Opiniões

Folha FM abre semana do 2º turno com a revelação do 1º: Natália

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A partir das 7h15 da manhã desta segunda (23), o programa Folha no Ar, carro-chefe da Folha FM 98,3, abre a semana da eleição do segundo turno a prefeito de Campos com quem foi considerada a grande revelação do primeiro: Professora Natália (Psol). Ela falará sobre o crescimento do partido em Campos, que ultrapassou na eleição majoritária siglas mais tradicionais da esquerda como o PT e o PCdoB, e no Brasil, no qual disputará em São Paulo a Prefeitura mais importante do país.

Natália também analisará sua condição de revelação no primeiro turno do pleito goitacá. E falará sobre a neutralidade (confira aqui) que seu partido adotou para o segundo turno, sem poupar críticas a Wladimir Garotinho (PSD) e a Caio Vianna (PDT), como aos grupos políticos de ambos.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta segunda pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

Prefeita reeleita de Quissamã, Fátima apoia Wladimir em Campos

Fátuma Pacheco apoia Wladimir Garotinho (Montagem: Joseli Mathias)

Antes da decisão soberana do eleitor campista nas urnas de 29 de novembro, daqui a exatos sete dias, esquenta a disputa de apoios entre os dois candidatos a prefeito que passaram ao segundo turno: Wladimir Garotinho (PSD) e Caio Vianna (PDT). Prefeita reeleita de Quissamã, com 52,19% dos votos válidos, ou 7.829 eleitores, Fátima Pacheco (DEM) vai de Wladimir. E apontou para formar sua decisão na atuação do prefeitável como deputado federal, considerada boa, independentemente da torcida política. O DEM, em Campos, apoiou e integrou a chapa do candidato Dr. Bruno Calil (SD), terceiro colocado na disputa, que também já se manifestou (confira aqui) sobre o segundo turno.

Assista abaixo ao vídeo em que Fátima declarou seu apoio a Wladimir no segundo turno a prefeito de Campos:

 

 

Psol de Natália se define ao 2º turno: “Nem Garotinho, nem Vianna”

 

O Psol de Campos divulgou hoje a sua posição ao segundo turno de 29 de novembro, entre os candidatos Wladimir Garotinho (PSD) e Caio Vianna (PDT): “Não aos Garotinho!” e “Não aos Vianna!”. Partido que sai dessas eleições municipais brasileiras ameaçando a condição do PT como legenda de esquerda do país, como na cidade de São Paulo, onde Guilherme Boulos disputa o segundo turno a prefeito com o atual, Bruno Covas (PSDB), O Psol produziu em Campos a grande revelação da eleição a prefeito no primeiro turno. A Professora Natália ultrapassou as candidaturas do PT e do PCdoB para ser a 5ª colocada da disputa, com 4,68% dos votos válidos, ou 11.622 eleitores, apenas 1.728 votos que o atual prefeito Rafael Diniz (Cidadania). Considerado que foi a primeira candidatura da jovem e articulada professora, não é pouca coisa.

 

Natália Soares, revelação da eleição de primeiro turno a prefeito de Campos (Foto: Divulgação)

 

Confira abaixo a manifestação do Psol sobre a posição do partido para o segundo turno a prefeito de Campos, na disputa entre os clãs políticos dos Garotinho e dos Vianna, que sofreram pesadas críticas:

 

 

Nota Partido Socialismo e Liberdade Segundo turno eleições em Campos dos Goytacazes

Hoje é dia 21 de novembro de 2020,  temos um comunicado muito importante para vocês.

 

Iniciamos agradecendo aos 11 mil 622 votos de confiança na campanha de esperança por uma Campos do bem viver e do poder popular, feita pela professora Natália e Bruna Machel . Da mesma forma, agradecemos aos 1.728 votos de credibilidade, depositados na primeira candidatura coletiva e feminina de Campos, a Vamos Juntas, além dos 124 votos do companheiro Cristiano da Matta, o Papel.

Nossa campanha foi feita por voluntárias e voluntários que acreditaram que uma real mudança pode acontecer na nossa cidade e no nosso país. E sim, o resultado das urnas nos mostra que a mudança está cada vez mais perto! Na verdade, ela já começou a se construir, a partida está dada para a transformação desta cidade. Somos a 5º candidatura mais votada, uma das 5 que obteve mais de 10 mil votos, e a única que conseguiu tal expressividade sem aceitar dinheiro de empresários. Sabemos, se a história nos ensina alguma coisa, que essas contas são cobradas depois da eleição. Nossos adversários tiveram para suas campanhas centenas de milhares e até milhões de reais e nós, mesmo com poucos recursos, trouxemos enorme riqueza de ideias e força militante.

