Opiniões

Marcão: Rafael, Wladimir, “Caio 3M” e Rodrigo Bacellar sob análise

 

Conhecido pelo estilo aguerrido, com o qual se destacou como vereador de oposição no segundo governo Rosinha Garotinho (hoje, Pros), Marcão Gomes (PL) é 1º suplente de deputado federal e líder da sua legenda no Norte e Noroeste Fluminense. Ele disse em entrevista à Folha FM, na manhã da última quinta (14), que se manterá na oposição ao governo Wladimir Garotinho (PSD), com distinção entre os verbos “ser” e “fazer”. Com a experiência de quem foi presidente da Câmara de Campos no biênio 2017/2018 e depois secretário de Desenvolvimento Humano e Social da administração Rafael Diniz (Cidadania), ele fez críticas à maneira de governar do ex-prefeito. Sobretudo nas decisões restritas ao núcleo duro deste, como foi a de fechar o Restaurante Popular. Mas também defendeu Rafael, lembrando as muitas limitações financeiras que este encontrou, herdadas de Rosinha, que permanecem para seu filho. Ele analisou a recente eleição à Mesa Diretora do Legislativo goitacá, vencida com folga pelo garotismo, a partir da sua aliança com o ex-prefeitável Caio Vianna (PDT). A quem definiu como “Caio 3M”: “menino, mimado e mentiroso”. Marcão revelou que voltou a militar como advogado, condição na qual estará acompanhando e divulgando os resultados da CPI do PreviCampos, junto aos órgãos competentes. Ele defendeu que os servidores têm que receber os atrasados de dezembro e do 13º, mas admitiu que Wladimir não tem hoje dinheiro para saldar a dívida, que estimou em R$ 106 milhões. E falou do seu “fightzinho” com o deputado estadual Rodrigo Bacellar (SD) em 2019, a quem teceu vários elogios neste início de 2021.

 

No Folha no Ar de quinta (14), Marcão Gomes fez análise crítica de Rafael Diniz, Wladimir Garotinho, Caio Vianna e Rodrigo Bacellar (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Rafael dos 151 mil votos de 2016 aos 13 mil de 2020 — Vou falar não quanto às ações do governo Rafael Diniz, mas da perda de capital político. Durante o período em que a gente esteve à frente da presidência, no primeiro biênio da Câmara, conduzimos as votações mais importantes do governo Rafael, que foram as adequações tributárias no Código do município. Tivemos o encerramento de programas sociais importantes, a gente teve também dificuldade de atender aos anseios dos servidores públicos, algo que o prefeito Wladimir, nos primeiros dias, também está sentindo a pressão e a quentura dessa panela. Temos sindicatos muito fortes, pessoas que trabalham na busca dos seus direitos, e é legítimo. Mas, em um momento de dificuldade, o (ex-)prefeito acabou criando arestas com muitos segmentos da sociedade; segmentos que são importantes, que formam opinião e que acabaram provocando esse desgaste político que se refletiu nas urnas.

 

Ausência nas bases — O próprio Rafael constatou, e foi o que ele mais ouviu durante a campanha eleitoral de 2020, a ausência dele junto aos eleitores nas bases. Ele não esteve ausente no diálogo em momento nenhum. Ele ouviu as pessoas, ele recebeu os representantes das instituições, das entidades. Mas o que mais ouviu na campanha eleitoral foi: “Por que você não me explicou isso antes? Por que você não colocou que era assim? Por que você não esteve próximo à gente?”. Ele ouviu isso muito na campanha eleitoral, só que em um período de pandemia, em um tempo muito curto, é muito difícil você reverter o desgaste de três anos e meio de gestão. Então, esses foram os principais motivos que levaram a essa queda no número de eleitores que escolheram Rafael Diniz como opção para prefeito da cidade.

 

Núcleo duro e Restaurante Popular – Quando Rafael assumiu (em 2017), ele como chefe do Poder Executivo, eu como chefe do Poder Legislativo, a gente procurava dialogar no início do governo sobre alguns pontos importantes, sobre como ele havia encontrado as contas do município. Eu cheguei a participar de algumas reuniões no gabinete do prefeito para tomadas de decisões, naqueles primeiros dias do governo. E eu tenho um jeito muito peculiar de fazer política: eu falo aquilo que eu penso, sempre. Mas, nessas reuniões mais fechadas, eu me coloquei de forma contundente, contrária a algumas decisões do grupo político do prefeito, dos secretários. Foi algo que, com o tempo, a gente foi entendendo que existia um núcleo duro do governo. E alguns posicionamentos não eram bem vindos. Como essa decisão, de fato, não teve nada a ver com nenhum membro do Poder Legislativo: a decisão de fechar o Restaurante Popular. Não foi comunicado a mim, como presidente da Câmara, antes que estivesse decidido pelo núcleo duro do prefeito Rafael Diniz. Então, é um dos exemplos, com o qual eu não concordaria e não concordei. E lutei, enquanto estive secretário de Desenvolvimento Humano e Social, pela sua reabertura com todas as minhas possibilidades, com todas as limitações financeiras do município. Mas houve, sim, um distanciamento de diálogo. Como também tenho que enaltecer o prefeito Rafael Diniz sobre a total ausência de influência dentro do Poder Legislativo. Mas, enquanto políticos que participamos de uma campanha juntos, levando o prefeito Rafael Diniz à vitória (em 2016), eu acho que faltou esse diálogo. Da mesma forma que faltou diálogo com as suas bases políticas, antes de algumas decisões do núcleo duro.

 

Nova Mesa Diretora da Câmara — Vi uma eleição muito disputada nos bastidores. E, de fato, o que decidiu essa eleição foi a articulação política do prefeito Wladimir Garotinho e do candidato derrotado a prefeito Caio Vianna (PDT). Porque certamente o resultado seria bem mais apertado, podendo ter uma vitória do grupo que estava sendo liderado pelo deputado estadual Rodrigo Bacellar. Ele tinha boas possibilidade de conquistar a vitória. Mas o Caio, infelizmente, e eu acompanhei isso nas redes sociais, muitos dos eleitores que depositaram a confiança nele no segundo turno, quando fez 110 mil votos. E um político a quem eu tenho muito carinho, o deputado (federal) Alessandro Molon (PSB), diz que no primeiro turno, o povo vota; no segundo turno, o povo veta. O Caio não teve votos, ele teve vetos a seu favor, vetos ao garotismo, à maneira de governar dos Garotinho. Foi isso que fez Caio ascender aos 110 mil votos, que não foram votos dele, foram votos de veto aos Garotinho. E muitos desses vetos, que votaram nele, se sentiram traídos por essa aliança política que ele fez com Wladimir Garotinho.

