Opiniões

Bastidores da eleição a prefeito em 2020 revelados nas redes sociais

 

 

No dia 9, mesmo em que Arnaldo Vianna ofereceu publicamente seu apoio ao filho, Caio preferiu posar com Rodrigo Bacellar (Foto: Reprodução)

 

Bastidores de 2020 (I)

Em entrevista publicada na Folha em 22 de dezembro, pouco antes de assumir como deputado estadual, o advogado Rodrigo Bacellar (SD) se colocou como pré-candidato a prefeito em 2020. No entanto, desde que foi postada nas redes sociais uma foto sua (aqui) com o filho do ex-prefeito Arnaldo Vianna (MDB), Caio Vianna (PDT), a pré-candidatura deste a prefeito passou a ser o eixo das ações de Rodrigo. Foi no dia 9 deste mês. E, a partir dali, o deputado já se reuniu com os vereadores Igor Pereira (PSB), Silvinho Martins (PRP) e Marcelo Perfil (PHS). A pauta foi o apoio desses vereadores, da base governista do prefeito Rafael Diniz (PPS), para Caio em 2020.

 

Vereadores governistas Igor Pereira, Silvinho e Marcelo Perfil foram sondados por Rodrigo para apoiar Caio (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Bastidores de 2020 (II)

Há vários aspectos a serem encarados nessa movimentação. A foto de Rodrigo e Caio, por exemplo, foi uma resposta direta do segundo ao seu pai. Na manhã do mesmo dia 9, Arnaldo tinha dado uma entrevista (aqui) ao programa Folha no Ar, da Folha FM 98,3, dizendo que, para ter seu apoio, bastaria o filho procurá-lo. Curioso, mas talvez não por coincidência, no mesmo dia o ex-vereador Marcos Bacellar (PDT), pai de Rodrigo, publicou nas redes sociais uma foto com o secretário de Educação de Rafael, Brand Arenari. O recado público pareceu claro: Marcos, assim como seu outro filho Nelsinho, ficavam com o governo, enquanto Rodrigo apoia Caio.

 

No mesmo dia da foto do filho Rodrigo com Caio, Marcos Bacelar publicou nas redes sociais uma foto sua com Brand Arenari (Foto: Reprodução)

 

Bastidores de 2020 (III)

Duas outras entrevistas no Folha no Ar revelaram outros aspectos dessas movimentações. Em 3 de abril, o presidente da Câmara Fred Machado (PPS) avisou (aqui): estaria atento aos edis governistas que pretendessem “costear o alambrado” na eleição a prefeito. Aparentemente, Igor, Silvinho e Perfil pagaram para ver. A outra entrevista da Folha FM foi do secretário de Governo Alexandre Bastos. Na última quinta (25), ele respondeu (aqui) com veemência às críticas do deputado federal Wladimir Garotinho (PSD) a Rafael. Mas foi complacente com as de Rodrigo, que disse à Folha (aqui) em dezembro: “o governo precisa querer ser ajudado e assumir suas falhas”.

 

No dia 2, Rodrigo propôs aliança com João e Gil para 2020, mas esqueceu de contar que seria também com Caio (Foto: Reprodução)

 

Bastidores de 2020 (IV)

Rafael não quer antecipar confrontos. E tem razão para agir assim. Rodrigo Bacellar flertou (aqui) com os colegas de Alerj João Peixoto (DC) e Gil Vianna (PSL), mas não combinou com eles que sua aliança envolveria também Caio. João já estava em conversa com o governo para 2020. Já Gil reafirma sua pré-candidatura a prefeito e não tem vontade de bisar a experiência de 2016, quando foi vice do filho de Arnaldo. Após fechar com João, é bem provável que o novo alvo da costura governista seja Rodrigo. Que tenta surfar na sua proximidade com o presidente da Alerj, André Ceciliano (PT), enquanto pode estar usando Caio só para valorizar seu passe. A ver.

 

Publicado hoje (28) na Folha da Manhã

 

Arnaldo Vianna levanta possibilidade de concorrer a prefeito em 2020

 

(Foto: Genilson Pessanha – Folha da Manhã)

 

 

O médico Arnaldo Vianna (MDB) é pré-candidato a eleição municipal de Campos em 2020? A possibilidade foi levantada pelo próprio ex-prefeito, que enviou ao blog uma cópia e sua certidão negativa de improbidade administrativa e inelegibilidade.

