Opiniões

Apoio a tiros para o ar na saída de boate vizinha ao prédio de Arnaldo, pai de Caio

 

No detalhe, o flagrante de cliente da boate Luxx correndo de pistola e punho, após briga generalizada e três tiros disparados na madrugada de 01/12/18 (Fotos: Reprodução de vídeo)

 

Ontem à noite, o blog noticiou (aqui) a nova briga generalizada na saída da boate Luxx, no antes tranquilo Parque Tamandaré. Ocorreu às 2h da madrugada da segunda (23). A postagem foi evidenciada com o vídeo da briga, e de dois episódios anteriores: um em 20 de maio, com agressão a uma mulher, e outro de enfrentamento na rua com pistolas em punho, em 1º de dezembro de 2018. Todos na saída da casa noturna que têm infernizado as madrugadas dos seus vizinhos residenciais. Entre eles o ex-prefeito Arnaldo Vianna (PDT), morador antigo e respeitado de edifício Van Gogh, cujo condomínio moveu uma ação contra a Luxx há mais de um ano no Ministério Público.

Arnaldo é pai e principal cabo eleitoral do pré-candidato a prefeito Caio Vianna (PDT). Ocorre que um veículo de mídia digital comandado pelo assessor do jovem pedetista ontem publicamente seu apoio a boate. E escreveu: “A tática é tentar atribuir a Luxx eventos que ocorrem nas ruas depois do encerramento da programação”. A tentativa foi relativizar a bandalha gerada na saída da casa noturna, mesmo com casos filmados de brigas generalizadas, agressões a mulheres e disparos com arma de fogo nas ruas da cidade que Caio pretende governar.

Enquanto todo o estado do Rio chora a perda da vida de crianças por balas perdidas, pode ter sido mais um tiro no pé de quem tem o hábito de trabalhar com divulgação de fake news.

 

 

Bandalha na saída da boate Luxx vara as madrugadas até o sol nascer, na rua Pero de Góis, onde reside o ex-prefeito Arnaldo Vianna, pai e principal cabo eleitoral de Caio (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Confira abaixo o flagrante de vídeo da mais recente briga generalizada na saída da boate Luxx, às 2h da manhã da última segunda-feira (23):

 

 

Atualização às 11h42  e 17h23 para edição da postagem

 

Após tiros e agressão a mulher, mais uma briga generalizada na saída da boate Luxx

 

Desde que a boate Luxx se instalou na rua Pero de Gois, zona residencial antes tranquila do Parque Tamandaré, seus moradores não têm mais sossego nas noites e madrugadas dos finais de semana. Por volta das 2h da manhã de hoje (23), os vizinhos que dormiam para trabalhar foram acordados e flagraram mais uma briga generalizada, na saída dos clientes alcoolizados da casa noturna.

A nova confusão na saída da Luxx, que se repete todo final de semana, foi gravada em vídeo. Aos 25 segundos do vídeo um homem de bermuda branca e já sem camisa atira uma garrafa de vidro sobre outro homem, de calça jeans e camisa escura. Por sorte, erra o alvo, mas a garrafa se espatifa contra o muro de uma residência. Confira o novo flagrante, às 2h da manhã desta madrugada:

 

 

Em 1º de dezembro de 2018, entre 3h e 4h da madrugada, uma outra briga generalizada na saída da boate envolveu cerca de 10 pessoas, inclusive mulheres. E quase teve desfecho ainda pior. Dois participantes da confusão saíram de carro, fizeram meia volta, efetuaram três disparos com arma de fogo e retornaram guiando devagar pela Pero de Gois. Um outro participante da briga se agachou atrás de um carro estacionado, também sacou uma pistola e, com ela em punho, acompanhou o veículo que voltava. Apenas por sorte, uma tragédia não ocorreu.

No mesmo dia 1º de dezembro de 2018, a reportagem da Folha ouviu (aqui) um dos proprietários da Luxx, o advogado Amaro Galaxe. A despeito de vários testemunhos em contrário, ele garantiu que os tiros não tinham acontecido:

— Na nossa casa, não houve tiro. Até perguntei ao chefe da segurança, e ele disse que não houve. Perguntei se houve confusão e se colocaram alguém para fora, e ele também disse que não; que, pelo contrário, tudo correu muito tranquilo. Na rua, pós-evento, a gente não tem como acompanhar. Mas, mesmo assim, nossos seguranças, quando saem, ficam em volta para evitar confusão ao redor da boate. Mas, ontem, não aconteceu, graças a Deus.

O proprietário da boate foi desmentido pelo vídeo de duas câmeras de segurança de um prédio vizinho, que flagraram os episódios por dois ângulos. No primeiro, a filmagem se inicia da câmera direita. Entre o centro e a esquerda da parte superior da tela, se observa a briga generalizada no meio da rua. Até que aos 4’50” o carro de um dos envolvidos estaciona em frente à garagem do edifício. Aos 7’10”, após os três disparos, o motorista corre e se agacha atrás de outro veículo parado. E dali observa passar o carro de onde saíram os tiros.

O segundo ângulo é da câmara esquerda do prédio. A partir dos 7’57” é o que melhor evidencia o homem armado. É ele que, aos 9’38”, para seu carro em frente à garagem do edifício. Aos 11’08”, corre de arma em punho e se abaixa atrás de outro veículo estacionado, junto a duas mulheres, acompanhando o carro de onde saíram os disparos. Uma outra briga ainda seria registrada na saída da boate, já depois do dia amanhecer.

