Promotor de Justiça, Victor Queiroz é o convidado para fechar a semana do Folha no Ar, ao vivo, a partir das 7h da manhã, nesta sexta (13), na Folha FM 98,3.
Ele falará da sua experiência profissional e pessoal, da formação em Direito na USP em 1993, na sua São Paulo natal, ao ingresso no Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) em 1996, onde passou por outros municípios do Norte Fluminense antes dos últimos 20 anos atuando em Campos, onde formou família.
Victor também falará da sua próxima experiência no MPRJ, agora na cidade do Rio de Janeiro, onde assumirá (confira aqui) no próximo mês a 7ª Promotoria de Justiça, transferência à capital cobiçada por seus pares. E do que levará de Campos na sua nova missão profissional.
Por fim, Victor analisará preparação do MPRJ para a fiscalização das eleições de 4 de outubro de 2026 nos 92 municípios fluminenses. E, dentro dos limites impostos por sua função, falará sobre a crise do liquidado Banco Master envolvendo dois ministros do STF, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.
Quem quiser participar do Folha no Ar desta sexta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebooke no YouTube.
Esta semana começou, na manhã de segunda-feira (9), com o escritório de advocacia Barci de Moraes, da esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, a sra. Viviane Barci de Moraes, e de dois dos três filhos do casal, admitindo em nota pública (confira aqui) o contrato com o liquidado Banco Master. Ao valor inusitado de R$ 3,6 milhões/mês.
A admissão ocorreu exatamente três meses, ou um quarto de um ano, após a jornalista Malu Gaspar, de O Globo, ter revelado (confira aqui ou aqui) a existência do contrato em 9 de dezembro. Que estava no celular, apreendido pela Polícia Federal (PF), do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master. Foi durante a sua primeira prisão, enquanto tentava fugir do país, em 17 de novembro.
A nota do escritório da mulher e dos filhos de Moraes, não veio no dia 9 por acaso. Foi na segunda-feira seguinte à jornalista Malu Gaspar também tornar público na sexta anterior (6) as mensagens trocadas (confira aqui ou aqui) entre Vorcaro e Moraes no mesmo dia 17 em que o primeiro seria preso. Numa delas, o então banqueiro indaga ao ministro do STF: “Conseguiu ter notícia ou bloquear?”
Na mesma manhã de segunda, o blog Opiniões, o portal Folha1 e o jornal Folha da Manhã se dedicaram a estudar o caso mais profundamente, a partir de fontes nacionais de credibilidade. No objetivo de estabelecer a cronologia dos fatos (confira aqui), inclusive a semelhança destes, na exposição da contradição presente, quando comparados a fatos e reações do passado recente.
Para além da formação essencialmente generalista do jornalista, se buscou na sequência a opinião sobre o escândalo do Master, envolvendo o também ministro do STF Dias Toffoli, não só de juristas da comarca goitacá, mas também de outros especialistas em ciência humanas irmãs do Direito. E com eles, na quarta (11), o blog e jornal formaram (confira aqui) um mosaico de 12 análises.
Nessa dúzia de análises, algumas se estenderam e tiveram que ser editadas, por conta do limite de espaço do impresso, como uma outra não conseguiu ser enviada até o dead line da edição. Dada a gravidade dos fatos, na maior crise moral dos 135 anos de História do STF, hoje (12) aproveitaremos na íntegra, no espaço mais elástico do blog, algumas dessas opiniões mais extensas.
Abaixo, as análises do advogado criminalista Felipe Drumond, professor na pós-graduação do instituto de Direito da PUC-Rio; do sociólogo Roberto Dutra, professor da Uenf; do juiz de Direito aposentado Elias Sader Neto; do cientista político Hamilton Garcia, professor da Uenf; do advogado criminalista Roberto Corrêa; do advogado Roberto Landes, professor da Ucam; do cientista político George Gomes Coutinho, professor da UFF-Campos; e do advogado Gabriel Rangel, doutorando em Direito na UFF:
Felipe Drumond, Roberto Dutra, Elias Pedro Sader Neto e Hamilton Garcia; Roberto Corrêa, Roberto Landes, George Gomes Coutinho e Gabriel Rangel (Montagem: Joseli Matias)
Felipe Drumond, advogado — “O STF experimenta uma das mais, se não a mais, sérias crises institucionais da sua recente história democrática. Nesse contexto, há muito a atuação do ministro Moraes em processos criminais de repercussão tem sido marcada por atropelo às regras e às garantias que devem pautar o devido processo legal. Esse autoritarismo judicial, entretanto, não é prática isolada, mas tem sido avalizada pela grande maioria dos ministros da Corte. O Supremo, como Corte Constitucional indispensável à democracia, precisa de proteção institucional. Todavia, isso não pode se confundir com medidas antirrepublicanas de acobertamento descabido de seus integrantes. O zelo por sua integridade deve ser legitimado pela proteção às garantias fundamentais e à independência da magistratura, que jamais será alcançada se influenciada ou regida por interesses privados ou políticos. Cada vez mais, a proteção à independência do Tribunal demanda uma providência que deveria vir de dentro para fora, por iniciativa dos seus próprios integrantes”
Roberto Dutra, sociólogo — “Do ponto de vista sociológico, os fatos já conhecidos sobre as relações entre Vorcaro e Moraes, tanto diretamente como por meio do escritório de advocacia comandado por sua esposa e filhos, evidenciam pelo menos algumas teses centrais sobre a relação entre o sistema jurídico e sociedade no Brasil: 1) as intensas e íntimas relações pessoais entre elites jurídicas e financeiras fazem parte de um padrão de corrupção por classe social institucionalizada informalmente em muitos de nossos tribunais, incluindo o STF; 2) juízes e outros atores do sistema jurídico constituem hoje o estrato social com menor nível de controle da esfera estatal, representando o maior obstáculo à formação de um estado efetivamente republicano. Que alguns destes atores sejam tratados como ‘heróis da luta anticorrupção’ (Moro) ou ‘heróis da defesa da democracia’ (Moraes) constitui o autoengano tragicômico sobre este estado de coisas disfuncional e anticonstitucional que nos assola.”
Elias Sader Neto, juiz de Direito aposentado — “O STF não pode ser confundido com seus ministros. Ainda assim, a raiz do problema não está na má ou boa índole dos ministros, mas na forma de composição do STF, que se tornou imprópria, diante da mudança paradigmática operada pelo neoconstitucionalismo e pelo pós-positivismo, os quais ensejaram a exacerbação do ativismo judicial.
Esse novo modo de se operar o Direito é mais ruinoso do que o poder conferido ao presidente da República de nomear ministro do STF seu advogado ou compadre.
Há pouco tempo, a atividade do juiz se limitava a aplicar a lei ao caso concreto. Cabia ao legislador, eleito pelo povo, positivar o direito vigente; ao Juiz, apenas aplicá-lo, sem margem para decidir conforme suas preferências pessoais. Hoje não é assim. Após os princípios assumirem força de lei, os ministros passaram a utilizar a Lei e a própria Constituição à la carte, bastando fundamentação aparentemente coerente, mesmo fajuta ou contrária aos precedentes.
O STF jamais cumprirá sua função enquanto for aceitável um ministro julgar quem o nomeou para o cargo, de modo vitalício. É falsa a democracia quando a vontade dos representantes do povo é rotineiramente substituída pela opção de ministros soberanos, não eleitos.”
Hamilton Garcia, cientista político — “A crise pela qual passa o STF é a ‘crônica de uma morte anunciada’. Ela começa em 2019 quando, em meio às vituperações de Bolsonaro contra o sistema democrático. Dias Toffoli, então presidente do STF, abre, de ofício, um inquérito visando intimidar a imprensa e os agentes públicos que, por obrigação funcional, expuseram suas sensíveis relações com empresários metidos em corrupção e detectaram movimentações financeiras estranhas nas contas bancárias de sua esposa e da do ministro Gilmar Mendes. Mesmo sendo retrucado pela PGR, a empreitada foi em frente atropelando o Direito e as liberdades sob o álibi do ‘combate ao fascismo’, em paralelo ao avanço da operação abafa contra a Lava Jato, na qual se uniram bolsonaristas e lulistas, abrindo caminho para a criminalização da extrema-direita.