 

 “Caio 3M” — Eu sempre fui muito franco, muito direto. Eu acho que o Caio é um Caio 3M: é um menino, mimado e mentiroso. Porque os argumentos que ele usou para falar dessa decisão, de uma aliança programática (com os Garotinho), não são verdadeiros. Nos bastidores da política, ele comentou com diversos atores: “Na verdade, eu estou indo à forra com o Rodrigo (Bacellar), porque o Rodrigo não quis me apoiar, colocou os vereadores que foram eleitos no grupo dele para apoiar o Wladimir no segundo turno. E agora eu vou dar o troco para ele, colocando os meus vereadores, eleitos pelo PDT, na votação da Mesa para auxiliar o Fábio Ribeiro (PSD, eleito presidente da Câmara”. No meu partido (o PL), em que a gente fez a eleição de um único vereador, Bruno Pezão, eu o liberei para fazer parte do grupo do prefeito Wladimir Garotinho, pois ele me solicitou. E eu falei: “Se é da sua vontade, eu não vou ficar prendendo você”. Mas seria uma eleição muito apertada se não fosse o acordo de Wladimir com o Caio. Com todo o respeito que eu tenho ao dr. Arnaldo Vianna (PDT), uma pessoa pela qual eu tenho muito carinho, muito respeito. A Ilsan Vianna (PDT) também, gosto muito dela. Mas o Caio não está preparado para ser político. O falecido e saudoso (deputado estadual e vice na chapa de Caio em 2016) Gil Vianna (PSL) já dizia isso em letras garrafais. Eu nunca tive proximidade com Caio, mas no segundo turno acabei me aproximando um pouco, por conta de lideranças que queriam se engajar na campanha dele, e eu acabei sendo um agente facilitador; o PL já estava na aliança. Mas os relatos que eu tive, de candidatos a vereador na coligação com ele, foram muito ruins. Relatos de falta de compromisso, relatos de ausência junto às bases, relatos de promessas não cumpridas, relatos de isolamento em estúdio, não querendo atender ninguém, relatos de só sair do estúdio para fazer carreata; parece que não gosta do contato com o eleitor, não gosta do diálogo próximo, não está no dia a dia do trabalho, acorda tarde. Os candidatos (a vereador) do PL, que estavam na aliança, recorriam muito a mim, por ser a liderança do partido, e esses eram os relatos. Parecia que ele acordava meio-dia para ficar dentro do estúdio. De fato, ele precisa trabalhar, precisa arrumar uma profissão, precisa aprender sobretudo a honrar a palavra.

 

Rosinha/Rafael/Wladimir – Se o grupo político ao qual Wladimir pertence, que era capitaneado pelo pai e a mãe dele, se eles tiveram dificuldade com mais de R$ 700 milhões nos cofres, em relação ao governo Rafael, e tiveram que recorrer à “venda do futuro”, tiveram que recorrer a recursos retirados do Fundo de Previdência dos servidores (PreviCampos); se com tudo isso e ainda esse orçamento executado vultuoso, eles ainda tiveram que recorrer a uma série de medidas que, ao meu ver, não devem ser praticadas, imagina agora, ele (Wladimir) governando com menos recursos e com as dificuldades que nós temos.

 

Dinheiro novo – O tal dinheiro novo, que o Wladimir está falando que vai trazer para a cidade, eu torço muito. Inclusive, encontrei com ele, no aeroporto Santos Dumont (na cidade do Rio), depois da vitória dele, o parabenizei, e torço muito para que ele traga esse dinheiro novo. O que eu puder junto à nossa bancada de deputados (federais do PL), para ajudar o município, eu sem dúvida farei. Mas que esse dinheiro novo seja oriundo de parcerias políticas junto ao governador, aos senadores, aos deputados federais. Mas que esse dinheiro novo, em hipótese nenhuma, seja objeto de um novo empréstimo, de um novo endividamento, de um novo recurso aos cofres do PreviCampos, que prejudicou demais os aposentados e pensionistas da nossa cidade. Que esse dinheiro novo surja de boas articulações, do aumento da receita do município, de atração de indústrias para que nós possamos arrecadar mais.

 

Legado de Rafael, crise financeira e diminuição dos serviços – O legado de Rafael é um legado de trabalho, não é um legado de investimentos, de obras públicas. Porque não existe hoje no município esse conforto. Eu tenho visto vereadores já solicitando: “Ah, eu preciso que construa uma escola, eu preciso que construa uma Unidade Básica de Saúde (UBS)”. Nós não temos mais possibilidade de aumentar o custeio da nossa cidade. Hoje, o momento é de diminuir a oferta de serviços, não é de aumentar. O município não tem condições de pagar o seu custeio. Inclusive, o próprio prefeito Wladimir Garotinho vem reconhecendo isso.

 

Servidor sem salário de dezembro e 13º – As finanças do município estão em estado caótico. Eu estou fazendo uma análise técnica, não política. O trabalhador tem que ser remunerado, senão é trabalho escravo. Minha mãe é servidora pública aposentada do município, eu sou servidor público federal, tenho diversos amigos que são servidores públicos, e a gente sabe que no final do mês a conta não espera. Todo mundo tem sua conta de água e luz para pagar, tem a manutenção da sua residência, tem os itens básicos para a manutenção dos seres humanos. E é muita dificuldade que o município e o prefeito Wladimir Garotinho estão encontrando. Trazendo à lembrança toda aquela receita que existia no governo da prefeita Rosinha Garotinho, mesmo com valores acima da média, mesmo tendo a receita das “vendas do futuro”, com tudo isso, o salário de dezembro e do 13º de 2016 só foi pago graças a um saque de R$ 96 milhões do Fundo de Previdência do PreviCampos. Porque, senão, não seria quitado em 2016. Pegou, segundo auditoria, sem autorização de ninguém, e isso acabou levando a posteriori à reprovação das contas da prefeita (pelo Tribunal de Contas do Estado, TCE) confirmada depois na Câmara, gerando oito anos de inelegibilidade.

