Opiniões

Quem perde, ganha e deveria aprender com a eleição do Senado

 

 

O que será Davi Alcolumbre na presidência do Senado? É difícil prever. Mas, a César o que é de César, foi uma vitória consistente do governo Jair Bolsonaro, sobretudo do seu principal articulador político: o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni.

Alcolumbre e Onyx são do DEM — ex-PFL, ex-PDS, ex-Arena dos militares na última ditadura brasileira (1964/1985). E a legenda agora controla o Senado e a Câmara Federal, com Rodrigo Maia, o que não é pouca coisa. Hoje, mesmo que o PSL tenha o presidente, o DEM desponta como o partido mais poderoso do Brasil.

Com a derrota de Renan Calheiros, além do próprio, perdem o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, seu colega ministro Gilmar Mendes, o PT e todos os presos e investigados na Lava Jato. Derrotar essa gente toda junta, também não é pouca coisa.

Ministro da Justiça e Segurança, Sérgio Moro respirou mais aliviado com a definição na Câmara Alta da República. Fosse presidida novamente por Renan, ele seria o principal adversário do ex-juiz federal no pacote anticorrupção que este prepara para enviar ao Congresso.

Pelo menos no discurso de vitória, Alcolumbre foi sensato. Tentou baixar a temperatura que entrou em ebulição no polêmico processo da eleição do Senado. Ao se mostrar generoso na vitória, deveria servir de exemplo ao ressentimento ainda destilado por Bolsonaro e parte dos seus eleitores.

 

Peso do Estado sobre o empreendedor ameaça tradição na Campos/SJB

 

Charge de José Renato publicada hoje (01) na Folha da Manhã

 

Razão de Bolsonaro

Raras vezes se viu um início de governo no Brasil tão tumultuado quanto o de Jair Bolsonaro (PSL). Após o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) levantar forte suspeita da prática de “rachadinha” pelo senador Flávio Bolsonaro (PSL), quando ainda era deputado estadual do Rio, as ligações do clã presidencial com a organização criminosa das milícias puseram em xeque o discurso moralista que levou o capitão do Exército ao Palácio do Planalto. Mas se tem uma coisa em que Bolsonaro está coberto de razão é quando volta e meia afirma: “Nós temos que tirar o Estado do cangote do empreendedor brasileiro”.

 

Tradição empreendedora

Em São João da Barra, foi demonstrado o peso da burocracia e voracidade do poder público sobre quem empreende. E logo sobre os pequenos. Quem costuma visitar o município sem se deparar com as barraquinhas de ambulantes à beira da BR 356, no trecho de Cajueiro? Fazem parte da cultura sanjoanense e da memória afetiva de quem frequenta Atafona, Grussaí e Chapéu de Sol. Ontem, o site da Prefeitura de SJB anunciou que termina hoje o cadastro anual para os responsáveis pelas 35 barracas que oferecem à beira da estrada produtos típicos da terra, como caju, castanha, graviola, pitanga, coco e ovo da roça.

 

Pouco é muito

O cadastro dos barraqueiros só começou a ser feito na última segunda-feira, na Sala do Empreendedor, ao lado da 145ª DP de São João da Barra. E quem não o fizer, nesse prazo exíguo de cinco dias, é ameaçado de não poder mais seguir na atividade econômica que costuma passar entre gerações de famílias de baixa renda. A quem para de carro e compra os produtos rurais, pode parecer pouco. Mas a taxa anual de R$ 161, cobrada pela superintendência municipal de Comércio, Serviços e Empreendedorismo, faz diferença no orçamento de quem vende nas barracas para sustentar sua família.

 

Matemática política

Os barraqueiros de Cajueiro sofreram um grande baque na produção da fruta que dá nome à localidade. Em 2005, uma praga conhecida como mosca branca destruiu 90% dos pés de caju da região. Só em 2010, com o plantio de 45 mil mudas, trazidas do Ceará, a atividade começou a se recuperar. O superintendente de Comércio, Serviços e Empreendedorismo do governo Carla Machado (PP) é Luciano Barreto. Em 2016, foi candidato a vereador pelo Pros, teve apenas 134 votos e não se elegeu. Com as 35 barracas multiplicadas pelos quatro da média de cada família que sustentam, são no mínimo 140 pessoas afetadas.

