou (aqui): “Já que o mundo real não lhe oferece boas perspectivas, o chefe de quadrilha resolveu apelar para a ficção. Após errar todas as previsões (nova eleição em maio, prefeito afastado, secretários pedindo demissão), ele agora inventa (…) Só Freud explica a falta de limite deste senhor…”. Em outro comentário, o Waldemar Soares, presidente da Cooperativa de Caminhoneiros, foi sucinto para tratar (aqui) a questão com a seriedade que ela merece: “Insanidade aguda. Em breve começa a ver assombração. Aguarde”.

 

Desacreditado

A situação da Uenf tem se agravado a cada dia. Ontem, o reitor Luis Passoni, convocou uma coletiva de imprensa para falar sobre sua insatisfação com o descumprimento da promessa do governador Pezão que se comprometeu a regularizar os pagamentos futuros dos servidores e alunos bolsistas das universidades estaduais a partir do 14º dia útil de cada mês, a contar de maio, caso o plano de recuperação fiscal fosse aprovado. Isso chegou a acontecer, mas até agora os servidores só receberam R$ 700 na semana passada e R$ 300 ontem. Agora, o reitor tenta uma nova reunião com o governador, mas até isso acontecer e a situação se regularizar, muitos servidores já estão encarnando o apóstolo São Tomé e sua máxima do “só acredito vendo”.

 

Ajuda

Não é apenas a Uenf que passa por momentos críticos, outros servidores estaduais também tem passado por dificuldades, principalmente os inativos. Pensando nisso, um evento foi realizado no último domingo, no Jardim do Liceu, para arrecadas alimentos não perecíveis. O Domingo Solidário foi um sucesso e, segundo o Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação (Sepe), 66 cestas básicas foram montadas e serão entregues amanhã, na sede do Sindicato. Quem ainda deseja fazer sua doação, o Sepe ainda recebe doações de arroz, óleo e açúcar para completar algumas cestas. O Sepe fica no edifício Ninho das Águias, sala 513, no Centro de Campos.

 

Representação

No encontro realizado na manhã desta segunda-feira, 19, com a ministra Cármen Lúcia, presidente do STF, no Tribunal de Justiça do Rio, o deputado Bruno Dauaire (PR) foi escolhido para representar a Alerj. Advogado, Bruno, com base no Norte Fluminense, é um dos parlamentares que mais atua em questões jurídicas, com embasamento técnico que respalda uma série de proposições e discussões na Casa.

 

Com a colaboração dos jornalistas Mário Sérgio e Suzy Monteiro

 

Publicado hoje (20) na Folha da Manhã