Opiniões

Pais e filhos nos poemas de domingo

Neste domingo dia dos pais, seguem abaixo três poemas, os dois primeiros de autoria do blogueiro, respectivamente para o pai e o filho. O primeiro (“Dom Casmurro”), escrito por um filho adolescente; o segundo (“ícaro voador”), feito para um filho com exatos quatro meses de vida. 

Já o terceiro (“Cântico do Calvário”) serve como espírito santo na lavra do meu conterrâneo romântico Fagundes Varela (1841/1875), contemporâneo a quem Castro Alves (1847/1871) mais admirou, feito em memória do filho morto, perda que conduziu também o poeta à morte precoce. Mais do que a tristeza lancinante dos versos, que li pela primeira com a visão embotada em lágrimas, trata-se para mim da melhor evidência literária do amor incondicional de um pai, pelo qual todos deveriam ser lembrados neste e nos outros dias…

 

Dom Casmurro

 

Lá vai ele,

Lamentando do ser e do estar:

“Oh! Dia! Oh! Vida! Oh! Azar!”

 

Lá vai ele,

Pernas fortes, passos curtos,

Jade nos olhos, miúda estatura,

Tomar o seu cafezinho no Boulevard.

 

Lá vai ele,

Levando seu inseparável cigarro entre os dedos,

Escassos cabelos revoltos na fronte,

Um colo escondido no bolso da calça caída,

Um afago oculto sob a La Coste poída

E um conselho ponderado sei lá de onde.

 

Lá vai ele,

Meu adorável Dom Casmurro,

Trajando a sisuda carapaça da esfinge,

Guardiã eterna da singeleza de um menino

Que nunca soube elaborar charadas,

Tampouco devorar ninguém.

 

 

ícaro voador

 

na descoberta do eixo

ele gira seu pequeno corpo

busca com os olhos

me identifica neles

simula espanto

e ri

ri estridente como os anjos

agita seus bracinhos morenos

bate palmas

e leva as mãos à boca

escancarada em riso

desdentada e ávida de gostos

 

eu, que nunca cri

ser motivo de tanta alegria

por estar ao lado de alguém

percebo meu choro

no reflexo dos seus olhos

 

cambuci, 15/11/99 

 

 

Cântico do Calvário

(À memória de meu Filho morto a 11 de dezembro de 1863)

 

Eras na vida a pomba predileta

Que sobre um mar de angústias conduzia

O ramo da esperança. Eras a estrela

Que entre as névoas do inverno cintilava

Apontando o caminho ao pegureiro.

 

Eras a messe de um dourado estio.

Eras o idílio de um amor sublime.

Eras a glória, a inspiração, a pátria,

O porvir de teu pai! — Ah! no entanto,

Pomba, — varou-te a flecha do destino!

 

Astro, — engoliu-te o temporal do norte!

Teto, — caíste! — Crença, já não vives!

Correi, correi, oh! lágrimas saudosas,

Legado acerbo da ventura extinta,

Dúbios archotes que a tremer clareiam

A lousa fria de um sonhar que é morto!

 

Correi! um dia vos verei mais belas

Que os diamantes de Ofir e de Golconda

Fulgurar na coroa de martírios

Que me circunda a fronte cismadora!

São mortos para mim da noite os fachos,

Mas Deus vos faz brilhar, lágrimas santas,

E à vossa luz caminharei nos ermos!

 

Estrelas do sofrer, gotas de mágoa,

Brando orvalho do céu! Sede benditas!

Oh! filho de minh’alma! Última rosa

Que neste solo ingrato vicejava!

Minha esperança amargamente doce!

 

Quando as garças vierem do ocidente

Buscando um novo clima onde pausarem,

Não mais te embalarei sobre os joelhos,

Nem de teus olhos no cerúleo brilho

Acharei um consolo a meus tormentos!

 

Não mais invocarei a musa errante

Nesses retiros onde cada folha

Era um polido espelho de esmeralda

Que refletia os fugitivos quadros

Dos suspirados tempos que se foram!

 

Não mais perdido em vaporosas cismas

Escutarei ao pôr-do-sol, nas serras,

Vibrar a trompa sonorosa e leda

Do caçador que aos lares se recolhe!

Não mais! A areia tem corrido, e o livro

De minha infanda história está completo!

