Opiniões

Ocinei Trindade — Caetano, a polícia, a paternidade e o país

 

 

 

Quis o destino que Caetano Veloso chegasse aos 75 anos de idade, belo, saudável, poeta, pensador crítico, incômodo e incomodado neste agosto de 2017. Pai de três filhos, o cantor e compositor baiano não deve estar contente com a falência do Brasil, nem do estado do Rio de Janeiro, onde reside, cercado por violência e incertezas. Imagino que ele e qualquer cidadão consciente questionem a truculência, a corrupção e a vulnerabilidade de policiais fluminenses que também são vítimas de criminosos. Só este ano, quase 100 peemes morreram no Rio. Se não é guerra, o que é? Temos sido alvos de inescrupulosos políticos, ladrões ou traficantes, e está difícil distinguir quem são os bandidos mais perigosos deste país. Pena deste momento baixo-astral brasileiro.

 

Enquanto os homens exercem seus podres poderes, motos e fuscas avançam os sinais vermelhos e perdem os verdes, somos uns boçais…

 

O número de policiais assassinados ou mortos em combate ao crime organizado é noticiado pela imprensa semanalmente. São estatísticas que acabam sendo banalizadas, juntamente com outros números de vítimas da violência desenfreada que toma conta do Rio de Janeiro, e de muitos outros lugares deste enorme e injusto país. Trata-se de uma luta que parece não ter fim. Impossível vencer bandidos bem armados, destemidos e impunes. Acostumamo-nos com as notícias ruins durante as refeições, além de criminosos nas esquinas, nos governos e nos parlamentos. Não me conformo.

 

…em caras de presidentes, em grandes beijos de amor, em dentes, em pernas, bandeiras, bomba e Brigitte Bardot, o sol nas bancas de revistas me enche de alegria e preguiça, quem lê tanta notícia? Eu vou, por que não?…

 

Tornamo-nos espectadores de uma guerra suja e injusta (como a maioria das guerras). Entre homens e mulheres que morrem alvos de balas perdidas e direcionadas, estão também policiais militares com salários ruins e atrasados, além de condições inadequadas de trabalho. Eles e milhares de outros servidores públicos estaduais passam pelo mesmo perrengue. Os militares que morreram este ano no Rio não eram só policiais, mas também eram filhos, maridos e pais que se foram em vão, infelizmente. Mártires e vítimas de assassinatos não fazem falta para a maioria da sociedade, pois são facilmente esquecidos. A escalada de violência e desigualdade social só aumentam por aqui com uma certa indiferença. Reverter o quadro é possível? Caetano Veloso já viu quase tudo nesses seus 75 anos de vida, inclusive, esperança por dias melhores no futuro que já virou passado. Quem crê nisso?

 

Quem é ateu e viu milagres como eu, sabe que os deuses sem Deus não cessam de brotar, nem cansam de esperar, e o coração que é soberano e que é senhor não cabe na escravidão, não cabe no seu não, não cabe em si de tanto sim, é pura dança e sexo e glória, e paira para além da história…

 

O país que se destaca entre os mais ricos do mundo, o Brasil em pleno século XXI, se mantém no topo das contradições, e na lista dos mais miseráveis do planeta. Exagero? Quem se informa apenas pelos telejornais da TV Globo até pode ficar inconformado, mas nem todas as desgraças e injustiças cabem nas páginas dos jornais, sites de notícias ou nas postagens surdas, roucas, mal-escritas, destoadas ou desafinadas que entopem as linhas do tempo das redes sociais. Indignação virou sinônimo de post and likes. Eu sempre me pergunto if I like or if I don´t like. O Brasil quando comparado ao Haiti, infelizmente, se mostra em grandes desvantagens. E (in)justamente na terra onde se considera levar vantagem em tudo. Rezemos pelo Brasil. Educar se torna cada dia mais desafiador.

 

…E quando ouvir o silêncio sorridente de São Paulo diante da chacina, 111 presos, mas presos são quase todos pretos ou quase pretos, ou quase brancos quase pretos de tão pobres, e pobres são como podres e todos sabem como se tratam os pretos…pense no Haiti, reze pelo Haiti, o Haiti é aqui, o Haiti não é aqui…

 

Não sei quanto tempo dura uma crise econômica, nem a crise de baixa auto-estima que o Brasil foi acometido nos últimos anos que se arrastam. Sei que nada é para sempre e que o “pra sempre” sempre acaba, mas não todo dia. A gente que tem vocação para a felicidade fica logo exaurido quando nos roubam o sorriso, a saúde, as escolas, os hospitais, a segurança e os direitos básicos como ir e vir. Em um passado remoto, a saída para o Brasil era o aeroporto, mas as fronteiras se fecham cada vez mais em um mundo de guerras que fabricam refugiados, preconceitos, intolerâncias e discriminações generalizadas. Há tempos é assim, e assim sobrevivemos. Até quando? Quantos chegarão aos 75 anos de vida ou de sobrevida? O que fazer desta vida pelo tempo que for?