 

Certidão negativa de Arnaldo por improbidade administrativa e inelegibilidade, cujo número do CPF foi checado (Reprodução)

 

Com vários problemas na Justiça, que trouxeram problemas na contabilização oficial de seus votos nas eleições a prefeito de 2008 e 2012, Arnaldo agora está assessorado pelo advogado Antônio Carlos Dias Vieira, o Toninho. Ele disse acreditar que, juridicamente, o ex-prefeito pode voltar a se candidatar.

Arnaldo disse que vai na próxima semana ao Rio de Janeiro, onde irá se reunir com a direção nacional do MDB para avaliar a possibilidade de concorrer a prefeito de Campos. Se decidir se candidatar, ele garantiu que terá o apoio do filho, o também pré-candidato Caio Vianna (PDT):

— Temos um acordo. Se eu me candidatar, ele me apoiará. Se eu não vier, apoio ele. Não dá para nós dois concorrermos juntos.

 

Leia a reportagem completa na edição deste domingo (28) da Folha da Manhã

 

Hamilton Garcia — Crônica de uma “revolução” anunciada

 

 

Cientista político Hamilton Garcia

Crônica de uma “revolução” anunciada

Por Hamilton Garcia

 

Os cem primeiros dias do Governo Bolsonaro deixam clara sua estratégia de poder. Montado num ministério tecnocrático, complementado por pastas ideológicas e de costas para o fisiologismo político, ele oferece ao país reformas a serem votadas no parlamento sem a prévia constituição de uma base parlamentar. Faz sentido.

Na geleia geral dos partidos brasileiros, o PT governou com o Centrão, de centro-direita, para se perpetuar no poder com um ajambrado “social-desenvolvimentismo”, e quando Temer assumiu o governo, sob os auspícios do mesmo grupo, a “ponte para o futuro”, de sentido radicalmente distinto, passou a ser seu Norte – logo se transformando numa “pinguela” no esforço prioritário de salvar o Presidente (e a si próprios) de uma investigação criminal. Fazendo tábula rasa de tudo isso, PSDB e PPS embarcaram nessa canoa na expectativa de convencer o eleitorado de que se tratava de uma “frente democrática para tirar o país do atoleiro”: resultado, o PSDB ficou fora do páreo, onde tinha lugar cativo desde 1994. Bolsonaro não teria destino melhor se resolvesse governar com eles – embora a alternativa seja uma pirambeira de pedras.

O fato é que as elites tradicionais (neopatrimoniais) dominam o Congresso, em especial a Câmara Federal, e nem os deputados liberais e bolsonaristas juntos podem com elas somadas à oposição. A oposição surfa nessa onda sem se importar com os efeitos sobre o sistema democrático, como é de praxe desde o PT. Seus setores mais consequentes chegam a apostar que a chicana parlamentar do Centrão, tomando como reféns a reforma da previdência e a Lei anticrime, são parte do “jogo democrático” e um freio ao autoritarismo bolsonarista. Sob a liderança de Rodrigo Maia, acreditam que se pode chegar a um ponto de equilíbrio que salvaguarde a Constituição. Bolsonaro agradece por mais este tiro n’água.

A aposta do Centrão e da oposição tem, a seu favor, a tradição: desde Collor, todos os Presidentes, vendo suas pautas ameaçadas, cederam às pressões. Bolsonaro, apoiado pela maioria da opinião pública, até aqui, reage pelas redes sociais reforçando seu compromisso eleitoral com a “refundação da República” – termo cunhado na campanha pelo Senador Álvaro Dias, mas encarnado pelo Capitão em sua oposição radical ao petismo. A resistência governamental procura se valer dos interesses sociais em jogo para confrontar a maioria parlamentar. Neste primeiro embate, deu certo: o mercado e o empresariado forçaram Maia à correção de rumo quanto à reforma da previdência.

De seu lado, não obstante a narrativa da imprensa de “acerto mútuo”, Bolsonaro não piscou: recebeu os dirigentes partidários de seu campo, mas manteve a Lei Anticrime e não revogou as normas que impôs para ocupação de cargos públicos: ficha limpa, perfil condizente com o cargo e admissibilidade pelo dirigente do setor, sinalizando que este não é um “governo normal”, como crêem muitos analistas políticos, convictos de que ele é prisioneiro de uma narrativa que o impediria de governar.

