(Re)divisão, em cifras, da Saúde Pública de Campos

(Fotos: Silésio Corrêa e Valmir Oliveira / Infografia: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
(Fotos: Silésio Corrêa e Valmir Oliveira / Infografia: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Ao conversar hoje, pela manhã, com um profundo conhecedor da Saúde de Campos e região, impossível deixar de registrar sua revolta com os dois fatos ligados ao setor, ocrridos ontem e reunidos hoje na primeira dobra da capa da edição impressa da Folha.

O primeiro, dando conta da atitute do secretário de Saúde Paulo Hirano, não só ao negar um atraso no repasse aos cinco hospitais conveniados da cidade (Santa Casa, Beneficiência, Plantadores, Álvaro Alvim, João Viana), como na afirmação de que não seria uma obrigação da municipalidade manter os pagamentos por serviços prestados e acordados em contrato.

O segundo assunto, fartamente noticiado na mídia há três dias, foi a assunção ontem do vice-prefeito, Chicão de Oliveira, da Fundação Municipal de Saúde (FMS), criada para unificar o controle das fundação João Barcelos Martins (antes responsável pelo hospitais Ferreira Machado, São José, de Travessão, de Ururaí, de Santo Eduardo e dos PUs da Saldanha Marinho e de Guarus) e Geraldo Venâncio (do Hospital Geral de Guarus).

Em relação às declarações de Hirano, a fonte da Saúde fez a analogia do inadimplente que não salda em dia suas dívidas e ainda ameaça ao contestar sua obrigação de continuar pagando o previamente acordado.

Já em relação à escolha de Chicão, o questionamentos se dá pela fusão das duas Fundações para legar a uma só pessoa, intimamente ligada ao casal Garotinho, o controle orçamentário — e, por conseguinte, do bolso dos servidores das oito unidades de saúde municipais— que antes cabia a Ricardo Madeira e Edson Batista, agora, respetivamente, apenas diretores do HFM e do HGG.

E, em relação tanto a uma impressão, quanto à outra, a fonte garantiu que são ambas correntes no meio de quem milita com Saúde em Campos.

Mas o que isso tudo quer dizer à nível prático? O blogueiro foi buscar no orçamento aprovado para 2011 e encontrou as previsões de R$ 44,563 milhões à secretaria de Saúde, de R$ 209 milhões à Fundação Municipal de Saúde, de R$ 149,724 milhões à Fundação Barcelos Martins e de R$ 93,067 milhões à Fundação Geraldo Venâncio.

Com base apenas nessas cifras previstas para 2011, sem contar os milionários recursos repassados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), as suplementações aprovadas e a aprovar pela Câmara Municipal e os eventuais remanejamentos orçamentários, significa dizer que, a partir de agora, fica assim: Paulo Hirano controla anualmente R$ 253,563 milhões (secretaria mais Fundo de Saúde), cabendo a Chicão, R$ 242,791 milhões (ou o que restou disso para o resto do ano) pela união das duas Fundações.

Por mais redundante que possa parecer, não custa lembrar que essa divisão quase exata, tirando milhão pra cá, milhão pra lá, é de dinheiro público.

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Este post tem 2 comentários

  1. Ruy

    A nossa cidade está um verdadeiro caos.Ela loteada entre pessoas que encaram como um feudo. Sem respeito a lei e nem a nada. É so viajar e ver como sao administradas outras cidades, que com menos recursos que a nossa tem uma qualidade de vida bem superior. Uma cidade com quase 2 bilhoes de reais de orçamento anual nao deveria ter um casa sem esgoto nem agua tratada. So com isso garanto que grande parte dos problemas de saude da população diminuiriam. Olhem o estado dos distritos, um total abandono.As pessoas de Campos deveriam outros lugares e ver a situação triste que se encontra a nossa pobre rica cidade.

  2. Savio

    Com toda a sinceridade, não acredito em solução para a questão da Saúde na gestão da atual Prefeita. O que vejo é tudo cada vez pior, ou melhor, quando penso que chegamos ao fundo do poço, sou surpreendido com a “arte de piorar o que já estava ruim”.
    Para dar uma opinião mais justa, os prefeitos dos últimos 12 anos, conseguiram em suas gestões piorar gradativamente a qeustão da Saúde do nosso município. Do governo Mocaiber para cá, quem detém as vagas para o atendimento da Saúde são os vereadores e outras pessoas ligadas aos políticos locais. Ser “atendido” virou “moeda de troca” com vistas a futuros “apoios” em futuras eleições.
    Enfim, a Saúde e outras secretarias deste nosso (des)governo são vergonhosos, absolutamente desvinculados do compromisso público e das reais necessidades do povo.

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