Brasil 2 x 2 Paraguai — Sorte para manter uma escrita de equilíbrio

Se, desde 2000, o Brasil havia vencido o Paraguai quatro vezes, perdido quatro e empatado uma, a segunda rodada do time de Mano Menezes, hoje, pela Copa América, reafirmou o equilíbrio da última década entre os tradicionais rivais continentais. Mas como o gol de Fred que empatou o jogo em 2 a 2, saiu só aos 44 do segundo tempo, o alívio final foi brasileiro.

Se Mano surpreendeu, ao entrar em campo com  Jobson no lugar de Robinho, o domínio adversário nos primeiros 20 minutos, quando marcou sob pressão no campo brasileiro, só pôde causar espanto a quem se esqueceu que o Paraguai mantém a mesma base do time que caiu apenas nas quartas-de-final da Copa da África do Sul, numa suada vitória de 1 a 0 da campeã Espanha.

Logo aos 24 segundos, o hábil Estigarribia, jogando aberto na esquerda, mostrou seu cartão de visitas ao testar Júlio César em chute de fora da área. Aos dois minutos, num bom passe por elevação de Barrios, Santa Cruz chutou por cima do gol. 

Passada a pressão inicial, a resposta só veio aos 19 minutos, quando Ganso passou a Jadson, que achou Pato na área. Ele chegou a driblar o goleiro, que esticou a mão para impedir o chute. A partir dali, os brasileiros conseguiram reter mais a bola, enfeiando o jogo para poder equilibrá-lo. Cientes ou não da tática dos marmanjos, a pequena torcida brasileira, aos 26, passou a ensaiar o coro: “Olê, olê, olê, olá! Marta! Marta!”

Do único outro lance de perigo no primeiro tempo saiu o gol brasileiro. Na raça, Rami-res ganhou a bola no campo paraguaio, aos 38, e tocou para Ganso iniciar a única tabela que os dois armadores brasileiros conseguiram criar. O meia do Santos passou a Jadson, que colocou de canhota, da entrada da área, no canto direito de Villar.

Ao voltar ao segundo tempo, com Elano no lugar de Jadson, o Brasil deixou claro a tática para tentar segurar a vitória: ceder a bola e jogar nos contra-ataques. Mas quem encaixou um, aos 10 minutos, foi o Paraguai: Estigarribia cruzou da esquerda, nas costas de Thiago Silva, para Santa Cruz empatar.

Aos 22, em falha de Daniel Alves dentro da área, a bola sobrou para Santa Cruz cruzar da direita à entrada de Valdez. O chute ainda bateu em Lúcio e voltou no próprio Valdez antes de entrar. Mano, que já preparava Lucas substituir Ganso, acabou colocando a promessa do São Paulo no lugar de Ramires. Depois, mandou a campo também Fred, no lugar de Neymar, que saiu vaiado.

A insistência com Ganso, assim como a opção pessoal do treinador por Fred, desde a convocação, salvou o Brasil no final. Aos 44, mesmo marcado, Ganso tocou de primeira para servir a Fred, que fez o giro sobre dois marcadores e chutou para garantir o empate.

Ainda no intervalo, com a vitória parcial de 1 a 0, gol de uma aposta pessoal sua, Mano brincou ao se dizer um “burro com sorte”. E com o gol de Fred, a sorte continou a sorrir para o lado do técnico, ao apito final. Na próxima quarta, diante do Equador, que ontem perdeu por 1 a 0 da Venezuela, a sorte pode ainda bastar. Mas a partir das quartas-de-final, a necessidade de inteligência deve demandar algo além do que um lampejo de Ganso.

 

 

Como a torcida, Fred agradece aos ceús o gol de empate, aos 44 do segundo tempo (Foto: CBF)
Como a torcida, Fred agradece aos ceús o gol de empate, aos 44 do segundo tempo (Foto: CBF)

 

 

BRASIL

 

JÚLIO CÉSAR — Duas defesas sem grande dificuldade. Nos gols, nada pode fazer. NOTA 5.