 

Pouco tenho de andar! Um passo ainda

E o fruto de meus dias, negro, podre,

Do galho eivado rolará por terra!

Ainda um treno, e o vendaval sem freio

Ao soprar quebrará a última fibra

Da lira infausta que nas mãos sustenho!

 

Tornei-me o eco das tristezas todas

Que entre os homens achei! o lago escuro

Onde o clarão dos fogos da tormenta

Miram-se as larvas fúnebres do estrago!

Por toda a parte em que arrastei meu manto

Deixei um traço fundo de agonias!…

 

Oh! quantas horas não gastei, sentado

Sobre as costas bravias do Oceano,

Esperando que a vida se esvaísse

Como um floco de espuma, ou como o friso

Que deixa n’água o lenha do barqueiro!

 

Quantos momentos de loucura e febre

Não consumi perdido nos desertos,

Escutando os rumores das florestas,

E procurando nessas vozes torvas

Distinguir o meu cântico de morte?

 

Quantas noites de angústias e delírios

Não velei, entre as sombras espreitando

A passagem veloz do gênio horrendo

Que o mundo abate ao galopar infrene

Do selvagem corcel!… E tudo embalde!

 

A vida parecia ardente e doida

Agarrar-se a meu ser!… E tu tão jovem,

Tão puro ainda, ainda n’alvorada,

Ave banhada em mares de esperança,

Rosa em botão, crisálida entre luzes,

Foste o escolhido na tremenda ceifa!

 

Ah! quando a vez primeira em meus cabelos

Senti bater teu hálito suave:

Quando em meus braços te cerrei, ouvindo

Pulsar-te o coração divino ainda;

Quando fitei teus olhos sossegados,

Abismos de inocência e de candura,

E baixo e a medo murmurei: meu filho!

 

Meu filho! Frase imensa, inexplicável,

Grata como o chorar de Madalena

Aos pés do Redentor… ah! pelas fibras

Senti rugir o vento incendiado

Desse amor infinito que eterniza

O consórcio dos orbes que se enredam

Dos mistérios do ser na teia augusta

Que prende o céu à terra e a terra aos anjos!

 

Que se expande em torrentes inefáveis

Do seio imaculado de Maria!

Cegou-me tanta luz! Errei, fui homem!

E de meu erro a punição cruenta

Na mesma glória que elevou-me aos astros,

Chorando aos pés da cruz, hoje padeço!

 

O som da orquestra, o retumbar dos bronzes,

A voz mentida de rafeiros bardos,

Torpe alegria que circunda os berços

Quando a opulência doura-lhes as bordas,

Não te saudaram ao sorrir primeiro,

Clícia mimosa rebentada à sombra!

 

Mas, ah! se pompas, esplendor faltaram-te,

Tiveste mais que os príncipes da terra!

Templos, altares de afeição sem termos!

Mundos de sentimento e de magia!

Cantos ditados pelo próprio Deus!

 

Oh! quantos reis que a humanidade aviltam,

E o gênio esmagam dos soberbos tronos,

Trocariam a púrpura romana

Por um verso, uma nota, um som apenas

Dos fecundos poemas que inspiraste!

Que belos sonhos! Que ilusões benditas!

 

Do cantor infeliz lançaste à vida,

Arco-íris de amor! luz da aliança,

Calma e fulgente em meio da tormenta!

Do exílio escuro a cítara chorosa

Surgiu de novo e às virações errantes

 

Lançou dilúvios de harmonia! O gozo

Ao pranto sucedeu. As férreas horas

Em desejos alados se mudaram.

Noites fugiam, madrugadas vinham,

Mas sepultado num prazer profundo

Não te deixava o berço descuidoso,

Nem de teu rosto meu olhar tirava,

Nem de outros sonhos que dos teus vivia!

 

Como eras lindo! Nas rosadas faces

Tinhas ainda o tépido vestígio

Dos beijos divinais, — nos olhos langues

Brilhava o brando raio que acendera

A bênção do Senhor quando o deixaste!

 

Sobre teu corpo a chusma dos anjinhos,

Filhos do éter e da luz, voavam,

Riam-se alegres, das caçoilas níveas

Celeste aroma te vertendo ao corpo!

 

E eu dizia comigo: — teu destino

Será mais belo que o cantar das fadas

Que dançam no arrebol, — mais triunfante

Que o sol nascente derribando ao nada

Muralhas de negrume!… Irás tão alto

Como o pássaro-rei do Novo Mundo!