Mesmo perdendo popularidade no intrincado processo de negociação com a elite parlamentar, Bolsonaro segue sustentando seu objetivo “revolucionário” – expressamente assumido nos bastidores da recente visita à Trump – de recompor a racionalidade burocrática perdida pelo Estado brasileiro desde o fim do regime militar, e, assim, reanimar a economia e o emprego.

Nesta fase “paz&amor”, o Capitão torce para que as patacoadas parlamentares e judiciárias não só superem as de sua gestão – o que não é pouco! –, como convença os recalcitrantes da frente liberal-conservadora que o elegeu – com suas convicções democrático-procedimentais à moda de Schumpeter[i] – que este dois poderes, tal como estão hoje divididos, não serão capazes de contribuir com o país naquilo que deles o povo exige: desprendimento para recolocar a nave na rota do desenvolvimento. Esta conclusão só pode amadurecer, no seio da própria coalizão governamental, na travessia deste rubicão parlamentar, por meio da tática das “aproximações sucessivas” – já mencionada pelo Gen. Hamilton Mourão como sua perspectiva de superação dos impasses numa institucionalidade claudicante.

Tal aposta, pressupõe, naturalmente, que a soberania legislativa e a arbitragem judiciária se esvaiam no espetáculo deprimente da pequenez política e do particularismo corporativista que o Centrão não cansa de dar – agora secundado pelos torquemadas do STF –, e que só tende a adensar o apoio popular à “refundação”, abrindo caminho para iniciativas plebiscitárias de Governo que podem, inclusive, culminar na própria reforma do sistema político, cujo déficit de representatividade foi desnudado em 2013 e continua à espera da solução que evite seu colapso total – o que, em parte, não acontece porque a atual legislação político-partidária que enfraquece o poder de arbitragem dos eleitores, é a mesma que empoderou as oligarquias capitalistas até aqui (vide, Reforma Política e Governo Representativo).

A eventual emasculação das reformas, assim, é mais provável que seja debitada, pelo povo e o próprio empresariado, na conta do sistema político esgotado, não de Bolsonaro, como esperam as oposições mirando suas caneladas. O único elemento capaz de embaraçar este cenário, parece ser a ofensiva olavista contra o generalato, que pode levar a seu exato oposto: enfraquecimento do Presidente em proveito do Vice, num processo tão desgastante quanto o de Dilma. Para que este cenário se estabeleça, todavia, seria necessário que capitalistas e militares, junto com boa parcela da opinião pública, se convençam que Bolsonaro e seus filhos são o verdadeiro empecilho às reformas.

Uma solução sem Bolsonaro, porém, teria também seus riscos, podendo precipitar o agravamento da crise econômica no curto-prazo e deixando o cenário bastante nebuloso, não só pela reação bolsonarista, mas, principalmente, pela combustão espontânea que o agravamento da estagnação econômica e seus possíveis efeitos inflacionários podem produzir sobre um tecido social já esgarçado pelas drogas, violência, desemprego e aumento da pobreza.

Neste caso, a solução da crise não se daria pela simples assunção constitucional do Vice, um General da linha dura, mas pela provável decretação do estado de exceção (defesa ou sítio) para conter eventuais distúrbios e ameaças, cuja extensão e profundidade tornaria impossível controlar seus desdobramentos, em meio à polarização política e à desmoralização institucional (Legislativo e Judiciário).

Ademais, diante de um parlamento burocratizado[ii], com alta insensibilidade social – vide Maia e seu desdém pela Lei anticrime, que não foi capaz de propor antes de Moro – e crônica disfuncionalidade institucional, plasmada na assimetria entre o poder de veto e sua (ir)responsabilidade governamental, não é possível cravar que as mesmas medidas já apresentadas seriam aprovadas pelo Congresso apenas porque o Presidente mudou.

A esta altura do jogo, em que a caixa de Pandora parlamentar se encontra escancarada – com o Centrão cogitando vetar até os mais simples decretos presidenciais pela singela motivação de afrontar o Governo, com o apoio de setores liberais temerosos das tendências autoritárias do bolsonarismo – e que o Judiciário é comandado por personagem que se sente acuado por simples matéria jornalística, parece não haver dúvidas que as instituições, com ou sem Bolsonaro, precisam ser reparadas, institucional e eticamente.