 

És um senhor tão bonito quanto à cara de meu filho, tempo, tempo, tempo, tempo, vou te fazer um pedido: tempo, tempo, tempo, tempo…

 

Quando vi Caetano Veloso ao vivo pela primeira vez, ele estava prestes a fazer 51 anos, durante seu show Circuladô, no Canecão. Fiquei hipnotizado por ele. Talvez, eu nem soubesse que o admirava tanto como poeta, artista, intérprete, e como brasileiro. Eu era jovem e ele ainda não era velho. Hoje, estou mais próximo daquele Caetano de 1992 com a idade que tenho agora. Ele, apesar de velho, parece mais jovial que muitos rapazes musculosos de pensamentos ocos e caretas caminhando sob  o sol. Tudo se mistura, passado e presente, confunde ideias e memórias.

 

Temos retrocedido humana e politicamente em tantos aspectos neste país, um horror brutal que nos ofende diariamente. A Pátria patriarcal (ou mais matriarcal?) tem testemunhado muitas baixas. Famílias que perdem meninos e homens, meninas e mulheres, vítimas da violência, do desemprego e da desesperança. Nem todos os filhos deste solo são gentis como tu és, Mãe e Pátria Amada. O amor de pai se perde, o amor pelo país ameaçado, também. Há uma estranheza de forças nos afetando a todos. Tristes? Sim, também somos. E velhos.

 

…Eu vi muitos cabelos brancos na fronte do artista. O tempo não para, e no entanto, ele nunca envelhece. Aquele que conhece o jogo, do fogo das coisas que são, é o sol, é o tempo, é a estrada, é o pé e é o chão…por isso uma força me leva a cantar…

 

Eu escrevo para aliviar o peito. Vivo em uma cidade que dizimou índios, que aboliu de seu nome os goytacazes, mas que os ressuscitou apenas em palavra para complementar ou enfeitar uma Campos de sombras mortas ou quase mortas no norte fluminense. Pelo país afora, nações indígenas e outros brasileiros mestiços sofrem todo tipo de ameças por um pequeno grupo de poderosos que destrói o Brasil da maneira mais vil. Somos plateia inerte que resmunga, que reage com palavras suprimidas.

A omissão dos brasileiros custa caro aos chefes de família de bem, aos policiais honrados (sim, estes existem também e precisamos falar melhor sobre isso, tentarei), aos milhões de anônimos sem voz e sem vez. Nem todos possuem a projeção e o reconhecimento de um Caetano Veloso. Só que nem ele, nem algum de nós sozinhos conseguiremos muita coisa em favor do Brasil, se não houver consenso e cooperação (romântico?). Como (re)unir a Nação? Quem sabe, um índio descerá de uma estrela brilhante e virá impávido que nem Muhummad Ali no coração da América do Sul para abrir nossas mentes e visões?

 

…E aquilo que nesse momento se revelará aos povos, surpreenderá a todos não por ser exótico, mas pelo fato de poder ter sempre estado oculto quando terá sido óbvio.

 

As letras de Caetano Veloso, as ações e intenções de policiais, de políticos, de pais de família e de todos os cidadãos brasileiros podem ajudar a transformar este país afetuosamente? Afinal, se gente é para brilhar, não para morrer de fome, é preciso alimentar e realimentar Campos, o Rio de Janeiro e o Brasil inteiros, de fevereiro a fevereiro na melhor das hipóteses, ou, de dezembro a dezembro entre os mais otimistas. Façamos nossas listas ao levantar da cama. O fim vem, mas o reinicio também.

 

Meu coração não se cansa de ter esperança de um dia ser tudo que quer… meu coração vagabundo quer guardar o mundo em mim.

 

Corte nos salários dos RPAs tira quatro neurocirurgiões do HFM

 

Embora o governo Rafael Diniz (PPS) tenha argumentado que discutiu previamente o corte nos salários dos servidores em regime de Recibo de Pagamento Autônomo (RPA), como a Folha1 divulgou aqui em primeira mão, a alegação de que a redução foi feita sem qualquer aviso prévio não só é mantida pelos RPAs, como produziu hoje os primeiros pedidos de demissão. Quatro neurocirurgiões do Hospital Ferreira Machado (HFM), maior do município, comunicaram hoje seu desligamento, que já foi assinado pelo superintendente da unidade, Pedro Ernesto Simão.

Os médicos Doralice Batista, Ramon Romano, Douglas Romano e Marina Andrade eram responsáveis pelo plantão de neurocirurgia do HFM nas quintas, sábados e domingos. Eles lembraram que vinham trabalhando a despeito de não terem recebido seus vencimentos de dezembro de 2016, ainda na gestão Rosinha Garotinho (PR). Na carta de desligamento, os quatro médicos lamentaram seu desligamento e “a consequente desestruturação de todo o serviço neurológico implantado, prestado com excelência até o momento”.