 

No detalhe, o flagrante de cliente da boate Luxx correndo de pistola e punho, após briga generalizada e três tiros disparados na madrugada de 01/12/18 (Fotos: Reprodução de vídeo)

 

A partir das marcações de tempo, reveja o flagrante da primeira madrugada de dezembro do ano passado na área antes tranquila do Parque Tamandaré:

 

 

Outro edifício vizinho da casa noturna, o Condomínio Ipanema Residence entrou, em 19 de julho deste ano, com uma denúncia no Ministério Público contra a boate Luxx, situada na rua Pero de Góis, no Parque Tamandaré, em Campos. De acordo com o representante do prédio, que preferiu não se identificar, a denúncia é contra o barulho, sujeira e confusões durante a madrugada. Um abaixo-assinado também foi anexado na denúncia e contou com cerca de 50 assinaturas, não só do condomínio, mas de vizinhos no entorno da boate.

Além disso, um requerimento foi enviado para a Prefeitura, através da superintendência de Fiscalização de Postura. Em dezembro, após o episódio dos tiros, a Postura aplicou multa e obrigou a casa noturna a fazer tratamento de vedamento acústico. Após atender às determinações, ela reabriu em maio. No dia 20 do mesmo mês uma nova confusão foi flagrada em vídeo e noticiada (aqui) pela Folha, com um homem agredindo uma mulher física e verbalmente, na saída da boate:

 

 

Qualquer operação da PM ou da Guarda Civil Municipal constataria o visível nível de embriaguez com que muitos dos clientes saem da Luxx, durante a madrugada, para guiar seu automóveis parados em fila dupla na Pero de Gois. Não raro, cantando pneus no asfalto e com som no máximo volume. Mas os vizinhos residenciais dizem ter desistido de recorrer às forças de ordem pública.

 

Hamilton Garcia segue diálogo com Roberto Dutra — Brasil não é para principiantes

 

Hamilton Garcia e Roberto Dutra, professores da Uenf

Encerrada a polarização que marcou o segundo turno da eleição a reitor da Uenf, vencido pelo professor Raúl Palacio (confira aqui sua última entrevista) por pequena margem do colégio eleitoral da universidade, o debate produzido por seus melhores quadros segue em alto nível no blog. Mesmo na discordância.

Em 16 de agosto, fazendo jus ao seu nome, este Opiniões publicou o artigo “Costeando o alambrado: rumo à “normalidade”, do cientista político e professor da Uenf Hamilton Garcia. Após criticá-lo nas redes sociais, o sociólogo Roberto Dutra, também professor da Uenf, foi convidado a escrever sobre seus questionamentos. E respondeu com o envio do artigo “O atraso conceitual sobre Bolsonaro e o complexo de vira-latas na sociologia”, publicado em 31 de agosto.

Hamilton resolveu dar prosseguimento do diálogo crítico com seu colega da Uenf. Com o espaço desde já franqueado à eventual tréplica do Roberto, o resultado é o novo artigo que o blog publica abaixo, não sem orgulho por poder ecoar a diversidade de pensamento sobre Brasil e mundo entre dois pensadores das áreas humanas da mais importante universidade de Campos e região:

 

 

 

Hamilton Garcia, cientista político e professor da Uenf

Brasil não é para principiantes

Por Hamilton Garcia

 

Ao longo de nossa história tivemos muitos exemplos de como a tentativa de nos igualar a europeus e norteamericanos ou mesmo russos, cubanos e chineses, fazendo tábula rasa de nossas especificidades históricas — que não podem ser confundidas com singularidades, pois comuns a países da periferia capitalista —, foi politicamente desastrosa, além de teoricamente estéril. O problema é que o tempo e os modismos intelectuais acabam por diluir este singelo aprendizado, forçando-nos a voltar a velhos temas que se pensavam superados.

A dificuldade teórica básica para se entender o Brasil e todos os países de modernização hipertardia (Índia, China, etc.) — para não dizer a própria modernização capitalista —, para além dos antolhos ideológicos e dos interesses de sempre, deriva, como alertava Marx[i], da inclinação a “tomar o conceito de progresso na forma abstrata habitual”: “O ponto propriamente difíçil (…) é discutir (…) de que modo as relações de produção, como relações jurídicas, seguem um desenvolvimento desigual” — que Trotsky, observando a Rússia, adendaria, “e combinado”. Seguindo a mesma trilha, Robert Boyer[ii], da escola regulacionista francesa, asseveraria que “não seria possível conceber uma economia pura, isto é, desprovida de toda e qualquer instituição, (…) de direito e de (…) política”, já que é “da interação entre a esfera econômica e (a) esfera jurídico-política que resultam os modos de regulação”.

A modernização, portanto,  é um processo compósito que se desenvolve simultaneamente ao nível econômico, social e político, encontrando no Estado seu momento decisivo, de alavancagem ou contenção, a depender da direção dominante no Governo. Em nosso caso, até o séc. XIX, o governo esteve sob o comando da Dinastia de Bragança, cujo etos, como é sabido, é o do Estado patrimonialista lusitano, ramo pioneiro do colonialismo europeu (séc. XV-XVI) que se caracterizou pela capacidade pioneira de combinar a centralização política com o capital mercantil, possibilitando a Portugal — junto com a Espanha —, por bom tempo, a liderança na expansão comercial ocidental.

