Opiniões

Emenda na Câmara Federal de R$ 50 milhões para concluir prédios da UFF em Campos

 

Prédios abandonados da UFF Campos, às margens da av. XV de Novembro (Foto: Folha da Manhã)

 

Principal pauta da UFF em Campos, a obra abandonada dos prédios da universidade às margens da av. XV de Novembro deu um passo importante em Brasília para sua retomada e conclusão. O deputado federal Wladimir Garotinho (PSD) informou ao blog que ele e mais quatro colegas da bancada fluminense estão comprometidos com uma emenda de bancada no valor de R$ 50 milhões para a conclusão dos dois novos prédios da UFF, programada para o Orçamento da União em 2020.

 

Deputados federais Wladimir, Clarissa, Hugo Leal, Chico D’Ângelo e Talíria Petrone já estariam comprometidos com emenda de bancada para a UFF-Campos (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Além de Wladimir, já estariam fechados com a iniciativa os também deputados federais Clarissa Garotinho (Pros), Hugo Leal (PSD), Chico D’Ângelo (PDT) e Talíria Petrone (Psol). Esta última adiantou que conversaria com o colega de Campos sobre os prédios da UFF, em entrevista publicada na Folha (aqui) no útimo dia 11.  Para uma emenda de bancada é necessário o mínimo cinco assinaturas, que já estariam garantidas. E teria caráter impositivo sobre o Executivo, numa da muitas derrotas impostas ao governo Jair Bolsonaro (PSL) no Congressso Nacional.

 

Professor Roberto César Rosendo, diretor da UFF-Campos (Foto: Folha da Manhã)

 

Diretor da UFF em Campos, Roberto César Rosendo comemorou a iniciativa parlamentar. Se tudo correr como esperado, as obras dos prédios da universidade, paradas na metade, seriam retomadas no segundo semestre do próximo ano:

— Neste momento complicado de contingenciamento do MEC, mais a questão do impasse (aqui) dos contêineres lá da Uff, receber a notícia de que a apresentação da emenda impositiva teve um avanço é extraordinário. Com os R$ 50 milhões será possível concluir a obra, que já está 50% pronta. Se tudo der certo e o recurso for empenhado no ano que vem, as obras poderão ser retomadas no segundo semestre de 2020. Agora eles estão se articulando para buscar apoio de mais deputados da bancada do RJ para somar com as cinco assinaturas já conseguidas.

 

Confira a reportagem completa na edição deste sábado (25) da Folha da Manhã

 

Edmundo Siqueira — Na análise do governo Bolsonaro, a verdade fora da caverna

 

“O mundo não começou quando nascemos, como muitos teimam em acreditar”. Em tempos como os atuais, quando o obscurantismo ronda perigosamente na negação de fatos históricos, do heliocentrismo, da evolução das espécies, da importância das vacinas à saúde pública, da ida do homem à Lua e até da forma redonda da Terra, a afrmação é tão óbvia quanto necessária. E foi feita em artigo do campista Edmundo Siqueira, servidor do Banco do Brasil.

O texto chegou ao blog através do policial federal Roberto Uchoa, especialista em Segurança Pública e também blogueiro do Folha 1. O Edmundo pediu a ele que o enviasse pelo fato da sua análise dialogar diretamente com o artigo intitulado “Democracia com megafone”, escrito por mim e publicado no último domingo domingo, na Folha da Manhã e (aqui) neste blog.

Para analisar o governo Jair Bolsonaro (PSL), Edmundo recorreu à lembrança da guilhotina que cortou tantas cabeças no Período do Terror da Revolução Francesa do séc. XVIII, inclusive dos seus líderes. O texto termina com a referência sempre atual ao “mito da caverna”, presente na obra “A República” do filósofo Platão, aluno de Sócrates e professor de Aristóteles, na linha direta do pensamento que pariu a Civilização Ocidental.