Hoje, numa conjuntura em que o álibi perdeu força, as coisas se complicaram depois que vieram à tona as implicações de Toffoli, de novo, e Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro. Sete anos depois do ‘inquérito do fim do mundo’, em meio ao revival da corrupção no Lula 3, parece que a mídia e nossa cidadania leniente acordaram.”
Roberto Corrêa, advogado — “Como advogado criminalista, entendo que o caso ultrapassa a esfera penal comum e ingressa numa zona de grave crise institucional. A prisão preventiva de Daniel Vorcaro foi decretada pelo ministro André Mendonça no âmbito de investigação sobre supostas fraudes e tentativa de obstrução, o que por si só já revela a seriedade do fato.
Somam-se a isso a confirmação pública do contrato milionário entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, com uma justificativa rasa e sem embasamento para honorários tão voluptuosos.
No processo penal, não há condenação antes do trânsito em julgado, contudo, no plano republicano, a exigência é mais severa, um ministro do STF e sua instituição como um todo não podem deixar dúvidas sobre sua independência e transparência perante a população.
Se os fatos forem minimizados, o dano maior não recairá apenas sobre os investigados, mas sobre a confiança pública, que já não é alta, no próprio sistema de Justiça. Podendo gerar uma grande crise de legitimidade institucional. Nesse cenário, decisões judiciais deixam de ser vistas como expressão da lei e passam a ser recebidas com desconfiança, descrédito e polarização, o que corrói a autoridade das instituições e enfraquece o próprio Estado de Direito.
Em cenário assim, a resposta correta não é blindagem política nem disputa de narrativas, mas apuração rigorosa, controle institucional e afastamento de qualquer autoridade cuja permanência projete suspeita sobre a lisura do processo.”
Roberto Landes, advogado — “O STF ganhou muito protagonismo a partir do fenômeno da constitucionalização do Direito, exercendo o papel de guardião da Constituição. Como consequência, o Supremo passou a ser o agente responsável pela última palavra em todos os assuntos que afetam a vida moderna, das agendas tributárias às agendas criminais, das agendas políticas às agendas educacionais, ou seja, todas as pautas que afetam a vida do cidadão e do Estado são diretamente influenciadas pelo STF, o que transformou a Corte em um importante pilar do Estado Democrático de Direito; se não, o principal!
Diante disso é grave a troca de mensagens entre ministro e um empresário, réu em um processo que tramita na Corte, cujo assunto indica ser exatamente informações a respeito de tal processo. Mas ainda há outra pitada de gravidade: o escritório que representa o empresário é de propriedade da família do ministro. Ainda que esse escritório não atue no STF, a imparcialidade do julgador está totalmente comprometida.
Esse acontecimento escancara uma fratura séria de um importante pilar que sustenta o Estado Democrático Brasileiro e a resposta precisa ser dura e enérgica, sob pena de fazer sucumbir toda a estrutura.
A saída? Um pedido de exoneração partindo do ministro? Um impeachment por parte do Senado? Ou empurrar a sujeira para baixo do tapete e esperar a poeira baixar?
Seja qual for a saída adotada, ao meu sentir, trata-se do fato mais grave já ocorrido no ambiente judicial nacional e escancarou uma coisa que todos da comunidade jurídica sempre ‘ouviram dizer’: que alguns ministros se utilizaram da Corte para beneficiar escritórios com quem tem alguma relação. Lamentável!”
George Gomes Coutinho, cientista político — “Antes de qualquer coisa, é fundamental reafirmar os princípios que balizam o Estado de Direito dentro das premissas da ética da responsabilidade, aquela que está sempre tentando funcionar como dique, quase sempre inútil, diante da ética das convicções. Causa-me espécie que, em um ecossistema de opinião pública no qual comunicações foram disseminadas e têm sido seletivamente citadas, um jurista brasileiro, mesmo que no inferno das boas intenções, defenda publicamente o impeachment ou a renúncia voluntária de um ministro da Suprema Corte neste país.
É fundamental, então, que sejam explicitados objetivamente os crimes cometidos pelo ministro e a materialidade inequívoca dos mesmos. Daí julgamento, dentro das regras e nos fóruns adequados.
Dito isso, creio que, na discussão pública contemporânea, perde-se mais uma vez a oportunidade de discutir o funcionamento estrutural de instituições e setores da sociedade, em prol da individualização do debate. De maneira geral neste momento, e aqui se desperdiça a possibilidade de fechar gargalos importantes e persistentes em nossa sociedade, há tanto um modus operandi oculto, presente no Judiciário e no setor financeiro, quanto a tendência de ignorarmos as motivações dos agentes envolvidos em suas atuações em ambos os sistemas.
Ou seja, mais uma vez, há muito barulho que talvez satanize determinados agentes individuais, como se estes fossem vindos de outra galáxia, dotados da missão de subverter probos homens, regras e instituições de boa-fé. Ou será que seria preciso lembrar que elites econômicas e elites políticas ou do Judiciário se frequentam e nem sempre para fins lícitos? Será mesmo necessário recordar que parte das elites econômicas vê como parte do jogo adular e comprar elites de outros sistemas, como tática que amplia processos de enriquecimento individual ou empresarial? Sem dúvida, a magnitude dos valores é assombrosa. Mas é preciso lembrar que a falta de freios e contrapesos proporcionados pela burocracia pública, controles dos quais a própria Faria Lima foge como o diabo da cruz, também é parte do problema causado pelos próprios agentes.
Para finalizar, parte de nossas elites econômicas, políticas e jurídicas gera fatos que são, sim, estarrecedores. E são muitos, diversos, que se utilizam de um funcionamento estrutural que lhes é propício para tal. É assim há décadas, algo já descrito por um certo membro do clã Odebrecht. O problema da individualização é a conveniência do momento, que acaba sendo determinante.”
Gabriel Rangel, advogado — “O que vejo hoje não é um erro de percurso, mas uma espécie de eutanásia institucional orquestrada pela tríade PGR-Senado-STF. A insegurança jurídica atual nasce de um desenho de blindagem estratégica: sob a batuta intelectual do Gilmar Mendes, a PGR foi convertida em um órgão de contenção. Isso permitiu que o STF exercesse uma hipertrofia de competências sem o contrapeso real do dominus litis (‘dono da causa’). É a ‘Pax Gilmariana’: um sistema onde os freios e contrapesos só funcionam para proteger o status quo de cúpula.
Nesse vácuo de controle, o jornalismo investigativo virou o nosso único ‘promotor de fato’. Quando provas desse vulto surgem nas redações antes de qualquer autuação, o sistema de justiça confessa sua incapacidade de autorregulação. A transparência hoje é puramente reativa, forçada pelo vazamento, porque a instituição perdeu o pudor da ‘aparência de imparcialidade’.
Essa pulsão por CPIs ou impeachment é, no fundo, o sintoma clínico do colapso dos filtros técnicos. Quando a PGR abdica de sua função para garantir uma ‘estabilidade de gabineteְ’, ela empurra o controle para o espetáculo político. No silêncio da técnica, resta apenas a gramática do trauma: o impeachment vira o único recurso em um sistema que atrofiou propositalmente seus mecanismos ordinários de controle.
Diante deste contexto, vislumbro que o sistema tentará a ‘normalização da anomalia’. Veremos a PGR e o STF convergirem para a tese da ‘barbárie do vazamento’, tentando transformar a prova documental em violação de privacidade. No entanto, a saída de Toffoli e a chegada de André Mendonça na relatoria mudam o vetor. Se o Senado não chegar aos 41 votos para o impeachment, e hoje a conta ainda não fecha, o sistema oferecerá a ‘PEC da Toga’, limitação de mandatos e decisões monocráticas, como uma espécie de ‘acordo de paz’ para evitar a degola de um ministro. A bem da verdade, é a política entregando um anel para salvar os dedos, enquanto a técnica jurídica segue sacrificada no altar da personificação do poder.”