O patrimonialismo português se forma sob condições muito especiais, que não cabe discutir aqui, mas cujas características são análogas àquelas descritas por Trotsky[iii] em relação ao czarismo russo: um sistema que não foi fruto do “equilíbrio das classes economicamente dominantes (…) mas (…) (de) sua fraqueza(,) que tornou a autocracia burocrática (…) uma organização independente”, representando uma forma intermediária entre o absolutismo (centro-oeste) europeu e o despotismo asiático embora mais próximo do último para nosso autor.

O mesmo fenômeno foi percebido por Raimundo Faoro[iv], embora a partir de base teórica diversa (weberiana), o que o levou a caracterizar o sistema político patrimonial como estatólatra, onde o capitalismo assumiria a forma de um capitalismo politicamente dirigido, cujo aparato burocrático obtém a lealdade por meio da imantação de grupos politicamente escolhidos e o liberalismo o pode desempenhar qualquer papel positivo. Por isso, continua ele, no lugar da história que revolve seu passado, o que temos é um eterno “revival” em meio a certos “aggiornamentos”.

Em tal sistema, prossegue Faoro, “a racionalidade obedece (…) a valores” (éticos, religiosos e principalmente políticos), em contraste com a “dominação racional” própria do capitalismo (centro-oeste) europeu, onde prevaleceria “a ação social orientada por meios e fins”, propiciando, via mercado, o desenvolvimento do sistema jurídico igualitário e a perspectiva da liberdade individual, que se constituiriam, com a emergência operária, na antessala da democracia-liberal moderna.

Enquanto isso, no Brasil e em Portugal, a regulação da atividade econômico-social pelo Estado assumiria caráter tutelar e autoritário, relegando a sociedade civil a uma menoridade crônica na esperança de manter a sociedade política a salvo das incertezas e turbulências da modernidade. Portanto, fenômeno que vai muito além da mera reprodução de uma “herança cultural” avessa à separação das esferas pública e privada, com impactos nas instituições e na formação dos atores políticos[v], embora não se possa menosprezar tais efeitos.

É certo que a contenção da sociedade civil não é atributo exclusivo das formações patrimonialistas. Também os liberais, mundo afora, temerosos do avanço do movimento socialista, intentaram o mesmo[vi]. Ocorre, todavia, que as condições sob as quais operavam eram bem distintas, partindo de um Estado reformado à sua imagem e semelhança — assim como (em parte) a religião —, de modo que já no séc. XIX a classe operária — ao custo de enormes conflitos e sofrimentos[vii] — havia conquistado tanto o direito político, como iniciado a conquista dos direitos sociais, que mudariam a face do capitalismo lhe permitindo resistir ao assédio revolucionário dos socialistas, o que em nosso modelo (semirreformado) só foi possível por meio de ditaduras (1937 e 1964).

Em nosso modelo de regulação capitalista, no séc. XX — mais adequadamente chamado de neopatrimonialista[viii] —, a manutenção de posições de poder pelas velhas oligarquias — atuando como forças auxiliares nas fases bonapartistas — é fundamental, como nos ensina Ernest Mandel[ix], para entender a natureza e a mecânica das restrições ao ritmo e alcance do processo de incorporação da acumulação primitiva ao modo capitalista, principalmente por meio da exclusão do aldeão da economia monetária e do circuito de produção de mercadorias, que, no caso brasileiro, assumiu a forma do monopólio de fato da terra por uma classe que, embora declinante, era capaz de manter-se dominante através de um aparato cartorial de legalização do roubo de propriedades e de votos, também conhecido como sistema coronelista de inclusão política, no campo, e clientelismo, na cidade (vide Clientelismo, cargos e voto – como as oligarquias erodem a democracia) Fenômenos que, tampouco, podem ser reduzidos a “idealismo moralista” em sacrifício da “realidade empírica”, por qualquer ângulo que se olhe.

Este é o intrincado cenário de nossa transição à modernidade, onde não se pode falar nem de ausência, nem de plena realização do moderno, mas, como disse Mandel, da “permanente troca metabólica” do moderno com as formas tradicionais de acumulação, num processo direcionado à limitação da forma primitiva pelo capital, “numa unidade dialética” onde o moderno tende a absorver a produção do setor arcaico para se apropriar de seus fatores (Marx) e mercados.

O mesmo vale para a esfera política, embora em ritmo e caminhos próprios, como percebeu Gramsci[x] olhando para a transição italiana: “a questão nacional e a questão de classe” foram resolvidas por “um tipo intermediário” de poder, onde a burguesia obtinha o governo econômico-industrial e as velhas classes feudais parasitárias conservavam seu poder de casta no exército, na burocracia e na grande propriedade rural, tudo conspirando contra a extensão da hegemonia burguesa às amplas camadas sociais.

A resultante desta solução intermediária é igual em todos os lugares: atrofia e instabilidade econômico-política crônicas. Em contraste, seu antípoda histórico, o liberalismo inglês, traduzido no modelo competitivo de massas inaugurado pelo americanismo no século passado, é vitorioso em diversos aspectos, inclusive no que tange à democracia e ao trabalho, que alcançou, no capitalismo avançado do séc, XX, o pleno emprego e o bem-estar social.

A razão de tal trajetória vitoriosa não é outra que não o oposto da nossa: a formação de um Estado revolucionário, como ato político de ruptura e reinvenção institucional a partir do primado racionalizador da nova classe dirigente — como na Revolução Inglesa (1688) e Francesa (1789) —, rasgando os termos da dominação tradicional/colonial, no caso dos EUA, em dois atos, a Guerra da Independência (1776) e a Guerra Civil (contra os Confederados, 1865).

