Edmundo Siqueira — Patrocínio e o diploma de jornalista no STF

 

 

 

Edmundo Siqueira, servidor federal, jornalista, bacharel em Direito e blogueiro do Folha1

O Supremo e o diploma que Patrocínio nunca teve

Por Edmundo Siqueira

 

José do Patrocínio, nascido em Campos dos Goytacazes, era farmacêutico de formação. Nunca cursou jornalismo — não havia curso — e ainda assim escreveu a abolição na Gazeta da Tarde e na Cidade do Rio. Machado de Assis, Euclides da Cunha, Barbosa Lima Sobrinho — que presidiu a ABI — também não se diplomaram jornalistas. Pelo critério que dois ministros do Supremo começaram a discutir na terça-feira (18), nenhum deles estaria autorizado a apurar coisa alguma.

Flávio Dino e Alexandre de Moraes sugeriram que o STF reabra a discussão sobre a exigência do diploma de jornalista. Dino disse que a dispensa “constitui um complicador”, porque estenderia automaticamente as garantias da imprensa “a qualquer blogueiro”, e chegou a imaginar PCC e Comando Vermelho promovendo concurso para selecionar cem blogueiros cada um. Moraes concordou e falou em regulamentação, com regra de transição.

Discutir isso agora não deixa de ser uma aposta dobrada de dois ministros do Supremo e uma tentativa de escalada em posicionamentos no mínimo controversos aos olhos da própria Constituição que guarda.

Uma semana antes da discussão sobre o diploma, viera a público a decisão monocrática de Moraes que determinou a quebra do sigilo telemático do blogueiro maranhense Luís Pablo para chegar à sua fonte, o ex-secretário Raimundo Cutrim, em inquérito que apura suposto monitoramento de Dino. O jornalista havia publicado imagens do ministro e de familiares em carros funcionais do Tribunal de Justiça do Maranhão. Fenaj, Abraji, Sindjor-MA e a Sociedade Interamericana de Imprensa reagiram. Como observou Malu Gaspar, em O Globo, o debate sobre o diploma serve para desviar o foco do que de fato importa.

A ironia aumentou na quarta (19), quando um relatório da Polícia Federal afirmou não ser possível concluir que Luís Pablo tenha recebido pagamento para produzir reportagens contra Dino. E ainda, segundo a PF, não foi encontrado indício de violação de sigilo funcional pelo profissional.

A obrigatoriedade do diploma nasceu do Decreto-Lei 972, de 1969, editado por junta militar, no período mais sombrio do regime, invocando diretamente o AI-5, quando estavam sendo afastados das redações intelectuais, artistas e políticos que se opunham ao governo. Em 17 de junho de 2009, no RE 511.961, o Plenário do STF decidiu por oito votos a um, sob relatoria de Gilmar Mendes, que o dispositivo não fora recepcionado pela Constituição de 1988. Jornalismo detém um conjunto de técnicas e é regido por obrigações éticas bastante claras. Não é que ele caminhe ao lado da liberdade de expressão, mas sim é o próprio exercício dela.

O Supremo não estava sozinho. Desde a Opinião Consultiva 5/85, a Corte Interamericana de Direitos Humanos entende que exigir diploma e inscrição em ordem profissional para o exercício do jornalismo viola o art. 13 do Pacto de San José, do qual o Brasil é parte. Restaurar a exigência não seria, portanto, apenas revisar um precedente interno, seria descumprir compromissos internacionais.

O art. 5º, XIV, da Carta Constitucional, assegura a todos o acesso à informação, “resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional”. A garantia está presa à atividade, dando plena liberdade de informação jornalística em qualquer veículo de comunicação social (art. 220, § 1º). Se o diploma voltasse a ser condição, Luís Pablo não seria jornalista e a quebra deixaria de ser violação de um direito, passando a importar mais a pessoa que o Estado reconhece previamente como jornalista do que a apuração, a verificação e o interesse público de uma informação.

Não se trata, porém, de sugerir que crime não se apure. Se houve monitoramento clandestino de um ministro, que se investigue e se puna — e também a responsabilidade do agente público que acessou indevidamente sistemas restritos. A simples publicação de quem recebeu não coloca o jornalista como coautor do ilícito.

