Datafolha: Flávio cresce e tem empate técnico com Lula no 2º turno

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Após o carnaval, AtlasIntel (confira aqui), Paraná (confira aqui e aqui) e Real Time Big Data (confira aqui) tinham registrado o crescimento da pré-candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL), tirando diferença da liderança de Lula (PT) ao 1º turno e em empate técnico com este ao 2º turno. Hoje (7), foi a vez da Datafolha confirmar a tendência. Pela pesquisa, se o 2º turno fosse hoje, seria Lula 46% x 43% Flávio, empate técnico na margem de erro de 2 pontos para mais ou menos.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Dados da pesquisa — Divulgada hoje, a exatos 6 meses e 28 dias da urna de 4 de outubro, a pesquisa Datafolha foi feita presencialmente com 2.004 eleitores de 16 anos ou mais, em 137 municípios do Brasil, entre os dias 3 e 5 de março. E foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-03715/2026.

Flávio cristalizado com Lula — A consolidação de Flávio como nome competitivo a presidente foi melhor traduzido pela consulta espontânea, em que o eleitor fala da própria cabeça em quem votará, da Datafolha. Onde seu nome não foi citado em dezembro. E agora, no início de março, ele surgiu com 12% de intenção de voto cristalizada, 13 pontos atrás dos 25% de Lula.

Intenção de voto em Jair a Flávio — A vantagem de Lula sobre Flávio na espontânea pode ser menor. O 3º colocado foi o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso após ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por tentativa de golpe de Estado, e hoje inelegível até 2030, ainda assim teve 3% de intenção de voto. Que, somados naturalmente ao filho 01, este diminuiria para 10 pontos a diferença que o separa do petista.

Lula lidera, mas perde vantagem ao 1º e 2º turno — Embora tenha liderado todos cinco cenários de 1º turno, como os sete de 2º turno testados pela Datafolha, Lula aparece com queda de vantagem em todos eles. No cenário hoje mais provável de 1º turno, Lula teve 38% de intenção, 6 pontos à frente de Flávio, com 32%.

Ao 1º turno — Lula e Flávio foram seguidos no cenário de 1º turno pelos governadores do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), com 7%; e de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), com 4%; além do presidenciável do Missão, Renan Santos, com 3%, todos em empate técnico. Fechou a lista o ex-ministro Aldo Rebelo (DC), com 2%.

Lula e Flávio lideram também rejeição — Se lideram as simulações de 1º turno, com boa vantagem sobre os demais, e empatam tecnicamente no 2º turno, o índice negativo que define este também tem Lula e Flávio à frente. Na rejeição, o petista lidera com 46% de eleitores que não votariam nele de jeito nenhum, só 1 ponto à frente dos 45% que não votariam em Flávio.

Rejeições menores no pelotão de baixo — Entre os presidenciáveis mais cotados, Ratinho Jr. teve 19% de rejeição, com 18% do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (REP); 17% de Zema; 15% do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD); 14% cada a Renan e ao governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD); e 12% de Aldo.

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE

Análise do especialista —  “A Datafolha de março aponta a consolidação da pré-candidatura de Flávio no campo oposto ao do presidente Lula. Na comparação com dezembro de 2025, Flávio cresceu 7 pontos na intenção de voto e agora empata tecnicamente com Lula num provável 2º turno. Flávio também cristalizou a intenção do voto espontâneo. Com rejeição também empatada tecnicamente entre Lula e Flávio, o Datafolha testou cinco cenários de 1º turno e sete cenários de 2º turno. Lula segue à frente em todos, mas com vantagem em queda”, resumiu William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE.

 

Irã interessa a Israel, não aos EUA, onde pode sair pela culatra em novembro

 

Ali Khamenei, Benjamin Netanyahu e Donald Trump

 

Iranianos não são ou falam árabe

Em 1935, a Pérsia virou Irã, para marcar sua origem étnica ariana, indo-europeia, branca, não árabe como a maioria dos ocidentais imagina. À exceção da prática religiosa islâmica, os iranianos não falam árabe, mas farsi, língua fundamentada no séc. 13 pelo poeta Rumi. Como foi o italiano pelo poeta Dante Alighieri no séc. 14, ou o português por Luís de Camões, no séc. 16.

 

Origens do Irã

A Pérsia se tornou muçulmana no século 7, logo após o profeta Muhammad (Maomé) fundar a nova religião. Mas tem História muito anterior a isso. Mais de mil anos antes, no séc. 6 a.C., coube a Ciro, o Grande, unificar os povos medos e persas. Sob a religião criada pelo profeta Zaratustra no século anterior, primeira fundamentada entre os conceitos de bem e mal.

 

Primeiro império da História

Meio milênio antes de Cristo, Ciro e seus sucessores fizeram da Pérsia o primeiro império digno do nome na História. Através da ligação comercial, viária e cultural entre o Mar Mediterrâneo, o Oceano Índico e o Golfo Pérsico. De onde, hoje, ataca o Irã o império da vez do séc. 21. Mas com este, os EUA, a serviço de uma potência regional do Oriente Médio: Israel.

 

Herói persa de judeus e cristãos

Israel é uma nação judia e os EUA têm maioria cristã. No livro sagrado de ambos, o Tanakh judeu, Velho Testamento cristão, o persa Ciro é enaltecido: Isaías (44:28; 45:1), Esdras (1:1-8; 3:7; 4:3-5; 5:13-17; 6:3-14), 2 Crônicas (36:22-23) e Daniel (1:21; 6:28; 10:1). Base moral que, no dia 28, não impediu o bombardeio de uma escola de meninas no sul do Irã, matando 175 inocentes.

