Campos dos Goytacazes,  19/08/2017

 

por Aluysio Abreu Barbosa

Rosinha acionou Justiça para pagar empresa com sócio fantasma

 

(Foto: Guilherme Pinto – Agência O Globo)

 

 

Por Marcos Grillo

 

A Prefeitura de Campos dos Goytacazes, então comandada por Rosinha Garotinho (PR), acionou a Justiça com a intenção de pagar R$ 3,2 milhões a uma empresa, mesmo sabendo que o dono era um “fantasma”. A ação, proposta sem que houvesse uma cobrança formal da suposta dívida, foi apresentada em 2014. Um ano antes, o município havia rompido o contrato com a GAP Comércio e Serviços Especiais alegando, entre outros fatores, a divulgação de irregularidades “relacionadas à composição societária”, de acordo com o Diário Oficial.

Preso no último dia 8 na Operação Caça Fantasma, do Ministério Público do Estado do Rio (MP-RJ), o empresário Fernando Trabach havia criado um personagem fictício — George Augusto Pereira —, com números falsos de identidade e CPF, e o tornou sócio de várias empresas. Em 2009, a GAP, iniciais do “fantasma”, venceu uma licitação para alugar ambulâncias à prefeitura de Campos. De acordo com o MP, a companhia recebeu R$ 17,3 milhões durante a gestão Rosinha. A existência do “fantasma”, revelada pela Revista “Época” em 2013, levou ao rompimento do contrato entre o município e a empresa.

A Caça Fantasma já estava em andamento quando Trabach trocou o nome da GAP para Super Plena Locadora de Veículos e colocou a mãe como sócia — “laranja”, segundo o MP, o que seria mais uma tentativa de ocultar supostas irregularidades.

No ano seguinte ao cancelamento do contrato das ambulâncias, a Procuradoria-Geral de Campos foi à Justiça. Na ação, o município menciona “diversas suspeitas de irregularidades” em torno da empresa e cita “infrações contratuais”, como o não recolhimento do FGTS de motoristas das ambulâncias. Em seguida, no entanto, a procuradoria afirma que há um débito de R$ 3.236.955,80 referente ao período entre novembro de 2013 e abril de 2014. A justificativa, segundo a ação, é que, mesmo após o cancelamento, a prefeitura continuou usando as ambulâncias e os serviços dos motoristas, até que uma nova licitação fosse feita.

“Não existe qualquer óbice para que o autor (município) reconheça e promova o pagamento de débitos existentes com a ré, razão por que impetra com a presente medida judicial objetivando extinguir com as obrigações ainda existentes”, escreveu o então procurador-geral do município.

 

Leia aqui a matéria completa em O Globo

 

Uenf e a crise: resignação com o caos instalado não será jamais solução

 

(Arte de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Por Marcos A. Pedlowski (*)

 

Tendo chegado à Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) há quase duas décadas não posso deixar de notar que vivemos uma crise que não tem nada a ver com tantas outras que já se abateram sobre essa jovem instituição no passado. O lamentável que às vésperas de completar 24 anos de uma existência marcada por mais sucessos do que fracassos, a Uenf já demonstrou sua centralidade para qualquer projeto sério voltado para alavancar o processo de desenvolvimento regional do Norte e Noroeste Fluminense, como, aliás, era o desejo do seu idealizador, Darcy Ribeiro.

Mas entender a crise da Uenf vai além de notar a falta do aporte dos recursos minimamente necessários para que a universidade possa se manter aberta, seja para pagar salários e bolsas, ou para honrar compromissos básicos com concessionárias de serviços públicos e empresas prestadoras de serviços terceirizados. Penso que na raiz dos problemas que vivemos há um ataque direto ao próprio papel da Uenf enquanto um lócus de geração de formação de recursos humanos, e que foi firmemente ancorada num modelo institucional revolucionário que une umbilicalmente as atividades de ensino, pesquisa e extensão.  Um aspecto pouco conhecido, mas que torna a Uenf especialmente singular, é o fato de ela ser uma das poucas universidades do mundo em que foi rompido o modelo departamental que segrega áreas de conhecimento. Na Uenf, a célula básica de funcionamento é o laboratório de pesquisa, cujo caráter é essencialmente multidisciplinar.

Tal singularidade é que permitiu a Uenf se tornar um centro de disseminação de conhecimento científico, e que logrou contribuir em descobertas científicas de ponta, como foi o caso da pesquisa sobre até os recentemente desconhecidos corais de recife na foz do rio Amazonas. Graças a esta pesquisa liderada por um grupo de pesquisadores da Uenf, a ciência brasileira teve um daqueles momentos luminares de reconhecimento dentro da comunidade científica mundial.

