Opiniões

Após 4 a 1 no Corinthans, Jesus reverencia Fla de Zico e pontua: ainda não ganhamos nada

 

 

O massacre de 4 a 1 do Flamengo sobre o Corinthians na tarde de hoje no Maracanã, com atuações de gala do atacante Bruno Henrique e do meia Gérson, deixa o título do Brasileiro praticamente garantido ao clube da Gávea.

Ainda assim, na coletiva após o jogo, o treinador português Jorge Jesus calçou as sandálias da humildade ao reverenciar o passado de glória de clube. Que só será repetido se, além do Brasileiro, o Flamengo conquistar também a Libertadores, contra o River Plate, e o Mundial, diante do mesmo Liverpool de 38 anos atrás.

Ao ser perguntado que inspiração sua equipe busca no Flamengo de Zico, o “Mister” pontuou: “Aqueles jogadores fizeram sua história, conquistaram títulos e hoje fazem parte da história. Nós estamos fazendo nossa história, mas só com títulos faremos parte da história. E ainda não ganhamos nada”.

 

Flamengo de Zico ou Jesus — Qual seria o melhor time entre 1981 e 2019?

 

(Arte:Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Entre o Flamengo de 1981 e o de 2019: Raul/Diego, Leandro, Rodrigo Caio, Mozer e Júnior; Andrade, Adílio e Zixo.; Tita, Gabigol e Bruno Henrique. Técnico: Jorge Jesus (Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

O Flamengo de Zico ou o de Jesus? O primeiro foi campeão brasileiro três vezes, em 1980, 82 e 83 — quatro, se contabilizada a Copa União de 87 —, e conquistou a América do Sul e o mundo em 1981. O segundo, ainda não ganhou nada, mas está com oito pontos de vantagem no Brasileiro deste ano, em que disputará a final de Libertadores da América no próximo dia 23 contra o tradicional copeiro argentino River Plate. E, se ganhar, poderá jogar outra final de mundial em 13 de dezembro contra o mesmo clube inglês Liverpool que goleou por 3 a 0, em ritmo de treino, exatos 38 anos antes. Gênio e líder do Flamengo que realizou o maior feito da sua história, Zico é até hoje considerado o messias da Gávea. De fato, para os flamenguistas mais apaixonados, o Natal é celebrado em 3 de março, dia em que nasceu seu grande craque, 66 anos atrás. Com o nome do messias cristão, o treinador português Jorge Jesus fez o Flamengo de hoje resgatar a tradição daquele futebol técnico e ofensivo que se assenhorou do Brasil, da América e do mundo, no início dos anos 1980. Quase quatro décadas depois, a expectativa gerada gerou também a pergunta que imprensa e torcida, não apenas a rubro-negra, têm se feito: e entre o Flamengo de Zico e Jesus? No mano a mano hipotético entre os dois times, quem são os 11 que entrariam no gramado? A busca de resposta, sempre subjetiva, é tão difícil que a Folha saiu a campo atrás dela e achou 12 jogadores. Além do seu treinador.

No exercício sempre instigante de comparar um passado de glória com o presente e o porvir, ouvimos 24 pessoas ligadas ao futebol, entre ex-craques e treinadores, jornalistas esportivos da mídia nacional e regional, além de torcedores — não só do Flamengo. Na comparação jogador a jogador, foi registrado um único empate: entre os goleiros Raul Plassmann e Diego Alves. Com 12 votos cada, jogariam um em cada tempo. O resto dos titulares rubro-negros dos sonhos ficou com Leandro na lateral-direita (22 votos), Rodrigo Caio na zaga central (10 votos), Mozer na quarta-zaga (23 votos), Júnior na lateral-esquerda (24 votos), Andrade como volante (22 votos), Adílio de meia (21 votos), Zico como antigo ponta de lança (24 votos), Tita na direita do ataque (13 votos), Gabigol como centroavante (13 votos) e Bruno Henrique (21 votos) nas ações ofensivas pela esquerda. Ele foi o mais bem votado entre os jogadores do Flamengo atual. Seu técnico, Jorge Jesus comandaria o time fora do campo, com 18 votos.

Apesar da expectativa gerada pelo Flamengo de hoje, ele colocaria apenas três jogadores — quatro no empate de Diego com Raul — no misto hipotético com o maior Flamengo do passado. Mas daria também o seu treinador, português que vem revolucionando o futebol brasileiro. Sem a burrice sentenciada pelo tricolor Nelson Rodrigues, a unanimidade dos 24 votantes se deu apenas com os dois gênios mais conhecidos do Fla de 1981: Zico, maior jogador do Flamengo em todos os tempos, considerado pela Fifa e pelas tradicionais revistas europeias World Soccer e France Football entre os 10 melhores camisas 10 produzidos no século XX; e Júnior, destaque na história do time e do futebol brasileiro, como lateral ou meia.

