Três meses depois, mulher de Moraes admite contrato com Master de Vorcaro

 

Ministro do STF Alexandre de Moraes, sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, e ex-o cliente do escritório desta, a R$ 3,6 milhões/mês, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro (Montagem: Joseli Matias)

 

Desde que a jornalista Malu Gaspar revelou em 9 de dezembro (confira aqui ou aqui) o contrato do liquidado Banco Master de R$ 3,6 milhões/mês com o escritório de advocacia da esposa e dois filhos do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, a profissional da imprensa passou a ser atacada nas redes sociais (confira aqui e aqui) por perfis de esquerda, ao estilo do “gabinete do ódio” bolsonarista. Só que, hoje, o próprio escritório Barci de Moraes admitiu em nota pública (confira aqui) que o contrato existia.

Versão da mulher de Moraes — O escritório de Viviane Barci, esposa de Moraes, disse ter produzido 36 pareceres jurídicos e opiniões legais para o Banco Master. A advogada também ressaltou na nota do seu escritório que promoveu 79 reuniões semipresenciais na sede da instituição financeira (Banco Master), além de dois encontros por videoconferência.

Ao todo, foram contratados ainda outros três escritórios especializados em consultoria, que ficaram sob a coordenação do Barci de Moraes Sociedade de Advogados. “O escritório esclarece ainda que nunca conduziu nenhuma causa para o Banco Master no âmbito do Supremo Tribunal Federal”, disse a nota do escritório da esposa e de dois dos seus três filhos com o ministro Alexandre de Moraes.

Desde 15 de março de 2025, supeição para julgar Bolsonaro — Em 15 de março do ano passado, em texto intitulado  “De Lula a Bolsonaro, Brasil entre a justiça e a vingança”, o blog trouxe (confira aqui) as advertências de juristas nacionalmente respeitados, como o desembargador aposentado do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP) Wálter Maierovitch e Aury Lopes Jr., doutor em Direito Processual Penal e professor da PUC do Rio Grande do Sul. Ambos diziam que que Moraes, na condição parcial de vítima, deveria se declarar suspeito de atuar no julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por tentativa de golpe de Estado.

Pelo espelho retrovisor, Xandão e Super Moro — Os avisos desses e de vários outros juristas capacitados (confira aqui e aqui), foram ignorados por Moraes e seus defensores como Xandão, o “herói da democracia” do STF. Reflexo ao espelho, mesma imagem em direção (política) invertida, de quando o hoje senador e ex-juiz federal da 13ª Vara de Curitiba, Sérgio Moro, era reverenciado durante e depois da operação Lava Jato (2014/2021), como “Super Moro”.

O fato é que, mesmo como vítima do planejamento da tentativa do seu sequestro e homcídio pela (confira aqui) Operação Punhal Verde e Amarelo, Moraes foi o relator do julgamento de Bolsonaro e cúmplices por tentativa de golpe de Estado, entre 2022 e 2023, na 1º Turma do STF. Que, em 11 de setembro de 2025, por 4 votos a 1, condenou (confira aqui e aqui) o ex-presidente a 27 anos e três meses de prisão.

Biruta moral pelo vento do interesse político — Foi isso que fez, sobretudo entre os eleitores do presidente Lula (PT), Moraes ser reverenciado, com a biruta moral entre garantismo e punitivismo variando ao sabor do interesse político da Lava Jato à tentativa de golpe. E Malu Gaspar ser por estes mesmos eleitores de Lula atacada, exatamente como foram, em passado recente, as jornalistas Patrícia Campos Mello (relembre aqui) e Vera Magalhães (relembre aqui), entre outras, pelos bolsonaristas.

“Quebrar todos os dentes” do jornalista Lauro Jardim — De volta ao contrato de valor inusitado (R$ 129 milhões em três anos) do Banco Master com o escritório da esposa e dos filhos de Moraes, hoje admitido após três meses da sua revelação pela Malu Gaspar, somam-se outros fatos. Inclusive as ameaças de Vorcaro em mensagens de celular periciadas pela Polícia Federal (PF) trocadas com o recentemente falecido Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário” (codinome e sinônimo de “assassino”), para (confira aqui) simular um assalto e “quebrar todos os dentes” de outro jornalista, Lauro Jardim.

Por que Gonet e Toffoli ignoraram gravidade dos fatos? — Relatados pela PF, esses fatos foram aparentemente ignorados pelo procurador-geral de República (PGR), Paulo Gonet (confira aqui). Como pelo antigo relator do caso Master no STF, o ministro Dias Toffoli (confira aqui). Que só mesmo dia 12 em que seria afastado do caso (confira aqui) por seus pares, admitiu ser sócio (confira aqui) da Maridt Participações, empresa familiar dirigida pelos irmãos do magistrado que fez negócios com um fundo gerido pela empresa Reag, ligada ao Banco Master.

Ministro “terrivelmente evangélico” não ignora — No entanto, a gravidade dos fatos envolvendo Vorcaro, parceiro de negócios de Toffoli e contratante a R$ 3,6 milhões/mês do escritório da mulher de Moraes, não foi ignorada pelo novo relator do caso no STF, o ministro “terrivelmente evangélico” de Bolsonaro (relembre aqui), André Mendonça. Que, no último dia 4, mandou prender preventivamente Vorcaro (confira aqui). Assim como “Sicário”, morto após suposta tentativa de suicídio (confira aqui) já no 1º dia da sua detenção, em uma cela da Superintendência da PF em Minas Gerais.