 

Poder militar dos EUA

A morte no mesmo dia 28, primeiro dos ataques dos EUA e Israel, do aiatolá Ali Khamenei, ex-líder supremo do Irã, na capital Teerã, demonstra um poder e uma precisão militar talvez nunca antes vista na História. Como foi a captura — ou entrega? — de Nicolás Maduro dentro de Caracas em 3 de janeiro. Foi no primeiro dia das ações militares dos EUA na Venezuela.

 

Khamenei e Maduro são indefensáveis

Não há defesa ou relativização possíveis às ditaduras homicidas que Khamenei e Maduro comandavam em seus respectivos países. Como não há defesa, dentro do direito internacional, ao sequestro ou assassinato do líder de um país, em sua capital, por um poder estrangeiro. Dito isso, parece haver entre a submissão da Venezuela e a resistência do Irã uma diferença.

 

Comparação com a Rússia

A Rússia de Vladimir Putin está há mais de 4 anos numa guerra fraticida com a Ucrânia. E, a despeito de todo o grande poder militar russo, este jamais conseguiu tocar no presidente ucraniano Volodymyr Zelensky. O que, em contraste com os destinos fulminantes de Khamenei e Maduro, dá a dimensão do poder de Donald Trump à frente da máquina de guerra dos EUA.

 

Interessa a Israel, não aos EUA

Neutralizar o Irã, pela rivalidade e alcance regional, interessa a Israel e sua população. Mas não aos EUA e seu povo. Primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu estava com o cargo a perigo nas eleições parlamentares de 27 de outubro. Mas pode sair fortalecido se a teocracia dos aiatolás for substituída por um governo títere como o da venezuelana Delcy Rodríguez.

 

Israel primeiro racha o Maga

Trump foi eleito à Casa Branca pela 2ª vez prometendo ao eleitor deixar os EUA fora de guerras desnecessárias. E com o lema “America First” (“América Primeiro”), não “Israel First”. O que já é questionado abertamente dentro do seu movimento Maga (“Make America Great Again”, “Faça a América Grande de Novo”). Hoje, conjugado como Miga (“Make Israel Great Again”).

 

Intenção x realidade

Se já estava em crise de popularidade pelo envolvimento com a rede de pedofilia do ex-amigo Jeffrey Epstein e os assassinatos de cidadãos dos EUA pela milícia do ICE, Trump supôs que teria outra Venezuela. Mas, até aqui, o Irã levou a guerra a vários outros países do Oriente Médio e fechou o Estreito de Ormuz, onde passam 20% do petróleo consumido no mundo.

 

O tamanho e o custo do Irã

Maior que o estado do Amazonas, com mais de 1,6 milhão km2, o Irã é o 18º país do mundo em extensão, com 93 milhões de habitantes. Muitos analistas militares afirmam que não tem como ser submetido sem a invasão também por tropas terrestres. O que custaria vidas dos EUA. E votos em suas midterms, eleições parlamentares de meio de mandato presidencial.

 

Eleição pela culatra?

Em 3 de novembro, os estadunidenses elegerão todas as 435 cadeiras da Câmara de Representantes (deputados federais) e 35 das 100 cadeiras do Senado. Se perder a maioria legislativa, após já ter sido barrado em seu tarifaço pela Suprema Corte conservadora dos EUA, o poder militar ostentado por Trump no Irã, sob a mira de Israel, pode sair pela culatra. A ver.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Sem luz há mais de 2 meses, reparo no Museu começa com prazo de 10 dias

 

Após mais de dois meses sem luz por conta de furto de fios, o Museu de Campos começou ontem por passar por reformas, com prazo de conclusão para 10 dias (Foto: Rafael Khenaifes/Folha da Manhã)

 

Museu a mais 10 dias da luz

Hoje, se completam 2 meses e 10 dias do Museu Histórico de Campos sem energia elétrica, por conta de mais um furto de fios que se tornaram uma epidemia nos prédios do Centro de Campos. Ontem (6), começaram efetivamente (confira aqui) as obras da superintendência de Iluminação Pública para restaurar a energia no prédio histórico. Com previsão de conclusão em 10 dias.

 

Projeção inicial do prefeito

Na coluna de quarta (4), a coluna chegou a anunciar (confira aqui) o compromisso do prefeito Wladimir Garotinho (hoje, PP) pela restauração do prédio do Solar do Visconde de Araruama, construído no século 18: “A situação do Museu vai ser resolvida. Se o tempo ajudar, sem chuva, acredito que até domingo (8) deve ficar tudo pronto”.

 

Epidemia de furtos no Centro

Ocorre que, na manhã da mesma quarta, na primeira visita da equipe de Iluminação Pública ao local, foi constatado que outro furto havia ocorrido. Mesmo com o Museu já sob a vigilância da Guarda Civil Municipal, que se revelou ineficiente, os disjuntores e interruptores da caixa de força do prédio histórico no quadrilátero da Praça do Santíssimo Salvador.

 

Para o mesmo ou pior não acontecer

Por conta do novo furto, o prazo inicial dado pelo prefeito, como o trabalho da Iluminação Pública, teve que ser ampliado. Quando o Museu de Campos for finalmente dado novamente à luz, nada impede que o mesmo, ou coisa pior, como o roubo do seu acervo histórico, não possa acontecer. Se a segurança pública do prédio, como de todo o Centro, continuar como está.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Arthur Soffiati — Antes de EUA e Israel no Irã, Portugal no Golfo Pérsico

 

(Foto: Instagram)

 

 

Arthur Soffiati, historiador, professor e escritor

Irã, Israel, Estados Unidos e Portugal

Por Arthur Soffiati

 

Não tenho dúvidas sobre o interesse de Israel em destruir seu arqui-inimigo Irã, tanto quanto este alimenta o mesmo desejo contra Israel. Analistas têm mostrado que os Estados Unidos entraram numa guerra que não era propriamente deles.

