Opiniões

Acolhidos? — Menores infratores arriscam suas vidas diariamente e sem controle

 

Um problema social tem se transformado numa bomba prestes a explodir, pela falta de controle e de entendimento entre as esferas do poder público. Conviver é o nome da casa de acolhimento para menores da Fundação Municipal da Infância e Juventude (FMIJ) na rua Almirante Wanderkolk, no Parque Tamandaré, entorno da avenida Pelinca. E a convivência no bairro de classe média alta tem sido o maior problema desde que a casa alugada pelo município passou a abrigar menores infratores, por decisões judiciais e do Conselho Tutelar. Egressos de comunidades periféricas e distantes, esses adolescentes de histórico infracional não têm controle de entrada e saída, que fazem diariamente pulando o muro da frente da casa. E colocam suas próprias vidas em risco, escalando também diariamente os muros ainda mais altos com as residências vizinhas, mesmo diante da presença impassível dos vigias.

Na manhã de hoje, a redação da Folha foi acionada pela moradora de um prédio vizinho da Conviver. Inicialmente, sua queixa era o estado de abandono da piscina da casa alugada pelo município, com receio de que pudesse ser foco de infestação do mosquito da dengue. Mas o problema se revelou mais grave. Para evidenciar a falta de controle sobre os menores infratores, foi na presença dos vigias da Conviver que eles localizaram a equipe de reportagem, na varanda do apartamento. Os adolescentes infratores não se intimidaram. E diante das lentes repetiram sua rotina diária de escalar o muro lateral com a casa onde um idoso reside sozinho, e o muro dos fundos, com uma casa abandonada. Todos com cerca de três metros de altura. E o fizeram também na presença dos seguranças.

Acompanhe abaixo, nos flagrantes em fotos e vídeo, o que os menores infratores fazem diariamente na casa de acolhimento Conviver:

 

Ao lado do vigia da Conviver, menor infrator aponta para a equipe de reportagem, na varanda do apartamento vizinho (Foto: Folha da Mannhã)

 

 

Mesmo depois de identificar a reportagem da Folha, menores começam a subir no muro lateral da Conviver (Foto: Genilson Pessanha – Folha da Manhã)

 

 

Após escalarem o muro lateral, menores começam a se reunir entre o telhado da Conviver e a laje da casa abandonada aos fundos (Foto: Genilson Pessanha – Folha da Manhã)

 

 

Cinco menores se reúnem na laje da casa abandonada, nos fundos da Conviver, sem se importarem de estar sendo fotografados (Foto: Genilson Pessanha – Folha da Manhã)

 

 

Menores iniciam processo de descida de volta a Conviver, pondo de novo em risco suas vidas (Foto: Genilson Pessanha – Folha da Manhã)

 

 

Na presença do vigia da Conviver, de camisa branca, quatro menores infratores sobem o muro com o vizinho à direita, enquanto outro desce pelo telhado à esquerda (Foto: Genilson Pessanha – Folha da Manhã)

 

 

 

Os vigias também não impediram que os menores infratores depois saíssem da Conviver para cercar a entrada do prédio em que a equipe da Folha registrou os flagrentes. Alguns desses aolescentes interpelaram o motorista do carro que do jornal. E chegaram a segui-lo usando bicicletas. A demanda foi gerada desde o início da tarde à assessoria de comunicação da FMIJ. Às 20h, a Supcom enviou a nota abaixo:

“O Acolhimento Conviver é vinculado à Fundação Municipal da Infância e da Juventude (FMIJ) e atualmente se destina ao acolhimento de adolescentes em situação de vulnerabilidade, encaminhados por decisão judicial ou por razões emergenciais, por decisão do Conselho Tutelar.

Compete à FMIJ o dever de acatar os acolhimentos encaminhados pelo Judiciário e pelos Conselhos Tutelares, e cabe ao poder público municipal, representado pela FMIJ, gerir os acolhimentos institucionais e assegurar os direitos das crianças e adolescentes, como saúde, educação, lazer, entre outros.

Importante ressaltar que o Acolhimento Institucional é um serviço regulamentado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente e por orientações técnicas, os quais não preveem o auxílio de força policial dentro das unidades. Os adolescentes recebem orientações dos educadores que atuam no acolhimento e, caso haja configuração de atos infracionais, há o encaminhamento para órgãos competentes.

