Na 1ª pesquisa após Carnaval, Flávio passa Lula ao 2º turno

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Pela primeira vez, desde a campanha eleitoral de 2022, uma pesquisa presidencial de instituto idôneo apontou um cenário de 2º turno com Lula (PT) numericamente atrás. Ainda que por apenas 0,1 ponto, em empate técnico e quase numérico, a AtlasIntel divulgada hoje (25) projetou o 2º turno de 2026 com 46,3% ao senador Flávio Bolsonaro (PL) e 46,2% ao atual presidente.

Pesquisa após crítica à família e aos cristãos no Carnaval — Registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-07600/2026, com margem de erro de 1 ponto para mais ou menos, a AtlasIntel ouviu 4.986 brasileiros entre os dias 19 e 24. É a 1ª pesquisa a presidente depois do desfile da Acadêmicos de Niterói, que abriu o Carnaval do Rio no último dia 15, com a homenagem a Lula e sua ala “neoconservadores em conserva” em crítica aberta à família e aos cristãos.

 

Na ala “neoconservadores em conserva” do desfle da Acadêmicos de Niterói na em homenagem a Lula, a crítica aberta à família (Foto: Reprodução)

 

Vantagem de Lula a Flávio no 2º turno evapora após Carnaval — Ainda que a pesquisa não tenha feito nenhuma pergunta específica sobre o desfile polêmico da escola que acabou rebaixada, seus efeitos parecem claros nos números. Na série AtlasIntel, Lula bateria Flávio no 2º turno de outubro por 49,2% a 44,9% em janeiro. Estes 4,3 pontos de vantagem se evaporaram em fevereiro, após o Carnaval do Rio: Lula perdeu 3 pontos no último mês, enquanto Flávio ganhou 1,4 ponto.

Maioria desprova o Lula 3, que cai em aprovação — A crítica carnavalesca aberta à família e aos cristãos em homenagem a Lula pareceu também se refletir na sua aprovação de governo. Entre as pesquisas AtlasIntel de janeiro e fevereiro, os que desaprovam o Lula 3 oscilaram 0,8 ponto para cima: de 50,7% à maioria dos atuais 51,5% dos brasileiros. Enquanto os que aprovam o atual Governo Federal caíram 2,1 pontos: dos 48,7% de janeiro aos 46,6% de fevereiro.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Lula lidera no 1º turno, mas cai e Flávio cresce — Embora Lula ainda lidere fora da margem de erro, entre 5,6 a 14 pontos, todos os cinco cenários de 1º turno com seu nome, um deles sem Flávio, a diferença para este também caiu na série AtlasIntel. No cenário 1, entre janeiro e fevereiro, Lula passou de 48,8% das intenções de voto no 1º turno aos atuais 45%, queda de 3,8 pontos. Enquanto Flávio cresceu 2,9 pontos: dos 35% de janeiro aos 37,9% de fevereiro.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

No cenário 2 de 1º turno, entre janeiro e fevereiro, Lula caiu 3,7 pontos: de 48,8% de intenção aos atuais 45,1%. Enquanto Flávio cresceu 4,5 pontos: dos 35% de janeiro aos 39,5% de fevereiro. Os cenários 3, 4 e 5 de 1º turno da AtlasIntel de fevereiro não foram testados em janeiro, sendo impossível saber a evolução dos seus números.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Lula lidera rejeição, em empate técnico com Flávio — Se foi numericamente ultrapassado por Flávio na simulação do 2º turno, em empate técnico por margem decimal, Lula teve situação parecida na rejeição. Que é fundamental ao 2º turno e na qual o petista lidera com 48,2% dos brasileiros que não votariam nele de jeito nenhum. É outro empate técnico, na margem de erro, com os 46,4% de rejeição de Flávio, 2º colocado no índice negativo.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

O que preocupa e amendronta mais: Lula ou Flávio? — À pergunta específica da AtlasIntel, “qual dos resultados possíveis te causa mais medo e preocupação?”, 47,5% dos brasileiros responderam: “A reeleição do presidente Lula”. Fora da margem de erro da pesquisa, ficou numericamente próximo dos 44,9% (2,6 pontos abaixo) que responderam: “A eleição de Flávio Bolsonaro”.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE

Análise do especialista — “A AtlasIntel testou quatro cenários de 1º turno com Lula e Flávio e um de 1º turno com Lula e Tarcísio. Em todos os cenários testados, Lula lidera as intenções de voto. Por outro lado, nos cenários de 2º turno, na comparação com a AtlasIntel de janeiro, a intenção de voto de Lula recuou a ponto de ser ultrapassado numericamente por Flávio. Os dois, neste momento, apresentam num cenário de empate técnico”, resumiu William Passos, geógrafo em especialização doutoral em estatística no IBGE.

“Acrescenta-se que a desaprovação a Lula supera os 50% e que Lula também lidera a rejeição sobre Flávio, por 2 pontos de diferença: 48% a 46% em números redondos. Por sua vez, a reeleição de Lula causa mais medo ou preocupação na população do que a eleição de Flávio por 3 pontos percentuais de diferença: 48% a 45% em números redondos”, completou William.

 

Felipe Fernandes: “Bugonia” — O Oscar e o terraplanismo

 

 

 

Felipe Fernandes, cineasta publicitário e crítico de cinema

“Bugonia” — O Oscar e o terraplanismo

Por Felipe Fernandes

 

O cinema do cineasta grego Yorgos Lanthimos tem uma identidade marcante. Ele cria situações desconfortáveis que parecem seguir regras próprias. O absurdo vai além da estética, serve para revelar o quão estranhas podem ser as normas sociais quando levadas ao extremo. Seus filmes funcionam como alegorias, muitas vezes atreladas a instituições sociais, como a família, ou a outros temas, como relacionamentos, poder, controle social e patriarcado. Ele exagera regras sociais para mostrar o quanto elas podem ser opressivas, arbitrárias e, muitas vezes, sem sentido, em uma provocação do cotidiano, em situações que transitam entre a realidade e o bizarro.

Em seu novo filme, Bugonia, o diretor tem como alvo as teorias da conspiração, a paranoia contemporânea e a desconfiança nas instituições, tudo isso relacionado à desinformação, à desigualdade social e a uma radicalização de crenças que fortalece a polarização e a construção de narrativas cada vez mais absurdas e desconectadas da realidade. O longa é um remake de uma comédia sci-fi sul-coreana de 2003, que atualiza muitos de seus temas e prova como toda essa loucura que hoje encontramos no mundo real ( principalmente na internet) é resultado de uma sociedade cada vez mais fragmentada.

O filme parte de dois personagens marginalizados que, liderados por um conspiracionista, resolvem sequestrar a CEO de uma grande empresa, pois acreditam que ela seja uma alienígena, membra de uma raça que quer dominar a Terra. Esse tipo de delírio não chega a ser novidade, principalmente em uma sociedade tão aficionada por alienígenas quanto a estadunidense.

Um dos principais acertos do longa está na abordagem de Lanthimos, que não trata a dupla de sequestradores como caricaturas nem os encara com desdém. São dois homens excluídos, produtos de uma sociedade que os ignora, com traumas e vidas difíceis. Nesse sentido, a proposta do diretor de trabalhar essa história próxima de um realismo reconhecível e opressivo funciona para tornar mais aceitável todo o discurso dos dois e também para humanizar personagens disfuncionais, estranhos em sua essência.

Toda aquela ideia parece dar algum sentido a tudo o que eles vivem. Como se, ao serem excluídos, conseguissem enxergar além da superfície e essa descoberta se tornasse uma válvula de escape para toda a frustração. Lanthimos não trata a conspiração como piada, mas como estrutura psicológica e política. A escolha de uma CEO não é ao acaso, já que ela representa o extremo oposto da sociedade em que vivem, como representante de uma classe social totalmente alheia e não pertencente à realidade daquelas pessoas. Ela já é percebida como algo não humano.