De Vorcaro a Moraes: “Conseguiu bloquear?” — No dia 6, novamente a jornalista Malu Gaspar revelou (confira aqui ou aqui) que, em 17 de novembro, dia da 1ª prisão de Vorcaro, este teria trocado, segundo a perícia da PF, várias mensagens com Moraes. Entre elas, o ex-banqueiro, com modus operandi de miliciano, teria indagado ao “herói da democracia” do STF: “Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”

Análise do jursta — A partir de todas essas novas relevações, o jurista Wálter Maierovitch, também colunista do portal UOL, fez uma nova advertência no dia 7 (confira aqui) sobre Moraes e sua atuação no STF:

— A esposa dele (de Alexandre de Moraes), em janeiro de 2024, ela (Viviane Barci de Moraes) celebrou um contrato (com o Master). E depois, em novembro, começou, e a PF apresenta isso, diálogos entre o Moraes e o Vorcaro. No sentido de que Moraes estaria por dentro de toda a atividade do Vorcaro e dando-lhe conselhos, orientações. Existe até uma mensagem, que é a última delas, que parece dar indicativos de que houve, sim, a troca. O Moraes interagiu com ele, respondia a ele, embora essas mensagens tivessem sido apagadas. A situação do Moraes é delicadíssima.

Ou pede o boné ou impeachment? — O desembargador aposentado do TJ/SP seguiu em sua análise jurídica do envolvimento de Moraes com o Master e suas consequências:

— Ele (Moraes) deveria, de pronto, se licenciar. E, imediatamente, também, ou se licencia, ou se exonera. Exoneração é um termo técnico. No popular, é demissão. Ou seja, pede o boné, deixa a toga na cadeira e vai embora. Porque, diante de tudo isso, os indicativos são fortíssimos de crime; crime de advocacia administrativa. E esse crime prevê que aquele que patrocina, que participa de uma forma direta ou indireta. E no caso são duas. Diretamente pela mulher e indiretamente debaixo da toga. Nós só temos uma saída, que se chama impeachment, que é pelo Senado — indicou Maierovitch.

 

Datafolha: Flávio cresce e tem empate técnico com Lula no 2º turno

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Após o carnaval, AtlasIntel (confira aqui), Paraná (confira aqui e aqui) e Real Time Big Data (confira aqui) tinham registrado o crescimento da pré-candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL), tirando diferença da liderança de Lula (PT) ao 1º turno e em empate técnico com este ao 2º turno. Hoje (7), foi a vez da Datafolha confirmar a tendência. Pela pesquisa, se o 2º turno fosse hoje, seria Lula 46% x 43% Flávio, empate técnico na margem de erro de 2 pontos para mais ou menos.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Dados da pesquisa — Divulgada hoje, a exatos 6 meses e 28 dias da urna de 4 de outubro, a pesquisa Datafolha foi feita presencialmente com 2.004 eleitores de 16 anos ou mais, em 137 municípios do Brasil, entre os dias 3 e 5 de março. E foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-03715/2026.

Flávio cristalizado com Lula — A consolidação de Flávio como nome competitivo a presidente foi melhor traduzido pela consulta espontânea, em que o eleitor fala da própria cabeça em quem votará, da Datafolha. Onde seu nome não foi citado em dezembro. E agora, no início de março, ele surgiu com 12% de intenção de voto cristalizada, 13 pontos atrás dos 25% de Lula.

Intenção de voto em Jair a Flávio — A vantagem de Lula sobre Flávio na espontânea pode ser menor. O 3º colocado foi o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso após ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por tentativa de golpe de Estado, e hoje inelegível até 2030, ainda assim teve 3% de intenção de voto. Que, somados naturalmente ao filho 01, este diminuiria para 10 pontos a diferença que o separa do petista.

Lula lidera, mas perde vantagem ao 1º e 2º turno — Embora tenha liderado todos cinco cenários de 1º turno, como os sete de 2º turno testados pela Datafolha, Lula aparece com queda de vantagem em todos eles. No cenário hoje mais provável de 1º turno, Lula teve 38% de intenção, 6 pontos à frente de Flávio, com 32%.

Ao 1º turno — Lula e Flávio foram seguidos no cenário de 1º turno pelos governadores do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), com 7%; e de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), com 4%; além do presidenciável do Missão, Renan Santos, com 3%, todos em empate técnico. Fechou a lista o ex-ministro Aldo Rebelo (DC), com 2%.

Lula e Flávio lideram também rejeição — Se lideram as simulações de 1º turno, com boa vantagem sobre os demais, e empatam tecnicamente no 2º turno, o índice negativo que define este também tem Lula e Flávio à frente. Na rejeição, o petista lidera com 46% de eleitores que não votariam nele de jeito nenhum, só 1 ponto à frente dos 45% que não votariam em Flávio.

Rejeições menores no pelotão de baixo — Entre os presidenciáveis mais cotados, Ratinho Jr. teve 19% de rejeição, com 18% do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (REP); 17% de Zema; 15% do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD); 14% cada a Renan e ao governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD); e 12% de Aldo.

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE

Análise do especialista —  “A Datafolha de março aponta a consolidação da pré-candidatura de Flávio no campo oposto ao do presidente Lula. Na comparação com dezembro de 2025, Flávio cresceu 7 pontos na intenção de voto e agora empata tecnicamente com Lula num provável 2º turno. Flávio também cristalizou a intenção do voto espontâneo. Com rejeição também empatada tecnicamente entre Lula e Flávio, o Datafolha testou cinco cenários de 1º turno e sete cenários de 2º turno. Lula segue à frente em todos, mas com vantagem em queda”, resumiu William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE.

 

Irã interessa a Israel, não aos EUA, onde pode sair pela culatra em novembro

 

Ali Khamenei, Benjamin Netanyahu e Donald Trump

 

Iranianos não são ou falam árabe

Em 1935, a Pérsia virou Irã, para marcar sua origem étnica ariana, indo-europeia, branca, não árabe como a maioria dos ocidentais imagina. À exceção da prática religiosa islâmica, os iranianos não falam árabe, mas farsi, língua fundamentada no séc. 13 pelo poeta Rumi. Como foi o italiano pelo poeta Dante Alighieri no séc. 14, ou o português por Luís de Camões, no séc. 16.