No que se refere à piscina, a última limpeza ocorreu há menos de um mês, quando uma árvore do terreno vizinho caiu na casa onde funciona a Unidade de Acolhimento. Os materiais necessários para nova manutenção e limpeza estão sendo adquiridos, a partir da abertura do orçamento municipal, que ocorreu recentemente.

Atualmente, 10 adolescentes estão acolhidos no Conviver, os quais, em sua maioria, não se enquadram nas violações que definem a medida de Acolhimento como a mais adequada, como é o caso de adolescentes ameaçados, os quais teriam que ser encaminhados ao Programa de Proteção à Criança e ao Adolescente, vinculado ao Governo do Estado. Outras situações de acolhimento ocorrem por própria conduta dos adolescentes, o que por si só também não se enquadra na medida de proteção excepcional e muitas vezes estão relacionadas até mesmo à prática de atos infracionais.

Todos os agentes do Sistema de Garantia de Direitos destes adolescentes estão sendo comunicados, na medida de suas competências sobre todos os fatos envolvendo os adolescentes, inclusive, sobre o firme entendimento técnico da gestão pública municipal de que estes acolhimentos são indevidos”.

 

Morre aos 103 anos Kirk Douglas, um dos rostos mais icônicos do séc. 20

 

KIrk Dougas, filho pródigo da Era de Ouro de Hollywood

Morreu ontem (05), aos 103 anos, o dono de um dos rostos mais icônicos do século 20: Kirk Douglas. Estrela da Era de Ouro de Hollywood, entre os anos 1950 e 1960, era poderoso e viril na presença física, em um tempo que isso era natural, não condicionado em academias e anabolizantes. Sua marca era outro detalhe natural: o inconfundível furo no queixo. Filho de imigrantes judeus da Rússia, nasceu nos EUA e foi batizado Issur Danielovitch. Mudou o nome para Kirk Douglas ao se alistar na Marinha do seu país, pela qual lutou na 2ª Guerra Mundial (1939/45) contra o Império do Japão.

Como ator, Kirk concorreu ao Oscar três vezes. Pelo papel do pugilista inescrupuloso em “O Invencível” (1949), de Mark Robson; como o ambicioso produtor de cinema em “Assim Estava Escrito” (1952), de Vincente Minnelli; e como o atormentado pintor holandês Vincent Van Gogh, em “Sede de Viver” (1956), também de Vincente Minnelli, codirigido por George Cukor. Sem nunca ganhar, receberia o Oscar honorário em 1996 pelo conjunto da carreira. Seu filho, o ator Michel Douglas, levaria a estatueta dourada como ator por Wall Strett (1987), de Oliver Stone.

 

Protagonista do drama de guerra “Glória Feita de Sangue”

 

Mas os papéis pelos quais Kirk será para sempre lembrado foram em três clássicos. Dois deles dirigidos pelo, talvez, mestre do cinema dos EUA, Stanley Kubrick. O primeiro é um dos maiores filmes de guerra já realizados. “Glória Feita de Sangue” (1957) é baseado em uma história real da 1ª Guerra Mundial (1914/18) no Exército Francês. Que imortalizou a sentença do pensador inglês Samuel Johnson: “O patriotismo é o último refúgio dos canalhas”. O segundo talvez seja o auge de Kirk, ao protagonizar “Spartacus” (1960). Baseia-se em outra história real, a revolução de escravos na Roma Antiga, liderada por quem Karl Marx consideraria o primeiro herói da luta de classes. Cujo intérprete resgatou da lista negra da caça ao comunismo nos EUA o roteirista Dalton Trumbo.

 

Como o líder escravo Spartacus, seu papel mais marcante

 

Para alguém que está nessa história de jornalismo há mais de 30 anos, nenhum filme estrelado por Kirk Douglas marcou mais do que “A Montanha dos Sete Abutres” (1951). Foi dirigido por outro mestre do cinema, o austríaco Billy Wilder. Que foi jornalista em seu país natal, quando tentou entrevistar Sigmund Freud, antes de emigrar aos EUA para fugir do avanço da Alemanha Nazista. E se tornar um dos maiores nomes de Hollywood, primeiro como roteirista, depois também como cineasta. Na corrupção da ética jornalística para ganhar leitores, tanto quanto hoje qualquer Zé Mané busca likes nas redes sociais, o diretor/roteirista e seu protagonista estavam mais de meio século à frente do seu tempo. Como convém aos gênios.