Enquanto isso, entre nós, como nos mostrou Florestan Fernandes[xi], o capitalismo se implantou por meio de uma revolução passiva contínua, que garantiu nossa incorporação “ao espaço econômico, sócio-cultural e político da Europa (…) industrial” em meio à decadência do modo de produção escravista, cuja função colonial e pré-capitalista de acumulação originária (1808-1888) se esgotara, abrindo caminho — em meio à forte opressão político-social — para uma transformação sem mudanças, vale dizer, sem participação popular direta ou grandes concessões ao mundo do trabalho; o que só recentemente veio a acontecer.

Não é por outro motivo  que, desde a República, conservadores, liberais, populistas e socialistas, por motivos diversos — e mesmo antagônicos —, buscam resolver a alteridade equiparando nossos problemas e desafios aos do vizinho do Norte, agarrando-se às simetrias produzidas por nosso capitalismo dependente avançado na ânsia de respostas fáceis e ascensão política. Tal esforço, como nos mostrou Paul Baran[xii] — criticando a ortodoxia econômica liberal —, concentrando-se sobre partes isoladas do sistema para extrair suas verdades simples e desconexas do todo histórico e de suas determinações concretas, quer para deslegitimar a propositura de uma política econômica nacional, quer para decretar, utópica e abstratamente — como se fazia antes do Manifesto de 1848 —, o fim do capitalismo, está fadado ao fracasso.

Hoje, mais do que nunca, o verdadeiro complexo de vira-latas, que nos aflige há séculos, é o do mimetismo dos modismos intelectuais vindos do centro, e a crença em modelos abstratos e ahistóricos de desenvolvimento, concatenados em narrativas de variadas colorações ideológicas, onde nossos problemas reais — a miséria, a semiestagnação, a ignorância e a corrupção institucionalizada — são escamoteados em prol de exortações vazias como a defesa da “política real e possível”, às vezes interpretada como adesão ao centrão, outras, na perspectiva fetichista do messianismo/jacobinismo setecentista, como “um avanço direto ao centro do poder”, que quase sempre resulta em derrotas acachapantes (1935, 1964 e 2016) ou à capitulação dissimulada à “lógica das oligarquias políticas”[xiii].

Melhor seria assumir o que somos e levar em conta as duras lições da história, como o fez Celso Furtado[xiv], e sua heterodoxia, deixada de lado na polarização dos anos 1960, que propunha o desenvolvimento tecnológico e humano do país em conexão com o influxo externo, fazendo nosso parque produtivo — devidamente incentivado por um Estado racionalizado (não-corrupto) — atender parte importante da demanda interna e externa de modo a propiciar a estabilização em escala da acumulação produtiva, o que nos possibilitaria internalizar a dinâmica econômica do país sem isolacionismo, regressismo ou crenças perniciosas no poder demiúrgico de tiranos imantados por intelectuais portadores de pretensiosas doutrinas redencionistas, cujos resultados históricos são por demais conhecidos.

 

[i] Vide, Para a Crítica da Economia Política, ed. Abril Cultural/SP, 1982, p. 20.

[ii] Vide Teoria da Regulação os fundamentos, ed. Estação Liberdade/SP, 2009, p. 48.

[iii] Vide A Revolução de 1905, ed. Global/SP, sd., pp. 29-30.

[iv] Vide A Aventura Liberal Numa Ordem Patrimonialista; in. Revista da USP nº 17, vol.2, 1993, <http://www.usp.br/revistausp/17/02-faoro.pdf>, em 25/04/2011, p. 16-18.

[v] Vide Roberto Dutra, Brasil, Bolsonaro e tradição patrimonialista? São as contradições, estúpido!, in. <http://opinioes.folha1.com.br/2019/08/31/roberto-dutra-brasil-bolsonaro-e-tradicao-patrimonialista-sao-as-contradicoes-estupido/>.

[vi] Vide Domenico Losurdo, Contra História do Liberalismo, ed. Idéias&Letras/SP, 2006.

[vii] Vide Friedrich Engels, A Situação da Classe Trabalhadora na Inglaterra, ed. Global/SP, 1986.

[viii] Vide Simon Schwartzman, Bases do Autoritarismo Brasileiro;  ed. Campus/RJ, 1982.

[ix] Vide O Capitalismo Tardio; ed. Abril Cultural/SP, 1982, pp. 37 e, abaixo, 29-32.

[x] Apud Vito Santoro, in. Liguori&Voza, Dicionário Gramsciano, ed. Boitempo/SP, 2017, p. 668.

[xi] Vide A Revolução Burguesa no Brasil ensaio de interpretação sociológica; ed. Zahar/RJ, 1976, p. 7.

[xii] Vide A Economia Política do Desenvolvimento; ed. Abril Cultural/SP, 1984, p. 196.

[xiii] Vide nota 5.

[xiv] Vide Teoria e Política do Desenvolvimento Econômico, ed. Abril Cultural/SP, 1983, p. 146.