 

Origens do Irã

A Pérsia se tornou muçulmana no século 7, logo após o profeta Muhammad (Maomé) fundar a nova religião. Mas tem História muito anterior a isso. Mais de mil anos antes, no séc. 6 a.C., coube a Ciro, o Grande, unificar os povos medos e persas. Sob a religião criada pelo profeta Zaratustra no século anterior, primeira fundamentada entre os conceitos de bem e mal.

 

Primeiro império da História

Meio milênio antes de Cristo, Ciro e seus sucessores fizeram da Pérsia o primeiro império digno do nome na História. Através da ligação comercial, viária e cultural entre o Mar Mediterrâneo, o Oceano Índico e o Golfo Pérsico. De onde, hoje, ataca o Irã o império da vez do séc. 21. Mas com este, os EUA, a serviço de uma potência regional do Oriente Médio: Israel.

 

Herói persa de judeus e cristãos

Israel é uma nação judia e os EUA têm maioria cristã. No livro sagrado de ambos, o Tanakh judeu, Velho Testamento cristão, o persa Ciro é enaltecido: Isaías (44:28; 45:1), Esdras (1:1-8; 3:7; 4:3-5; 5:13-17; 6:3-14), 2 Crônicas (36:22-23) e Daniel (1:21; 6:28; 10:1). Base moral que, no dia 28, não impediu o bombardeio de uma escola de meninas no sul do Irã, matando 175 inocentes.

 

Poder militar dos EUA

A morte no mesmo dia 28, primeiro dos ataques dos EUA e Israel, do aiatolá Ali Khamenei, ex-líder supremo do Irã, na capital Teerã, demonstra um poder e uma precisão militar talvez nunca antes vista na História. Como foi a captura — ou entrega? — de Nicolás Maduro dentro de Caracas em 3 de janeiro. Foi no primeiro dia das ações militares dos EUA na Venezuela.

 

Khamenei e Maduro são indefensáveis

Não há defesa ou relativização possíveis às ditaduras homicidas que Khamenei e Maduro comandavam em seus respectivos países. Como não há defesa, dentro do direito internacional, ao sequestro ou assassinato do líder de um país, em sua capital, por um poder estrangeiro. Dito isso, parece haver entre a submissão da Venezuela e a resistência do Irã uma diferença.

 

Comparação com a Rússia

A Rússia de Vladimir Putin está há mais de 4 anos numa guerra fraticida com a Ucrânia. E, a despeito de todo o grande poder militar russo, este jamais conseguiu tocar no presidente ucraniano Volodymyr Zelensky. O que, em contraste com os destinos fulminantes de Khamenei e Maduro, dá a dimensão do poder de Donald Trump à frente da máquina de guerra dos EUA.

 

Interessa a Israel, não aos EUA

Neutralizar o Irã, pela rivalidade e alcance regional, interessa a Israel e sua população. Mas não aos EUA e seu povo. Primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu estava com o cargo a perigo nas eleições parlamentares de 27 de outubro. Mas pode sair fortalecido se a teocracia dos aiatolás for substituída por um governo títere como o da venezuelana Delcy Rodríguez.

 

Israel primeiro racha o Maga

Trump foi eleito à Casa Branca pela 2ª vez prometendo ao eleitor deixar os EUA fora de guerras desnecessárias. E com o lema “America First” (“América Primeiro”), não “Israel First”. O que já é questionado abertamente dentro do seu movimento Maga (“Make America Great Again”, “Faça a América Grande de Novo”). Hoje, conjugado como Miga (“Make Israel Great Again”).

 

Intenção x realidade

Se já estava em crise de popularidade pelo envolvimento com a rede de pedofilia do ex-amigo Jeffrey Epstein e os assassinatos de cidadãos dos EUA pela milícia do ICE, Trump supôs que teria outra Venezuela. Mas, até aqui, o Irã levou a guerra a vários outros países do Oriente Médio e fechou o Estreito de Ormuz, onde passam 20% do petróleo consumido no mundo.

 

O tamanho e o custo do Irã

Maior que o estado do Amazonas, com mais de 1,6 milhão km2, o Irã é o 18º país do mundo em extensão, com 93 milhões de habitantes. Muitos analistas militares afirmam que não tem como ser submetido sem a invasão também por tropas terrestres. O que custaria vidas dos EUA. E votos em suas midterms, eleições parlamentares de meio de mandato presidencial.

 

Eleição pela culatra?

Em 3 de novembro, os estadunidenses elegerão todas as 435 cadeiras da Câmara de Representantes (deputados federais) e 35 das 100 cadeiras do Senado. Se perder a maioria legislativa, após já ter sido barrado em seu tarifaço pela Suprema Corte conservadora dos EUA, o poder militar ostentado por Trump no Irã, sob a mira de Israel, pode sair pela culatra. A ver.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Sem luz há mais de 2 meses, reparo no Museu começa com prazo de 10 dias

 

Após mais de dois meses sem luz por conta de furto de fios, o Museu de Campos começou ontem por passar por reformas, com prazo de conclusão para 10 dias (Foto: Rafael Khenaifes/Folha da Manhã)

 

Museu a mais 10 dias da luz

Hoje, se completam 2 meses e 10 dias do Museu Histórico de Campos sem energia elétrica, por conta de mais um furto de fios que se tornaram uma epidemia nos prédios do Centro de Campos. Ontem (6), começaram efetivamente (confira aqui) as obras da superintendência de Iluminação Pública para restaurar a energia no prédio histórico. Com previsão de conclusão em 10 dias.