 

“A Montanha dos Sete Abutres”, maior filme já feito sobre jornalismo

 

Se ainda não assistiu a nenhum desses filmes, você não sabe a inveja que tenho de você. Cada um deles foi descoberta, e referência, para a vida inteira. Como observou após a morte de Kirk Douglas uma outra jornalista, a quem muito prezo: “A gente sabe que uma vida valeu a pena quando sua morte aos 103 anos nos surpreende”.

 

Com a anuência escrota das feministas identitárias que se calaram

 

Anthony Hopkins no personagem que imortalizou em “O Silêncio dos Inocentes” (1991), de Jonathan Demme

 

Evito palavras de baixo calão ao escrever. Sobretudo no mundo virtual, que não precisa delas para manter sua polarização acéfala. Mas às vezes elas são necessárias, como lecionou Euclides da Cunha, na “precisão integral do termo”.

Hannibal Lecter do lulopetismo, José de Abreu disse ontem (04) da colega Regina Duarte: “Vagina não transforma mulher em ser humano”. Se está certo, significa dizer que sororidade é a casa do caralho! Desde que este, lógico, entorte à esquerda.

E com a anuência escrota de todas as feministas identitárias que se calaram.

 

Críticas, elogios e advertências — Entrevista de Rafael à Folha FM viraliza nas redes

 

 

Capa da Folha da Manhã de hoje (05)

 

Rafael no Folha no Ar

A entrevista (leia e assista aqui) de Rafael Diniz (Cidadania) à Folha FM 98,3 na manhã de ontem (04), gerou muita participação. Antes, durante e depois do Folha no Ar 1ª edição. Tanto em elogios à franqueza do prefeito, que deu números à crise financeira do município e reafirmou sua pré-candidatura à reeleição em outubro, quanto em cobranças e críticas a algumas das suas posições. Através do grupo de WhatsApp do programa, pautas como o atraso do pagamento dos RPAs foram aproveitadas. Com interação intensa dos ouvintes e telespectadores em comentários pelo streaming do programa na página da rádio mais ouvida de Campos no Facebook.

 

Hospitais (I)

Depois de encerrado a entrevista, ela continuou gerando repercussão no WhatsApp. Sobretudo na questão dos hospitais contratualizados. Presidente do sindicato que os reúne, Frederico Paes foi citado no programa. Primeiro de maneira velada pelo prefeito, que questionou a cobrança de diálogo com o setor. Lembrado pela bancada do programa que quem cobrou foi Frederico, nesta mesma coluna (aqui), em 22 de janeiro, Rafael respondeu dizendo que “dialogar não significa sempre dizer sim”. Depois, pelas redes sociais, o líder dos hospitais contratualizados citou pontos de divergência com o chefe do Executivo goitacá

 

Hospitais (II)

Sobre a questão do diálogo, Frederico confirmou o contato informal que teve com Rafael, citado por este na entrevista. Mas disse que “os hospitais só foram recebidos em outubro, depois de muita insistência, pelo prefeito. De lá para cá não tivemos mais nenhuma reunião formal para tratar do pagamento atrasado dos hospitais. O para frente, a gente está disposto a repactuar. Mas continuamos a atender à população e sem receber. O que está para trás, qual é o cronograma de pagamento? A questão do para frente, como ele mesmo propôs, deve ser resolvido a quatro mãos. Mas a gente não é chamado para conversar”.

 

Hospitais (III)

Quem também questionou as declarações do prefeito foi o médico Geraldo Venâncio. Diretor do Hospital Escola Álvaro Alvim e ex-integrante do governo municipal Rosinha Garotinho (hoje, Patri), ele ressalvou que as verbas federais do SUS, que passam pela Prefeitura aos hospitais contratualizados “são um mero repasse, que nada tem a ver com o tesouro municipal”. Outro médico, Cléber Glória, diretor da Santa Casa de Misericórdia de Campos, disse que “quando fala que em 2019 realizou mais repasses dedo que no ano de 2018, o prefeito simplesmente soma valores de recursos federais e estaduais a essa conta”.

 

Tréplica

Assessora de comunicação da Prefeitura, a jornalista Suzy Monteiro explicou no Whats App as declarações de Rafael à rádio: “Em momento algum o prefeito fala que fez mais repasses municipais em 2019 do que em 2018. Ele afirma que, mesmo com o atraso, houve mais repasses no ano passado do que no ano anterior. Longe de política, isso é de fácil comprovação. Santa Casa: R$ 33.608.385,20 em 2018 e R$ 42.952.232,35, em 2019. Plantadores: R$ 38.572.636,79 em 2018 e R$ 38.755.685,61, em 2019. Álvaro Alvim: R$ 23.173.724,41 em 2018 e R$ 29.837.657,33, em 2019. Beneficência Portuguesa: R$ 23.820.074,22 em 2018 e R$ R$ 34.331.202,19, em 2019”.