E é por essas ideias, por essa fé em mudar o mundo, que move quem acredita no projeto que nós defendemos, que viemos aqui colocar um posicionamento sobre o segundo turno das eleições em Campos dos Goytacazes.

Sei que muita gente tem perguntado por nossa posição, e não poderíamos deixar de expressá- la. Nunca fugimos de debate e não vamos aqui deixar de nos expressar.

NÃO APOIAREMOS NENHUMA OLIGARQUIA POLÍTICA QUE CONCORRE AO SEGUNDO TURNO NAS ELEIÇÕES MUNICIPAIS

NEM GAROTINHO, NEM VIANNA.

DE AGORA EM DIANTE, QUALQUER QUE SEJA O GOVERNO ELEITO, SEREMOS OPOSIÇÃO, NÃO NOS VENDEREMOS POR CARGOS OU VANTAGENS POLÍTICAS.

É importante que  explique nossa posição.

Wladimir Garotinho é representação de um projeto familiar do endividamento da nossa cidade, sua dinastia política vendeu nosso futuro, comprometendo o orçamento da cidade. Além disso, o rombo da PreviCampos, que é um verdadeiro atentado aos nossos aposentados e a marcante corrupção na gestão pública também são características de seu grupo político. Podemos destacar aqui, entre outras, a Operação Chequinho, que fez jogada política e clientelismo com a vulnerabilidade da população mais pobre do município. Não podemos indicar voto em quem destruiu a nossa cidade e vendeu nosso futuro, ou em quem explora e mantém a miséria de forma vil e mesquinha. Não aos Garotinhos!

Caio Vianna, por sua vez, é representação de outro projeto familiar. De um grupo político que governou a nossa cidade nos tempos das chamadas “vacas gordas”, o tempo da bonança financeira dos royalties;e participações especiais. E desse período não fizeram nenhuma reserva, torraram indiscriminadamente o dinheiro público em gastos mal executados e corrupção. E não esqueçamos do Mocaiber, o prefeito que compete com Rafael Diniz ao título de ‘pior prefeito da história de Campos’. Mocaiber era afilhado político de Arnaldo, indicado por ele para sucessão. Arnaldo Vianna é parte responsável da tragédia social que nos encontramos. Caio Vianna, que começou a carreira política sem apoio do próprio pai, buscou para sua vice- prefeitura o PSL, partido vinculado ao bolsonarismo que tem sangue do povo negro, periférico, dos indígenas, dos quilombolas nas mãos. Não faremos coalizão com genocidas. O legado de Brizola é maculado por essa aliança espúria. Não aos Vianna!

Reiteramos que nosso plano de governo é público, construído em conjunto com a população campista e, portanto, representa não uma propriedade do PSOL/UP, mas às demandas e necessidades do povo. Deste modo, convidamos a população campista a conhecer e se apropriar do programa vocalizado pelo PSOL/UP nestas eleições, cobrando ativamente a sua implementação não só ao futuro prefeito eleito, mas sempre que a gestão pública municipal estiver em desacordo com essas demandas.

A democracia permite a liberdade nas urnas, garante o livre voto individual. A população irá decidir como votar no segundo turno, acataremos qualquer decisão popular. Porém, reafirmamos que permaneceremos na oposição a qualquer governo eleito, sempre que este contrariar os interesses da população. Estaremos na linha de frente defendendo a classe trabalhadora, os mais vulneráveis e os direitos sociais aos excluídos das políticas públicas.

 

Pelo Socialismo e a Liberdade, em memória de Marielle Franco, nem um passo atrás na luta pelo poder popular!

Ao povo de Campos, vamos à luta. Nas ruas que a gente se encontra.

 

Confira aqui, a posição de neutralidade também adotada pelo prefeito Rafael ao segundo turno de Campos, divulgada na quinta (18), e aqui a do PT de Odisséia, divulgada na noite de sábado (21). 