 

Colégio eleitoral: José Trajano. Paulo Vinícius Coelho. Paulo César Caju, Bianca Inojosa, Josué Teixeira, Gecildo Souza. Jorge Sena, Péris Ribeiro. Igor Siqueira, Paulo Renato Porto, Viviane Siqueira, Antunis Clayton, Arnaldo Garcia, Luiz Costa, Marco Antônio Rodrigues, Sebastião Carlos Freitas, Thiago Corrêa. Roberto Dutra, Leonardo Moreira, Rafael Abud, Heloísa Landim, Carlos Alexandre de Azevedo Campos. Christiano Aberu Barbosa e Eron Simas (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Não apenas flamenguistas, os votantes foram o ex-craque tricampeão pela Seleção Brasileira de 1970 e colunista de O Globo, Paulo César Caju; o ex-artilheiro do Atlético de Madri e técnico Jorge Sena; os treinadores do Americano e do Campos, respectivamente Josué Teixeira e Gecildo Souza. Entre os jornalistas, participaram da enquete três titulares da mídia nacional: José Trajano, do Portal Ultrajano, TVT e rádio Brasil Atual; Paulo Vinícius Coelho, o PVC, da Fox Sports e da rádio Globo/CBN; e Igor Siqueira, repórter campista hoje em O Globo e Extra. Pela crônica esportiva regional, teve voz o seu decano, Péris Ribeiro, com passagem nacional pela revista Placar e autor do livro “Didi, o Gênio da Folha Seca”; além de Paulo Renato Porto, Marco Antônio Rodrigues, Viviane Siqueira, Antunis Clayton, Luiz Costa, Sebastião Carlos Freitas e Arnaldo Garcia. Também participaram a profissional de educação física Heloísa Landim e o presidente da Embaixada do Fla-Campos, Thiago Corrêa.

Entre os “simples” torcedores, votaram quatro que representam bem o arquétipo do flamenguista apaixonado: a empresária e atleta de futevôlei Bianca Inojosa, o motorista Leonardo Moreira, o médico Rafael Abud e o sociólogo Roberto Dutra. A lista de eleitores foi completa por três não rubro-negros: o advogado botafoguense Carlos Alexandre de Azevedo Campos, o empresário e triatleta tricolor Christiano Abreu Barbosa e o juiz de Direito e atacante de futebol amador Eron Simas. Mesmo torcedor do Grêmio, goleado por 5 a 0 pelo Flamengo na semifinal da Libertadores, no Maracanã do último dia 23, o magistrado não se furtou em julgar o que há de melhor entre o passado e o presente do time que eliminou o seu.

Na dúvida diante da pergunta que só tem resposta na imaginação, uma coisa é certa. Raul, Leandro, Marinho, Mozer e Júnior; Andrade, Adílio e Zico; Tita, Nunes e Lico; treinados pelo ex-craque Paulo César Carpegiani; entraram no campo do Estádio Nacional de Tóquio, no começo da tarde japonesa de 13 de dezembro de 1981, madrugada no Brasil, para escrever a página mais importante dos 124 anos de história do Clube de Regatas do Flamengo. Foi quando aquele time, campeão da Libertadores da América, conquistou também o mundo, ao bater por 3 a 0 o Liverpool — o mesmo que levantaria quatro Champions da Europa. “Em dezembro de 81/ Botou os ingleses na roda/ Três a zero no Liverpool/ Ficou marcado na história”, como canta hoje a maior torcida do mundo. É uma adaptação da música “Primeiros Erros”, do músico santista Kiko Zambianchi, que se tornou um segundo hino do clube da Gávea.

Ainda sem ter conquistado nada, o Flamengo do “Mister” lusitano vem apresentando grande futebol. Vem de tropeço, é verdade, ao ceder o empate em 2 a 2 com o Goiás na última quinta (31). E às 16h de hoje encara no Maracanã o Corinthians, clube da segunda maior torcida do país. Independente da vantagem na tabela com que sair de campo sobre o Palmeiras, vice-líder do Brasileiro, seu maior desafio está marcado para a final da Libertadores contra o River Plate, às 17h30 do próximo dia 23, no Estádio Nacional de Santiago — se os protestos do Chile não alterarem local e data. Mas, sob a batuta de Jesus, Diego Alves, Rafinha, Rodrigo Caio, Pablo Marí e Filipe Luís; Arão, Gérson e Arrascaeta; Éverton Ribeiro, Gabibol e Bruno Henrique; tornaram possível acreditar em um sonho. Que é cantado a plenos pulmões por 40 milhões de rubro-negros: “E agora o seu povo/ Pede o mundo de novo”.

No Brasil de hoje, o Flamengo é uma das poucas coisas que vem dando certo. Até quando e onde, só os caprichosos deuses do futebol dirão.