Agora, uma armadilha que podemos cair quando se fala da crise da Uenf é isolar o problema dos contextos estadual e nacional. A verdade é que vivemos neste momento no Brasil um período de completa reação contra o conhecimento científico, especialmente o autóctone. Basta ver o recente corte de mais de 50% do orçamento federal para a área científica e tecnológica. De quebra, vimos ainda o rebaixamento dos principais órgãos de fomento da ciência brasileira como o CNPq e a Capes que foram colocados literalmente no porão de um ministério Frankenstein, criado após a chegada de Michel Temer à condição de presidente “de facto” do Brasil. Nesse contexto de esvaziamento da área científica e tecnológica no plano federal é que se inscreve a crise do aporte de verbas não apenas para a Uenf, mas também as suas co-irmãs Uerj e Uezo, bem como para as escolas da Fatec. De uma forma bem perversa, o Rio de Janeiro tem se mostrado ser a vanguarda do atraso, já que aqui esse esvaziamento começou antes.

E é preciso sempre lembrar que, enquanto inexistem verbas para as universidades e escolas técnicas estaduais, bilhões de reais estão sendo tragados por pagamentos de uma dívida pública da qual não se tem a menor idéia do tamanho, nem de como a mesma está estruturada. Isto sem falar nos bilhões que foram perdidos nos múltiplos casos de corrupção que já foram revelados, ou ainda estão em vias de serem revelados.

O moral dessa história é que só poderemos estabelecer vias de superação da crise que a Uenf vive neste momento se entendermos a totalidade do contexto em que o problema está inserido. Mas entender essa complexidade seria apenas o primeiro passo na busca de soluções. O que realmente precisamos é que a sociedade civil organizada e os governos municipais das cidades que são beneficiadas pela existência da Uenf se engajem de forma explicita num movimento de pressão política que force o governo do Rio de Janeiro a voltar a cumprir o orçamento aprovado pela Assembleia Legislativa.

Considero que na permanência do atual quadro as perspectivas para a Uenf são de um processo prolongado de agonia que eventualmente desembocará num processo de privatização. Caso esse prognóstico venha a se confirmar, temo que quaisquer possibilidades da nossa região ser retirada do seu permanente estado de atraso social e econômico vão ficar ainda mais remotas, punindo de forma mais direta as gerações futuras. E é preciso que se saiba não será suficiente culpar o governador Luiz Fernando Pezão por sua condução inepta de uma crise que ele próprio ajudou a construir.  Na verdade, de certa forma, seremos todos cúmplices da destruição de um patrimônio que pertence a toda população fluminense.

Finalmente, lembrando mais uma vez de Darcy Ribeiro, recordo que ele dizia que só há duas opções nesta vida: se resignar ou se indignar.  E que, por isso, ele nunca se resignaria. Pois bem, não há como resignar em relação à crise imposta sobre a Uenf. Em vez disso, que partamos todos, independente de nossas preferências e gostos, para a sua defesa incondicional. Do contrário, a história tratará merecidamente de nos condenar.

 

(*) Professor associado do Laboratório de Estudos do Espaço Antrópico, Centro de Ciências do Homem da Uenf

 

Publicado hoje (18) na Folha da Manhã

 

Rosinha investigada por improbidade e descumprimento da LRF

 

Quando o presidente da Câmara de Campos, vereador Marcão Gomes (Rede), afirmou aqui que o contrato da “venda do futuro” de Campos, feito pela ex-prefeita Rosinha Garotinho (PR), havia sido uma “fraude”, houve quem achasse que o parlamentar estava jogando para a galera. Pois o Ministério Público Federal (MPF), no último dia 14, encaminhou  à Procuradoria Geral de Justiça do Estado do Rio a necessidade de se investigar Rosinha por improbidade administrativa e descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

A  investigação sobre o ato de Rosinha foi solicitada originalmente pelo procurador do Legislativo goitacá, Robson Maciel Junior, no pedido de intervenção de terceiro na disputa jurídica entre o governo Rafael Diniz (PPS) e a Caixa Econômica Federal (CEF) sobre os termos de cobrança da “venda do futuro”. O pedido foi considerado fundamental para que o desembargador Marcelo Pereira da Silva, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF 2), mudasse sua opinião e restituísse (aqui) a liminar favorável a Campos do juiz Julio Abranches, da 14ª Vara Federal do Rio de Janeiro, que limitava a cobrança da CEF ao município em 10% dos royalties e Particações Especiais (PEs).

Esse limite da cobrança em 10% foi fixado tanto pela lei municipal 8273/2015, quanto pela Resolução Modificativa 002/2015, do Senado Federal, feitas para regular a transação pelos Garotinho com a CEF. Como o TRF 2 entendeu que eles deveriam ser respeitados, quando Rosinha os descumpriu no contrato que assinou com a Caixa, a ex-prefeita teria, em tese, cometido os ilícitos. Foi isso que o MPF comunicou ao juízo da 14ª Vara Federal, antes de pedir ao Ministério Público Estadual (MPE) do Estado do Rio para investigar.