Um empate exato e um técnico, na margem de erro, entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) em um 2º turno a presidente do Brasil, marcado para 25 de outubro, daqui a pouco mais de 7 meses. E vários cenários de empate técnico entre os dois já no 1º turno de 4 de outubro. Foi o que revelaram duas pesquisas nacionais divulgadas hoje (11), dos institutos Quaest (2º turno: Lula 41% x 41% Flávio) e Ideia (2º turno: Lula 47,4% x 45,3% Flávio).
Flávio cresce ao 2º turno — Nas duas pesquisas presidenciais e suas simulações de 2ª turno, na comparação com os meses anteriores, o filho 01 do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) cresceu nas intenções de voto. Na Quaest, ele cresceu 3 pontos dos 38% de fevereiro aos 41% de março no 2º turno contra Lula. Na Ideia, Flávio cresceu 4,2 pontos dos 41,1% de fevereiro aos 45,3% de março.
E Lula contra Flávio no 2º turno? — Se Flávio comprovadamente cresceu no último mês, em um provável 2º turno contra Lula, como este performou de fevereiro a março? Por dois institutos diferentes, com metodologias diferentes e margens de erros diferentes (2 pontos para mais ou menos na Quaest, 2,5 pontos na Ideia), as duas pesquisas apresentaram tendências diferentes.
Tendências diferentes de Lula — Na Quaest, Lula oscilou 2 pontos para baixo, dentro da margem de erro, dos 43% de intenção de voto de fevereiro aos 41% de março, em um 2º turno contra Flávio. Mesma simulação onde, na Ideia, o petista teria oscilado 1,6 ponto para cima, dentro da margem de erro, dos 45,8% de fevereiro aos 47,4% de março. Na dúvida, a certeza: Flávio cresceu de fato, Lula oscila.
Empate técnico tambem com Tarcísio ao 2º turno — Lula, no entanto, liderou todas as outras seis simulações de 2º turno da Quaest e outras sete da Ideia. Mas, nesta pesquisa, que ainda testou o nome do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (REP), como presidenciável, Lula teve outro empate técnico no 2º turno: 46,4% de intenção contra 44,8% do ex-diretor-geral do Dnit do governo Dilma Rousseff (PT) e ex-ministro de Infraestrutura do governo Jair Bolsonaro.
(Infográfico: Joseli Matias)
Empates técnicos de Lula e Flávio já no 1º turno — Ao 1º turno de 4 de outubro, a Quaest testou sete cenários e Lula liderou numericamente todos, mas em cinco deles já em empate técnico com Flávio. Por sua vez, a Ideia testou quatro cenários de 1º turno, com Lula também liderando numericamente em todos, mas em três empates técnicos com Flávio já de saída. O quarto cenário da Ideia, que a Quaest não testou, no lugar de Flávio teve Tarcísio, com quem Lula também não passou do empate técnico.
(Infográfico: Joseli Matias)
Eleição, até aqui, polarizada — Nos três cenários de 1º turno iguais nas duas pesquisas, para comparação, Lula variou de 36% a 39% na Quaest, com Flávio variando de 30% a 35%. Na Ideia, nos mesmos três cenários de 1º turno, Lula variou de 39,6% a 40,3%, com Flávio variando de 34,7% a 36,3%. Nos mesmos três cenários das duas pesquisas, nenhum outro candidato chegou a bater dois dígitos de intenção.
(Infográfico: Joseli Matias)
Lula merece se reeleger? — A dificuldade do atual presidente, em vários cenários de empate técnico já no 1º turno com Flávio, chegando ao inédito empate exato na simulação de 2º turno da série Quaest, é melhor medida por outra pergunta, que sempre é feita pelo eleitor sobre um candidato à reeleição: Lula merece se reeleger?
Quaest: não merece para 59% — Na Quaest, Lula não merece mais quatro anos de governo para maioria de 59% dos brasileiros em março, 2 pontos mais que os 57% de fevereiro. E merece para a minoria de 37%, 2 pontos a menos que os 39% de fevereiro. Os que não souberam opinar eram e se mantiveram em 4% no último mês.
Ideia: não merece para 50,6% — Na Ideia, Lula não merece outro mandato de presidente para uma maioria mais apertada de 50,6% dos brasileiros, 0,4 ponto a menos que aos 51% de fevereiro. E merece para uma minoria mais ampla de 46,7%, 0,3 ponto a menos que os 47% de fevereiro. Os que não souberam opinar oscilaram 0,7 ponto para cima, dos 2% de fevereiro aos 2,7% de março.
(Infográfico: Joseli Matias)
Aprovação do Lula 3 na Quaest — Em relação à aprovação de governo, Lula também teve maioria numérica contrária nas duas pesquisas. Na Quaest de março, o Lula 3 é desaprovado por 51% dos brasileiros, 2 pontos a mais que os 49% de fevereiro. Os que hoje aprovam são 44%, 1 ponto a menos que os 45% de fevereiro. No mesmo período, os que não souberam responder foram de 6% aos atuais 5%.
Aprovação do Lula 3 na Ideia — Na Ideia de março, o Lula 3 foi desaprovado 50,5% dos brasileiros, outra maioria apertada, embora 0,9 ponto a menos que os 51,4% de fevereiro. Os que hoje aprovam são 47,2%, num empate técnico com a desaprovação na margem de erro da pesquisa. São 0,6 ponto a mais que os 46,6% que aprovavam em fevereiro. Os que não souberam opinar foram de 2,0% aos atuais 2,3%.
(Infográfico: Joseli Matias)
Dados das pesquisas — A Quest foi ouviu presencialmente 2.004 eleitores de todo o Brasil, de 6 a 9 de março, com registro BR-05809/2026 no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A Ideia ouviu através do telefone 1.500 eleitores de todo o Brasil, de 6 a 10 de março, com registro BR-00386/2026 no TSE.
William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE
Análise do especialista — “Nas duas pesquisas, Quaest e Ideia, Flávio Bolsonaro está consolidado como pré-candidato no campo oposto a Lula. Também nos dois levantamentos, Flávio e Lula empatam tecnicamente numa provável disputa de 2º turno. Na Quaest, ambos empatam, inclusive, numericamente, com 41% de intenção de voto. Pelas duas pesquisas, é possível afirmar que a eleição presidencial de outubro de 2026 encontra-se com a disputa em aberto. E, neste momento, com Flávio com chance de ampliar o crescimento da intenção de voto”, resumiu William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE.
Mesmo com a possibilidade de ficar fora do páreo eleitoral de 4 de outubro, se for condenado (confira aqui) no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no caso Ceperj, o atual governador Cláudio Castro (PL) lidera a corrida por uma das duas cadeiras ao Senado pelo RJ. Foi o que revelou a pesquisa Real Time Big Data divulgada hoje, onde Castro variou de 23% a 24% nos dois cenários a senador.
Castro lidera a senador, seguido de Crivella, Pimentel e Benedita — Com margem de erro de 2 pontos para mais ou menos, Castro liderou com relativa folga a pesquisa Biga Data a senador. No cenário 1, ele foi seguido, 8 pontos atrás, pelo deputado federal Marcelo Crivella (REP), com 15%. Este, em empate técnico com o ex-capitão do Bope Rodrigo Pimentel (sem partido) e a deputada federal Benedita da Silva (PT), com 12% cada.
Castro lidera a senador, seguido de Pimentel, Benedita e Pedro Paulo — No cenário 2 da Big Data ao Senado pelo RJ, sem Crivella, Castro teve 10 pontos de vantagem sobre o 2º colocado. Que foi o ex-caveira Pimentel, com 14% de intenção de voto, em empate técnico na margem de erro com Benedita e o deputado federal Pedro Paulo (PSD), com 10%, aliado do atual prefeito carioca Eduardo Paes (PSD), líder na mesma pesquisa (confira aqui) a governador.
