Até Ortega com Merkel, Lula “estava indo tão bem!”

 

Lula da Silva, Jair Bolsonaro, Sergio Moro e Ciro Gomes (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

“Estava indo tão bem!”. Diria o Professor Raimundo, personagem do genial Chico Anysio, ao seu aluno Sandoval Quaresma, interpretado pelo comediante Brandão Filho. Este sempre acertava as perguntas iniciais do mestre. Mas quando caminhava para ganhar um 10, se saía uma pataquada sem tamanho na última questão, comprometendo sua aprovação no teste oral. Ainda a pouco mais de 10 meses, é o que se pode dizer da viagem de Lula à Europa. Que após reforçar a imagem do ex-presidente como estadista, terminou reforçando as dúvidas do seu compromisso real e do PT com a democracia.

Após ser recebido como chefe de estado pelos líderes da Alemanha, Olaf Scholz; da França, Emmanuel Macron; da Espanha, Pedro Sánchez; e de ter sido aplaudido de pé no Parlamento Europeu, na Bélgica; Lula foi entrevistado em Madri. Pelas jornalistas Pepa Bueno e Lucía Abellán, do El Pais, maior jornal espanhol.

 

 

Ao indagar sobre a deterioração democrática na América Latina, Lucía Abellán pediu a Lula o diagnóstico da eleição presidencial da Nicarágua, não reconhecida pela comunidade internacional e com os opositores presos a poucos dias do pleito. Na qual o ex-guerrilheiro sandinista e hoje ditador Daniel Ortega “concorreu” com cinco candidatos de fachada, para ter seu quarto mandato consecutivo. Lula respondeu:

— Não posso interferir nas decisões de um povo. Por que Angela Merkel pode ficar 16 anos no poder, e Daniel Ortega não? Por que Margaret Thatcher pode ficar 12 anos no poder, e Chávez não? Por que Felipe González aqui (na Espanha) pôde ficar 14 anos no poder?

No que Lula foi lembrado do que deveria ser óbvio a qualquer democrata verdadeiro:

— Sim, mas Angela Merkel governou por 16 anos, Felipe González por 13, na Espanha, e não mandaram nenhum dos seus opositores ao cárcere — desenhou Pepa Bueno.

 

Lula e o ditador “companheiro” da Nicarágua, Daniel Ortega

 

Lula respondeu lembrando sua própria prisão. E aproveitou para desejar sorte a outro ditador “companheiro” de esquerda, Nicolás Maduro, nas eleições regionais da Venezuela:

— Não posso julgar o que aconteceu na Nicarágua. Eu fui preso no Brasil. Não sei o que essas pessoas fizeram. Só sei que eu não fiz nada. Na Venezuela espero que se Maduro ganhar (nas eleições regionais) se acate o resultado, e se perder também.

 

Nicolás Maduro, ditador “companheiro” da Venezuela, e Lula (Foto: Ricardo Stuckert)

 

O desejo de Lula foi atendido. Com métodos semelhantes aos da Nicarágua de Ortega, Maduro elegeu 20 dos 23 governadores da Venezuela que o chavismo transformou no país mais pobre da América Latina. As contradições do ex-presidente em seu próprio continente, falando a outro, geraram mais um incômodo. Lucía Abellán lembrou que, na semana anterior à entrevista ao El Pais, houve a proibição dos protestos de rua em Cuba. O petista respondeu:

— É engraçado porque a gente reclama de uma decisão que evitou os protestos em Cuba, mas não reclama que os cubanos estavam preparados para dar a vacina e não tinham seringas, e os americanos não permitiam a entrada de seringas. Eu acho que as pessoas têm o direito de protestar, da mesma forma que no Brasil. Mas precisamos parar de condenar Cuba e condenar um pouco mais o bloqueio dos Estados Unidos.

E, constrangedoramente, foi mais uma vez lembrado por Pepa Bueno do que deveria ser óbvio a qualquer democrata:

— Mas, presidente Lula, é possível fazer as duas coisas: condenar o bloqueio e pedir liberdade nas ruas aos opositores.

 

Lula entre os ditadores “companheiros” de Cuba, o ex-presidente Raúl Castro e o atual, Miguel Díaz-Canel (Foto: Site do PT)

 

Noves fora quem demande vacina contra febre aftosa, no lugar de contra a Covid-19, não se espera nenhum compromisso democrático de Jair Bolsonaro (sem partido). A não ser aquele que fez dele e seus filhos uma franquia político/eleitoral bancada pelo peculato das “rachadinhas”. Ou os que foram empurrados sua goela abaixo, nestes últimos dois anos e 11 meses, pela sociedade civil organizada, a imprensa profissional e as instituições do Estado Democrático de Direito. Neste, incluída a compra do Congresso Nacional com as emendas do Orçamento Secreto. Que já custaram mais de R$ 20 bilhões do contribuinte em 2020 e 2021, para impedir que um dos mais de 120 pedidos de impeachment do presidente seja aberto.

Acreditar que Lula “não fez nada”, como ele disse às duas afiadas jornalistas do El Pais, requer a mesma inversão de demanda de imunizante, entre Covid e aftosa, dos bolsonaristas “democratas”. Está aí a montanha de evidências da corrupção sistêmica do PT em seus 13 anos de poder, que quase jogou a Petrobras na bancarrota, com a devolução judicial de bilhões roubados dela por empreiteiros. Bem como os benefícios pessoais de Lula, no sítio de Atibaia reformado pelos mesmos empreiteiros para que ele gozasse do lazer com a família. Como é fato que a Vaza Jato revelou a parcialidade, tornada oficial pelo Supremo Tribunal Federal (STF), do então juiz federal Sergio Moro no julgamento e na condenação do ex-presidente.

Lula não é inocente. Mas sua condenação foi anulada por motivo justo, jurídica e moralmente. De volta ao jogo, ele o lidera com folga em 2021. Exatamente como fazia 2018, até ser sacado do campo por quem depois entraria nele como ministro da Justiça do principal beneficiado. Retirar o petista novamente da disputa seria inaceitável. Ao mundo e a qualquer brasileiro cujo senso de justiça supere a paixão política. Quem brada contra o fato, ou contra todas as pesquisas que o revelam, teria atitude mais produtiva se estocasse lenços para 2022.

Com rejeição acima dos 50% em todos os institutos, a reeleição de Bolsonaro hoje é aritmeticamente impossível. Os R$ 400,00 do Auxílio Brasil podem mudar isso? Podem! Assim como a influência da eventual vitória do candidato de extrema-direita José Antonio Kast, no segundo turno presidencial do Chile, em 19 de dezembro próximo. Já no provável segundo turno brasileiro de 30 de outubro de 2022, a melhor chance para Lula não estar é ele não querer. E a melhor chance dele não querer é se as pesquisas apontarem, até as convenções partidárias entre 20 de julho e 5 de agosto, que seu adversário não será Bolsonaro. Distante dele, todas as pesquisas e movimentos partidários/eleitorais colocam Moro (Podemos) como a opção de terceira via mais viável, ainda em empate técnico com Ciro Gomes (PDT).

 

Reichstag sob a bandeira dos conquistadores de Berlim, em 1º de maio de 1945 (Foto: Yevgeny Khaldei)

 

Não há nada hoje que indique isso. A não ser movimentos como a desistência do União Brasil, na união entre o DEM e o PSL, ex-partido de Bolsonaro, em lançar seu ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta a presidente, para provavelmente apoiar Moro. Mas Lula deve saber melhor do que ninguém: se ele perdesse no voto de 2022, para o seu algoz na Lava Jato, isso teria o mesmo efeito presente e à História que o Exército Vermelho tomando Berlim em 1945 teve ao nazismo. Protagonista daquela vitória na Europa, o “socialismo real” acabaria com a extinção da União Soviética em 1991, dois anos após a queda do Muro de Berlim.