 

Ai! doido sonho!… Uma estação passou-se

E tantas glórias, tão risonhos planos

Desfizeram-se em pó! O gênio escuro

Abrasou com seu facho ensangüentado

Meus soberbos castelos. A desgraça

Sentou-se em meu solar, e a soberana

Dos sinistros impérios de além-mundo

Com seu dedo real selou-te a fronte!

 

Inda te vejo pelas noites minhas,

Em meus dias sem luz vejo-te ainda,

Creio-te vivo, e morto te pranteio!…

Ouço o tanger monótono dos sinos,

E cada vibração contar parece

As ilusões que murcham-se contigo!

 

Cheias de frases pueris, estultas,

O linho mortuário que retalham

Para envolver teu corpo! Vejo esparsas

Saudades e perpétuas, sinto o aroma

Do incenso das igrejas, ouço os cantos

Dos ministros de Deus que me repetem

Que não és mais da terra!… E choro embalde.

 

Mas não! Tu dormes no infinito seio

Do Criador dos seres! Tu me falas

Na voz dos ventos, no chorar das aves,

Talvez das ondas no respiro flébil!

Tu me contemplas lá do céu, quem sabe?

No vulto solitário de uma estrela.

 

E são teus raios que meu estro aquecem!

Pois bem! Mostra-me as voltas do caminho!

Brilha e fulgura no azulado manto,

Mas não te arrojes, lágrima da noite,

Nas ondas nebulosas do ocidente!

 

Brilha e fulgura! Quando a morte fria

Sobre mim sacudir o pó das asas,

Escada de Jacó serão teus raios

Por onde asinha subirá minh’alma.

Pagamento aos hospitais — Porque, quando sai na Folha, a coisa acontece!

O secretário de Saúde Paulo Hirano, negou na edição impressa de hoje de O Diário e em seu recém-lançado blog pessoal (aqui), que a Prefeitura de Campos não estava devendo repasses no valor de R$ 5,8 milhões aos cinco hospitais conveniados do município. O fato é que desde a quinta-feira, apenas um dia após a Folha revelar o montante da dívidas pelos serviços prestados por Santa Casa de Misericórdia (R$ 2.212.232 milhões), Álvaro Alvim (R$ 730.071 mil), Beneficiência Portuguesa (R$ 291.628 mil), João Viana (R$ 116 mil) e Plantadores de Cana (R$ 2.051.642 milhões), os atrasados começaram a ser pagos. Até o dia de hoje, R$ 3.157.678 milhões já haviam sido repasados aos hospitais, que ainda têm R$ 2.643.895 milhões a receber.

Apesar de negada publicamente, a inquestionável reação do governo Rosinha é uma característica positiva, quando comparada à certa indiferença às denúncias que caracterizou as gestões de Alexandre Mocaiber e Arnaldo Vianna. Diante disso, é mais ou menos como me saudou o jornalista Joca Muylaert, há pouco menos de um ano, quando nos encontramos por acaso na Toca dos Amigos, após este blog (aqui) e a Folha terem aderido à campanha então lançada por ele pela eleição direta à Prefeitura de Campos, diante da ameaça do novo pleito que chegou a ser marcado durante a cassação de Rosinha (depois revertida) ficar apenas restrito ao voto dos vereadores: “Quando sai na Folha, a coisa acontece!”

Neste trabalho de agora, que em jornalismo é sempre coletivo, por Folha entenda-se as repórteres Fernanda Moraes (incansável) e Rosi Santos, o editor de Geral Thiago Freitas, o editor de Arte Eliabe de Souza (o Cássio Jr.), o editor geral Luiz Costa; toda a redação enfim, que, direta ou indiretamente, proporcionou dias melhores não só aos milhares de doentes de Campos atendidos pelo SUS, mas às centenas de profissionais de Saúde que trabalham nesses cinco hospitais e agora começam a ter como pagar suas contas.

Como diz o slogan já balzaquiano do jornal: a diferença está na qualidade — de como um serviço é feito e de como ele é prestado à comunidade!  

Deste blogueiro e diretor de redação, ficam aqui registrados meus sinceros parabéns e o obrigado a todos!