 

Nome nacional do PT, Tarso quebra neutralidade e apoia Caio

 

Tarso Genro e Caio Vianna (Montagem: Joseli Mathias)

Se o PT de Campos, através da sua presidente e prefeitável em 15 de novembro, Odisséia Carvalho, declarou na noite de ontem (confira aqui) a neutralidade do partido para o segundo turno que será disputado daqui a 7 dias, entre Wladimir Garotinho (PSD) e Caio Vianna (PDT), o mesmo não se deu entre uma das maiores lideranças petistas em âmbito nacional. Ex-governador do Rio Grande do Sul, prefeito da capital Porto Alegre duas vezes e ministro do governo Lula nas pastas da Educação, Relações Institucionais e Justiça, Tarso Genro gravou dois vídeos de apoio à candidatura de Caio Vianna a prefeito de Campos.

Se, para o PT de Campos “Caio Vianna busca usar a imagem do governo de seu pai para fazer promessas, ainda que não demonstre embasamento de suas propostas, dentro da atual realidade do município. Além disso, a candidatura é apoiada por grupos da extrema direita de Campos (PSL, com a vice na chapa), favoráveis ao bolsonarismo, e que se associam a projetos retrógrados que em nada contribuem para o desenvolvimento do município”, Tarso Genro teve visão diferente para declarar seu apoio ao filho do ex-prefeito Arnaldo Vianna (PDT). O que deve gerar dúvida entre os 4.664 eleitores que votaram no PT a prefeito no primeiro turno.

Assista abaixo aos dois vídeos com a declaração do apoio de Tarso Genro a Caio:

 

 

 

PT de Odisséia critica e fica neutro no 2º turno entre Wladimir e Caio

 

O PT de Campos ficará neutro no segundo turno a prefeito, disputado no dia 29 entre Wladimir Garotinho (PSD) e Caio Vianna (PDT). A informação veio por WhatsApp da presidente municipal e prefeitável do partido até o dia 15, Odisséia Carvalho. Educadora, tive a chance de acompanhá-la como sindicalista, vereadora, candidata a prefeita e mãe. Naquilo que pensa, Odisséia está entre as políticas mais coerentes.

Ela terminou em 7º lugar na disputa do primeiro turno, com 1,88% dos votos válidos, ou 4.664 eleitores. Que teve ao assumir uma missão pelo seu partido. Antes de Odisséia, o PT deu outro belo mandato ao Legislativo goitacá, com a vereadora Ivete Marins. Na prática, o partido hoje libera seus militantes para apoiar um, outro ou nenhum. Confira abaixo o manifesto petista sobre o segundo turno da eleição a prefeito de Campos:

 

Odisséia Carvalho, Wladimir Garotinho e Caio Vianna (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

MANIFESTO PARTIDO DOS TRABALHADORES CAMPOS DOS GOYTACAZES

A Direção Municipal do Partido dos Trabalhadores de Campos dos Goytacazes, em respeito a todos que votaram e construíram nossas candidaturas nas eleições deste ano, vem, por meio desta, se posicionar perante as opções colocadas para concorrer à Prefeitura de nossa cidade no segundo turno das eleições 2020.

Campos vive uma situação extremamente delicada para seus habitantes, na qual é preciso escolher entre o retorno de dois grupos políticos/familiares que já governaram a cidade.

De um lado temos o Wladimir Garotinho, cuja família, durante muitos anos, protagonizou manchetes em casos de corrupção e lançou Campos a uma crise sem precedentes, mesmo após repasses bilionários de royalties durante suas gestões. Um rosto jovem que retrata a velha política coronelista da cidade. Do outro lado, Caio Vianna busca usar a imagem do governo de seu pai para fazer promessas, ainda que não demonstre embasamento de suas propostas, dentro da atual realidade do município. Além disso, a candidatura de Caio Vianna é apoiada por grupos da extrema direita de Campos, favoráveis ao bolsonarismo, e que se associam a projetos retrógrados que em nada contribuem para o desenvolvimento do município.

O Partido dos Trabalhadores disputou as eleições municipais por entender que cumpre ao papel de ser uma opção de renovação e que nenhum dos candidatos colocados representa nosso projeto político. Projeto esse, que visa o bem estar dos campistas e busca melhor atendê los através de políticas públicas para toda a sociedade, em especial, a classe trabalhadora. Diante disso, não existe a possibilidade de abrir mão dessas pautas para apoiar candidatos que prometem em tempos de eleições, mas servem de base para aprovar projetos contra os trabalhadores depois de eleitos.