 

Folha FM da semana com Mirza, Marcelino, Neném, Rosendo, Guilherme e Christiano

 

Mirza Kury, Marcelino Moreira, Luiz Alberto Neném, Roberto Rosendo, Guilherme Rangel e Christiano Abreu Barbosa (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A partir desta segunda (23), o Folha no Ar 1ª edição, sempre às 7h na Folha FM 98,3, volta ao ar. A entrevistada do programa mais ouvido da rádio de Campos, será a médica cardiologista Mirza Kury. A programação segue com o mestre de taekwondo Marcelino Moreira na terça (24), o vereador campista Luiz Alberto Neném (PTB) na quarta (25), o diretor da UFF-Campos, Roberto Rosendo na quinta (26); fechando a semana com o autor e especialista em mercado imobiliário Guilherme Rangel na sexta (27), que contará com o empresário, diretor e blogueiro da Foha, Christiano Abreu Barbosa, como convidado especial.

Nas ondas do rádio, ou no streaming do programa ao vivo (aqui) na página da Folha FM no Facebook, esperamos você lá, sempre a partir das 7h, de segunda à sexta.

 

Rafael dá limites ao conflito entre vereadores do G-10 e secretários pré-candidatos

 

Rafael Diniz, Luiz Alberto Neném, Igor Pereira, Jorginho Virgílio, Alexandre Bastos e Fred Machado (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Oficialmente, o governo Rafael Diniz (Cidadania) tenta não antecipar o debate das eleições municipais de 2020. Mas o fato é que esquentou publicamente a discussão política da semana passada, entre dois importantes grupos governistas: vereadores da base reunidos no G-10 e secretários municipais considerados pré-candidatos à Câmara Municipal. Edis governistas reclamam que os secretários com ambição eleitoral no próximo ano estariam ignorando seus pedidos, feitos para atender à população das suas bases. Ouvido pela Folha, o próprio prefeito Rafael deu os limites ao seu grupo político:

— Em todas as reuniões com os secretários, sempre friso: temos que respeitar a autoridade legitimamente constituída dos vereadores. E sempre procuro estar atento a qualquer dificuldade política de um secretário técnico que nunca foi político. Sobre a questão eleitoral, ela será definida em momento oportuno. Entre secretários e superintendentes, temos quatro que são pré-candidatos a vereador: Abdu Neme (PR, Saúde), que vai concorrer à reeleição; os ex-vereadores Nildo Cardoso (DEM, do Abastecimento), Rogério Matoso (sem partido, Trabalho e Renda), que são ex-vereadores; e Helinho Nahim (Cidadania, Entretenimento), filho do ex-presidente da Câmara Municipal Nelson Nahim (MDB). Fora eles, os nossos pré-candidatos a vereador são aqueles que são vereadores.

Antes do prefeito se manifestar sobre o caso, na sessão de terça (17), o vereador Luiz Alberto Neném (PTB) usou a tribuna da Câmara para (aqui) dar vazão às queixas de um grupo de vereadores da base:

— O que está acontecendo é que tem alguns secretários que não atendem ligações dos vereadores. Quando ligamos para o prefeito, ele atende, mas alguns secretários, não. É uma inversão total. Tenho muito respeito por Rafael, acho que ele pegou uma furada quando entrou na Prefeitura, mas é preciso planejamento. Quando ligo para um secretário é porque alguém da população me procurou e espera uma resposta. Vocês (secretários) estão pensando em ser vereadores e monopolizando a estrutura das secretarias para isso?

Vereadores governistas refundaram um grupo que, embora se chame de “independente”, sempre foi governista e já teve vários numerais. Até terça, formavam o G9: Jorginho Virgílio (Patri), Álvaro César (PRTB), Igor Pereira (PSB), Joilza Rangel (PSD), Jairinho É Show (PTC), Enockes Amaral (PHS), Marcelo Perfil (PHS ), Ivan Machado (PTB), Paulo Arantes (PSDB). Mas chamado para uma reunião com eles na terça e recebido com o convite “chegou nosso camisa 10”, Neném aceitou entrar no grupo, que passou a se chamar G-10.

Um dos seus líderes informais, Igor Pereira foi procurado várias vezes pela reportagem da Folha, mas não retornou, como os secretários municipais dos quais se queixou, em apoio à fala de Neném na sessão de terça. Mas indicou claramente não querer falar, nem revelar seus motivos. Em abril deste ano, a coluna Ponto Final divulgou (aqui) que Igor teria sido sondado pelo deputado estadual Rodrigo Bacellar (SD) para apoiar a pré-candidatura a prefeito de Caio Vianna (PDT) em 2020. Naquela época, o vereador falou (aqui) com a Folha para negar.

Outra liderança informal do G-10, Jorginho Virgílio endossou a queixa aos secretários, mas quebrou o estranho silêncio de Igor para impor o limite político à atuação do grupo:

— Se for para reforçar o papel dos vereadores junto ao governo, estou dentro. Caso contrário, eu saio, como Silvinho (Martins, Patri) já saiu (em fevereiro deste ano, aqui, no fim do então G-5). Mas se for para tentar colocar o prefeito contra a parede, estou fora.

Na terça, como representante do G-10, Álvaro César teve uma reunião com o secretário de Governo Alexandre Bastos, para levar os pleitos do grupo de vereadores da base:

— Recebi o vereador Álvaro César. Mas independente desta conversa com ele, tenho dialogado frequentemente com todos os integrantes da base. Como ocorre em todo tipo de relação, é normal que haja atrito, mas não é nada que não possa ser superado com respeito e diálogo. É bom lembrar que o prefeito Rafael Diniz mudou a forma de relação entre Executivo e Legislativo. A gestão anterior se achava dona da Câmara. Nossa gestão sabe que o primeiro passo para a boa política passa pelo respeito entre os poderes — garantiu Bastos.