Ouvido pelo blog, o vereador Marcão falou sobre a nova investigação sobre Rosinha, aberta a partir da iniciativa da Câmara de Campos:

— Esperamos que os fortes indícios de irregularidade no contrato feito pela prefeita Rosinha com a Caixa sejam investigados. Quando falamos lá atrás que a “venda do futuro” de Campos foi uma fraude, não era jogo político, mas fruto de entendimento jurídico da nossa Procuradoria. E esse entendimento foi agora endossado pelo Ministério Público Federal, que solicitou ao Ministério Público Estadual a abertura de investigação por improbidade administrativa e descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal. Garotinho achou que poderia ignorar a Resolução do Senado e a lei municipal que autorizaram a “venda do futuro”. E Rosinha assinou. Agora que ela responderá por isso no entendimento da lei.

 

Atualização às 21h50:  O blog fez contato com a assessoria de Rosinha para que ela se pronunciasse sobre o pedido de investigação. Mas a ex-prefeita preferiu não fazê-lo.

 

 

No pedido da Câmara de intervenção de terceiro na disputa entre o governo Rafael e a Caixa, foi solicitada a investigação de improbidade administrativa e ilícito penal no contrato celebrado por Rosinha na “venda do futuro” de Campos

 

 

Ministério Público Federal informou ao juízo da 14ª Vara Federal do Rio que encaminharia ao Ministério Público Estadual a investigação por improbidade administrativa e violação da Lei de Responsabilidade Fiscal pela prefeita Rosinha

 

 

MPF comunicou à Procurador-Geral de Justiça do RJ, chefe do MPE, a necessidade do órgão investigar “possíveis ats de improbidade administrativa e violações da Lei de Responsabilidade Fiscal por parte da Sra. Rosinha Garotinho”

 

Ameaça das vans ao presidente do IMTT é coisa de bandido

 

 

 

 

Ameaça de morte

Não há dúvida que são vários problemas a se enfrentar em Campos. Mas alguns deles, como o transporte alternativo na cidade, têm tomado proporções alarmantes. E, ontem, passou de uma questão administrativa a caso de polícia. O presidente do Instituto Municipal de Trânsito e Transportes (IMTT), Renato Siqueira, foi ameaçado de morte por um marginal travestido de cobrador de van. Insatisfeito com a fiscalização sobre seu veículo, numa operação de rotina, ele foi à sede do IMTT, procurou, mas não achou Renato, para quem deixou um recado com outros funcionários: “Sorte dele, que vai ganhar mais algumas horas de vida”.

 

Ameaça a todos

A verdade é que o transporte clandestino tomou conta da cidade nos oito anos da gestão Rosinha Garotinho (PR), como já havia feito no Estado, quando o casal da Lapa o governou. Não é segredo a ninguém que essa atividade ilegal está ligada às milícias. Esse tipo de relação promíscua foi, inclusive, explorada no popular filme “Tropa de Elite 2” (2010), de José Padilha. Na vida real, quem dirige em Campos e já não foi hostilizado e ameaçado por um motorista ou cobrador de van e lotada, muitos deles armados? Para tanto, basta reclamar de um deles parado no meio da via pública, impedindo o trânsito, diante do sinal aberto.

 

Problema de Segurança Pública

Renato Siqueira é arquiteto e urbanista, que teve projeção na vida pública ao apontar intervenções urbanas equivocadas no governo Rosinha. Foi também presidente do Observatório Social de Campos, do qual se licenciou para assumir o IMTT. Respeitado tecnicamente, é tido como duro, sem jogo de cintura político. Exatamente como tem que ser para o tipo de função que desempenha. Ontem, quando prestou queixa na 134ª DP da ameaça que sofreu, ele deu bem a dimensão do desafio, não dele, mas do município: “O transporte alternativo em Campos não é um problema de mobilidade. É de Segurança Pública”.

 

Coisa de bandido

Para quem acha que existe algum exagero na constatação do presidente do IMTT, o cobrador da van que foi ao seu trabalho, numa instituição pública, para lhe dar “mais algumas horas de vida”, o fez porque trabalhava num veículo com motor adulterado. Era uma Van Peugeot que fazia a linha Nova Brasília x Centro, cuja autorização do permissionário havia sido “terceirizada”, como costuma acontecer nesse tipo de atividade. Durante a perícia foi constatado que o motor do veículo, usado para o transporte de passageiros, havia sido roubado no município fluminense de Rio Bonito. Parece coisa de bandido. E de fato é.