Para Odete Rocha, só a Prefeitura interessa em 2012

Diferente da vereadora petista Odisséia Carvalho e do médico Makhoul Moussalém (ainda sem partido), a professora Odete Rocha não trabalha com a possibilidade de se candidatar à Câmara Municipal, como alternativa à eleição majoritária de 2012. Neste sentido, ela não confirmou, no entanto, as informações passadas aqui pelo jornalista e blogueiro Saulo Pessanha, dando conta de que, a partir de pesquisas, Sérgio Cabral (PMDB) já a teria escolhido como o nome de oposição com mais chances no enfrentamento contra a prefeita Rosinha (ainda no PMDB). Segundo Odete, isso teria que ser confirmado pelo próprio governador, em reunião com a Frente Democrática de Oposição anunciada aqui desde o dia 19 de julho, mas com data ainda a marcar. Com várias críticas à gestão Rosinha, a pré-candidata comunista aposta na busca, entre os próprios campistas, de uma equipe técnica para se governar melhor o município.

 

(Foto de Silésio Corrêa)
(Foto de Silésio Corrêa)

 

 

Folha da Manhã – Junto com a vereadora petista Odisséia Carvalho, você foi a integrante da Frente Democrática de Oposição mais presente nos encontros com lideranças no Rio de Janeiro. Quais foram os frutos reais das reuniões com o deputado André Corrêa (PPS), o vice-governador Luiz Fernando Pezão (PMDB), o deputado Paulo Melo (PMDB) e o presidente do PMDB Jorge Picciani?

Odete Rocha – Gostaria de ressaltar que a agenda realizada com essas lideranças do Estado tem um aspecto positivo na medida em que ficou clara a existência de uma oposição organizada em Campos, que discute um projeto em comum, mesmo dadas as diferenças na formação de cada partido, mas que vem discutindo um projeto consequente para uma cidade que daqui a algum tempo comportará um grau de desenvolvimento que, se não tratado com a devida justeza, terá desdobramentos imprevisíveis e até irreversíveis. Outro aspecto é que, na busca desses apoios, a Frente encontrou eco. E se houve eco é porque estamos no caminho certo.

 

Folha – Desde o encontro com Paulo Melo, foi anunciado um encontro com o governador Sérgio Cabral, ao qual seriam convidados todos os parlamentares fluminenses dos partidos que compõem a Frente. Por que ele ainda não foi marcado? Quando será?

Odete – Tudo que estava ao alcance da Frente Democrática nesse sentido foi feito, na medida que tomamos todos os encaminhamentos. Estamos aguardando que a reunião com o governador Sérgio Cabral aconteça o mais breve possível. Acreditamos que o encontro ainda não aconteceu por algum problema de agenda.

 

Folha – Na reunião com Picciani, ele limitou em três as candidaturas dos partidos que integram a Frente, para que estas pudessem contar com o apoio de Cabral. Concorda com esse limite? Como definir essas três candidaturas em comum acordo entre todas as legendas?

Odete – É importante salientar que a discussão do número de candidaturas partiu da Frente Democrática. Na reunião com Picciani, onde apresentamos uma pauta escrita, este ponto, de fato, cabia nela. O número de candidaturas da Frente Democrática faz parte de um debate político, de uma avaliação do quadro municipal, buscando não uma pulverização de votos, mas uma estratégia que nos conduza ao segundo turno. Como a decisão foi conjunta, fica claro que esse também é o nosso pensamento. O caminho que a Frente vem traçando é de ter parâmetros sobre o potencial de cada nome apresentado como pré-candidato. No nosso entender, o pragmatismo eleitoral vai apontar quem, de acordo com as pesquisas eleitorais, terá condições concretas de disputa.

 

Folha – Enquanto Rosinha esteve cassada e uma nova eleição chegou a ser marcada, você e o PV de Andral pareciam próximos da coligação. Agora, consta nos bastidores que os verdes terão candidatura própria à Prefeitura em 2012. Há ainda essa possibilidade de composição?

Odete – Olha, nós entendemos que política não caminha em linha reta. E até 2012 muita coisa pode acontecer. Respeitaremos as decisões do PV, mas confesso que ter o Andral caminhando ao nosso lado seria uma boa composição política.

 

Folha – Em entrevista ao blog Opiniões (aqui), republicada na Folha, o médico Makhoul Moussalem a elogiou e disse ver com bons olhos a possibilidade de vocês dois caminharem juntos em outro pleito, a exemplo do que já fizeram em 2006. Mesmo que Makhoul ainda não tenha se definido entre PMDB e PT, como enxerga essa alternativa?