 

Estado de calamidade financeira – A ausência de pagamento está se dando, não é por má vontade do prefeito Wladimir; é porque não tem recurso mesmo. Tem uma coisa que é a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Uma coisa é a campanha, e a campanha já passou. Na campanha, o então candidato Wladimir Garotinho, ainda não prefeito, dizia que dinheiro tem e o que faltava era gestão (mesmo discurso de Rafael na campanha de 2016). Agora, depois da campanha, o que ele (Wladimir) está dizendo: “Olha, vamos decretar o estado de calamidade fiscal e financeira”. Ou seja, concorda com Rafael Diniz. A cidade está em um estado de calamidade fiscal e financeira. E é verdade. Com a diferença que Rafael fez essas promessas de boa-fé. Nós não tínhamos nenhuma informação. Tudo que nós solicitávamos enquanto vereadores, era negado. E o governo Rafael ganhou prêmio de transparência. Todos os candidatos (a prefeito de Campos), quando foram solicitar o voto ao eleitor nessas eleições (de 2020) sabiam. E isso foi amplamente divulgado na imprensa. Inclusive parabenizando ao Grupo Folha da Manhã, o que mais divulgou esse estado de calamidade (entre 18 de junho e 26 de setembro, a Folha promoveu 11 painéis sobre o tema, aquiaquiaquiaquiaqui, aquiaqui, aqui, aquiaqui e aqui), que é verdadeiro. E porque levou (com Rafael) a tantas decisões que acabaram desagradando às pessoas. Foram decisões difíceis o tempo inteiro: a quem se paga e a quem se deve. Entre 13º e dezembro a pagar, acho que é algo em torno de R$ 106 milhões. Que o prefeito Wladimir realmente não tem na conta, ele precisa arrecadar para pagar. E aí cabe ao servidor público o quê? Ele pode pressionar, no sentido de que os primeiros recursos que entrem sejam para pagar aos trabalhadores.

 

“Fightzinho” com Rodrigo Bacellar — Falando daquilo que ocorreu lá atrás (na troca de farpas em 2019, quando Marcão era secretário de Desenvolvimento Humano e Social de Rafael, e Rodrigo, já deputado estadual), são situações que acontecem no dia a dia da política: João fala de José, José responde a João, João retruca. Ele (Rodrigo) fez uma análise política ao meu respeito em cima da eleição (de 2018). Eu devolvi a análise política, fazendo uma análise política em cima dos votos que ele teve no município, da forma de obtenção desses votos, dos apoios políticos concedidos à época, e a gente acabou entrando em um “fightzinho” (luta aberta) ali. Ele falava, eu respondia; é o meu jeito. Mas depois nós conversamos, inclusive na Feijoada da Folha, depois daquilo. A gente bateu um papo, eu gosto muito do seu Marcos Bacellar (SD, vereador), pai dele. Ele foi presidente da Câmara e eu ainda não era vereador. Mas depois fui presidente da Câmara, com o pai dele (de Rodrigo). Seu Marcos é uma pessoa que eu tenho muito carinho, muito respeito. E aí a gente conversou, zeramos (com Rodrigo) as nossas diferenças na Feijoada da Folha daquele ano de 2019. Ele estava junto com o presidente (da Alerj) André Ceciliano (PT). Ele (Rodrigo) tem feito um mandato de destaque, tem se tornado um líder regional, é reconhecido por todos, é um excelente articulador político. Torço pelo sucesso do mandato dele, que seja profícuo, que seja de ajuda à nossa cidade, à nossa região. A gente teve a infelicidade de perder dois deputados estaduais para a Covid, o saudoso Gil Vianna e o saudoso João Peixoto. Torço muito pelo sucesso do Rodrigo.

 

CPI do PreviCampos – Ela deve estar sendo analisada, a gente está no período agora de recesso do Poder Judiciário. Além do IFF, estou trabalhando também em um escritório de advocacia. E nossos companheiros lá do escritório vão estar acompanhando também essa questão. Infelizmente foi desviada (no governo Rosinha) uma quantia muito grande de recursos dos servidores públicos. O PreviCampos ficou durante 15 anos só capitalizando recursos. Em dezembro de 2015, o PreviCampos tinha em seu caixa R$ 1,3 bilhão. Em dezembro de 2016, um ano depois, quando terminou o mandato da prefeita Rosinha Garotinho, o PreviCampos só tinha no caixa R$ 804 milhões. Foram R$ 501 milhões de perdas. Isso sem contar os mais de R$ 450 milhões em investimentos de alto risco. Então, foram constatados diversos crimes praticados pela gestão anterior, pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara, a análise está sendo feita pelos órgãos e nós vamos estar acompanhando e também informando à sociedade sobre essa análise.

 

Oposição e análise do início do governo Wladimir — Vou falar primeiro de algumas escolhas do secretariado do prefeito, em que eu acho que ele foi extremamente feliz, com pessoas que têm muito conhecimento em diversas áreas. Tenho gostado das escolhas dele. Espero que a prática de gestão seja feita priorizando mais a gestão e menos política. Não é zerar a política, como aconteceu no governo anterior, o que acabou se refletindo nas urnas sobre Rafael. Então, eu torço para que Wladimir encontre um equilíbrio, entre os controles das contas, entre trazer esse dinheiro novo. E mais uma vez eu volto a enfatizar: tem que ser dinheiro novo e não dinheiro de empréstimo. Eu torço pela minha cidade, vou torcer para que o governo seja exitoso, para que dê certo; eu moro aqui, minha família mora aqui, meus três filhos estão aqui, sou servidor público aqui, advogo aqui. Mas, politicamente, a gente tem que dividir a conjugação dos verbos ser e fazer. Eu sou oposição, mas não significa que estarei fazendo oposição ao governo. Até lembrando uma fala que o Wladimir deu em uma entrevista à Folha da Manhã: “Somos oposição ao governo Rafael Diniz desde o primeiro dia. Não acreditamos no projeto político de Rafael Diniz”. A mesma coisa eu falo em relação ao Wladimir: eu sou oposição ao governo dele e eu não acredito no projeto de governo da família dele. Mas ser oposição não significa fazer oposição cega. Tanto que eu estou reconhecendo as boas escolhas que ele fez para algumas pastas e estou reconhecendo as limitações, as dificuldades que ele vai encontrar durante o seu governo. Nós vamos acompanhar o modelo de gestão, vamos estar acompanhando as atitudes e vamos estar pontuando, enquanto líder do Partido Liberal (PL) no Norte e no Noroeste Fluminense. Eu vou estar utilizando a minha ascendência política e a minha parceria com alguns atores locais e regionais para estar pontuando algumas coisas. Agora Wladimir vem com um discurso de que Campos precisa unir todas as forças políticas, do diálogo. Concordo com ele, mas foi um diálogo que ele não ofertou lá atrás ao Rafael. Também precisava unir todas as forças políticas e ter diálogo. Mas faz parte do jogo, é vida que segue. Como eu disse, vou conjugar de forma correta o verbo ser e o verbo fazer.