 

Queda do Muro de Berlim em 11 de novembro de 1989 (Foto: Gerard Malie/AFP)

 

Por um anacronismo ideológico há 30 anos, Lula não deveria, após se apresentar como craque geopolítico nos gramados da Europa, isolar a bola do estádio diante das duas “Martas” do El Pais. Como diria o Professor Raimundo: “Estava indo tão bem!”.

Comparar Ortega com Merkel, que saiu da socialista Alemanha Oriental para consolidar a reunificação do seu país, foi um gol contra à democracia.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Campos e NF têm que votar em candidatos de Campos e NF?

 

 

 

Voto bairrista em 2022

O eleitor de Campos e do Norte Fluminense (NF) tem que votar em candidatos a deputado estadual e federal de Campos e do NF? A questão é antiga e tem argumentos respeitáveis dos dois lados. Fundador deste jornal e desta coluna, defensor intransigente de Campos e região, o jornalista Aluysio Cardoso Barbosa (1936/2012) sempre pregou que sim. E foi ecoado pelo vice-prefeito de Campos, Frederico Paes (MDB). A manchete da Folha no último sábado (20), conclamando o voto bairrista a deputado em 2022, foi extraída da entrevista de Frederico na manhã do dia anterior (19), ao programa Folha no Ar, na Folha FM 98,3.

 

Frederico Paes, vice-prefeito de Campos

Convocação de Frederico Paes

“É preciso, na campanha, falar com os candidatos, sejam do nosso grupo ou não, para não deixar esse povo de fora vir pegar voto aqui. A quantidade de eleitor que vota em deputados que vêm aqui só em época de eleição, é absurda (…) é muito importante essa união da população em torno da cidade, mostrar que o voto num candidato local é muito importante. Isso tem que ser massificado na cabeça do eleitor na campanha. Convoco até a oposição”, pregou Frederico. Mas o que políticos de fora do grupo dos Garotinho e cientistas políticos de Campos e região pensam dessa convocação ao voto bairrista para deputado em 2022?

 

Christino Áureo, deputado federal de Macaé

Christino concorda

“Concordo com a posição do vice-prefeito de Campos, Frederico Paes, por quem tenho profundo respeito. Nossa região vem sendo subrepresentada no contexto estadual e nacional. Geramos receitas em uma proporção que o sistema tributário nacional não reconhece, já que o gás e do óleo não têm o ICMS na origem. Essa nova região metropolitana, formada pelos municípios de Macaé e Campos, mas também todos os demais da orla petroleira, tem que se unir. E pensar, sim, em uma representação política forte. Nossa região tem que pretender mais, se valorizar mais”, cobrou o deputado federal Cristino Áureo (PP), de Macaé.

 

Igor Pereira, vereador de oposição em Campos

Igor ressalva

“Precisamos restabelecer a representatividade regional nas duas esferas. Perdemos os deputados estaduais Gil Vianna e João Peixoto para a Covid-19. E o deputado federal Wladimir Garotinho (PSD) se elegeu a prefeito. A questão é escolher quem alie competência com real ligação com a região. Não oportunistas que só aparecem perto da eleição, evocando laços de família, mas há muito tempo longe da nossa população. Já tivemos nomes de fora que se mostraram comprometidos com as demandas da região”, ressalvou Igor Pereira (SD), vereador de oposição em Campos e conhecido por sua ligação com o deputado federal do Rio Hugo Leal (PSD).

 

Hamilton Garcia, cientista político e professor da Uenf

Hamilton nacionaliza

“É inequívoca a afirmação pela distritalização das decisões políticas e do voto. A demonstração disso tomou forma avançada e polêmica no Congresso Nacional, com a extensão das emendas orçamentárias. Não é de estranhar que a pauta avance também nas municipalidades, como vimos na convocação do vice-prefeito de Campos, na forma do voto. Para a distritalização não ofuscar a visão geral dos parlamentares sobre as questões nacionais, precisamos combinar o voto distrital com o proporcional, em lista pré-ordenada como fazem as boas democracias” analisou o cientista político Hamilton Garcia, professor da Uenf.

 

Bruno Vianna, vereador independente de Campos e pré-candidato a deputado estadual

Bruno de acordo

“Concordo com o posicionamento do vice-prefeito Frederico Paes em sua entrevista à Folha FM, repercutida na Folha da Manhã. Inclusive, quero parabenizá-lo por essa iniciativa. Campos é uma cidade importante dentro do Estado do Rio e precisa de representatividade na Assembleia Legislativa e no Congresso Nacional. Com o falecimento do meu pai (Gil Vianna) e do deputado João Peixoto, nosso município iniciou essa carência, que acabou aumentando. Independentemente de lados políticos, nós temos que priorizar a nossa cidade e região”, fez coro Bruno Vianna (PSL), vereador independente de Campos e pré-candidato a deputado estadual.

 

Márcio Nogueira, empresário de SJB e pré-candidato a deputado estadual

Márcio faz coro

“A evolução socioeconômica dos municípios passa pela interação regional. A escolha do voto é estratégica neste processo, precisamos deixar de lado a velha prática de loteamento de votos para atender interesses de políticos de outras regiões. Eleger candidatos que vivem na mesma região é ter de fato representantes que conhecem a realidade do Norte Fluminense e vivenciam as dificuldades do município. É correta a visão de que o eleitor deve escolher, independentemente da ideologia partidária, candidatos da região”, concordou Márcio Nogueira (PDT), empresário de São João da Barra e pré-candidato a deputado estadual.

 

George Gomes Coutinho, cientista político e professor da UFF-Campos

George questiona

“A proposta defendida pelo vice-prefeito, da região priorizar candidatos regionais para o legislativo federal ou estadual, tem alguns desafios. O primeiro é de lidar com o problema da multiplicidade de interesses do eleitor. A mobilização do eleitor lida com um feixe quase interminável de possibilidades. Contudo, na hipótese de que o trabalho seja bem sucedido, teríamos que ter o comportamento do eleito pautado também pelo claro alinhamento do congressista com as demandas regionais. Em suma, parece desconsiderar a complexidade da realidade”, questionou o cientista político George Gomes Coutinho, professor da UFF-Campos.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

SJB em debate fecha a semana do Folha no Ar nesta 6ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A partir das 7h da manhã desta sexta, o debate sobre São João da Barra fecha a semana do Folha no Ar, na Folha FM. Para tanto, os convidados, em ordem aflabética, são Aluizio Siqueira, secretário de Agricultura do município; Alcimar Chagas, economista e professor da Uenf; Bruno Dauaire (PSC), deputado estadual; e Márcio Nogueira (PDT), empresário, ex-candidato a prefeito em 2020 e pré-candidato a deputado estadual.

Aluizio, Alcimar, Bruno e Márcio primeiro falarão da ausência de obras, além das queixas de luz e buracos no município. Depois analisarão como um orçamento per capita 3,6 maior que o de Campos não se reflete em desenvolvimento econômico e na oferta de empregos. Por fim, os quatro falarão do que consideram acertos e erros dos 17 anos do carlismo no poder em SJB.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta sexta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

Marcelo Lessa batiza prédio do Ministério Público de Campos

 

Promotor Marcelo Lessa Bastos batiza o prédio do Ministério Público de Campos, na rua Antònio Jorge Young nº 40, no Parque Conselheiro Tomaz Coelho (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

O prédio do Ministério Público de Campos foi batizado de Promotor de Justiça Marcelo Lessa Bastos. Determinada ontem pela Procuradoria Geral de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, a homenagem foi publicada hoje em Diário Oficial. A resolução lembra que Marcelo, carioca de nascimento, dedicou a maior parte dos seus 27 anos de exercício no Ministério Público a Campos. Ele chegou a atuar em Itaperuna, antes de vir a Campos no início dos anos 2000, onde construiu sólida carreira na promotoria e no magistério. Aqui também construiu família, casando-se com Viviane e sendo pai de Maria Fernanda e Gabriel, além de muitos amigos e admiradores, dentro e fora do Direito.