DANIEL ALVES — Tomou um passeio do habilidoso meia esquerda Estigarribia e falhou clamorosamente, dentro da área, no lance do segundo gol paraguaio. NOTA 3.

LÚCIO — Não comprometeu, mas também não brilhou. De qualquer maneira, esteve mais seguro que o companheiro de zaga. NOTA 5.

THIAGO SILVA — Foi em suas costas a bola cruzada por Estigarribia, que encontrou Santa Cruz na área para anotar o primeiro gol paraguaio. NOTA 4.

ANDRÉ SANTOS — Prova vida da carência de um lateral esquerdo de nível na Seleção. Até tenta apoiar, mas, definitivamente, não sabe cruzar. NOTA 4.

LUCAS LEIVA — Abaixo da atuação na estréia contra a Venezuela, quando foi o melhor brasileiro em campo. NOTA 5.

RAMIRES — Mantém a má fase técnica que o obriga, por vezes, a recorrer a violência. Mas demonstrou raça ao ganhar a bola que gerou o primeiro gol brasileiro. NOTA 5. Foi substituído, aos 24 da segunda etapa, por LUCAS, que entrou para jogar aberto pela direita, mas pouco produziu. NOTA 4.

JADSON — Grande surpresa de Mano, teve um primeiro tempo superior a Ganso, a quem entrou para ajudar na armação. Bom passe que achou Pato dentro da área, antes de abrir ele mesmo o placar, na entrada da área, com um chute consciente no canto direito do goleiro. NOTA 7. Saiu no intervalo para a entrada de ELANO, que entrou para tentar segurar o 1 a 0, mas teve que armar o jogo, após a virada paraguaia. Bela cobrança de falta, aos 40, que só não transformou em gol graças à defesa de Villar. NOTA 5,5.

GANSO — Teria outra atuação apagada, não tivesse dado os passes que geraram os dois gols brasileiros. Sobretudo no segundo, em que tocou de primeira, mesmo marcado, deu um lampejo do futebol que o levou à Seleção. NOTA 6.

PATO — Teve menos chances que contra a Venezuela, mas novamente as desperdiçou. Segundo tempo muito apagado. NOTA 4

NEYMAR — Se Ganso achou em pelo menos dois lances o futebol do Santos, o mesmo não se pode dizer do atacante em todos os 90 minutos de hoje. NOTA 3. Saiu vaiado, aos 37 do segundo tempo para a entrada de FRED, que mesmo com pouco tempo e fora da melhor forma, recebeu de Ganso e executou o giro dentro da área sobre dois marcadores para arrancar o empate. NOTA 7.

MANO MENEZES — No intervalo, quando ganhava de 1 a 0, com gol de Jadson, uma aposta pessoal, disse, brincando, ser um “burro com sorte”. Ao final do jogo empatado por Fred, outra aposta contestada, poderia repetir a sentença. NOTA 5.

 

PARAGUAI

 

VILLAR — Pelo menos três defesas salvadoras. NOTA 8.

VERÓN — Abusou das entradas maldosas em Neymar, mas o marcou bem. NOTA 6.

DA SILVA — Vinha tendo atuação segura, até o gol de Fred. NOTA 4.

ALCARAZ — Zagueiro grandalhão e viril. NOTA 5,5.

TORRES — Bem na marcação, tentou apoiar com Estigarribia. NOTA 6.

RIVEROS — Típico volante de contenção. NOTA 6. Deu lugar a CÁCERES, que manteve a forte marcação no meio. NOTA 6.

VERA — O primeiro gol paraguaio nasceu de seus pés. NOTA 6,5.

ORTIGOZA — Deu origem ao segundo gol do seu time. NOTA 6,5.

ESTIGARRIBIA — Melhor em campo. Infernizou a ala direita da defesa brasileira. NOTA 8,5.

SANTA CRUZ — Marcou um gol, deu passe a outro e ainda ajudou a marcar. NOTA 8.

BARRIOS — Embora mais habilidoso, teve atuação abaixo do colega de ataque. NOTA 6. Deu lugar a VALDEZ, que marcou o segundo gol. NOTA 7.   

 

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