Odete – Dr. Makhoul é para mim muito mais do que um aliado político. Com ele, caminhamos em 2006, e, em 2008, foi de extrema importância o apoio dele à nossa candidatura. Temos um diálogo franco e fraterno, conhecemos os limites um do outro, o que torna o caminho político mais fácil. Mas como ele ainda não definiu seu futuro político, seria prematuro da minha parte ter uma posição neste momento.

 

Folha – Assim como Odisséia e o próprio Makhoul deixaram a possibilidade em aberto, há chance de que você abra mão da disputa majoritária para concorrer à Câmara? Caso sejam mesmo aprovadas as 25 cadeiras na próxima Legislatura, como parece ser a vontade de Garotinho, seria uma disputa menos difícil? Qual número de vereadores você julga ideal para Campos?

Odete – Na nossa opinião, o aumento de cadeiras na Câmara, ao contrário do que possa parecer, tornará a disputa muito mais acirrada, visto que o número de candidatos será muito grande. Mas não é este desafio que nos afasta dessa possibilidade. Nossa candidatura se apresenta de forma natural, que vem sendo construída há algum tempo. As pesquisas apontam o acerto que há neste processo de construção.

 

Folha – Quer você concorra ou não ao Legislativo, como estão as nominatas do PCdoB em Campos? Não só em relação ao seu partido, qual a importância terá para a oposição ampliar proporcionalmente suas quatro cadeiras entre as atuais 17?

Odete – Estamos construindo uma nominata equilibrada, mas que possibilite eleger vereadores, o que é, inclusive, uma grande tarefa do PCdoB em Campos. O aumento de cadeiras, no nosso entender, mesmo tornando a eleição mais difícil, vai contribuir para que haja uma renovação significativa no Legislativo. Pelo menos é isso o que esperamos e torcemos. Lógico que vai depender do eleitor.

 

Folha – Entre os nomes que surgem como pré-candidatos da oposição, você, Arnaldo Vianna (PDT) e Makhoul têm um residual já consolidado, pelas eleições majoritárias recentes que disputaram. Concorda com isso e com a perspectiva de que será o potencial de crescimento, a partir da rejeição de cada um, o melhor indicador das chances contra Rosinha?

Odete – Até 2012, muita coisa vai acontecer. Entretanto, deve ser considerado o acúmulo eleitoral de cada pré-candidato e também a possibilidade de crescimento. Mas é preciso fazer um trabalho político consistente para que o cacife eleitoral não só se mantenha, mas possa crescer. E nesse aspecto considero que quem tem menos rejeição junto ao eleitorado, tem mais chances de ampliar seu potencial eleitoral.

 

Folha – Baseado nessas possibilidades de crescimento, o jornalista Saulo Pessanha disse não só que você seria o nome mais viável eleitoralmente da oposição, como seria esta a conclusão já feita por Sérgio Cabral. Existe realmente essa indicação, com base em pesquisa, e esse entendimento por parte do governador?

Odete – Difícil responder essa pergunta, porque ainda estamos aguardando que aconteça a reunião com o governador Sérgio Cabral.

 

Folha – Em seus artigos na Folha, você vinha pautando suas críticas ao governo Rosinha, principalmente, na área da educação. No último, voltou as baterias às denúncias de paralisação de obras? Quais são, em seu entender, as principais deficiências da administração campista? Quais os motivos? Como fazer para melhorá-las?

Odete – Na Saúde, por mais que se anuncie aos quatro cantos que vai muito bem, as filas continuam acontecendo, deixando milhares de pessoas sem consultas diariamente. Além disso, faltam medicamentos para atender à população. Na educação, o quadro é desolador. São profissionais mal pagos, que convivem com péssimas condições de trabalho, sem falar que, até o fim do primeiro semestre, os alunos não tinham recebido todo o material escolar. Outro problema é a falta de oportunidades de trabalho. Podemos enumerar ainda a falta de infra-estrutura, que não dá qualidade de vida para a população, e o trânsito, principalmente na área central, que está cada dia mais caótico. Esses problemas e tantos outros poderiam ser resolvidos com duas simples medidas que devem caber ao gestor público: planejamento e bom uso dos recursos. Até porque, recursos a Prefeitura de Campos tem de sobra. Afinal, o orçamento deste ano é de nada menos que R$ 1,9 bilhão, e o do ano que vem, de R$ 2 bilhões.