 

Diante dos filhos Maria Fernanda e Gabriel, Viviane, viúva de Marcelo, descerra a placa com o nome do marido batizando sala da Procuradoria Geral de Campos, junto do prefeito Wladimir Garotinho (Foto: Supcom)

 

É a terceira homenagem que Marcelo recebe, desde que faleceu precocemente de choque séptico, com apenas 51 anos, em 14 de agosto deste ano. Em 16 de setembro, seu nome foi dado pela Prefeitura de Campos, em sua sede, a uma sala da Procuradoria Geral do Município. E, em 6 de outubro, a Faculdade de Direito de Campos (FDC) e o Uniflu, nos quais Marcelo lecionou por anos, também deram seu nome à sala ao Espaço de Obras Raras da universidade, muito frequentada em vida pelo promotor, que gostava de realizar lá suas lives e outras interações virtuais.

 

Espaço Obras Raras do Uniflu, que em vida o promotor e professor de Direito gostava de frequentar, também foi batizado de Marcelo Lessa (Foto: Divulgação)

 

Na morte de Esdras, o jornalismo que ele fez em vida

 

Esdras em seu último grande trabalho, a esposição fotográfica “Flores e Papiros”, no último dia 3, na Femac (Foto: Rodrigo Silveira/Folha da Manhã)

 

 

Esdras e Aluysio (I)

Morreu ontem, aos 63 anos, o repórter-fotográfico e colunista social Esdras Pereira. Enfrentou, em junho de 2020, uma infecção muito grave de Covid. E, cinco meses depois, descobriu um câncer do sangue que lhe tirou a vida. Orgulhoso como poucos em ser Folha da Manhã, ele já era antes dela existir. Na realidade diária das ruas, vivia o sonho do jornalista Aluysio Barbosa, que fundou este jornal em 8 de janeiro de 1978. Cinco meses antes, os dois foram ao mar pescar um furo internacional de jornalismo, que mudaria definitivamente a cara da região: o primeiro carregamento comercial de petróleo na Bacia de Campos. Era 13 de agosto de 1977.

 

Esdras e Aluysio (II)

Aluysio e Esdras se tornaram referência nacional na cobertura dos fatos mais importantes da exploração de petróleo na Bacia de Campos, como a explosão da plataforma Enchova 1, em 18 agosto de 1984 (Fotos: Jorge Arújo/Reprodução do Jornal do Brasil)

Já em processo de gestação da Folha, Aluysio estava adoentado. Esdras foi cobrir uma pauta corriqueira ao meio-dia: buracos na pista do aeroporto de Campos. Ao notar no saguão um estrangeiro falando em inglês, pediu a um piloto de helicóptero que o ajudasse na tradução. O “gringo” revelou trabalhar no dimensionamento do primeiro carregamento comercial de petróleo na Bacia de Campos, que acontecia naquele momento. Deu também a longitude a latitude da operação em alto mar, com as quais Esdras foi correndo à casa de Aluysio. Ao ouvir do que se tratava, o jornalista deu um pulo da cama, em súbita recuperação.

 

Esdras e Aluysio (III)

A questão do petróleo em Campos se tornara de honra profissional para Aluysio. Dois anos antes, no inverno de 1975, ele e Esdras estavam em Atafona. Passando de carro pela av. Atlântica, eles viram duas tendas armadas na praia, com uma grande antena de rádio. Pararam o carro e caminharam até elas. Onde um rádio operador brasileiro revelou que havia sido descoberto petróleo em quantidade comercial na Bacia de Campos. Aluysio emplacou a matéria no Jornal do Brasil (JB), à época o maior jornal carioca, do qual era correspondente em Campos, em dupla afinada com Esdras. Mas a ditadura militar (1964/1985) do Brasil negou.

 

Esdras e Aluysio (IV)

Com as coordenadas conseguidas por Esdras do que tinha antecipado dois anos antes, Aluysio recorreu ao amigo Geraldo Coutinho, proprietário da Usina Paraíso. Ele tinha um avião bimotor e tinha como piloto um ex-militar português, veterano da Guerra de Angola (1961/1974). Ele informou ao controle de voo um plano de ida e volta ao Farol de São Thomé.  Lá chegando, desceu a uma altitude mínima, para não fossem detectados pelo radar. O destino real era o carregamento de petróleo, a 56 milhas do litoral. Quando chegaram à plataforma abastecendo o petroleiro, o avião subiu e fez três voltas para permitir os registros fotográficos.

 

Esdras e Aluysio (V)

Pela lente teleobjetiva, Esdras notou que alguém no deck do navio observava o avião com binóculos, passando seu prefixo para outra pessoa, que anotava numa prancheta. Após o fotógrafo bater dois filmes de 36 poses cada, Aluysio determinou o retorno. Era o final de tarde daquele dia agitado, quando, pelo rádio da aeronave, os três foram comunicados que tinham invadido um espaço aéreo fechado por questão de Segurança Nacional. O Brasil vivia sua última ditadura militar (1964/1985). Na volta, já no cair da noite, perceberam pela janela do avião uma Kombi branca conhecida da Polícia Federal sob um poste de luz do aeroporto.

 

Esdras e Aluysio (VI)

Quando o bimotor pousou, foi até o final da pista para fazer a volta até o desembarque, o piloto desligou rapidamente o avião, para que suas hélices não atingissem Esdras. Orientado por Aluysio, ele desceu pela asa e se jogou sobre o capim-colchão, plantado em volta da pista para tentar amenizar qualquer eventual pouso forçado. Com a máquina numa mão e a chave do carro de Aluysio na outra, Esdras caminhou abaixado até o aeroclube, onde estava estacionado o Chevette amarelo do parceiro. Ligou o carro e, com os faróis apagados, saiu sorrateiramente do aeroporto. Aluysio e o piloto foram presos pela PF ao descerem do avião.

 

Esdras e Aluysio (VII)

Capa do Jornal do Brasil de 14 de agosto de 1977, com a foto de Esdras e as informações de Aluysio, noticiando o primeiro carragemento comercial de petróleo da Bacia de Campos

Esdras chegou à casa, revelou os filmes e ligou ao JB. Avisou que Aluysio e o piloto estavam presos, mas que ele mandaria os negativos por um passageiro embarcando em voo ao Rio. Voltou ao aeroporto, onde o jornalista e o aviador eram interrogados, e pediu a alguém que levasse os filmes. Diante da recusa, quem vinha atrás se ofereceu para levar. O fotógrafo anotou o nome da pessoa, descrição, trajes e passou ao JB. Que, dia seguinte, anunciou na capa o primeiro carregamento de petróleo na Bacia de Campos. A notícia correu o mundo e ditadura, sem ter mais o que fazer, mandou a PF soltar Aluysio e o piloto português.

 

Esdras e Aluysio (VIII)

Aluysio e Esdras formaram a maior dupla repórter/fotógrafo da centenária história do jornalismo de Campos. Quem considerava isso eram os seus colegas da imprensa carioca, onde ambos brilharam em várias outras pautas, várias outras capas. O “furo” da capa do JB em 14 de agosto de 1977 está no livro “Jornal do Brasil, História e Memória — Os Bastidores das Edições mais Marcantes de um Veículo Inesquecível”, da jornalista Belisa Ribeiro. Aluysio morreu em agosto 2012; Esdras, neste novembro de 2021. Aos profissionais e leitores da Folha, o jornalismo que ambos praticaram está vivo. E se escreve todo dia.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Siprosep já enviou proposta previdenciária do servidor

 

Novo regime previdenciário do servidor de Campos entre PreviCampos, Câmara Municipal, Fábio Ribeiro, Elaine Leão, Rogério Matoso e Mário Filho (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

O Siprosep enviou ontem (22) sua proposta de adequação do servidor municipal à Reforma da Previdência aprovada pelo governo Jair Bolsonaro (sem partido) em 2019. O PreviCampos recebeu e encaminhou à FIA, empresa contratada que realiza o cálculo atuarial. Depois, a proposta do novo regime previdenciário do servidor de Campos será votada na Câmara Municipal. Presidente desta, Fábio Ribeiro (PSD) disse trabalhar para chegar ao consenso entre os 25 vereadores. Ele precisa do mínimo de 17 para a aprovação. Pode ser já nesta quarta, mas pode também ficar para depois.

— O Siprosep encaminhou a proposta e caberá a FIA, empresa consultora do PreviCampos contratada desde o governo Rafael Diniz (Cidadania), para fazer os cálculos. É necessário para o município se adequar à Emenda 103, aprovada pelo Governo Federal, para atenuar as consequências. Fizemos várias reuniões entre os envolvidos, a última foi na sexta (19), quando ouvimos três procuradores municipais de carreira. Mas quem representa o servidor é o Siprosep. Queremos aprovar por consenso, se possível, dos 25 vereadores. Se chegarmos a ele, podemos votar nesta quarta (24). Se não, talvez na semana que vem — disse o vereador Fábio Ribeiro.

— A Emenda 103/19 do Governo Federal, que instituiu a Reforma da Previdência, trouxe muitos prejuízos aos servidores públicos de todas as esferas. Viemos lutando para garantir e resguardar o direito dos atuais servidores públicos municipais. Não é justo que as regras sejam mudadas no meio do jogo. Na contraproposta que enviamos à Câmara Municipal, queremos garantir que seja computada integralmente o tempo de contribuição no serviço público federal, estadual e municipal para aposentadoria. Onde diz que os professores passarão a se aposentar aos 57 anos, se mulher, e 60 anos, se homem, o Siprosep solicitou que a idade seja de 51 anos, se mulher, e 56 anos, se homem. Com 25 anos de contribuição, se mulher, e 30 anos de contribuição, se homem. Solicitamos ainda a inclusão dos servidores da Guarda Municipal na aposentadoria especial, com base em decisão no STF — esclareceu suas propostas de mudança a servidora Elaine Leão, presidente do Siprosep.

— Tivemos reunião na sexta (19) com o Siprosep e um conjunto de procuradores, não a Procuradoria, mas o servidor público de carreira do setor. E acordamos fazer uma adequação como foi feita no Estado do Rio. O Siprosep mandou a proposta, naqueles mesmo termos, para o PreviCampos levar para a FIA fazer o cálculo atuarial, para entendermos a questão do custeio, de como poderá ser feito o melhor possível, dentro de um entendimento — pregou o vereador de oposição Rogério Matoso (DEM).

— Como procurador aposentado, eu tenho um ponto de vista. Mas como presidente do PreviCampos, a gente tem que defender a realidade de caixa do município, do caixa do PreviCampos e da viabilidade futura dos aposentados e pensionistas. A FIA, contratada no governo passado, está fazendo os cálculos. Esse projeto de alteração da Previdência está na reforma de 2019. Os municípios com caixa próprio de Previdência tinham dois anos para se adequar. E nada foi feito em 2020. Agora, essas propostas foram discutidas com o Siprosep, com o Conselho do PreviCampos e com a Procuradoria do Município, que enviou à Câmara. E a Câmara chamou novamente o Siprosep para apresentar suas propostas. Tem algumas distorções, sim, como a questão do pedágio. Mas não adianta algumas categorias quererem fazer “puxadinho” na lei. Vai atrapalhar o todo, em termos de servidor — advertiu o presidente do PreviCampos, Mário Filho.

Citado pelo presidente do PreviCampos, o pedágio para aposentadoria, que afetaria os concursados depois de 1996 e já perto de se aposentarem, tem sido o ponto mais questionado por alguns servidores. Sobretudo os procuradores municipais de carreira.

 

Histórias de Esdras, do Jornal do Brasil à Folha da Manhã

 

Esdras em seu último grande trabalho, a esposição fotográfica “Flores e Papiros”, no último dia 3, na Femac (Foto: Rodrigo Silveira/Folha da Manhã)

 

Morreu hoje, aos 63 anos, o repórter-fotográfico e colunista social da Folha da Manhã, Esdras Pereira. Parceiro de Aluysio Barbosa na maior dupla repórter/fotógrafo, sem nenhum favor, da centenária história do jornalismo de Campos, os dois emplacariam não só muitas manchetes no extinto jornal A Notícia e na Folha da Manhã. Mas também no Jornal do Brasil nos anos 1970 e 1980, quando o diário carioca superava O Globo em conceito e vendagem.

Talvez auge do trabalho de Aluysio e Esdras, quando conquistaram também as manchetes do mundo, está a história da cobertura da primeira carga comercial de petróleo da Bacia de Campos, em agosto de 1977, cinco meses antes do primeiro número da Folha da Manhã chegar às bancas. Em 2015, com Aluysio morto há três anos, caberia ao seu maior parceiro profissional em vida relembrar a saga daquela reportagem do Jornal do Brasil. Com cenas de filme de ação para driblar a censura da ditadura militar (1964/1985) e levar a informação ao leitor, que mudaria radicalmente a cara de Campos e região.

 

A história de Esdras com Aluysio no Jornal do Brasil

Entre as páginas 172 e 176 do livro “Jornal do Brasil, História e Memória — Os Bastidores das Edições Mais Marcantes de Um Veículo Inesquecível”, da jornalista Belisa Ribeiro, ela e Esdras contam:

“Aluysio Cardoso Barbosa também não está mais aqui para contar suas histórias (faleceu em 2012, aos 77 anos). Ele foi repórter do Jornal do Brasil em Campos e viveu uma experiência incrível. Foi preso não por querer denunciar alguma coisa, mas por estar correndo atrás de uma boa notícia. Quem lembra é seu parceiro na aventura, o fotógrafo Esdras Pereira, que começou fotografando aos 15 anos e hoje, aos 57, se divide, entre cuidar do seu restaurante Madame Z, lá mesmo, em Campos, fazer coluna social e tocar um blog, no grupo Folha da Manhã:

‘A teoria é que se havia petróleo em terra, tinha que ter petróleo no mar, e essa teoria era defendida pelas pessoas que estavam procurando petróleo em Campos. Mas o governo negava o tempo todo. Era a ditadura, a gente não tinha informação nenhuma. Eu acho que havia interesses estrangeiros envolvidos. O fato de ter petróleo aqui, com potencial de exploração comercial, significava que o país ia ter uma independência. Não sei se o governo tinha medo de acontecer alguma coisa ou se os militares estavam sendo impedidos de alguma forma de revelar isso naquela hora. Era questão de segurança, ninguém podia falar nada, era perigoso, não se podia mexer com eles. Era Dops, SNI.

Mas quem dominava essa tecnologia da prospecção toda eram os gringos, então a gente tentava conversar com eles. E eles não tinham problema nenhum de censura, de falar nada. Até que apareceram uns lá em Atafona, fizeram um centro de comunicações na praia, um acampamento, e o Aluysio conversou com eles, e um cara falou que já havia sido descoberto o petróleo. Ele fez uma matéria, o Jornal do Brasil acreditou nele — era um repórter muito sério, muito conceituado — e publicou dizendo que havia petróleo na Bacia de Campos. Depois isso foi desmentido. Então, uma coisa que era verídica foi desmentida. A gente ficou com esse negócio encravado na garganta.

Algum tempo depois, o Aluysio ficou doente e estava em casa. Me mandaram para o aeroporto. Uma e meia da tarde, um calor desgraçado, fui para a pista do aeroporto fotografar a má conservação. Fotografei o que eu tinha que fotografar, aeroporto de interior, não tinha quase ninguém. Mas, no saguão de espera, tinha um gringo com uma maleta na mão, essas maletas tipo 007, falando inglês. Eu não falo nada de inglês. Aquele cara me chamou a atenção. Pedi a um piloto da Votec [empresa de táxi aéreo], que era do Nascimento Brito: ‘Pô, meu irmão, você fala inglês, pergunta a esse gringo o que ele está fazendo aqui.’ O piloto foi lá e me traduziu: ‘Eu vim aqui porque a gente está dimensionando como é que vai fazer, porque estamos preparando o primeiro carregamento comercial de petróleo.’ Eu disse: ‘Você está de sacanagem.’ E ele: ‘Não, rapaz, ele está falando isso.’ ‘Mas vai carregar quando?’ Aí o gringo: ‘Não, já está carregando, tem um navio lá.’

Aluysio e Esdras se tornaram referência nacional na cobertura dos fatos da exploração de petróleo na Bacia de Campos, como a explosão da plataforma Enchova 1, em 18 agosto de 1984 (Fotos: Jorge Arújo/Reprodução do Jornal do Brasil)

A gente estava atrás disso havia anos! O gringo continuou falando e deu a parada toda. Aí eu: ‘O senhor tem a latitude e a longitude?’ E ele: ‘Tenho.’ Abriu a maleta, me deu, eu anotei e parti para a casa do Aluysio. Aluysio doente, lá na cama, eu disse: ‘Olha, Aluysio, está havendo isso, isso, isso e isso, aquele negócio que você garante que tem, é verdade, está aqui.’ E ele. ‘Mas como é que nós vamos fazer?’ Eu falei: ‘Está aqui a latitude e a longitude.’

Nós tínhamos um amigo em comum, chamava-se Geraldo Coutinho, um grande usineiro aqui da Usina Paraíso que tinha um avião. Os usineiros, na época, eram poderosos. Não era o avião mais adequado para fotografia porque a asa era embaixo, atrapalhava um pouco. Mas o piloto tinha vindo da guerra de Angola, um português, sabia as malandragens todas. Aí o cara: ‘Ok, empresto o avião para vocês.’ Botou o piloto em contato, fizemos um plano de voo para a praia do Farol de São Thomé, onde estavam prospectando o petróleo em terra, a única praia campista. Claro que a gente não falou que ia em alto-mar, que eles não iam permitir. Quando a gente chegou lá, o piloto fez rasante até o local, para não ser detectado pelo radar.

De longe a gente já via a silhueta do navio. Fizemos uns voos com a asa deitada de lado para eu poder fotografar. Eu fotografei com a teleobjetiva. Quando chamei no zoom, entre uns caras que estavam no deque do navio vi um camarada com um binóculo olhando para a gente e falando alguma coisa, e outro anotando na prancheta. Rapidamente falei: ‘Aluysio, vai dar confusão, o cara está anotando o prefixo do avião, estou vendo ele daqui…’ Fizemos mais uns dois sobrevoos e partimos para terra, porque a aeronave não estava preparada para voo noturno e já estava querendo escurecer.

Quando se chega ao aeroporto de Campos, o avião tem que fazer umas três voltas, antes de aterrissar e ter permissão. Ao fazer a primeira volta, eu falei: ‘Tem uma Kombi branca lá embaixo, bem na frente do saguão, e é da Polícia Federal. Eles estão esperando a gente.‘ Ele disse: ‘Rapaz, e agora? A gente não pode perder esse filme.’ Eu o acalmei: ‘Vamos ver o que a gente faz.’

O piloto, na hora de taxiar, fazer a curvinha para voltar para o aeroporto, parou meio de ladinho, e eu desci pela asa. Abri a cabinezinha, desci pela asa com a chave do carro do Aluysio na mão, a máquina na outra e caí no mato. Era capim-colchão, que eles plantaram em volta do aeroporto para o caso de uma eventualidade, de acontecer um pouso de barriga, essas coisas. E fui abaixadinho para o aeroclube, que era perto do saguão. Peguei o carro e me mandei para Campos, que é perto, a uns 8 quilômetros.

Eu revelava o meu material e mandava para o Rio de ônibus. Só que, dessa vez, não ia dar tempo para mandar de ônibus. Revelei as fotos, tudo legal, liguei para o Jornal do Brasil e eles: ‘Manda que é primeira página .’ Aí eu corri de volta para onde? Para o aeroporto. Cheguei e eles lá detidos… e eu fiz de conta que não era nada comigo. Fui para a fila do embarque, tinha um avião de carreira que ia sair em uma hora, e da mesma forma que um usineiro me ajudou, outro botou areia. Cheguei para um, descendente de ingleses, muito petulante — nunca imaginava que ele fosse fazer aquilo —, e pedi: ‘Estou aqui com um material que preciso mandar para o Jornal do Brasil, eles estão lá no Santos Dumont esperando, eu vou dar esse envelope a você com umas fotografias, você podia entregar para mim?’ E ele: ‘Não sou carteiro, não, meu filho, procura outro.’ Mas o homem na fila atrás de mim falou assim: ‘Não, que é isso, eu não te conheço, mas se você quiser, eu levo.’ Anotei o nome dele, as características das roupas. Não tinha jeito, ali era ou tudo ou nada’.

Capa do Jornal do Brasil de 14 de agosto de 1977, com a foto de Esdras e as informações de Aluysio, noticiando antes de todos o primeiro carragemento de petróleo da Bacia de Campos

A foto foi publicada, com destaque na primeira dobra da primeira página da edição de 14 de agosto de 1977, com a legenda:

‘Ligado à plataforma marítima Cedco-135-D por uma mangueira de mais de 200 metros de comprimento, o petroleiro Água Grande espera, a 56 milhas do litoral, completar sua capacidade de 45 mil barris para levantar âncoras — provavelmente na próxima sexta-feira — transportando o primeiro carregamento de petróleo do campo de Enchova para as refinarias da Petrobras. Ontem ao meio-dia funcionários da empresa que operam em outra plataforma na unidade Penrod-62 (P-6) anunciavam entusiasmados a conclusão, com êxito, de mais uma missão. ‘Encontramos muito óleo no poço que estávamos perfurando e nas próximas 48 horas a P-6 mudará de lugar’, disseram. O próximo poço da área a entrar em produção será o que está sendo perfurado pela plataforma Zephir -II’.

O governo militar não podia mais desmentir o Aluysio”.