 

Testemunho

Os barraqueiros de Cajueiro falaram à reportagem da Folha sobre o “peso do Estado”, representado pelo governo sanjoanense, sobre sua atividade de subsistência: “Nós temos que pagar uma taxa de R$ 161, só que marcaram de última hora. Já que é um cadastro anual, eles poderiam deixar para quitar até dezembro. É complicado tirar esse valor do nosso bolso agora para pagar. Só mexem nisso no verão, na hora que nosso movimento é maior. Temos que deixar de trabalhar para resolver isso. No inverno, não aparecem. Pra mim, o cadastro não vai adiantar de nada, igual ao ano passado”, criticou a barraqueira Jéssica Oliveira, de 23 anos.

 

Educação

O município de Campos conseguiu superar a meta prevista para até 2024 do Plano Nacional de Educação (PNE) e a do Plano Municipal para atendimento às creches. Ao contrário do que ocorre com o ensino fundamental, não existe obrigatoriedade de universalização de oferta em vagas em creche. Entretanto, o plano estabelece que, pelo menos, 50% das crianças de até três anos de idade sejam atendidas. Hoje, mais de 60% são beneficiadas e a previsão é que este percentual ainda cresça. Uma boa notícia para a volta às aulas.

 

Prazo adiado

O Governo do Estado do Rio de Janeiro prorrogou o prazo do recenseamento obrigatório para os servidores ativos, aposentados e pensionistas nascidos nos meses de novembro e dezembro. Eles terão até o dia 7 de março de 2019 para realizar o procedimento em qualquer agência do Bradesco do país. Esta é a última chance para que 18 mil servidores, que ainda não se cadastraram, façam a atualização cadastral e não tenham seus salários suspensos.

 

Com o jornalista Mário Sérgio de Souza

 

Publicado hoje (01) na Folha da Manhã

 

Nossa Senhora dos Navegantes e Claudinha têm homenagens no Pontal

 

Reduto tradicional de grande parte dos campistas no verão, Atafona não se resume à programação oficial dos shows de sábado e domingo, no Balneário da praia sanjoanense. Desde hoje começou a Festa de Nossa Senhora dos Navegantes. Padroeira dos pescadores de Atafona, a imagem da santa sai nesta sexta (01) em procissão da sua capela no Pontal. De lá, segue ao Píer do Pescador, parte em procissão fluvial, desembarca nas areias do Pontal e volta à capela. Segundo o livro “Uma dama chamada Atafona”, do jornalista e pesquisador João Noronha, é uma tradição que ocorre anualmente desde 1955.

No sábado (2), dia em que os católicos celebram Nossa Senhora dos Navegantes, a programação começa bem cedo, com alvorada às 6h. Já às 18h30 será celebrada a missa solene (campal). Depois, a procissão terrestre percorre as principais vias públicas de Atafona. Na chegada, acontece a cerimônia de coroação e uma queima de fogos, encerrando as atividades religiosas. A Prefeitura colabora com a parte de estrutura, mas as flores que enfeitam a festa, assim como os fogos, são bancados pelos próprios pescadores do Pontal.

 

Morta no dia 25, Claudinha Arenari terá sua cinzas lançadas na foz do rio Paraíba, neste sábado (2), dia de Iemanjá. Organizado por amigos e parentes, o luau em sua homenagem será no Pontal de Atafona (Foto: Facebook)

 

É na base da colaboração que amigos e parentes da bilbiotecária Cláudia Arenari irão homenageá-la (aqui) com um luau, também nas areias do Pontal de Atafona, a partir das 18h de sábado.  Tradicional veranista de Atafona, Claudinha estava lá quando passou mal e foi internada na Santa Casa de São João da Barra, onde morreu (aqui) na última sexta (27). Ela tinha 62 anos. Após o velório em Campos, seu corpo foi cremado em Nova Friburgo. E suas cinzas serão lançadas no encontro das águas do rio Paraíba do Sul com o oceano Atlântico.

A data da homenagem a Cláudia é simbólica: no sincrestismo religioso brasileiro, 2 de fevereiro é a data de Nossa Senhora dos Navegantes. E também de Iemanjá, rainha dos mares e divindade do candomblé e da umbanda. Claudinha era sua devota. Nas redes sociais, os organizadores pedem aos presentes: se possível usem vestimenta branca e cada um leva sua bebida, velas ou lanterna e madeira para a fogueira.