Quando muitos buscam abrigo na sombra, um pouco de luz é sempre bem vinda:

 

 

Edmundo Siqueira, servidor federal

Verdade fora da caverna

Por Edmundo Siqueira

 

Outro dia desses estava absorto em pensamentos que viriam a fazer uma comparação entre as ágoras na Grécia do séc. VI a.C., que eram espaços abertos, praças, onde os gregos discutiam os assuntos relacionados a cada pólis (cidade-estado na Grécia Antiga) e o Facebook. Entendia que haveria semelhanças entre as duas plataformas, com as duas formas de comunicação e de diálogo e muitas vezes de discussões acaloradas. Seria possível traçar um paralelo entre elas, mesmo com o abismo histórico-temporal e com a diferença na complexidade das sociedades a que elas habitaram. Conceitualmente, seria possível.

Eis que me deparo com um editorial do principal jornal de minha cidade tratando do tema. Tratando exatamente sobre o fato de que as mídias sociais estariam cumprindo o papel de ser esse espaço de discussão da pólis. No artigo, o jornalista Aluysio Abreu Barbosa faz um levantamento histórico da democracia e seu modelo representativo, passando pelo Iluminismo, pela Revolução Francesa e chegando ao Brasil, trazendo esse resgate para analisar os dias atuais. Ora, é preciso saber de onde viemos e como construímos nosso pensamento para que possamos analisar o presente e planejarmos nosso futuro. O mundo não começou quando nascemos, como muitos teimam em acreditar. Existem determinismos históricos aos quais não podemos fugir.

Escrevi sobre o tema em uma dessas redes sociais, o Instagram, essa em verdade mais parecida com os ginásios da Grécia antiga, onde o culto à beleza era frequente. A usava para que eu pudesse tomar a distância necessária do objeto para observá-lo, uma vez que comparava a ágora com o Facebook, querendo que minhas ponderações tivessem algum cunho científico, mesmo restando essa hipótese impossível. Ao ler o artigo, porém, pude pensar em outra comparação, com outro fato histórico: os “tribunais do povo” instaurados na França revolucionária, no período de terror jacobino de Robespierre (1793-1794), onde os inimigos do “povo” e do estado eram julgados e sentenciados à guilhotina. O Facebook muitas vezes cumpre esse papel. Reputações são destruídas e mitos são criados por uma mídia social que se comporta como verdadeiros tribunais. E o pior: não aceitam recursos. Outra semelhança “jurídica” com os robespierianos. A histórica nos ensina e mostra que o próprio líder daquele período da Revolução Francesa foi sentenciado à mesma guilhotina que outrora instituía a tirania a seu mando, inclusive com a morte do rei Luís XVI. O mesmo tribunal criado pelo Robespierrre o sentenciou. Voltando aos paralelos, as mídias sociais parecem ter mesmo poder, não há guilhotinas, mas há sentenças que decepam vidas.

A história brasileira é repleta de ambivalências: país de maioria negra foi o último do Ocidente a abolir a escravidão, para dar apenas um exemplo. A formação de nossa identidade enquanto nação foi conturbada, guiada por grupos de interesses domésticos e estrangeiros. O exercício democrático foi sempre tardio, mais reativo que proativo. Passamos por um período militar que foi apoiado por uma parcela da sociedade, personificada pela “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”, outro exemplo de ambivalência explícita. Não era representativa. O povo não teria participado do processo. Nossa democracia vem passando por maus bocados. Acusações de golpes, mortes de políticos sem explicação, uma ditadura, dois impeachments. O Brasil em pouco tempo, em comparação com países europeus e até americanos, precisou amadurecer suas instituições. Depois da ditadura ou regime militar como recentemente grupos de uma nova direita quiseram nomear através de uma narrativa própria, iniciou-se o processo de redemocratização que culminou no nascimento de dois filhos de políticos de uma mesma ideologia. Dois partidos coirmãos que se apresentaram como a saída de um regime ditatorial longo e violento. Tempos depois vieram a ser antagonistas no tabuleiro político, mas possuem a mesma base social democrata, progressista em alguns aspectos. PT e PSDB determinaram os rumos do país por décadas. Parecia que o país atravessara um período de paz e de dobradinhas ideológicas, a exemplo de democracias mais maduras como a americana, trazendo as figuras dos partidos democrata e republicano. Até que um fenômeno personificado na presidência e chamado Dilma Rousseff aparece. A presidente reunia incapacidade política administrativa e somava-se o desgaste do longo período de poder de seu partido. O resultado foram os movimentos de Junho de 2013 que resultaram com o impeachment.