 

Folha – Um problema do qual o governo Rosinha se ressente, embora só seja admitido nos bastidores, é a escassez de nomes para compor tecnicamente o governo. Se o grupo deles, que já governou o Estado do Rio duas vezes, padece desse problema, como você, ou outro nome da oposição, montaria uma equipe apta a lidar com as demandas de Campos e região, ampliadas pelo Porto do Açu e o Complexo Logístico de Barra do Furado?

Odete – De maneira alguma há escassez de bons nomes para compor tecnicamente um governo em Campos. Existe muita, mas muita gente competente e séria neste município. O problema está na escolha, que se reflete no tipo de governo que se pretende fazer. Pensar que num município com quase 500 mil habitantes não tenha gente capaz de conduzir de forma decente e competente uma administração é, no mínimo, menosprezar e subestimar a inteligência, a competência e a seriedade do nosso povo.

Aos maniqueístas!

Destinado especificamente aos maniqueístas do PT, alcunhados de “aloprados” pelo próprio Lula, o ex-ministro e jurista Nelson Jobim proferiu a definitiva sentença:

 

“Os idiotas perderam a modéstia. E nós temos de ter tolerância e compreensão também com os idiotas, que são exatamente aqueles que escrevem para o esquecimento”

 

E para os maniqueístas em geral, que desde a queda do ministro têm lembrado como eram bons os tempos de quando o Jobim era o Tom, fica o vaticínio do eterno maestro Antônio Brasileiro:

 

“Sucesso, no Brasil, é ofensa pessoal”

Unificados, mas a marca é só de um

Estranha simbiose, que só denota o que já sabíamos:

É tudo a mesma coisa, e as possíveis diferenças são relativas aos números.

Em um blog, propaganda contra prostituição, pedofilia e corrupção, e pelos companheiros do mundo real, bem diversos daqueles do universo virtual, a mesma propaganda é vendida para promover e majorar tentativas de achaque.

Ué, é alguma joint-venture ou cartel da prostituição em todos os sentidos?

Será que o arauto virtual e seus maus colegas do mundo real compartilham mais do que a propaganda? Mi$tério$.

Parece que a planície é mais uma vez pioneira: o combate à prostituição é prostituído por quem posa de combatente virtual e deveria ter por ofício real combatê-la. Revela ao mundo o que aqui é o PUTA: Prostituição Unida na Trama de Achaques. 

Mas se não gostarem do novo rótulo, sugerimos: O verbo pelo achaque. Fácil de lembrar (e de vender). 

Mas, peraí… Será que achaque é verba?

Contraditório do blog em seu(s) leitor(es)

Três posts abaixo, o leitor Marcelo Abreu Gomes fez alguns questionamentos sobre a solidez dos registros de movimentações políticas recentes, quase todas reveladas ou repercutidas neste blog. A ele e aos outros que buscam aqui algum Norte em meio ao turbilhão político de Campos, cabe ressaltar que nenhuma informação é divulgada por este blogueiro sem ter origem em fonte fidedigna, na maioria das vezes nominada, mas algumas não, sigilo garantido pela Constituição (§ XIV do seu Art. 5º), desde que não confundido com anonimato (vedado no § IV do mesmo Art. 5º).

De qualquer maneira, num espaço democrático como este se pretende, nada mais razoável que os questionamentos do Marcelo, até por representarem considerável parcela da população reunida em contraditório, mereçam a evidência mais relevante de post. E se ele e você, também leitor, me permitem, apenas uma correção: a campanha, ou (ainda) pré-campanha, visa outubro de 2012, não este agosto de 2011. Com mais de um ano a nos separar da consumação do pleito, como o Paraíba sob as seis pontes que em Campos o atravessam, muita água ainda há de rolar…  

 

Marcelo Abreu Gomes

Pelo amor de Deus… O que mais o Roberto poderia querer? Além de rios de dinheiro para seguir com sua odisséia (?) contra Garotinho? É realmente mais um disparate dessa onda de boatos, tipo aquele que já gerou a informação de uma prefeita de outro município vizinho candidata em Campos, e que depois virou mera “articuladora” de um candidato médico que disse que, na verdade, não sabe se é prefeitável ou “vereável” em Campos… Aff… Se vê que não se discutem projetos públicos, mas pessoais: é mais uma nota do mesmo tom “de todos da oposição contra Rosinha”, que segue imbatível para a campanha de 2011…