 

Antropóloga Fernanda Huguenin

Flamengo e Brasil, misto de dor e glória

Por Fernanda Huguenin(*)

 

O gosto pelo Flamengo deu-se na infância vivida nos anos 80, ainda sob a ditadura, quando aos pés do pai sobre o tapete da sala recebia chutes acidentais para um gol imaginário que se transmutava da TV para o ar. Zico era o herói ao qual a reverência foi marcada no registro de nascimento do irmão, como dádiva pela vitória no Mundial de 1981.  A explicação das regras do jogo tinha a didática dos exemplos hipotéticos e, às vezes, da bola jogada no quintal, embora futebol não fosse para meninas na época. Ainda não é.

Depois, já adulta, entendi a paixão brasileira ao ler um artigo antropológico que defendia que as leis do futebol são acessíveis e compreensíveis a todos, ao contrário das leis do Estado, tantas vezes válidas apenas para os inimigos. Por outro lado, a malandragem, a catimba e o jeitinho são partes da disputa pela vitória e, sabemos, pela própria vida neste país de múltiplas faltas.

No entanto, a paixão teve seu momento de ódio, como crítica ao Capitalismo que se apropria de jogadores transformados em produtos e à exclusão de torcedores expropriados da “geral”. Enquanto craques viram marcas e são vendidos por milhões aos times de fora, fabricamos em campinhos improvisados nas ruas as matérias-primas que agregam valor aos grandes clubes estrangeiros. O futebol-arte se reinventa no futebol-empresa, refazendo o percurso colonialista.

A crítica se arrefeceu ao acompanhar a mistura de talento com indisciplina do Baixinho e do Imperador. Era preciso entender a gente brasileira com empatia, reconhecendo na bricolagem um caminho para a resistência. É difícil entender como o Flamengo pode, neste ano, vivenciar a tragédia do incêndio que matou os meninos-promessa da base ao mesmo tempo em que anseia se tornar vitorioso na Libertadores. O Flamengo, como o Brasil, é o misto de dor e glória.

O time que provavelmente será o campeão do Brasileiro e (quem sabe?) chegará ao Mundial enfrenta mudanças importantes. Malandragem, catimba e jeitinho já não passam despercebidos diante do VAR. Treinar é mais importante do que saber o que fazer. E pode ser que Gabigol, Rafinha, Arrascaeta e todos os outros talentos encontrem lugar em times brasileiros.

Dizem que o Clube de Regatas fez suas lições de casa, como arrumar as contas, e por isso o time ascendeu. Já o país mantém-se na desordem de um quarto de despejo repleto do ódio de duas torcidas fanáticas e ferozes. No esporte é certo que só a união traz vitórias. Já na vida, a unanimidade é sempre burra, como disse Nelson Rodrigues. De qualquer forma, estarei ao lado do pai, que secretamente deve sofrer pelo fato de que o filho que tem o nome do herói rubro-negro de 1981 é botafoguense. Mas afinal, a liberdade de escolha é o preço da democracia!

 

*Antropóloga e aluna do curso de Direito do Isecensa

 

 

Página 12 de hoje (03) da Solha da Manhã

 

 

Publicado hoje (02) na Folha da Manhã

 

Rafael Diniz: “É triste ver o nome de Campos mais uma vez nas páginas policiais”

 

(Foto: Antonio Leudo – Folha da Manhã)

 

“É triste ver o nome de Campos mais uma vez associado às páginas policiais. O momento é delicado, porque vivemos a situação financeira mais grave de nossa história recente, que pode se agravar ainda mais caso, no dia 20 de novembro, o Supremo Tribunal Federal (STF) vote a favor da partilha dos royalties. Mas, pelo bem de nossa população, espero que a Justiça cumpra o seu papel. Vamos continuar trabalhando para nossa cidade superar o passado e dar a volta por cima”.

Foi o que disse o prefeito de Campos, Rafael Diniz (Cidadania), sobre a decisão da tarde de hoje (29) da 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ), que determinou (aqui) a nova prisão do casal de ex-governadores Anthony (sem partido) e Rosinha Garotinho (Patri). O TJ derrubou a liminar do desembargador Siro Darlan que concedia liberdade ao casal. Os novos mandados de prisão já foram expedidos para ambos, que já tinham sido presos (aqui) em 3 de setembro pela operação Secretus Domus. Desdobramento da Lava Jato, a investigação apontou prática de crime nas relações do governo municipal Rosinha com a construtora Odebrecht no programa habitacional Morar Feliz.

Em setembro, as prisões de Garotinho e Rosinha foram decretadas pelo juiz Glicério de Angiolis Silva, da 2ª Vara Criminal de Campos, a pedido do Ministério Público Estadual (MPE). Em plantão na madrugada do dia seguinte (04/09), Siro Darlan concedeu liminarmente (aqui) o habeas corpus ao casal. Que foi revogado com a decisão de hoje da 2ª Câmara Crininal do TJ-RJ.