Confira abaixo:

 

 

 

Atualização às 12h11 de 16/08: desde ontem a Prefeitura produziu um release sobre o caso, ao qual o blog só teve acesso agora e reproduz abaixo:

 

A Fundação Municipal de Saúde (FMS) informa que está buscando alternativas para resolver a situação o quanto antes. A Prefeitura de Campos tem feito ajustes para adequar o orçamento à realidade financeira do município que, no início deste ano, teve um déficit mensal de cerca de R$ 55 milhões.

Com as medidas de readequação financeira que vêm sendo tomadas, como o corte de mais de 500 cargos comissionados, revisão dos contratos e redução das despesas, o município já diminuiu o déficit para cerca de R$ 35 milhões mensal. Mas a situação ainda é preocupante porque a conta segue fechando negativa.

 O ajuste feito nos Recibos de Pagamentos Autônomos é mais uma medida de readequação orçamentária e ocorre em virtude da grave crise financeira do município, como já é do conhecimento de todos. Este ano, a receita é R$ 1,4 bilhão a menos em relação ao ano passado.

Igor Franco — A Reforma Superfaturada

 

 

 

A Comissão Parlamentar que analisava a “reforma política” aprovou seu texto-base na semana passada. Entre diversos pontos poucos relevantes, as eleições para deputados e senadores passam a ser feitas com o chamado “distritão”. Na prática, tornam-se majoritárias, ou seja, os candidatos mais votados serão os eleitos. Hoje, com o quociente eleitoral, temos a absurda situação de apenas 36 deputados federais desta legislatura terem sido eleitos com votos próprios. Todos os outros foram “carregados. Enquanto sepultamos o sistema proporcional, corremos o risco de favorecer medidas populistas que se revertam em maior número de votos.

Além disso, será criado um fundo que receberá algo em torno de R$ 3,5 bilhões para o financiamento eleitoral. Num país de tantos bilhões perdidos para a corrupção, para inépcia administrativa e para privilégios legais, o valor parece módico. Sem dúvidas, algum leitor respirou aliviado: falando de Brasil, a desgraça esperada nunca é pequena. A carteira dos pagadores de impostos já há algum tempo não é mais batida, mas estapeada. Talvez seja possível contar nos dedos as vezes em que políticos se reúnam e não saiam de lá com uma nova conta a ser paga pelos seus empregadores. A prática do sobrepreço em obras públicas está tão arraigada, que nossos políticos superfaturam até reformas legislativas.

Não há um analista que discorde da necessidade de uma reforma política. O sistema atual, erodido pela corrupção endêmica, atua exclusivamente em benefício dos seus operadores. O Congresso Nacional, de acordo com a ONG Contas Abetas, consome uma média de R$ 1,1 milhão por hora. Mas não somente o sistema político é um grande sorvedouro de recursos: o sistema eleitoral, através da manutenção de uma jurisdição específica e seus fundos de custeio, como o Fundo Partidário, já consome quase R$ 4 bilhões ao ano. A própria existência do fundo pressupõe um círculo vicioso, uma vez que a distribuição do fundo aos partidos existentes estimula a criação de novos partidos para abocanhar o dinheiro; com o fundo diminuindo ao aumentar-se o rateio, aumenta-se também a pressão para que o mesmo aumente de valor. Confiar ao sistema político a tarefa de reformar-se e impor-se limite remete à já desgastada analogia das raposas a cargo do galinheiro.

Embora seja justificável a preocupação com as fontes do financiamento eleitoral no período pós-Lava Jato, que descortinou uma simbiose entre roubo de dinheiro público para fins pessoais e eleitorais num nível jamais visto, não há garantia qualquer de que o “caixa 2” – necessariamente uma operação oculta – não seria realizado novamente. Aliás, há ainda mais incentivos para que ele seja feito, uma vez que toda e qualquer doação privada será ilegal. Mas a ilegalidade já contaminava as antigas práticas e nem por isso deixaram de existir. Enquanto houver morosidade da Justiça e leniência com os crimes eleitorais, leniência essa que aumenta quanto mais poderoso é o criminoso – vide julgamento da chapa Dilma-Temer, jamais poderemos confiar em qualquer boa utilização dos recursos públicos. O grande problema das nossas campanhas não é a utilização do dinheiro ou sua origem, mas a incapacidade do Estado em punir criminosos poderosos com rigor.

Os pretextos para o financiamento público de campanha passam por tudo que há de mais danoso ao Brasil: a concepção de que cabe ao Estado determinar as principais atividades sociais, por parte dos bem-intencionados, e a oportunidade de amealhar recursos públicos sem as devidas satisfações, por parte dos mal-intencionados.  O casamento entre a ignorância e a má-fé produz frutos podres há pelos menos 517 anos em solo pátrio.

 

Artigo do domingo — Por que a luta pela Uenf não pode ser ignorada?