Também ouvido, o presidente da Câmara Municipal, vereador Fred Machado (Cidadania), propôs na sessão de terça que os parlamentares queixosos com a atuação de secretários e superintendentes do governo enviassem seus pleitos ao prefeito na forma de um ofício:

— Época próxima de eleição é sempre complicada. Existem secretários que realmente têm pretensão política. Mas, até o prazo legal para saírem do governo, vai ter vereador achando que há secretários fazendo política para si. Como presidente da Câmara, eu tenho contato direto com Rafael. Mas vejo que outros colegas não têm o mesmo acesso, tendo seus motivos para reclamar em alguns casos. Por isso propôs na terça que as demandas fossem reunidas em um ofício para enviarmos ao prefeito. Mas até agora nenhum vereador me procurou.

 

Publicado hoje (22) na Folha da Manhã

 

Raúl Palacio: “Acabou a disputa. Vamos conversar porque somos todos Uenf!”

 

“Acabou a disputa. Vamos conversar porque somos todos Uenf!”. Foi como o reitor eleito da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf), professor Raúl Palacio, concluiu esta entrevista. Cubano naturalizado brasileiro, ele avaliou duas projeções suas que não se cumpriram. Primeiro, da estreita margem da sua vitória sobre o professor Carlão Rezende, 51,25% contra 48,04% do colégio eleitoral da universidade, inferior aos 60% que revelou como meta. Segundo, o acirramento da polarização que classificou como infértil, na mais disputada eleição a reitor nos 26 anos de vida da Uenf. Este clima foi alimentado por fake news de veículos digitais que atacaram Raúl antes e mesmo após o resultado final, assim como lideranças estudantis da universidade. Sobre o que a Campos de 2020 deve aprender com a Uenf de 2019, advertiu: “Se alguém é capaz de fazer esse tipo de ataque numa eleição para reitor, imagina o que pode fazer nas eleições municipais?”. Numa disputa vencida com o voto de quem acreditou na sua capacidade de articulação política, o reitor eleito falou dos contatos com a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), em busca da autonomia financeira. Além da absorção do Colégio Agrícola Antônio Sarlo, sobre a qual tem reunião já nesta terça (24), e projetos para a Casa de Cultura Villa Maria e o Hospital Veterinário.

 

(Foto: Isaias Fernandes – Folha da Manhã)

 

 

Folha da Manhã – Ao Folha no Ar de 11 de setembro, na rodada de entrevistas da Folha FM 98,3 com os candidatos a reitor da Uenf do segundo turno, você projetou (aqui) sua vitória final entre 55% a 60% dos votos. Mas acabou vencendo (aqui) por pequena margem: 51,25%, contra 48,04% do professor Carlão Rezende. Atrapalhou cantar vitória antes da hora? 

Raúl Palacio – Numa eleição fazemos previsões em função do trabalho realizado, as expectativas de comportamento dos eleitores e das declarações de votos feitas. Acho que a diferença foi resultado na neutralidade que esperávamos de alguns professores, que no primeiro turno votaram no professor Medina. Ela não aconteceu.

 

Folha – Ao mesmo microfone da Folha FM, na rodada de entrevistas com os três candidatos a reitor no primeiro turno, você disse (aqui) em 28 de agosto: “A polarização não leva a nenhum resultado”. Mas a polarização parece ter ditado o segundo turno. Qual o motivo?

Raúl – Ganhamos com mais de 60 % dos votos válidos. A não paridade entre os pesos dos votos dos grupos diferentes de votantes foi que levou ao resultado final, aparentemente, apertado. Em relação à polarização, ela não existe. No segundo turno éramos dois candidatos com projetos diferentes, porém ambos direcionado para o fortalecimento da universidade pública, gratuita e de qualidade. A comunidade fez a sua escolha, um ganhou e agora somos todos Uenf.

 

Folha – No segundo turno, você recebeu (aqui) ataques de baixo nível de veículos digitais propagadores de fake news. E, no Folha no Ar, garantiu: “Não vai ficar sem resposta, com toda a certeza”. Vitória conquistada, que resposta pretende dar?

Raúl – Na Justiça! Terão que provar tudo o que foi falado. Caso contrário, a Justiça decidirá a melhor forma de compensar o dano causado. Acredito que todo jornalista tem compromisso e responsabilidade com a verdade.

 

Folha – O responsável pelo veículo que usou fake news para lhe atacar é assessor de um pré-candidato a prefeito de Campos. Você disse à Folha FM: “Eu sinceramente acho que, depois daquilo, o pré-candidato talvez repense isso e coloque o cara para fora. Eu realmente tenho convicção de que isso vai acontecer”. Mantém a convicção?

Raúl – Sim, definitivamente o tipo de abordagem característico das publicações em que fui atacado não contribui positivamente com nenhuma campanha eleitoral. As pessoas estão saturadas desse tipo de publicação.

 

Folha – Estudante e presidente do DCE da Uenf, Gilberto Gomes também foi vítima de ataques após ter declarado (aqui) voto a você. Ele respondeu (aqui) “que todas medidas judiciais cabíveis estão sendo tomadas devido à exposição de meu nome”. Como viu o episódio?