Trabalho como governador aprovado e desaprovado por 44% — Castro parece liderar a corrida por uma das duas cadeiras ao Senado, que os fluminenses elegerão em outubro, a partir da aprovação ao seu trabalho como governador. Que tem a aprovação de 44% da população, embora outros exatos 44%, no lado oposto, desaprovem o trabalho do atual chefe do Executivo estadual, com outros 12% não souberam opinar.
(Infográfico: Joseli Matias)
Pesquisa também em Campos — Divulgada hoje, a pesquisa Real Time Big Data ouviu 2.000 eleitores de 53 dos 92 municípios fluminenses, inclusive de Campos, entre os dias 9 e 10 de março. Com margem de erro de 2 pontos para mais ou menos, foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo RJ-04191/2026.
William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE
Análise do especialista — “A Real Time Big Data também testou a intenção de voto ao Senado fluminense, que contará com duas cadeiras. Considerado um governador ótimo ou bom por 26% do eleitorado entrevistado, e regular por 42%, Cláudio Castro está consolidado como 1ª opção, com os nomes de Marcelo Crivella, Rodrigo Pimentel e Benedita da Silva se alternando como 2ª opção. Outros nomes testados ao Senado foram o de Pedro Paulo, Márcio Canella e Otoni de Paula. Cabe considerar que novos fatos políticos e jurídicos, daqui até a urna de outubro, podem alterar as opções do eleitorado na eleição às duas cadeiras do Senado”, resumiu William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE.
Hoje (11), a exatos seis meses e 24 dias da urna de 4 de outubro, finalmente foi divulgada uma pesquisa de instituto de credibilidade a governador do RJ, a primeira deste ano eleitoral de 2026. A Real Time Big Data confirmou a vantagem do prefeito carioca Eduardo Paes (PSD) na disputa, que variou de 42% a 46% de intenção de voto em dois cenários estimulados (com a apresentação dos nomes dos candidatos) ao 1º turno a governador.
Douglas Ruas no 1º turno — Além de Paes, o único nome a pontuar com dois dígitos de intenção nos mesmos dois cenários de 1º turno foi Douglas Ruas, deputado estadual licenciado como secretário das Cidades do governo Cláudio Castro. Pré-candidato do bolsonarismo a governador, Ruas variou de 11% a 13%. A vantagem de Paes sobre ele variou de 31 a 33 pontos.
(Infográfico: Joseli Matias)
Paes e Ruas no 2º turno — Na simulação de 2º turno do Big Data, Paes bateria Ruas por exatos 51% de intenção a 19%. São 32 pontos de vantagem a governador do atual prefeito carioca. Outros 19% de eleitores não souberam responder, com 11% que disseram que votarão nulo ou branco.
Eleição matematicamente aberta — Na pesquisa espontânea Big Data, onde o eleitor fala da própria cabeça em quem pretende votar, revelando a intenção de voto consolidada, Paes foi o único a pontuar com dois dígitos: 12%. Ruas ficou em 3º lugar, com 2%, mas tem chance de absorver os 4% de Castro, que é pré-candidato ao Senado e o apoia. De qualquer maneira, os 64% que dizem ainda não saber em quem votarão revelam uma eleição ainda completamente aberta.
(Infográfico: Joseli Matias)
Pesquisa também em Campos — Divulgada hoje, a pesquisa Real Time Big Data ouviu 2.000 eleitores de 53 dos 92 municípios fluminenses, inclusive de Campos, entre os dias 9 e 10 de março. Com margem de erro de 2 pontos para mais ou menos, foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo RJ-04191/2026.
William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE
Análise do especialista — “A Real Time Big Data de março de 2026 confirma a liderança de Eduardo Paes, mesmo com o nome de Douglas Ruas já apresentado e concorrendo com outros candidatos. Quando aparece, André Ceciliano (PT) empata tecnicamente com Douglas Ruas na 2ª colocação. No cenário de 2º turno a vantagem de Paes é de 32 pontos. Por outro lado, o ainda atual prefeito carioca tem rejeição maior e desconhecimento menor do eleitorado, o que poderá levar a redução da vantagem de Paes daqui até a urna de outubro deste ano. Outro detalhe que merece atenção e que tende a favorecer Ruas é o fato da segurança pública, de maneira isolada, ser a prioridade do eleitor fluminense para o próximo governador”, resumiu William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE.
Ministro do STF Alexandre de Moraes, sua esposa, a advogada Vivine Barci de Moraes, o ministro Dias Toffoli e o ex-parceiro de negócios e ex-banqueiro Daniel Vorcaro (Montagem: Joseli Matias)
R$ 3,6 milhões/mês à família de Moraes
Denunciado pela jornalista Malu Gaspar, de O Globo, em 9 de dezembro, o contrato de R$ 3,6 milhões/mês do liquidado Banco Master com o escritório da esposa e dois filhos do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes foi finalmente admitido (confira aqui) na última segunda (9). Demorou, exatamente, três meses após sua revelação pela imprensa.
Toffoli em negócios com o Master
Isso, mais a conduta do ministro Dias Toffoli como relator inicial do caso no STF, tentando blindar o Master das investigações da Polícia Federal (PF), geraram indignação pública. Que aumentou após a imprensa também revelar que Maridt Participações, empresa familiar de Toffoli, tinha feito negócios com um fundo gerido pela empresa Reag, ligada ao Banco Master.
Com Mendonça, Vorcaro preso
Toffoli só admitiu ser sócio da Maridt, que negociou o hoje famoso resort Tayayá com a Reag, no mesmo dia 12 de fevereiro em que, por pressão da opinião pública, foi afastado do caso no STF. Que, assumido pelo ministro André Mendonça, começou finalmente a andar, gerando a prisão de Daniel Vorcaro, dono do Master, e outros envolvidos no escândalo, no último dia 4.
A ministro do STF: “Conseguiu bloquear?”
Se já era grande, a indignação da opinião pública com as ligações pecuniárias de dois ministros do STF e seus familiares com o Master se tornou insustentável no dia 6. Quando, novamente, a jornalista Malu Gaspar revelou que, em 17 de novembro, dia da 1ª prisão de Vorcaro, este trocou mensagens com Moraes. E perguntou ao ministro: “Conseguiu ter notícia ou bloquear?”
Muito além da bolha bolsonarista
Muito além da bolha bolsonarista em busca de anistia aos condenados por tentativa de golpe de Estado, a investigação e a discussão do inédito impeachment de ministro do STF pelo Senado dominam a opinião pública. Como também entre juristas e outros especialistas de ciências humanas irmãs do Direito. Em Campos, a Folha ouviu uma dúzia deles. Confira:
Fernando Miller, Guiomar Valdez, Elias Sader Neto e Gabriel Rangel; Hamilton Garcia, Andral Tavares Filho, Roberto Dutra e Roberto Corrêa; João Paulo Granja, Arthur Soffiati, Roberto Landes e George Gomes Coutinho (Montagem: Joseli Matias)
Fernando Miller
“A partir do momento em que o escritório de advocacia em que atua a esposa do ministro Alexandre de Moraes foi contratado pelo Banco Master, o ministro do STF deve dar-se por impedido no caso. Não é simples suspeição, mas impedimento. Ele tem o dever de preservar a imagem da Suprema Corte”, limitou o advogado Fernando Miller, juiz de Direito aposentado.
Guiomar Valdez
“Na ‘fotografia de hoje’, deveriam os ministros do STF Dias Toffoli, pedir sua exoneração, e Alexandre de Moraes pedir licença, para aguardarem o devido processo legal. Para além das questões éticas, tenho consciência de que isso esquenta a disputa a presidente a favor da oposição antidemocrática”, contrapôs a historiadora Guiomar Valdez, professora do IFF.
Elias Sader Neto
“Há pouco tempo, a atividade do juiz se limitava a aplicar a lei ao caso concreto. Cabia ao legislador, eleito pelo povo, positivar o direito vigente; ao juiz, apenas aplicá-lo, sem margem para decidir por suas preferências pessoais. Hoje não é assim. Os ministros do STF passaram a utilizar a própria Constituição à la carte”, apontou Elias Sader Neto, juiz de Direito aposentado.