 

 

 

 

Posição assumida pela Uenf(*)

Por Aluysio Abreu Barbosa

 

Hoje se completam 10 dias da paralisação da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) Darcy Ribeiro. A greve na mais importante instituição de ensino superior de Campos e região foi decretada pela Associação de Docentes da Uenf (Aduenf) no último 3. Diferente de outras paralisações nos 24 anos de vida da universidade, quase como férias extraoficiais pelas reivindicações de praxe, não há como não apoiar a excepcionalidade da causa atual: o pagamento do 13º de 2016 e dos salários de maio, junho e julho de 2017 a servidores e professores que têm recorrido à doação de cestas básicas para ter o que comer.

Quem trabalha quase sempre acha que deveria ganhar mais. Quem emprega, não raro acha que paga o suficiente. Entre a oferta e procura de Adam Smith e a mais valia de Marx, esse é o conflito desde sempre. O que não se pode admitir é que não se pague nada a quem trabalhou. Sobretudo quando o trabalho, como o desenvolvido na Uenf há quase um quarto de século, é destaque meritocrático nas avaliações científicas do país. Só para ficar na última, em maio a universidade ganhou (aqui) pela terceira vez o Prêmio Nacional de Iniciação Científica, conferido pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ).

Com a polarização muitas vezes esquizofrênica do debate público brasileiro desde o 2º turno da eleição presidencial de 2014, passando pelo impeachment de Dilma Rousseff (PT) em 2016, e pela vergonhosa negativa da Câmara Federal em dar prosseguimento às investigações sobre Michel Temer (PMDB), há quem critique o pensamento político dominante na Uenf, por entendê-lo refratário, por exemplo, a parcerias com a iniciativa privada. Quem vê nisso (aqui) uma alternativa de sobrevivência, tem todo o direito de questionar, desde que ninguém se desvie da questão principal: é possível pensar Campos e o Norte Fluminense sem a Uenf?

Em contrapartida, quem está na Uenf e se queixa da falta de engajamento popular em sua luta, não pode se lembrar de tentar quebrar o aquário entre universidade e sociedade apenas quando o calo da primeira aperta. E, sem receber verba de manutenção do governo Luiz Fernando Pezão (PMDB) desde outubro de 2015, o calo já estourou há mais de 21 meses. O estágio atual é da ferida que chegou ao nervo do osso do pé. Perder a Uenf seria ter amputado um membro imprescindível ao caminhar da região, que seria empurrada três décadas para trás em oportunidades de desenvolvimento.

Para quem vive em Campos ou no Norte Fluminense e achar que tanto faz, responda antes a uma pergunta simples, pessoal e intransferível. Quem, mesmo sem nunca ter passado pelos quadros discente e docente da nossa maior universidade, não tem pelo menos um parente, amigo, colega de trabalho ou vizinho que não tenha ampliado sua capacidade acadêmica e profissional, sua visão de mundo e sobre si mesmo, depois de fazê-lo? Porque quem não souber dar a devida importância à resposta, não deveria viver em sociedade.

Concebida pelo antropólogo Darcy Ribeiro, a Uenf foi inaugurada em 1993. Mas é fruto de desejos e lutas anteriores. Um dos seus símbolos, a Villa Maria, onde passou a funcionar a Casa de Cultura da universidade, foi doada a esta em testamento por sua antiga proprietária, Dona Finazinha Queiroz, desde a sua morte em 1970. Se a Uenf funciona há 24 anos, o desejo da cidade por uma universidade pública de qualidade vem de quase outro quarto de século antes de ser finalmente realizado. E se quem vive hoje em Campos não for capaz de lutar para mantê-la, não será digno de quem já lutou e não está mais aqui para fazê-lo.

Ciente do seu papel de porta-voz de Campos e do Norte Fluminense, a Folha da Manhã passou a publicar na primeira dobra da sua capa, desde o último dia 8, o calendário de quantos dias a Uenf se encontra de portas fechadas. Em duas edições especiais de domingo (30/04 e 07/05) — como esta dedicadas à crise da universidade —, as principais lideranças políticas, acadêmicas e de classe da cidade e da região foram ouvidas por este jornal. E todas, em coro uníssono, foram vozes firmes na defesa da manutenção da Uenf. Se o atual governo estadual, ou qualquer outro, achar que pode simplesmente ignorar isso, está muito enganado. Não pode.

E não irá!

 

(*)Publicado originalmente (aqui) no “Ponto Final” de 08/08/17 e republicado hoje (13) na Folha da Manhã

 

Lideranças da região se unem ao magistério na luta pela Uenf

 

(Montagem de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Por Aluysio Abreu Barbosa

 

Hoje a Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) Darcy Ribeiro completa 10 dias de paralisação. A greve na maior instituição de ensino superior de Campos e da região foi decretada no último dia 3 pela Associação de Docentes da Uenf (Aduenf), que teve a adesão dos servidores administrativos no dia 8. E ela será mantida até que o governo Luiz Fernando Pezão (PMDB) deposite em conta os salários de maio, junho e julho de 2017, além do 13º de 2016, dos 950 funcionários (310 professores e 640 servidores técnicos e administrativos) da universidade, que não recebe verba de manutenção, estimada em R$ 2 milhões/mês, desde outubro de 2015. A situação chegou ao ponto de servidores e professores terem que recorrer à doação de cestas básicas, distribuídas pelo Sindicato dos Trabalhadores das Universidades Públicas Estaduais do Rio de Janeiro (Sintuperj), para terem o que comer.