 

Morre aos 62 anos, em SJB, a bibliotecária Claudinha Arenari

 

(Reprodução de Facebook)

Morreu hoje a bibliotecária Cláudia Arenari, mais conhecida como Claudinha. Ela tinha 62 anos e estava em Atafona, onde era uma tradicional veranista. No domingo, começou a passar mal, com quadro de vômito, ficando de cama o resto da semana. Nesta madrugada, sem apresentar melhora, deu entrada na Santa Casa de São João da Barra e passou à UTI,  onde foram dignosticados insuficiência renal, anemia profunda e queda de pressão. Foi tentada uma tranferência ao Hospital Dr. Beda, em Campos, mas havia risco na remoção, mesmo numa UTI Móvel. Na tarde de hoje, ela não resistiu e morreu.

Claudinha foi casada com o professor de história Augusto Soffiati, o Tata, com quem teve dois filhos: Bernardo e Bárbara. Filho desta, deixa também um neto: Noah. Aposentou-se como bibliotecária da Bilblioteca Municipal Nilo Peçanha. Nos anos 1970 teve destaque em Campos como bailarina. E, desde então, era figura frequente da vida artística da cidade. Sua morte inesperada deixa saudades nos parentes e muitos amigos que colecionou numa vida breve, mas intensa.

O velório ocorrerá ainda hoje no Campo da Paz. Familiares e amigos tentam depois levar o corpo para ser cremado fora da cidade.

 

Detalhes do sequestro de Cristiano Tinoco por amigo e a solução do caso

 

 

Assunto do dia

Em toda a cidade, ontem não houve outro assunto. A prisão e o envolvimento confesso do empreiteiro José Maurício dos Santos Ferreira Júnior no sequestro do amigo e também empreiteiro Cristiano Tinoco, em 3 de dezembro. Zé Maurício, como é mais conhecido, foi preso por volta das 6h30 em sua casa, no luxuoso condomínio Sonho Dourado, atrás do Shopping Estrada. Ele foi apontado por outros dois participantes da ação criminosa como seu mentor. Um deles, o vigilante Junio dos Santos Costa, também foi preso ontem e confessou ter sido o elo de ligação entre Zé Maurício e os três autores do sequestro.

 

Todas as instruções

Quem também apontou Zé Maurício como mentor do sequestro foi outro vigilante, Marven Chagas Batista. Ele foi preso em 17 de janeiro, próximo à Feira de Santana, na Bahia. Na Delegacia de Homicídios de lá, deu a confissão mais detalhada sobre o caso. Ele conhecia Junio, que ajudou Zé Maurício a planejar o sequestro, desde que ambos trabalharam juntos como seguranças da boate Vip Night, em Guarus. Segundo Marven: “Zé Maurício ligou certa vez e disse: ‘Junio lhe passou todas as instruções? Quando você pode agir?’ (…) todas as instruções eram repassadas por Junio, que recebia as ordens de Zé Maurício”.

 

A preparação

Municiado pelas informações de Zé Maurício, Marven detalhou o preparo antes da ação: “durante quatro meses, ia à casa de Cristiano Tinoco, onde ficava esperando o mesmo sair e o seguia, para ver os locais que ia”.  Com o roteiro e hábitos de Cristiano mapeados, Marven contou: “um dia Junio ligou para o declarante, informando que estaria embarcado no dia do sequestro, mas que Zé Maurício já teria dado ‘sinal verde’ para cometerem o crime”. Só a partir daí entraram os outros dois bandidos que, junto com Marven, executaram a ação: Carlos José Gonçalves do Espírito Santo, o “Cacá”, e André Ângelo Monteiro, o “Cabeça”.

 

A ação

Como foi o único que participou da elaboração do plano e sua execução, o depoimento de Marven foi o mais completo. Foi ele quem abordou Cristiano no dia 3, que saía da secretaria municipal de Obras. Ele o chamou pelo nome, levantou a blusa, exibiu o revólver e assumiu a direção do seu carro, sendo seguido em outro veículo por Cacá e Cabeça. Pararam no Posto do Contorno e depois seguiram à residência de Cristiano. Como o empresário não tinha dinheiro em casa, ele lhe deu algumas joias e negociou com os três bandidos. Ligou para um amigo, que lhe levou R$ 192 mil. Antes de saírem, a esposa de Cristiano chegou e foi também rendida.