 

Página 2 da edição de hoje (14) da Folha da Manhã

 

Confira nos vídeos abaixo, em seus três blocos, a íntegra da entrevista de Marcão ao Folha no Ar da manhã de quinta (14):

 

 

 

 

Cultura de Campos com Auxiliadora Freitas no Folha no Ar desta 6ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A partir das 7h desta sexta (15), dia de Santo Amaro, quem fecha a semana da Folha no Ar é a presidente da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima no governo Wladimir Garotinho (PSD), a professora e ex-vereadora Auxiliadora Freitas. Na Folha FM 98,3, ela falará do primeiro dia do padroeiro da Baixada Campista, em mais de 300 anos, sem (confira aqui) a sua tradicional Cavalhada, por conta da pandemia da Covid-19.

Ela falará também do recente arrombamento e furto (confira aqui) de parte do acervo do Museu Olavo Cardoso, além da entrega da reforma do Palácio da Cultura (confira aqui), que se arrasta desde o governo Rosinha Garotinho (hoje, Pros), passando pelos quatro anos do governo Rafael Diniz (Cidadania). Por fim Auxiliadora analisará as condições e trabalhos de equipamentos importantes da cultura goitacá, como o Arquivo Público Municipal e o Museu Histórico (confira aqui e aqui). Além do estado de conservação dos seculares solares do município tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que têm no Solar dos Airizes (confira aqui), na Campos/Atafona, seu caso mais preocupante.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta sexta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

Saúde sem receber: Simec pede reunião com Wladimir após protesto

 

No final de tarde da última segunda (11), profissionais da Saúde Pública de Campos fizeram (confira aqui) um protesto em frente ao Hospital Ferreira Machado (HFM), na subida da ponte General Dutra, pela falta de pagamento do mês de dezembro. No início da manhã de terça (12), no programa Folha no Ar, da Folha FM 98,3, o prefeito Wladimir Garotinho (PSD) prometeu (confira aqui) dar até o final deste mês de janeiro um prazo para o pagamento dos atrasados a todos os servidores de Campos. E disse (confira aqui) sobre a questão específica dos médicos:

— Que eles tenham a consciência cívica, principalmente os médicos, que sem eles, as pessoas vão morrer. Eu entendo, repito, a agonia, a aflição, o desespero, mas que eles entendam que a gestão começou a apenas 12 dias. Eu tenho sete dias úteis de gestão. E que é impossível, em sete dias, eu ter uma varinha mágica para resolver todos os problemas (…) Eu entendo que muitas vezes as pessoas querem fazer manifestação e direito legítimo, as pessoas querem receber os seus salários. Mas podem me chamar para qualquer ato, qualquer assembleia, qualquer reunião, qualquer tipo de conversa. Mas faço um apelo sincero aos profissionais da Saúde: não deixem as pessoas morrerem, não parem de trabalhar.

Pois hoje, após a demanda ser gerada desde segunda, o Sindicato dos Médicos de Campos (Simec) se posicionou através de nota. Em que disse ter protocolado hoje (13) um ofício solicitando uma reunião com Wladimir, o vice-prefeito Frederico Paes (MDB) os demais representantes da Saúde do governo, para discutir e tentar resolver a questão.

Confira abaixo a o vídeo do protesto de segunda diante do HFM e a íntegra da nota do Simec

 

 

 

O Sindicato dos Médicos de Campos (Simec) protocolou, nesta quarta-feira (13), ofício solicitando uma reunião com o prefeito Wladmir Garotinho, com o vice-prefeito Frederico Paes e com os representantes da secretaria de Saúde e da Fundação Municipal de Saúde (FMS). A intenção do encontro, segundo a diretoria efetiva da entidade, é avaliar o atual cenário da Saúde Pública do município e dos processos relativos ao pagamento dos salários dos servidores que, até o final da manhã de hoje (13), permaneciam sem o recebimento da remuneração referente ao mês de dezembro e dos 75% relativos ao 13º salário de 2020.

Sempre pautado pela imparcialidade e transparência, o Simec dispõe-se se a dialogar de modo colaborativo e construtivo com os entes da esfera pública municipal, tendo como finalidade o fortalecimento da cooperação por meio de contribuições efetivas ao debate democrático das políticas públicas de saúde do município.

 

Atenciosamente,

Diretoria Efetiva do Sindicato dos Médicos de Campos

 

Marcão analisa eleição, Rafael e Wladimir no Folha no Ar desta 5ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A partir das 7h desta quinta (14), o convidado do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é o 1º suplente de deputado federal pelo PL Marcão Gomes, também ex-presidente da Câmara Municipal de Campos e ex-secretário do governo Rafael Diniz (Cidadania). Ele analisará as eleições municipais de novembro, suas causas, e a da nova Mesa Diretora do Legislativo goitacá.