Raúl – Lamentável. É inacreditável que alguém, em pleno século XXI tenha comportamento tão antidemocrático e ataque um estudante que está exercendo seu direito democrático de defender um candidato. Foi realmente vergonhoso o que fizeram com Gilberto!

 

Folha – Mesmo com o resultado consumado, você continuou (aqui) sendo alvo de ataques por fake news, que creditaram sua vitória à “anulação de 9 votos de professores”.  Você foi acusado de ter dado “uma aula de como praticar demagogia e clientelismo entre servidores técnicos e estudantes”. E até a universidade foi ameaçada: “A Uenf terá anos turbulentos pela frente”. Como a comunidade universitária deve reagir a essa tentativa pública de intimidação?

Raúl – O que tenho escutado é muito apoio a minha pessoa. Todos estão indignados com o comportamento de tão baixo nível. Além de tudo demonstra desconhecimento matemático e do que realmente acontece na universidade.

 

Folha – Como alvo desse nível de ataques, acha que quem foi capaz de fazê-los na eleição a reitor de uma universidade, seria capaz de fazer o que na eleição a prefeito de uma cidade da importância de Campos?

Raúl – Certamente, a falta de caráter não é seletiva. Se alguém é capaz de fazer esse tipo de ataque numa eleição para reitor, imagina o que pode fazer nas eleições municipais, em que temos maior quantidade de interesses envolvidos?

 

Folha – Após o resultado final, você disse: “deixando bem claro que técnicos e estudantes decidem, sim, a eleição a reitor”. E ressalvou: “na representação dos professores conseguimos 25 votos a menos”. Há quem tenha visto essa eleição como uma disputa de técnicos e estudantes contra professores. Como enxergou?

Raúl – Como uma disputa de projetos diferentes, ambos em defesa da educação pública gratuita e de qualidade. Não acredito que tenhamos uma disputa de classes dentro da Uenf. Na realidade todas as categorias trabalham em consonância, caso contrário o trabalho não avança. A diferença só reflete formas diferentes de enxergar a gestão administrativa da instituição.

 

Folha – Durante o processo eleitoral, a expressão “phdeuses” ganhou força em sentido pejorativo. Muitos consideram que a sua vitória a reitor foi uma derrota deles. Mas esses mesmos “phdeuses”, pensados por Darcy Ribeiro quando exigiu que todos os professores da Uenf fossem doutores, não são os principais responsáveis pela qualidade da universidade, avaliada em terceiro lugar no ranking da Folha de São Paulo – RUF 2018?

Raúl – Considero que as atividades de pesquisa são de grande relevância para a Uenf e para toda universidade que pretende ser protagonista de mudanças na sociedade. Logicamente que, para a pesquisa se desenvolver plenamente, é necessário a dedicação não apenas dos docentes, mas também dos estudantes que são os principais agentes responsáveis pelos estudos nas bancadas e na condução de experimentos; e também dos técnicos, sejam administrativos na compra de insumos, elaboração de convênios, entre outras atividades de apoio à pesquisa. Assim, a participação das diferentes categorias é fundamental para o elevado conceito da Uenf. O terceiro lugar em publicações no RUF 2018, em número de publicação por docente, é consequência do trabalho e esforço unido de todas as categorias.

 

Folha – Sua vitória sobre Carlão foi também vista como a da habilidade política sobre o currículo acadêmico. Como vai trabalhar junto aos deputados estaduais e ao governo Wilson Witzel (PSC) na garantia da autonomia financeira da universidade a partir dos duodécimos? E que recursos pretende trazer à Uenf das emendas dos deputados federais?

Raúl – Primeiramente apontar que o currículo acadêmico é muito mais complexo que enumerar as publicações. As horas aulas, interação com a sociedade, experiência administrativa e de gestão, entre outros aspectos também fazem parte do currículo acadêmico. Lembrando também que a professora Rosana, nossa vice, é cientista 1B de CNPq e Cientista do Nosso Estado, Faperj. Em relação às ações na Alerj, já conversei com o presidente da comissão de ciência e tecnologia, deputado Waldek Carneiro (PT); com o presidente da comissão de educação, deputado Flávio Serafini (Psol); e o deputado Bruno Dauaire (PSC), líder da frente em defesa da Uenf. Estamos deixando claro a todos que, nos próximos meses, teremos muito trabalho pela frente. Em relação às emendas dos deputados federais vamos destinar o dinheiro para o projeto Uenf Verde.

 

Folha – Ao Folha no Ar você garantiu que “a incorporação do colégio agrícola (Antônio Sarlo) é um processo que já não tem volta”. E falou da intenção de usá-lo como porta de entrada à Uenf, no estágio de iniciação científica entre estudantes universitários e do ensino médio, no que poderia ser o início do Colégio de Aplicações. Está entre as suas prioridades?

Raúl – Certamente. Na terça-feira (24) teremos uma audiência da comissão de Ciência e Tecnologia sobre esse tema. A incorporação do Colégio Agrícola, além de garantir o funcionamento de uma instituição de ensino de grande importância para o estado do Rio de Janeiro, permitirá que a Uenf possa fazer mais investimentos de recursos federais na área que atualmente a universidade ocupa no colégio, melhorando dessa forma a infraestrutura de pesquisa e ensino, tanto na graduação como na pós-graduação. Além disso, temos projeto para implantação do setor agropecuário do Parque Tecnológico na área do Colégio Agrícola.