 

Contradição

Após ser preso ontem, Junio também admitiu sua participação no sequestro e apontou Zé Maurício como seu mentor: “por volta do mês de julho, do ano de 2018, foi procurado por José Maurício para planejarem e o declarante executar um roubo a um empresário chamado Cristiano Tinoco”. Zé Maurício confessou ter participado do crime. Ele disse que “incialmente receberia uma parte do proveito obtido com o crime, mas posteriormente avisou a Junio que não queria mais nada do que fosse obtido”. Junio, no entanto, o desmentiu: “Marven havia fugido com o dinheiro do resgate” e “José Maurício se revoltou com o desfecho”.

 

Detalhe do Rolex

Em parte, a versão de Junio foi confirmada pelo próprio Zé Maurício: “Junio contou que Marven, após o assalto, teria fugido com todo o dinheiro, dando ‘banho’ em todo mundo”. Foram de Marven as afirmações mais fortes sobre a autoria intelectual: “Zé Maurício não participou no dia do crime, mas foi o mentor do sequestro”. A atenção policial ao empresário surgiu por um detalhe. Uma pergunta dele sobre um relógio Rolex de Cristiano, no convívio de ambos como amigos, foi repetida durante o sequestro. As suspeitas sobre Zé Maurício foram confirmadas pela investigação. E reforçadas ontem pela confissão da sua participação.

 

Eficiência policial

Como os depoimentos confirmam a versão inicial do resgate de R$ 192 mil, caíram por terra as especulações feitas por um perfil nas redes sociais ligado ao ex-governador Anthony Garotinho (PRP). Nele foi dito que os bandidos teriam encontrado R$ 1,8 milhão na casa do empresário. A intenção era tentar explorar politicamente o caso, já que Cristiano é irmão do também empresário Cesinha Tinoco, chefe de gabinete do prefeito Rafael Diniz (PPS). Mais do que o envolvimento de um amigo no caso, só outra coisa ontem foi tão comentada: a eficiência da investigação da Polícia Civil de Campos, comandada pelo jovem delegado Pedro Emílio Braga.

 

Pulicado hoje (25) na Folha da Manhã

 

Confissões apontam Zé Maurício como mentor do sequestro de Cristiano Tinoco

 

Preso hoje em sua casa e apontado como autor intelectual do sequestro do empresário Cristiano Tinoco, José Maurício Ferreira Filho era seu amigo (Foto: Antonio Leudo – Folha da Manhã)

 

“Afirmativamente, que confessa ter participado do sequestro das duas vítimas, Cristiano Tinoco e Thais Dinelli, mas nega que tenha planejado o crime, apenas executou a ordem de outros elementos (…)

Junio dos Santos Costa, conhecido como Junio, que planejou o crime com José Maurício Santos Ferreira Júnior, conhecido como Zé Maurício (…)

Que o declarante durante esses quatro meses, ia à casa de Cristiano Tinoco, onde ficava esperando o mesmo sair e o seguia, para ver os locais que ia (…) Que o declarante informa que Zé Maurício ligou certa vez e disse ‘Junio lhe passou todas as instruções? Quando você pode agir?’ (…)

Que todas as instruções eram repassadas por Junio, que recebia as ordens de Zé Maurício; Que Zé Maurício passou para Junio que repassou ao declarante que o sequestro de Cristiano deveria ocorrer em um momento oportuno e que iria avisar quando fazer, mas que ainda não havia data prevista, Que um dia Junio ligou para o declarante, informando que estaria embarcado no dia do sequestro, mas que Zé Maurício já teria dado ‘sinal verde’ para cometerem o crime (…)

Que Cristiano perguntou se a quantia de R$ 200.000,00 estaria bom para eles; Que Cristiano pediu que decidissem rápido, pois sua esposa e filhos estariam para chegar; Que disseram para Cristiano que poderia ser o valor, e que de imediato Cristiano  ligou para um amigo, que o declarante não sabe quem é, e Cristiano pediu a quantia de R$ 192.000,00 emprestada; Que após desligar, cerca de vinte minutos depois, o amigo de Cristiano chegou com um pacote e, quando iam saindo, a esposa de Cristiano entrou na casa e os flagrou, sem esboçar nenhuma reação (…)

Que o declarante esclarece que Zé Maurício não participou no dia do crime, mas foi o mentor do sequestro; Que o declarante esclarece que tinha mais contato com Junio, pois trabalharam juntos em uma boate de Campos, e que os demais conheceu durante a articulação do sequestro (…) Que o declarante afirma que quem idealizou o sequestro de Cristiano Tinoco e Thais Dinelli foi José Maurício Santos Ferreira Júnior, o qual reconhece por fotos neste ato.”