Gabriel Rangel
“Não é erro de percurso, mas uma espécie de eutanásia institucional pela tríade PGR-Senado-STF. É a ‘Pax Gilmariana’: sistema onde os freios e contrapesos só funcionam para proteger o status quo de cúpula. Nesse vácuo de controle, o jornalismo investigativo virou o nosso único ‘promotor de fato’”, traduziu o advogado Gabriel Rangel, doutorando em Direito na UFF.
Hamilton Garcia
“A crise pela qual passa o STF é a ‘crônica de uma morte anunciada’. O STF atropelou o Direito e as liberdades sob o álibi do ‘combate ao fascismo’. Hoje, o álibi perdeu força depois que vieram à tona as implicações de Dias Toffoli e Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro. Parece que a mídia e a cidadania acordaram”, anotou o cientista político Hamilton Garcia, professor da Uenf.
Andral Tavares Filho
“Dois ministros do STF, sob investigação policial e sem, até agora, ações conhecidas da Procuradoria Geral da República, é maltrato à ética. A suspeição dos dois para julgar qualquer ação do Master é o mínimo, sem embargo das ações para o afastamento da magistratura”, frisou o advogado Andral Tavares Filho, professor do Uniflu e ex-presidente da OAB-Campos.
Roberto Dutra
“Do ponto de vista sociológico, as relações entre Vorcaro e Moraes evidenciam teses: 1) as íntimas relações pessoais entre elites jurídicas e financeiras fazem parte de um padrão de corrupção institucionalizada; 2) juízes e atores do sistema jurídico constituem hoje o estrato com menor nível de controle”, fundamentou o sociólogo Roberto Dutra, professor da Uenf.
Roberto Corrêa
“É uma grave crise institucional: a confirmação do contrato milionário entre o Master e o escritório da esposa do ministro Moraes, com justificativa rasa para honorários tão voluptuosos. Se fatos forem minimizados, o dano maior não será sobre investigados, mas sobre a confiança no próprio sistema de Justiça”, projetou o advogado criminalista Roberto Corrêa.
João Paulo Granja
“O STF, que já foi a casa de ilibados magistrados, hoje convive com a pecha da corrupção, após a divulgação da tênue relação entre dois de seus ministros e o hoje ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Que envolve o pagamento de vultosas quantias, evidenciando a fragilidade do Poder Judiciário e necessidade de regulação”, pontuou o advogado João Paulo Granja.
Arthur Soffiati
“A maioria da população não é formada por historiadores. Mesmo para um, há muitas controvérsias que precisam ser explicadas fora da polarização do país e que não tem interesse pelo equilíbrio do conhecimento. Mesmo a um leigo em política, alguns ministros do STF têm esclarecimentos a prestar”, apontou o historiador Arthur Soffiati, professor da UFF-Campos.
Roberto Landes
“É grave a troca de mensagens entre um ministro do STF e um empresário, réu em um processo na Corte, cujo assunto indica ser informações a respeito do processo. A saída? Um pedido de exoneração do ministro? Um impeachment por parte do Senado? Ou empurrar a sujeira para baixo do tapete?”, indagou o advogado Roberto Landes, professor da Ucam.
George Gomes Coutinho
“A magnitude dos valores é assombrosa. Mas é preciso lembrar que a falta de freios e contrapesos à burocracia pública, controles dos quais a própria Faria Lima foge como o diabo da cruz, é parte do problema. E que o problema da individualização é a conveniência do momento”, advertiu o cientista político George Gomes Coutinho, professor da UFF-Campos.
A 11ª edição da feira Mostre-se será realizada amanhã (11) e quinta-feira (12), de 14h às 20h, nas quadras cobertas do IFF campus Campos-Centro. E tem confirmada a participação de aproximadamente 30 empresas. Uma das novidades nesta edição é um suporte da LinkedIn pensado para atender a estudantes e também profissionais que visitarem a Mostre-se.
De acordo com os organizadores, o estande “oferecerá atendimento aos estudantes, aos servidores e aos participantes de forma geral para criação, atualização e aprimoramento de perfis, com foco na apresentação da trajetória acadêmica, experiências, competências e interesses profissionais”.
Nesta 11ª edição do Mostre-se, haverá também espaço à economia solidária, com a participação de mulheres empreendedoras que mostrarão suas criações artísticas e produtos.
— Vai ser um momento de troca realmente. Um momento importante para a comunidade, não só para os nossos estudantes — enfatizou a diretora de Planejamento do campus, Camila Romero.
— É uma oportunidade para as pessoas que têm uma qualificação técnica, mas não têm a possibilidade de visitar as empresas. Teremos 30 empresas onde podem distribuir o currículo — ressaltou o diretor de Infraestrutura e Manutenção, Tiago Ribeiro.
No Folha no Ar da última quinta (5), programa matinal da Folha FM 98,3, Camilo e Tiago deram mais detalhes do Mostre-se. Confira no vídeo abaixo:
Os estudantes do campus foram preparados para dar o suporte ao encaminhamento de currículos via internet e pela rede profissional Linkedin. Aberta ao público em geral, a 11ª Mostre-se terá este ano o primeiro IFFnova, uma competição entre estudantes que receberão desafios para resolverem com soluções tecnológicas e inovação.
Os interessados poderão fazer a inscrição no evento e nas palestras no campus, durante a realização da 11ª Mostre-se.
Ministro do STF Alexandre de Moraes, sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, e ex-o cliente do escritório desta, a R$ 3,6 milhões/mês, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro (Montagem: Joseli Matias)
Desde que a jornalista Malu Gaspar revelou em 9 de dezembro (confira aqui ou aqui) o contrato do liquidado Banco Master de R$ 3,6 milhões/mês com o escritório de advocacia da esposa e dois filhos do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, a profissional da imprensa passou a ser atacada nas redes sociais (confira aqui e aqui) por perfis de esquerda, ao estilo do “gabinete do ódio” bolsonarista. Só que, hoje, o próprio escritório Barci de Moraes admitiu em nota pública (confira aqui) que o contrato existia.
Versão da mulher de Moraes — O escritório de Viviane Barci, esposa de Moraes, disse ter produzido 36 pareceres jurídicos e opiniões legais para o Banco Master. A advogada também ressaltou na nota do seu escritório que promoveu 79 reuniões semipresenciais na sede da instituição financeira (Banco Master), além de dois encontros por videoconferência.
Ao todo, foram contratados ainda outros três escritórios especializados em consultoria, que ficaram sob a coordenação do Barci de Moraes Sociedade de Advogados. “O escritório esclarece ainda que nunca conduziu nenhuma causa para o Banco Master no âmbito do Supremo Tribunal Federal”, disse a nota do escritório da esposa e de dois dos seus três filhos com o ministro Alexandre de Moraes.
Desde 15 de março de 2025, suspeição para julgar Bolsonaro — Em 15 de março do ano passado, em texto intitulado “De Lula a Bolsonaro, Brasil entre a justiça e a vingança”, o blog trouxe (confira aqui) as advertências de juristas nacionalmente respeitados, como o desembargador aposentado do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP) Wálter Maierovitch e Aury Lopes Jr., doutor em Direito Processual Penal e professor da PUC do Rio Grande do Sul. Ambos diziam que que Moraes, na condição parcial de vítima, deveria se declarar suspeito de atuar no julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por tentativa de golpe de Estado.
Pelo espelho retrovisor, Xandão e Super Moro — Os avisos desses e de vários outros juristas capacitados (confira aqui e aqui), foram ignorados por Moraes e seus defensores como Xandão, o “herói da democracia” do STF. Reflexo ao espelho, mesma imagem em direção (política) invertida, de quando o hoje senador e ex-juiz federal da 13ª Vara de Curitiba, Sérgio Moro, era reverenciado durante e depois da operação Lava Jato (2014/2021), como “Super Moro”.
Vítima julga e condena algoz — O fato é que, mesmo como vítima do planejamento da tentativa do seu sequestro e homicídio pela (confira aqui) Operação Punhal Verde e Amarelo, Moraes foi o relator do julgamento de Bolsonaro e cúmplices por tentativa de golpe de Estado, entre 2022 e 2023, na 1º Turma do STF. Que, em 11 de setembro de 2025, por 4 votos a 1, condenou (confira aqui e aqui) o ex-presidente a 27 anos e três meses de prisão.