A história nos mostra quem somos. Mas também deve servir para prever alguns movimentos, ou pelo menos poder analisar a conjuntura e a realidade cotidiana. O governo Bolsonaro é eleito justamente com o uso das mídias sociais. As ágoras gregas seriam um elemento da administração política da pólis. Bolsonaro parece ter aprendido, a despeito de sua visível limitação intelectual. Usa o Twitter para fazer interlocução com seus eleitores e até com o Congresso. Esquece-se que ocupa o posto mais alto da república e compartilha vídeo afrontoso no carnaval. Usa as mídias para impor uma agenda ligada a costumes e desprovida de ações concretas. Com a pecha de conservador nos costumes e liberal na economia, agradou grupos de direita e extrema direita que agora parecem ir para um arranjo de oposição ou pelo menos de desconforto. O tribunal do povo de Robespierre, com sua versão moderna no Facebook, pode levar o eleito Boslonaro à guilhotina.

O próximo dia 26 irá marcar, falando em previsões, um movimento pró governo que pode demarcar o território político em D+1, no day after. Os grupos conservadores irão se alinhar definitivamente ao governo? Os grupos liberais que acreditaram que Paulo Guedes, ministro da economia, pudesse impor ações de mesmo espectro ideológico, continuarão acreditando? As alas do governo passarão a se entender, mesmo com os ataques do guru e astrólogo Olavo de Carvalho ao setor militar, ou irão rachar de vez?

A nossa democracia vem passando por maus bocados. Ressurgem ataques ao congresso e ao judiciário. As mídias sociais ecoam esses ataques. Novas formas de governos são propostas. Parlamentarismo parece ser uma opção viável, apesar de todo descrédito do congresso. As pautas do Executivo não emplacam. Grupos opositores ganham força e corpo com os ataques à educação. Setores das igrejas neopentecostais parecem insatisfeitos. O exercício democrático é intenso e a elasticidade dessa forma de organização social é testada. Bem como o estado tripartite de Mostesquieu. Todo esse caldo tem muito de sofismo. A retórica é cada vez mais usada e aperfeiçoada. A filosofia explica, mais que a psicologia, talvez, embora se complemente. Os antigos pensadores moldam nossa vida, suas ponderações são cada vez mais presentes. Mesmo séculos depois ainda discutimos as mesmas inquietações. Resta saber quem saíra da caverna e verá a verdade. E mais ainda: quem acreditará nela.

 

Folha no Ar: RioAgro Coop de Frederico, Tito e Cunha na quarta, antes de Zé Paes na quinta

 

Governador Wilson Witzel e secretários estaduais Eduardo Lopes (Agricultura) e Ana Lúcia Santoro (Ambiente e Sustentabilidade) estarão em Campos nesta quinta para o RioAgro Coop (Montagem: Elaibe de Souza)

 

No início da manhã de hoje, pela primeira vez o Folha no Ar, programa da Folha FM 98,3, trouxe três entrevistados. Um em cada bloco, o presidente da Coagro, Frederico Paes, o presidente da Asflucan, Tito Inojosa, e o diretor da Fatore, Sérgio Cunha, falaram sobre o mesmo assunto central: o RioAgro Coop, que nesta quinta trará a Campos o governador Wilson Witzel (PSC), com os secretários estaduais de Agricultura, Eduardo Lopes; e de Ambiente e Sustentabilidade, Ana Lúcia Santoro.

 

Frederico Paes, Tito Inojosa e Sérgio Cunha foram os entrevistados desta quarta do Folha no Ar (Fotos: Isaias Fernandes – Folha da Manhã)

 

Variadas como as palestras que comporão o evento sobre cooperação na agropecuária de Campos e região, das 7h às 19h deste quinta, foram as três entrevistas. Nelas, foram debatidos temas como a dificuldade fincanceira dos produtores de cana em arcar com a colheita mecanizada imposta pela proibição das queimadas, o pleito de se passar a classificação climática da região ao semiárido, irrigação e a implantação de outras novas tecnologias no campo. Por ser jornalista e ex-secretário de Comunicação do governo municipal Rosinha Garotinho (hoje, Patri), a conversa com Sérgio Cunha também girou sobre a análise da eleição a prefeito de Campos em 2020.