Ao ver as armas de combate usadas pelo Tio Sam contra bases militares, prédios históricos e uma escola de meninas, comecei a pensar se os Estados Unidos não estariam mandando um recado para a China. Assim como as duas bombas atômicas lançadas sobre cidades japonesas foram um recado para a União Soviética.

São drones de última geração que vão na frente despistando as defesas do país, lançando bombas e abrindo caminho para jatos e mísseis superpotentes. A China está produzindo drones parecidos e quer fabricar um milhão deles. O recado seria mais ou menos o seguinte: “olha o que temos para bombardear vocês caso insistam em incorporar Taiwan”.

Hoje, sou plenamente cônscio do meu pacifismo, ao mesmo tempo em que analiso as estruturas e as conjunturas mundiais, nacionais e regionais. Vejo que o sistema do multilateralismo e do Direito Internacional está esfacelado. A ONU nunca teve força material para impedir conflitos entre países, mas tinha força moral para condená-los. No momento, ela soçobrou. Sua voz ficou débil.

Voltamos a um quadro internacional semelhante ao do século XIX. Talvez mais parecido com o do século XVIII, pois, em 1815, estabilizou-se a Ordem de Viena, formada por Inglaterra, Prússia, Áustria e Rússia, países vencedores da França Napoleônica. Essa Ordem garantiu estabilidade relativa até a eclosão da Primeira Guerra Mundial, em 1914.

No momento, temos falas fortes dos Estados Unidos, Israel, Reino Unido, França, Espanha, Rússia e China. Outras vozes menores não são ouvidas ou apenas são pronunciadas para assumir posição. A voz da ONU se mostra inaudível na atual conjuntura, em que a voz caótica dos Estados Unidos parece ecoar mais alto até mesmo contra aliados históricos, como a Otan.

Vejo como desastrosa as guerras da atualidade, embora não tenhamos vivido um ano sequer sem guerra desde 1945. Há 600 anos, declaramos guerra à natureza e ela, de maneira inconsciente, responde com ataques na forma de tempestades de vento e chuva e secas. Esta é, no meu entendimento, a maior guerra do nosso tempo. Apesar dos ataques da natureza.

Apesar de conhecermos as raízes da guerra, não estamos trabalhando para assegurar a viabilidade da economia de mercado, já que ela solapa qualquer acordo de paz. E continuamos atentos aos nossos mesquinhos interesses num mundo que sofre com eles.

Deixando clara minha posição de pacifista em todos os sentidos, permito-me retornar aos séculos XVI e XVII para mostrar o interesse do Ocidente pelo estreito de Ormuz. Antes mesmo da expansão da Europa, no século XV, o estreito e o Golfo Pérsico eram uma região de importância crucial para o comércio Leste-Oeste. Por ali, passavam as mercadorias produzidas na Ásia e consumidas na Europa.

 

Planisfério de Cantino (1502), já assinalando o Mar Vermelho e a ilha de Socotra (ou Socotorá) em vermelho e o Golfo Pérsico em azul, como áreas estratégicas

 

Quando Vasco da Gama alcançou o oeste da Índia, a conquista do estreito de Ormuz se mostrou imprescindível para Portugal. O ponto estratégico para o domínio do estreito era a ilha de Ormuz, que o historiador inglês Charles Boxer descreveu não parecer importante em si por produzir apenas sal e enxofre. Seu solo é também ferruginoso. Mas sua importância estratégica era enorme. Por ali, passavam as famosas especiarias vindas da Indonésia, os cavalos árabes, sedas, marfim, porcelanas e pedras preciosas.

 

Ruínas da fortaleza de Nossa Senhora da Conceição de Ormuz, Irã

 

Os objetivos de D. Manuel, rei de Portugal, na transição do século XV para o XVI, tinham, entre outros, ocupar o Mar Vermelho e o Golfo Pérsico. A conquista da ilha de Socotra, na entrada do Golfo de Aden e do Mar Vermelho, e a ilha de Ormuz, na entrada do Golfo Pérsico. Para tanto, o rei venturoso enviou, em 1506, duas frotas armadas com o que havia de mais poderoso na época: caravelas com canhões. Tristão da Cunha comandava a maior e Afonso de Albuquerque a menor. Foi acirrada a luta para conquistar Socotra aos islâmicos.

Tristão da Cunha deixou para Afonso de Albuquerque a conquista de Ormuz. Albuquerque era impiedoso e também habilidoso diplomata. Ele negociou com o vizir local. Como ele hesitasse, Albuquerque abriu fogo contra a frota adversária, obtendo a rendição do vizir. Os portugueses começaram, então, a construir um forte na ilha de Ormuz. As dificuldades na ilha, sobretudo em termos de abastecimento, causaram deserções e amotinações. A água tinha de ser trazida do continente.

Albuquerque abandonou a obra e partiu para Cochim, capital das Índias Orientais lusas. Nomeado vice-rei da Índia Portuguesa, Albuquerque conquistou Goa em 1510 e Malaca em 1511. Retornou a Ormuz em 1515 e, diplomaticamente, retomou a ilha, dando continuidade à construção da fortaleza abandonada. Ela recebeu o nome de Nossa Senhora da Conceição de Ormuz, a terceira maior das Índias Portuguesas. Em 1550, foi ampliada e em 1591 reforçada.