De um legislativo dominado pelo Centrão, só se pode esperar o agravamento da anarquia gerencial/orçamentária, com pautas-bomba sendo detonadas em série, à moda dos aumentos salariais ao alto funcionalismo e magistratura, das PECs onde os recursos públicos são investidos sem planejamento, ao sabor dos interesses locais imediatistas, de anistias amplas às infrações políticas, etc. De um STF que rasga a constituição para implantar a censura em proveito próprio, e faz cara de paisagem, a mesma coisa: só novos casuísmos na mesma direção.

Oxalá, tal barafunda seja revertida pela razão e a força das vontades populares expressas nas recentes eleições, caso contrário, a refundação da República trilhará, inexoravelmente, por caminhos tortuosos, onde, pelo menos num primeiro momento, a poliarquia[iii] pode não sair ganhando – o que não se constituiria numa exceção histórica.

 

[i] Vide Joseph Schumpeter, Capitalismo, Socialismo e Democracia; ed. Fundo de Cultura/RJ, 1961, passim.

[ii] Vide Max Weber, Parlamentarismo e Governo numa Alemanha Reconstruída, in. Max Weber – textos selecionados (Os Pensadores), ed. Abril Cultural/SP, 1985, passim.

[iii] Vide Robert Dahl, Poliarquia participação e oposição; ed. USP/SP, sd, passim.

[iv] Universidade Estadual do Norte-Fluminense (Darcy Ribeiro).

 

Suzy Monteiro é nova superintendente adjunta de Comunicação de Campos

 

Jornalista Suzy Monteiro

 

 

A jornalista Suzy Monteiro é a nova superintendente adjunta de Comunicação da Prefeitura de Campos. O convite partiu do superintendente da pasta, o publicitário Thiago Bellotti. Suzy trabalhou por 20 anos na redação da Folha, onde teve destaque como repórter especial da editoria de Política. E, por 10 anos, à frente do blog Na Curva do Rio, dos mais acessados do Folha1. Por decisão pessoal, ela encerrou seu último período no jornal, entre 2012 e março deste ano, para seguir novos rumos profissionais, mas mantém (aqui) seu concorrido blog.

Como o próprio prefeito Rafael Diniz (PPS) revelou em entrevista, publicada (aqui) na Folha em 30 de dezembro, que era o momento de se “avançar politicamente”, com vistas à reeleição em 2020, a entrada no governo de uma das mais destacadas jornalistas políticas de Campos e região é um passo nessa direção. Agora na superintendência de Comunicação da Prefeitura, ela se juntará a outras profissionais de redação com passagem exitosa na Folha, como Anna Luíza Paixão e Liliane Berreto. Isso sem contar o jornalista Alexandre Bastos, secretário de Governo e companheiro de Suzy por anos na editoria de Política do maior jornal de Campos e região.

Do reforço na Comunicação do governo municipal, falaram Bellotti e a própria Suzy. Personificada na lembrança do jornalista Aluysio Cardoso Barbosa (1936/2012), amigo e conselheiro da nova superintendente adjunta de Comunicação, este blog e a redação da Folha desejam a ela a melhor sorte:

— A chegada de Suzy Monteiro à Prefeitura de Campos reforça o excelente time de jornalistas da superintendência de Comunicação. Sua grande experiência com o cotidiano de Campos em duas décadas de jornalismo vai contribuir para que o poder público se aproxime ainda mais da população. Ganham a verdade, o diálogo e o desejo de continuar transformando nossa cidade — disse Belloti.

— Recebi o convite de Thiago Bellotti para integrar a equipe da Comunicação do governo Rafael Diniz e aceitei por ser algo bem diferente do que vinha fazendo mais diretamente nos últimos anos, apesar de trabalhar há mais de 15 anos também com assessoria de imprensa. Assim, conhecendo dificuldades e demandas dos dois lados, quero aproximar ainda mais a superintendência de Comunicação da imprensa local, em um trabalho que seja transparente, satisfatório e pautado no respeito pela informação, pelos profissionais e, principalmente, pela população de Campos — disse Suzy.

 

Reforma da Previdência entre posições de Garotinho, Wladimir e Clarissa

 

 

Garotinho e a Previdência

Na quarta (24) o ex-governador Anthony Garotinho publicou nas redes sociais: “conversei com meus filhos que não podemos votar em uma reforma da Previdência que prejudica pobres, doentes, pensionistas, trabalhadores rurais e só vai aprofundar a concentração de renda no Brasil”. Sem mandato, sem partido e inelegível até 2024, Garotinho hoje tem sua relevância política resumida aos seus dois filhos: os deputados federais Wladimir (PSD) e Clarissa (Pros). A coluna tentou ouvi-los na quarta, mas ambos só retornaram ontem. E, diferente do passado, nenhum dos dois pareceu muito disposto a seguir a ferro e fogo as determinações do pai.