 

Entrevistados do Folha no Ar, o prefeito Rafael Diniz e o deputado federal Wladimir Garotinho estarão nesta quinta no RioAgro Coop (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Os dois nomes considerados hoje mais fortes ao pleito municipal do próximo ano também participarão da RioAgro Coop. O prefeito Rafael Diniz (PPS), na condição de presidente do Cidennf (Consórcio Público Intermunicipal de Desenvolvimento do Norte e Noroeste Fluminense). E o deputado federal Wladimir Garotinho (PSD) pelo trabalho em Brasília para aprovar seu projeto de classificação climática de semiárido à região.

 

Procurador-geral de Campos, José Paes Neto será o entrevistado desta quinta no Folha no Ar (Foto: Folha da Manhã)

 

Nesta quinta, o convidado do Folha no Ar, sempre a partir das 7h da manhã, de segunda a sexta, será o procurador-geral do município, José Paes Neto. Enquanto a nova edição do programa não chega, confira os quatro blocos do programa de hoje, com as entrevistas de Frederico Paes, Tito Inojosa e Sérgio Cunha:

 

 

 

 

 

Dom Rifan esclarece que encontro com Bolsonaro não significou apoio político

 

Da planície goitacá ao Planalto Central, Dom Rifan com o presidente Jair Bolsonaro (Foto: Divulgação)

 

Bispo católico da ala tradicionalista de Campos, Dom Fernando Rifan esteve ontem em Brasília com o presidente Jair Bolsonaro (PSL), como foi noticiado hoje (aqui) na capa da Folha da Manhã. Mas, a partir da repercussão, o clérico procurou o blog para esclarecer que sua presença “não significou apoio político ao presidente, nem a ninguém”.

Na verdade, Dom Rifan foi à capital federal como convidado da Frente Parlamentar Católica, para a realização do “Ato de Consagração do Brasil a Jesus Cristo por Meio do Imaculado Coração de Maria”, do qual Bolsonaro participou. Nas redes sociais, o bispo católico também lamentou (aqui) que o presidente evangélico não tenha consagrado o Brasil à Nossa Senhora, como era esperado:

 

Dom Rifan lamentou que o presidente evangélico não tenha consagrado o Brasil à Nossa Senhora (Foto: Reprodução)

 

— “Isso ele (Bolsonaro) não fez. Foi pena. Mas fizemos o nosso papel. Ele foi cordato em participar da homenagem. E o texto assinado foi entregue a ele. Depois, nós fizemos o ato de consagração.

Da planície goitacá ao Planalto Central, Dom Rifan expressou seu desejo: “Esperamos que Nossa Senhora aceite o nosso ato de consagração e proteja o nosso tão necessitado Brasil”.

 

Confira abaixo o vídeo do bispo de Campos no ato de consagração do maior país católico do mundo à santa mais importante do catolicismo:

 

 

Tema do Folha no Ar desta quarta, RioAgro Coop trará governador e secretários na quinta

 

Governador Wilson Witzel e secretários estaduais Eduardo Lopes (Agricultura) e Ana Lúcia Santoro (Ambiente e Sustentabilidade) (Montagem: Elaibe de Souza)

 

Não é só Wilson Wizel  (PSC) que vem participar do RioAgro Coop nesta quinta-feira, 23 de maio, na sede da Coagro em Campos. O governador virá acompanhado de dois dos seus secretários: Eduardo Lopes, da Agricultura, e Ana Lúcia Santoro, do Ambiente e Sustentabilidade.

Além dos titulares das pastas, o Witizel trará também dois subsecretários que irão participar de painéis e palestras: Adriano Lopes, adjunto de Agricultura Familiar; e Renata Bley, de Recursos Hídricos e Sustentabilidade do estado do Rio de Janeiro. Quem também participará do RioAgro Coop é o prefeito de Campos, Rafael Diniz (PPS), que preside o Cidennf ((Consórcio Público Intermunicipal de Desenvolvimento do Norte e Noroeste Fluminense)

A partir das 7h da manhã desta quarta (25), o RioAgro Coop do dia seguinte será a pauta principal do Folha no Ar, na Folha FM 98,3. Serão três entrevistados no programa, todos ligados ao evento, um em cada bloco: o jornalista Sérgio Cunha, da Fatore, que organiza o evento; o engenheiro agrônomo Fredrico Paes, presidente da Coagro; e o produtor rural Tito Inojosa, presidente da Asflucan (Associação Fluminense do Plantadores de Cana).