Portugal reinou soberano no Golfo Pérsico durante o século XVI, mas, a partir de 1580, a união das coroas ibéricas mudou a conjuntura mundial. Filipe II, o novo rei, granjeou a inimizade da Holanda e da Inglaterra. Portugal e Espanha unidos começavam a enfrentar o assédio de novas potências mundiais.

Em 1614, a Inglaterra apoiou os persas na reconquista de fontes de abastecimento português no Golfo. Além da fortaleza na pequena ilha de Ormuz, Portugal ergueu outra em Bandar Abbas, cidade fronteiriça à ilha, onde obtinha água doce. Era o Forte de Comorão.

A presença militar portuguesa e ibérica não se restringiu a duas fortalezas. Havia a Fortaleza de Bahrein, conquistada aos árabes em 1559 por Antão Noronha e adaptada aos interesses lusos. Ela foi ampliada e modernizada em 1561 e perdida em 1602.  O Forte de Comorão foi perdido para os persas em 1614.

Na ilha de Queixome (a maior do golfo e comumente confundida com a ilha de Ormuz), Rui Freire de Andrada, General do Mar de Ormuz e Costa da Pérsia e Arábia, ergueu uma fortificação em 1621. Ela foi bombardeada pela artilharia inglesa apoiando os persas e tomada pelos ingleses em 1622. O Forte de Congo situava-se na vila de Kong e servia de posto de comando e porto seguro. Em 1620, forças portuguesas sob o comando de Gaspar Pereira Leite erguem o Forte de Corfação.

 

Forte Al-Jalali, Omã

 

Perdendo as bases no interior do golfo, os portugueses se deslocaram para Omã e ali ergueram os Fortes Al-Mirani e Al-Jalali para assegurar a presença portuguesa no golfo. Por uma década ainda, Rui Freire de Andrada tentou reconquistar a fortaleza de Ormuz sem sucesso. Com a perda consumada, os portugueses transferiram-se para Mascate e estabeleceram uma feitoria em Baçorá, em 1623, na foz do rio Eufrates. Freire de Andrada ainda reocupou um forte.

Em 1624, o forte de Quelba foi conquistada por Gaspar Leite. No mesmo ano, Mateus de Seabra conquistou o Forte de Mada. Por acordo com os persas, a Coroa Ibérica conseguiu ficar com uma feitoria e com uma fortificação (Bandar Kong), no litoral do Golfo Pérsico. Em 1631, ainda conseguiram erguer o forte de Julfar.

As fortificações e feitorias de Soar, Julfar, Doba, Libédia, Mada, Corfação, Caçapo, Congo e Baçorá ainda asseguraram um certo poder aos ibéricos no golfo. Em 1650, Mascate, o último domínio português na Arábia, foi perdido para os omanitas, sendo totalmente expulsos da região em 1651.

Algumas palavras portuguesas foram incorporadas ao persa, tais como portoghāl (o nome do país e também da fruta laranja), Anānās (abacaxi), pāpāyā (mamão), mize (mesa). Curiosamente, ananás é palavra de origem tupi e papaia origina-se do karibe, ambas incorporadas ao português e a outras línguas.

Não diremos que a história se repete, mas que tudo muda. Os grandes dinossauros foram extintos. Os impérios luso, espanhol, holandês, francês e inglês também. O mundo de hoje não será o de amanhã. Talvez o Golfo Pérsico continue sendo importante rota comercial e militar, mas em outras mãos. Dos portugueses, restaram ruínas.

 

Ministro da Educação Camilo Santana no IFF nesta terça

 

MInistro da Educação Camilo Santana estará no campus Campos-Centro do IFF nesta terça

 

Com Dora Paula Paes 

 

O ministro da Educação, Camilo Santana (PT), estará na próxima terça-feira, dia 10, às 10h da manhã, no campus Campos-Centro, do IFFluminense. A assessoria deste confirmou hoje (5) a informação apurada pelo blog.

— Na oportunidade ele (Camilo) vai conhecer os projetos desenvolvidos por alunos e professores da instituição e dialogar com gestores e comunidade acadêmica. A visita faz parte da “Caravana Aqui tem MEC”, que é uma ação do ministério para anunciar obras, realizar escutas ativas e divulgar a educação profissional e tecnológica — detalhou a assessoria do IFF, em resposta à demanda gerada pela redação da Folha da Manhã.

Diante da informação também apurada pelo blog de que a visita do ministro seria recebida com manifestações com cobranças de servidores federais, a assessoria do Sinasefe (Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica) do IFF também respondeu à demanda da Folha:

— Temos conhecimento da agenda do ministro Camilo Santana no IFF campus Campos-Centro. Até o momento, porém, a direção da seção sindical ainda não deliberou oficialmente sobre a realização de algum ato ou posicionamento institucional relacionado à visita. Alguns integrantes da categoria e sindicalizados devem acompanhar a agenda no campus, como servidores interessados no debate sobre a educação pública e a Rede Federal.

 

Felipe Fernandes — “Pânico 7” entre a metalinguagem e a paródia

 

 

Felipe Fernandes, cineasta publicitário e crítico de cinema

“Pânico 7” entre a metalinguagem e a paródia

Por Felipe Fernandes

 

Lançado em 1996, “Pânico” foi um filme responsável por revitalizar o gênero slasher, apresentando um longa violento, repleto de metalinguagem e com um certo humor sombrio, que brinca com as convenções do gênero, estabelecendo o Ghostface como uma das figuras mais conhecidas do cinema de terror do final do século XX. O filme gerou uma trilogia e, posteriormente, ganhou outras continuações, buscando renovação por meio da construção de uma nova geração de personagens e fãs.