 

Fred Machado: “Não há nada para comemorar” na nova prisão dos Garotinho

 

(Foto: Antnio Leudo – Folha da Manhã)

 

“Recebemos, na tarde desta terça-feira (29), mais uma vez a noticia da prisão do casal Anthony Garotinho e Rosinha Garotinho com imenso pesar, pois não há nada para comemorar. Tudo o que está acontecendo é consequência dos atos ilícitos praticados pelo casal e que lesaram o erário público, causando prejuízos de toda a ordem ao governo municipal. Lamentavelmente, a maior vítima dos danos causados é a população da nossa amada Campos dos Goytacazes. Hoje o Poder Judiciário dá mais um grande passo contra o flagelo da corrupção e esperamos que continue a cumprir o seu papel, para que, no fim, a justiça prevaleça”.

Foi como reagiu o presidente da Câmara Municipal de Campos, vereador Fred Machado (Cidadania), à decisão da tarde de hoje (29) da 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ), que determinou a nova prisão do casal de ex-governadores Anthony (sem partido) e Rosinha Garotinho (Patri). O TJ derrubou (aqui) a liminar do desembargador Siro Darlan que concedia liberdade ao casal. Os novos mandados de prisão já foram expedidos para ambos, que já tinham sido presos (aqui) em 3 de setembro pela operação Secretus Domus. Desdobramento da Lava Jato, a investigação apontou prática de crime nas relações do governo municipal Rosinha com a construtora Odebrecht no programa habitacional Morar Feliz.

Em setembro, as prisões de Garotinho e Rosinha foram decretadas pelo juiz Glicério de Angiolis Silva, da 2ª Vara Criminal de Campos, a pedido do Ministério Público Estadual (MPE). Em plantão na madrugada do dia seguinte (04/09), Siro Darlan concedeu liminarmente(aqui) o habeas corpus ao casal. Que foi revogado com a decisão de hoje da 2ª Câmara Crininal do TJ-RJ.

 

Wladimir chama de “arbitrariedade” decisão do TJ de prender os pais. Recurso ao STJ

 

(Foto: Divulgação)

 

“Mais uma vez o Tribunal do Rio dá uma decisão curiosa, mesmo com o voto do relator sendo pela manutenção da liberdade. Não existe fato novo algum que justifique, a motivação é de uma testemunha que continua se dizendo ameaçada sem provar como, onde ou quem a ameaça. Essa testemunha é a mesma conhecida de sempre, Beth Megafone, que já mudou de versão inúmeras vezes e foi chamada pelo ministro Luiz Fux de indigna de fé. A defesa vai recorrer ao STJ contra mais essa injustiça e arbitrariedade”.

Foi o que disse o deputado federal Wladimir Garotinho (PSD) sobre a

decisão da tarde de hoje (29) da 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ), que determinou a nova prisão do casal de ex-governadores Anthony (sem partido) e Rosinha Garotinho (Patri). O TJ derrubou (aqui) a liminar do desembargador Siro Darlan que concedia liberdade ao casal. Os novos mandados de prisão já foram expedidos para ambos, que já tinham sido presos (aqui) em 3 de setembro pela operação Secretus Domus. Desdobramento da Lava Jato, a investigação apontou prática de crime nas relações do governo municipal Rosinha com a construtora Odebrecht no programa habitacional Morar Feliz.

Em setembro, as prisões de Garotinho e Rosinha foram decretadas pelo juiz Glicério de Angiolis Silva, da 2ª Vara Criminal de Campos, a pedido do Ministério Público Estadual (MPE). Em plantão na madrugada do dia seguinte (04/09), Siro Darlan concedeu liminarmente(aqui) o habeas corpus ao casal. Que foi revogado com a decisão de hoje da 2ª Câmara Crininal do TJ-RJ.

 

Artigo do domingo — As fiandeiras e o Flamengo

 

As fiandeiras em óleo sobre tela de John Strudwick, 1885

 

As fiandeiras e o Flamengo

 

Sobre quem diz nunca ter sido traído, há três classificações possíveis: mentiroso, desinformado ou ambos. Pode ser pelo seu semelhante. Pode ser pelo destino. Este, para os gregos antigos, era determinado por três irmãs fiandeiras, as moiras. Na roda da fortuna, teciam os fios das vidas de homens e deuses.

Foi o destino que fez o Flamengo ser fundado como clube de regatas em 1895. E entrar no futebol em 1912, com uma dissidência de atletas do Fluminense. Em 1927, numa pesquisa promovida pelo Jornal do Brasil, já era apontado como o mais “symphatico” do país. Posição que se consolidaria com o tempo e a adoção dos critérios estatísticos. Este ano, foi reconhecido pela Fifa como “o único time do mundo que tem 40 milhões de torcedores”.