Sistemas estatais de acesso restrito produzem registros auditáveis, havendo, portanto, meios de se chegar à verdade sem a necessidade de quebra de direitos fundamentais. Escolheu-se o mais invasivo, o celular do jornalista, por decisão monocrática, em um pedido da PF que o STF redistribuiu ao ministro Alexandre de Moraes por considerar um caso análogo ao chamado “inquérito das fake news”, instaurado em 2019 pelo ministro Dias Toffoli, com base no art. 43 do Regimento Interno. A decisão de Moraes veio em favor de um colega da mesma Turma.

Vivemos em um tempo histórico em que é preciso reafirmar obviedades, e uma delas é que o sigilo de fonte nunca foi imunidade. É a proteção contra ser compelido a revelar, e jamais impediu investigar e punir a fonte, ou o próprio jornalista, por crimes que eles cometam.

Essa “confusão” de garantias violadas vale também ao diploma para o jornalista, que nunca assegurou ética a ninguém. E, ainda na defesa do óbvio ululante, o Brasil e seu ordenamento jurídico já dispõem de calúnia, injúria, difamação, direito de resposta e reparação por dano moral. “Mostra-se incompatível com o pluralismo de ideias, que legitima a divergência de opiniões, a visão daqueles que pretendem negar aos meios de comunicação social (e aos seus profissionais) o direito de buscar e de interpretar as informações”, palavras do próprio Supremo, em 2011, em julgado (AI 705.630) relatado pelo ministro Celso de Mello.

Patrocínio, o jornalista de Campos, que fez do jornal uma arma contra a escravidão, muitas vezes foi um “blogueiro sem registro” aos olhos contemporâneos. A liberdade de imprensa não se mede pelo que o poder tolera nos dias tranquilos, mas pelo que suporta quando a notícia é sobre ele.

É preciso fechar com um alerta do presidente da Corte, Edson Fachin, que acerta, mesmo falando em relação a outro assunto, mas cabendo aqui como uma luva: “Quando joio e trigo crescem juntos, os incautos perguntam se devem logo ser arrancadas as ervas daninhas. A resposta é negativa. Ao arrancar o joio antes da hora, corre-se o risco de arrancar também o trigo. É preciso aguardar a colheita para então separá-los”.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Contexto do apoio de Romário a Paes em Campos e reação de Rosinha

 

 

Romário declara apoio a Paes

“Muitos problemas a gente vem enfrentando com os candidatos (a governador). Nada contra, respeito máximo a todos. Mas pelo histórico do Eduardo Paes (PSD) e o que ele vem fazendo na nossa cidade (do Rio), chegou a hora de dar a ele essa oportunidade”, foi o que disse o senador Romário (sem partido) em Campos, na última quarta (19).

 

Pergunta e resposta

A declaração do ex-gênio do futebol, que veio para uma caminhada em apoio à reeleição de Bruno Dauaire à Alerj, foi uma resposta à pergunta do repórter da Folha Hevertton Luna, sobre quem apoiaria a governador. Nada mais natural indagar a um político popular como Romário, a pouco mais de 40 dias para a urna de 4 de outubro.

 

Sem campanha para Paes

Dali, a caminhada de Romário com Bruno pelas ruas do Centro, até o Mercado Municipal, durou cerca de uma hora. Em nenhum momento dela, o senador pediu voto para Paes a governador. No entanto, publicado no Folha1, o corte do vídeo da sua resposta viralizou, sintetizando um ato político que não teve aquele objetivo político.

 

Rosinha reage a Bruno

Na noite da mesma quarta, Rosinha soltou um vídeo em suas redes sociais. Em que, falando de “traição”, advertiu Bruno: “Na hora de dizer para gente que o grupo político do Garotinho tem dois (candidatos a) deputado estadual, vocês sabem falar. E, na prática, vocês trazem alguém em Campos para pedir voto ao Eduardo Paes.”

 

 

Disputas internas

“E pare de ameaçar, o seu pessoal aí, as pessoas que estão com o outro candidato (a deputado estadual do grupo, Thiago Virgílio). Se tem dois candidatos, cada um escolhe o seu. Isso é democracia (…) Mas fica feio você dizer que apoia o Garotinho (a governador) e trazer Romário para pedir voto para Eduardo Paes”, disse Rosinha.