 

Wladimir

Inclusive em entrevistas à Folha da Manhã e ao programa Folha no ar, da Folha FM 98,3, Wladimir tem feito críticas a pontos da Nova Previdência do governo Jair Bolsonaro (PSL). Assim como à falta de informações do ministro da Economia Paulo Guedes. Mas tem sempre defendido a necessidade da reforma. Do que aconselhou o pai sobre o tema, o deputado manteve o mesmo tom: “A proposta é dura demais para diversos setores, como professores, trabalhadores rurais e pessoas de baixa renda. A reforma é necessária ao equilíbrio das contas, mas temos que levar em conta a vida real dos brasileiros e não só números frios no papel”.

 

Clarissa

Por sua vez, do que Garotinho disse sobre a Previdência, a assessoria de Clarissa informou que “ela não vai se manifestar sobre isso; não tem nada a acrescentar”. É postura mais evasiva que a do irmão, mas que parece querer guardar distância do vexame que a deputada passou na votação do impedimento da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) na Câmara Federal. Após posar grávida e enrolada na bandeira do Brasil na campanha pelo impeachment, ela se ausentou da votação. Não mudou o resultado, mas Dilma em troca, nos últimos dias do seu governo, determinou que a Caixa fizesse a “venda do futuro” de Campos na administração Rosinha.

 

Erramos

Na sopa de letras e números para se calcular o percentual máximo de 54% da Receita Corrente Líquida (RCL) do município com gasto de pessoal, determinado pela Lei de Responsabilidade Fiscal (RCL), é fácil cometer erros. E a coluna ontem teve dois. O primeiro, quando escreveu que o aumento de 15% pleiteado pelos servidores de Campos, se concedido, geraria aumento de despesa de R$ 150 milhões mensais. Na verdade, seriam anuais. O outro erro foi dizer que a redução do percentual para 47% da RCL, no gasto com servidor, seria oficial do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Verdadeiro, o número consta do Portal da Transparência da Prefeitura.

 

Em SJB

Apesar de o ex-prefeito Betinho Dauaire ter lançado o aliado Franquis Areas (PR) como pré-candidato a prefeito de São João da Barra, Bruno Dauaire (PSC) é quem continua no alvo das discussões. O embate tem sido com o ex-presidente do PSC local, Renato Timotheo. Aliado de longa data da prefeita Carla Machado (PP), Renato deixou a legenda chamando Dauaire de “oportunista”. A repercussão, inclusive nos bastidores da Alerj, gerou reação do deputado. Aproveitando a bola rolada, Bruno falou que Timotheo já tinha de ter saído, uma vez que apoiou Eduardo Paes (DEM) ao invés do governador Wilson Witzel (PSC).

 

Polarização

Renato Thimoteo voltou a rebater Bruno. Disse que seu apoio a Paes foi porque o candidato do DEM esteve no município e que seu “partido é SJB”. A crítica é claramente à família Dauaire, pelo fato de não residirem no domicílio eleitoral. Fato é que nesta briga em ano pré-eleitoral, ainda que candidatos não estejam definidos, a polarização entre os grupos políticos dos Dauaire e de Carla Machado tende a se repetir. Já os nomes de possíveis candidatos de terceira via ainda estão fragmentados, alguns, inclusive, sem a segurança de um partido para lançamento de futuras candidaturas.

 

Na conta

Hoje começa a parte recreativa dos festejos da padroeira de Atafona, Nossa Senhora da Penha, que prossegue até segunda-feira. E para os servidores de SJB, o início é com dinheiro na conta. A prefeita sanjoanense anunciou a antecipação do pagamento, previsto no calendário para o último dia útil do mês. Carla ainda destacou que os preventos serão creditados com o reajuste de 4,91%. Na cidade, segunda-feira é feriado municipal. Na terça, ainda não foi oficializado, mas a tendência é que terça seja ponto facultativo, já que quarta-feira, 1º de maio, também é feriado.