 

Flamengo de 1943. Em pé: Volante, Biguá, Domingos da Guia, Jurandir, Newton e Jaime. Agachados: Valido, Zizinho, Pirilo, Perácio e Vevé.

 

O Flamengo já era o clube mais popular do Brasil antes de 1980. E só as fiandeiras do destino podem explicar, pois ainda não tinha um único título de expressão nacional. Até então, suas duas maiores conquistas eram dois Tricampeonatos Cariocas: o de 1942/43/44, com Zizinho, Domingos da Guia e Pirilo; e o de 1953/54/55, com Rubens, Evaristo e Dida. Este seria o grande ídolo de quem mudaria a história do clube, filho da periferia carioca, mas português na origem e no nome: Arthur Antunes Coimbra.

 

Flamengo tricampeão de 1955. Em pé: Pavão, Chamorro, Jadir, Tomires, Dequinha e Jordan. Agachados: Joel, Paulinho, Índio, Dida e Zagallo.

 

Pequeno e franzino, era chamado quando criança de Arthurzinho e Arthurzico. Quando homem, passaria à história do futebol mundial como Zico. Quem, além das fiandeiras do destino, faria com que um filho de pai português e mãe brasileira, mas por sua vez filha de portugueses, se tornasse o maior ídolo do arquirrival do Vasco da Gama?

A geração de Zico, que ascendeu com ele das categorias de base do Flamengo, era quase toda brilhante. Leandro e Júnior estão entre os maiores laterais da história do futebol brasileiro. Enquanto zagueiro, Mozer não fica atrás. Andrade é considerado um dos volantes mais clássicos que já atuaram com a camisa rubro-negra, como está Adílio entre os seus meias mais habilidosos e Nunes, entre seus centroavantes mais decisivos. Esta era a espinha dorsal daquela equipe, que tinha em Zico seu coração, cérebro e pé de apoio.

 

Flamengo campeão do Mundial de 1981. Em pé: Leandro, Raul, Mozer, Figueiredo, Andrade e Júnior. Agachados: Lico, Adílio, NUnes, Zico e Tita

 

Juntos, Zico e sua geração conquistariam os Brasileiros de 1980, 1982 e 1983. O auge daquele Flamengo seria em 1981, na pausa nacional para se adonar da América do Sul, em final épica e violenta da Libertadores da América em três jogos contra o Cobreloa, do Chile. Que deu acesso à final do Mundial em Tóquio, vencida com um passeio de 3 a 0 sobre o inglês Liverpool. Apesar do placar, o derrotado é tido até hoje entre os maiores times de clube já formados na Europa, com quatro Champions nas costas para tirar as dúvidas: 1976/77, 1977/78, 1980/81 e 1983/1984.

 

 

Em 1987, com Zico, Leandro e Andrade ainda em campo, o Flamengo bateu o Internacional por 1 a 0 na fnal do Maracanã, para conquistar a Copa União. Era o Brasileiro de fato, mas não de direito, numa dessas imutáveis sacanagens dos cartolas. Além dos três remanescentes do Mundial de 1981, as fiandeiras do destino determinariam àquele time revelar cinco jovens que dariam a base da Seleção Brasileira do Tetra, na Copa do Mundo de 1994: Aldair, Jorginho, Leonardo, Zinho e Bebeto.

 

Flamengo de 1987: Em pé: Leandro, Zé Carlos, Andrade, Edinho, Leonardo e Jorginho. Agachados: Bebeto, Aílton, Renato Gaúcho, Zico e Zinho.

 

Antes, com Júnior de volta da Itália para assumir como Maestro no meio de campo, o Flamengo venceria o Brasileiro de 1992. Atropelou na final o Botafogo por 3 a 0, no Maracanã apinhado, onde a grade da arquibancada caiu e matou pessoas a poucos metros de mim. Mesmo no regozijo, as fiandeiras podem ser também cruéis.

 

Flamengo de 1992. Em pé: Gérson Baresi, Gilmar, Wilson Gottardo, Charles Guerreiro, Piá e Júnior. Agachados: Júlio César, Gaúcho, Zinho, Fabinho e Uidemar

 

Dezessete anos depois, em 2009, com Adriano Imperador e o sérvio Petkovic fazendo a diferença, o Flamengo conquistaria seu sexto e último Brasileiro, primeiro na era dos pontos corridos. Pelo tempo, não dava mais para ter ninguém de 1981 jogando. Mas as fiandeiras mantiveram um deles no comando do time: Andrade era o técnico. A independência da geração de Zico só virá este ano, se o Flamengo do revolucionário treinador português Jorge Jesus confirmar sua larga vantagem de 10 pontos no Brasileiro.