Biruta moral pelo vento do interesse político — Foi isso que fez, sobretudo entre os eleitores do presidente Lula (PT), Moraes ser reverenciado, com a biruta moral entre garantismo e punitivismo variando ao sabor do interesse político, da Lava Jato à tentativa de golpe. E Malu Gaspar ser por estes mesmos eleitores de Lula atacada, exatamente como foram, em passado recente, as jornalistas Patrícia Campos Mello (relembre aqui) e Vera Magalhães (relembre aqui), entre outras, pelos bolsonaristas.
“Quebrar todos os dentes” do jornalista Lauro Jardim — De volta ao contrato de valor inusitado (R$ 129 milhões em três anos) do Banco Master com o escritório da esposa e dos filhos de Moraes, hoje admitido após três meses da sua revelação pela Malu Gaspar, somam-se outros fatos. Inclusive as ameaças de Vorcaro em mensagens de celular periciadas pela Polícia Federal (PF) trocadas com o recentemente falecido Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário” (codinome e sinônimo de “assassino”), para (confira aqui) simular um assalto e “quebrar todos os dentes” de outro jornalista, Lauro Jardim.
Por que Gonet e Toffoli ignoraram gravidade dos fatos? — Relatados pela PF, esses fatos foram aparentemente ignorados pelo procurador-geral de República (PGR), Paulo Gonet (confira aqui). Como pelo antigo relator do caso Master no STF, o ministro Dias Toffoli (confira aqui). Que só mesmo dia 12 em que seria afastado do caso (confira aqui) por seus pares, admitiu ser sócio (confira aqui) da Maridt Participações, empresa familiar dirigida pelos irmãos do magistrado que fez negócios com um fundo gerido pela empresa Reag, ligada ao Banco Master.
Ministro “terrivelmente evangélico” não ignora — No entanto, a gravidade dos fatos envolvendo Vorcaro, parceiro de negócios de Toffoli e contratante a R$ 3,6 milhões/mês do escritório da mulher de Moraes, não foi ignorada pelo novo relator do caso no STF, o ministro “terrivelmente evangélico” de Bolsonaro (relembre aqui), André Mendonça. Que, no último dia 4, mandou prender preventivamente Vorcaro (confira aqui). Assim como “Sicário”, morto após suposta tentativa de suicídio (confira aqui) já no 1º dia da sua detenção, em uma cela da Superintendência da PF em Minas Gerais.
De Vorcaro a Moraes: “Conseguiu bloquear?” — No dia 6, novamente a jornalista Malu Gaspar revelou (confira aqui ou aqui) que, em 17 de novembro, dia da 1ª prisão de Vorcaro, este teria trocado, segundo a perícia da PF, várias mensagens com Moraes. Entre elas, o ex-banqueiro, com modus operandi de miliciano, teria indagado ao “herói da democracia” do STF: “Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”
Análise do jurista — A partir de todas essas novas relevações, o jurista Wálter Maierovitch, também colunista do portal UOL, fez uma nova advertência no dia 7 (confira aqui) sobre Moraes e sua atuação no STF:
— A esposa dele (de Alexandre de Moraes), em janeiro de 2024, ela (Viviane Barci de Moraes) celebrou um contrato (com o Master). E depois, em novembro, começou, e a PF apresenta isso, diálogos entre o Moraes e o Vorcaro. No sentido de que Moraes estaria por dentro de toda a atividade do Vorcaro e dando-lhe conselhos, orientações. Existe até uma mensagem, que é a última delas, que parece dar indicativos de que houve, sim, a troca. O Moraes interagiu com ele, respondia a ele, embora essas mensagens tivessem sido apagadas. A situação do Moraes é delicadíssima.
Ou pede o boné ou impeachment? — O desembargador aposentado do TJ/SP seguiu em sua análise jurídica do envolvimento de Moraes com o Master e suas consequências:
— Ele (Moraes) deveria, de pronto, se licenciar. E, imediatamente, também, ou se licencia, ou se exonera. Exoneração é um termo técnico. No popular, é demissão. Ou seja, pede o boné, deixa a toga na cadeira e vai embora. Porque, diante de tudo isso, os indicativos são fortíssimos de crime; crime de advocacia administrativa. E esse crime prevê que aquele que patrocina, que participa de uma forma direta ou indireta. E no caso são duas. Diretamente pela mulher e indiretamente debaixo da toga. Nós só temos uma saída, que se chama impeachment, que é pelo Senado — indicou Maierovitch.
Após o carnaval, AtlasIntel (confira aqui), Paraná (confira aqui e aqui) e Real Time Big Data (confira aqui) tinham registrado o crescimento da pré-candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL), tirando diferença da liderança de Lula (PT) ao 1º turno e em empate técnico com este ao 2º turno. Hoje (7), foi a vez da Datafolha confirmar a tendência. Pela pesquisa, se o 2º turno fosse hoje, seria Lula 46% x 43% Flávio, empate técnico na margem de erro de 2 pontos para mais ou menos.
(Infográfico: Joseli Matias)
Dados da pesquisa — Divulgada hoje, a exatos 6 meses e 28 dias da urna de 4 de outubro, a pesquisa Datafolha foi feita presencialmente com 2.004 eleitores de 16 anos ou mais, em 137 municípios do Brasil, entre os dias 3 e 5 de março. E foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-03715/2026.
Flávio cristalizado com Lula — A consolidação de Flávio como nome competitivo a presidente foi melhor traduzido pela consulta espontânea, em que o eleitor fala da própria cabeça em quem votará, da Datafolha. Onde seu nome não foi citado em dezembro. E agora, no início de março, ele surgiu com 12% de intenção de voto cristalizada, 13 pontos atrás dos 25% de Lula.
Intenção de voto em Jair a Flávio — A vantagem de Lula sobre Flávio na espontânea pode ser menor. O 3º colocado foi o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso após ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por tentativa de golpe de Estado, e hoje inelegível até 2030, ainda assim teve 3% de intenção de voto. Que, somados naturalmente ao filho 01, este diminuiria para 10 pontos a diferença que o separa do petista.
Lula lidera, mas perde vantagem ao 1º e 2º turno — Embora tenha liderado todos cinco cenários de 1º turno, como os sete de 2º turno testados pela Datafolha, Lula aparece com queda de vantagem em todos eles. No cenário hoje mais provável de 1º turno, Lula teve 38% de intenção, 6 pontos à frente de Flávio, com 32%.
Ao 1º turno — Lula e Flávio foram seguidos no cenário de 1º turno pelos governadores do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), com 7%; e de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), com 4%; além do presidenciável do Missão, Renan Santos, com 3%, todos em empate técnico. Fechou a lista o ex-ministro Aldo Rebelo (DC), com 2%.
Lula e Flávio lideram também rejeição — Se lideram as simulações de 1º turno, com boa vantagem sobre os demais, e empatam tecnicamente no 2º turno, o índice negativo que define este também tem Lula e Flávio à frente. Na rejeição, o petista lidera com 46% de eleitores que não votariam nele de jeito nenhum, só 1 ponto à frente dos 45% que não votariam em Flávio.
Rejeições menores no pelotão de baixo — Entre os presidenciáveis mais cotados, Ratinho Jr. teve 19% de rejeição, com 18% do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (REP); 17% de Zema; 15% do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD); 14% cada a Renan e ao governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD); e 12% de Aldo.
William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE
Análise do especialista — “A Datafolha de março aponta a consolidação da pré-candidatura de Flávio no campo oposto ao do presidente Lula. Na comparação com dezembro de 2025, Flávio cresceu 7 pontos na intenção de voto e agora empata tecnicamente com Lula num provável 2º turno. Flávio também cristalizou a intenção do voto espontâneo. Com rejeição também empatada tecnicamente entre Lula e Flávio, o Datafolha testou cinco cenários de 1º turno e sete cenários de 2º turno. Lula segue à frente em todos, mas com vantagem em queda”, resumiu William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE.