 

Projeção inicial do prefeito

Na coluna de quarta (4), a coluna chegou a anunciar (confira aqui) o compromisso do prefeito Wladimir Garotinho (hoje, PP) pela restauração do prédio do Solar do Visconde de Araruama, construído no século 18: “A situação do Museu vai ser resolvida. Se o tempo ajudar, sem chuva, acredito que até domingo (8) deve ficar tudo pronto”.

 

Epidemia de furtos no Centro

Ocorre que, na manhã da mesma quarta, na primeira visita da equipe de Iluminação Pública ao local, foi constatado que outro furto havia ocorrido. Mesmo com o Museu já sob a vigilância da Guarda Civil Municipal, que se revelou ineficiente, os disjuntores e interruptores da caixa de força do prédio histórico no quadrilátero da Praça do Santíssimo Salvador.

 

Para o mesmo ou pior não acontecer

Por conta do novo furto, o prazo inicial dado pelo prefeito, como o trabalho da Iluminação Pública, teve que ser ampliado. Quando o Museu de Campos for finalmente dado novamente à luz, nada impede que o mesmo, ou coisa pior, como o roubo do seu acervo histórico, não possa acontecer. Se a segurança pública do prédio, como de todo o Centro, continuar como está.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Arthur Soffiati — Antes de EUA e Israel no Irã, Portugal no Golfo Pérsico

 

(Foto: Instagram)

 

 

Arthur Soffiati, historiador, professor e escritor

Irã, Israel, Estados Unidos e Portugal

Por Arthur Soffiati

 

Não tenho dúvidas sobre o interesse de Israel em destruir seu arqui-inimigo Irã, tanto quanto este alimenta o mesmo desejo contra Israel. Analistas têm mostrado que os Estados Unidos entraram numa guerra que não era propriamente deles.

Ao ver as armas de combate usadas pelo Tio Sam contra bases militares, prédios históricos e uma escola de meninas, comecei a pensar se os Estados Unidos não estariam mandando um recado para a China. Assim como as duas bombas atômicas lançadas sobre cidades japonesas foram um recado para a União Soviética.

São drones de última geração que vão na frente despistando as defesas do país, lançando bombas e abrindo caminho para jatos e mísseis superpotentes. A China está produzindo drones parecidos e quer fabricar um milhão deles. O recado seria mais ou menos o seguinte: “olha o que temos para bombardear vocês caso insistam em incorporar Taiwan”.

Hoje, sou plenamente cônscio do meu pacifismo, ao mesmo tempo em que analiso as estruturas e as conjunturas mundiais, nacionais e regionais. Vejo que o sistema do multilateralismo e do Direito Internacional está esfacelado. A ONU nunca teve força material para impedir conflitos entre países, mas tinha força moral para condená-los. No momento, ela soçobrou. Sua voz ficou débil.

Voltamos a um quadro internacional semelhante ao do século XIX. Talvez mais parecido com o do século XVIII, pois, em 1815, estabilizou-se a Ordem de Viena, formada por Inglaterra, Prússia, Áustria e Rússia, países vencedores da França Napoleônica. Essa Ordem garantiu estabilidade relativa até a eclosão da Primeira Guerra Mundial, em 1914.

No momento, temos falas fortes dos Estados Unidos, Israel, Reino Unido, França, Espanha, Rússia e China. Outras vozes menores não são ouvidas ou apenas são pronunciadas para assumir posição. A voz da ONU se mostra inaudível na atual conjuntura, em que a voz caótica dos Estados Unidos parece ecoar mais alto até mesmo contra aliados históricos, como a Otan.

Vejo como desastrosa as guerras da atualidade, embora não tenhamos vivido um ano sequer sem guerra desde 1945. Há 600 anos, declaramos guerra à natureza e ela, de maneira inconsciente, responde com ataques na forma de tempestades de vento e chuva e secas. Esta é, no meu entendimento, a maior guerra do nosso tempo. Apesar dos ataques da natureza.

Apesar de conhecermos as raízes da guerra, não estamos trabalhando para assegurar a viabilidade da economia de mercado, já que ela solapa qualquer acordo de paz. E continuamos atentos aos nossos mesquinhos interesses num mundo que sofre com eles.

Deixando clara minha posição de pacifista em todos os sentidos, permito-me retornar aos séculos XVI e XVII para mostrar o interesse do Ocidente pelo estreito de Ormuz. Antes mesmo da expansão da Europa, no século XV, o estreito e o Golfo Pérsico eram uma região de importância crucial para o comércio Leste-Oeste. Por ali, passavam as mercadorias produzidas na Ásia e consumidas na Europa.

 

Planisfério de Cantino (1502), já assinalando o Mar Vermelho e a ilha de Socotra (ou Socotorá) em vermelho e o Golfo Pérsico em azul, como áreas estratégicas

 

Quando Vasco da Gama alcançou o oeste da Índia, a conquista do estreito de Ormuz se mostrou imprescindível para Portugal. O ponto estratégico para o domínio do estreito era a ilha de Ormuz, que o historiador inglês Charles Boxer descreveu não parecer importante em si por produzir apenas sal e enxofre. Seu solo é também ferruginoso. Mas sua importância estratégica era enorme. Por ali, passavam as famosas especiarias vindas da Indonésia, os cavalos árabes, sedas, marfim, porcelanas e pedras preciosas.

 

Ruínas da fortaleza de Nossa Senhora da Conceição de Ormuz, Irã

 

Os objetivos de D. Manuel, rei de Portugal, na transição do século XV para o XVI, tinham, entre outros, ocupar o Mar Vermelho e o Golfo Pérsico. A conquista da ilha de Socotra, na entrada do Golfo de Aden e do Mar Vermelho, e a ilha de Ormuz, na entrada do Golfo Pérsico. Para tanto, o rei venturoso enviou, em 1506, duas frotas armadas com o que havia de mais poderoso na época: caravelas com canhões. Tristão da Cunha comandava a maior e Afonso de Albuquerque a menor. Foi acirrada a luta para conquistar Socotra aos islâmicos.

