Opiniões

Lula em entrevista exclusiva nesta quarta ao Grupo Folha

 

Entrevista exclusiva do Grupo Folha com o ex-presidente Lula, na manhã de hoje (06), no hotel Ramada (Foto: Diomarcelo Peçanha)

 

 

Entrevistei na manhã de hoje (06), no hotel Ramada, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), pré-candidato e líder em todas as pesquisas na corrida ao Palácio do Planalto em 2018. A entrevista foi transmitida ao vivo no programa Panorama Continental, da Rádio Continental, do Grupo Folha, apresentado pelo radialista Cláudio Nogueira. Simultaneamente, foi trasmitida em lives na página oficial de Lula no Facebook e no Folha 1, portal da Folha.

Lula veio a Campos para participar de um comício, na noite de ontem (05), na Praça do Liceu, que teve cerca de 2 mil presentes, com direito a uma minoria barulhenta de militantes do também pré-candidato a presidente Jair Bolsonaro (PSC, de mudança para o PEN, que se chamará Patriota). Depois da entrevista da manhã de hoje, o ex-presidente foi para um evento no Instituto Federal Fluminense (IFF), de onde seguirá com sua caravana ao município fluminense de Maricá.

Sem contar políticos circunscritos a Campos e região, já tive a oportunidade de entrevistar alguns líderes ao longo de 28 anos de jornalismo: Leonel Brizola, Fernando Henrique Cardoso, Moreira Franco, Marcello Alencar, Anthony Garotinho, Rosinha Garotinho, Sérgio Cabral, Luiz Fernando Pezão, Jorge Picciani, César Maia, Fernando Gabeira e Lindbergh Farias. Mas devo confessar que raras vezes fiquei diante de um entrevistado tão espirituoso e com a capacidade de tratar de temas complexos como questões do cotidiano, na fluidez de um papo informal. Em termos de carisma, no cara a cara, só o compararia a Brizola.

De tudo  que falou na entrevista, mesmo diante das perguntas mais difíceis, como a sua condenação pelo juiz federal Sérgio Moro na Lava Jato, cujo recurso teve julgamento recentemente antecipado pelo Tribunal Federal Regional da 4ª região (TRF-4) para março ou abril, o mais importante do que Lula disse, para mim, foi:

— Como você vai encontrar paz se você está estimulando o ódio, se você está estimulando a disseminação do preconceito? (…) Eu sonho, na verdade, que a gente possa restabelecer a paz neste país. As pessoas têm que aprender que a gente pode ter divergência, que a gente pode não concordar, (mas) que o vascaíno possa ver o jogo sentado ao lado do flamenguista (…) e ir para a casa e tomar uma cerveja juntos, sabe? Sem precisar brigar! (…) A quem interessa essa briga?

Por fim, devo registrar aqui, publicamente, o agradecimento ao presidente do PT em Campos, o petroleiro Rafael Crespo, bem como ao senador petista Lindbegrh, fundamentais à realização da entrevista. Sem nenhum juízo de valor, além daquele externado nas perguntas, peço desculpas por alguns risos desavexados causados pelas tiradas de Lula.

Sem mais delongas, confira abaixo a íntegra da entrevista de quase 41 minutos:

 

 

 

 

Confira a transcrição da entrevista na edição de amanhã (07) da Folha da Manhã

 

Pá de areia de Atafona com a lama do Paraíba entre os grãos

 

 

Nós sabíamos

Por Aluysio Abreu Barbosa

 

“Caro Aluysinho, nós éramos felizes e não sabíamos. Abraços. Oswaldo Ferraz Filho. 15/01/13”. Foi esta a dedicatória escrita de próprio punho atrás da fotografia que Oswaldinho me mandou naquele início de ano, poucos meses após a morte do meu pai.

Se não me engano, a foto fora feita em 1987, 26 anos antes de eu a receber sem esperar. Na imagem congelada do tempo, Oswaldinho e eu, ainda adolescente, gargalhávamos, sentados na mesa e ladeados por Aluysio Cardoso Barbosa (1936/2012), sempre mais sério, com seu inseparável cigarro entre os dedos.