Ciente da gravidade da situação, o reitor da Uenf, professor Luis Passoni, passou a última terça (08) no Rio de Janeiro, em reuniões na secretaria estadual de Ciência e Tecnologia, no Fundo de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Delas, Passoni trouxe uma notícia que seria confirmada no dia seguinte: o leilão da folha de pagamento dos servidores pelos próximos cinco anos, vencido pelo Bradesco, que fará um aporte ao Estado de R$ 1,3 bilhão. A partir disso, Pezão prometeu quitar os atrasados de maio, junho e julho dos servidores, nesta semana que se inicia.

Mas isso basta para sanar os danos já impostos à Uenf? Não para o seu reitor:

— Os prejuízos causados às pessoas e à universidade são difíceis de calcular. Muitos colegas se desfizeram de patrimônio, se afundaram em empréstimos, tiveram suas vidas completamente desestruturadas e ainda sofrem a ameaça de ter a aposentadoria usurpada. As filas que se formam aqui nas sextas-feiras, de servidores que outrora tiveram vida digna, e hoje vêm buscar uma cesta básica doada pela comunidade, cortam o coração e a esperança. Agora há uma nova promessa de acerto dos salários atrasados, mas e o prejuízo moral e material? Como será compensado? Mesmo que se concretize essa nova promessa, como vamos recuperar tudo o que foi perdido? É preciso criar mecanismos que evitem que isso volte a acontecer, além de lembrar das pessoas e partidos que nos colocaram nesta situação, temos que avançar rumo à autonomia de execução financeira para as universidades.

Prefeito de Campos, que tem vários quadros de primeiro escalão do seu governo formados na Uenf, Rafael Diniz (PPS) bateu ponto na defesa da universidade:

— A Uenf é um dos maiores ícones do ensino público superior no país, e com muita tristeza tenho acompanhado a situação que a universidade atravessa. Não apenas alunos, professores e servidores administrativos da universidade sofrem com a falta de planejamento, mas toda a população de Campos e região contemplada com importantes pesquisas desenvolvidas pela instituição. Desde quando exerci meu mandato de vereador, defendo a aproximação das universidades com a gestão municipal, trazendo para perto pessoas que já debatem questões para a gestão pública. Hoje, a universidade arca com as consequências da falta de ajustes que, principalmente, em momentos de crise se fazem necessários. E mesmo diante das dificuldades financeiras que o município atravessa, não podemos ver esta situação e ficar de braços cruzados. Dentro das possibilidades, desde o início do ano a Prefeitura vem auxiliando a Uenf. Vejo sua situação como a da Prefeitura de Campos, onde temos feito de tudo para evitar o colapso. Muitas medidas não são fáceis de serem tomadas, mas precisam acontecer. Abraçar a Uenf é um dever de todos. Valorizá-la é pensar Campos além dos royalties.

Presidente da Câmara Municipal de Campos, o vereador Marcão Gomes (Rede) bateu forte no governo estadual que deixou a situação da Uenf chegar onde está:

— A Uenf é considerada a segunda melhor universidade do Estado do Rio e está entre as 13 melhores do país. A instituição oferece 16 cursos de graduação presenciais, duas licenciaturas semipresenciais e 14 cursos de pós-graduação, tendo aproximadamente seis mil alunos. São características que demonstram sua importância e torna inimaginável e incompreensível como o Governo do estado permitiu essa triste situação dos servidores e alunos sem regularização dos salários e bolsas. Considero inaceitável a forma como a instituição vem sendo tratada pelo governo e a inércia de quem pode agir e se omite. Isenções fiscais a empresas como cervejarias, joalherias, fabricantes de automóveis e outros não pode ser mais importante que nossa universidade.

Descendo pelo rio Paraíba do Sul, em cuja margem a Uenf foi instalada, a luta em sua defesa também tem porto em São João da Barra. Para a prefeita Carla Machado (PP), a situação da universidade chegou ao limite:

— Há tempos que nos preocupa a situação pela qual passa a Uenf, uma instituição de ensino que é referência em termos de educação e tecnologia, sendo um orgulho para a nossa região. A situação parece ter chegado ao limite, com funcionários sem receber desde abril e aulas suspensas há quase duas semanas. Somos sabedores da crise econômica enfrentada pelo Governo do Estado, mas com a homologação do acordo de recuperação fiscal, temos esperança que se resolva logo a questão salarial a partir de um olhar mais atento para a Uenf.

Prefeita de Quissamã, Fátima Pacheco (PTN) refirmou o caráter regional da luta em defesa da Uenf:

— A Uenf sempre se destacou na nossa região como uma instituição de excelência na qualificação e no fomento do desenvolvimento regional. É com muito pesar que presenciamos os problemas da instituição, de seus alunos e funcionários se agravarem. A educação é um importante instrumento de transformação social e deve ser sempre a prioridade da administração pública. Torcemos pela resolução das questões inerentes a entidade que sempre foi referência regional.