Tristão da Cunha deixou para Afonso de Albuquerque a conquista de Ormuz. Albuquerque era impiedoso e também habilidoso diplomata. Ele negociou com o vizir local. Como ele hesitasse, Albuquerque abriu fogo contra a frota adversária, obtendo a rendição do vizir. Os portugueses começaram, então, a construir um forte na ilha de Ormuz. As dificuldades na ilha, sobretudo em termos de abastecimento, causaram deserções e amotinações. A água tinha de ser trazida do continente.

Albuquerque abandonou a obra e partiu para Cochim, capital das Índias Orientais lusas. Nomeado vice-rei da Índia Portuguesa, Albuquerque conquistou Goa em 1510 e Malaca em 1511. Retornou a Ormuz em 1515 e, diplomaticamente, retomou a ilha, dando continuidade à construção da fortaleza abandonada. Ela recebeu o nome de Nossa Senhora da Conceição de Ormuz, a terceira maior das Índias Portuguesas. Em 1550, foi ampliada e em 1591 reforçada.

Portugal reinou soberano no Golfo Pérsico durante o século XVI, mas, a partir de 1580, a união das coroas ibéricas mudou a conjuntura mundial. Filipe II, o novo rei, granjeou a inimizade da Holanda e da Inglaterra. Portugal e Espanha unidos começavam a enfrentar o assédio de novas potências mundiais.

Em 1614, a Inglaterra apoiou os persas na reconquista de fontes de abastecimento português no Golfo. Além da fortaleza na pequena ilha de Ormuz, Portugal ergueu outra em Bandar Abbas, cidade fronteiriça à ilha, onde obtinha água doce. Era o Forte de Comorão.

A presença militar portuguesa e ibérica não se restringiu a duas fortalezas. Havia a Fortaleza de Bahrein, conquistada aos árabes em 1559 por Antão Noronha e adaptada aos interesses lusos. Ela foi ampliada e modernizada em 1561 e perdida em 1602.  O Forte de Comorão foi perdido para os persas em 1614.

Na ilha de Queixome (a maior do golfo e comumente confundida com a ilha de Ormuz), Rui Freire de Andrada, General do Mar de Ormuz e Costa da Pérsia e Arábia, ergueu uma fortificação em 1621. Ela foi bombardeada pela artilharia inglesa apoiando os persas e tomada pelos ingleses em 1622. O Forte de Congo situava-se na vila de Kong e servia de posto de comando e porto seguro. Em 1620, forças portuguesas sob o comando de Gaspar Pereira Leite erguem o Forte de Corfação.

 

Forte Al-Jalali, Omã

 

Perdendo as bases no interior do golfo, os portugueses se deslocaram para Omã e ali ergueram os Fortes Al-Mirani e Al-Jalali para assegurar a presença portuguesa no golfo. Por uma década ainda, Rui Freire de Andrada tentou reconquistar a fortaleza de Ormuz sem sucesso. Com a perda consumada, os portugueses transferiram-se para Mascate e estabeleceram uma feitoria em Baçorá, em 1623, na foz do rio Eufrates. Freire de Andrada ainda reocupou um forte.

Em 1624, o forte de Quelba foi conquistada por Gaspar Leite. No mesmo ano, Mateus de Seabra conquistou o Forte de Mada. Por acordo com os persas, a Coroa Ibérica conseguiu ficar com uma feitoria e com uma fortificação (Bandar Kong), no litoral do Golfo Pérsico. Em 1631, ainda conseguiram erguer o forte de Julfar.

As fortificações e feitorias de Soar, Julfar, Doba, Libédia, Mada, Corfação, Caçapo, Congo e Baçorá ainda asseguraram um certo poder aos ibéricos no golfo. Em 1650, Mascate, o último domínio português na Arábia, foi perdido para os omanitas, sendo totalmente expulsos da região em 1651.

Algumas palavras portuguesas foram incorporadas ao persa, tais como portoghāl (o nome do país e também da fruta laranja), Anānās (abacaxi), pāpāyā (mamão), mize (mesa). Curiosamente, ananás é palavra de origem tupi e papaia origina-se do karibe, ambas incorporadas ao português e a outras línguas.

Não diremos que a história se repete, mas que tudo muda. Os grandes dinossauros foram extintos. Os impérios luso, espanhol, holandês, francês e inglês também. O mundo de hoje não será o de amanhã. Talvez o Golfo Pérsico continue sendo importante rota comercial e militar, mas em outras mãos. Dos portugueses, restaram ruínas.

 

Ministro da Educação Camilo Santana no IFF nesta terça

 

MInistro da Educação Camilo Santana estará no campus Campos-Centro do IFF nesta terça

 

Com Dora Paula Paes 

 

O ministro da Educação, Camilo Santana (PT), estará na próxima terça-feira, dia 10, às 10h da manhã, no campus Campos-Centro, do IFFluminense. A assessoria deste confirmou hoje (5) a informação apurada pelo blog.

— Na oportunidade ele (Camilo) vai conhecer os projetos desenvolvidos por alunos e professores da instituição e dialogar com gestores e comunidade acadêmica. A visita faz parte da “Caravana Aqui tem MEC”, que é uma ação do ministério para anunciar obras, realizar escutas ativas e divulgar a educação profissional e tecnológica — detalhou a assessoria do IFF, em resposta à demanda gerada pela redação da Folha da Manhã.