Marcão também falará do legado da gestão Rafael e dos salários atrasados do servidor municipal, de dezembro e 13º. E analisará os primeiros dias e a equipe do governo Wladimir Garotinho (PSD), projetando o que o espera pelos próximos quatro anos.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quinta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

Wladimir: até janeiro prazo ao servidor e 4 anos de prazo ao governo

 

Em 2017, logo após ter assumido o governo municipal, o então prefeito Rafael Diniz (Cidadania) pediu um ano de paciência à população. Prefeito que o sucedeu, levando o clã Garotinho novamente ao poder em Campos, Wladimir (PSD) pediu quatro anos. No programa Folha no Ar na manhã de ontem, na Folha FM 98,3, ele admitiu as grandes dificuldades financeiras do município. Pelas quais responsabilizou também as opções do seu antecessor pela falta de pagamento dos servidores do mês de dezembro e 13º de 2020, sem deixar dinheiro em caixa para saldar o débito. Prometeu dar até o final deste mês de janeiro um prazo para pagar esses atrasados, que já geram insatisfação no serviço público municipal. Sobretudo na classe sempre mobilizada dos médicos, sem os quais o combate à Covid se torna impossível. Neste sentido, se colocando aberto a qualquer forma de diálogo, o prefeito fez um apelo à categoria: “não deixem as pessoas morrerem, não parem de trabalhar”. Ele não descartou o lockdown e projetou o início da vacinação da população campista contra o novo coronavírus entre fevereiro e março. Falou da eleição da Mesa Diretora da Câmara, em que seu grupo político foi o grande vencedor, e disse que vai tentar, com “a guarda baixa” e “a esquiva em dia”, a pacificação política com o deputado estadual Rodrigo Bacellar (SD). E prometeu reabrir o Restaurante Popular ainda este ano.

 

Wladimir Garotinho no microfone do Folha no Ar (Foto: Folha da Manhã)

 

Mesa Diretora — O mérito é do vereador Fábio Ribeiro, hoje presidente, que é uma pessoa muito articulada, muito querida, de bom trato. E a articulação é dele. Eu, obviamente, fui consultado pelos demais vereadores. Tenho, sim, uma simpatia, uma amizade muito grande com Fábio Ribeiro, que é na verdade presidente do meu partido em Campos. E eu, quando consultado, disse que tinha muita simpatia pelo nome. Mas toda a costura e a articulação inicial da Mesa da Câmara, foi da Câmara, foi do próprio Fábio. E eu apenas corroborei com tudo aquilo que vinha sendo alinhavado entre eles. E, obviamente, quando a gente está iniciando um governo, tem sim um interesse em ter uma maior tranquilidade, diante de tantas dificuldades, que sabíamos que iríamos enfrentar nesse início.

Rodrigo Bacellar — Quando houve um movimento da parte do deputado (estadual Rodrigo) Bacellar, para tentar fazer a Mesa da Câmara, um movimento que não havia sido debatido com ninguém, aí, sim, eu comecei a me movimentar. Porque havia uma aliança política, que havia sido formada no segundo turno das eleições, quando vários vereadores do grupo de Bacellar declararam voto a mim e fizeram campanha comigo. Mas quando houve ali uma mudança de rumo, proposta pelo deputado Bacellar para a eleição da Mesa, aí, sim, eu tive que me movimentar para garantir que eu tivesse governabilidade. Mas o trabalho inicial foi do vereador Fábio Ribeiro e o mérito por essa vitória é dele mesmo.

Ruptura – Havia uma aliança política, não era nem um acordo, estabelecida desde o segundo turno, que nos dava uma maioria confortável na Câmara para vencer a eleição. A partir do momento, e todos os vereadores sabem disso, que houve uma ruptura da aliança, por questões que eu prefiro não entrar em detalhes. Eu não sou uma pessoa que gosta do confronto, eu gosto do diálogo. E continuo querendo o diálogo com todos os segmentos da sociedade. Mas houve essa ruptura por motivos diversos e aí começou uma tentativa do deputado Bacellar de fazer a Câmara. E aí, sim, eu tive que entrar no circuito. A nossa intenção era uma eleição que já estaria decidida pela aliança que já estava formada no segundo turno, e nós teríamos votos para isso, para eleger o Fábio Ribeiro presidente.

PDT — Não fui nem eu a primeira pessoa a procurar o PDT. Quem procurou o PDT foi o Fábio Ribeiro. É por isso que eu digo que essa vitória é mais dele do que de qualquer outra pessoa. E ele disse: “olha, tem caminho para a gente conversar e fazer uma aliança programática, pautada na governabilidade”. Foi aí que eu estive com o PDT e a gente acabou desenhando uma aliança que acabou se ampliando. Porque os próprios vereadores da base do Rodrigo Bacellar, com exceção do irmão dele (vereador Marquinho Bacellar, SD), reconheceram que o erro não partiu nem da minha parte, nem dos vereadores; que o erro partiu do deputado. E todos preferiram continuar aliados ao Fábio Ribeiro.

“Guarda baixa” — Eu não quero estender esse problema que teve na eleição da Mesa com o deputado, porque Campos precisa de todas as forças políticas, para que saia da situação na qual se encontra hoje. Eu vou novamente procurar o deputado Bacellar, demonstrando a ele que a minha guarda está baixa e que eu, como prefeito da cidade, preciso de uma aliança por Campos. Então eu vou colocar o que aconteceu na eleição da Mesa de lado, porque eu acho que esse é o espírito que a cidade precisa, que as pessoas que têm representatividade política e popular estejam em constante diálogo para que as coisas funcionem. Eu até disse uma frase no início do ano, que quem se autodeclara oposição a um governo que está começando, não pode querer o bem da cidade. Essa frase não quer dizer que eu não queira ter oposição. Não é nada disso. Oposição existe e é saudável em um processo democrático. Mas como eu estou iniciando o governo, e isso é o meu ponto de vista, eu também não sou o dono da verdade, é que todas as forças políticas estejam alinhadas pelo bem comum.