A produção do novo longa passou por polêmicas após a demissão da nova protagonista Melissa Barrera, devido ao seu posicionamento em defesa da Palestina. Essa demissão foi seguida pela saída de outra estrela, Jenna Ortega, em apoio à amiga. Toda essa confusão mudou o planejamento, e o criador da franquia, Kevin Williamson (que aqui assume a direção pela primeira vez) decidiu retornar ao núcleo antigo para tentar dar prosseguimento à franquia. Eis que chega aos cinemas o sétimo filme, que traz o retorno da final girl principal, Sidney Prescott, como protagonista, precisando proteger sua família e, principalmente, sua filha adolescente.

A franquia Pânico sempre trouxe a metalinguagem como um de seus elementos mais interessantes. Além das menções aos clássicos e às convenções do gênero, desde o segundo filme a história do assassino mascarado passou a ser reverenciada dentro do próprio universo ficcional, tornando-se uma franquia de sucesso. A cena de abertura do novo filme mostra um casal visitando a casa onde ocorre o clímax do filme de 1996 (ou uma reprodução dela), que se tornou um “templo” para os fãs, permitindo que eles revisitem o local do crime e sintam um pouco dos acontecimentos.

Como era de se esperar, tudo desanda, o casal é assassinado, a casa pega fogo e o novo assassino demonstra não ter apreço pelo legado dos anteriores. As regras antigas não valem mais. Uma promessa que nunca é realizada de fato.

O filme foca bastante na nostalgia, resgatando assassinos dos longas anteriores e trazendo novas tecnologias para a trama, mas nada disso causa impacto relevante na narrativa. O peso dramático recai sobre Sidney, que precisa proteger sua família, especialmente a filha adolescente, com quem não consegue se comunicar, na tentativa de mantê-la à margem de toda dor e perda que ela vivenciou ao longo dos anos.

Sidney é uma subcelebridade, reverenciada por sua força e coragem, constantemente lembrada dos assassinatos. Sua filha, Tatum, não sabe como conviver com essa sombra materna, enfrentando expectativas que não correspondem ao que ela é. O núcleo adolescente, formado por personagens estereotipados, como o namorado, a melhor amiga e o nerd cinéfilo fã de filmes de terror, existe praticamente para serem mortos pelo novo assassino, enquanto tentam descobrir sua identidade.

Este é o segundo filme do criador Kevin Williamson como diretor, e a falta de experiência é perceptível. Algumas cenas são confusas em termos de mise-en-scène, algo crucial nesse tipo de filme, já que a compreensão do espaço é essencial para a construção da tensão. As mortes são pouco criativas, o ritmo é irregular e o desfecho é constrangedor, um problema agravado pelo roteiro, que também leva sua assinatura.

A ideia de que a violência dos primeiros filmes continua afetando novas gerações é um dos pilares recentes da saga. A franquia sempre comentou sobre a cultura do espetáculo em crimes violentos, seja pelo sensacionalismo da imprensa, pelos fãs que buscam replicar os crimes ou pela busca de fama através deles. No entanto, Pânico 7 não inova em nenhum desses aspectos. A motivação dos crimes é rasa e não agrega nada relevante à história ou à franquia. A metalinguagem aqui, fica no limite da paródia.

Se no passado, a franquia se destacou por questionar a violência como espetáculo e como o consumo de histórias violentas alimenta um ciclo de medo e ódio, o novo filme falha em aprofundar o comentário sobre violência e legado, tornando-se uma passagem de bastão preguiçosa em vez de uma evolução significativa da franquia. Sem a condução de Wes Craven e com Kevin Williamson claramente perdido, talvez seja hora de aposentar o Ghostface e dar um descanso para Sidney.

 

Publicado na Folha da Manhã.

 

Confira o trailer do filme:

 

Welberth declara apoio a Castro a senador, mas vai de Paes a governador

 

Em Macaé, no mesmo palanque, Douglas Ruas, Welberth Rezende e Cláudio Castro (Foto: Reprodução)

 

Enquanto o prefeito de Campos, Wladimir Garotinho (hoje, PP) está em dúvida (confira aqui) entre apoiar a governador do RJ o prefeito carioca Eduardo Paes (PSD) ou o deputado estadual Douglas Ruas (PL), o prefeito de Macaé, Welberth Rezende (Cidadania) anunciou hoje (4) seu apoio a senador: o atual governador Cláudio Castro (PL).

Confira no vídeo abaixo:

 

 

Ao lado de Ruas no mesmo palanque do seu correligionário Castro na visita deste hoje em Macaé, Welberth foi educado e preferiu não declarar. Mas, a governador, quem terá seu apoio é Eduardo Paes.

 

Demissão de Filipe Luís foi uma vergonha aos 131 anos de história do Flamengo

 

Há pouco mais de três meses, Filipe Luís erguia em 29 de novembro de 2025 a taça de Tetracampeão Libertadores da América pelo Flamengo, em Lima, no Peru, após derrotar o Palmeiras (Foto: Gilvan de Souza/Flamengo)

 

Demissão indigna e covarde de Filipe Luís

A demissão de Filipe Luís do cargo de treinador do Flamengo, na madrugada de terça (3), após golear o Madureira por 8 a 0 para fazer a final do Carioca contra o Fluminense neste domingo (8), foi um capítulo vergonhoso dos 131 anos de história do clube. Não pela demissão em si, mas pela maneira indigna, institucionalmente covarde, com que ela se deu.

 

Conversa com Boto durou 30 segundos

Após a coletiva, onde falou da goleada, da final contra o Fluminense, da má fase do Flamengo no início de temporada, em que perdeu o título da Supercopa Rei do Brasil para o Corinthians e da Recopa Sul-Americana para o argentino Lanús, Filipe Luís foi chamado para uma conversa com o diretor de futebol rubro-negro, o português José Boto. Que durou 30 segundos.