 

A história de Esdras com a Folha da Manhã

Três anos depois de contar um pouco da sua história de jornalismo com Aluysio, no livro da Belisa sobre os grandes momentos do Jornal do Brasil, quando a Folha da Manhã completou 40 anos, em janeiro de 2018, Esdras também deu seu testemunho dessa história. Do jornal que vestiu a camisa como poucos, passando da reportagem-fotográfica até ser seu primeiro editor de fotografia, em meados dos anos 1990. E um pouco depois nele se tornar um conceituado colunista social:

 

Esdras Pereira, repórter-fotográfico e colunista social da Folha da Manhã

Aventura, sonho & realidade

Por Esdras Pereira

 

Naquela manhã distante e modorrenta, de mormaço sufocante, eu jazia sentado naquele incômodo banco de madeira da antiga loja de Dib Hauaji, bem em frente ao relógio do Mercado Municipal. Do alto dos meus 14 anos, me impacientava à espera de algum serviço de fotógrafo freelancer, quando estacionou na porta da loja um fuscão ocre como gema de ovo bem passado e dele desceu um homem, tão despachado quanto bigodudo, que foi logo dizendo: “Dib, me arruma um fotógrafo aí que já não aguento mais ficar te pedindo fotos”.

Dib nem titubeou: “Leva esse aqui, que saiu da loja e está coçando o s…, é novinho, mas é bom.”

E, assim, lá fui eu viver a grande aventura de uma vida ao lado do jornalista Aluysio Barbosa, então redator-chefe de A Notícia. O melhor repórter que já conheci.

Professor/amigo/pai, ele foi me ensinando as manhas do ofício entre raríssimos elogios e generosos puxões de orelha. Tudo era novidade, uma aventura atrás da outra. Eu, adolescente, vibrava com as viagens, grandes reportagens, personagens e o seu faro para as boas histórias.

Dali para frente, Aluysio, também repórter especial do Jornal do Brasil, formalizou no JB a nossa dupla, conhecida como os “Caçadores de Primeiras Páginas”, tantas elas foram.

E as aventuras foram acalentando um sonho que nem a sua rabugice, muito menos seus penetrantes olhos verdes conseguiam esconder.

Aluysio queria mais, queria olhar acima da copa do jornalismo provinciano da planície. Queria poder fazer aqui um jornalismo moderno, sem as limitações dos antigos jornais de linotipos e clichês, e do ranço do comodismo ultrapassado.

O seu sonho foi compartilhado com Diva, que o abraçou de corpo e alma. Ela estava ao seu lado e ele ao lado dela. Logo eles foram compartilhando esse sonho com outros amigos.

Estava lançado o desafio. Não se tratava apenas de fazer mais um jornal em Campos, mas o melhor jornal da região. A semente germinou, brotou a Folha, lançando raízes profundas e caule forte. Nascia ali o primeiro jornal offset do interior do Estado do Rio. Mas o desafio não teria fim e seria sempre a nossa maior motivação.

A Folha da Manhã nasceu líder, são 40 anos de vitórias, essa a maior delas. Hoje, amadurecida, mostra-se a cada dia mais jovem. Aluysio já não está entre nós, mas o seu legado permanece através dos filhos Aluysio e Christiano, novos regentes dessa bela orquestra ao lado da mãe Diva Abreu Barbosa.

O que era uma aventura se transformou em sonho e depois realidade. E hoje nos dá o orgulho de ser Folha…

 

Minha história com Esdras

Esdras se tornou parceiro do meu pai logo após este voltar a Campos em 1973, ano seguinte ao meu nascimento em Niterói. O conheço, portanto, desde que me entendi por gente. Pela adoção profissional paterna, sempre o respeitei na condição de irmão mais velho. E, como irmãos, sobretudo dois de temperamento assertivo, tivemos nossos desentendimentos.

Muito talentoso como repórter-fotográfico, colunista social e até como romancista, a maior qualidade de Esdras, na visão do velho Aluysio, era outra: “Nunca faltou ao trabalho, nem com febre”.

Foi a mesma resiliência física que Esdras demonstrou no enfrentamento à Covid, que quase tirou sua vida em junho do ano passado. Alguns meses depois, em novembro, descobriria o câncer do sangue que hoje o mataraia precocemente por infecção pulmonar. Apenas três dias antes, no sábado, tinha voltado dirigindo de Niterói, onde foi com sua esposa, Alba, para consulta médica. Lutando até o final, como sempre fez, tinha marcado seu transplante de medula para 13 de dezembro.

Mas, entre suas lutas contra a Covid e o câncer, ele teve a chance de ver nascer sua quarta neta, Elis, de apenas três meses. E se casou em novembro passado com Alba, sua companheira leal há 39 anos. Esdras deixa também três filhos, Daniel, Aline e Marina.

 

Esdras e Aluysio Abreu na exposição “Flores e Papiros”, no último dia 3, na Femac (Foto: Rodrigo Silveira/Folha da Manhã)

 

A despeito de fugir de eventos sociais como o diabo da cruz, fiz questão de prestigiar o concorrido vernissage de Esdras: “Flores e Papiros”, na Femac, no último dia 3. Como sua visão sensível debruçada sobre as flores, usei uma camisa com este motivo para homenagear a quem sempre considerei o maior fotográfo de Campos. E pude testemunhar a bonita e derradeira homenagem prestada por outros tantos admiradores do seu trabalho na cidade.

Falando sobre jornalismo, redes sociais, democracia, ditaduras, do seu último trabalho exposto na Femac, segue abaixo, em dois blocos, a íntegra em vídeo da última entrevista de Esdras, ao Folha no Ar do último dia 2. No final, falando também sobre culinária, outra paixão dele, do radialista Cláudio Nogueira e minha, ficamos de fazer um novo programa só decicado ao assunto. Mas este ficará para outra oportunidade, talvez com a presença de Aluysio, que nunca cozinhou nada, mas nesta vida adorava comer.

Depois dos vídeos, o poema vencedor do 11º Concurso Nacional de Poesia Francisco Igreja de 2008, realizado no auditório Machado de Assis, na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Como Aluysio, quem em sua morte relembrei pela face menos conhecida de pescador, Esdras foi também um grande mergulhador e caçador submarino, que me incentivou na prática desses esportes ainda adolescente. Com os dois tive a chance de aprender sobre jornalismo, a vida e o mar. Lições que guardo atadas à cintura, entre boca e guelras com sangue ainda quente, pela fieira.

 

 

 

conversão a mais de uma atmosfera

 

quando estou lá embaixo

esbarro comigo mesmo

sem dar de ombro

é em mim o tiro que miro

do arpão que zune nas águas

e rasga escamas

e carnes de pouco sangue

não vejo Deus vendo acima

só abaixo

perdido em arquiteturas

e faço parte d’Ele

refém do fascínio

de quem habita a zona morta

do meio do esquadro

 

atafona, 20/03/96

 

Campos com leitos clínicos de Covid zerados e voto bairrista

 

Campos está com os leitos clínicos de Covid zerados. A boa notícia, que não deve ser confundida com o fim da pandemia, foi dada no início da manhã de ontem no programa Folha no Ar, da Folha FM 98,3, pelo vice-prefeito Frederico Paes (MDB). Egresso de atuação como dirigente hospitalar, experiência que tem sido aproveitada na Saúde Pública do município, ele também revelou que 40 mil campistas ainda não tomaram a primeira e a segunda doses da vacina contra a Covid. Esses 10% da população da cidade sem imunização, alertou, “podem complicar a vida dos outros 90% que foram vacinados”. Estreante na política na chapa vitoriosa do prefeito Wladimir Garotinho (PSD) em 2020, Frederico deu nota 9 aos 11 primeiros meses de governo, elencando seus acertos, detalhando-os sobretudo na Saúde, mas também admitindo erros. E fez uma convocação a Campos e ao Norte Fluminense, inclusive para a oposição, na campanha eleitoral para deputados federais e estaduais em 2022: não votar em candidatos de fora, visando eleger o maior número possível de representantes da região. Também industrial do açúcar e do álcool, ele falou da retomada da secular vocação agropecuária do município, projetando que a safra de cana deste ano deve gerar divisas de R$ 700 milhões. Que podem chegar a R$ 1 bilhão com a volta da Usina Paraíso à moagem.