Em 1935, a Pérsia virou Irã, para marcar sua origem étnica ariana, indo-europeia, branca, não árabe como a maioria dos ocidentais imagina. À exceção da prática religiosa islâmica, os iranianos não falam árabe, mas farsi, língua fundamentada no séc. 13 pelo poeta Rumi. Como foi o italiano pelo poeta Dante Alighieri no séc. 14, ou o português por Luís de Camões, no séc. 16.
Origens do Irã
A Pérsia se tornou muçulmana no século 7, logo após o profeta Muhammad (Maomé) fundar a nova religião. Mas tem História muito anterior a isso. Mais de mil anos antes, no séc. 6 a.C., coube a Ciro, o Grande, unificar os povos medos e persas. Sob a religião criada pelo profeta Zaratustra no século anterior, primeira fundamentada entre os conceitos de bem e mal.
Primeiro império da História
Meio milênio antes de Cristo, Ciro e seus sucessores fizeram da Pérsia o primeiro império digno do nome na História. Através da ligação comercial, viária e cultural entre o Mar Mediterrâneo, o Oceano Índico e o Golfo Pérsico. De onde, hoje, ataca o Irã o império da vez do séc. 21. Mas com este, os EUA, a serviço de uma potência regional do Oriente Médio: Israel.
Herói persa de judeus e cristãos
Israel é uma nação judia e os EUA têm maioria cristã. No livro sagrado de ambos, o Tanakh judeu, Velho Testamento cristão, o persa Ciro é enaltecido: Isaías (44:28; 45:1), Esdras (1:1-8; 3:7; 4:3-5; 5:13-17; 6:3-14), 2 Crônicas (36:22-23) e Daniel (1:21; 6:28; 10:1). Base moral que, no dia 28, não impediu o bombardeio de uma escola de meninas no sul do Irã, matando 175 inocentes.
Poder militar dos EUA
A morte no mesmo dia 28, primeiro dos ataques dos EUA e Israel, do aiatolá Ali Khamenei, ex-líder supremo do Irã, na capital Teerã, demonstra um poder e uma precisão militar talvez nunca antes vista na História. Como foi a captura — ou entrega? — de Nicolás Maduro dentro de Caracas em 3 de janeiro. Foi no primeiro dia das ações militares dos EUA na Venezuela.
Khamenei e Maduro são indefensáveis
Não há defesa ou relativização possíveis às ditaduras homicidas que Khamenei e Maduro comandavam em seus respectivos países. Como não há defesa, dentro do direito internacional, ao sequestro ou assassinato do líder de um país, em sua capital, por um poder estrangeiro. Dito isso, parece haver entre a submissão da Venezuela e a resistência do Irã uma diferença.
Comparação com a Rússia
A Rússia de Vladimir Putin está há mais de 4 anos numa guerra fraticida com a Ucrânia. E, a despeito de todo o grande poder militar russo, este jamais conseguiu tocar no presidente ucraniano Volodymyr Zelensky. O que, em contraste com os destinos fulminantes de Khamenei e Maduro, dá a dimensão do poder de Donald Trump à frente da máquina de guerra dos EUA.
Interessa a Israel, não aos EUA
Neutralizar o Irã, pela rivalidade e alcance regional, interessa a Israel e sua população. Mas não aos EUA e seu povo. Primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu estava com o cargo a perigo nas eleições parlamentares de 27 de outubro. Mas pode sair fortalecido se a teocracia dos aiatolás for substituída por um governo títere como o da venezuelana Delcy Rodríguez.
Israel primeiro racha o Maga
Trump foi eleito à Casa Branca pela 2ª vez prometendo ao eleitor deixar os EUA fora de guerras desnecessárias. E com o lema “America First” (“América Primeiro”), não “Israel First”. O que já é questionado abertamente dentro do seu movimento Maga (“Make America Great Again”, “Faça a América Grande de Novo”). Hoje, conjugado como Miga (“Make Israel Great Again”).
Intenção x realidade
Se já estava em crise de popularidade pelo envolvimento com a rede de pedofilia do ex-amigo Jeffrey Epstein e os assassinatos de cidadãos dos EUA pela milícia do ICE, Trump supôs que teria outra Venezuela. Mas, até aqui, o Irã levou a guerra a vários outros países do Oriente Médio e fechou o Estreito de Ormuz, onde passam 20% do petróleo consumido no mundo.
O tamanho e o custo do Irã
Maior que o estado do Amazonas, com mais de 1,6 milhão km2, o Irã é o 18º país do mundo em extensão, com 93 milhões de habitantes. Muitos analistas militares afirmam que não tem como ser submetido sem a invasão também por tropas terrestres. O que custaria vidas dos EUA. E votos em suas midterms, eleições parlamentares de meio de mandato presidencial.
Eleição pela culatra?
Em 3 de novembro, os estadunidenses elegerão todas as 435 cadeiras da Câmara de Representantes (deputados federais) e 35 das 100 cadeiras do Senado. Se perder a maioria legislativa, após já ter sido barrado em seu tarifaço pela Suprema Corte conservadora dos EUA, o poder militar ostentado por Trump no Irã, sob a mira de Israel, pode sair pela culatra. A ver.
Após mais de dois meses sem luz por conta de furto de fios, o Museu de Campos começou ontem por passar por reformas, com prazo de conclusão para 10 dias (Foto: Rafael Khenaifes/Folha da Manhã)
Museu a mais 10 dias da luz
Hoje, se completam 2 meses e 10 dias do Museu Histórico de Campos sem energia elétrica, por conta de mais um furto de fios que se tornaram uma epidemia nos prédios do Centro de Campos. Ontem (6), começaram efetivamente (confira aqui) as obras da superintendência de Iluminação Pública para restaurar a energia no prédio histórico. Com previsão de conclusão em 10 dias.
Projeção inicial do prefeito
Na coluna de quarta (4), a coluna chegou a anunciar (confira aqui) o compromisso do prefeito Wladimir Garotinho (hoje, PP) pela restauração do prédio do Solar do Visconde de Araruama, construído no século 18: “A situação do Museu vai ser resolvida. Se o tempo ajudar, sem chuva, acredito que até domingo (8) deve ficar tudo pronto”.
Epidemia de furtos no Centro
Ocorre que, na manhã da mesma quarta, na primeira visita da equipe de Iluminação Pública ao local, foi constatado que outro furto havia ocorrido. Mesmo com o Museu já sob a vigilância da Guarda Civil Municipal, que se revelou ineficiente, os disjuntores e interruptores da caixa de força do prédio histórico no quadrilátero da Praça do Santíssimo Salvador.
Para o mesmo ou pior não acontecer
Por conta do novo furto, o prazo inicial dado pelo prefeito, como o trabalho da Iluminação Pública, teve que ser ampliado. Quando o Museu de Campos for finalmente dado novamente à luz, nada impede que o mesmo, ou coisa pior, como o roubo do seu acervo histórico, não possa acontecer. Se a segurança pública do prédio, como de todo o Centro, continuar como está.
Arthur Soffiati, historiador, professor e escritor
Irã, Israel, Estados Unidos e Portugal
Por Arthur Soffiati
Não tenho dúvidas sobre o interesse de Israel em destruir seu arqui-inimigo Irã, tanto quanto este alimenta o mesmo desejo contra Israel. Analistas têm mostrado que os Estados Unidos entraram numa guerra que não era propriamente deles.
Ao ver as armas de combate usadas pelo Tio Sam contra bases militares, prédios históricos e uma escola de meninas, comecei a pensar se os Estados Unidos não estariam mandando um recado para a China. Assim como as duas bombas atômicas lançadas sobre cidades japonesas foram um recado para a União Soviética.
São drones de última geração que vão na frente despistando as defesas do país, lançando bombas e abrindo caminho para jatos e mísseis superpotentes. A China está produzindo drones parecidos e quer fabricar um milhão deles. O recado seria mais ou menos o seguinte: “olha o que temos para bombardear vocês caso insistam em incorporar Taiwan”.