 

Flamengo de 2009. Em pé: Diego, Kléberson, Aírton, Petkovic, Adriano, Bruno e David. Agachados: Juan, Álvaro, Gil, Bruno Mezenga, Fierro, Zé Roberto, Éverton, Ronaldo Angelim, Toró, Léo Moura e Willians

 

Mas a maior torcida do planeta jamais se libertou do seu maior momento de glória. Como canta hoje, inebriada por estar em outra final de Libertadores, 38 anos depois: “Em dezembro de 81/ Botou os ingleses na roda/ 3 a 0 no Liverpool/ Ficou marcado na história/ E no Rio não tem outro igual/ Só o Flamengo é campeão mundial/ E agora o seu povo/ Pede o mundo de novo”. É uma adaptação da música “Primeiros Erros”, do compositor Kiko Zambianchi, que fez sucesso nos anos 1980 das glórias de Zico, voltou às paradas ao ser regravada pelo Capital Inicial em 2000, e agora, com nova letra, virou quase um segundo hino do clube da Gávea.

O fenônemo viralizou nas redes sociais, com o vídeo de cinco campeões pelo Flamengo em 1981, Adílio, Andrade, Mozer, Júnior e Nunes, cantando a versão rubro-negra da música de Zambianchi:

 

 

O motivo? Só as fiandeiras do destino podem responder. Foram elas que colocaram novamente o Liverpool, que ganhou outra Champions, como possível adversário do Flamengo no Mundial. Será disputado em 11 de dezembro no Qatar. Para chegar lá, resta um único jogo ao Rubro-Negro, contra o tradicional copeiro argentino River Plate. Será em 23 de novembro, em Santiago, capital de um Chile incendiado por protestos que lembram muito os do Brasil de 2013.

 

Jornadas de Junho de 2013 ocupam o prédio do Congresso em Brasília

 

Por obra e graça das fiandeiras, estava no Chile em 2013, quando estouraram por aqui as “Jornadas de Junho”, inicialmente por conta de aumento de passagem no transporte público e que depois tomariam o país. “O que está havendo no Brasil?”, perguntavam os chilenos. Sem que tivesse ideia da resposta, pois nossa economia estava bem àquela época.

É o mesmo destino traçado pelas fiandeiras agora no Chile, há anos a economia mais acertada da América do Sul. Lá, também um reajuste no transporte público conduziu a manifestações de pauta difusa. As moiras me levariam novamente a Santiago em junho deste ano, quando testemunhei e fotografei protestos ainda sem violência, diante do Palácio de La Moneda.

 

Em 24 de junho deste ano, em frente ao Palácio de La Moneda, protestos ainda não entravam em choque com a polícia chilena (Foto: Aluysio Abreu Barbosa)

 

Na ironia das fiandeiras acima dos deuses e das ideologias dos homens, o alvo em 2013 foi um governo brasileiro de esquerda, com Dilma Rousseff, que cairia três anos depois. E agora, no Chile, é o governo do liberal de centro-direita Sebastián Piñera.

Difícil adivinhar os desígnios das moiras. Julgava ser destino estar presente no Maracanã, para assistir ao Flamengo e Grêmio na semifinal da Libertadores da última quarta-feira, dia 23. Afinal, na última vez que lá fui torcer pelo Flamengo, este bateu o mesmo Grêmio por 2 a 1, com gol de cabeça do zagueiro Ronaldo Angelim, na final do Brasileiro de 2009.

 

No meio da torcida e abaixo do Flamengo, presença na final do Brasileiro de 06/12/09, nas arquibancadas do Maracanã (Foto: Alexandre Durão – O Globo)

 

Maracanã, cair de tarde de 23/10/19 (Foto: Christiano Abreu Barbosa)

A presença naquele Brasileiro, em outro capricho das fiandeiras, acabaria sendo registrada em meio à torcida pelo fotógrafo Alexandre Durão, de O Globo. Embora ausente na foto, tinha meu filho, Ícaro, ao meu lado, então com 10 anos. Aos 20, ele estava novamente comigo na quarta, junto ao meu irmão, Christiano, tricolor como nosso pai, quando tomamos o bolo da cambista, a quem já havíamos pago os três ingressos. Esperamos à toa por ela, mais de duas horas, na estação de metrô do Maracanã.

Sem sucesso ou retorno às dezenas de tentativa de contato pelo celular, fomos perdendo os minutos e as cargas de bateria até que resolvemos voltar à estação da praça General Osório, em Ipanema. Não era a primeira vez em que seria traído. E, provavelmente, não será a última. Ademais, se mesmo Zeus se submetia ao destino tecido pelas fiandeiras, quem seríamos nós para nos rebelar?

Consolou também encontrar, na ida do metrô, um pai e filho mineiros de Uberlândia, que foram ao Maracanã sem ingresso. E vi ao longe voltarem, antes de nós, após não conseguir comprá-lo por lá. Assim como um jovem de Osasco, mais ou menos da idade do meu filho. Flamenguista do coração de São Paulo, estava ali sem contato ou dinheiro para entrar no estádio, só para participar da festa. Ele atenuou minha decepção pela cambista ausente em cada onda humana rubro-negra que descia cantando na estação, ao mostrar no seu celular o vídeo com os sósias do time do Flamengo circulando pelo Rio.