 

Sérgio Cunha, Frederico Paes e Tito Inojosa estarã nesta quarta no Folha no Ar (Montagem de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Confira abaixo a programação completa da RioAgro Coop desta quinta:

9h30 – Credenciamento e instalação do evento.

10h – Chegada do Governador Wilson Witzel e abertura da Safra Sucroalcooleira 2019-2020.

10h30 – Formação da mesa diretiva solene.

11h – Painel: “A integração entre Consórcio de Municípios, Estado e Produtores na retomada do Agronegócio Fluminense”. Participantes: Frederico Paes, presidente da cooperativa de produtores Coagro, Vinicius Vianna, secretário executivo do Cindennf (Consórcio Público Intermunicipal de Desenvolvimento do Norte e Noroeste Fluminense).

11h30 – Intervalo com coffe break.

12h – Palestra

“Programa Mais Cooperativismo: desafios e oportunidades”. Palestrante: Márcio Lopes de Freitas, presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB).

12h30 – Palestra

“Agricultura familiar e a expansão da fronteira rural do Estado do Rio.” Palestrantes: Alberto Figueiredo, ex-secretário de Agricultura do Estado do Rio, diretor da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA) e Adriano Lopes, subsecretário adjunto de Agricultura Familiar do estado do Rio de Janeiro.

13h30 – Intervalo para almoço

14h30 – Palestra

“Portal Cooperativas nas Compras Públicas: oportunidades para o Rio de Janeiro”. Palestrante: Leonardo Reis, analista de Relações Institucionais da OCB Brasil.

15h – Palestra

“Gargalos e soluções para a bacia leiteira fluminense”. Palestrante: Silvio Marini, presidente da Cooperativa Regional Agropecuária de Macuco.

15h30 – Palestra

“O semiárido como novo regime climático do Estado do Rio: marco legal e iniciativas”. Participantes: secretário Estadual de Agricultura, Eduardo Lopes, deputado federal Wladimir Garotinho, e professor José Carlos Mendonça, pesquisador e coordenador de Agrometeorologia da Universidade Estadual do Norte Fluminense.

16h – Palestra

“Riscos e oportunidades para o cooperativismo agro na economia 4.0”. Palestrante: Abdul Nasser, superintendente do SESCOOP/RJ.

16h30 – Palestra

“Uso racional de recursos hídricos na irrigação e benefícios ao agronegócio”. Palestrante: Renata Bley, subsecretária de Recursos Hídricos e Sustentabilidade do estado do Rio de Janeiro e professor João Siqueira, da Universidade Estadual de Norte Fluminense (UENF) e presidente do Comitê do Baixo Paraíba.

17h – Encerramento

 

Tricampeão de F1, Niki Lauda prova que o homem corajoso só morre uma vez

 

Em 1984, Niki Lauda cruza a linha de chegada do GP de Portugal para se sagrar tricampeão de F1

 

O austríaco Niki Lauda morreu hoje aos 70 anos. Já era campeão do mundo de Fórmula 1 em 1976, quando sofreu um acidente gravíssimo, que o deixou com cicatrizes por boa parte do corpo. E, mesmo agonizando, expulsou o padre que foi lhe dar extrema unção. Ultrapassou a morte para ser campeão mais duas vezes: em 1977 e 1984.

 

Apenas seis semanas após seu grave acidente em 1976, Lauda voltou a correr no GP da Itália

 

Lauda competiu com os três maiores pilotos que o Brasil teve na F1: Emerson Fittipalpi, Nelson Piquet e Ayrton Senna. E bateu os tês, assim como o francês Alain Prost, seu companheiro de McLaren no ano em que se tornaria tricampeão na grande competição automobilística do planeta.

Sua rivalidade no começo de carreira com outro grande piloto, o inglês James Hunt, gerou um bom filme: “Rush” (2013), de Ron Howard. Na vida real, Lauda foi ao lado de Senna e Prost o maior piloto que já vi, inclusive quando criança fascinada em Jacarepaguá. E foi um homem corajoso. Daqueles que Shakespeare escreveu só morrerem uma vez.