Diante da informação também apurada pelo blog de que a visita do ministro seria recebida com manifestações com cobranças de servidores federais, a assessoria do Sinasefe (Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica) do IFF também respondeu à demanda da Folha:

— Temos conhecimento da agenda do ministro Camilo Santana no IFF campus Campos-Centro. Até o momento, porém, a direção da seção sindical ainda não deliberou oficialmente sobre a realização de algum ato ou posicionamento institucional relacionado à visita. Alguns integrantes da categoria e sindicalizados devem acompanhar a agenda no campus, como servidores interessados no debate sobre a educação pública e a Rede Federal.

 

Felipe Fernandes — “Pânico 7” entre a metalinguagem e a paródia

 

 

Felipe Fernandes, cineasta publicitário e crítico de cinema

“Pânico 7” entre a metalinguagem e a paródia

Por Felipe Fernandes

 

Lançado em 1996, “Pânico” foi um filme responsável por revitalizar o gênero slasher, apresentando um longa violento, repleto de metalinguagem e com um certo humor sombrio, que brinca com as convenções do gênero, estabelecendo o Ghostface como uma das figuras mais conhecidas do cinema de terror do final do século XX. O filme gerou uma trilogia e, posteriormente, ganhou outras continuações, buscando renovação por meio da construção de uma nova geração de personagens e fãs.

A produção do novo longa passou por polêmicas após a demissão da nova protagonista Melissa Barrera, devido ao seu posicionamento em defesa da Palestina. Essa demissão foi seguida pela saída de outra estrela, Jenna Ortega, em apoio à amiga. Toda essa confusão mudou o planejamento, e o criador da franquia, Kevin Williamson (que aqui assume a direção pela primeira vez) decidiu retornar ao núcleo antigo para tentar dar prosseguimento à franquia. Eis que chega aos cinemas o sétimo filme, que traz o retorno da final girl principal, Sidney Prescott, como protagonista, precisando proteger sua família e, principalmente, sua filha adolescente.

A franquia Pânico sempre trouxe a metalinguagem como um de seus elementos mais interessantes. Além das menções aos clássicos e às convenções do gênero, desde o segundo filme a história do assassino mascarado passou a ser reverenciada dentro do próprio universo ficcional, tornando-se uma franquia de sucesso. A cena de abertura do novo filme mostra um casal visitando a casa onde ocorre o clímax do filme de 1996 (ou uma reprodução dela), que se tornou um “templo” para os fãs, permitindo que eles revisitem o local do crime e sintam um pouco dos acontecimentos.

Como era de se esperar, tudo desanda, o casal é assassinado, a casa pega fogo e o novo assassino demonstra não ter apreço pelo legado dos anteriores. As regras antigas não valem mais. Uma promessa que nunca é realizada de fato.

O filme foca bastante na nostalgia, resgatando assassinos dos longas anteriores e trazendo novas tecnologias para a trama, mas nada disso causa impacto relevante na narrativa. O peso dramático recai sobre Sidney, que precisa proteger sua família, especialmente a filha adolescente, com quem não consegue se comunicar, na tentativa de mantê-la à margem de toda dor e perda que ela vivenciou ao longo dos anos.

Sidney é uma subcelebridade, reverenciada por sua força e coragem, constantemente lembrada dos assassinatos. Sua filha, Tatum, não sabe como conviver com essa sombra materna, enfrentando expectativas que não correspondem ao que ela é. O núcleo adolescente, formado por personagens estereotipados, como o namorado, a melhor amiga e o nerd cinéfilo fã de filmes de terror, existe praticamente para serem mortos pelo novo assassino, enquanto tentam descobrir sua identidade.

Este é o segundo filme do criador Kevin Williamson como diretor, e a falta de experiência é perceptível. Algumas cenas são confusas em termos de mise-en-scène, algo crucial nesse tipo de filme, já que a compreensão do espaço é essencial para a construção da tensão. As mortes são pouco criativas, o ritmo é irregular e o desfecho é constrangedor, um problema agravado pelo roteiro, que também leva sua assinatura.

A ideia de que a violência dos primeiros filmes continua afetando novas gerações é um dos pilares recentes da saga. A franquia sempre comentou sobre a cultura do espetáculo em crimes violentos, seja pelo sensacionalismo da imprensa, pelos fãs que buscam replicar os crimes ou pela busca de fama através deles. No entanto, Pânico 7 não inova em nenhum desses aspectos. A motivação dos crimes é rasa e não agrega nada relevante à história ou à franquia. A metalinguagem aqui, fica no limite da paródia.

Se no passado, a franquia se destacou por questionar a violência como espetáculo e como o consumo de histórias violentas alimenta um ciclo de medo e ódio, o novo filme falha em aprofundar o comentário sobre violência e legado, tornando-se uma passagem de bastão preguiçosa em vez de uma evolução significativa da franquia. Sem a condução de Wes Craven e com Kevin Williamson claramente perdido, talvez seja hora de aposentar o Ghostface e dar um descanso para Sidney.

 

Publicado na Folha da Manhã.

 

Confira o trailer do filme:

 

Welberth declara apoio a Castro a senador, mas vai de Paes a governador

 

Em Macaé, no mesmo palanque, Douglas Ruas, Welberth Rezende e Cláudio Castro (Foto: Reprodução)

 

Enquanto o prefeito de Campos, Wladimir Garotinho (hoje, PP) está em dúvida (confira aqui) entre apoiar a governador do RJ o prefeito carioca Eduardo Paes (PSD) ou o deputado estadual Douglas Ruas (PL), o prefeito de Macaé, Welberth Rezende (Cidadania) anunciou hoje (4) seu apoio a senador: o atual governador Cláudio Castro (PL).

Confira no vídeo abaixo:

 

 

Ao lado de Ruas no mesmo palanque do seu correligionário Castro na visita deste hoje em Macaé, Welberth foi educado e preferiu não declarar. Mas, a governador, quem terá seu apoio é Eduardo Paes.