 

Joilson e Mérida

Presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) de Campos, o empresário Joilson Barcelos procurou ontem a coluna para transmitir seu desagrado com as duas últimas notas da edição de ontem. Elas davam conta (aqui) dos dois ônibus que a CDL local quer levar ao hotel Le Canton, em Teresópolis, para a Convenção da Federação das CDLs, entre 25 e 27 deste mês. A coluna informou que o objetivo extraoficial da caravana é lançar a pré-candidatura do campista Marcelo Mérida, presidente da Federação, a deputado federal. Joilson negou, mas nas redes sociais onde as notas viralizaram, Mérida disse que pretende, sim, se lançar em 2018.

 

O custo

Menos pelo objetivo político da caravana, o interesse pelas notas do “Ponto Final” se deu pelo seu custo e por quem pagará a conta. A coluna falou em R$ 70 mil, bancados pela CDL-Campos. Joilson não confirmou a cifra, mas admitiu que a entidade pretende arcar não só com o transporte, como parte da hospedagem — despesa custeada pelos participantes em gestões anteriores.  O objetivo seria tentar unir e estimular a classe num momento de crise econômica. Mas como boa parte dos quase dois mil associados da entidade em Campos não sabiam que estavam pagando a conta, houve quem não tivesse gostado quando passou a saber.

 

Negativas

Joilson também negou que o objetivo do seu grupo, na política de classe, seja eleger Orlando Portugal, ex-secretário municipal do governo Rosinha Garotinho (PR), como seu sucessor. Certeza, no entanto, só se terá no final do ano, quando ocorre a eleição da CDL goitacá, com apresentação da(s) chapa(s) uma semana antes. Por sua vez, Mérida disse nas redes socais que não está mais filiado ao PSDB, ao contrário do que a coluna afirmou ontem. Ele garantiu ainda que não é um pré-candidato rosáceo. Pelo resultado não só das últimas eleições a prefeito da cidade, como da OAB-Campos, parece ser uma sábia decisão.

 

Publicado hoje (17) na Folha da Manhã

 

Ricardo André Vasconcelos — O que nos espera no fim da crise?

No Brasil as crises institucionais são cíclicas, como ondas que interrompem períodos democráticos intercalando com ditaduras. Nos estertores do século XIX um marechal de pijama deu um golpe meia-bomba, mandou o Imperador para o exílio e fundou a República. Nesses 128 anos, revoluções, golpes, suicídio e impedimentos de presidentes foram a rotina de uma sociedade em lenta construção política. A Constituinte de 1891 elegeu os marechais alagoanos Deodoro e Floriano pela via indireta, mas entre 1894 e 1930 houve eleições regulares. O voto não era secreto, as mulheres e analfabetos não votavam e com a maioria da população órfã das letras, as eleições, apesar de regulares, eram marcadas por fraudes e delas só participam as elites que para as mesmas dirigiam as ações de governo.

Mesmo assim, esta era chamada de “República Velha”, foi quando se promoveu maior número de eleições diretas para a Presidência da República. Ininterruptamente foram eleitos 10 presidentes. É verdade que alguns, como Artur Bernardes, governou quatro anos sob Estado de Sítio; e outros combateram, como uma crueldade ainda não devidamente ensinada nas escolas, diversas rebeliões até a consolidação da República.

Aliás, me intriga o motivo pelo qual alguém — quem? — resolveu batizar uma avenida, atualmente tão importante nesta cidade de Campos dos Goytacazes, com o nome cidadão mineiro Artur Bernardes, que além de tudo era inimigo político e pessoal do campista Nilo Peçanha. Este sim, democrata convicto que governou o país entre 1909 e 1910 em substituição a Afonso Penna, que morreu no meio do mandato e de quem o era vice.

Finda a República Velha e o revezamento entre presidentes paulistas e mineiros, o gaúcho Getúlio Vargas, à frente de um movimento revolucionário impediu a posse de mais um paulista ungido pela eleição de “bico de pena” (Júlio Prestes) e governou por 15 anos até ser deposto por um golpe militar em 1945. Mas não sem antes enfrentar uma guerra civil em 1932, quando os paulistas exigiam o cumprimento de um dos objetivos do movimento revolucionário: nova constituição, que só viria dois anos mais tarde e para durar pouco. Em 1937 Getúlio impôs nova Carta Magna, fechou o Congresso, implantou o Estado Novo, eufemismo para uma ditadura que durou oito anos.

Em 1946 começou um ciclo democrático. Nova Constituição e um presidente (Eurico Gaspar Dutra), que apesar de militar aliado de Getúlio a quem ajudara a derrubar, nada fazia sem antes consultar o “livrinho”, uma edição miniaturizada da Constituição que levava no bolso. De 1946 à outra ruptura constitucional, em 1964, foram eleitos pelo voto direto quatro presidentes: Dutra, que concluiu o mandato. Getúlio, que voltou pelo voto direto em 1950 e deu um tiro no peito em 1954; Juscelino Kubitscheck em 1955 e Jânio em 1960. João Goulart era vice de Jânio a quem substituiu com a renúncia após oito meses de mandato e foi derrubado por um movimento civil militar em 1964, inaugurando novo período de trevas que durou 21 anos.