Outra escolha interessante é que o filme funciona como uma fake news. Nesse sentido, o espectador ocupa uma posição muito próxima à dos personagens, sem nenhum tipo de prova, por mais absurdo que tudo pareça. Conforme a narrativa progride, tudo se torna mais confuso, a dúvida cresce e, dentro dessa situação, o filme nunca escolhe um lado moral, não há catarse, lição de moral ou redenção. Ele brinca com as percepções dentro da própria história e, como em um universo ficcional que funciona como reflexo da nossa realidade, a conspiração pode ganhar outros contornos.

O filme traz o humor ácido do diretor, que provoca desconforto e reflexão. A cena do sequestro tem um certo tom jocoso, que contrasta com as ações dos personagens. Tudo acontece de forma desajeitada, bastante amadora, em uma ação violenta. É engraçado porque é amador, mas esse mesmo amadorismo torna a situação crível. O filme reforça o humor em momentos que não deveriam ser engraçados, escancarando o ridículo daqueles personagens e da situação.

Bugonia é uma crítica social desconfortável e bastante atual. Dialoga com a paranoia contemporânea e a desinformação, em um tempo em que o absurdo perdeu a vergonha e se exibe em nossas vidas e em nossas telas. Nesse jogo de crenças, em que todos parecem impor o que acreditam à força, o filme não busca respostas: apenas faz humor, provoca reflexão e prova o quão ridículo pode ser o ser humano.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Confira o trailer do filme:

 

 

Lívia Nunes — Eternamente em três textos de prosa poética

 

Mariana Lima bailarina em Atafona (Foto: Lívia Nunes)

 

 

Líva Nunes, jornalista

Eternamente

Por Lívia Nunes

 

Quem sabe um dia

Era tão cedo quando acordei. Nem sei se cheguei a dormir. Tão logo abri os olhos, busquei o chão com os pés. Corri para ser só, minha. Ainda assim, não me tive e nunca me dei. Essas emoções ainda gritam no silêncio. Não decifrei meu querer, nem meu sonho. Nunca os encarei nos olhos. Tudo que eu quis e não consegui foi “ser”. Para então, quem sabe, me “dar”.

 

Olhe para trás

Inclina o pescoço, contorcendo-o como roupa molhada nas mãos da lavadeira. Os olhos voltados ao chão e o ar possuindo-a pela boca. Escorre os dedos entre os cachos do cabelo e, discretamente, olha para trás. O passado é sedutor, mas a ele cabe apenas uma troca de olhares levemente embriagados. A cada passo à frente: memórias, pessoas e eternidades se desfazem, deixando rastro, como cauda de cometa. Ontem, ao lado do seu homem, ergueu-se na cama para ver melhor a luz dourada que entrava pela janela e pensou: esse momento é eterno.

 

Eternamente presente

Quais imagens ficam com tantos sóis que nascem, tantos sóis que morrem nos dias que vão em frente? Quantos mares podem ser eternos se a cada novo olhar serão outras as retinas? Outra será a mulher; outro será o mar. Quantas eternidades podem se guardar num ser infinito de tempo findo?

 

Pesquisas — Lula x Flávio a presidente do Brasil e nos estados

 

Lula e Flávio Bolsonaro

 

Entre os quatro institutos que mais acertaram (confira aqui) o resultado final das eleições presidenciais do Brasil em 2022, o Quaest divulgou na quarta (11) sua pesquisa (confira aqui) de fevereiro de 2026. E, a pouco mais de 7 meses à urna de 4 de outubro, acendeu o sinal amarelo à reeleição de Lula (PT). Que, patinando em todas as métricas desde dezembro (confira aqui, aqui, aqui e aqui, aqui e aqui) viu em várias delas o crescimento real do senador Flávio Bolsonaro (PL).

Jogando parado nos últimos dois meses, Lula liderou todos os sete cenários de 1º turno da Quaest de fevereiro, feita entre os dias 5 e 9, com 2.004 eleitores e margem de erro de 2 pontos para mais ou menos. E, nela, registrou um único empate técnico já no 1º turno: 37% a 33% contra Flávio.