 

Folha – Talvez as duas presenças da Uenf mais emblemáticas ao campista médio sejam a Casa de Cultura Villa Maria e o Hospital Veterinário. Quais seus planos para ambos?

Raúl – A Casa de Cultura da Uenf Villa Maria deverá se converter em um polo produtor e apresentador de arte. Para tal pretendemos elaborar uma política de arte universitária, dirigida pela assessoria de artes da Uenf. No Hospital Veterinário temos que trabalhar no estatuto e na autonomia financeira dessa instituição.

 

Folha – Essa foi a eleição a reitor mais disputada na história da Uenf. A universidade saiu rachada das urnas? Como reconstruir suas pontes internas?

Raúl – Acredito firmemente no diálogo. Inclusive, a capacidade de dialogar com diversas frentes foi um dos motes da nossa campanha e pratica que venho cultivando durante toda minha trajetória profissional. Com diálogo somos capazes de resolver qualquer problema. Lembrando que para nós, o slogan “Mais Uenf”, usado na nossa campanha, significa mais diálogo e mais respeito. Felizmente acho que não temos rachas internos. As rachaduras são mais difíceis de resolver. Nesses dias após a eleição, vários professores, inclusive alguns que não votaram na chapa 10, têm nos procurado para se somarem ao processo. Acabou a disputa. Vamos conversar porque somos todos Uenf!

 

Pàgina 6 da edição de hoje (22) da Folha

 

Publicado hoje (22) na Folha da Manhã

 

De Lula a Weintraub, o que deu errado desde o diploma do primário

 

 

“Não troco meu diploma de primário pelo de universitário de Weintraub”. Foi o que disse hoje (confira aqui) o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em entrevista ao site Fórum, sobre o ministro da Educação do governo Jair Bolsonaro (PSL).

Não sei onde foi parar meu diploma primário da Escola Santo Antônio, da saudosa professora Vilma Tâmega, onde hoje fica o Hortifruti da Formosa. Mas não o trocaria pelo de phdeus de quem também hoje foi capaz de assinar uma saudação “com entusiasma”.

Seria trágico, se não fosse cômico, já que o assunto do testu era a… checagem de erros.

Observado que “entusiasmo” é substantivo masculino, não adjetivo que se altere em concordância de gênero, além da distância física que separa “o” de “a” no teclado,  confira abaixo o print:

 

 

Três dias gramando como cabrito na horta (confira aqui) para sair com uma besteira dessa? Vai escrever mal assim no cafundowski!!!…

 

 

Atualização às 15h30 de 22/09 para chamar à postagem do servidor federal, ex-uenfeano e blogueiro do Folha1, Edmundo Siqueira, que fez uma análise mais séria do assunto. Tarefa que, não sem algum constrangimento, este Opiniões assume sua incapacidade de fazer, para além dos risos da grande atriz Renata Sorrah no gif acima. Confira: A pós-verdade é nova; Fake news é apenas um nome novo para a velha prática da “mentira organizada”

 

Em Quissamã, Ompetro se põe em plantão até julgamento da partilha dos royalties

 

Reunião da Ompetro hoje à tarde, em Quissamã (Foto: Supcom)

 

 

Por Suzy Monteiro (Supcom)

 

A Organização dos Municípios Produtores de Petróleo (Ompetro) ficará em plantão permanente até 20 de novembro, data marcada para o julgamento, no Supremo Tribunal Federal (STF), da liminar concedida pela ministra Cármen Lúcia na Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) 4917, que suspendeu dispositivos da Lei 12.734/2012 que preveem novas regras de distribuição dos royalties do petróleo. A decisão foi tomada na tarde desta sexta-feira (20), durante reunião da entidade, em Quissamã. Esta é mais uma das ações que já vem sendo desenvolvidas pela Ompetro, em prol da manutenção das atuais regras dos royalties do petróleo para os municípios produtores.

Estiveram presentes os prefeitos de Campos, Rafael Diniz, que também é presidente da Ompetro, de Quissamã, Fátima Pacheco, de São João da Barra, Carla Machado, de Cabo Frio, Adriano Moreno, de Casimiro de Abreu, Paulo Dames, de Búzios, Henrique Gomes, o vice-prefeito de Quissamã, Marcelo Batista, o presidente da Câmara de Arraial do Cabo, Thiago Félix, procurador de Carapebus, Ivan Lécio, assessor da secretaria de Fazenda de Niterói, Fábio Sabença, além dos representantes de Rio das Ostras, Luis Henrique Borges e Mário Baião.

De acordo com os participantes, é consenso que a mudança nas regras atuais significará o caos financeiro e administrativo para Estado e municípios. Os 10 municípios representados na reunião definiram, também, uma audiência com o governador do Rio, Wilson Witzel e com senadores da bancada fluminense.

Presidente da Ompetro, Rafael Diniz informou que a Organização está representada na Ação que tramita no Supremo por ser Amicus curiae — entidade com profundo interesse jurídico na questão.

— A Ompetro já tem defesa constituída e irá apresentar sua tese. Levaremos nossa posição ao governador Witzel para alinharmos com a que está sendo trabalhada pelo Estado e a nossa bancada no Congresso Nacional — explica Diniz.

A anfitriã do encontro, prefeita Fátima Pacheco lembrou que a Ompetro tem sido incansável nesta luta, se reunindo com representantes da Agência Nacional de Petróleo (ANP), bancada fluminense e sendo recebida, inclusive, pelo presidente da Câmara, deputado federal Rodrigo Maia.

 

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