Voltamos à Ipanema a tempo de pegar a partida do início pela TV. Assistimos no Boteco Belmonte da General Osório. No primeiro tempo disputado de igual para igual, o placar foi aberto por Bruno Henrique. Jogador que tem sido o mais decisivo do Flamengo, ele puxou o contra-ataque e aproveitou o rebote do goleiro. Depois, fomos perdendo a conta dos chopes e gols na segunda etapa, aberta com mais dois de Gabigol, em belo chute dentro da área e de pênalti.

 

 

Confesso que, após o quarto gol, do zagueiro espanhol Pablo Marí escorando de cabeça a cobrança de escanteio do uruguaio Arrascaeta, entrei em estado de choque. Vi, mas não acreditei muito no quinto, marcado também de cabeça pelo outro zagueiro, Rodrigo Caio, após cobrança de falta de Éverton Ribeiro, destaque individual da partida por sua atuação coletiva.

Capitão do Uruguai campeão da Copa de 1950, Obdulio Varela, “El Negro Jefe”, primeiro herói do Maracanã

Cerca de meia hora após o apito final, foram chegando gremistas ao Belmonte. Passava por eles, abatidos em suas mesas, quando saía para fumar um cigarro. E solidarizava-me de maneira muda, lembrando da noite que o volante Obdulio Varela contou dos bares e ruas do Rio de 16 de julho de 1950. Capitão do Uruguai da Copa do Mundo decidida naquele dia, quando bateu o Brasil por 2 a 1 no Maracanã construído para desfecho diferente, “El Negro Jefe” (“O Chefe Negro”) se compadeceu da tristeza alheia que deveria ser sua alegria.

Na manhã seguinte, despertei com a indagação: “Será que aconteceu mesmo?”. Ao caminhar até o mar do Arpoador, passando pelo local do antigo Circo Voador da primeira apresentação da Legião Urbana no Rio, a credulidade e felicidade vieram em cada camisa rubro-negra com que cruzei no caminho. Cumprimentei seus donos: “Agora é o River!”. E fui fraternalmente correspondido. Estávamos todos umbilicalmente ligados pela glória da tribo.

O mar estava de ressaca, como a que rebati com analgésico ao acordar. Na água gelada, de correnteza forte para a direita, só havia surfistas. Alonguei o corpo e encarei o desafio que já vencera outras vezes, nadando, furando ondas e nelas pegando jacarés. Submerso em dado momento, segredei a Iemanjá, com o oceano dentro do peito: “Mulher, é muito bom ser Flamengo!”.

Difícil saber o que as fiandeiras tecerão. Ninguém nunca sabe. Mas parece emblemático que o clube que conquistou o mundo liderado dentro do campo por um descendente de lusitanos, peça o mundo de novo com o português Jorge Jesus no comando fora das quatro linhas. Comparado pela imprensa argentina ao “Carrossel” da Holanda na Copa de 1974, o Flamengo vive melhor momento e parece ter mais time. O River, com quatro Libertadores, tem mais tradição. E não há competição de futebol no planeta em que ela conte mais.

 

 

Se o time brasileiro pegar o Liverpool do craque egípcio Mohamad Salah na final do Mundial, a glória de Zico estará logo ali, ao alcance do pé. Aquele do tamanho do sol, como media o grego Heráclito. Mas como o destino pode trair, convém temer as fiandeiras. E calar a euforia com o conselho do tricolor Chico Buarque na música “Biscate”: “Quieta que eu quero ouvir Flamengo e River Plate”.

 

Publicado hoje (27) na Folha da Manhã

 

Com o oceano dentro do peito: “E agora o seu povo/ Pede o mundo de novo”

 

Maracanã, cair de tarde de 23/10/19 (Foto: Christiano Abreu Barbosa)

Um moleque de 9 anos que viu seu time campeão da Libertadores e do mundo, liderado por um gênio como Zico. E teve a chance de testemunhar aos 47, ao lado do filho de 20, o sonho carnado de outra final de clubes da América do Sul. Foi uma experiência inesquecível. Sem falsa humildade, mais do que eu talvez merecesse numa mesma vida.

Depois dos 5 a 0 sobre o Grêmio na noite de ontem, no Maracanã, só acordei na manhã de hoje. Ao nadar e furar ondas no mar de bandeira vermelha do Arpoador. Por ora, só posso repetir o que segredei a Iemanjá, com o oceano dentro do peito: “Mulher, é muito bom ser Flamengo!”.