 

Frederico Paes (Foto: Genilson Pessanha/Folha da Manhã)

 

Saúde – Finalizando 11 meses de governo, infelizmente, a gente não pode deixar de falar que nós encontramos uma saúde muito caótica. É impossível falar do que a gente está realizando no governo Wladimir sem falar como a gente encontrou: saúde precária em todos os sentidos, uma assistência péssima, quase 50 Unidades Básicas de Saúde (UBS) fechadas ou sucateadas. E nós tomamos, por determinação do prefeito Wladimir, a saúde como missão número 1 desse governo. Por exemplo, a gente pode citar a reabertura das UBS do Parque Aurora, Jamil Abdo, Vila Nova, Parque Santa Rosa, Dores de Macabu, Lagoa de Cima e São Sebastião. Abrimos, ainda, a Policlínica do Servidor e da Terceira Idade, além do posto de saúde do Mercado Municipal. No Ferreira Machado, eu gostaria de citar, por exemplo, o Centro de Queimados, que foi inaugurado há poucos dias. Inauguramos também o novo centro cirúrgico, e ainda um setor de tisiologia, para tratamento de tuberculose e que estava muito abandonado. Teve uma participação do Ministério Público no Centro de Atendimento a Criança e Adolescente Vítima de Violência: lá há um ambiente separado, com uma entrada separada do Ferreira Machado, onde crianças e adolescentes que são acometidos com violência doméstica têm atendimento especializado. Também, recentemente, inauguramos o polo e cadastramento para doação de medula óssea, uma coisa muito importante, que é junto ao nosso Hemocentro. Enfim, uma série de melhorias que nós fizemos no Ferreira Machado, que é o hospital mais importante da região. A gente inaugurou o mamógrafo no Centro de Referência da Mulher. Estava há três anos fechado. Enfim, é uma série de coisas que a gente fez em 10 meses. Eu considero que há muito a fazer, mas houve avanço significativo. Um deles é a questão dos corredores do hospital. Conversamos com os diretores do Ferreira, doutor Arthur Borges, e do HGG, doutor Vitor Mussi, e conseguimos esvaziar os corredores. Nós conseguimos abrir leitos, muitas vezes provisórios, em que a pessoa entra, faz uma triagem, e fica no próprio hospital ou vai para algum hospital contratualizado. Mas, conseguimos tirar aquela situação de corredor, que era uma situação horrível. Até o fim do ano, vamos abri mais quatro UBSs: no Carvão, no Campelo, em Três Vendas e Pernambuca. A gente pode falar que é uma UBS por mês.

Leitos clínicos de Covid zerados – É importante a gente destacar que essas boas notícias não podem ser confundidas com relaxamento das pessoas. A gente tem uma preocupação muito grande com as festas agora de final de ano. A gente tem que admirar o SUS como um dos melhores sistemas de saúde do mundo. Foi graças a esse sistema, que está aí funcionando há mais de 20 anos, que a vacinação do povo brasileiro avançou muito. Não foi diferente em Campos. Nós tivemos aqui, por muitas vezes, um trabalho por muitas vezes árduo e difícil de vacinação, comandado por doutor Charbell e toda a nossa equipe. Deu muito trabalho, porque, na verdade, na busca por vacinação, as pessoas enfrentaram fila, tiveram às vezes dificuldade de acesso. Mas hoje, em Campos, a gente pode comemorar que não tem nenhum paciente internado em leito clínico. A Santa Casa zerou os pacientes de UTI. Não dá para comemorar se a gente tem gente internada em UTI. Nós temos, hoje, sete pessoas internadas em UTI em toda a rede pública e municipal. Só que, se a gente olhar um pouquinho para trás, há quatro, cinco meses, nós tínhamos 120 leitos de UTI ocupados, entre públicos e privados, e mais 10, 15 pessoas aguardando em fila de espera por um leito de UTI, sem conseguir respirar, o que é uma coisa terrível. Não dá para a gente sair soltando fogos em comemoração, porque ainda existe gente internada. Mas, o fato de não haver, hoje, nenhuma pessoa internada em leito clínico é uma coisa muito importante. Raramente o paciente entra direto na UTI, ele entra através do leito comum, leito clínico. Infelizmente, quando o quadro evolui, passa para a UTI. Eu acredito que, até o final do ano, a gente possa estar com essa situação zerada.

Campistas sem vacinar são 40 mil – Faço um apelo público para que as pessoas procurem a vacinação contra Covid. Nós temos, hoje, 40 mil pessoas que deveriam ser vacinadas e ainda não foram. São pouco menos de 10% da população, que deveriam ser vacinadas e ainda não foram, em grande parte pessoas abaixo de 45 anos. Estamos falando de adultos jovens. Teve uma procura maciça dos idosos, porque foi ali no início da vacinação. O Dr. Charbell vai começar uma campanha junto à imprensa para nos ajudar a fazer um chamamento para que essas pessoas se vacinem, porque elas podem complicar a vida dos outros 90% que foram vacinados. A gente sabe que a vacina tem um período, tem uma época de atuação. Nós já estamos falando da terceira dose, que é uma dose de reforço. Você, que tomou a vacina, observe o cartão de vacinação. Cinco meses depois da segunda dose, você pode procurar o posto médico, procurar todos os nossos locais de vacinação, para tomar a dose de reforço.

Retomada da vocação agropecuária – A nossa secretaria de Agricultura está sendo tratada como secretaria. Porque a gente não encontrou nada lá. Era perto do Horto Municipal, numa situação precária. Hoje a gente tem uma secretaria fortalecida, que vai trazer dignidade para os nossos produtores rurais. Mas, repito, é um programa lento. Apesar de a gente ter feito mais de 150 quilômetros de estrada vicinais já em 10 meses, recuperamos pontes, diversas pontes de madeira, pontes que estavam caídas, ainda há muito a fazer. Nós temos mais de 40 pontes em condições precárias, hoje, no município, em que o produtor mal consegue escoar a produção. O Almy (secretário de Agricultura e ex-reitor da Uenf), trouxe essa demanda e falou: “Wladimir e Frederico, a gente não pode fazer qualquer programa sem dar uma infraestrutura mínima aos nossos produtores, e essa infraestrutura passa por estradas vicinais”, que, por muitas vezes, poderiam ser feitas com o apoio do Estado.

Safra vai gerar R$ 700 milhões – O setor sucroalcooleiro, hoje, além de gerar mais de 5 mil empregos diretos na nossa região, e aí não é só Campos, é São Francisco, São João da Barra, Quissamã, Cardoso, enfim, ele traz uma importante injeção de recurso. Hoje, a Coagro já terminou sua safra, e a Canabrava está finalizando.  Mas, pelos números projetados já para esse ano de 2021, deve fechar em torno de R$ 700 milhões. É um valor muito importante. Por exemplo: 60% ou 65% desse valor são para pagamento de matéria-prima ao produtor, e esse produtor gasta na região, investe na região. O restante, 35%, 40%, são para manutenção, pagamento de salário, reforma da indústria, custo industrial, custo administrativo, em que também grande parte desse recurso fica na região. Então, hoje, a retomada do setor sucroenergético já é uma realidade. E o que a gente quer agora é crescer mais, quem sabe chegar aí a um faturamento da região no nosso setor em torno de R$ 1 bilhão. É uma coisa possível de acontecer, principalmente com a reabertura da Usina Paraíso. O clima tem nos ajudado também, tem chovido um pouco mais, e nós estamos, hoje, com uma situação da Usina Paraíso que vai gerar mais 2 mil empregos na nossa região.