Oswaldinho era amigo de Aluysio. E era pai de dois meus amigos de infância, Fabiano e Evandro Ferraz. Estudei com o primeiro no curso primário da saudosa Escola Santo Antônio da Formosa, que hoje abriga o Hortifruti. Depois, voltamos a nos cruzar no segundo grau, atual ensino médio, do Auxiliadora, onde só estudei justamente naquele ano de 1987.

Mesmo ruim na linha, embora esforçado no gol, como qualquer bom “perna de pau”, frequentei também o campo gramado de futebol, conjugado à casa de Oswaldinho, na rua Edmundo Chagas. Aquele foi meio que ponto de referência de uma galera de classe média de Campos que cresceu junta nos anos 1980.

No final daquela década de ebulição, em 1989 se daria a primeira eleição a presidente no Brasil desde o golpe civil-militar de 1964. Foi quando passei a escrever em jornal, movido pelo sentimento de esperança democrática que tomava conta do país. Talvez tenham sido os primeiros goles do chope de cuja brutal ressaca padece hoje o país.

Como tinha 17 anos e a enorme pretensão de escrever sobre política nacional ao leitor adulto, passei a dolosamente acompanhar meu pai em suas costumeiras idas vespertinas da redação da Folha ao Boulevard Francisco de Paula Carneiro, também conhecida como “Rua dos Homens em Pé”. Num tempo pré-redes sociais, o experiente jornalista me ensinou uma maneira empírica de saber como repercutiam em nossa aldeia os assuntos do dia.

Oswaldinho era um dos companheiros mais constantes de Aluysio nessas conversas regadas a cafezinho durante as tardes. Se nossa relação antes se restringia ao contato entre um pai e o amigo adolescente dos seus filhos, a amizade pôde, a partir dali, transpor precocemente a barreira natural entre as gerações.

Além do bom marido, pai zeloso e médico endocrinologista conceituado na comunidade, pude conhecer melhor um sujeito simpático e bom de papo, vascaíno chato e às vezes esquentado, amigo dos amigos e dono de sólidos valores morais. O tempo passou e nessas coisas da vida, que depois não sabemos dizer como ou porquê, acabamos nos distanciando, como também ocorreu entre mim e seus filhos.

Nos últimos anos, sabia mais da família por Laura Ferraz, prima de Oswaldinho e braço direito de Diva Abreu Barbosa na Folha. Foi por Laura que, naquele início de 2013, o velho amigo me enviou a foto, nossa e de meu pai, com a dedicatória.

Recebendo-as sem esperar, bateu súbita e contundente a saudade do tempo em que um garoto brincava de ser homem sentado na mesma mesa com o pai, morto poucos meses antes, e seu amigo. Confesso, chorei pela sensibilidade daquele gesto tão carinhoso e paternal.

Liguei para agradecê-lo no mesmo dia e combinamos de nos encontrar, o que acabou não acontecendo. Pouco tempo depois, sabendo também por Laura do câncer contra o qual Oswaldinho lutou bravamente por quatro anos, tentei diversas vezes visitá-lo. Nesta intenção, busquei a intermediação de Fabiano e Evandro. Mas eles me confidenciaram que o pai evitava receber visitas.

Conhecendo o orgulho de Oswaldinho, traço da sua personalidade firme, respeitei. Mas na manhã de ontem, quando soube da sua morte poucas horas antes, novamente por Laura, me arrependi por tê-lo feito.

Ao final da tarde, no velório do amigo morto, ao falar com seus filhos vi estampado em cada face a mesma orfandade que senti quando perdi meu próprio pai, cinco anos atrás. E sei que não há nada que se possa dizer capaz de preencher o buraco deixado.

Assumido esse vazio, aquela foto e a dedicatória foram uma pequena, mas generosa pá de areia de Atafona — aquela que guarda a lama fértil do Paraíba entre seus grãos.

Sim, nós éramos felizes. Só discordo em uma coisa de Oswaldinho: Nós sabíamos!

 

Publicado hoje (05) na Folha da Manhã

 

Orávio de Campos — Ode a um poeta morto

 

(Ilustração de João Luiz Roth)

 

 

Não gostaria de voltar a defender o princípio (óbvio, por sinal) de que todas as representações estéticas são — salvo melhor juízo científico — a pura expressão da arte, independentemente se si referem às expressões fruídas de imagens erotizantes (ou não) e se o seu julgamento é suscetível ao olhar paradigmático de quem o vê pela lente opaca das falsas culturas ou mesmo pelas ideologias com fulcros moralistas.