Hoje, sou plenamente cônscio do meu pacifismo, ao mesmo tempo em que analiso as estruturas e as conjunturas mundiais, nacionais e regionais. Vejo que o sistema do multilateralismo e do Direito Internacional está esfacelado. A ONU nunca teve força material para impedir conflitos entre países, mas tinha força moral para condená-los. No momento, ela soçobrou. Sua voz ficou débil.
Voltamos a um quadro internacional semelhante ao do século XIX. Talvez mais parecido com o do século XVIII, pois, em 1815, estabilizou-se a Ordem de Viena, formada por Inglaterra, Prússia, Áustria e Rússia, países vencedores da França Napoleônica. Essa Ordem garantiu estabilidade relativa até a eclosão da Primeira Guerra Mundial, em 1914.
No momento, temos falas fortes dos Estados Unidos, Israel, Reino Unido, França, Espanha, Rússia e China. Outras vozes menores não são ouvidas ou apenas são pronunciadas para assumir posição. A voz da ONU se mostra inaudível na atual conjuntura, em que a voz caótica dos Estados Unidos parece ecoar mais alto até mesmo contra aliados históricos, como a Otan.
Vejo como desastrosa as guerras da atualidade, embora não tenhamos vivido um ano sequer sem guerra desde 1945. Há 600 anos, declaramos guerra à natureza e ela, de maneira inconsciente, responde com ataques na forma de tempestades de vento e chuva e secas. Esta é, no meu entendimento, a maior guerra do nosso tempo. Apesar dos ataques da natureza.
Apesar de conhecermos as raízes da guerra, não estamos trabalhando para assegurar a viabilidade da economia de mercado, já que ela solapa qualquer acordo de paz. E continuamos atentos aos nossos mesquinhos interesses num mundo que sofre com eles.
Deixando clara minha posição de pacifista em todos os sentidos, permito-me retornar aos séculos XVI e XVII para mostrar o interesse do Ocidente pelo estreito de Ormuz. Antes mesmo da expansão da Europa, no século XV, o estreito e o Golfo Pérsico eram uma região de importância crucial para o comércio Leste-Oeste. Por ali, passavam as mercadorias produzidas na Ásia e consumidas na Europa.
Planisfério de Cantino (1502), já assinalando o Mar Vermelho e a ilha de Socotra (ou Socotorá) em vermelho e o Golfo Pérsico em azul, como áreas estratégicas
Quando Vasco da Gama alcançou o oeste da Índia, a conquista do estreito de Ormuz se mostrou imprescindível para Portugal. O ponto estratégico para o domínio do estreito era a ilha de Ormuz, que o historiador inglês Charles Boxer descreveu não parecer importante em si por produzir apenas sal e enxofre. Seu solo é também ferruginoso. Mas sua importância estratégica era enorme. Por ali, passavam as famosas especiarias vindas da Indonésia, os cavalos árabes, sedas, marfim, porcelanas e pedras preciosas.
Ruínas da fortaleza de Nossa Senhora da Conceição de Ormuz, Irã
Os objetivos de D. Manuel, rei de Portugal, na transição do século XV para o XVI, tinham, entre outros, ocupar o Mar Vermelho e o Golfo Pérsico. A conquista da ilha de Socotra, na entrada do Golfo de Aden e do Mar Vermelho, e a ilha de Ormuz, na entrada do Golfo Pérsico. Para tanto, o rei venturoso enviou, em 1506, duas frotas armadas com o que havia de mais poderoso na época: caravelas com canhões. Tristão da Cunha comandava a maior e Afonso de Albuquerque a menor. Foi acirrada a luta para conquistar Socotra aos islâmicos.
Tristão da Cunha deixou para Afonso de Albuquerque a conquista de Ormuz. Albuquerque era impiedoso e também habilidoso diplomata. Ele negociou com o vizir local. Como ele hesitasse, Albuquerque abriu fogo contra a frota adversária, obtendo a rendição do vizir. Os portugueses começaram, então, a construir um forte na ilha de Ormuz. As dificuldades na ilha, sobretudo em termos de abastecimento, causaram deserções e amotinações. A água tinha de ser trazida do continente.
Albuquerque abandonou a obra e partiu para Cochim, capital das Índias Orientais lusas. Nomeado vice-rei da Índia Portuguesa, Albuquerque conquistou Goa em 1510 e Malaca em 1511. Retornou a Ormuz em 1515 e, diplomaticamente, retomou a ilha, dando continuidade à construção da fortaleza abandonada. Ela recebeu o nome de Nossa Senhora da Conceição de Ormuz, a terceira maior das Índias Portuguesas. Em 1550, foi ampliada e em 1591 reforçada.
Portugal reinou soberano no Golfo Pérsico durante o século XVI, mas, a partir de 1580, a união das coroas ibéricas mudou a conjuntura mundial. Filipe II, o novo rei, granjeou a inimizade da Holanda e da Inglaterra. Portugal e Espanha unidos começavam a enfrentar o assédio de novas potências mundiais.
Em 1614, a Inglaterra apoiou os persas na reconquista de fontes de abastecimento português no Golfo. Além da fortaleza na pequena ilha de Ormuz, Portugal ergueu outra em Bandar Abbas, cidade fronteiriça à ilha, onde obtinha água doce. Era o Forte de Comorão.
A presença militar portuguesa e ibérica não se restringiu a duas fortalezas. Havia a Fortaleza de Bahrein, conquistada aos árabes em 1559 por Antão Noronha e adaptada aos interesses lusos. Ela foi ampliada e modernizada em 1561 e perdida em 1602. O Forte de Comorão foi perdido para os persas em 1614.
Na ilha de Queixome (a maior do golfo e comumente confundida com a ilha de Ormuz), Rui Freire de Andrada, General do Mar de Ormuz e Costa da Pérsia e Arábia, ergueu uma fortificação em 1621. Ela foi bombardeada pela artilharia inglesa apoiando os persas e tomada pelos ingleses em 1622. O Forte de Congo situava-se na vila de Kong e servia de posto de comando e porto seguro. Em 1620, forças portuguesas sob o comando de Gaspar Pereira Leite erguem o Forte de Corfação.
Forte Al-Jalali, Omã
Perdendo as bases no interior do golfo, os portugueses se deslocaram para Omã e ali ergueram os Fortes Al-Mirani e Al-Jalali para assegurar a presença portuguesa no golfo. Por uma década ainda, Rui Freire de Andrada tentou reconquistar a fortaleza de Ormuz sem sucesso. Com a perda consumada, os portugueses transferiram-se para Mascate e estabeleceram uma feitoria em Baçorá, em 1623, na foz do rio Eufrates. Freire de Andrada ainda reocupou um forte.
Em 1624, o forte de Quelba foi conquistada por Gaspar Leite. No mesmo ano, Mateus de Seabra conquistou o Forte de Mada. Por acordo com os persas, a Coroa Ibérica conseguiu ficar com uma feitoria e com uma fortificação (Bandar Kong), no litoral do Golfo Pérsico. Em 1631, ainda conseguiram erguer o forte de Julfar.
As fortificações e feitorias de Soar, Julfar, Doba, Libédia, Mada, Corfação, Caçapo, Congo e Baçorá ainda asseguraram um certo poder aos ibéricos no golfo. Em 1650, Mascate, o último domínio português na Arábia, foi perdido para os omanitas, sendo totalmente expulsos da região em 1651.
Algumas palavras portuguesas foram incorporadas ao persa, tais como portoghāl (o nome do país e também da fruta laranja), Anānās (abacaxi), pāpāyā (mamão), mize (mesa). Curiosamente, ananás é palavra de origem tupi e papaia origina-se do karibe, ambas incorporadas ao português e a outras línguas.
Não diremos que a história se repete, mas que tudo muda. Os grandes dinossauros foram extintos. Os impérios luso, espanhol, holandês, francês e inglês também. O mundo de hoje não será o de amanhã. Talvez o Golfo Pérsico continue sendo importante rota comercial e militar, mas em outras mãos. Dos portugueses, restaram ruínas.