Lula também liderou todos os sete cenários de 2º turno da Quaest. Neles, sua menor diferença, de 5 pontos, a 1 ponto do empate técnico no limite da margem de erro, também foi contra Flávio: 43% do petista a 38%. Porém, essa diferença era de 10 pontos em dezembro: Lula 46% x 36% Flávio. Em dois meses, caiu pela metade.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Quando todas as pesquisas apontavam que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (REP), era o nome de oposição mais competitivo contra Lula, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ungiu, da cadeia, Flávio (confira aqui) seu candidato. Era 5 de dezembro. Na Quaest daquele mês, a escolha foi considerada um erro para 54% dos brasileiros.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Comparada com a Quaest de fevereiro, os eleitores que consideram como erro a escolha de Bolsonaro pelo filho 01 como seu candidato a presidente caíram para 42%. É uma queda de 12 pontos em Flávio como erro de Jair. Um movimento de dois dígitos em apenas dois meses, em qualquer pesquisa eleitoral do mundo, nunca é trivial.

Nenhum outro movimento na série histórica das pesquisas Quaest, entre dezembro e fevereiro, ilustra melhor o crescimento de Flávio. E sua consolidação como candidato competitivo. Sobretudo porque, entre os demais nomes de oposição testados nos cenários de 1º turno, nenhum bateu dois dígitos de intenção de voto.

Entre os nomes da 3ª via da direita e centro-direita, o governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), foi quem melhor pontuou. Testado em duas das sete simulações de 1º turno da Quaest, ele teve 8% de intenção em uma (contra 35% de Lula e 29% de Flávio) e 7% em outra (contra 37% de Lula e 31% de Flávio).

Em outras palavras, mesmo líder do bloco retardatário, Ratinho larga muito distante, mais de 20 pontos atrás, dos dois líderes adiantados da corrida presidencial. Numa extenuante maratona de largada queimada pela polarização política do país.

Os problemas de Lula não se resumem à substantiva capacidade de transferência de intenção de voto (e de rejeição) de Jair, mesmo preso, a Flávio. Como foi a de Lula, mesmo preso, a Fernando Haddad (PT), quando atropelou Ciro Gomes (hoje, PSDB) no 1º turno para fazer e perder o 2º turno presidencial contra Bolsonaro em 2018.

Na transição de 2025 a 2026, mesmo sempre líder, Lula patinou os últimos dois meses em importantes métricas. Entre dezembro e fevereiro, a desaprovação ao seu governo se manteve estática nos mesmos 49% dos brasileiros. Por outro lado, sua aprovação caiu 3 pontos no período: de 48% em dezembro a 45% em fevereiro.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

À pergunta da série Quaest, “Lula merece continuar mais 4 anos como presidente?”, se deu a resposta mais dura à perspectiva de reeleição. Dos 56% dos brasileiros de dezembro aos 57% de fevereiro que disseram que não merece, se cristaliza uma maioria contrária ao Lula 4. São 18 pontos a mais que os 39% que, hoje, dizem que o presidente merece continuar.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Outra pergunta da série Quaest revela o equilíbrio da polarização política do Brasil até no temor. “O que te dá mais medo hoje: Lula continuar ou a família Bolsonaro voltar?” De dezembro a janeiro, os que tinham mais medo do retorno dos Bolsonaros foram de 46% a 44%. E os que têm mais medo de Lula continuar passaram de 40% a 41%. É um empate técnico até no pavor que um grupo no poder causa aos eleitores do outro.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Hoje, essa situação se reflete também na rejeição. Líderes nas intenções de voto em todas as 14 simulações de 1º e 2º turno, Lula e Flávio também lideram entre os brasileiros que dizem conhecê-los e não votariam. Nessa métrica, Flávio lidera numericamente a rejeição, com 55%, só 1 ponto a mais que os 54% de Lula.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Antes da polarização política, no Brasil e no mundo, a partir da metade dos anos 2010 e do algoritmo do ódio das redes sociais que faz a fortuna das Big Techs, o limite prudencial para se vencer uma eleição em dois turnos era de até 35% de rejeição. Pois é ela, a rejeição, que fixa o teto de crescimento dos dois candidatos que passam ao 2º turno.