Na chamada “Nova República”, com a eleição indireta de Tancredo/Sarney em 1985, foram realizadas até agora sete eleições diretas, com a peculiaridade de que três foram reeleitos e dois sofreram impedimento pelo Congresso Nacional. No próximo ano a Constituição Cidadã completa 30 anos e nossa evolução política entrecortada por crises e soluções sempre não democráticas está prestes a se deparar com novo desafio: regredir (como fez praticamente em todas as crises anteriores) ou finalmente evoluir para um patamar seguro de estabilidade institucional.

Como este parece ser o fim de mais um ciclo da vida política nacional, resta torcer para que a história não se repita e que a saída seja democrática, sem hipertrofia de nenhum dos poderes e pelo fortalecimento da fonte de todo poder consagrada pelo § único do artigo 1º da Constituição Federal: Todo o poder emana do povo…

 

Médicos na Prefeitura — Comissão analisa gratificação de emergência

 

Ao lado do presidente do sindicato dos Médicos, José Roberto Crespo, Rafael se reuniu hoje com representantes da categoria (Foto: Paulo Pinheiro – Folha da Manhã)

 

Principal reivindicação dos médicos e demais profissionais da Saúde Pública de Campos, a gratificação pelo trabalho em emergência, que o governo Rafael Diniz (PPS) queria reduzir em 20%, será analisada por uma comissão de estudo. Dela farão parte profissionais da Saúde, do Hospital Ferreira Machado (HFM), Hospital Geral de Guarus (HGG), e representantes das secretarias de Saúde, Gestão de Pessoas e  Fazenda, além da Procuradoria. Este foi o principal avanço na negociação dos médicos com o prefeito Rafael, que acabou agora há pouco, no auditório da Prefeitura.

 

Confira a reportagem completa na edição desta quinta (17) da Folha da Manhã

 

RJ acerta maio, junho e julho do servidor. Bolsistas na semana que vem

 

(Arte de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

O governo do Estado quitou, ontem (15/8), os vencimentos pendentes de maio, junho e julho para todos os servidores ativos, inativos e pensionistas que ainda não tinham recebido os vencimentos integrais.  Os pagamentos começaram a ser realizados na segunda-feira (14/08).

Também na segunda-feira tiveram início os pagamentos totais de R$ 60 milhões referentes às bolsas da Uerj, Uezo e Uenf, Hupe e Faper, referentes aos meses de maio, junho e julho. Os depósitos relativos às bolsas prosseguem até sexta-feira (18/08). O total depositado pelo Estado nesta semana, referente aos salários dos servidores ativos, inativos e pensionistas e às bolsas, é de 1,9 bilhão.

Os depósitos dos salários estavam previstos para a próxima sexta-feira (18/8) e foram antecipados para segunda (14/08) e terça-feira (15/08). De acordo com o contrato assinado, na última sexta-feira (11/8), com o Bradesco, vencedor da licitação da gestão da folha de pagamento do funcionalismo, o banco teria cinco dias úteis para depositar R$ 1,3 bilhão referente à venda e, por solicitação do governo, a data foi antecipada.

 

Da Secom

 

Do ponto biométrico a DAS e RPAs ao ponto da CDL no Le Canton

 

 

 

DAS e RPAs também

Aprovado na Câmara Municipal na sessão do dia 8, a instalação do ponto biométrico no serviço público de Campos ontem teve uma relevante modificação. Inicialmente restrito aos servidores concursados, será válido também os comissionados (DAS) e aos temporários (RPAs). Mais justa, a ampliação do controle ao trabalho dos servidores foi comunicada ontem, publicamente, numa matéria da Prefeitura. Nela falaram o procurador-geral do município, José Paes Neto, e André Oliveira, secretário de Gestão de Pessoas e Contratos. Agora, o prefeito Rafael Diniz (PPS) fará a mudança por decreto.

 

Três dias depois

Ocorre que a inclusão dos DAS e RPAs no ponto biométrico já havia sido proposta pela oposição na Câmara. E foi recusada pelo vereador Cláudio Andrade (PSDC), presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que alegou “vício de iniciativa”. Entendimento jurídico à parte, não havia vício lógico. Ainda assim, não pode ir nem a plenário, provocando a abstenção da oposição, que apoiava a medida de controle de ponto, mas queria ampliá-la a todos os servidores. Esta coluna registrou o fato (aqui) no último sábado (12), não sem lamentar: “A bem da municipalidade, foi realmente uma pena”. Levou três dias para o governo concordar.