Esses são trechos de depoimento de Marven Chagas Batista, dado em 17 de janeiro, na Delegacia de Homicídios de Feira de Santana, na Bahia. Ele foi preso lá pelo sequestro do empreiteiro Cristiano Tinoco, praticado em Campos, em 3 de dezembro. Cristiano foi pego na rua, feito refém e conduzido à sua casa por Marven, Carlos José Gonçalves do Espírito Santo, o “Cacá”, e André Ângelo Monteiro, o “Cabeça”. Sem dinheiro em casa, o empresário negociou sua libertação e da esposa com os bandidos por R$ 192 mil, levados por um amigo.

Também empreiteiro e amigo pessoal de Cristiano, José Maurício dos Santos Ferreira Júnior, o Zé Maurício, foi apontado por Marven como autor intelectual do crime. Ele foi preso hoje (aqui), em sua residência, no condomínio de luxo Sonho Dourado, atrás do Shopping Estrada. Zé Maurício confessou sua participação no sequestro em depoimento na 134ª DP. Mas disse que “incialmente receberia uma parte do proveito obtido com o crime, mas posteriormente avisou a Junio que não queria mais nada do que fosse obtido”.

Também preso hoje, Junio dos Santos Costa ajudou Zé Maurício a planejar o sequestro. Junio e Marven se conheciam por terem atuado juntos como seguranças da boate Vip Night, em Guarus. Seu proprietário, Jean Carlos Caetano Guimarães foi assassinado a tiros (aqui) no último dia 9. Em depoimento à Polícia Civil, Junio admitiu sua participação no sequestro de Cristiano e apontou Zé Maurício como mentor do crime: “por volta do mês de julho, do ano de 2018, foi procurado por José Maurício para planejarem e o declarante executar um roubo a um empresário chamado Cristiano Tinoco”.

Pelos depoimentos, fica claro que Junio serviu como elo de ligação entre Zé Maurício e Marven. Este executou o sequestro junto com Cacá e Cabeça, que só entraram na ação perto da sua realização. Junio também desmentiu que Zé Maurício tenha desistido de receber sua parte do resgate pago por Cristiano Tinoco: “Marven havia fugido com o dinheiro do resgate; que o declarante passou essa versão a José Maurício, que se revoltou com o desfecho”. Junio foi em parte confirmado pelo depoimento do próprio Zé Maurício: “Júnio contou que Marven, após o assalto, teria fugido com todo o dinheiro, dando ‘banho’ em todo mundo”.

Delegado responsável pela investigação do caso pela 134ª DP, mesmo já tendo assumido a titularidade da 146ª DP de Guarus, Pedro Emílio Braga considerou o caso resolvido com as três prisões de hoje. Além de Zé Maurício e Junio, Cabeça também foi preso na operação Avaritia (cobiça em latim). Cacá havia sido preso em 3 de janeiro, enquanto Junio foi capturado na Bahia, 14 dias depois. Com os cinco presos, Pedro Emílio esclareceu:

 

Na coletiva após as três prisões de hoje, o delegado Pedro Emílio considerou o caso solucionado (Foto: Antonio Leudo – Folha da Manhã)

 

— Foram 45 dias de investigação, inclusive com escutas telefônicas, e, com as prisões de hoje, o crime foi elucidado, com todas as autorias identificadas e esclarecida a participação de cada um, com todas as condutas individualizadas. O mentor intelectual é uma pessoa de relação muito próxima, amigo das vítimas, que frequenta o mesmo círculo e, bem por isso, tinha acesso à rotina, ao modo de vida, aos bens que possuíam; informações que foram repassadas aos executores do crime e possibilitaram o sequestro e que o empresário e a esposa fossem feitos reféns até o pagamento de R$ 192 mil, a título de resgate.