Por isso, reforçamos nossas principais bandeiras de luta e nelas continuaremos a atuar. Seguiremos combatendo o fascismo, a não-aliança de partidos progressistas com a direita e extrema direita, o combate à privatização dos órgãos, empresas, fundações e entidades públicas, a geração de empregos, o fortalecimento da Petrobrás na bacia de Campos, capacitação e espaços de convivência para a juventude, o fortalecimento da cultura, transporte, investimento na agricultura familiar, plano municipal de resíduos sólidos, economia solidária, moeda social, desenvolvimento econômico com justiça social, investimentos para educação e saúde pública, gratuita e de qualidade, bem como as políticas públicas para o combate ao racismo, a proteção à mulher, quilombolas e a comunidade LGBTQ+.

Qualquer candidato que não compartilhe dessas bandeiras de luta não terá o apoio do Partido dos Trabalhadores. Seguimos na luta por uma política que respeite e valorize a inclusão de toda a nossa população e promova o merecido reconhecimento da classe trabalhadora que move, dia-a-dia, essa cidade. Fora Bolsonaro, fora Mourão, seus admiradores e suas políticas contra a classe trabalhadora.

 

Odisseia Pinto de Carvalho

Presidenta do PT Campos dos Goytacazes

 

Crescimento da Covid chega ao CCC e Campos terá novas medidas de restrição

 

 

“Medidas restritivas vão ter que voltar a ser tomadas com o aumento nos casos de Covid em Campos. Nós vamos nos sentar com o prefeito Rafael (Diniz, Cidadania) e o comércio da cidade, para evitar prejudicá-lo. Mas aquela projeção inicial de definirmos se sairíamos ou não da fase Verde, não existe mais. Tudo indica que nós vamos ter que voltar à fase Amarela”. Foi o que revelou agora a comandante do combate à pandemia do novo coronavírus em Campos, a médica infectologista Andreya Moreira, chefe da Vigilância em Saúde do município.

 

Comandante do enfrentamento à Covid em Campos, a médica infectologista Andreya Moreira, chefe da Vigilância em Saúde (Foto: Folha da Manhã)

 

A revelação surgiu depois que o blog teve notícia de um aumento exponencial de casos no Centro de Controle e Combate ao Coronavírus (CCC), que começou a operar (confira aqui) em 30 de março, em parceria do governo Rafael com a Beneficência Portuguesa. Na quinta (19), após o registro de aumento de procura e internações por Covid registrado na Santa Casa e no Dr. Beda (confira aqui) no dia anterior (18), Andreya disse (confira aqui) que a decisão da mudança de fase diante de uma aparente segunda onda da pandemia, ou recrudescimento da primeira, seria tomada na semana que vem. Mas, segundo a chefe da Vigilância em Saúde revelou hoje, na própria quinta houve um aumento no número de internações no CCC.

 

Abertura do CCC em 30 de março, fruto da parceria do governo Rafael Diniz com a Beneficência Portuguesa (Foto: Divulgação)

 

Com a diminuição do número de casos entre setembro e outubro, algumas equipes foram desmobilizadas para atender outras demandas da saúde. O que reduziu o número de 29 leitos de UTI do CCC para 24, assim como os leitos clínicos, de 60 para 40. Só que os casos voltaram a crescer em novembro, em virtude do relaxamento das pessoas e dos contatos físicos e aglomerações do período eleitoral. Primeiro na rede privada do Dr. Beda e do Hospital da Unimed, chegando à rede conveniada, como a Santa Casa, e esta semana ao CCC. Hoje, dos seus atuais 24 leitos de UTI, a referência do município no atendimento à Covid tem 17 ocupados. Já entre os leitos 40 clínicos do CCC, a taxa de ocupação atual é de 30.

Se o CCC colapsar com o novo crescimento da pandemia no município, toda sua rede pública, conveniada e privada viria a reboque. Mas, segundo Andreya, isso ainda não está para acontecer. Na rede pública, o Hospital Geral de Guarus (HGG) tem quatro leitos de UTI para Covid, com um ocupado; e quatro leitos clínicos, com dois ainda vagos. No Hospital São José, que atende à Baixada, há 10 leitos clínicos reservados aos infectados pela doença, todos ainda vagos, e mais 10 leitos de UTI, com apenas um ocupado. Na rede conveniada, mista o atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e privado, o Hospital Álvaro Alvim conta com quatro leitos de UTI, com dois ocupados, mais 10 leitos clínicos, sete deles ocupados. Sem adotar novas medidas de restrição diante do aumento de casos, a rede correria o risco de colapsar, como ocorreu na Itália e na Espanha.