 

“Trem errado”?

Boto teria dito a Filipe Luís que foi voto vencido na decisão, mas comunicou a demissão a mando do presidente do Flamengo, o controverso Luiz Eduardo Baptista, o Bap. Que depois se referiu à demissão em um áudio vazado: “Quando você pega um trem errado na vida, o que você precisa fazer é descer na primeira estação que seja possível e retornar”.

 

O moleque, o Ferrorama e as conquistas de homens

Na analogia do moleque que pensa brincar de Ferrorama, o “trem errado” foi o treinador que, em 2025, poucos meses atrás, comandou o Flamengo na conquista do seu 9º Brasileirão com o time de melhor ataque e melhor defesa do campeonato, e na conquista do Tetracampeonato da Libertadores da América, sobrando na final com o Palmeiras.

 

De igual para igual com o campeão da Champios

Filipe Luís foi o “trem errado” que, sem acovardar seu time na defesa, jogou de igual para igual a final do Intercontinental contra o campeão da Champions Paris Saint-Germain, após empatar em 1 a 1 no tempo normal e prorrogação, para só perder nos pênaltis. E Bap? É o “maquinista” que se elegeu presidente do Flamengo prometendo a gestão profissional do seu futebol.

 

Filipe Luís e o avô, que o fez virar Flamengo desde criança em Santa Catarina, são homenageados pela torcida do Flamengo no Maracanã

 

Desrespeito ao ídolo como jogador e treinador

Rubro-negro desde criança, que voltou da Europa para encerrar sua carreira no clube carioca, o catarinense Filipe Luís foi, como jogador do Flamengo, bicampeão da Libertadores, em 2019 e 2020. E bicampeão do Brasileirão, em 2019 e 2022, só para ficar nos títulos mais importantes. Foi multicampeão, é e será ídolo como jogador e treinador. Merecia, no mínimo, respeito.

 

Em 2022, ainda como dono da lateral-esquerda, Filipe Luís ergue sua segunda Libertadores da América pelo Flamengo, que bateu o Atlético Paranaense no Estádio Monumental de Guayaquil, no Equador

 

Clube rico e atrasado

Foi o mesmo grupo que se subdividiu e, em sequência, elegeu presidentes do Flamengo Eduardo Bandeira de Mello, Rodolfo Landim e Bap. Suas gestões profissionalizaram as finanças do clube. E transformaram a maior torcida do Brasil no clube mais rico da América do Sul. Mas a arrogância e o mandonismo de Bap são o ranço do que há de mais atrasado no futebol brasileiro.

 

Em postagem ontem nas redes sociais, Filipe Luís se despediu ao lado do monumento dos Meninos do Ninho, 10 atletas adolescentes de futebol do Flamengo que morreram em 8 de fevereiro de 2019, num incêndio no alojamento do Ninho do Urubu (Foto: Instagram)

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Lula lidera ao 2º turno em empate técnico com Flávio e Ratinho

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Após ficar numericamente atrás do senador Flávio Bolsonaro (PL) nas pesquisas presidenciais AtlasIntel (confira aqui) e Paraná (confira aqui) do final de fevereiro, Lula recuperou liderança numérica na pesquisa Real Time Big Data divulgada hoje (3). Mas em dois empates técnicos no 2º turno: 42% x 41% de Flávio e 43% x 39% do governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD).

Dados da nova pesquisa — Feita de 28 de fevereiro a 2 de março com 2.000 eleitores de todo o país, a Big Data foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-09353/2026, com margem de erro de 2 pontos para mais ou menos. Onde ficam o 1 ponto que Lula teve sobre Flávio e, no limite da margem, os 4 pontos que teve sobre Ratinho ao 2º turno.

Lula lidera fora da margem de erro ao 1º turno — Ao 1º turno, Lula liderou fora da margem de erro os três cenários da Big Data, variando entre 6 a 7 pontos de vantagem sobre Flávio. No cenário 1, por 39% a 32% (7 à frente) e Ratinho com 9%, melhor desempenho entre os demais. No cenário 2, o petista teve 40% a 34% do senador (6 pontos). No cenário 3, Lula teve 40% a 33% (7 pontos).

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Lula 3 é desaprovado por 51% — Lula continua tendo como obstáculo a maioria dos brasileiros que, em todas as pesquisas, hoje desaprovam o seu governo. Na Big Data, o Lula 3 foi desaprovado por 51% dos eleitores e aprovado por 44%, com 5% que não souberam responder.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Lula e Flávio lideram rejeição — Como em 2022, se a eleições de 2026 forem em dois turnos, tudo até aqui indica que será outra batalha entre enormes rejeições. Se a rejeição determina o vencedor do 2º turno, Lula e Flávio hoje lideram o índice negativo: 47% dos brasileiros que dizem conhecer cada um, não votariam em nenhum dos dois.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Flávio tem mais espaço para crescer — Na mesma medição, 9% dos eleitores dizem não conhecer Flávio, número que cai a apenas 2% com Lula. O que é uma vantagem do senador numa campanha presidencial: um pouco mais de espaço para tentar crescer.

Lula pode depender da abstenção — No entanto, os 22% que dizem conhecer e votarão em Flávio, mais os iguais 22% que dizem que podem votar, formam 44%. Os que dizem conhecer e votarão em Lula são 35%. Somados aos 16% que dizem que podem votar, são 51%. O que bastaria para garantir a vitória no 2º turno. Mas, como depende da abstenção, nunca é conta exata.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE

Análise do especialista — “A Real Time Big Data estimulou três cenários de 1º turno e sete cenários de 2º turno. Lula lidera nos três cenários de 1º turno, mas empata tecnicamente no 2º turno com Ratinho, por 43% a 39%; e, principalmente, com Flávio, por 42% a 41%”, resumiu William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE.