 

Baixas no HFM

Na sexta (11), uma matéria da Folha1 anunciou em primeira mão (aqui) o corte nos salários do RPAs, pagos naquele mesmo dia. À reportagem, a administração municipal alegou que a redução no vencimento havia sido “previamente conversada junto aos órgãos, através de reuniões”. Pois ontem (15), quatro neurocirurgiões do Hospital Ferreira Machado (HFM), contratados em regime de RPA, negaram ter havido qualquer aviso. E por não aceitarem fazer o mesmo dos concursados, ganhando menos, se demitiram (aqui). Com isso, o maior hospital do município perde os plantonistas de neurocirurgia da quinta, sábado e domingo.

 

Reações distintas

Também na última sexta, esta coluna fez (aqui) questionamentos ao comportamento dos servidores e da administração pública. Os servidores que fingiram enxergar apenas críticas à categoria, responderam (aqui e aqui) com comentários raivosos. Por outro lado, seus colegas mais esclarecidos viralizaram em grupos de WhatsApp a última nota daquela edição do “Ponto Final”, na qual se advertia o governo. Pois ontem, quatro dias depois, o governo recuou para incluir DAS e RPAs no ponto biométrico, enquanto os quatro neurocirurgiões se desligavam do HFM. Como estes o fizeram alegando falta de diálogo, talvez não faça mal repetir aquela última nota:

 

“Solução, não problema

A certeza do que precisa ser feito tem que ser apresentada com didatismo e paciência, sem tropeço no salto alto da arrogância. O servidor tem que ser encarado (e se ver) como solução, não parte do problema. Uma administração que se elegeu pela fluidez da comunicação com a população, inclusive os servidores, que votaram em peso em Rafael, mais do que nunca precisa de diálogo. Caso contrário, como adverte Daniel Day Lewis como protagonista do filme ‘Lincoln’, para quem sabe onde quer chegar, mas ignora haver um pântano no meio do caminho, só saber a direção correta pode significar um mergulho no lodo”.

 

Le Canton

Enquanto isso, o roteiro de outro filme vai sendo escrito com o concorrido hotel Le Canton, em Teresópolis, como cenário. É lá que, entre os dias 25 e 27 deste mês, dois ônibus com integrantes da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) de Campos, mais acompanhantes, saem da Planície Goitacá para aproveitar o frio na serra fluminense. Oficialmente, o objetivo é participar da Convenção da Federação das CDLs. Extraoficialmente, se trabalha para lançar a pré-candidatura do empresário Marcelo Mérida, ex-presidente da entidade, a deputado federal.

 

A conferir…

Como prova de força, a caravana campista quer estar entre as maiores do evento. Neste sentido, a CDL-Campos estaria disposta a arcar com despesas de R$ 70 mil, entre transporte de todos e hospedagem dos mais cotados. Mérida está no PSDB, mesmo partido de Mauro Silva, ex-vereador e ex-líder do governo Rosinha Garotinho (PR). Mas poderia ir para uma legenda menor, como o PHS, cujo presidente local é Wainer Teixeira, ex-secretário de Rosinha. Na política de classe, o grupo estaria trabalhando para fazer de Orlando Portugal, outro ex-secretário rosáceo, o novo presidente da CDL goitacá. A conferir…

 

Publicado hoje (16) na Folha da Manhã

 

Ocinei Trindade — Caetano, a polícia, a paternidade e o país

 

 

 

Quis o destino que Caetano Veloso chegasse aos 75 anos de idade, belo, saudável, poeta, pensador crítico, incômodo e incomodado neste agosto de 2017. Pai de três filhos, o cantor e compositor baiano não deve estar contente com a falência do Brasil, nem do estado do Rio de Janeiro, onde reside, cercado por violência e incertezas. Imagino que ele e qualquer cidadão consciente questionem a truculência, a corrupção e a vulnerabilidade de policiais fluminenses que também são vítimas de criminosos. Só este ano, quase 100 peemes morreram no Rio. Se não é guerra, o que é? Temos sido alvos de inescrupulosos políticos, ladrões ou traficantes, e está difícil distinguir quem são os bandidos mais perigosos deste país. Pena deste momento baixo-astral brasileiro.

 

Enquanto os homens exercem seus podres poderes, motos e fuscas avançam os sinais vermelhos e perdem os verdes, somos uns boçais…

 

O número de policiais assassinados ou mortos em combate ao crime organizado é noticiado pela imprensa semanalmente. São estatísticas que acabam sendo banalizadas, juntamente com outros números de vítimas da violência desenfreada que toma conta do Rio de Janeiro, e de muitos outros lugares deste enorme e injusto país. Trata-se de uma luta que parece não ter fim. Impossível vencer bandidos bem armados, destemidos e impunes. Acostumamo-nos com as notícias ruins durante as refeições, além de criminosos nas esquinas, nos governos e nos parlamentos. Não me conformo.

