Opiniões

Chicão ganha papel de protagonista na história dos vice de Campos

Ainda em relação às mudanças na Saúde, a partir da posse do vice-prefeito Chicão de Oliveira na recém-criada Fundação Municipal de Saúde, segue abaixo a transcrição de um excelente e didático artigo que o jornalista Ricardo André Vasconcelos publicou aqui e o blog pediu licença para transcrever.

Diferente de muito blogueiro local que bate no peito para proclamar uma independência tão desprovida de senso de ridículo quanto à do Brasil pelas mãos do princípe herdeiro de Portugal, Ricardo não precisa de nenhum brado de afirmação, às margens do Ipiranga ou do Paraíba do Sul, daquilo que de fato é. E tanto numa característica, quanto na outra, é um dos poucos, muito poucos, que este blogueiro conhece. 

Abaixo, seu texto…

 

O desafio do vice

Nunca na história deste município um vice-prefeito teve tanto poder quanto o atual, Dr. Chicão, que hoje foi empossado na poderosa (e ainda nebulosa) Fundação Municipal de Saúde, que é formada a partir da fusão das fundações João Barcelos Martins e Geraldo da Silva Venâncio, mantenedoras dos hospitais Ferreira Machado e Geral de Guarus, respectivamente.

A FMS será responsável, também, pela gestão de mais 6 unidades de saúde da rede de urgência e emergência 24h do município e pelo Hemocentro Regional. Somando ao poder, que está sendo esvaziado, da Secretaria de Saúde, onde está um afilhado do vice-prefeito, Paulo Hirano, tem-se, pela primeira vez o comando de uma área tão grande e tão importante nas mãos de um vice-prefeito.

Antes dele, nos últimos 30 anos, apenas Wilson Paes foi tão bem tratado assim pelo chefe do executivo. Vice de Raul Linhares, Wilson Paes ganhou um ano de mandato (1982), com a renúncia do titular um ano antes do fim do mandato. Depois de Raul veio uma sucessão de vices na geladeira. Zezé Barbosa (1983-1988) não deixou o vice, Waldebrando Silva, governar nem um dia e nem lhe deu função no governo.

Adilson Sarmet, vice no primeiro governo Garotinho, parecia ter destino diferente. Afinal, como médico respeitado, foi o grande avalista para eleição do radialista que era visto com muita desconfiança pela classe média e elites da época. No início do governo, Sarmet foi nomeado diretor do Hospital Ferreira Machado, ainda em fase de reabertura. A lua de mel durou pouco e uma crise, justamente na Saúde, fez o prefeito demitir o vice do cargo para o qual o nomeara. A partir daí azedaram para sempre as relações entre ambos. O rompimento, no entanto, não impediu Adilson Sarmet de assumir o governo, por uma semana, durante uma viagem de Garotinho ao Japão.

O sucessor de Garotinho, Sérgio Mendes (1993/1996), até que tentou dar uma boa fatia de governo ao vice, Amaro Gimenes, e criou a Secretaria de Infraestrutura, agregando as pastas de Obras, Serviços Públicos e Transportes. Durou pouco pela falta de operacionalidade e o vice passou o resto do governo discretamente.

No segundo governo Garotinho (que durou um ano e cinco meses), o vice, Arnaldo Viana, ocupou as secretarias de Saúde e Governo. Uma relação sem sobressaltos, até mesmo porque foi um governo que começou já em campanha pelo Governo do Estado. A prioridade era, portanto, outra…

Eleito em 2000, Arnaldo Vianna teve Geraldo Pudim como vice e a convivência durou até 2002, quando o prefeito rompeu com o antigo chefe. Pudim chegou a assumir o governo durante um período em que Arnaldo afastou-se para tratamento de saúde.

Quanto a Carlos Alberto Campista e Toninho Viana, eleitos prefeito e vice em 2004, não há registro do relacionamento porque foram cassados cinco meses após a posse.

Alexandre Mocaiber, eleito nas eleições suplementares de 2006, praticamente não conviveu com o vice, Roberto Henriques, por incompatibilidade surgida nos primeiros meses de governo. Afastado por decisão da Justiça Federal em 11 de março de 2008, Mocaiber foi substituído por Henriques por 43 dias. Foi, então, o vice-prefeito que mais tempo governou, desde Wilson Paes.

Chicão, primo-irmão do marido da prefeita, com o comando da saúde nas mãos, pode se credenciar à sucessão de Rosinha em 2012, caso consiga equacionar os difíceis problemas da área de saúde. No entanto, também pode ser “queimado” se não conseguir fazer nada que mude o atual quadro, como por exemplo, a falta de tratamento oncológico no município. Uma vergonha para uma cidade com um orçamento anual de R$ 2 bilhões.

Centenas de campistas são obrigados a se deslocar para o Rio, Itaperuna e Vitória em busca de um tratamento que Campos inexplicavelmente (talvez a incompetência explique) não oferece aos seus contribuintes. Muitos já morreram, inclusive, vítimas das estradas assassinas.

Se Chicão ganhou um presente ou uma armadilha, logo veremos.

 

Após o artigo ter sido publicado no “Eu penso que…”, este blogueiro lembrou e o Ricardo corrigiu a informação relativa à aludida ausência de tratamento oncológico no município, posto que, desde o dia 11, o IMNE retomou em Campos seu atendimento de radioterapia pelo SUS.

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