Apontado por dois companheiros na ação criminosa como seu mentor, Zé Maurício teve a atenção policial incialmente atraída sobre si por um detalhe. Uma pergunta feita por ele sobre um relógio Rolex de Cristiano, no convívio de ambos como amigos, foi depois repetida por um dos bandidos durante o sequestro. As suspeitas sobre o empresário foram confirmadas pela investigação. E reforçadas hoje com sua prisão e confissão.

 

Leia a cobertura completa, com os depoimentos de Zé Maurício, Junio e Marven na edição desta sexta (25) da Folha da Manhã

 

Investigação do sequestro de empresário desmente boatos de Garotinho

 

Suspeito de autor intelectual do sequestro de Cristiano Tinoco, seu amigo José Maurício Ferreira dos Santos foi preso hoje em sua residência (Foto: Verônica Nascimento – Folha da Manhã)

 

 

Com a operação Avaritia (em latim: cobiça) da Polícia Civil, que hoje amanheceu o dia (aqui) efetuando três prisões em Campos, parecem ter se encerrado as investigações do sequestro e cobrança de R$ 200 mil de resgate do empresário Cristiano Tinoco. Ele foi abordado na rua, chamado pelo nome por dois homens em um carro, em 3 de dezembro. Após pegarem outro homem na Estrada do Contorno, os quatro foram até à casa do empresário, onde sua esposa chegou e também foi feita como refém. Sem encontrarem nada na casa, os bandidos só soltaram o casal após Cristiano conseguir que um amigo levasse até eles a quantia de R$ 200 mil, exigida como resgate.

Dois suspeitos, que teriam participado da ação, já haviam sido presos anteriormente. Hoje foram presos mais três. Um deles, suspeito de ser o autor intelectual do sequestro, é o empresário José Maurício Ferreira dos Santos. Ele era amigo próximo de Cristiano. Preso hoje em sua residência, no condomínio Sonho Dourado, atrás do Shopping Estrada, José Maurício teria fornecido as informações pessoais usadas no sequestro. Uma pergunta feita por ele, no convívio com Cristiano e depois repetida por um dos bandidos na ação, sobre um relógio Rolex, levantaram as primeiras suspeitas, que teriam sido confirmadas pela investigação.

Como todas as informações, inclusive passadas pelos suspeitos presos, confirmam a versão inicial do resgate de R$ 200 mil levado à casa de Cristiano por um amigo, caem por terra as especulações feitas por um perfil ligado ao ex-governador Anthony Garotinho (PRP). Nas redes sociais, chegou a afirmar em 6 de dezembro que os bandidos teriam encontrado R$ 1,8 milhão na casa do empresário. Essas informações falsas tinham como objetivo tentar explorar politicamennte o caso, já que Cristiano é irmão do também empresário Cesinha Tinoco, chefe de gabinete do prefeito Rafael Diniz (PPS). Com a operação de hoje, todos os suspeitos do sequestro tiveram o mesmo destino do ex-governador, que já foi preso três vezes.

Assim que o inquério policial for concluído, poderá se passar à denúncia do Ministério Público e, se for o caso, ao julgamento. Até lá, vale a presunção da inocência e não se pode falar em culpados. Mas a operação de hoje, após investigações que levaram até Minas Gerais e Bahia, para a prisão de um dos suspeitos, parece ser um grande trabalho policial. Hoje titular da 146ª DP de Guarus, ficam os parabéns ao delegado Pedro Emílio Braga e sua equipe.

 

Leia a cobertura completa do caso na edição desta sexta (25) da Folha da Manhã

 

Fred Machado estreia como bolo de fubá na presidência da Câmara

 

 

Charge do José Renato publicada hoje (24) na Folha

 

Fred é bolo de fubá

Desde que Edson Batista (PTB) sucedeu Nelson Nahim (PSD) na presidência da Câmara de Campos, ficou famosa em seus corredores a comparação entre bolo de fubá e bolo Amélia. Por cortar sua fatia e deixar farelos, Nahim era o bolo de fubá. Por cortar sua fatia e não deixar nada, Edson era o bolo Amélia. Novo presidente, Fred Machado (PPS) estreia como bolo de fubá. O contingenciamento de 30% nos salários dos assessores dos vereadores, chefes de gabinete e assessores das comissões permanentes, de outubro a dezembro de 2018, está suspenso. Os cerca de 150 assessores voltarão a receber integralmente a partir de janeiro.