 

Análise

Quem também se manifestou no grupo de WhatsApp do Folha no Ar foi o delegado Pedro Emílio Braga, titular da 146ª DP. Sem ligação com nenhum grupo político, ele analisou a participação do prefeito na Folha FM: “Excelente a entrevista de Rafael Diniz. Pessoalmente, enquanto gestor tanto na esfera pública, quanto privada, é gratificante ver um chefe do Executivo falar em números, custos, despesas, receitas e, principalmente, da decorrente austeridade que se impõe ao município pelo atual estado das coisas. Tudo sem politicagem barata e ataques eleitoreiros, mas com técnica e transparência. O único projeto é este”.

 

Advertência

Pedro Emílio foi além na análise da entrevista de Rafael, conjecturando sobre o futuro que as urnas de outubro determinarão a Campos: “Uma eventual sucessão que nos conduza pelos caminhos da antiga política, que pensa no hoje, ignorando as consequências no amanhã, certamente redundará na derrocada total da cidade. Rafael chega ao final da sua administração se preservando, em muitos aspectos, como o ‘novo’ que se propôs ser. E paga por isso, como ele bem sabe. Mas segue firme fazendo o que pode ser feito, no interesse da cidade e da população. Acreditar em milagres é para os ingênuos ou os mal-intencionados”.

 

Publicado hoje (05) na Folha da Manhã

 

Na DP, atropelador de Grussaí disse que não teve intenção de atropelar banhista

 

Em vídeo viralizado nas redes sociais, o caminhoneiro Leonardo Siqueira Rodrigues, de 36 anos, foi flagrado (relembre aqui) no início da tarde de sol do último domingo (02), quando conduzia a esposa e o filho pequeno em um quadriciclo à beira-mar, na praia de Grussaí lotada de veranistas. Ao ser advertido por Aucilene Mendonça Nunes Teixeira de que era proibido trafegar ali, Leonardo parou o veículo, engatou a ré, acelerou, atropelou a banhista e fugiu do local. O caso causou grande revolta em SJB, Campos e região. Segundo o atropelador declarou na tarde de hoje (04), na 145ª DP de São João da Barra, ele não teve intenção de atropelar, ferir ou matar a vítima. Ela fez ontem (03) o exame de corpo de delito no IML, cujo resultado deve sair ainda esta semana. Assim que isso acontecer, o delegado Rodolfo Maravilha, titular de SJB, pretende encaminhar o caso ao Juizado Especial Criminal do município, como lesão corporal dolosa (com intenção de ferir).

Intimado ontem (03), como revelado aqui, Leonardo Siqueira prestou depoimento hoje sobre o caso. Ele disse não ter feito uso de bebida alcoólica no Polo Gastronômico de Grussaí, onde chegou por volta das 10h. Do qual saiu às 13h, levando a mulher e o filho no quadriciclo emprestado de um primo. Resolveu cortar caminho pela areia porque sua sogra teria ligado dizendo estar com dor nas costas e pediu ajuda à filha com o almoço. Na altura da barra da lagoa de Grussaí, ele teria ouvido alguém gritar “Ei!”. Quando teria parado e dado ré, para saber do que se tratava, chegou a uma mulher caída ao lado direito do veículo, a quem perguntou se ela o conhecia. Como a mulher nada teria dito, ele seguiu seu caminho até ouvir populares gritando “pega, pega”. E, com medo, resolveu acelerar.

Mesmo sem acesso ao depoimento, que o delegado titular de SJB não divulgou à imprensa, o blog chegou ao resumo da versão de Leonardo Siqueira Rodrigues. Sua história é bem diferente do que interpretou quem assistiu ao vídeo do atropelamento. Inclusive, ainda no domingo, tanto o delegado Rodolfo, quanto o plantonista do final de semana, Pedro Emílio Braga, titular da 146ª DP de Guarus, que disseram não ter dúvida do dolo do condutor do quadriciclo em atropelar a banhista. No mesmo dia, ela prestou depoimento na 145ª DP, junto ao seu marido, Mauro César de Almeida Teixeira, que testemunhou o caso. Ambos identificaram o atropelador. E a vítima repetiu o que disse a Leonardo Rodrigues, antes de ser atropelada por ele: “É proibido trafegar aqui”.