Flávio e Ratinho têm mais espaço que Lula — “Cabe destacar os 51% de desaprovação ao governo de Lula e sua menor taxa de desconhecimento do eleitorado, apenas 2%, na comparação com Flávio, desconhecido por 9%, e, principalmente, Ratinho, desconhecido por 21%. O que dá aos dois maior potencial de expansão da intenção de voto no futuro”, completou William.

 

 

Há 2 meses sem luz, Museu de Campos mais perto da solução

 

Museu Histórico de Campos sem luz, por furto de cabos elétricos, há 2 meses e 5 dias (Foto: Rodrigo Silveira/Folha da Manhã)

 

“A situação do Museu vai ser resolvida. Até quarta (4) começa a instalação dos cabos de energia furtados. Se o tempo ajudar, sem chuva, acredito que até domingo (8) deve ficar tudo pronto”. Foi o que disse ao blog o prefeito Wladimir Garotinho (PP) sobre a situação do Museu Histórico de Campos. Que está sem energia elétrica há dois meses (confira aqui) e cinco dias, desde o roubo dos cabos, problema que assola o Centro de Campos, no dia de Natal.

Uma equipe da secretaria municipal de Iluminação Pública visitou, no início da manhã de hoje, o prédio do Solar do Visconde de Araruama, construído no século 18, no quadrilátero da Praça do Santíssimo Salvador e onde funcionou a Câmara Municipal de Campos até 1968. No séc. 21, a vistoria constatou na manhã de hoje que o roubo dos cabos pode ter causado mais danos do que o calculado inicialmente e o prazo projetado pelo prefeito pode ser alongado.

— Como gestora, sinto tristeza, mas não resignação, sinto indignação, mas não desânimo. O que construímos ao longo desses anos não se apaga com a falta de energia, porque o acervo permanece, a equipe permanece e o compromisso permanece. Seguimos trabalhando, mesmo em condições adversas, seguimos defendendo o Museu — disse a historiadora Graziela Escocard, diretora do Museu.

 

A governador: Douglas pede apoio de Wladimir no domingo e Paes na 2ª

 

Altineu Côrtes, Douglas Ruas, Tassiana Oliveira, Wladimir Garotinho, Gilberto Kassab e Eduardo Paes (Montagem: Joseli Matias)

 

Se foi cotado e acabou preterido para compor como vice as chapas a governador do RJ do prefeito carioca Eduardo Paes (PSD) e do deputado estadual Douglas Ruas (PL), o prefeito de Campos, Wladimir Garotinho (hoje, PP), continua cobiçado pelos dois polos que devem disputar o Palácio Guanabara nas urnas de outubro, daqui a pouco mais de 7 meses.

Essa disputa pelo apoio de Wladmir teve dois novos capítulos ontem (1º) e hoje (2). No domingo, ele e a esposa, Tassiana (PL), foram convidados pelo presidente estadual do PL, deputado federal Altineu Côrtes, para um almoço dna casa este, na cidade do Rio. Do qual também participou Douglas Ruas.

Altineu e Douglas querem que Wladimir se filie ao PL, não só para concorrer a deputado federal, após deixar o cargo de prefeito em 31 de março, como para coordenar no Norte Fluminense a candidatura a governador do deputado licenciado para ocupar a secretaria das Cidades do governo Cláudio Castro (PL).

Ainda no Rio, Wladimir recebeu a ligação de Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD e secretário de Governo e Relações Institucionais do governo Tarcísio de Freitas (REP) em São Paulo. Kassab fez a ponte área SP/RJ e, junto de Eduardo Paes, tomaram hoje o café da manhã com o político de Campos, também na cidade do Rio.

Kassab e Paes fizeram a Wladimir, nesta segunda, um convite muito semelhante ao de Altineu e Douglas no domingo. Os dois primeiros querem que o ainda prefeito de Campos, após deixar o cargo, se filie ao PSD para concorrer a deputado federal. E também coordenar a campanha de Paes no Norte Fluminense a governador.

Conservador, que apoiou e fez carreata para a candidatura de Jair Bolsonaro (PL) no 2º turno presidencial de 2022, Wladimir tem uma certeza sobre quem vai apoiar ao Executivo nas urnas de outubro (confira aqui): o senador Flávio Bolsonaro (PL) a presidente. Isso, em tese, o aproximaria mais do PL de Douglas e Altineu. Mas pesam também, a favor do PSD como futura legenda do atual prefeito de Campos, o poder de sedução política de Kassab e o favoritismo de Paes em todas pesquisas, até aqui, a governador.

 

Ressaca do carnaval: Flávio passa Lula nas pesquisas ao 2º turno

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Uma tremenda ressaca de carnaval! É o que tem sido a performance de Lula (PT) nas pesquisas a presidente do Brasil após o Carnaval no Rio aberto pela escola Acadêmicos de Niterói, no dia 15, com desfile em homenagem ao petista e ala com críticas abertas à família e aos cristãos. O resultado? Pela primeira vez, desde a campanha de 2022, Lula está numericamente atrás nas pesquisas sérias ao 2º turno presidencial de outubro de 2026, que o senador Flávio Bolsonaro (PL) passou a liderar neste final de fevereiro.