 

 

Democracia com megafone — Da Grécia de Aristóteles ao Brasil de Bolsonaro

 

(Foto: Marcos Corrêa – Presidência)

 

 

Democracia com megafone

Por Aluysio Abreu Barbosa

 

Aristóteles de Estagira

“Um orador sem megafone”. Para o filósofo Aristóteles, este era o limite da democracia. Fundado na Atenas do séc. VI a.C., o “governo do povo” (demos, povo + kratos, poder) era direto. Na ágora, espaço público aberto a todo cidadão, cada um deles tinha direito a voz e voto em qualquer decisão pública. E, a partir dela, todos poderiam se revezar entre as funções de governante, legislador, magistrado e comandante militar. Construído para gerir cidades-estado, não países, teve em seu auge entre 30 e 60 mil cidadãos. Daí seu limite oral traçado por Aristóteles — “cuja cabeça sustenta ainda hoje o Ocidente”, como cantou o Caetano.

Getúlio Vargas lançou as bases da industrialização do Brasil

A democracia representativa, como a conhecemos, é uma invenção iluminista do séc. XVIII. Não por acaso, nos servem até hoje de modelo as repúblicas formadas nas duas mais famosas revoluções do Iluminismo: a Americana de 1776, na independência dos EUA, e a Francesa de 1789. A ambas, na economia, se sobrepôs outra, anterior: a Revolução Liberal da Inglaterra entre 1640 e 1688. Ela seria consolidada pela Revolução Industrial iniciada também naquele país em 1760 e expandida a parte do mundo no século seguinte — que, no Brasil, só chegaria nos anos 1940, com a fundação da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) por Getúlio Vargas.

Obra de Montesquieu lançou as bases do estado moderno

Em termos do estado moderno, prevaleceu o desenho tripartite do filósofo Montesquieu em seu “Do Espírito das Leis”, publicado em 1748, com a divisão entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Olhando ao que veio de seis séculos antes Cristo até nossos dias, os antigos gregos não chamariam nosso sistema de governo de democracia. A sua era direta, sem representantes. Vissem o Brasil de hoje, por exemplo, com seus governantes e legisladores eleitos de quatro em quatro anos, seus magistrados aprovados em concurso público, de segunda e terceira instâncias nomeadas pelo Executivo, classificariam nosso regime como oligarquia (“governo de poucos”).

Não é preciso se rebaixar ao “complexo de vira-latas” do presidente Jair Bolsonaro (PSL), batendo continência à bandeira dos EUA, para se constatar que aquele país é a referência mais sólida da democracia representativa. É o único no mundo que, desde o séc. XVIII, elege presidente e Congresso de quatro em quatro anos. Nem o fato de terem disputado uma fraticida Guerra Civil (1861/65) e sido protagonistas de duas Guerras Mundiais (1914/18 e 1939/45), afetaram seu compromisso entre eleitor e urna. De fato, lá até juízes, promotores e xerifes (equivalentes aos nossos comandantes de guarda municipal) são escolhidos pelo voto popular.

Sem a mesma solidez institucional, o Brasil padece com um governo federal que parece perigosamente próximo ao fim, antes mesmo de ter de fato começado. Há menos de cinco meses no poder, Bolsonaro foi eleito por um fenômeno que deu sua primeira demonstração no mundo com a Primavera Árabe de 2011. Tsunami sobre os países islâmicos do Oriente Médio, Norte da África e parte da Ásia, aquele foi o primeiro movimento de massas da humanidade que não nasceu em nenhum partido político, sindicato, quartel militar, revelação religiosa, ou catástrofe natural, mas através das redes sociais.

 

Primavera Árabe de 2011 no Egito

 

No Brasil, o fenômeno demorou menos a chegar que a Revolução Industrial. Em 2013, mobilizadas pelas redes sociais, as Jornadas de Junho balançaram o governo Dilma Rousseff. E deram fim ao monopólio de 21 anos que o PT exercia nas manifestações de rua do país, com suas filiais UNE, CUT e MST, desde que os “caras-pintadas” liderados pelo hoje petista Lindbergh Farias levaram em 1992 ao impeachment do ex-presidente Fernando Collor — ironicamente, depois companheiro de Lindbergh no Senado.

 

Jornadas de Junho de 2013 em Brasília

 

Nascida de uma pauta tão difusa quanto a Primavera Árabe, as Jornadas de Junho trouxeram às ruas as primeiras camisas amarelas da seleção de futebol, que dominariam os protestos no país de 2015 e 2016. A motivação se afunilara pela deposição de Dilma, que conduziu o país à maior recessão econômica da sua história. O Congresso Nacional se aliou aos protestos para “estancar a sangria” da Lava Jato, como o ex-senador Romero Jucá (MDB) foi flagrado em gravação, enquanto era um dos principais articuladores do impeachment da presidente.

 

Movimentação na av. paulista das 9h às 19h de 13 de março de 2016, no protesto pelo impeachment de Dilma

 

Em que pesem todas as denúncias de corrupção contra Michel Temer (MDB), que já lhe geraram duas prisões, o vice eleito por quem votou no PT em 2010 e 2014 assumiu a presidência e conseguiu entregar um país em situação econômica menos pior do que pegou. Não conseguiu fazer a reforma da Previdência por conta de outra gravação, feita pelo empresário Joesley Batista, que fez sua fortuna nos governos petistas e cujo advogado seria flagrado num bar de Brasília com o então procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

 

Então procurador-geral da República, Rodrigo Janot escondido atrás de grades de cerveja em um bar de Brasília, com Pierpaolo Botitni, advogado de Joesley

 

Em outro áudio de conversa com Joesley, Aécio Neves foi flagrado pedindo dinheiro e falando em mandar matar como bandido reles. Após quase vencer a eleição presidencial de 2014, arrastou consigo um PSDB que já não vinha bem das pernas e, como o PT, não soube cortar na própria carne. Com Lula preso pela Lava Jato e impedido de concorrer em 2018, o fenômeno Bolsonaro foi o tsunami que varreu as urnas, com congêneres ainda mais surpreendentes, como Wilson Witzel (PSC) no Rio e Romeu Zema (Novo), nas Minas de Aécio. E todos foram eleitos a partir do discurso antiestablishment ecoado nas redes sociais.

 

Em áudio com Joesley, frase de Aécio que o nivelou a um bandido qualquer

 

Rodrigo Maia lidera o Congresso e, no vácuo do governo, as reformas do país

O Congresso, que julgou poder usar o governo Temer como teflon às investigações de corrupção, foi também solapado pelo voto. O Senado teve renovação de 85,19%, enquanto a Câmara Federal, de 52,54%. Ainda assim, diante da fraqueza de um presidente eleito com discurso de autoridade, mas que não consegue mandar nem nos próprios filhos, tem imposto sucessivas derrotas ao novo governo. E, de quebra, enfraquecido a Lava Jato, cujo principal símbolo, o ex-juiz federal Sérgio Moro, se deixou reduzir a “funcionário de Bolsonaro” — como o presidente da Câmara Rodrigo Maia (DEM) se referiu ao ministro da Justiça. Isso, antes de lhe desarmar do Coaf e mirar no decreto presidencial de flexibilização do porte de arma.

Sem articulação política, enfraquecida após o ministro da Casa Civil Gustavo Bebianno (PSL) ser exonerado por um simples vereador carioca, mas investido do poder imperial de filho do “rei”, tudo indica que Bolsonaro sangrará mais com as investigações do Ministério Público sobre outro rebento. Não há olhar desapaixonado sobre o senador Flávio (PSL) incapaz de ver os fortes indícios de lavagem de dinheiro, fraude fiscal, “rachadinha”, ou da relação intestina da sua família com as milícias fluminenses.

 

Laedeados por Fabrício Queiroz, Jair e Flávio Bolsonaro

 

É sobre um presidente acuado que o Congresso avança abertamente: tomará para si a reforma da Previdência e projeta fazer na sequência a reforma tributária, no que já está sendo chamado de implantação do “parlamentarismo branco” no Brasil. Em reação, os defensores do governo, em número menor a cada nova pesquisa, planejam manifestações para o próximo dia 26. Nas redes sociais, muitos já pregam a invasão do Congresso e do Supremo Tribunal Federal (STF). Inadmissível no estado democrático de direito, seria perigoso à sobrevivência de qualquer ditador cujos filhos e astrólogo atacassem diariamente sua cúpula militar.