Em qualquer eleição em dois turnos, rejeição de 50% ou mais seria a impossibilidade matemática do candidato vencer o turno final. A não ser, como a Quaest hoje revela ser com Lula e Flávio, que ambos tenham empate técnico em duas rejeições acima dos 50%. Assim, a única chance que um teria de se eleger no 2º turno seria contra o outro.

Da eleição dos governadores dos estados à do presidente da República, Lula pode ter outro problema adicional. O ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União) é competitivo em todas as pesquisas (confira aqui) contra a reeleição do governador petista da Bahia, Jerônimo Rodrigues. Como, também nas pesquisas, Ciro Gomes é igualmente competitivo (confira aqui) contra a reeleição do governador petista do Ceará, Elmano Reis.

A Bahia é o maior colégio eleitoral do Nordeste, enquanto o Ceará é o 3º. Se o PT perder o Executivo nesses dois estados, por mais que o voto entre governador e presidente não seja necessariamente casado, Lula correria o sério risco de perder, em 2026, a grande vantagem que teve na região Nordeste na eleição presidencial de 2022.

Tirado da disputa presidencial na pesquisa Quaest de fevereiro, a partir da definição do nome de Flávio como candidato de Bolsonaro, Tarcísio é franco-favorito (confira aqui) nos levantamentos de todos os institutos à reeleição como governador de São Paulo, maior colégio eleitoral do Brasil.

O 2º maior colégio eleitoral do país é Minas Gerais. Que elege o presidente do Brasil há 71 anos, como foi com Lula no 2º truno de 2022, a despeito da reeleição de Romeu Zema (Novo) ainda no 1º turno daquele ano. Hoje, quem lidera as pesquisas a governador mineiro (confira aqui) para outubro de 2026 também é um conservador: o senador Cleitinho (REP).

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Deputada Heloísa Helena quer saída imediata de Toffoli do caso Master

 

Deputada federal Heloísa Helena e o ministro do STF Dias Toffoli (Montagem: Joseli Matias)

 

Antes mesmo dos novos fatos relacionados a Dias Toffoli (confira aqui) serem apresentados pela Polícia Federal (PF), a deputada federal Heloísa Helena (Rede-RJ) já havia encaminhado representação à Procuradoria Geral da República (PGR), no dia 29 de janeiro, pedindo a suspeição do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) na condução do inquérito que apura irregularidades praticadas pelo Banco Master. Agora, mais uma vez, ela (que falou sobre o caso Master em entrevista ao programa Folha no Ar de 6 de janeiro) defende a saída imediata do ministro da relatoria do caso no STF.

— Há mais de 15 dias pedimos que o relator do caso fosse substituído na mais alta Corte do país, para que não pairasse qualquer dúvida sobre a lisura do processo. Em janeiro, eu e as deputadas Fernanda Melchionna (Psol-RS) e Sâmia Bonfim (Psol-SP) protocolamos a representação na PGR pedindo a saída do ministro do caso — lembra a deputada federal Heloísa Helena.

O pedido das parlamentares foi o primeiro relacionado ao tema feito por parlamentares de esquerda. As deputadas Heloisa Helena (confira aqui) e Fernanda Melchionna também estão finalizando a coleta de assinaturas para a instalação de uma CPMI na Câmara dos Deputados para “desvendar os esgotos do Banco Master e para que o povo brasileiro possa, didaticamente, acompanhar e não permitir que tanta promiscuidade volte a acontecer no país”.

A Polícia Federal apresentou ao ministro Edson Fachin, presidente do STF, relatório que revela que o nome do ministro Dias Toffoli foi mencionado em mensagens e diálogos extraídos do celular do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. O ministro assumiu, nesta quinta-feira (12), ser sócio da empresa Maridt, que vendeu participações por meio de fundos no resort Tayayá, no Paraná, para Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro.

 

Da assessoria da deputada federal Heloísa Helena.

Deputado Vitor Júnior fecha a semana do Folha no Ar nesta 6ª

 

(Arte: Joseli Matias)

 

Deputado estadual e pré-candidato a deputado federal, Vitor Júnior (PDT) é o convidado para fechar a semana do Folha no Ar nesta sexta (13), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3.