“Esquiva em dia” — Como sou ainda jovem, a minha esquiva ainda está em dia. A guarda está baixa, mas a esquiva está em dia. Bacellar não está em Campos, está viajando. Mas eu vou me reunir com ele de coração aberto, de verdade. Obviamente que, às vezes, ter a guarda baixa é perigoso, mas sabendo que posso precisar usar a esquiva caso seja necessário; esquiva, não confronto. Eu não quero confronto, a cidade não merece confronto neste momento que vive. E repito aquilo que eu disse: eu vou procura-lo (a Bacellar) de novo. E isso não é demonstração de nenhuma outra coisa, a não ser de humildade e reconhecimento de que a cidade precisa de todos nós. Caso ele não queira ajudar, caso ele não queira contribuir, que fique claro para a população que ele não quer. Mas que eu vou procurá-lo novamente, vocês podem ter a certeza de que irei.

Caio — Eu encaro com naturalidade, porque nós temos que ter maturidade pessoal e política, para ter governabilidade e tranquilidade para fazer uma gestão que consiga tirar Campos da situação que se encontra. Ninguém vendeu facilidade na eleição. Eu não disse que era salvador da pátria, eu não disse que era santo milagreiro. Muito pelo contrário, eu disse que seria difícil, disse que nós teríamos que tomar medidas duras, disse que eu não iria ser eleito perfeito, que iria ser eleito prefeito. Eu disse a toda a população que era possível uma cidade melhor. E as pessoas têm que ter maturidade para saber que não são inimigas, elas podem ser adversárias. Eu até acho, pessoalmente, que Caio passou do ponto no confronto. E disse a Caio: “Você vai provar para o povo de Campos que quer o entendimento, a partir do ponto que você, como líder regional de um partido, traga benefícios para a cidade”. O PDT tem uma bancada de deputados federais que podem ajudar a cidade.

Salário de dezembro e 13º do servidor – Primeiro quero reafirmar me compromisso de pagar o salário em dia. Só que eu estou assumindo uma gestão com o servidor com parte do 13º em atraso e também a folha de dezembro, que não foi paga e não foi deixado dinheiro em caixa para o pagamento. Apesar da folha de dezembro, pelo calendário estabelecido pelo antigo prefeito, sé vencer em janeiro, ele não deixou dinheiro em caixa para honrar o pagamento de dezembro. E quando eu consegui ter acesso às contas do município, que já era o dia 4 de janeiro à tarde, só havia R$ 2,9 milhões na conta da Prefeitura, disponíveis para pagamento se servidor. E a folha de dezembro, mais 13º que não foi pago, custa R$ 106 milhões. Portanto, a dívida deixada pelo governo Rafael é de R$ 106 milhões (na verdade, R$ 103,1 milhões, excetuados os R$ 2,9 milhões deixados em caixa) apenas de servidores ativos. Não estou contando RPAs. Dos inativos, também tem a questão da PreviCampos, que está com atraso para os aposentados. Mas quero aqui reafirmar meu compromisso com o servidor de pagar o salário de janeiro, em dia. A gente que estudar uma maneira de pagar a eles o 13º e o salário de dezembro.

Contas de Rafael — Quando se fala que royalties não podem pagar servidor, não é uma verdade absoluta. Existem quatro tipos de conta royalty. Em uma delas, é vedada expressamente o pagamento a servidor. Nas outras três contas, não existe essa vedação expressa. Então, todo mundo utiliza para poder pagar; não é só Campos. Acontece que, há três anos, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) vem alertando a todas as prefeituras, inclusive a de Campos, que elas deveriam se programar, porque a partir de janeiro de 2021, que é o mês que estamos vivendo agora, seria vedada a utilização de qualquer conta royalty para pagamento de servidor. Então as prefeituras deveriam se programar e reduzir sua folha. A Prefeitura de Campos fez o dever de casa que o TCE mandou? Não fez, não reduziu a sua folha. E agora nós não podemos mais usar nenhuma dessas contas royalty para pagar servidor. Então, além de não deixar dinheiro em caixa, ele (Rafael) não se programou e não diminuiu a sua folha, para cumprir a determinação do TCE. E podem ter certeza: as contas dele desse ano (2020) não serão aprovadas. Isso já me foi dito numa audiência que eu tive no TCE, na semana passada.

DAS x servidor — Por que Rafael decidiu pagar a rescisão dos seus cargos comissionados (DAS), que trabalhavam com ele na Prefeitura, e não pagou o servidor; e não pagou os RPAs? Tudo isso vai ser informado à população, ao TCE, ao Ministério Público. Teve cargo comissionado dele que recebeu R$ 40 mil, R$ 35 mil de rescisão no mês dezembro. E ele não pagou a servidor que recebe R$ 1,5 mil, R$ 2 mil, que está passando fome em casa hoje. Por que, por exemplo, ele preferiu pagar às empresas de merenda escolar, com as aulas suspensas há muito tempo? Ele pagou quase R$ 5 milhões às empresas de merenda em dezembro, e não pagou o salário do servidor. Ele preferiu raspar o tacho, como diz na gíria popular, para pagar os seus amigos em cargos comissionados, os DAS, e para pagar os empresários que devem ser amigos de algum amigo dele. Mas não deixou dinheiro em caixa para pagar o salário de dezembro e 13º do servidor.

Projeção para pagar dezembro e 13º — Pretendo, no pagamento de janeiro, aí, sim, ter um calendário de como vou pagar o saldo que ficou da gestão anterior. Como a gente está tendo noção ao longo dos dias, do que vai entrar de receita no município, para projetar a arrecadação de janeiro, eu vou poder dar uma data no final do mês ao servidor. E dizer: “Olha, eu vou poder pagar assim, pagar assado, vou poder pagar tal dia. Hoje, é impossível, porque não tem dinheiro na conta e eu preciso programar a receita de janeiro. Repito: o compromisso é manter o salário em dia. Porém, o saldo da dívida que foi deixada pelo prefeito que saiu, ele não deixou dinheiro na conta para poder pagar. É simples desse jeito, é triste, é lamentável que ele tenha feito isso. O servidor está desesperado, precisando do dinheiro para comer, mas não tem dinheiro na conta para pagar. No final do mês eu vou dar uma previsão ao servidor de como vou fazer.

Nova tomada de empréstimo e Siprosep – Não há esse estudo. Eu fui ao Siprosep, conversar, mostrar a realidade e pedir a eles que me sugerissem ideias. Uma aposentada disse sobre eu pegar um novo empréstimo: “Ah, eu não quero saber, eu quero o meu salário, nem que você pegue um novo empréstimo”. Eu disse a ela que não é possível se pegar empréstimo na velocidade que se precisa para quitar os salários do servidor agora. Isso demanda contato com banco, documentação, a Prefeitura está com as suas certidões sujas. Eu estava conversando com uma aposentada, quando o advogado do Siprosep pediu a palavra e falou: “Olha, aconteceu uma situação em Angra dos Reis, que a gente pode aproveitar para o caso de Campos, para a gente quitar os atrasados”. Que é um acordo judicial homologado entre as partes, vai até a Câmara, pede autorização legislativa, e a Prefeitura é autorizada pelo acordo judicial e a autorização legislativa a pegar um dinheiro que está parado no capital da PreviCampos. Aí você teria que pegar com juros estabelecido, com correção estabelecida, dando garantias da Prefeitura, e pega esse valor para pagar em cinco anos; acho que é IPCA, mais 6%. É o que foi aprovado em Angra dos Reis. O advogado do Siprosep que levantou essa questão. Isso foi numa live com mil pessoas assistindo, deve estar até agora no site do Siprosep. A palavra do Wladimir foi: “Isso não é uma decisão do prefeito, isso é uma decisão em assembleia que vocês precisam tomar. Se vocês tomarem essa decisão, me procurem”. Foi isso que aconteceu. Não foi nem a Elaine (Leão, presidente do Siprosep) que falou isso. Que agora querem acusar de abrir as portas para pegar dinheiro do PreviCampos. É uma dívida que não é do Rafael, ou do Wladimir, é da Prefeitura. Que o clima está pesado no Siprosep, eu também entendo. Mas o clima também está pesado na Prefeitura. O clima é pesado.

Dinheiro novo – Nós vamos ter dinheiro novo. Só que Brasília está de recesso. Eu não tenho como arrumar dinheiro novo com Brasília de recesso. Mas vamos ter muito dinheiro novo. Inclusive, eu já anunciei que o governador Cláudio Castro (PSC) vai instalar seu gabinete aqui em Campos, do dia 26 ao dia 28 de março, aniversário da cidade, para anunciar muita coisa boa para Campos. Então o dinheiro novo está vindo por aí. Fiquem tranquilos que vocês têm um líder muito bem relacionado e com uma capacidade de arrumar dinheiro novo que vocês não vão ver igual. Não teria outro para arrumar tanto dinheiro novo quanto eu vou arrumar.

Vacinação contra Covid e “libertinagem” – Trabalho com perspectiva médica. Charbell (Kury, subsecretário de Atenção Básica e Vigilância Sanitária, que projetou o início da vacinação em Campos para fevereiro) é um especialista, um infectologista. Acho que poucas pessoas têm o conhecimento sobre vacina em Campos que ele tem, é uma pessoa muito gabaritada nessa área. Então a perspectiva da equipe médica também é a minha perspectiva. A gente já está inclusive orientando a secretaria de Educação para prever um modelo de volta às aulas, de uma maneira talvez híbrida, de maneira presencial, mas também remota, para a gente começar a se programar. Não dá para a gente ficar parado, esperando só a imunidade de rebanho. Se não, não teremos aula este ano, o que é, na minha concepção, inviável. Então a gente está se preparando, inclusive logisticamente, para começar a oferecer a vacina à população. O único agravante que se tem nisso, é que houve uma matéria do governo federal para comprar todo o estoque do Butantan (que produz a vacina Sinovac em parceria com a China), e que apenas ele (o governo federal) vai distribuir para todos o Brasil. Caso isso aconteça e aí é uma preocupação como prefeito da minha cidade, é o tempo e os critérios de distribuição. Porque várias prefeituras, inclusive nós, aqui em Campos, assinamos protocolo de intenção de compra junto ao Instituto Butantan. Era para reservar o nosso lugar na fila. Mas se o governo federal comprar todo o estoque, a gente não tem como comprar. Lógico se a gente tiver aqui, em fevereiro, no máximo março, as vacinas distribuídas pelo governo federal, nós não vamos ter necessidade de comprar vacinas. Nós vamos ter a necessidade de comprar agulhas e seringas. É algo que a gente está estudando, para vacinar a nossa população o mais rápido possível e voltar a ter liberdade. E aquelas pessoas que insistem na libertinagem estão impondo a toda a sociedade um preço muito alto.

Lockdown — Eu tenho seis amigos e pessoas próximas que se foram com a Covid. A questão do lockdown, hoje a rede pública de Campos está com 70,8% de taxa de ocupação em CTI. Se a gente perceber um aumento exponencial de casos, de número de internação, se precisar fazer medidas mais duras, faremos. Não temos nenhum problema com isso.

CPI da Saúde — Esse é um problema da Câmara. Pelo que me consta, tiveram 14 ou 15 assinaturas necessárias para abrir a CPI. E acho que eles precisam e devem, legisladores e fiscalizadores que são, e que acompanham o dia a dia em que a povo de Campos não tem Saúde, mesmo com um orçamento milionário como foi, de R$ 900 milhões a cada ano, que eles possam investigar. Se não tiver nenhum problema, a CPI não vai dar em nada. Se tiver algum problema, que a CPI aponte. Que não se faça política na CPI, que se aponte fatos. E se houver fatos, que se encaminhe aos órgãos responsáveis.

Médicos exigem pagamento – Eu pretendo lidar com isso dialogando, conversando, mostrando a realidade, garantindo que daqui para a frente eles vão ter os salários em dia, que o para trás nós vamos ver como fazer para poder pagar, porque não foi deixado dinheiro em caixa. E que eles tenham a consciência cívica, principalmente os médicos, que sem eles, as pessoas vão morrer. Eu entendo, repito, a agonia, a aflição, o desespero, mas que eles entendam que a gestão começou a apenas 12 dias. Eu tenho sete dias úteis de gestão. E que é impossível, em sete dias, eu ter uma varinha mágica para resolver todos os problemas deixados pela gestão passada. O que eu me comprometi com o povo de Campos de olhar para a frente, e nós vamos olhar para a frente, é de fazer uma cidade melhor em quatro anos. Então, eu estou com a guarda baixa e o coração aberto a todas as pessoas, para todos os segmentos da sociedade. Podem me procurar, podem me chamar para assembleia, podem ir na Prefeitura, podem me chamar no sindicato, podem me convocar para ir aos hospitais. Repito que o homem de frente da Saúde serão meu vice-prefeito, Frederico Paes (MDB), que é uma pessoa em que eu confio e em sua capacidade de trabalho, na sua capacidade de gestão. Eu entendo que muitas vezes as pessoas querem fazer manifestação e direito legítimo, as pessoas querem receber os seus salários. Mas podem me chamar para qualquer ato, qualquer assembleia, qualquer reunião, qualquer tipo de conversa. Mas faço um apelo sincero aos profissionais da Saúde: não deixem as pessoas morrerem, não parem de trabalhar.

Prazo para o governo – Eu pedi ao povo de Campos quatro anos. Eu, quando disse ao povo de Campos que queria ser prefeito, era para depois de quatro anos olhar para trás e ver que eu entreguei uma cidade muito melhor. Nós vamos entregar uma cidade muito melhor. Apesar de ser muito desafiadora a situação fiscal e econômica de Campos hoje, eu estou muito motivado. Que as pessoas entendam que a situação é muito difícil, mas que depois da tempestade sempre vem o sol.

Restaurante Popular em 2021 — Eu fiz um novo organograma, em que a gente vai economizar somente com cargos comissionados, os famosos DAS, R$ 10 milhões por ano. Isso daria, por exemplo, para abrir quatro Restaurantes Populares. Nós não vamos abrir quatro, obviamente, mas um nós vamos reabrir. Isso eu posso garantir ao povo de Campos, mais breve do que se possa imaginar, este ano ainda. Porque quem tem fome, tem pressa.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã. Abaixo, confira os vídeos dos três blocos com a íntegra da entrevista de Wladimir ao Folha no Ar de ontem:

 

 

 

 

Vigilância Sanitária no combate à Covid no Folha no Ar desta 4ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A partir das 7h da manhã desta quarta (13), a convidada do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é a médica veterinária Vera Cardoso de Melo, chefe de Vigilância Sanitária do governo Wladimir Garotinho (PSD). Ela falará sobre o combate à pandemia da Covid-19 em Campos, sobre a projeção do início da vacinação da população campista para fevereiro ou março (confira aqui e aqui). E analisará a equipe de Saúde e as metas do novo governo municipal.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quarta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

Wladimir promete divulgar ainda em janeiro pagamento de dezembro

 

Wladimir Garotinho no microfone do Folha no Ar (Foto: Folha da Manhã)

 

Ainda neste mês de janeiro será projetado o pagamento atrasado de dezembro e o 13º dos servidores de Campos. Esta talvez tenha sido a principal revelação feita ao programa Folha no Ar do início da manhã de hoje, na Folha FM 98,3, pelo prefeito Wladimir Garotinho (PSD). Mas ele falou sobre diversas outras coisas, inclusive que a possibilidade do município pegar um novo empréstimo, usando o patrimônio do PreviCampos como garantia (que gerou reações aqui), partiu não dele ou de seu governo, mas dos próprios servidores, em reunião do prefeito com o Siprosep. Que tem assembleia online marcada (confira aqui) às 18h de hoje, para discutir os atrasados de dezembro.

Wladimir falou também das idas e voltas que permitiram ao seu grupo político uma vitória consistente na eleição da Mesa Diretora da Câmara, em acordo com o PDT do ex-prefeitável Caio Vianna, após ter falhado a tentativa de acordo com o grupo político dos Bacellar. Mas se disse disposto a se encontrar com o deputado estadual Rodrigo Bacellar (SD), “de guarda baixa e coração aberto”, para tentar pacificar politicamente a cidade. Ele também projetou o início da vacinação contra Covid em Campos entre fevereiro e março. E disse que o aumento de casos se deve à “libertinagem” de parte da população, que não evita aglomerações. Ele conclamou os médicos da saúde pública municipal, que ontem fizeram protesto, a não abandonarem suas funções, sobretudo no combate à pandemia, por atraso nos pagamentos.

O prefeito disse que já esperava as grandes dificuldades financeiras do município. Mas acusou o governo Rafael Diniz (Cidadania) de “maldade”, pela maneira que acusou de seletiva para promover pagamentos no apagar das luzes de 2020. Criticou também as empresas de ônibus da cidade e defendeu a volta das vans ao Centro. Afirmou que 2021 será um ano muito difícil para a cidade, mas prometeu reabrir nele o Restaurante Popular. E, no lugar do um ano de paciência que Rafael pediu em 2017, Wladimir pediu que se aguarde todos os quatro anos do seu mandato para que as coisas comecem a se normalizar, sobretudo nas contas públicas do município. Para as quais se comprometeu a buscar o tal “dinheiro novo” em Brasília.

Nesta quarta (13), na edição da Folha da Manhã e aqui, neste blog, será publicada a matéria completa do Folha no Ar com Wladimir. Enquanto ela não vem, confira a entrevista em seus três blocos, nos vídeos abaixo:

 

 

 

 

Wladimir fala de crise financeira e Covid no Folha no Ar desta 3ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A partir das 7h da manhã desta terça (12), o convidado do Folha no Ar, na Folha 98,3 FM, é o prefeito de Campos, Wladimir Garotinho (PSD). Ele falará sobre a vitória do seu grupo político na eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal (aqui e adiantada pelo blog aqui) em acordo com o PDT do ex-prefeitável Caio Vianna, assim como a relação com o clã político dos Bacellar.

Wladimir também falará sobre seu decreto de calamidade financeira (aqui), aprovado pela Câmara (aqui) e antecipado pela Folha em uma série de 11 painéis sobre grave a crise econômica do município, publicados entre 18 de junho a 26 de setembro de 2020 (confira-os aquiaquiaquiaquiaqui, aquiaqui, aqui, aquiaqui e aqui). E também do estudo da nova tomada de empréstimos pela cidade.

Por fim, o prefeito falará sobre o combate à pandemia da Covid-19 em Campos (confira aqui), com projeção do início da vacinação para fevereiro (confira aqui). Mas com mobilização já registrada dos profissionais de saúde do serviço público municipal por conta dos atrasos nos pagamentos (confira aqui).

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta terça pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

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