 

Médico infectologista Nélio Artiles (Foto: Divulgação)

 

Na quarta, dia anterior ao aumento na procura no CCC, o médico infectologista Nélio Artiles, entre os mais respeitados na região em sua área, tinha advertido: “A volta da fase Verde para a Amarela em Campos, com adoção do lockdown parcial, é inevitável, vai acontecer”.

 

PSDB com Wladimir e PSB com Caio, que vira alvo de Dr. Bruno Calil

 

Campos e seus três candidatos a prefeito mais votados em 15 de novembro, Wladimir Garotinho, Caio Vianna e Dr. Bruno Calil (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Com o apoio de sete vereadores eleitos por outros grupos políticos para Wladimir Garotinho (PSD), no segundo turno a prefeito de Campos, e um para Caio Vianna (PDT), a disputa também se dá entre as legendas. O PSDB local, presidido por Lesley Beethoven, como já era esperado, declarou seu apoio a Wladimir. E o PSB goitacá, que chegou a namorar Caio, antes de fechar apoio no primeiro turno à candidatura do prefeito Rafael Diniz (Cidadania), selou novo matrimônio eleitoral com o pedetista. Que na madrugada de hoje sofreu duras críticas do candidato terceiro colocado nas urnas de 15 de novembro. Por WhatsApp, Dr. Bruno Calil (SD), que teve 13,77% dos votos válidos no primeiro turno, questionou a residência, a disposição de trabalho e a lealdade política de Caio, desmentindo qualquer aliança do seu partido com o filho do ex-prefeito Arnaldo Vianna (PDT):

— O candidato Caio Vianna mais uma vez vem tentar enganar a população de Campos falando que o Solidariedade está com ele. Ele deva estar achando que ele é candidato no Rio de Janeiro cidade na qual ele reside. Isso é a velha política que eu tanto combatia. Não é acordando meio-dia que vamos conseguir reerguer nossa cidade. Não adianta ser bom de discurso e fraco de aperto de mão. Campos tem cura mas passa muito longe de Caio Vianna. Do dia que eu fui lançado candidato, até o pleito, deu 57 dias. Quando aceitei o desafio sabia que Campos precisava de trabalho e trabalho é com trabalhador.

 

 

(Clique na imagem para ver a postagem do PSB de apoio a Caio no Instagram)

 

Caio lidera em empate técnico com Wladimir? O que o 1º turno disse e o Ibope dirá?

 

Como Campos dos Goytacazes saiu das urnas a prefeito de 15 de novembro para a decisão final do dia 29 (Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Caio líder em empate com Wladimir? Ibope dirá!

 

Eleições, por vezes, são marcadas por surpresas. Esta eleição de Campos, atípica pela pandemia da Covid, ainda não havia trazido nenhuma. A passagem de Wladimir Garotinho (PSD) e Caio Vianna (PDT) pelo primeiro turno de 15 de novembro foi adiantada neste mesmo espaço semanal de análise (confira aqui) desde 10 de outubro, ainda sem nenhuma pesquisa registrada na disputa pela Prefeitura de Campos. Assim como foram aqui adiantadas a revelação que seria a Professora Natália (Psol) e a votação consistente de Dr. Bruno Calil (SD), fruto da força da campanha coordenada pelo deputado estadual Rodrigo Bacellar (SD) e responsável pela existência do segundo turno daqui a oito dias. Mas, na manhã de ontem, uma pesquisa do instituto Paraná divulgou (confira aqui) que o clã Vianna, além dos Bacellar, teria ultrapassado também o clã Garotinho. O que surpreendeu muita gente. Sobretudo a quem ficou desatento ao empate técnico entre os 52,6% de intenções de votos válido atribuídos a Caio e os 47,4%, a Wladimir. Na margem de erro de 3,5 pontos, ganhe quem ganhe no dia 29, o instituto “acertará”.