Erros e acertos do governo Wladimir – Eu pude observar uma conquista que nós tivemos, que foi a reabertura do Restaurante Popular, o Restaurante do Povo. Em parceria com o governo Cláudio Castro, o Governo do Estado, nós vamos abrir um restaurante em Guarus também, para atender àquela população. Existe aquela história de que não vamos dar o peixe, vamos dar a vara e ensinar o cara a pescar. Mas, a gente sabe que tem hora que precisa dar o peixe, tem que ser feito isso, e é o que a gente está fazendo. Sobre o restaurante de Guarus, o prazo (dito em entrevista de Cláudio Castro à Folha, de entrega em novembro) é muito apertado. Ouvi isso também e comentei com uma pessoa naquele dia que não ia dar tempo. Se pelo menos até o início do ano ele ficar pronto, a gente vai ficar muito feliz. Na Saúde, houve muitos avanços. Destaco também a Educação. Temos lá o professor Marcelo Feres, que é um grande profissional. Quanto aos erros, eu acho que a experiência que a gente precisa adquirir com o tempo fazem com que a gente às vezes cometa algum equívoco. E a oposição, por mais que às vezes machuque o ouvido você receber críticas, ela é importante. Por muitas vezes essa crítica é infundada, mas quando é verdadeira, ela é importante. O que a gente não pode admitir é fake news, coisas que são inventadas para prejudicar o governo municipal.

Nota de 0 a 10 – Colocaria uma nota 9. Não estou falando isso porque sou vice-prefeito, mas pelo esforço e pelo resultado que estamos alcançando em tão pouco tempo. Talvez daqui a quatro meses, espero que não dure tanto, eu volte ao programa e fale que foi para 8 ou para 9,5, porque 10 nunca é. Mas há um esforço. E o Wladimir, que vou chamar de menino, porque tem 30 e poucos anos, eu já estou com 50 e lá vai fumaça, é um cara muito bem intencionado. É uma pessoa que, como todos nós, comete equívocos, mas uma pessoa que quer acertar, tem uma vontade muito grande de acertar. E não para de trabalhar. O cara é uma máquina para trabalhar. Tem uma brincadeira em que ele fala: “Bora trabalhar”. Então, esse gás acaba contagiando de forma positiva todo o governo.

“Dinheiro novo” – Não me lembro de Campos ter tido, acho que desde a época do avô de Rafael (Diniz), que foi Zezé Barbosa, uma interação que está tendo com o Governo do Estado e o Governo Federal como Wladimir conseguiu. Eu já estive em Brasília diversas vezes com ele nos ministérios, ele é muito querido lá. Campos, este ano, vai receber, deve fechar aí em quase R$ 200 milhões do chamado “dinheiro novo”, dinheiro externo, entre emendas parlamentares, recursos do Governo do Estado. Aqui fica um agradecimento muito especial ao governador Cláudio Castro, que tem sido muito parceiro do município. Se não fosse o governador, talvez a gente não conseguisse atingir vários objetivos. E o governo federal, através de senadores, deputados federais. Eu queria dar destaque aqui para a Clarissa Garotinho, que tem colocado muita emenda aqui na nossa cidade; o Christino Áureo também é outro deputado; enfim, vários deputados federais têm proporcionado emendas parlamentares. Por exemplo, na agricultura nós vamos receber, no ano que vem, mais de R$ 15 milhões em emendas parlamentares para compra de equipamento, estrada vicinais, reforma de ponte, uma série de coisas. Essas emendas parlamentares, se não fosse a habilidade do Wladimir, a gente não conseguiria com tanta rapidez como nós estamos conseguindo.

Racha na base – Faço um destaque ao Fábio Ribeiro, nosso presidente (da Câmara), que ainda conseguiu avançar muito em relação à maneira e a velocidade com que (o pacote de projetos do governo) foi conduzido. Então, não resta dúvida, como a gente falou: entre erros e acertos, houve essa questão da falta ali de um diálogo maior, à época (em maio), com alguns vereadores. Por outro lado, houve uma separação necessária. Nós tínhamos ali diversos vereadores que estavam acompanhando o governo simplesmente em busca de cargos. Eles caminharam no segundo turno conosco, mas não trouxeram os votos. A verdade é essa. Os votos não vieram por falta de empenho deles. Então, acho que a base, hoje vou chamar de 15, é consolidada, e tem que ser dada oportunidade e valor a essas pessoas. Nós temos que enaltecer o nosso presidente Fábio Ribeiro, que tem conduzido com muita força no sentido de habilidade política, a nossa Câmara. E a base, hoje, repito, ela tem que ser valorizada.

Oposição – Faltou diálogo. Eu repito o que falei. Estive aqui logo após esse embate, e desde daquela época eu falei isso. Esses três que você citou aí (Raphael Thuin, Fred Machado e Bruno Vianna) são pessoas que têm um pensamento eu diria até alinhado com o governo em muitas coisas. Acho que a unanimidade é sempre burra, é preciso haver discussão, haver debate. Há pessoas que não são posição simplesmente por serem oposição. A gente entende ali que a divergência é normal, faz parte das questões políticas, mas o importante é querer o bem da população. É a primeira vez que eu entrei na política e, graças a Deus, fui vitorioso junto com o Wladimir. Existe um meio político fechado em que as notícias circulam ali naquele meio. Mas, se você escutar a população como um todo, ouvir as pessoas, formadoras de opinião ou não, pessoas que usam e que dependem por muitas vezes do poder público, você vai ver que, hoje, o governo Wladimir está com uma aceitação excepcional. Essa oposição sabe disso, sabe que o governo Wladmir está fazendo um governo bom. Tem erros? Tem, mas tem feito, tem procurado se esforçar. E aí começa a se criar essas fake news nessa oposição chamada raivosa. É uma oposição que não traz nada de produtivo.

Não aos candidatos de fora – Nós perdemos de forma muito trágica dois deputados: o João Peixoto, que inclusive é um dos fundadores da nossa cooperativa lá atrás, o grande João, de diversos mandatos, e o Gil Vianna. Eu acho que Campos, São João da Barra, Cardoso, enfim, esses municípios próximos aqui têm condição de fazer pelo menos quatro deputados estaduais. Nós temos a obrigação de fazer. É preciso, na campanha, falar com os nobres candidatos, sejam eles do nosso grupo ou não, para não deixar esse povo de fora vir pegar voto aqui. A quantidade de eleitor que vota em deputados que vêm aqui só em época de eleição, acho que a imprensa pode até ajudar nisso, é absurda. Existem deputados federais de fora que trazem benefícios, como eu citei agora, por exemplo, o Christino Áureo. É uma pessoa ali mais ligada à região de Macaé, mas que atua aqui em Campos e região, no estado todo, tem feito um excepcional mandato. Eu falei, numa reunião política esses dias com o nosso grupo, que eu acho que a gente tem condição de fazer três deputados estaduais. E, quem sabe, dois deputados federais. Agora, é preciso fazer um trabalho bem feito. A eleição do Garotinho para deputado federal, com a Justiça liberando, é certo que vai puxar. Então, eu acho muito importante essa união da população aqui em torno da cidade, mostrar para as pessoas que o voto num candidato local é muito importante. Acho que tem que ser massificado isso na cabeça do eleitor na campanha. Convoco até a oposição. Na verdade, pelo número de eleitores, dava para eleger todo mundo (risos). Dá para fazer tranquilamente cinco, seis deputados estaduais, dois, três federais.

 

Confira abaixo, em dois blocos, a íntegra do Folha no Ar da manhã de ontem, na Folha FM 98,3, como vice-prefeito Frederico Paes:

 

 

 

Página 2 da edição de hoje da Folha da Manhã