 

Espaço aberto

Com o vácuo deixado pela prisão dos ex-deputados estaduais Rodrigo Bacellar (União) e Thiago Rangel (Avante), por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), o espaço foi aberto à eleição dos dois candidatos à Alerj do grupo que governa Campos. Que diminui as próprias chances em suas disputas internas tornadas públicas.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Martelo batido por Silvinho como novo presidente da Câmara

 

Frederico Paes, Silvinho Martins, Frederico Rangel e Wladimir Garotinho (Montagem: Joseli Matias)

 

Silvinho presidente da Câmara

Ao governo Frederico Paes (MDB), o martelo está batido: Silvinho Martins (MDB) será o presidente da Câmara de Campos no novo biênio. O acordo já estaria costurado com o atual presidente, Frederico Rangel (PP). Que, concunhado do ex-prefeito e candidato a deputado federal Wladimir Garotinho (PP), era o preferido deste para seguir no cargo.

 

Como a Folha adiantou

Na última segunda (17), o blog Opiniões adiantou (confira aqui): “Silvinho e Paes têm conversado com Rangel, que hoje controla as secretarias municipais de Limpeza e Meio Ambiente, para costurar um acordo. No qual se inverteriam as posições no próximo biênio, com Silvinho presidente e Rangel seu 1º vice. Mas esbarram na aceitação por Wladimir.”

 

Rangel aceitou Silvinho?

O acordo pela eleição de Silvinho com próximo presidente já teria sido aceito por Rangel. E contaria com a aprovação da maioria dos vereadores que elegerão, entre o início de outubro e 15 de dezembro, a nova mesa diretora da Câmara. Tanto Silvinho quanto Rangel são nomes com bom trânsito até com os edis da oposição.

 

Wladimir aceitará?

Embora preferisse Rangel reeleito, Wladimir aceitaria a decisão do prefeito e dos edis por Silvinho. E não bateria chapa pela presidência da Câmara Municipal. Mesmo se sair da urna de 4 de outubro, antes do pleito da nova mesa, eleito deputado federal e cacifado com 100 mil votos, meta da sua campanha hoje espraiada em 60 municípios.

 

Wladimir e Bruno, Frederico e Thiago?

Além do retorno à Câmara Federal, que já integrou de 2019 a 2020 e fez bom mandato, Wladimir trabalha pela reeleição a deputado estadual e desempenho consistente na urna do aliado Bruno Dauaire (União). Por sua vez, o prefeito Frederico Paes estaria trabalhando pela candidatura à Alerj do ex-vereador Thiago Virgílio (REP).

 

Estopim da confusão

Essas disputas internas foram o estopim da confusão entre militantes de Bruno e Thiago, no lançamento das candidaturas do grupo, no Automóvel Clube Fluminense, também no dia 17. O evento teve Frederico e os candidatos Wladimir, Bruno e Thiago, mas não o ex-governador e candidato a governador Anthony Garotinho (REP).

 

Acomodação de espaços

Thiago sempre foi próximo ao casal Anthony e Rosinha Garotinho. Nas subdivisões do grupo que voltou a governar Campos desde a eleição de 2020, com Wladimir, este se tornou seu maior líder local. Ao substituí-lo como prefeito, Frederico busca consolidar sua nova posição nas eleições à Alerj e, sobretudo, à mesa diretora da Câmara.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Sigilo de fonte, jornalismo e eleições no Folha no Ar desta 6ª

 

(Arte: Joseli Matias)

 

Os jornalistas Jualmir Delfino e Vitor Menezes são os convidados para encerrar a semana do Folha no Ar, a partir das 7h da manhã desta sexta, ao vivo, na Folha FM 98,3.

Eles falarão da quebra da garantia constitucional do sigilo de fonte (confira aqui) na atividade jornalística pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre Moraes (confira aqui, aqui e aqui) para proteger seu colega Flávio Dino. Vitor e Jualmir também analisarão o pensamento político conservador e progressista no jornalismo nacional.

Os dois jornalistas de Campos também tentarão projetar, a partir das pesquisas mais recentes, as eleições a governador (confira aquiaqui e aqui) e senadores (confira aqui e aqui e aqui) do RJ. E analisarão os nomes de Campos e região nas candidaturas proporcionais a deputado federal e estadual.

A pouco mais de 40 dias da urna do 1º turno em 4 de outubro, os dois também tentarão projetar a eleição a presidente da República, até aqui afunilada em todas as pesquisas (confira aqui e aqui) na polarização entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).

Quem quiser participar do Folha no Ar desta sexta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.

 

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Turismo, comércio, Centro, ponte e eleições no Folha no Ar desta 5ª

 

(Arte: Joseli Matias)

 

Empresário, líder lojista, arquiteto e subsecretário de Turismo de Campos, Edvar Júnior é o convidado do Folha no Ar a partir das 7h da manhã desta quinta (20), ao vivo, na Folha FM 98,3.

Ele falará do turismo em Campos, do comércio lojista, da demanda de revitalização do Centro da cidade, da ausência de projeto e prazo para a recuperação (confira aqui) da ponte Barcelos Martins e avaliará os quatro primeiros meses e meio do governo Frederico Paes (MDB).

Com base nas pesquisas mais recentes, Edvar tentará projetar a eleição a governador (confira aquiaqui e aqui) e senadores (confira aqui e aqui e aqui) do RJ.

Por fim, também com base nas pesquisas mais recentes, ele tentará projetar a eleição a presidente da República (confira aqui e aqui), com as urnas do 1º turno em 4 de outubro, daqui a apenas 46 dias.

Quem quiser participar do Folha no Ar desta quinta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.

 

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Reitora fala sobre Uenf, cinema e eleições no Folha no Ar desta 4ª

 

(Arte: Joseli Matias)

 

Professora e reitora da Uenf, Rosana Rodrigues é a convidada do Folha no Ar a partir das 7h da manhã desta quarta (19), ao vivo, na Folha FM 98,3.

Ela falará sobre o aniversário de 33 anos da Uenf no último domingo (16), das conquistas e desafios da universidade idealizada pelo antropólogo Darcy Ribeiro, inclusive da retomada de um dos seus projetos: um curso de cinema (confira aqui e aqui) que deve usar as instalações da (confira aqui) Escola Agrícola Antônio Sarlo.

Com base nas pesquisas mais recentes, Rosana tentará projetar a eleição a governador (confira aquiaqui e aqui) e senadores (confira aqui e aqui e aqui) do RJ.

Por fim, também com base nas pesquisas mais recentes, ela tentará projetar a eleição a presidente da República (confira aqui e aqui), com as urnas do 1º turno em 4 de outubro, daqui a apenas 47 dias.

Quem quiser participar do Folha no Ar desta quarta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.

 

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Quaest e Nexus: Lula em empate técnico no 2º turno com Flávio

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Um empate técnico no 2º turno entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), com a mesma vantagem numérica de 3 pontos ao petista, dentro da mesma margem de erro de 2 pontos para mais ou menos, nas duas novas pesquisas. Ao 2º turno, Lula 43% a 40% Flávio na Quaest de sexta (14). Na Nexus de hoje (17): Lula 47% a 44% Flávio.

Tendência favorável a Flávio na Quaest — Comparadas com as últimas pesquisas de cada instituto, no entanto, as tendências são diferentes. Na Quaest, houve pequenas mudanças favoráveis a Flávio. No intervalo de uma semana, Lula oscilou 1 ponto para baixo em um 2º turno contra o filho 01 do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL): de 44% aos atuais 43%.

Tendência de estabilidade na Nexus — Por sua vez, Flávio oscilou 1 ponto para cima na mesma simulação de 2º turno contra Lula na série Quaest: de 39% aos atuais 40%. A tendência, porém, nas duas últimas pesquisas Nexus é de estabilidade. Em um 2º turno cada vez mais provável: o Lula 47% a 44% Flávio se manteve inalterado na última semana.

Lula lidera ao 1º turno na Quaest — Lula também liderou, mas fora da margem de erro, as consultas estimuladas dos dois institutos ao 1º turno de 4 de outubro, daqui a apenas 48 dias. Na Quaest, o petista teve 38% de intenção, contra 31% (7 pontos a menos) de Flávio. Ambos foram seguidos à distância por Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD), com 4% cada.

Tendência favorável a Flávio — A tendência ao 1º turno na série Quaest, como na simulação de 2º turno contra Lula, também se mostrou levemente favorável a Flávio. No intervalo de uma semana, ele também oscilou 1 ponto para cima: de 30% aos 31% atuais. Por sua vez, Lula também oscilou 1 ponto para baixo: de 39% aos atuais 38%.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Lula lidera ao 1º turno na Nexus — Já na Nexus, Lula liderou com a consulta estimulada ao 1º turno com 41% de intenção, contra 36% (5 pontos a menos) de Flávio. Ambos foram seguidos à distância por Caiado, que teve 5% e ficou em empate técnico com Renan e Romeu Zema (Novo), com 4% cada.

Tendência de estabilidade — A tendência ao 1º turno na série Nexus se mostrou levemente positiva e equilibrada entre os dois líderes da corrida presidencial. Tanto Lula (de 40% aos atuais 41%) quanto Flávio (de 35% aos atuais 36%) oscilaram 1 ponto para cima no intervalo da última semana.

Aprovação a reprovação ao Lula 3 em empate técnico na Quaest — Fundamental em qualquer tentativa de reeleição, a aprovação de governo trouxe tendências diferentes na série de pesquisas dos dois institutos. Na Quaest, a desaprovação ao Lula 3 oscilou 1 para cima, de 47% dos brasileiros aos atuais 48%. Por sua vez, a aprovação oscilou 2 pontos para baixo: de 48% aos atuais 46%.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Aprovação e reprovação ao Lula 3 em empate técnico na Nexus — Na série Nexus, foi o contrário:  a desaprovação oscilou 1 ponto para baixo (de 49% dos brasileiros aos atuais 48%), enquanto a aprovação oscilou 1 ponto para cima (de 46% aos atuais 47%). O fato é que as duas séries de pesquisas evidenciam incerteza em dois empates técnicos e quase numéricos entre aprovação e desaprovação.

Rejeição na Quaest: Flávio 54% a 52% Lula — Fundamental à definição do provável 2º turno, a rejeição repete o empate técnico entre Flávio e Lula nas duas pesquisas. Na Quaest, o primeiro lidera numericamente com 54% de rejeição, contra 52% do petista. A manutenção dos dois números na última semana da série demonstra o quanto essas altas rejeições estão cristalizadas.

Rejeição na Nexus: Flávio 50% a 48% Lula — Na Nexus, Flávio também liderou numericamente a rejeição, com 50% dos brasileiros dizendo que não votariam nele de jeito nenhum. Ele ficou em outro empate técnico com Lula, com 48% de rejeição. A manutenção dos dois números na última semana da série também confirma o quanto essas altas rejeições a Flávio e a Lula estão cristalizadas.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Dados das novas Quaest e Nexus — A nova Quaest ouviu presencialmente 2.004 eleitores, de 10 a 13 de agosto, com registrada BR-06773/2026 no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A nova Nexus ouviu por telefone 2.003 eleitores, de 14 a 16 de agosto, com registro BR-03317/2026 no TSE. Ambas as pesquisas tiveram margem de erro de 2 pontos para mais ou menos.

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE

Quaest na visão do especialista — “Na Quaest de 14 de agosto, a vantagem de Lula sobre Flávio no 1o turno, na consulta estimulada, é de 7 pontos. No 2º turno, a diferença entre Lula e Flávio era de 5 pontos na pesquisa Quaest de 5 de agosto. Agora é de 3 pontos, destacou William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE.

Nexus na visão do especialista — “Na Nexus de 17 de agosto, no cenário estimulado de 1º turno, Lula oscilou de 40% a 41% e Flávio de 35% a 36%. A vantagem de Lula sobre Flávio é de 5 pontos. Nos cenários de 2º turno, Lula e Flávio repetiram os mesmos números do empate técnico da Nexus anterior, com vantagem de 3 pontos ao petista”, concluiu William.

 

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Economia, mesa diretora e eleições no Folha no Ar desta 3ª

 

(Arte: Joseli Matias)

 

Produtor rural, radialista e novo subsecretário de Desenvolvimento Econômico de Campos, Edmar Ptak é o convidado do Folha no Ar a partir das 7h da manhã desta terça (18), ao vivo, na Folha FM 98,3.

Ele falará dos objetivos na pasta municipal que passou a ocupar, do governo Frederico Paes (MDB) e da eleição da nova mesa diretora (confira aqui) da Câmara Municipal de Campos.

Com base nas pesquisas mais recentes, Edmar tentará projetar a eleição a governador (confira aquiaqui e aqui) e senadores (confira aqui e aqui e aqui) do RJ. E também analisará as interferências jurídicas (confira aqui, aqui, aqui, aqui e aqui) no processo eleitoral fluminense.

Por fim, também com base nas pesquisas mais recentes, ele tentará projetar a eleição a presidente da República (confira aqui e aqui), com as urnas do 1º turno em 4 de outubro, daqui a apenas 48 dias.

Quem quiser participar do Folha no Ar desta terça poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.

 

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Paes quer Silvinho presidente da Câmara, Wlad quer manter Rangel

 

Wladimir Garotinho, Frederico Rangel, Silvinho Martins e Frederico Paes (Montagem: Joseli Matias)

 

Atual vice-presidente da Câmara Municipal de Campos, Silvinho Martins (MDB) é o candidato do prefeito Frederico Paes (MDB) para ser o presidente da Casa no 2º biênio. Ex-prefeito e candidato a deputado federal, Wladimir Garotinho (PL) prefere reeleger o atual presidente da Câmara Frederico Rangel (PP), seu concunhado.

A eleição da nova mesa diretora da Câmara tem que acontecer entre 1º de outubro e 15 de dezembro. Frederico e Silvinho prefeririam que ela fosse antes da eleição de 4 de outubro. Wladimir prefere que seja depois da urna, da qual espera sair cacifado com a eleição e expressiva votação, assim como seu aliado Bruno Dauaire (União), deputado estadual e candidato à reeleição.

Frederico Paes entende que, como prefeito, cabe a ele indicar o novo presidente da Câmara. E Silvinho é presidente municipal do MDB, legenda do atual prefeito. Wladimir, no entanto, não teria reagido bem aos planos de mudança. O que pode levá-lo a bater chapa, com Frederico Rangel, contra Silvinho e Frederico Paes, na eleição a presidente do Legislativo goitacá.

Silvinho e Frederico Paes têm conversado com Frederico Rangel, que hoje controla as secretarias municipais de Limpeza Pública e Meio Ambiente, no sentido de costurar um acordo. No qual se inverteriam as posições no próximo biênio, com Silvinho presidente e Rangel seu 1º vice. Mas o acordo esbarra, até aqui, na aceitação por Wladimir.

— Está sendo costurado um acordo com Fred Rangel. O presidente da Câmara do 1º biênio foi do partido do prefeito, eleito pelo prefeito. É natural que o novo prefeito queira eleger o novo presidente da Câmara e alguém do seu partido — explicou Silvinho Martins.

 

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Interferências do STF e TJRJ na política — Quem finge não ver?

 

No sábado de 23 de maio, na inauguração do Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde da Fiocruz, Ricardo Couto foi publicamente definido por Lula, por meio dos seus ministros Flávio Dino e Cristiano Zanin no STF, governador do RJ até as eleições de outubro (Foto: Divulgação)

 

 

“Confesso que nunca tinha presenciado uma articulação tão ampla para favorecer uma candidatura uma candidatura num estado, como esta que está acontecendo no Rio de Janeiro”. Foi o que disse na manhã de ontem, em entrevista ao Folha no Ar (confira a íntegra aqui), o estrategista político carioca Orlando Thomé Cordeiro.

“A articulação de Gilmar (Mendes), (Cristiano) Zanin, (Flávio) Dino e (Alexandre de) Moraes está sendo feita (no Supremo Tribunal Federal, STF) para garantir a derrota do grupo ligado a Flávio Bolsonaro (PL) no Rio de Janeiro. E por isso a manutenção do Ricardo Couto (presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, TJRJ, como governador-tampão)”, seguiu Orlando.

“Essas ações (dos ministros do STF citados) não são gratuitas e nem desarticuladas. Não é coincidência o Lula, num ato de governo na Fiocruz (em 23 de maio), dizer que o governador (Couto) vai ficar até o final do ano. Como assim? Já foi julgado (pelo STF)? Será que o Lula está informado que a decisão será essa?”, indagou o estrategista político na Folha FM 98,3.

Quatro dias após a manutenção de Couto como governador do RJ ter sido anunciada por Lula na Fiocruz, a coluna Ponto Final, de opinião da Folha da Manhã, e o blog Opiniões, hospedado no Folha1, publicaram (confira aqui) em 27 de maio:

“Talvez empolgado com as revelações dos contatos próximos entre Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro (pelo site Intercept em 13 de maio), Lula disse no sábado (23 daquele mês), no Rio, diante do desembargador e governador interino do RJ Ricardo Couto: ‘A Justiça tomou uma decisão que hoje acho correta, de colocar você como governador interino até as eleições.’

Em 15 de abril (confira aqui) e 13 de maio (confira aqui), a coluna alertou sobre a intenção de alguns ministros (STF) ligados a Lula de manter Couto governador até outubro. Para evitar que o presidente eleito da Alerj, Douglas Ruas (PL), assuma como governador-tampão, como reza o Art. 141 da Constituição Estadual do RJ”. E seguiu a coluna de 27 de maio:

“Ruas é o pré-candidato bolsonarista a governador. Que, contra o amplo favoritismo do ex-prefeito carioca Eduardo Paes (PSD) nas pesquisas, teria mais chance se concorresse ao Palácio Guanabara já nele. Mas a definição da eleição a governador-tampão está parada no STF por decisões dos ministros Flávio Dino e Cristiano Zanin.

Dino é ex-ministro da Justiça de Lula. Zanin é ex-advogado pessoal de Lula. Para tentar se reeleger em 2026, Lula precisa tentar diminuir a vantagem que Bolsonaro teve sobre ele (56,53% a 43,47%) no segundo turno presidencial de 2022 dentro do RJ. Que abriga o terceiro maior colégio eleitoral do país. No qual Lula teria um palanque com Paes.

É legítimo querer um gestor testado como Paes governador do RJ. É legítimo pensar que Couto trabalha para sanear o RJ. É legítimo supor que o grupo do ex-governador Cláudio Castro (PL), alvo de ações da Polícia Federal, é no mínimo suspeito. Mas é ilegítimo, sobretudo por parte do STF, agir politicamente no RJ como admitiu publicamente Lula”, finalizou aquela análise de maio em jornal, blog e site do Grupo Folha.

Dois meses e meio após aquele texto, o estrategista político carioca seguiu a sua análise da manhã de ontem no Folha no Ar. À qual cabe contextualizar que o analista, de 68 anos, hoje social-liberal de centro-esquerda que votou em Lula no 2º turno de 2022, tem formação marxista e foi filiado ao antigo Partido Comunista Brasileiro (PCB), de 1978 a 1988 — sete destes 10 anos ainda durante a ditadura militar.

“Tem aquele ditado: ‘O pior cego é o que não quer ver’. Mais recentemente, um amigo me disse e passei a adotar: ‘O pior cego é aquele que finge que não quer ver’”, redefiniu Orlando, antes de completar sua visão das interferências indevidas do STF e do TJRJ na política eleitoral do RJ e do Brasil:

“Nós temos um cenário montado, articulado pelo Poder Executivo, o Poder Judiciário na sua mais alta Corte e a estadual no TJ para criar condições mais favoráveis para beneficiar uma candidatura. E nesse terreno se inscreve também essa última decisão (confira aqui) que tenta tirar o (ex-governador Anthony) Garotinho (REP) da urna”.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Eleições e interferências do Judiciário no Folha no Ar desta 6ª

 

(Arte: Joseli Matias)

 

Estrategista político carioca, Orlando Thomé Cordeiro é o convidado para encerrar esta semana do Folha no Ar a partir das 7h desta sexta (14), ao vivo, na Folha FM 98,3.

Com base nas pesquisas mais recentes, ele tentará projetar a eleição a governador (confira aquiaqui e aqui) e senadores (confira aqui e aqui e aqui) do RJ. Assim como a eleição a presidente da República (confira aqui, aqui e aqui), com as urnas do 1º turno daqui a pouco mais de 50 dias.

Com experiência na imprensa nacional como articulista, ele também analisará a quebra da garantia constitucional do sigilo de fonte de um jornalista do Maranhão determinada (confira aqui) pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes (confira aqui, aqui e aqui) para proteger o colega Flávio Dino. E as interferências do Judiciário (confira aqui, aqui, aqui e aqui) nas eleições estaduais do RJ e presidenciais.

Quem quiser participar do Folha no Ar desta sexta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.

 

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Pesquisa que mais acertou 2022 dá maior vantagem de Lula sobre Flávio

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Como as pesquisas Ideia e Quaest (confira aqui) do último dia 5 e a Nexus (confira aqui) do dia 10, Lula (PT) liderou todos os cenários de 1º e 2º turno da nova pesquisa presidencial MDA divulgada na terça (11). Mas foi a que trouxe a maior vantagem do atual presidente em um eventual 2º turno contra Flávio Bolsonaro (PL): com 48,0% a 39,1%, 8,9 pontos a mais.