Mas, observando o conteúdo do pequeno livro “Ode a um poeta morto”, de Raul de Leoni (1895-1926), escrito em 1919, dedicado “à memória de Olavo Bilac”, pudemos especular algumas razões que levaram o poeta, considerado pelos seus biógrafos como neoparnasiano — ou simbolista (?) — a se mostrar, assim sem pejo, à saciedade intelectual da época, considerando as mensagens sensíveis de amor nas entrelinhas.

Bilac (1865-1918), um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras e eleito, por seus pares, em 1907, “Príncipe da Poetas Brasileiros”, parnasiano juramentado, quando morreu, aos 53 anos, causando real consternação no seio intelectual do Rio de Janeiro, Raul tinha apenas 21 anos de idade e estava em dúvida se seria diplomata, estimulado pelo nosso Nilo Peçanha, ou assumiria ser poeta por opção.

Nas biografias conhecidas dos dois vultos da intelligentsia nacional, não consta que tenham se encontrado em alguma tertúlia literária pelo restrito mundo da capital federal.  Apenas o historiador Alfredo Bosi (1936) assinala que Leoni “embora tivesse sido um poeta à antiga, era ousadamente moderno”. O que se lhe afigura a idéia do simbólico, para que possa ser compreendido no sentido lato da semiologia.

O livrinho, muito bem escrito, por sinal, foi reeditado, em 2002, pela Editora da Universidade do Sagrado Coração, de Bauru-São Paulo, com apresentação do imortal José Mindlin (1914-2010). Ele aclara que “a poesia de Raul não existiria sem os versos de Bilac”, identificando uma relação meramente cultural, até porque o simbolista (?), além do “Ode…)”, só escreveu “Luz Mediterrânea”, lançado em 1922.

Na ilustração de João Luiz Roth (1961) o expressionista lança 11 quadros, nos quais, acompanhando o poema, revelam uma estranha relação transgenérica, andrógina, com imagens travestidas pelo (fe-menino). Eis os versos: “Freme em tua arte o sangue de Dionísio / Diluído nas virtudes apolíneas / E do seu seio voluptuoso chovem / Alvas formas pagãs, ardentes frisos… / Baixos relevos, camafeus, sanguíneas / Numa palpitação de carne jovem (…)”.

Existe uma explicação plausível? Leoni era leitor do poeta Paul Valéry (1871-1945), um ser tão envolvido pelo existencial que, contrariado pelo amor à Madame Rovira, resolveu abandonar, por anos, a lira poética. Terá sido uma influência do vate francês? Mas, vejamos outros versos: “(…). Dirá aos homens que o melhor destino / Que o sentido da vida e o seu arcano/ É a imensa inspiração de ser divino / No supremo prazer de ser humano (…)”. Há no poema uma dimensão sagrada do prazer.

André Bretton (1896-1966) quando define o surrealismo diz, não ipsis litteris:  “Psiquismo puro que explica o funcionamento real do pensamento na ausência de todo controle exercido pela razão, fora de toda preocupação estética ou moral”. Será que tem a ver? Uma dedicatória simples de uma ternura extrema camuflada pela loucura explicita no além-real, com a certeza do/e ser não-revelado. Ou nada existe no cerne da dedicatória, a não ser a vaga imagem (i) refletida da razão.

Morto aos 31 anos, vítima da “peste branca”, Leoni realmente pousou seu olhar carinhoso em Bilac, jornalista, poeta, frequentador das rodas boêmias do Rio Antigo… Com sutileza, dedicou-lhe seus primeiros e sentidos versos, por algum motivo platônico. Simples assim. Neste caso esta reflexão terá sido apenas mais um exercício ingênuo e atemporal deste escriba ao atuar no cenário da experimentação ficcional…

 

Mais um “homem em pé” se deita — Morre o médico Oswaldo Ferraz

 

Oswaldo Ferraz

 

Morreu em sua casa, por volta das 6h da manhã de hoje (04), o médico Oswaldo Ferraz Filho. Endocrinologista conceituado na cidade, tinha 74 anos e há quatro lutava contra um câncer no intestino. Ele deixa a viúva Diva Maria Guimarães Ferraz e os filhos Fabiano, Evandro e Natália Guimarães Ferraz. O velório acontecerá à tarde, na Capela da Santa Casa no Caju, cemitério onde o corpo será sepultado, às 9h desta terça (05).