 

Com Arnaldo Neto

 

Publicado hoje (26) na Folha da Manhã

 

Pleito dos servidores é legítimo, mas não pode avançar sobre a LRF

 

 

 

Servidores de Campos (I)

Na manhã do último dia 16, o secretário de Gestão Pública de Campos, André Oliveira, confirmou (aqui) no programa Folha no Ar, da Folha FM 98,3, que o reajuste salarial dos servidores estava sendo discutido pela categoria diretamente com o prefeito Rafael Diniz (PPS). De lá para cá, a conversa avançou, até chegar ao impasse: o governo acenou com aumento de 4,18%, enquanto o funcionalismo reivindica 15%. Os pleitos vão além: reajuste de 100% no auxílio alimentação (de R$ 200 a R$ 400) e a retomada do plano de saúde individual para os cerca de 13 mil ativos, cortado pela ex-prefeita Rosinha Garotinho (hoje, Patri) desde 2013.

 

Servidores de Campos (II)

O aumento salarial oferecido pela Prefeitura foi calculado com base no IPCA dos últimos 12 meses. Bem verdade que os servidores tiveram seu último reajuste em junho de 2016. As perdas são, portanto, anteriores. Mas o que o governo propõe significaria jogar mais R$ 40 milhões para girar por 12 meses na economia local. O que o funcionalismo quer implicaria em acréscimo de despesas de R$ 150 milhões/ano. O que o poder público municipal alega, não sem razão, é que isso implicaria em avançar o gasto com pessoal acima do limite de 54% da Receita Corrente Líquida (RCL), imposto pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

 

Servidores de Campos (III)

Médico e três vezes candidato a prefeito, Makhoul Moussallem ressaltou (aqui) no Folha no Ar da manhã de ontem que a gestão Rafael fez o “dever de casa” no saneamento financeiro do município. Após herdar o gasto com pessoal no exato limite de 54% da LRF, conseguiu baixar o percentual nos últimos dois anos à casa mais segura dos 47%. Os dados são oficiais do Tribunal de Contas do Estado (TCE), que não por acaso reprovou as contas de Rosinha de 2016, último dos 28 anos do garotismo no poder, e aprovou as contas de Rafael de 2017. As duas decisões foram por unanimidade de um TCE saneado pela prisão de cinco ex-conselheiros.

 

Servidores de Campos (IV)

Em ano de véspera de eleição, o funcionalismo está no seu papel ao pressionar por reposição de perdas reais. Sobretudo quando se cadastra ao ponto biométrico. Mas conceder o reajuste salarial pleiteado seria cometer crime de responsabilidade fiscal. Que seria inevitável se, além do aumento, fosse dobrado o auxílio alimentação e retomado o plano de saúde. O primeiro, implicaria em despesas de R$ 2 milhões/mês, enquanto o segundo, cerca de R$ 5,2 milhões mensais. Os servidores têm assembleia marcada na próxima segunda, dia 29. Reivindicar é premissa legítima de qualquer categoria. Mas avançar sobre a LRF é não jogar com a realidade.

 

Ensino

A Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) abriu inscrições para o curso de graduação em Engenharia Meteorológica nas modalidades Reingresso/Ingresso para Portadores de Diploma e Transferência Externa/Interna. Ao todo são 20 vagas. Os interessados devem fazer a inscrição até o dia 17 de maio na secretaria da Graduação no Laboratório de Meteorologia (Lamet), em Macaé, ou na Pró-Reitoria de Graduação da Uenf, em Campos.

 

Lançamento

O economista e professor Alcimar Chagas irá lançar, no próximo dia 13, o livro “A economia fluminense: análise da conjuntura e perspectivas”. Na obra, o autor relata que o aumento das receitas dos municípios do Norte Fluminense, em decorrência dos royalties do petróleo e dos impostos provenientes de grandes empreendimentos — como o Porto do Açu — não redundou em desenvolvimento econômico para a região. Alcimar também analisa a oferta de empregos em cada mesorregião fluminense. O lançamento acontece na Academia Campista de Letras, às 19h.