Cai a diferença entre Lula e Flávio no 2º turno — No entanto, quando comparada com a pesquisa MDA anterior, de junho, a de agosto revela que a vantagem de Lula sobre Flávio caiu 3,1 pontos na disputa de um 2º turno. Nele, há dois meses, essa diferença era de 12 pontos: 49% do petista a 37%.

Lula e Flávio no 2º turno pela Ideia, Quaest e Nexus — O MDA traz a credibilidade do instituto que mais acertou (confira aqui) o resultado das urnas do 1º e do 2º turno na eleição presidencial do Brasil em 2022. Em 2026, a vantagem de Lula em um 2º turno sobre Flávio foi de 5,5 pontos na Ideia (48,5% a 43,0%), de 5 pontos na Quaest (44% a 39%) e de apenas 3 pontos, em empate técnico, na Nexus (47% a 44%).

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Lula lidera espontânea, mas diferença cai — Ao 1º turno na MDA de agosto, Lula tem 12,9 de vantagem sobre Flávio (35,3% a 22,4%) na consulta espontânea, em que eleitor fala da própria cabeça em quem vai votar e revela a intenção de voto consolidada. Mas, na tendência, essa diferença também caiu nos últimos dois meses. Era de 15 pontos (Lula 35% x 20% Flávio) na MDA de junho.

Lula a 1 ponto de definir no 1º turno — Na consulta estimulada ao 1º turno da MDA de agosto, apresentando os nomes dos presidenciáveis, Lula tem 13,7 pontos de vantagem sobre Flávio: 42,4% a 28,7%. Na comparação das intenções do petista com os 43,4% da soma de todos os candidatos da oposição, o 2º turno hoje se daria por apenas 1 ponto na MDA de agosto.

Empate técnico para ter 2º turno também na Quaest — Na margem de erro de 2,2 pontos da MDA, o empate técnico para a existência ou não do 2º turno se repetiu na Quaest da semana passada, mas no limite da margem de erro de 2 pontos para mais ou menos desta pesquisa. Onde, na consulta estimulada ao 1º turno, Lula teve 39% de intenção, 4 pontos abaixo dos 43% da soma da oposição.

Ideia e Nexus projetam dois turnos — Nas pesquisas Ideia e Nexus, no entanto, o 2º turno estaria matematicamente assegurado. Nas consultas estimuladas ao 1º turno, Lula ficou 8 pontos abaixo da soma dos candidatos de oposição na Ideia (43% a 51%) e 11 pontos atrás na Nexus (40% do petista a 51% de todos os demais nomes).

Empate técnico na aprovação de governo — Fundamental à reeleição ou não, a aprovação do governo na MDA de agosto também indica incerteza. Em outro empate técnico e quase numérico entre os 48,2% dos brasileiros que desaprovam o Lula 3 e os 47,3% (0,9 ponto a menos) que aprovam.

Tendência negativa na aprovação ao Lula 3 — Na comparação com a MDA anterior, de junho, as tendências de agosto não parecem positivas ao atual Governo Federal. Nos últimos dois meses, os que o aprovam oscilaram 2 pontos para baixo: de 49% aos atuais 47%. E, no mesmo período, os que desaprovam oscilaram os mesmos 2 pontos para cima: de 46% aos 48% de hoje.

Dados da pesquisa — Com margem de erro de 2,2 pontos para mais ou menos, a nova pesquisa MDA presidencial entrevistou presencialmente 2.002 eleitores de todo o Brasil, entre 5 e 9 de agosto. E foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-06935/2026.

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE

Análise do especialista — “A MDA de agosto de 2026 merece atenção pelo acerto das urnas em 2022. Ao 1º turno, os 28,7% de Flávio somados aos 14,7% dos demais candidatos de oposição vão a 43,4%, mais do que os 42,4 % de Lula, o que levaria a eleição ao 2º turno”, observou William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE.

“Não menos importante, a pesquisa MDA também mediu o desempenho pessoal do presidente Lula à frente do governo. Nessa métrica, 47,3% do eleitorado entrevistado manifestou aprovação à Lula, contra 48,2% que expressou desaprovação”, destacou o estatístico.

 

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