 

…em caras de presidentes, em grandes beijos de amor, em dentes, em pernas, bandeiras, bomba e Brigitte Bardot, o sol nas bancas de revistas me enche de alegria e preguiça, quem lê tanta notícia? Eu vou, por que não?…

 

Tornamo-nos espectadores de uma guerra suja e injusta (como a maioria das guerras). Entre homens e mulheres que morrem alvos de balas perdidas e direcionadas, estão também policiais militares com salários ruins e atrasados, além de condições inadequadas de trabalho. Eles e milhares de outros servidores públicos estaduais passam pelo mesmo perrengue. Os militares que morreram este ano no Rio não eram só policiais, mas também eram filhos, maridos e pais que se foram em vão, infelizmente. Mártires e vítimas de assassinatos não fazem falta para a maioria da sociedade, pois são facilmente esquecidos. A escalada de violência e desigualdade social só aumentam por aqui com uma certa indiferença. Reverter o quadro é possível? Caetano Veloso já viu quase tudo nesses seus 75 anos de vida, inclusive, esperança por dias melhores no futuro que já virou passado. Quem crê nisso?

 

Quem é ateu e viu milagres como eu, sabe que os deuses sem Deus não cessam de brotar, nem cansam de esperar, e o coração que é soberano e que é senhor não cabe na escravidão, não cabe no seu não, não cabe em si de tanto sim, é pura dança e sexo e glória, e paira para além da história…

 

O país que se destaca entre os mais ricos do mundo, o Brasil em pleno século XXI, se mantém no topo das contradições, e na lista dos mais miseráveis do planeta. Exagero? Quem se informa apenas pelos telejornais da TV Globo até pode ficar inconformado, mas nem todas as desgraças e injustiças cabem nas páginas dos jornais, sites de notícias ou nas postagens surdas, roucas, mal-escritas, destoadas ou desafinadas que entopem as linhas do tempo das redes sociais. Indignação virou sinônimo de post and likes. Eu sempre me pergunto if I like or if I don´t like. O Brasil quando comparado ao Haiti, infelizmente, se mostra em grandes desvantagens. E (in)justamente na terra onde se considera levar vantagem em tudo. Rezemos pelo Brasil. Educar se torna cada dia mais desafiador.

 

…E quando ouvir o silêncio sorridente de São Paulo diante da chacina, 111 presos, mas presos são quase todos pretos ou quase pretos, ou quase brancos quase pretos de tão pobres, e pobres são como podres e todos sabem como se tratam os pretos…pense no Haiti, reze pelo Haiti, o Haiti é aqui, o Haiti não é aqui…

 

Não sei quanto tempo dura uma crise econômica, nem a crise de baixa auto-estima que o Brasil foi acometido nos últimos anos que se arrastam. Sei que nada é para sempre e que o “pra sempre” sempre acaba, mas não todo dia. A gente que tem vocação para a felicidade fica logo exaurido quando nos roubam o sorriso, a saúde, as escolas, os hospitais, a segurança e os direitos básicos como ir e vir. Em um passado remoto, a saída para o Brasil era o aeroporto, mas as fronteiras se fecham cada vez mais em um mundo de guerras que fabricam refugiados, preconceitos, intolerâncias e discriminações generalizadas. Há tempos é assim, e assim sobrevivemos. Até quando? Quantos chegarão aos 75 anos de vida ou de sobrevida? O que fazer desta vida pelo tempo que for?

 

És um senhor tão bonito quanto à cara de meu filho, tempo, tempo, tempo, tempo, vou te fazer um pedido: tempo, tempo, tempo, tempo…

 

Quando vi Caetano Veloso ao vivo pela primeira vez, ele estava prestes a fazer 51 anos, durante seu show Circuladô, no Canecão. Fiquei hipnotizado por ele. Talvez, eu nem soubesse que o admirava tanto como poeta, artista, intérprete, e como brasileiro. Eu era jovem e ele ainda não era velho. Hoje, estou mais próximo daquele Caetano de 1992 com a idade que tenho agora. Ele, apesar de velho, parece mais jovial que muitos rapazes musculosos de pensamentos ocos e caretas caminhando sob  o sol. Tudo se mistura, passado e presente, confunde ideias e memórias.

 

Temos retrocedido humana e politicamente em tantos aspectos neste país, um horror brutal que nos ofende diariamente. A Pátria patriarcal (ou mais matriarcal?) tem testemunhado muitas baixas. Famílias que perdem meninos e homens, meninas e mulheres, vítimas da violência, do desemprego e da desesperança. Nem todos os filhos deste solo são gentis como tu és, Mãe e Pátria Amada. O amor de pai se perde, o amor pelo país ameaçado, também. Há uma estranheza de forças nos afetando a todos. Tristes? Sim, também somos. E velhos.