 

Demissão de Filipe Luís foi uma vergonha aos 131 anos de história do Flamengo

 

Há pouco mais de três meses, Filipe Luís erguia em 29 de novembro de 2025 a taça de Tetracampeão Libertadores da América pelo Flamengo, em Lima, no Peru, após derrotar o Palmeiras (Foto: Gilvan de Souza/Flamengo)

 

Demissão indigna e covarde de Filipe Luís

A demissão de Filipe Luís do cargo de treinador do Flamengo, na madrugada de terça (3), após golear o Madureira por 8 a 0 para fazer a final do Carioca contra o Fluminense neste domingo (8), foi um capítulo vergonhoso dos 131 anos de história do clube. Não pela demissão em si, mas pela maneira indigna, institucionalmente covarde, com que ela se deu.

 

Conversa com Boto durou 30 segundos

Após a coletiva, onde falou da goleada, da final contra o Fluminense, da má fase do Flamengo no início de temporada, em que perdeu o título da Supercopa Rei do Brasil para o Corinthians e da Recopa Sul-Americana para o argentino Lanús, Filipe Luís foi chamado para uma conversa com o diretor de futebol rubro-negro, o português José Boto. Que durou 30 segundos.

 

“Trem errado”?

Boto teria dito a Filipe Luís que foi voto vencido na decisão, mas comunicou a demissão a mando do presidente do Flamengo, o controverso Luiz Eduardo Baptista, o Bap. Que depois se referiu à demissão em um áudio vazado: “Quando você pega um trem errado na vida, o que você precisa fazer é descer na primeira estação que seja possível e retornar”.

 

O moleque, o Ferrorama e as conquistas de homens

Na analogia do moleque que pensa brincar de Ferrorama, o “trem errado” foi o treinador que, em 2025, poucos meses atrás, comandou o Flamengo na conquista do seu 9º Brasileirão com o time de melhor ataque e melhor defesa do campeonato, e na conquista do Tetracampeonato da Libertadores da América, sobrando na final com o Palmeiras.

 

De igual para igual com o campeão da Champios

Filipe Luís foi o “trem errado” que, sem acovardar seu time na defesa, jogou de igual para igual a final do Intercontinental contra o campeão da Champions Paris Saint-Germain, após empatar em 1 a 1 no tempo normal e prorrogação, para só perder nos pênaltis. E Bap? É o “maquinista” que se elegeu presidente do Flamengo prometendo a gestão profissional do seu futebol.

 

Filipe Luís e o avô, que o fez virar Flamengo desde criança em Santa Catarina, são homenageados pela torcida do Flamengo no Maracanã

 

Desrespeito ao ídolo como jogador e treinador

Rubro-negro desde criança, que voltou da Europa para encerrar sua carreira no clube carioca, o catarinense Filipe Luís foi, como jogador do Flamengo, bicampeão da Libertadores, em 2019 e 2020. E bicampeão do Brasileirão, em 2019 e 2022, só para ficar nos títulos mais importantes. Foi multicampeão, é e será ídolo como jogador e treinador. Merecia, no mínimo, respeito.

 

Em 2022, ainda como dono da lateral-esquerda, Filipe Luís ergue sua segunda Libertadores da América pelo Flamengo, que bateu o Atlético Paranaense no Estádio Monumental de Guayaquil, no Equador

 

Clube rico e atrasado

Foi o mesmo grupo que se subdividiu e, em sequência, elegeu presidentes do Flamengo Eduardo Bandeira de Mello, Rodolfo Landim e Bap. Suas gestões profissionalizaram as finanças do clube. E transformaram a maior torcida do Brasil no clube mais rico da América do Sul. Mas a arrogância e o mandonismo de Bap são o ranço do que há de mais atrasado no futebol brasileiro.

 

Em postagem ontem nas redes sociais, Filipe Luís se despediu ao lado do monumento dos Meninos do Ninho, 10 atletas adolescentes de futebol do Flamengo que morreram em 8 de fevereiro de 2019, num incêndio no alojamento do Ninho do Urubu (Foto: Instagram)

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Lula lidera ao 2º turno em empate técnico com Flávio e Ratinho

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Após ficar numericamente atrás do senador Flávio Bolsonaro (PL) nas pesquisas presidenciais AtlasIntel (confira aqui) e Paraná (confira aqui) do final de fevereiro, Lula recuperou liderança numérica na pesquisa Real Time Big Data divulgada hoje (3). Mas em dois empates técnicos no 2º turno: 42% x 41% de Flávio e 43% x 39% do governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD).

Dados da nova pesquisa — Feita de 28 de fevereiro a 2 de março com 2.000 eleitores de todo o país, a Big Data foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-09353/2026, com margem de erro de 2 pontos para mais ou menos. Onde ficam o 1 ponto que Lula teve sobre Flávio e, no limite da margem, os 4 pontos que teve sobre Ratinho ao 2º turno.

Lula lidera fora da margem de erro ao 1º turno — Ao 1º turno, Lula liderou fora da margem de erro os três cenários da Big Data, variando entre 6 a 7 pontos de vantagem sobre Flávio. No cenário 1, por 39% a 32% (7 à frente) e Ratinho com 9%, melhor desempenho entre os demais. No cenário 2, o petista teve 40% a 34% do senador (6 pontos). No cenário 3, Lula teve 40% a 33% (7 pontos).