Colega de escola de Fabiano desde o primário, na saudosa Escola Santo Antônio da rua Formosa, que hoje abriga o Hortifruti, conheci Oswaldinho desde minha infância. Ele também era amigo do meu pai, Aluysio Cardoso Barbosa (1936/2012), com que costumava se reunir para um cazezinho à tarde no Boulevard Francisco de Paula Carneiro, a “Rua dos Homens em Pé”. Adolescente com pressa de ser homem, costumava acompanhá-los eventualmente, quando minha amizade com Oswaldo, apesar da nossa diferença de idade, se solifidicou na comunhão dessa típica tradição campista.

Sujeito simpático e bom de papo, vascaíno chato e às vezes esquentado, Oswaldinho era amigo dos amigos, bom marido, pai zeloso e um profissional respeitado. Com a sua perda, além do lado pessoal, no qual me solidarizo sobretudo com os amigos de infância Fabinho e Evandro, registro com pesar o desaparecimento gradual de uma geração de homens de bem, da qual meu pai fez parte, que construíu o mundo nem sempre fácil do pós-II Guerra Mundial (1939/45).

A lacuna que eles deixam não é pequena. Que nós, seu filhos, jovens daqueles anos 1980 e hoje homens de meia idade com cabelos grisalhos, saibamos estar à altura do legado.

 

Alexandre Bastos — Olho por olho, dente por dente?

 

 

 

Hamurabi, rei da Babilônia, foi o autor de 282 leis, que ficaram conhecidas como Código de Hamurabi, baseadas na lei de talião, pena antiga pela qual se vingava o crime impondo ao delinquente o mesmo dano ou mal que ele praticava. Olho por olho, dente por dente, era a base de qualquer justiça. E até hoje, movidos pelo sentimento de vingança, há quem defenda esta maneira de resolver algumas questões.

Ao ler todas as notícias sobre o ex-governador Anthony Garotinho (PR) na prisão, surgiu uma indagação: o que ele faria se fosse um de seus adversários na cadeia? Como ele reagiria ao ver um inimigo atrás das grades? Nem é preciso pensar muito para responder, já que horas antes de ser preso, Garotinho debochou dos antigos aliados de PMDB e cobrou uma “faxina geral”.

E agora, com Garotinho atrás das grades e vivendo situações bem controversas na cadeia, como seus adversários devem proceder? É lógico que todos devemos esperar que a Justiça seja feita e ele pague pelos eventuais crimes cometidos. Mas é importante lembrar dos seus filhos, netos e sobrinhos que acompanham estes episódios. O mesmo Garotinho que no início deste ano usou a morte de uma mulher pelas costas, diante da filha, para fazer ilações e atacar um adversário, não merece ser atingido neste mesmo nível.

Durante a sua busca insana pelo poder, Garotinho ficou conhecido por não poupar ninguém e jogar baixo. Já atingiu ex-amigos, irmão e muitos ex-aliados. Para ele vale tudo: insinuações sobre a vida pessoal, opção sexual e ameaças com dossiês. Em 2008, quando secretários do então prefeito Alexandre Mocaiber foram presos pela Polícia Federal, ele estimulou a ida de aliados para o aeroporto. O objetivo era insultar os presos com todos os xingamentos possíveis. Naquela ocasião, um dos aliados de Garotinho chegou a cuspir no então procurador do governo Mocaiber. Em uma emissora de rádio, Garotinho transformou a operação “Telhado de Vidro” em um show e fez questão de pisar em cada um dos acusados.

O atual momento do casal Garotinho deve estimular mais reflexão do que sentimento de vingança. Afinal de contas, vale tudo pelo poder? O pastor Caio Fábio, que batizou Garotinho em 1994, após um acidente de carro, lembra que ele se desviou do seu caminho poucos meses após alcançar o governo do estado, em 1998. “Em três meses já era possível notar que ele estava completamente cego pelo poder. Andava bem próximo ao Eduardo Cunha e as negociações eram bem pesadas. Avisei que isso ia destruir a vida dele, ia comer a alma dele”.