 

Revolta

É difícil pensar em um crime mais revoltante do que a morte do pequeno Dione Valentim, com pouco menos de um mês de vida. Ele morreu no final da noite de terça (22) no Hospital Ferreira Machado (HFM) e seu corpo foi sepultado ontem no cemitério de São Sebastião, na Baixada Campista. O suspeito de ter matado a criança com cinco socos na cabeça é o próprio pai, Lucas do Espírito Santo Pereira, de 21 anos. No sábado (19) ele teria se irritado, jogado o filho recém-nascido na cama e o esmurrado. O motivo? O bebê golfou. A versão foi dada pela mãe de Dione. Os três veraneavam numa casa alugada no Farol de São Thomé.

 

O mais primitivo

Acreditar na inocência de qualquer suspeito, até que se prove em contrário, é o pilar de qualquer estado democrático de direito. A versão da mãe, que levou seu companheiro à prisão desde terça, não foi a primeira apresentada por ela. Quando os dois levaram o pequeno Dione, primeiro ao Posto de Saúde do Farol e depois ao HFM, a versão inicial foi de acidente doméstico. Inconsolável ontem no velório do seu filho, a mãe também pode ser processada por omissão de socorro, segundo informou o delegado titular da 134ª DP, Bruno Cleuder. Mas se a culpa de Lucas for provada, mexerá com o mais primitivo de qualquer ser humano.

 

Bolsonaros (I)

Um dos maiores beneficiados com a revolta pela sucessão de crimes bárbaros cometidos na sociedade brasileira, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) ontem se pronunciou sobre as suspeitas sobre seu filho mais velho. Senador eleito, Flávio Bolsonaro (PSL) caiu na berlinda nacional com revelações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), levantando fortes suspeitas da prática da “rachadinha” — repasse criminoso de salários de assessores parlamentares. Isso além da sua ligação com a milícia carioca “Escritório do Crime”, cujo líder teve a mãe e a esposa empregadas por Flávio na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).

 

Bolsonaros (II)

Sobre as suspeitas que pairam sobre seu primogênito, o presidente disse ontem na Suíça: “Se, por acaso, ele errou e isso ficar provado, eu lamento como pai, mas ele vai ter que pagar o preço por essas ações que não podemos aceitar”. Pelo menos no plano retórico, foi uma atitude bem diferente da negação da realidade adotada pelo PT e seus eleitores sobre todos os escândalos de corrupção que envolveram o partido hoje presidido pela sua coveira, a deputada federal Gleisi Hoffmann. Agora, se quando voltar ao Brasil, Bolsonaro vai honrar o que disse, afastando Flávio e os outros dois filhos do governo, como querem os militares que o compõem, é para se conferir de perto. O diabo é quase sempre converter discurso em prática.

 

O guarda da esquina

Único integrante do governo brasileiro a não assinar o Ato Institucional nº 5 em 1968, que suprimiu direitos e inaugurou a fase mais dura da última ditadura militar no Brasil (1964/1985), o então vice-presidente Pedro Aleixo observou: “O problema é o guarda da esquina”. Uma prova de como o discurso de força dos Bolsonaro pode influenciar negativamente a sociedade foi dado na tarde de ontem, por um guarda civil municipal, no Jardim São Benedito. Ele foi flagrado em vídeo (aqui) agredindo fisicamente um homem que, sem desrespeitar sua autoridade, não se dobrou ao seu autoritarismo.

 

Milionário

Um apostador de Teresópolis, na Região Serrana, acertou as seis dezenas da Mega-Sena e ganhou sozinho o prêmio de R$ 37,9 milhões. Esta foi a primeira vez em 2019 que alguém acertou a sena. A Mega estava acumulada desde o início do ano. As dezenas sorteadas foram 11, 12, 20, 40, 41 e 46. A quina teve 58 ganhadores, cada um com o prêmio de R$ 53,1 mil e a quadra, 4.135, com valor de R$ 1.064 por aposta. O próximo sorteio será no próximo sábado e o prêmio estimado é R$ 2,5 milhões.

 

Com o jornalista Paulo Renato Porto

 

Publicado hoje (24) na Folha da Manhã

 

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