Confira abaixo as fotos de Leonardo Siqueira Rodrigues chegando nesta tarde na 145ª DP, acompanhado do seu advogado, para prestar depoimento:

 

(Foto: Folha da Manhã)

 

 

(Foto: Folha da Manhã)

 

 

(Foto: Folha da Manhã)

 

Atropelador de Grussaí revela o pior da nossa sociedade. E não está sozinho

 

 

A quem não faz jornalismo aos domingos, o atropleador Luiz Siqueira Rodrigues alegou só na segunda não ter percebido que “tinha encostado na banhista”. Ele não está sozinho no pior que a história revelou

 

 

Atropelos (I)

O que houve a partir do atropelamento doloso de uma banhista nas areias de Grussaí, na tarde quente do domingo (02), após advertir ao condutor do quadriciclo que era proibido trafegar ali, revelou o pior da nossa sociedade. E sua encarnação não se resume a quem, mesmo conduzindo uma mulher e uma criança, parou o quadriciclo, engatou a ré e acelerou para atropelar a banhista que o advertira. Com o vídeo do fato viralizado nas redes sociais, a apuração do caso ganhou profundidade jornalística no blog Opiniões, do Folha1, com as manifestações em tempo real (aqui) de todas as forças de Segurança Pública envolvidas no caso.

 

Atropelos (II)

Mesmo de posse da identificação do condutor do quadriciclo desde às 18h40 da tarde de domingo, o nome de Leonardo Siqueira Rodrigues foi inicialmente mantido em sigilo, por prudência. E só foi divulgado pelo Opiniões no final da noite do domingo. O motivo? No tribunal de Inquisição das redes sociais, com fogueiras virtuais sempre acesas e prontas para transformar a reputação alheia em cinzas reais, estavam sendo divulgadas fake news com a imagem de um homônimo do atropelador, que nada tinha a ver com o caso. E quem fez isso, sem checar a informação, não pode se achar diferente de quem de fato guiava o quadriciclo.

 

Atropelos (III)

Mesmo depois do condutor do quadriciclo ser corretamente identificado, com nome e foto, as fogueiras das redes sociais continuaram ardendo. Para queimar as “bruxas” de lado a lado na bipolaridade política de uma sociedade doente. Na direita autoritária do “mata, esfola e arrebenta”, houve quem pregasse publicamente o linchamento do suspeito, atitude não menos cruel ou covarde do que o vídeo evidenciou no atropelamento. Já na esquerda popularmente chamada de “festiva”, causa séria da reação social no bolsonarismo, o avanço deste no país passou a ser considerado cúmplice do atropelador de Grussaí.

 

Atropelos (IV)

O suspeito foi intimado ontem (confira aqui) e ficou de ir hoje à 145ª DP de SJB, dar a sua versão. Que deve ser ouvida, como em qualquer estado democrático de direito. Por mais que, divulgada ontem por quem chegou atrasado na notícia, pareça ridícula: deu a ré no quadriciclo porque ouviu “alguém chamar”, não percebeu que “tinha encostado na banhista” e “estava com pressa porque minha sogra tinha passado mal”. A quem não deixa de fazer jornalismo aos domingos, os delegados Rodolfo Maravilha, na 145ª DP, e Pedro Emílio Braga, plantonista do final de semana, já tinham dito um dia antes não ter dúvida do dolo (intenção) no atropelamento.

 

Reveja o vídeo e tire a dúvida que os delegados não tiveram:

 

 

 

Atropelos (V) 

Se, a partir do vídeo, o dolo pareceu evidente aos olhos treinados de dois delegados da Polícia Civil, no domingo o titular de SJB mostrou dúvida. A tipificação seria lesão corporal ou tentativa de homicídio? Ontem ele se mostrou inclinado pela primeira, de pena mais branda, em caso de condenação na Justiça. O que também gerou reação negativa nas redes sociais. Da direita punitivista à esquerda garantista. Nesta, houve quem levantasse a bandeira identitária: “Li nas entrelinhas uma possível amizade entre os machos intolerantes e misóginos desse embate”. Como diria Lula, patriarca desse matriarcado: “menas”! Que o delegado trabalhe em paz.