 

Ágora de Péricles
Ágora de Péricles

 

Atualização às 20h50 para complementar o post com outro estimulante debate gerado a partir dos leitores…

 

Rodrigo Araujo de Souza

Apesar de toda credibilidade que um blog possa ter, o conceito jornalístico de “imparcialidade” passa a não contar em um blog, já que em um blog posta-se, sobretudo, opiniões pessoais (não estou dizendo que é o caso do blogueiro).
Agora, fica a cargo de quem lê, saber distinguir se há indução ou não em determinado tema.
Em certo ponto concordo com o Marcelo, em relação a boatos, mas não culpo o blogueiro, pois neste meio político realmente deve haver muitos boatos. O problema é saber se vale a pena divulgá-los, podendo confundir o leitor, já que tantas informações são ventiladas, e poucas concretas.
De qualquer forma não podemos ignorar o Marcelo, pois sim: Carla em Campos, Makhoul como nome forte…tudo virou pó!
Ah propósito, “que segue imbatível para a campanha de 2011…” deve ter sido um ato falho. Acredito que o colega aí quis dizer 2012, portanto não vi necessidade do blogueiro expor tal falta de atenção.

 

  • Caminhando na ágora grega (foto de Ícaro Abreu Barbosa)
    Caminhando na ágora grega (foto de Ícaro Abreu Barbosa)

    Aluysio

    Caro Rodrigo,

    O conceito jornalístico de imparcialidade (sem aspas) é tão abstrato quanto o de independência com que alguns blogs buscam distinção onde só pode existir complementação. E o caso da nota dos contatos de Roberto Henriques com PMDB estadual, Ricardo Teixeira e Eike Batista, é um exemplo perfeito disso, na medida em que o blog obteve e publicou a informação, cabendo ao jornal aprofundar sua apuração, que por sua vez serviu para atualizar o post.
    No caso, para o Alexandre Bastos — atuando como repórter da Folha, não como blogueiro —, o deputado admitiu ter conversado recentemente com o governador Sérgio Cabral e o presidente da CBF, mas não sobre eleição, negando ainda o contato com Eike. Ou seja: o blog gerou a notícia e a apuração do jornal com a maior profundidade que serviu para complementá-la.
    Quanto a este blog especificamente, embora batizado de “Opiniões”, há tempos tem baseado sua atuação mais no noticiário. Neste caso, creio que tanto para um blog, quanto para um jornal, vale sim publicar a informação de uma prefeita de São João da Barra que se coloca como opção à eleição de Campos, assim como quando ela abre depois uma outra alternativa, confirmada por esta própria, como foi o caso de Makhoul, cujo convites também pelo PT e PRP foram igualmente confirmados por suas lideranças, a partir da apuração do blog, sempre aprofundada e complementada pelo jornal.
    Pemita-me, pois, discordar tanto de vc, quanto do Marcelo, ao afirmar que nenhuma dessas possibilidades “virou pó”. Caso isso se confirme no futuro, continuará valendo tanto para o blog, quanto para o jornal, sobretudo quando complementares, o noticiário de todas as opções que não vingaram, com os respectivos motivos para tanto.
    Mas, até lá, só podem ser ignoradas por quem prefere não conhecer a movimentação dos bastidores que definirão quatros anos da vida de uma cidade.
    A propósito, lógico que o “segue imbatível para a campanha de 2011” foi um ato falho, cometido pelo Marcelo e ao qual estão passíveis o Rodrigo, o Aluysio, ou qualquer outro. A intenção no destaque foi unicamente aproveitá-lo como deixa à infinidade de fatos que certamente acontecerão no tempo que ainda nos separa do pleito de 2012. Todos noticiáveis, desde que sabidos a partir de fontes seguras e aprofundados na apuração de blogs, jornais, rádios, TVs, até que se esgotem (ou não).
    Por fim, voltando ao começo, lógico que a isenção, repaginada ou não como independência, é uma quimera. Todavia, em se tratanto de apuração e divulgação de informação, erra de fato quem não a busca.

    Abraço e grato pela oportunidade do debate!

    Aluysio

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