 

…Eu vi muitos cabelos brancos na fronte do artista. O tempo não para, e no entanto, ele nunca envelhece. Aquele que conhece o jogo, do fogo das coisas que são, é o sol, é o tempo, é a estrada, é o pé e é o chão…por isso uma força me leva a cantar…

 

Eu escrevo para aliviar o peito. Vivo em uma cidade que dizimou índios, que aboliu de seu nome os goytacazes, mas que os ressuscitou apenas em palavra para complementar ou enfeitar uma Campos de sombras mortas ou quase mortas no norte fluminense. Pelo país afora, nações indígenas e outros brasileiros mestiços sofrem todo tipo de ameças por um pequeno grupo de poderosos que destrói o Brasil da maneira mais vil. Somos plateia inerte que resmunga, que reage com palavras suprimidas.

A omissão dos brasileiros custa caro aos chefes de família de bem, aos policiais honrados (sim, estes existem também e precisamos falar melhor sobre isso, tentarei), aos milhões de anônimos sem voz e sem vez. Nem todos possuem a projeção e o reconhecimento de um Caetano Veloso. Só que nem ele, nem algum de nós sozinhos conseguiremos muita coisa em favor do Brasil, se não houver consenso e cooperação (romântico?). Como (re)unir a Nação? Quem sabe, um índio descerá de uma estrela brilhante e virá impávido que nem Muhummad Ali no coração da América do Sul para abrir nossas mentes e visões?

 

…E aquilo que nesse momento se revelará aos povos, surpreenderá a todos não por ser exótico, mas pelo fato de poder ter sempre estado oculto quando terá sido óbvio.

 

As letras de Caetano Veloso, as ações e intenções de policiais, de políticos, de pais de família e de todos os cidadãos brasileiros podem ajudar a transformar este país afetuosamente? Afinal, se gente é para brilhar, não para morrer de fome, é preciso alimentar e realimentar Campos, o Rio de Janeiro e o Brasil inteiros, de fevereiro a fevereiro na melhor das hipóteses, ou, de dezembro a dezembro entre os mais otimistas. Façamos nossas listas ao levantar da cama. O fim vem, mas o reinicio também.

 

Meu coração não se cansa de ter esperança de um dia ser tudo que quer… meu coração vagabundo quer guardar o mundo em mim.

 

Corte nos salários dos RPAs tira quatro neurocirurgiões do HFM

 

Embora o governo Rafael Diniz (PPS) tenha argumentado que discutiu previamente o corte nos salários dos servidores em regime de Recibo de Pagamento Autônomo (RPA), como a Folha1 divulgou aqui em primeira mão, a alegação de que a redução foi feita sem qualquer aviso prévio não só é mantida pelos RPAs, como produziu hoje os primeiros pedidos de demissão. Quatro neurocirurgiões do Hospital Ferreira Machado (HFM), maior do município, comunicaram hoje seu desligamento, que já foi assinado pelo superintendente da unidade, Pedro Ernesto Simão.

Os médicos Doralice Batista, Ramon Romano, Douglas Romano e Marina Andrade eram responsáveis pelo plantão de neurocirurgia do HFM nas quintas, sábados e domingos. Eles lembraram que vinham trabalhando a despeito de não terem recebido seus vencimentos de dezembro de 2016, ainda na gestão Rosinha Garotinho (PR). Na carta de desligamento, os quatro médicos lamentaram seu desligamento e “a consequente desestruturação de todo o serviço neurológico implantado, prestado com excelência até o momento”.

Confira abaixo:

 

 

 

Atualização às 12h11 de 16/08: desde ontem a Prefeitura produziu um release sobre o caso, ao qual o blog só teve acesso agora e reproduz abaixo:

 

A Fundação Municipal de Saúde (FMS) informa que está buscando alternativas para resolver a situação o quanto antes. A Prefeitura de Campos tem feito ajustes para adequar o orçamento à realidade financeira do município que, no início deste ano, teve um déficit mensal de cerca de R$ 55 milhões.

Com as medidas de readequação financeira que vêm sendo tomadas, como o corte de mais de 500 cargos comissionados, revisão dos contratos e redução das despesas, o município já diminuiu o déficit para cerca de R$ 35 milhões mensal. Mas a situação ainda é preocupante porque a conta segue fechando negativa.

 O ajuste feito nos Recibos de Pagamentos Autônomos é mais uma medida de readequação orçamentária e ocorre em virtude da grave crise financeira do município, como já é do conhecimento de todos. Este ano, a receita é R$ 1,4 bilhão a menos em relação ao ano passado.