 

Publicado hoje (04) na Folha da Manhã

 

Suspeito de atropelamento em Grussaí é intimado para se apresentar nesta terça

 

Leonardo Siqueira Rodrigues, identificado pela vítima do atropleamento em Grussaí como condutor do quadriciclo (Foto: Facebook)

Identificado como autor do atropelamento doloso de uma banhista nas areias da praia de Grussaí (reveja o caso aqui), no início da tarde de domingo (02), Leonardo Siqueira Rodrigues, de 36 anos, foi intimado hoje em Campos, na presença do seu advogado, para prestar esclarecimentos sobre o caso na 145ª DP de São João da Barra. Ficou acordado que ele o fará amanhã (04). Ontem, ao ser contactado por telefone pela Polícia Civil, ele disse que o faria hoje (03). Mas, segundo o suspeito, teria atrasado porque seu advogado estava fora da cidade. Em depoimento ainda ontem à mesma 145ª DP, ele foi apontado como condutor do quadriciclo, no qual levava ainda uma mulher e uma criança, que parou, deu ré e acelerou para atropelar a banhista Maria Aucilene Mendonça Nunes Teixeira, depois desta tê-lo corretamente advertido: “É proibido trafegar aqui”. A vítima e seu marido, Mauro César de Almeida Teixeira, testemunha do fato, identificaram Leonardo.

Ainda ontem policiais foram à casa de veraneio do suspeito em Grussaí, que estava fechada. Sem comparecer durante a manhã de hoje à 145ª DP, a Polícia Civil fez um novo contato por telefone para acertar a entrega da intimação a Leonardo Siqueira Rodrigues em Campos, onde reside, o que foi feito nesta tarde, já com a presença do seu advogado. O suspeito não é obrigado a falar, nem a comparecer à DP, segundo esclareceu hoje Rodolfo Maraviha, delegado titular de SJB . Ele e o delegado de plantão ontem na Polícia Civil da região, Pedro Emílio Braga, da 146ª DP de Guarus, já tinham afirmado não haver dúvida do dolo (intenção) no atropelamento. Mas Rodolfo adiantou hoje que sua tendência é tipificar o caso como lesão corporal, não tentativa de homicídio. No ar até a noite de ontem, o perfil de Leonardo no Facebook foi apagado.

 

Cópia do boletim de ocorrência na 145ª DP, na qual a vítima e seu marido identificaram como atropelador Leonardo Siqueira Rodrigues, cujo endereço e nome da esposa foram preservados (Reprodução)

 

Filmado e veiculado nas redes sociais, o caso gerou grande repercussão e revolta na região. O primeiro a apurar jornalisticamente o fato foi este “Opiniões”, para o Folha1. Inicialmente, o nome dos envolvidos foi preservado. Mas o suspeito teve que ser identificado depois que a imagem de um homônimo de Leonardo Rodrigues passou a ser veiculada em fake news nas redes sociais, como se fosse o condutor do quadriciclo. O nome da esposa do suspeito de fato, também revelado pela vítima e seu marido na 145ª DP, que estaria acompanhando Leonardo no quadriciclo, foi mantido em sigilo. Assim como seu endereço.

 

Atualizado às 16h47 com novas informações

 

Atualizado às 17h25 com a entrega da intimação

 

Confira o vídeo da barbaridade nas areias de Grussaí na tarde de domingo:

 

 

Prefeito Rafael Diniz ao vivo a partir das 7h desta terça, no Folha no Ar

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Prefeito de Campos, Rafael Diniz (Cidadania) será o convidado, a partir das 7h da manhã desta terça (04), do Folha no Ar 1ª edição, na Folha FM 98,3. A entrevista chegou a ser marcada, confirmada e anunciada (aqui) para a quarta passada (29), mas teve que ser cancelada por conta do rompimento do dique pelo rio Muriaé, na localidade de Três Vendas. Preso pela emergência, a participação do prefeito naquele dia se limitou (aqui) a uma participação ao vivo por telefone, para falar apenas do problema da cheia com as águas da chuva.

Nesta terça, a pauta será mais ampla. Rafael falará da crise financeira do município, da polêmica recente por conta do Restaurante Popular Romilton Bárbara (relembre aqui, aqui e aqui) e das relações entre o prefeito e a Câmara de Campos, esgarçadas na votação do Orçamento de 2020. O entrevistado também falará sobre suas perspectivas de reeleição em outubro deste ano, cuja pré-candidatura anunciou aqui, em dezembro de 2018.

Quem quiser participar do programa ao vivo pode fazê-lo com comentários em tempo real no streaming do programa, cujo link será disponibilizado alguns minutos antes do seu início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

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