Da água salgada e gelada aos pés no chão, no meio do caminho tem o River, tem o River no meio do caminho. Mas, de volta a Campos, já não dá mais para deixar de ecoar a maior torcida da Terra: “E agora o seu povo/ Pede o mundo de novo”.

 

 

 

Campos: royalties em risco, atraso aos hospitais e 10 pré-candidatos a prefeito

 

 

 

Dez pré-candidatos a prefeito na cidade que pode perder os royalties. E, com eles, atrasa pagamento da complementação dos hospitais (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Dez pré-candidatos a prefeito

No Folha de ontem (21), na Folha FM 98,3, o ex-prefeito interino de Campos Roberto Henriques (PPL, em processo de fusão com o PC do B) se lançou pré-candidato à Prefeitura de Campos em 2020. Com ele já são 10: o prefeito Rafael Diniz (Cidadania), o deputado federal Wladimir Garotinho (PSD), os deputados estaduais Gil Vianna (PSL) e Rodrigo Bacellar (SD), Caio Vianna (PDT), Marcelo Mérida (PSC), Lesley Beethoven (PSDB), Alexandre Buchaul (PSDB, em busca de nova legenda) e José Maria Rangel (PT). Com a cidade em colapso financeiro e perspectiva concreta de piora, o número de pré-candidatos a administrá-la impressiona.

 

Nova ameaça de greve na Saúde

Após Campos viver a greve dos médicos da Saúde Pública, de 7 a 30 de setembro, agora são os profissionais dos hospitais contratualizados que podem (aqui) cruzar os braços. O Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Campos (SES) publicou convocação para decidir a questão em assembleia às 19h desta quarta (23). Por atraso na complementação municipal (R$ 5 milhões/mês) aos repasses federais do Sistema Único de Saúde (SUS), foram afetados cerca de 2 mil funcionários da Santa Casa de Misericórdia de Campos (SCMC), Hospitais Beneficência Portuguesa (HBC) e Plantadores de Cana (HPC), e Abrigo João Viana.

 

Hospitais no MP

Pela gravidade da situação, representantes do Sindicato dos Hospitais, Clínicas, Casas de Saúde e Estabelecimentos de Serviços de Saúde da Região Norte Fluminense (Sindhnorte) estiveram na tarde ontem (aqui) no Ministério Público Estadual. A promotora Maristela Faria, da 3ª Promotoria de Tutela Coletiva, recebeu a reclamação protocolada, instaurou inquérito civil público e marcou uma reunião nesta sexta (25) entre representantes do município e dos dos quatro grandes hospitais contratualizados de Campos: SCMC, HPC, HBP, além do Hospital Escola Álvaro Alvim (HEAA). Estes alegam que o atraso é de três meses: julho, agosto e setembro.

 

Enxugando gelo

Em nota, a Prefeitura disse estar “tomando providências para regularizar os pagamentos pendentes o quanto antes”. Na verdade, só deverá poder pagar quando chegar a próxima Participação Especial (PE) trimestral do petróleo, em novembro. Com os royalties mensais em queda durante quase todo o ano, a previsão orçamentária de R$ 2 bilhões para 2019 deve ter apenas R$ 1,8 bilhão executados. Sinal disso, na noite de ontem foi divulgado (aqui) o valor dos royalties que devem ser depositados hoje a Campos: R$ 25,3 milhões. É uma redução de 10,5% em relação ao último mês, que chega triplica a 36,8% em relação ao mesmo período de 2018.

 

Daqui a 29 dias, o STF

Como não há nada que não possa piorar, hoje faltam 29 dias para o Supremo Tribunal Federal (STF) julgar a nova lei de partilha de royalties. Aprovada desde 2012 pelo Congresso Nacional, está travada desde 2013 por uma liminar da ministra Carmem Lúcia. Se passar agora no julgamento marcado para 20 de novembro, não existe solução matemática para Campos. Dos R$ 580 milhões de receita do petróleo que a cidade projeta ter em 2020, ficariam apenas R$ 350 milhões, chegando a R$ 160 milhões em 2026. Isso se houver transição na aplicação da nova lei. Sem transição, seriam só os R$ 160 milhões já no próximo ano.

 

Luz no fim do túnel

Se passar a valer a nova lei de partilha, mais de meio milhão de campistas, incluindo os cínicos que pregam ser merecida a perda dos royalties, pelo exemplo real da sua má aplicação, verão uma luz no fim do túnel. Será o trem vindo na direção contrária. A perda substancial de receita tornaria impossível cumprir o limite dos seus 54%, fixados na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), com gasto de pessoal, que consome R$ 1 bilhão/ano do município. Que ainda teria que devolver R$ 2,6 bilhões, pelo efeito retroativo da partilha. De que forma? No dia em Campos que tiver uma máquina de fazer dinheiro. Como parece ter de pré-candidatos a governá-la.

 

Publicado hoje (22) na Folha da Manhã

 

Fechar Menu