Mesmo conscientes de todo mal que ele fez e da sua natureza maquiavélica, devemos evitar o sentimento de vingança. Até porque, como ensinava o imperador romano Marco Aurélio, a melhor a melhor forma de se vingar de um adversário é não se assemelhar a ele.

 

O escárnio com o contibuinte por quem não viu o tempo passar

 

 

 

Charge do José Renato publicada hoje (02) na Folha

 

 

Cronologia de Rosinha

Através de documento, o juízo da 98ª Zona Eleitoral (ZE) de Campos esclareceu que só às 13h31 de ontem (01) foi comunicado oficialmente pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) da decisão de manter Rosinha Garotinho (PR) no Rio de Janeiro. À 0h do dia anterior (30), a ex-prefeita de Campos foi libertada do Presídio de Benfica. E às 15h13 teve sua condução a Campos determinada pelo juiz local. Só que, às 19h31 do mesmo dia, a relatora do caso no TRE, desembargadora Cristiane Frota, decidiu atender ao pedido da defesa de Rosinha, permitindo que ela ficasse no Rio.

 

Antecipação e tornozeleira 

“Não há qualquer conflito. Tudo foi feito em harmonia com o TRE. A imprensa que se antecipou”, disse o titular da 98ª ZE, Ralph Manhães. De fato, a partir da consulta do processo eletrônico do caso de Rosinha, foi possível noticiar na mesma quinta (30) a decisão da sua permanência no Rio, comunicada ao juízo da 98ª ZE apenas ontem (01), na sexta. No mesmo dia, foi finamente cumprida a mais emblemática medida cautelar imposta pela Justiça à liberdade da ex-prefeita. Desde a tarde de ontem, ela usa a tornozeleira eletrônica instalada pela Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap).

 

Escárnio

Por mais que o abatimento de Rosinha, durante uma semana de cadeia, tenha sensibilizado até críticos das práticas dos Garotinho, o comportamento dos condenados à prisão pela mesma operação “Caixa D’Água” evidencia o escárnio com o povo brasileiro demonstrado por seus políticos denunciados por corrupção. Ontem, foi revelado que o ex-ministro dos Transportes e presidente nacional do PR (partido do casal Garotinho), Antonio Carlos Rodrigues, se abrigou num apartamento funcional de Brasília, pago pelo contribuinte, nos sete dias em que ficou foragido, após ter sua prisão decretado pela Justiça Eleitoral de Campos.

 

Pós-Lava Jato

Numa prova de como o Brasil mudou após a operação Lava Jato, ontem um dos seus frutos diretos, a “Chequinho”, condenou criminalmente mais quatro vereadores do grupo dos Garotinho. Thiago Virgílio (PTC), Linda Mara (PTC), Kellinho (PR) e Jorge Rangel (PTB) foram sentenciados a 5 anos e 4 meses de prisão em regime semiaberto, por participação na troca de votos por Cheque Cidadão, na eleição municipal de 2016. O julgamento coube ao juiz da 76ª ZE de Campos, Ricardo Coimbra, que só passou a atuar no caso após o rezoneamento eleitoral de 4 de outubro.

 

Rumo ao abismo

Como Ralph, Glaucenir Oliveira e Eron Simas, outros magistrados eleitorais de Campos citados ontem (aqui) nesta coluna, pelo papel destacado na “Chequinho” — assim como na “Caixa d’Água”, no caso dos dois primeiros —, Ricardo é outro juiz relativamente jovem. Numa geração que engloba também parte dos promotores eleitorais e agentes da Polícia Federal (PF) de Campos que atuaram no caso, suas ações contrastam com a velhice precoce das práticas de quem ainda aposta na promiscuidade entre público e privado. Insistir neste caminho, por mais carismático que seja o líder, é reproduzir a cegueira da manada rumo ao abismo.

 

Eleito para Ompetro

A Organização dos Municípios Produtores de Petróleo (Ompetro) já tem novo presidente eleito. O prefeito de Campos, Rafael Diniz (PPS), no seu primeiro ano de mandato, teve aprovação ontem dos representantes das cidades que compõem a entidade e vai assumir a liderança a partir do próximo dia 1º de janeiro. Ele substitui o prefeito de Macaé, Dr. Aluizio (PMDB), que não compareceu a reunião de ontem em Campos, quando também foram escolhidos para a diretoria de 2018 os prefeitos de Rio das Ostras, Carlos Augusto Balthazar; Quissamã, Fátima Pacheco; Búzios, André Granado; de Casimiro de Abreu, Paulo Dames.

 

Pesos

Além da importância de Campos na formação da Ompetro, a consolidação de Rafael como liderança política na região também foi evidenciada com a escolha. Representantes de oito dos 11 municípios da Organização participaram da eleição. A substituição do prefeito de Macaé pelo de Campos ocorre em momento de desgaste do atual presidente. Dr. Aluízio foi recentemente criticado pelos integrantes da Ompetro, após lançar campanha “Menos royalties, mais empregos”, que não teve aval dos demais prefeitos e não foi à frente. A reação dos outros municípios foi buscar mais investimentos da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e Petrobras.

 

Com o jornalista Rodrigo Gonçalves

 

Publicado hoje (02) na Folha da Manhã

 

Guiomar Valdez — Tempo, tempo, tempo!

 

 

 

Relendo no Blog Opiniões, alguns artigos – ‘As Redes Sociais’ (21/11) – Orávio de Campos; ‘Não posso ser perseguido como criminoso’ (25/11) – Vanessa Henriques; ‘O Direito Imoral (29/11) – Gustavo Alejandro Oviedo; Da tragédia do teatro à da vida real, a projeção dos próximos atos’ (29/11) – Aluysio Abreu Barbosa; e, ‘Em nome da moralidade (30/11) – Paula Vigneron, além de aprender mais e conhecer mais os autores, compreendi outros aspectos sobre a nossa realidade local/regional e nacional. Mas, aconteceu que alimentei a ideia de falar um pouco sobre ‘crise’, porque esta perpassa em todos os textos.

Crise não é algo excepcional ao tipo de sociedade em que vivemos – desigual em sua estrutura! Ela é inerente.

Diante da crise, o tempo ‘cotidiano’ é muito pretensioso! Porque nele temos a ilusão da eternidade do presente, um verdadeiro sentimento de ‘presente contínuo’. Daí porque qualquer crise é sempre enorme para aquele que a vive. Imaginem se a ‘dor’ gerada pela crise for para a maioria das pessoas? For uma crise social, coletiva? Quantas maldições ouviremos sobre este ‘tempo’, quantas frustrações sentiremos, parece que o nosso destino foi selado, pensamos até que nunca mais seremos felizes. As pedras das ruínas do presente são difíceis de separar, especialmente quando não compreendemos que o que vai edificar mais uma saída do presente em crise, serão importantes e especiais pedras desse ‘presente contínuo’ que nos assusta tanto e que cria desesperança!

Por isso, mesmo que o ‘tempo histórico’ seja algumas vezes um ‘fardo’, é nele que busco compreender a realidade. E por falar em ‘mundo real’, o do nosso país, em especial, o seu tempo ‘cotidiano’, admito, está insuportável. Mas nós temos capacidade e potência para vivenciarmos e compreendermos este fardo contemporâneo, a partir da dimensão histórica, que exige um conhecimento mais profundo e hardware na sua aquisição ou produção, e, das ricas e profundas experiências de vida, do ‘tempo próprio e intransferível’, que cada um de nós acumulamos em nossa existência, que vem do ‘tempo passado’ através da nossa memória e marcas que ficam, que se transformam em capacidade de projetar para além do ‘presente contínuo’.

Um aspecto da crise atual, de forte densidade social e político-ideológica em nosso país, está na afirmação do espaço das teses e práticas ultraconservadoras e no amálgama da política com o moralismo fundamentalista religioso, com seus ‘atores’ institucionais ou não, vivenciando momentos de pseudo vitórias.  Se atentarmos para o ‘tempo histórico’, veremos que este aspecto, está intimamente ligado a crise orgânica da política e seu desmonte, bem como, a reconhecida crise sistêmica do capital (desde a década de 1970, escancarando a partir de 2008). Quanto à economia-política, portanto, esta crise está sendo considerada por muitos sérios autores, como não mais cíclica (como pensávamos), mas contínua, universal e global, e, cada vez mais profunda, atingindo todas as dimensões da vida social e no metabolismo da natureza.

E quem obviamente perde é a nossa frágil e recente Democracia e sua maioria de cidadãs e cidadãos.

Segundo o filósofo István Mészáros (2002)**,

“Diferente das crises precedentes, a atual é universal, no sentido que atinge todas as esferas da vida; é global, no sentido que um problema num determinado ponto do mundo tem reflexos gerais; não é mais cíclica, mas contínua e cada vez mais aguda e destrutiva de direitos e da natureza. Para a manutenção deste sistema cada vez mais irracional, produziu-se paulatinamente a anulação do poder político dos Estados nacionais, transferindo o verdadeiro governo do mundo para os grandes grupos econômicos, hegemonizados pelo capital financeiro, e para os organismos internacionais que o os representam, mormente a Organização Mundial do Comércio e o Banco Mundial. Estrutura-se, então, um poder sem sociedade ou, como analistas têm caracterizado, um Estado de exceção permanente”.

E quem obviamente perde é a nossa frágil e recente Democracia e sua maioria de cidadãs e cidadãos. Obstaculizada na realização de Direitos Sociais/Humanos, de bens materiais e imateriais para a maioria.

Assim, passa a ter sentido a nossa ‘dor cotidiana’ diante de escândalos e escândalos, de corrupção e corrupção, de intolerância e intolerância, de violência e violências, de falsos moralismos e falsos moralismos, de trevas e trevas, de mentiras e mentiras, de alienação e alienação, que nos anestesia diante das ações concretas de antinação, antipovo e antidireito, traduzidas na flexibilização das leis e do Direito para a maioria da população. Como afirma Giorgio Agamben (2015)*: “Mas não há indício mais certo da ruína irreparável de toda a experiência ética que a confusão entre categorias ético-religiosas e conceitos jurídicos, que chegou hoje ao paroxismo”.

Por onde olhamos, por onde participamos, por onde até nos esquivamos, ela, a crise está aí.

Ao retomar a leitura dos artigos do Blog, percebemos o quanto os autores exemplificavam esta crise sem precedentes: o Orávio ao afirmar – “Podemos, também, correr o risco, no caso de uma possível falha do sistema, de construirmos o futuro com as perspectivas sombrias de um apagão virtual. E aí teremos, por força das circunstâncias, de reconstruir as memórias apagadas pelo artificialismo”, nos aponta aspectos da crise no ‘mundo cibernético’; Vanessa nos indica a crise na Arte, ao comentar – “Agora, legitimando a pressão conservadora capitaneada pelo Movimento Brasil Livre que enxergou pedofilia numa performance que continha nudez, mas nudez destituída de caráter erótico ou sexual…”; Ao afirmar – “Também hoje, Garotinho vai poder fazer o retrato falado do seu suposto agressor, descrito pelo cineasta e jornalista Arnaldo Jabor: “o bicho papão que foi pegá-lo na cadeia com um porrete na mão”, Aluysio nos exemplifica a crise na política, tristemente enquanto farsa; Gustavo levanta a crise no Direito ou jurídico-política, ao comentar – “São leis que, apesar de ter uma justificativa altruísta, ajudam a manter o status quo de desigualdade, ineficiência, marginalidade e atraso”; e, ao comentar – “[…] os conflitos entre pessoas com diferentes posicionamentos ideológicos têm tomado proporções acima das aceitáveis para um país democrático no qual deveria prevalecer o debate em vez de gritos desencontrados”, Paula aborda e exemplifica o retorno, de não muito longe, da censura e da intolerância diante da diferença e divergência.

Imprescindível este trabalho jornalístico plural, de percepção e de interpretação do real concreto. Ele ‘encara’ o tempo presente, sem medo de decifrá-lo, conforme Édipo diante da esfinge…Ele nos faz desprender da miséria do ‘tempo contínuo’ para ver além da noite, que parece eterna.

Mas, não basta só pensar a realidade, é preciso modificá-la para além de tudo que nos esmaga – só para os poucos as benesses da economia, da política, da liberdade, da cultura, da vida digna e esperançosa.

Fica, então, a sugestão de István Mészáros (2007)***, para seguirmos em frente: “O desafio do tempo histórico é aceitar o fardo da responsabilidade que dele emerge: o trabalho dedicado voltado ao assentamento dos alicerces de uma ordem social genuinamente cooperativa precisa começar no presente imediato”.

 

 

 

 (*) Meios sem fim. Belo Horizonte: Autêntica, 2015.

 

(**) Para além do capital. São Paulo: Boitempo, 2002.

 

(***) O Desafio e o fardo do tempo histórico. São Paulo. Boitempo, 2007.

 

Prefeito de Campos, Rafael Diniz é eleito presidente da Ompetro

 

Rafael, acompanhado das prefeitas Carla Machado (PP) e Fátima Pacheco (PTN) e do deputado federal Júlio Lopes (PP) na reunião da Ompetro na Associação Nacional de Petróleo (ANP), na última terça, dia 28 (Foto: Assessoria)

 

O prefeito de Campos, Rafael Diniz (PPS) acabou de ser eleito presidente da Organização dos Municípios Produtores de Petróleo (Ompetro). Ele asumirá em 1º de janeiro no lugar do prefeito de Macaé, Dr. Aluízio (PMDB), muito criticado pelos colegas de Executivo na região, e dentro do próprio Legislativo macaense, após lançar a desastrada campanha “Menos royalties, mais empregos”.

A eleição em chapa única aconteceu na tarde de hoje (1º), em reunião no gabinete do prefeito, onde representantes de oito dos 11 municípios integrantes escolheram Rafael. Os quatro outros membros da diretoria são os prefeitos de Rio das Ostras, Quissamã, Armação dos Búzios e Casimiro de Abreu.

A reunião seria iniciada com a apresentação das contas da Ompetro, mas a prefeita de São João da Barra, Carla Machado (PP), sugeriu a inversão da pauta, propondo a eleição, tendo apoio geral. Há algums tempo, Carla era a principal crítica da gestão de Dr. Aluízio na entidade, que sequer compareceu, assim como os representantes de Cabo Frio e Niterói.

— É um grande privilégio ser escolhido por unanimidade pelos oito municípios presentes para representar essa importante entidade, que representa a região produtora junto à Agência Nacional do Petróleo e outros organismos. Lutamos contra a eterna dependência dos royalties do petróleo, mas entendemos que esta ainda é uma importante fonte de recursos para nossos municípios. Portanto, temos que fortalecer essa entidade, temos que pensar como região, e esse momento é um importante passo nesse sentido — afirmou Rafael Diniz.

Formam a diretoria com o prefeito Rafael Diniz, o prefeito de Rio das Ostras, Carlos Augusto Balthazar, na vaga de vice-presidente; a prefeita de Quissamã, Fátima Pacheco, como primeira-secretária; o prefeito de Búzios, André Granado, como segundo secretário; e o prefeito de Casimiro de Abreu, Paulo Dames, como tesoureiro.

A reunião discutiu ainda outros assuntos de interesse dos municípios e da Ompetro. Os representantes dos municípios que não compareceram, Macaé, Cabo Frio e Niterói, serão comunicados da deliberação e receberão cópia da ata da reunião. Uma nova reunião da entidade, confirmada para o dia 20 deste mês, deverá definir detalhes do fechamento desse exercício.

Participaram ainda da reunião a prefeita de Carapebus, Cristiane Cordeiro; o vice-prefeito de Búzios, Carlos Henrique; o vice de Arraial do Cabo, Sérgio Carvalho; o vice de Rio das Ostras, José Guimarães Salvador, o presidente da Câmara Municipal de Casimiro de Abreu, Rafael Jardim; o secretário executivo da Ompetro, Marcelo Neves; o secretário de finanças da entidade, Sérgio Coelho; o secretário da Transparência e Controle de Campos, Felipe Quintanilha; e o superintendente de Tecnologia e Inovação, Romeu e Silva Neto.

 

Atualizado às 19h56, para acréscimo de informações.

 

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