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Lula 3 é desaprovado por 51% — Lula continua tendo como obstáculo a maioria dos brasileiros que, em todas as pesquisas, hoje desaprovam o seu governo. Na Big Data, o Lula 3 foi desaprovado por 51% dos eleitores e aprovado por 44%, com 5% que não souberam responder.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Lula e Flávio lideram rejeição — Como em 2022, se a eleições de 2026 forem em dois turnos, tudo até aqui indica que será outra batalha entre enormes rejeições. Se a rejeição determina o vencedor do 2º turno, Lula e Flávio hoje lideram o índice negativo: 47% dos brasileiros que dizem conhecer cada um, não votariam em nenhum dos dois.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Flávio tem mais espaço para crescer — Na mesma medição, 9% dos eleitores dizem não conhecer Flávio, número que cai a apenas 2% com Lula. O que é uma vantagem do senador numa campanha presidencial: um pouco mais de espaço para tentar crescer.

Lula pode depender da abstenção — No entanto, os 22% que dizem conhecer e votarão em Flávio, mais os iguais 22% que dizem que podem votar, formam 44%. Os que dizem conhecer e votarão em Lula são 35%. Somados aos 16% que dizem que podem votar, são 51%. O que bastaria para garantir a vitória no 2º turno. Mas, como depende da abstenção, nunca é conta exata.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE

Análise do especialista — “A Real Time Big Data estimulou três cenários de 1º turno e sete cenários de 2º turno. Lula lidera nos três cenários de 1º turno, mas empata tecnicamente no 2º turno com Ratinho, por 43% a 39%; e, principalmente, com Flávio, por 42% a 41%”, resumiu William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE.

Flávio e Ratinho têm mais espaço que Lula — “Cabe destacar os 51% de desaprovação ao governo de Lula e sua menor taxa de desconhecimento do eleitorado, apenas 2%, na comparação com Flávio, desconhecido por 9%, e, principalmente, Ratinho, desconhecido por 21%. O que dá aos dois maior potencial de expansão da intenção de voto no futuro”, completou William.

 

 

Há 2 meses sem luz, Museu de Campos mais perto da solução

 

Museu Histórico de Campos sem luz, por furto de cabos elétricos, há 2 meses e 5 dias (Foto: Rodrigo Silveira/Folha da Manhã)

 

“A situação do Museu vai ser resolvida. Até quarta (4) começa a instalação dos cabos de energia furtados. Se o tempo ajudar, sem chuva, acredito que até domingo (8) deve ficar tudo pronto”. Foi o que disse ao blog o prefeito Wladimir Garotinho (PP) sobre a situação do Museu Histórico de Campos. Que está sem energia elétrica há dois meses (confira aqui) e cinco dias, desde o roubo dos cabos, problema que assola o Centro de Campos, no dia de Natal.

Uma equipe da secretaria municipal de Iluminação Pública visitou, no início da manhã de hoje, o prédio do Solar do Visconde de Araruama, construído no século 18, no quadrilátero da Praça do Santíssimo Salvador e onde funcionou a Câmara Municipal de Campos até 1968. No séc. 21, a vistoria constatou na manhã de hoje que o roubo dos cabos pode ter causado mais danos do que o calculado inicialmente e o prazo projetado pelo prefeito pode ser alongado.

— Como gestora, sinto tristeza, mas não resignação, sinto indignação, mas não desânimo. O que construímos ao longo desses anos não se apaga com a falta de energia, porque o acervo permanece, a equipe permanece e o compromisso permanece. Seguimos trabalhando, mesmo em condições adversas, seguimos defendendo o Museu — disse a historiadora Graziela Escocard, diretora do Museu.

 

A governador: Douglas pede apoio de Wladimir no domingo e Paes na 2ª

 

Altineu Côrtes, Douglas Ruas, Tassiana Oliveira, Wladimir Garotinho, Gilberto Kassab e Eduardo Paes (Montagem: Joseli Matias)

 

Se foi cotado e acabou preterido para compor como vice as chapas a governador do RJ do prefeito carioca Eduardo Paes (PSD) e do deputado estadual Douglas Ruas (PL), o prefeito de Campos, Wladimir Garotinho (hoje, PP), continua cobiçado pelos dois polos que devem disputar o Palácio Guanabara nas urnas de outubro, daqui a pouco mais de 7 meses.

Essa disputa pelo apoio de Wladmir teve dois novos capítulos ontem (1º) e hoje (2). No domingo, ele e a esposa, Tassiana (PL), foram convidados pelo presidente estadual do PL, deputado federal Altineu Côrtes, para um almoço dna casa este, na cidade do Rio. Do qual também participou Douglas Ruas.

Altineu e Douglas querem que Wladimir se filie ao PL, não só para concorrer a deputado federal, após deixar o cargo de prefeito em 31 de março, como para coordenar no Norte Fluminense a candidatura a governador do deputado licenciado para ocupar a secretaria das Cidades do governo Cláudio Castro (PL).

Ainda no Rio, Wladimir recebeu a ligação de Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD e secretário de Governo e Relações Institucionais do governo Tarcísio de Freitas (REP) em São Paulo. Kassab fez a ponte área SP/RJ e, junto de Eduardo Paes, tomaram hoje o café da manhã com o político de Campos, também na cidade do Rio.

Kassab e Paes fizeram a Wladimir, nesta segunda, um convite muito semelhante ao de Altineu e Douglas no domingo. Os dois primeiros querem que o ainda prefeito de Campos, após deixar o cargo, se filie ao PSD para concorrer a deputado federal. E também coordenar a campanha de Paes no Norte Fluminense a governador.

Conservador, que apoiou e fez carreata para a candidatura de Jair Bolsonaro (PL) no 2º turno presidencial de 2022, Wladimir tem uma certeza sobre quem vai apoiar ao Executivo nas urnas de outubro (confira aqui): o senador Flávio Bolsonaro (PL) a presidente. Isso, em tese, o aproximaria mais do PL de Douglas e Altineu. Mas pesam também, a favor do PSD como futura legenda do atual prefeito de Campos, o poder de sedução política de Kassab e o favoritismo de Paes em todas pesquisas, até aqui, a governador.