 

Liderança de Caio em empate técnico com Wladimir, segundo a pesquisa Paraná divulgada ontem (Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Não se deve entrar na negação de pesquisas, como faz a baixa bolsonaria, fingindo ignorar que a DataFolha registrou (confira aqui) entre 27 e 28 de setembro de 2017, mais de um ano antes do primeiro turno presidencial de 2018, que Jair Bolsonaro era o favorito no cenário sem Lula. Nem se deve apelar ao serviço baixo de desinformação, como os lacaios a soldo do garotismo, que passaram ontem a divulgar que a pesquisa Paraná com a liderança em empate técnico de Caio teria sido impugnada pela Justiça. Quando, na verdade, o instituto teve uma outra pesquisa barrada pelo juízo da 76ª Zona Eleitoral de Campos, por tirar Wladimir das duas opções de segundo turno, poder que só tem o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Que, com o ministro Luís Felipe Salomão como relator, julgará talvez na quinta (26) a condição de “Anulado Sub Judice” (entenda o caso aqui) da votação de Wladimir, por conta da desincompatibilização fora do prazo do seu vice, Frederico Paes (MDB), da direção do Hospital Plantadores de Cana (HPC).

 

No TSE, o ministro Luís Felipe Salomão é o relator do recurso contra o indeferimento de Frederico Paes como candidato a vice-prefeito na chapa de Wladimir (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

O que se pode e se deve fazer, para saber como de fato está a disputa pela Prefeitura de Campos, é comparar a Paraná do segundo turno com a Paraná do primeiro. Neste, o instituto projetou (relembre aqui) 28,1% de intenções de voto (ou 36,4% dos votos válidos) a Wladimir. E ele teve nas urnas 42,94% dos votos válidos — 6,54 pontos percentuais a mais. Já Caio, recebeu da Paraná no primeiro turno 23,5% das intenções de voto (30,5% dos votos válidos). E ele teve de fato 27,71% dos votos válidos — 2,7 pontos percentuais a menos. A margem de erro daquela Paraná do primeiro turno eram os mesmos 3,5 pontos da sua pesquisa divulgada ontem, para o segundo. Em 15 de novembro, a projeção do instituto ultrapassou esta margem ao errar com Wladimir, para baixo. Com Caio, dentro da margem, errou para cima.

 

Contrastes entre a Paraná e as urnas do 1º turno: erro fora da margem com Wladimir para baixo; e erro dentro da margem com Caio para cima (Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Carlos Alexandre de Azevedo Campos, advogado e professor da Uerj e Isecensa

Ao ser divulgada ontem pelo blog Opiniões e na manchete do site Folha1, a pesquisa Paraná que apontou a liderança de Caio em empate técnico com Wladimir gerou muita repercussão, comentários e análises. Inclusive no grupo de WhtasApp do blog e do programa Folha no Ar, da Folha FM 98,3:

— Esse segundo turno é um desafio à alma e à mente do campista. Já disse que acho que o governo de Arnaldo foi o pior para mim por conta do seu legado aos gastos públicos. Mas, como movimento político, o garotismo é um mal pior. Mas acredito que os filhos não, necessariamente, devem ser punidos por seus pais. Mas isso está em jogo nas eleições. No quesito experiência, Wladimir ganha, em razão de sua boa passagem pela Câmara Federal. Mas pode ser que o passado dos pais defina o nosso presente, a favor ou contra Garotinho — disse o advogado Carlos Alexandre de Azevedo Campos, professor da Uerj, do Isecensa e ex-assessor do Supremo Tribunal Federal (STF).

Hamilton Garcia, cientista político e professor da Uenf

— Se eles (do instituto Paraná) estiverem certos, e observe que na pesquisa anterior eles acertaram na ordem de colocação dos candidatos, talvez isso se explique pela rejeição ao garotismo e ao perfil da oligarquia Vianna, mais descentralizada e agregadora, ao contrário da oligarquia Garotinho, mais centralizadora e exclusivista. É claro que para enfrentar a crise atual, mais vale uma centralização racionalizante do que uma descentralização irracional, mas é tudo muito especulativo, à luz da história dessas oligarquias — analisou o cientista político Hamilton Garcia, professor da Uenf.

Wellington Cordeiro, presidente da AIC

— Independente de quem vença o segundo turno, o município perde de lavada. A gastança desenfreada dessas duas famílias, que disputam o segundo turno, colocou a cidade em estado de coma. Veremos o que farão sem a fartura de dinheiro de outrora — ressaltou o jornalista Wellington Cordeiro, presidente da Associação de Imprensa Campista (AIC).