Quem se colocou à disposição para tentar ajudar a Uenf junto à União foi o deputado federal Paulo Feijó (PR):

— Reconheço a importância da Uenf para a nossa região e o Brasil. E acredito que, através do meu mandato, posso ser útil à universidade junto ao governo federal, junto ao ministério da Educação (MEC). Mais uma vez me coloco à disposição da direção da Uenf para ajudá-la na esfera federal, por exemplo, com apresentação de emenda parlamentar de valor significativo para ajudar neste processo de recuperação da universidade. Mas eu dependo de ser demandado, de me apresentarem a melhor forma de auxiliar. Estou à disposição para recebê-lo.

Deputado estadual, Bruno Dauaire (PR) tem mantido diálogos com a reitoria da Uenf, a Aduenf e o Sintuperj, além do secretário estadual de Ciência e Tecnologia, o deputado estadual licenciado Gustavo Tutuca (PMDB), no sentido de buscar soluções para a universidade:

— Salvar a Uenf, protegê-la do desmonte imposto pela irresponsabilidade de governantes, representa muito mais do que a manutenção de um patrimônio em si. Porque se é de crise que estamos falando, e que afeta todos os setores, o caminho para a recuperação do Estado do Rio está na educação de ponta, na pesquisa e na extensão. É o universo acadêmico que vai nos dar as respostas, que vai nos permitir sair deste momento extremamente difícil. Tenho mantido um diálogo permanente com a reitoria, a Aduenf e o Sintuperj. Nesta semana estive com o secretário Gustavo Tutuca e voltei a cobrar soluções urgentes. Também estou lutando para a aprovação de uma PEC que apresentei desde 2015, prevendo a destinação de 6% da receita tributária líquida para as universidades estaduais. Não podemos permitir que a Uenf continue sendo sucateada.

Apesar de ser do mesmo partido de Pezão, quem também tem mostrado empenho na defesa da Uenf é o deputado estadual Geraldo Pudim (PMDB):

— A Uenf é um patrimônio de todo o Rio de Janeiro, uma conquista do nosso povo, que hoje sofre os efeitos da grave crise que vive o país e principalmente o Estado do Rio.
Eu tenho trabalhado incansavelmente para ajudar a instituição. Destinei R$ 10 milhões em emendas parlamentares que tinha direito, fui a ponte entre a reitoria e o governo, repassei verba da Alerj e tenho buscado soluções para a crise que a instituição passa. Acho justo que seus servidores busquem pressionar os governantes e uma das ferramentas é a paralisação, mas vejo também que com o acordo assinado recentemente entre o Governo do Estado e o Governo Federal, o governador terá condições de colocar em dia os salários e repassar as verbas necessárias para que a universidade retorne com seu ensino de excelência.

Quem também lamenta a situação da Uenf é o deputado estadual Gil Vianna (PSB):

— Compreendemos que as situações financeira e econômica estejam críticas em todo o país, não apenas no Estado do Rio de Janeiro. É uma bola de neve que só cresce, não poupando nem as principais instituições de ensino federais e estaduais. A Alerj tem feito a sua parte no sentido de tentar amenizar os impactos negativos na vida desses servidores, estudantes e cidades beneficiadas com a pesquisa de alta qualidade desenvolvida na Uenf. Os prejuízos já estão grandes, mas se a universidade fechar de vez, serão ainda maiores. Sinto uma grande tristeza como cidadão campista, como servidor público e como deputado estadual, porque a Uenf foi uma conquista para a nossa região, que não queremos e não podemos perder.

Membro da base governista na Alerj, o deputado estadual João Peixoto (PSDC) pediu confiança na relação com o Estado, comprometida por inúmeras promessas descumpridas pela administração Pezão:

— A Uenf é uma instituição de excelência de conhecimento e pesquisa, que tem contribuído para a formação de milhares de universitários. A grave situação econômica e financeira que atravessa o nosso Estado vem afetando a universidade de maneira acentuada. Os servidores passam por inúmeras dificuldades,  que afetam seu bem estar, sua confiança e sua própria dignidade. Existe a previsão de que nos próximos dias, o governo do Estado regularize esses pagamentos, com a entrada de recursos nos cofres públicos. Isso trará um alívio a esses servidores, que aguardavam essa solução há meses. É fundamental que exista confiança entre governo e sociedade.

Representante da confiança perdida, a presidente da Aduenf, professora Luciane Silva é testemunha das dificuldades enfrentadas pelos profissionais da Uenf. Para ela, a situação por que hoje passa a universidade é fruto de um projeto pensado do governador:

— Creio que o mais importante a considerar sobre os docentes da Uenf é que, em muitos casos, temos realizado nossas atividades de ensino, pesquisa e extensão, financiado material para estas atividades com nossos próprios recursos. Desde papel de provas até gasolina para realização de saídas a campo. Considerando que nossa excelência é resultado da prática, do experimento, da ida à praça para enquetes e entrevistas, como seguir trabalhando sem salário? Se a cada mês os juros têm minado mais e mais as economias daqueles que vivem exclusivamente do trabalho na universidade? Não é possível aceitar o discurso da crise quando vemos os gastos do governo e a pouca transparência em relação à arrecadação do Estado. Ao escolher pagar algumas categorias e não outras, principalmente ao não pagar os aposentados, Pezão explicita seu projeto de ataque e desmonte da educação, ciência, tecnologia e desenvolvimento. Darcy Ribeiro, idealizador da Uenf, dizia: a crise da educação não é uma crise, é um projeto.

Também professor da Uenf, além de colaborador da Folha, o cientista político Sergio de Azevedo analisou os efeitos da crise na universidade. E pregou a união para evitar um retrocesso:

— Apesar de jovem, a Uenf se encontra entre as 10 melhores universidades do Brasil. Ela foi uma “invenção” ousada e vitoriosa de Darcy Ribeiro ao incorporar novidades de suas experiências anteriores no Brasil, como na Universidade de Brasília, e no exterior. Infelizmente, devido à crise econômica e política do Brasil e a fragilidade do Estado do Rio desde o início do atual governo de Pezão, a Uenf tem sido sucateada. Tanto em relação as verbas necessárias para desenvolvimento de pesquisas, como de manutenção do campus universitário. Além disso, o vergonhoso atraso de pagamento dos professores, funcionários e terceirizados afeta fortemente a universidade. Neste momento de crise financeira e de forte corrupção do Estado cabe a todos nós, que vivemos, trabalhamos ou estudamos em Campos, criarmos forças para evitar um retrocesso às nossas futuras gerações.

Outro professor da universidade e colaborador a Folha, Sérgio Arruda endossa a tese de que a crise na Uenf seja fruto de algo pensado. E pregou resistência:

— De todas as crises pelas quais passamos nos últimos decênios, esta é a mais grave por não ser só contingente, mas programada, além de moral, ou melhor, imoral. Tal crise tomou o Estado brasileiro de assalto, com ações cujas consequências se distribuíram nocivamente por todos os setores da vida nacional. Todos eles nos afetam e é nosso dever cívico reagirmos. Por isso, nós, professores e técnicos da Uenf, estamos certos em resistir aos ataques oficiais contra a ciência e a educação. Não passarão.

Historiador e professor aposentado da Universidade Federal Fluminense (UFF), Aristides Soffiati é o colaborador mais longevo da Folha. Como o jornal, ele também abraçou a causa da Uenf, mas aconselhou sobriedade:

— Darcy Ribeiro era um otimista e sonhador. A Uenf foi um sonho maravilhoso que ele teve, assim como muitos outros. Ninguém imaginaria que um governo pudesse acarretar tanto sofrimento a uma universidade de excelência como a Uenf. Ela só não agoniza por ter um espírito de resistência expresso por seus professores, alunos e funcionários, além daqueles que não integram seus quadros, mas a amam. Estou nesse público e me solidarizo integralmente pela luta da universidade para não cerrar ruas portas. Por outro lado, entendo que de nada adianta os lamentos e críticas ao governo do Estado. É preciso manter a cabeça fria e buscar soluções adequadas para revitalizar a Uenf. Alguma luz já começa a surgir no fim do túnel. É preciso buscar essa luz com sobriedade.

 

Página 5 da edição de hoje (13) da Folha

 

Publicado hoje (13) na Folha da Manhã

 

Fabio Bottrel — Irreconhecível para si mesmo

 

Sugestão para escutar: Por una cabeza – Carlos Gardel, cena do filme “Perfume de Mulher”.

 

 

 

 

Quando sentiu o beijo sem fé molhar como ácido seus pequenos lábios, percebeu que havia se tornado poesia na vida de alguém que não sabe ler, se desfazendo aos poucos, acreditando ser outro, até se tornar irreconhecível para si mesmo.

Quando sentiu o beijo com fé molhar como néctar seus pequenos lábios, percebeu que havia se tornado um verso, tanto quanto infinito verso, na poesia que a vida conjuga em comunhão, se fazendo aos poucos, acreditando sempre em si, até se tornar reconhecível para si mesmo.

Sentiu o beijo molhar seus lábios, havia se tornado verso, infinito verso, na poesia em comunhão, fazendo, acreditando, para si mesmo.

Beijo seus lábios tornado verso, verso, na poesia, acreditando, mesmo.

Diálogo que prevalece entre médicos e Rafael é negado à oposição

 

 

 

Venceu o diálogo

Com críticas às posturas do servidor municipal e do governo Rafael Diniz (PPS) diante às adequações impostas pela difícil realidade financeira do município, esta coluna foi encerrada ontem com um chamamento ao diálogo. E ele venceu após a assembleia da noite de ontem (11), no sindicato dos Médicos, na qual a categoria lotada na Saúde Pública de Campos descartou aderir ao estado de greve decretado pelos servidores da Fundação Municipal de Saúde (FMS) na noite de quarta (09), um dia após a Câmara Municipal aprovar o ponto biométrico e a regulamentação das substituições no serviço público goitacá.

 

Médicos com Rafael

No lugar da paralisação, foi acertado que uma comissão dos médicos irá se reunir na próxima quarta (16) com o prefeito Rafael Diniz (PPS). O encontro foi costurado pelo presidente do sindicato dos Médicos, José Roberto Crespo, e o diretor do Hospital Ferreira Machado (HFM), Pedro Ernesto Simão. A comissão dos médicos será composta por 10 médicos do HFM, 10 do Hospital Geral de Guarus (HGG) e 10 dos postos de saúde.

 

Pauta da reunião

A pauta de reivindicações que a categoria levará ao prefeito é composta de cinco itens: A) reposição de insumos e equipamentos, B) condições de trabalho, C) corte da gratificação da emergência, D) segurança e E) assuntos gerais. Os dois primeiros são considerados os pontos principais. Na reunião de ontem à noite, dos 25 médicos presentes, apenas um chegou a falar em greve. Que os governantes do município e os profissionais da Saúde saibam aproveitar a corda abaixada de ambos os lados para tentar chegar ao consenso. Os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) agradecem.

 

Ferrugem contesta coluna

O vereador Thiago Ferrugem (PR) entrou em contato com a coluna para esclarecer algumas posições da bancada de oposição na Câmara, em relação à sessão da terça (08), quando foram aprovadas pela situação a instalação do ponto biométrico e a regulamentação das substituições no serviço público municipal, que agora só poderão ser feitas por outro servidor. O jovem edil contestou que, como esta coluna afirmou na quarta (09), os oposicionistas tenham ocupado a tribuna apenas para “jogar para a galera”.

 

Oposição barrada na CCJ

Ferrugem asseverou que sua bancada era não só favorável, como elogiou as duas iniciativas do governo Rafael, que visam otimizar o serviço público em tempo de profunda crise financeira. A abstenção da oposição na votação só se deu porque a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, presidida pelo edil Cláudio Andrade (PSDC), julgou como vício de iniciativa duas propostas da oposição: que o ponto facultativo fosse não só para concursados, mas para todos os servidores, e que fosse adotado em esquema de rodízio para ordenar as substituições. E nenhuma delas sequer pode ir a plenário. A bem da municipalidade, foi realmente uma pena.

 

Na Ompetro

Na próxima semana, a Organização dos Municípios Produtores de Petróleo (Ompetro) se prepara para sacramentar a nomeação do prefeito de Campos, Rafael Diniz, ao cargo de presidente. Ao seu lado, na vice-presidência, estará a prefeita de Quissamã, Fátima Pacheco. Atualmente, o prefeito de Macaé, Dr. Aluízio ocupa o cargo. Inicialmente, a reunião para anunciar os novos nomes será realizada em Campos.

 

Concurso da Câmara

O presidente da Câmara de Campos, Marcão Gomes (Rede), convocou aprovados no concurso de 2012 para posse, que acontece dia 18, às 14h. A publicação está no Diário Oficial de ontem. Nesses quase cinco anos, os aprovados travaram uma verdadeira batalha jurídica para verem garantidos seus direitos. O concurso foi deixado de lado pela administração anterior, que chegou a extinguir os cargos e não convocar os concursados.

 

Com a colaboração de Suzy Monteiro

 

Publicado hoje (12) na Folha da Manhã

 

Médicos decidem em assembleia pelo diálogo com o governo

 

 

 

Venceu o diálogo. Encerrada agora, no sindicato do Médicos, com a presença de 25 profissionais da categoria, foi descartada a possibilidade dos médicos da Saúde Pública do município aderirem ao estado de greve decretado na noite de quarta pelos servidores da Fundação Municipal de Saúde (FMS), um dia após a Câmara Municipal aprovar o ponto biométrico e a regulamentação das substituições no serviço público goitacá.

No lugar da paralisação, foi acertado que uma comissão dos médicos irá se reunir na próxima quarta (16) com o prefeito Rafael Diniz (PPS). O encontro foi costurado pelo presidente do sindicato dos Médicos, José Roberto Crespo, e o diretor do Hospital Ferreira Machado (HFM), Pedro Ernesto Simão. A comissão dos médicos será composta por 10 médicos do HFM, 10 do Hospital Geral de Guarus (HGG) e 10 dos postos de saúde.

A pauta de reivindicações que a categoria levará ao prefeito é composta de cinco itens: A) reposição de insumos e equipamentos, B) condições de trabalho, C) corte da gratificação da emergência, D) segurança e E) assuntos gerais. Os dois primeiros são considerados os pontos principais. Na reunião de hoje, dos 25 médicos presentes, apenas um chegou a falar em greve.

 

Com informações da jornalista Paula Vigneron

 

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