 

 

As redes sociais parecem ter dado ao mundo o “megafone” aristotélico. A partir do seu eco, os limites da democracia representativa foram extrapolados numa nova ágora virtual, em que cada cidadão quer ter sua voz ouvida em tempo real, não mais só de quatro em quatro anos. No Brasil e no mundo, a direita teve a virtude de ter entendido antes o que o filósofo Umberto Eco chamou de “voz aos idiotas”. Afinal, se o jornalista William Bonner disse em passado recente que apresentava o Jornal Nacional ao Homer Simpson, com as redes sociais todo Homer Simpson passou a se achar um William Bonner.

 

Homer em episódio de “Os SImpsons” no Brasil

 

Ao colocar em xeque a democracia representativa, mas cujo mate ninguém ainda conhece, esse novo jogo mundial fez de Bolsonaro presidente. E foi nele que teve sua primeira derrota, nos protestos do dia 15 contra os cortes do governo na educação pública, que tomaram as ruas de todo o país. As hashtags #tsunamidaeducação e #TodosPelaEducação registraram mais de 400 mil compartilhamentos no Twitter. Já a hashtag oposta #BolsonaroTemRazão teve só 37 mil compartilhamentos.

 

Protesto contra cortes na educação no Boulevard de Campos e nas ruas de outras 200 cidades do Brasil (Foto: Isaias Fernandes – Folha da Manhã)

 

Chamar os manifestantes pela educação de “idiotas” e “imbecis” não altera a soma. Mas pode influenciar na subtração.

 

Publicado hoje (19) na Folha da Manhã

 

Protestos pela educação: na cidade famosa pelo tiro em Kennedy, Bolsonaro dá tiro no pé

 

Na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, o protesto contra os cortes da Educação pelo governo Bolsonaro (Foto: Dida Sampaio – Estadão Conteúdo)

 

“Idiotas úteis, uns imbecis que estão sendo usados como massa de manobra”. Em Dallas, no Texas, foi assim que o presidente Jair Bolsonaro se referiu aos milhares de brasileiros que saíram hoje às ruas de cerca de 150 cidades — incluindo Campos (aqui) — de todos os estados do país, para protestar contra os cortes federais de 28,84% nas verbas não obrigatórias da educação.

 

Do Planalto Central à planície goitacá, a manifestação contra cortes na educação pública no Boulevard (Foto: Isaias Fernandes – Folha da Manhã)

 

Bolsonaro alegou que os manifestantes não saberiam a fórmula da água ou multiplicar 7 x 8. E demonstrou desconhecer o inc. XVI do Art. 5 da Constituição: “todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente”.

 

No exercício do seu direito de protesto, manifestantes fecharam a Alberto Lamego, em frente à Uenf, e impediram o direito de ir e vir (Foto: Divulgação)
 

Bem verdade que atos como a queima de pneus, feita pela manhã em frente à Uenf, fechando a avenida Alberto Lamego, afetou diretamente quem não tem nada a ver com a história. E tem que ter seu direito de ir e vir respeitado, tanto quanto o direito de protestar. Em Brasília, ato semelhante gerou ação das forças de segurança para liberar vias públicas. Mas, até o momento, felizmente não foram registrados enfrentamentos.

Quando classifica seus críticos como “idiotas úteis” ou “imbecis usados como massa manobra”, Bolsonaro endossa quem usa os mesmos termos ofensivos para classificar os milhões de brasileiros que apoiam seu governo — em número menor a cada nova pesquisa. Como definiu a deputada do PSL e autora do pedido de impeachment de Dilma, Janaína Paschoal, é uma reedição de “sinal trocado” do “nós contra eles” proposto em passado recente pelo PT. E nada indica que terá fim diferente.

 

Bolsonaro hoje em Dallas, cidade texana que foi palco do assassinato de John Kennedy
 
Na cidade texana famosa por ter sido o palco do tiro disparado contra a cabeça do presidente dos EUA John Kennedy, seu colega brasileiro pode ter dado mais um tiro no pé.

 

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