Fora do grupo, em seu próprio blog, o empresário Christiano Abreu Barbosa, diretor do Grupo Folha, deteve sua análise (confira aqui) sobre a própria pesquisa. E, noves fora qualquer fraternidade de sangue e espírito, ele está entre os melhores analistas de pesquisa e apuração eleitorais de Campos, ao lado do também empresário e colunista da Folha Murillo Dieguez, cujo instituto Pro4 faz tanta falta para acompanhar as eleições municipais deste ano:

 

Farol que iluminou a eleição a prefeito de 2016, com sua série histórica de pesquisas, o instituto local Pro4 faz falta em 2020

 

Christiano Abreu Barbosa, blogueiro, empresário e diretor do Grupo Folha

— Os novos números do Paraná corroboram a tese de alguns analistas políticos e de aliados de Caio, de que Wladimir repetiria candidaturas anteriores dos Garotinhos, chegando próximo ao teto já no primeiro turno, fato ocorrido duas vezes com Pudim. Porém, isto não ocorreu com Rosinha, parte pela bem sucedida estratégia de não mostrar Garotinho na campanha, tática repetida agora. Também não era o que indicavam os números de rejeição de Wladimir e Caio nas pesquisas, mesmo os do próprio Paraná. Wladimir sempre teve uma rejeição maior que Caio nas pesquisas, mas jamais na proporção de 5 para 1 — questionou Christiano.

Para um analista de menor capacidade, mas que ainda assim antecipou em um dia a vitória de Joe Biden (confira aqui) na eleição presidencial dos EUA, assim como antecipou o próprio TSE na noite longa de 15 de novembro, confirmando (confira aqui) o segundo turno entre Wladimir e Caio com apenas 43,7% das urnas do primeiro apuradas, a resposta está no que estas mostraram em suas quatro Zonas Eleitorais. Wladimir ganhou Caio em todas. Entre elas, apenas a diferença na 98ª ZE, na chamada “pedra”, foi e é desprezível: 28,35% a 28,32%. Nas 76ª e 129ª ZEs, o candidato dos Garotinho levaria já no primeiro turno: respectivamente, por 50,37% a 25,39% e por 53,98% a 25,37%. Já na 75ª, a diferença foi menor: 41,24% contra os 30,62% do candidato dos Vianna. Na ZE da mítica “Baixada da Égua”, que deve definir a eleição, a vantagem de Wladimir para Caio foi de 10,62 pontos percentuais. É mais que os 6,54 pontos da diferença entre os votos que a Paraná disse que o primeiro teria e os que de fato ele teve em 15 de novembro.

 

Como a eleição do 1º turno ficou divida entre Wladimir e Caio nas quatro Zonas Eleitorais de Campos (Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Alguém que conhece como poucos a Prefeitura de Campos e nutre igual antipatia pelos dois nomes que a disputam, confidenciou após a divulgação da Paraná: “No voto, acho difícil Wladimir não levar”. Se a definição fosse pelos vereadores eleitos por outros grupos políticos e atraídos por uma das duas candidaturas a prefeito no segundo turno, o placar seria 7 a 1 contra Caio. Que, no entanto, tem neste “1” o campeão de votos nas eleição legislativa: Abdu Neme (Avante), que teve 5.574 eleitores. Do outro lado, Anderson de Matos (Republicanos, 4.905 votos), Igor Pereira (SD, 3.271 votos), Rogério Matoso (DEM, 3.086 votos), Marcione da Farmácia (DEM, 2.278 votos), Silvinho Martins (MDB, 2.194 votos), Helinh Nahim (PTC, 2.171 votos) e Raphael Thuin (PTB, 1.738 votos), que declararam apoio a Wladimir após o primeiro turno, tiveram nele, somados, 19.643 eleitores.

 

Placar do apoio dos vereadores eleitos por outros grupos políticos, até ontem, estava Wladimir 7×1 Caio,  (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Quase sinônimo de pesquisas eleitorais no Brasil, o Ibope tem uma no forno sobre a disputa do governo dos mais de 507 mil campistas, mais de 360 mil deles aptos a votar daqui a oito dias. Com divulgação prevista para esta quarta-feira (25), a quatro dias das urnas, veremos o que dirá. A Paraná registrou ontem que trará uma nova pesquisa para o dia seguinte, na quinta (26). Como garoto mimado, o instituto tentará dar a última palavra. Mas não terá o mesmo peso.

 

Publicado hoje (21) na Folha da Manhã

 

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