Campista de nascimento, ele falará da sua ligação com a cidade natal, sua vida pública construída em Niterói, sua atuação na Alerj e (confira aqui) sua pré-candidatura a deputado federal.

Vitor também tentará projetar a eleição indireta na Alerj (confira aqui e aqui) a governador-tampão do RJ, se Cláudio Castro (PL) sair do cargo até 4 de abril para se candidatar ao Senado, assim como a eleição direta ao cargo, pelo voto popular, na urna de 4 e outubro.

Por fim, o deputado tentará projetar também a eleição às duas cadeiras ao Senado pelo RJ e (confira aqui e aqui) a presidente da República.

Quem quiser participar do Folha no Ar desta sexta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.

 

Quaest: Lula ainda lidera, mas Flávio cresce e diminui diferença

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Divulgada hoje (11), a 7 meses e 21 dias da urna de 4 de outubro, a nova pesquisa Quaest confirmou a liderança do presidente Lula (PT) em sete cenários de 1º turno, mas em empate técnico com o senador Flávio Bolsonaro (PL) em um deles, por 37% a 33%. Acima da margem de erro, Lula liderou todos os sete cenários de 2º turno da pesquisa. Mas sua menor vantagem, hoje, também é contra Flávio: 43% a 38%.

Lula 3 tem 49% de desaprovação — Na primeira pesquisa presidencial Quaest sem os nomes do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (REP), e da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), além da transferência de votos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para o filho 01, Lula tem outros obstáculos à reeleição. Sua aprovação de governo caiu 2 pontos de janeiro a fevereiro: de 47% a 45%, com a desaprovação estabilizada em 49% dos brasileiros.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Lula não merece continuar para 57% — Outro problema à reeleição do atual presidente? À pergunta da Quaest “Lula merece continuar mais 4 anos como presidente?”, a maioria de 57% dos brasileiros respondeu em fevereiro que não — eram 56% em janeiro, 1 ponto a menos. Os que acham que Lula merece continuar presidente, hoje, são a minoria de 39%, 1 ponto a menos que os 40% de janeiro. Os que não souberam responder eram e se mantiveram em 4%.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Flávio sobe 12 pontos como acerto — A opinião do eleitor se Bolsonaro acertou ou errou ao escolher Flávio como seu candidato a presidente também vem melhorando sensivelmente ao acerto. Em dezembro, quando o ex-presidente anunciou o filho como candidato, 54% dos brasileiros achavam que foi um erro. Em fevereiro, 42% ainda acham isso — em apenas dois meses, 12 pontos a menos. E é um empate técnico com os atuais 44% que acham que Bolsonaro acertou com Flávio, 8 pontos a mais que os 36% de dezembro.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Mais medo de Lula ou Bolsonaros? — A pesquisa Quaest fez outra pergunta: “O que te dá mais medo hoje: Lula continuar ou a família Bolsonaro voltar?” Entre janeiro e fevereiro, os que tinham mais medo da volta dos Bolsonaros caíram 2 pontos: de 46% aos atuais 44% dos brasileiros. É outro empate técnico com os 41% que, hoje, têm mais medo de Lula continuar, 1 ponto a mais que os 40% de janeiro.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Dados da pesquisa — A pesquisa Quaest foi feita entre 5 a 9 de fevereiro, ouvindo 2.004 eleitores em entrevistas presenciais e domiciliares, com margem de erro de 2 pontos para mais ou menos. Ela foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-00249/2026.

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE

Análise do especialista — “A Quaest de fevereiro testou sete cenários de 1º turno e sete cenários de 2º turno. Na comparação com a Quaest de janeiro de 2026, a diferença entre Lula e Flávio diminuiu dentro da margem de erro, mas na comparação com a Quaest de dezembro de 2025 a redução da diferença no 2º turno entre os dois caiu de 10 para 5 pontos. A este respeito, apesar da alta rejeição do bolsonarismo, destaca-se que Flávio tem menor conhecimento do eleitorado e, consequentemente, potencial de ampliação da intenção de voto”, apontou William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE.