Opiniões

Satisfações a dar, sim senhor!

Depois de ser cobrado publicamente pelo professor Arthur Soffiati, sobre sua qualificação técnica para ocupar a secretaria de Defesa Civil, e responder que não tem satisfações a dar, o atual titular da pasta, Marco Soares vai ser obrigado, sim, a prestar satisfações. Como adiantou o blog do Bastos (aqui), após a ameaça do vereador Rogério Mattoso (PPS) de obrigar o secretário a dar satisfações oficialmente, o líder do governo Jorge Magal (PMDB) se apressou em costurar um acordo para levar o secretário, “por bem”, ao Legislativo.

Com as estação das chuvas de verão se aproximando e a cidade despreparada para recebê-las, como já admitiu à Folha a própria prefeita Rosinha, é bom o secretário de Defesa sair da posição de ataque e aprender que tem, sim, muitas satisfações a dar. Se gosta ou não disso, azar!

O espaço do Folha no Ar, por exemplo, em que se deram os questionamentos de Soffiati, continua aberto e esperando a resposta da boca de Soares…

O dia do fico de Magal

Magal, hoje, no Folha no ar, entre os jornalistas e blogueiros Rodrigo Gonçalves e Alexandre Bastos (foto de Antonio Cruz — Folha da Manhã)
Magal, hoje, no Folha no ar, entre os jornalistas e blogueiros Rodrigo Gonçalves e Alexandre Bastos (foto de Antonio Cruz — Folha da Manhã)

Acabou agora há pouco o Folha no Ar. Entrevistado pelos jornalistas e blogueiros Rodrigo Gonçalves (aqui) e Alexandre Bastos (aqui), o líder do governo na Câmara, vereador Jorge Magal disse que foi eleito presidente municipal do PMDB dentro da legalidade. Sobre a intervenção, que teria conferido a Alexandre Delvaux o comando do partido em Campos, Magal declarou só saber pelos jornais e que espera um comunicado oficial. Mesmo que ele venha, ressalvou, no entanto, que permanecerá no partido, assim como a prefeita Rosinha Garotinho.

Ainda sobre Segurança Pública

O saudoso jornalista Paulo Francis (1930/1997) certa vez classificou Cesar Maia de “o burro instruído”. Homem de grande erudição, Francis tinha um certo desdém pelo técnico sem grande estofo cultural, que enxergava no ex-prefeito carioca. E olhe que, tanto em termos de excelência técnica, quanto culturais, Maia está anos luz além de muito perfil semelhante de burrice instruída desta terra de planície. Isso sem falar, para completar a distante analogia Rio/Campos, em número votos enquanto político e no poder da atuação como blogueiro.

Pois foi nesta última função, a de blogueiro (ou melhor, de ex-blogueiro) que o ex-menino prodígio do ex-governador Leonel Brizola (1922/2004), ofereceu hoje (cadastre-se aqui) uma elucidativa visão, dividida em 12 pontos, sobre a política de Segurança Pública do Estado do Rio, cujos reflexos são sentidos tanto na guerra civil da capital, quanto nas residências regularmente invadidas por bandidos em Campos. Vamos a ela:


POR QUE A POLÍTICA DE SEGURANÇA DO BELTRAME FRACASSOU!
 
1. A avaliação das políticas públicas deve ser feita sem fixação nos personagens, a menos que estes, por razões de comportamento ou técnica, os desqualifiquem preliminarmente. Não é esse o caso de Beltrame, até porque, a autonomia conseguida na nomeação de comandantes de BPM e delegados nas DP é uma prova disso.
 
2. Beltrame é delegado da Polícia Federal e veio da área de “inteligência policial (IP)”. A IP é o inverso da “investigação/inquérito (II)”. Explicando. A II é um processo que começa com um fato conhecido, um roubo, homicídio, estupro, etc. A partir deste fato, se realiza os levantamentos de local, de atores e se investiga em inquérito aberto. A IP atua sobre o “fato negado”, ou seja, sobre um fato não “localizado”. Nesse caso, a investigação procura encontrar os fatos e seus atores e envolvimento.
 
3. Exemplo: a derrubada do helicóptero abre uma II sobre arma usada, local atingido, autores e circunstâncias. Mas se a polícia quer saber quem são os fornecedores das armas, a ação é de IP. O elemento básico na IP é a infiltração. Não é o único. Varreduras, grampos, etc; são outros. Mas é a infiltração que permite maximizar a eficácia da IP. A informação é o vetor da investigação. A contra-informação é o vetor da IP.
 
4. Beltrame aplicou no Rio os conceitos de IP. Fixou-se na identificação de paióis (guarda de armas dos traficantes), depósitos de drogas e eliminação dos traficantes. Mas o varejo de cocaína em comunidades há muito não usa depósitos, sendo a guarda da arma, individual, por ocultamento, desde enterrar em plástico, como faziam os angolanos na Maré, até usar casas em rodízio. A busca de paióis é infrutífera e a quantidade de armas pesadas apreendidas tem sido sempre apenas proporcional aos presos e eliminados (armas apreendidas 12 mil/ano, prisões+autos de resistência 15 mil/ano).
 
5. Da mesma forma, os depósitos de cocaína. O narcovarejo não opera com estoque. A droga entra e sai. O tempo que fica em áreas básicas (atacado do varejo), como Maré e Rocinha, é o menor possível. Outro dia, Beltrame disse que havia encontrado um laboratório de refino na Rocinha. Impossível. O que ele encontrou foi uma área de “endolação”, ou seja, de batismo da cocaína com outro material branco para enganar o consumidor, e envelopamento. Nas comunidades menores a cocaína já chega envelopada.
 
6. Uma questão central é que o narcovarejo em favelas não admite infiltração. Usam dedos-duros ou X-9s, cuja informação é de baixa qualidade para IP. O resultado nestes 2 anos e 10 meses foi medíocre. Há muito tempo que não se assiste a incineração de cocaína, e o volume de armas pesadas apreendidas é insignificante pelo volume existente. Além disso, nos dois casos, a oferta é elástica, e no máximo afeta-se conjunturalmente o preço e não o volume.
 
7. A eliminação dos traficantes (3% dos traficantes), inevitável na maioria das vezes, não afeta o quantitativo do tráfico. A substituição é automática e, em geral, os menos experientes que entram, são mais violentos. Aplicar no varejo, em favelas (armas, drogas e delinquentes), a estratégia e métodos que são aplicados no atacado internacional pela PF, DEA, FBI, não poderia ter resultado outra coisa: a política de segurança pública do atual governo fracassou.
 
8. Tem razão Beltrame, e levou muito tempo para chegar a esta conclusão, que não haverá sucesso sem uma integração operacional com a esfera federal e sob a hegemonia dessa, num crime sem fronteiras. Esfera federal, leia-se cocaína e armas, polícia federal e exército.
 
9. Talvez o equívoco maior tenha sido um certo desprezo do secretário pelos “crimes de rua”, assaltos a pedestres, roubos e furtos, que ficaram entregues ao esforço dos BPMs sem a prática de usar as informações georeferenciadas do ISP e sem articulação com as DPs, de forma a identificar a dinâmica das manchas do crime e atuar preventivamente.
 
10. São 300 mil roubos e furtos -registrados- por ano. São 75 mil lesões corporais dolosas -registradas- por ano. São 65 mil ameaças -registradas- por ano. No total -registrados- são 440 mil ocorrências, que apavoram a população. Registrados…, já que as ocorrências não registradas estima-se pelo menos numa mesma quantidade, dobrando o número. A atenção para o patrulhamento deveria ter igual prioridade que o narcovarejo e os 6 mil homicídios dolosos que ocupam as estatísticas publicadas.
 
11. Sempre é hora de começar de novo. Se os JJOO-2016 servem como horizonte, não há porque não se rever e redefinir a política de segurança pública, que de qualquer forma, terá que ter o fator humano -treinamento, remuneração, qualificação- como fator central. E o personagem pode até ser o mesmo, se tiver humildade para começar de novo.
 
12. Não se cita o governador, pois a SSP é autônoma e ele pouco é informado e por isso sempre repete a ladainha: “não abro mão da política de confronto”, como se o confronto fosse uma política.

Roubaram até o cachorro

No final da noite de ontem, mesmo dia em que o blog Ponto de Vista (aqui) alertou sobre a ação crescente dos bandidos na cidade, que já migrou das ruas para dentro das casas, dois homens encapuzados pularam o muro e invadiram uma residência na Estância da Penha, fazendo refém o casal de moradores. Eles foram dominados e amarrados dentro do banheiro, enquanto os ladrões levavam dinheiro, jóias, eletrodomésticos, o carro da família (a Paraty KSQ 5555) e até o cachorro que estava no quintal.

A continuar como está, ontem foram eles, amanhã pode ser você!

Folha no Ar e Vento Nordeste, além do Opiniões

De Grussaí e Atafona para o mundo: Rodrigo Gonçalves (foto de Silésio Corrêa para a Folha da Manhã) e João Noronha (na lente de Leonardo Berenger, também a serviço da Folha)
De Grussaí e Atafona para o mundo: Rodrigo Gonçalves (foto de Silésio Corrêa para a Folha da Manhã) e João Noronha (na lente de Leonardo Berenger, também a serviço da Folha)

Mentor de todo o projeto na nova Folha Online, diretor financeiro e de tecnologia da Folha e tricolor que anda vivendo à base de anti-depressivo, Christiano Abreu Barbosa saudou o nascimento deste espaço (aqui), onde minhas mal traçadas linhas cumprem papel de coadjuvante de pouco brilho ao traço do chargista José Renato. Ressalvada a generosidade de um irmão para com outro, agradeço a lembrança elogiosa, muito embora tenha que alertar sobre o esquecimento da menção devida aos blogs Folha no Ar e Vento Nordeste, também hospedados no site da Folha.

O primeiro é assinado pelo jornalista Rodrigo Gonçalves, titular do programa e maior responsável por seu sucesso, enquanto o segundo pertence ao escritor e também jornalista João Noronha, arauto dos mistérios de Atafona. Ambos estrearam no último domingo, junto a este Opiniões.

Magal do Folha no Ar

Magal no foco de Genilson Pessanha (arquivo da Folha da Manhã)
Magal no foco de Genilson Pessanha (arquivo da Folha da Manhã)

Daqui a poucos minutos, às 16h, quem estará no Folha no Ar, com transmissão ao vivo pelo TV Planície, TV Litoral, Folha Online e Rádio Continental, será o líder da oposição na Câmara, Jorge Magal. Entrevistado pelos jornalistas Rodrigo Gonçalves e Alexandre Bastos, o vereador tentará dizer, afinal, quem é que preside o PMDB no município: ele (a mando de Anthony Garotinho) ou Alexandre Delvaux (representando o deputado Jorge Picciani e o governador Sergio Cabral).

Titular do Folha no Ar, que vem comandando com grande competência, Rodrigo já fez o anúncio no blog do programa (aqui).

Cadê Bacellar???

Quando o procurador Francisco de Assis Pessanha Filho (na foto de Antonio Cruz, para a Folha da Manhã) finalmente apareceu na Câmara, o vereador Bacellar não foi
Quando o procurador Francisco de Assis Pessanha Filho (na foto de Antonio Cruz, para a Folha da Manhã) finalmente apareceu na Câmara, o vereador Bacellar não foi

Na sessão da Câmara prolongada de hoje, que só acabou agora há pouco, com a aguardada presença do procurador Francisco de Assis Pessanha Filho, para responder às cobranças pelas terceirizações do governo municipal, a ausência mais sentida foi a do combativo vereador de oposição Marcos Bacellar (PTdoB). Em ligação do jornalista Alexandre Bastos, que daqui a pouco vai revelar os bastidores da sessão em seu blog (aqui), Bacellar disse que quer fazer suas cobranças não a um “funcionário” de Rosinha (o procurador), mas à própria prefeita. Em sua visão,  a decisão pelas terceirizações não é técnica, mas política.

O blog só acha que o vereador poderia ter ido à Câmara dizer isso pessoalmente.

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