 

Alerta

A mudança de comportamento de parte da população campista para reduzir os índices de chikungunya em Campos foi defendida pelo diretor do Centro de Referência de Doenças Imuno-infecciosas (CRDI), Luiz José de Souza, que fez um novo alerta ontem. Segundo ele, é preciso ter cuidado redobrado com a doença, que é bem mais difícil de combater do que a dengue.  De acordo com dados do CRDI, o número de casos de chikungunya em 2019, até o momento, é quase 14 vezes maior que no mesmo período do ano passado. São 1.933 diagnósticos confirmados da doença

 

Com Mário Sérgio

 

Publicado hoje (25) na Folha da Manhã

Bolsonaro perde popularidade e a senha do Twitter, vetada pelo filho

 

Jair e seu filho 02, Carlos Bolsonaro

 

 

Segundo a pesquisa Ibope/CNI, Jair Bolsonaro tem (aqui) o pior índice de aprovação popular desde que os brasileiros passaram a eleger presidentes da República pelo voto — após o hiato de 21 anos da ditadura militar que dizem não ter existido.

Com apenas 35% de ótimo/bom, o início do governo Bolsonaro tem popularidade inferior aos quatro presidentes eleitos anteriores. Pelo mesmo Ibope, Fernando Collor de Mello tinha 45% de ótimo/bom em maio de 1990; Fernando Henrique Cardoso, 41% em março de 1995; Luiz Inácio Lula da Silva, 51% em março de 2003; e Dilma Rousseff, 56% em março de 2011.

Não bastasse, não é só popularidade que Bolsonaro está perdendo. Segundo a revista Época, ele perdeu também (aqui) a senha da própria conta do Twitter. O responsável é seu filho, Carlos Bolsonaro, vereador do Rio de Janeiro que já derrubou ministro e agora estaria retaliando o próprio pai, após uma dicussão no domingo. Foi quando Jair conseguiu postar o último twitter.

 

Folha no Ar — Heitor na terça, Makhoul na quarta e Bastos na quinta

 

 

Sem sombra de dúvida, a força da pauta política foi uma das causas do rápido sucesso (aqui) da Folha FM 98,3. Carro chefe da programação, de 7h às 8h45, sempre de segunda a sexta, o Folha no Ar trouxe essa marca desde que a nova rádio entrou no Ar, no último dia 28 de março, quando entrevistou (aqui) o prefeito Rafael Diniz (PPS). Mas a pluralidade é outra marca do programa, que na manhã de ontem (23) entrevistou o juiz Heitor Campinho, da 1ª Vara de Família e diretor do Fórum de Campos, e o médico Makhoul Moussallem, na manhã de hoje.

 

Juiz Heitor Campinho na manhã de terça no Folha no Ar (Foto: Cláudio Nogueira)

 

Como publicado ontem aqui, Heitor abordou temas nacionais, com a judicialização da política brasileira que hoje tem no Supremo Tribunal Federal (STF) um dos seus principais campos de jogo. E falando sobre as demandas de Campos, fez coro ao pleito da OAB local (aqui) por mais juízes fixos para atender a comarca. Ele próprio tem se desdobrado entre a 1ª Vara de Família e a 5ª Vara Cível, onde atua como substituto. Sua expectativa é de que um novo titular a assuma até o final do ano.

Confira abaixo a íntegra da sua entrevista:

 

 

Médico Makhoul Moussallem foi o entrevistado desta quarta no Folha no Ar (Foto: Isaias Fernandes – Folha da Manhã)

 

Candidato a prefeito de Campos três vezes, nas quais não se elegeu mas fez expressivas votações, Makhoul também falou (aqui) um pouco de política. E elogiou o “dever de casa” feito pelo Rafael Diniz no saneamento financeiro das contas do município: segundo dados oficiais do Tribunal de Contas do Estado (TCE), o prefeito herdou de Rosinha Garotinho (hoje, Patri) a folha de pagamento no limite de 54% da Receita Líquida Corrente (RCL), determinado pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), e reduziu o percentual à faixa bem mais segura dos 47%. Mas o médico centrou sua entrevita na Saúde Pública de Campos, na qual se disse favorável à instalação do ponto biométrico, embora com críticas à carga horária dos plantões.

Confira abaixo a íntegra da entrevista de Makhoul:

 

 

Alexandre Bastos em seus tempos de jornalista da Folha (Foto: Folha da Manhã)

 

No início da manhã desta quinta (25), a política promete voltar com força à pauta do Folha no Ar. O convidado do programa será o secretário municipal de Governo Alexandre Bastos. Antes de integrar o governo Rafael, onde atua também na ligação entre os poderes Executivo e Legislativo de Campos, Bastos teve grande destaque como jornalista de política da Folha da Manhã.

 

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