 

Na ala “neoconservadores em conserva”, do desfile da Acadêmicos de Niterói em homenagem a Lula que abriu o Carnaval do Rio, a crítica aberta à família, instituição mais respeitada no Brasil em todas as pesquisas (Foto: Reprodução)

 

Flávio passa Lula no 2º turno da AtlasIntel e Paraná — Na quarta (25), a AtlasIntel foi a primeira pesquisa pós-carnaval a revelar (confira aqui) Lula numericamente atrás de Flávio na projeção de 2º turno: 46,3% do filho 01 do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) contra 46,2% do petista. Na sexta (27), isso foi confirmado também (confira aqui) pela pesquisa do instituto Paraná. Que trouxe na projeção entre os dois num eventual 2º turno: Flávio 44,4% x 43,8% de Lula.

Empates técnicos e quase numéricos — A AtlasIntel consultou digitalmente 4.986 brasileiros entre os dias 19 e 24, sob o registro BR-07600/2026 no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e com margem de erro de 1 ponto para mais ou menos. A Paraná ouviu presencialmente 2.080 eleitores entre os dias 22 e 25, sob o registro BR-07974/2026 no TSE e margem de erro de 2,2 pontos para mais ou menos. A vantagem no de 0,1 ponto de Flávio sobre Lula no 2º turno da AtlasIntel, e de 0,6 ponto na Paraná, são dois empates técnicos e quase numéricos.

Tendências de queda de Lula e crescimento de Flávio — Foi a tendência da evolução das simulações de 2º turno entre janeiro e fevereiro, com o carnaval da Marquês de Sapucaí no meio, que acendeu a luz amarela no Palácio do Planalto. Na AtlasIntel, Lula bateria Flávio no 2º turno de outubro por 49,2% a 44,9% em janeiro. Esta vantagem de 4,3 pontos evaporou em fevereiro: Lula perdeu 3 pontos, enquanto Flávio ganhou 1,4 ponto nos últimos 30 dias.

Já na série de pesquisas do instituto Paraná, Lula liderava a simulação de 2º turno contra Flávio por 44,8% a 42,2% em janeiro. Esta vantagem de 2,6 pontos do petista, que já configurava um empate técnico há um mês, também evaporou em fevereiro: o atual presidente perdeu 1 ponto, enquanto o senador ganhou 2,2 pontos no último mês.

Ratinho também em empate técnico com Lula no 2º turno — Se, na AtlasIntel, o único empate técnico de Lula no 2º turno foi com Flávio, a pesquisa do instituto Paraná trouxe outro com o governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD): 43,6% do petista a 39,7%, diferença de 3,9 pontos. Na AtlasIntel, com margem de erro menor, a vantagem de Lula sobre Ratinho em um eventual 2º turno foi maior: 45,5% a 39%, diferença de 6,5 pontos.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Lula3 cresce reprovação para 51,5% — Diferente da Paraná, a AtlasIntel pesquisou a aprovação de governo. Na qual a crítica carnavalesca aberta à família e aos cristãos em homenagem a Lula pareceu também se refletir. Entre janeiro e fevereiro, os que desaprovam o Lula 3 oscilaram 0,8 ponto para cima: de 50,7% à maioria dos atuais 51,5% dos brasileiros. Enquanto os que aprovam o atual Governo Federal caíram 2,1 pontos: dos 48,7% de janeiro aos 46,6% de fevereiro.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Lula e Flávio lideram também na rejeição — Se foi numericamente ultrapassado por Flávio na simulação do 2º turno da AtlasIntel e da Paraná, Lula teve situação parecida na rejeição. Que só foi medida pela primeira pesquisa, é considerada fundamental à definição do 2º turno e o petista lidera com 48,2% dos brasileiros que não votariam nele de jeito nenhum. É outro empate técnico com os 46,4% de rejeição de Flávio, 2º colocado no índice negativo da AtlasIntel.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Lula não merece ser reeleito para 52,2% — Embora não tenha medido rejeição, a pesquisa Paraná fez uma pergunta que revela o quanto hoje ela é alta à reeleição de Lula. Em fevereiro, ele não merece para 52,2% dos brasileiros, 1,2 ponto a mais que os 51,0% de janeiro. E merece ser reeleito para 43,9% dos eleitores em fevereiro, queda de 1,4 ponto em relação aos 45,3% que achavam o mesmo em janeiro.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Mais medo de Lula ou Flávio? — Além de medir a rejeição liderada por Lula e Flávio, a AtlasIntel fez uma pergunta afim sobre ambos: “Qual dos resultados possíveis te causa mais medo e preocupação?”. Foram 47,5% os brasileiros que responderam: “A reeleição do presidente Lula”. Mesmo fora da margem de erro da pesquisa, ficou numericamente próximo aos 44,9% (2,6 pontos abaixo) dos eleitores que responderam: “A eleição de Flávio Bolsonaro”.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Lula lidera ao 1º turno fora da margem de erro na AtlasIntel — Quanto ao 1º turno, mesmo perdendo intenção de voto entre janeiro e fevereiro, Lula ainda liderou fora da margem de erro todos os cinco cenários da AtlasIntel, entre 5,6 a 14 pontos de vantagem. Mas, na pesquisa Paraná, ele registrou empate técnico com Flávio desde a largada, nos dois cenários de 1º turno testados pela pesquisa.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Na Paraná, Lula e Flávio em empate técnico já no 1º turno — O cenário 1 da pesquisa Paraná ao 1º turno deu Lula na frente com 39,6% de intenção, seguido do senador com 35,3%, 4,3 pontos de diferença quase no limite da margem de erro. E o cenário 2 deu Lula com 40,5%, seguido de Flávio com 36,6%, 3,9 pontos de diferença. Foram dois empates técnicos do presidente com o senador já no 1º turno, que a AtlasIntel só registrou no 2º turno.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Página 2 da edição de hoje da Folha da Manhã