Opiniões

Sérgio Mendes critica isolacionismo regional do governo Rosinha

Por Thiago Andrade

O ex-prefeito de Campos, Sérgio Mendes, venceu o pleito municipal em 1993 aos 32 anos e saiu do governo em 96, enfrentando duas CPIs capitaneadas pelo ex-aliado Anthony Garotinho. Na época, os dois eram do PDT e caminharam juntos na campanha. Agora, aos 50 anos, Sérgio é presidente do Diretório Municipal do PPS e um dos nomes que fortalecem a Frente Democrática de Oposição na tentativa de impedir que o grupo do atual deputado federal Anthony Garotinho (PR) consiga a sucessão na Prefeitura de Campos. Sérgio define a administração da prefeita Rosinha Garotinho como vazia, de improviso e sem planejamento para o futuro. “Eles não têm prioridades na administração, estão apenas interessados em esculhambar governos alheios para tomar as Prefeituras da região. Com isso, praticam a política do isolacionismo e fazem de Campos um município cada vez mais atrasado”.

 

(Foto de Phillipe Moacyr)
(Foto de Phillipe Moacyr)

 

Folha — Você foi prefeito de Campos de 1993 a 96. Como foi sua administração e qual sua opinião sobre a administração atual?

Sérgio Mendes — Comecei na política ainda nos movimentos estudantis, na década de 80. Participei do primeiro governo do Garotinho, de 89 a 92, como secretário de Governo, presidente da Empresa de Habitação e secretário de Governo. Depois, aos 32 anos, fui eleito prefeito. A arrecadação anual naquela época era de R$ 75 milhões, nos quatro anos foi de mandato foi de R$ 350 milhões. Atualmente, por mês, são R$ 166 milhões, o que dá R$ 5,5 milhões por dia. Tínhamos o ideal, e fizemos, políticas concretas e estruturantes para Campos. Fizemos um movimento para que as empresas que exploravam o petróleo deixassem o ISS em Campos. Elas atuavam aqui, mas o escritório de muitas ficava em outras cidades. Deixamos isso encaminhado, mas os prefeitos que vieram depois não deram continuidade. Além de lutar para que a Petrobras trouxesse o gás para Campos. Outro ponto também foi a implantação da Uenf, em 1993 e rompemos o contrato com a Cedae (Companhia Estadual de Águas e Esgotos), que abastecia muito mal a cidade, com água de péssima qualidade. Abrimos a concorrência pública e a Águas do Paraíba entrou, com planos e metas para resolver a questão do saneamento. Não tem sentido o que está sendo feito: Campos é o maior município do Rio e não tem planejamento. A cidade cresce verticalmente e no Centro, isso estrangula o município, acaba com a ventilação e com a parte histórica da cidade.

 

Folha — A falta de planejamento seria então a principal diferença entre os governos?

Sérgio Mendes — Falta muito planejamento. Por dia, o município recebe mais de R$ 5 milhões. É claro que não tem foco ou visão de futuro. Essa é a verdade. É um governo de improviso e consegue ser assim mesmo com toda experiência que o casal possui. As casas populares têm uma tomada de preço de R$ 357 milhões arredondados. Desse número, foram pagos R$ 235 milhões no ano passado à empresa e só pouco mais de 700 casas entregues, de um total de 5.100. No início da Frente Democrática, no fim do ano passado, apertamos com cobranças e eles entregaram mais algumas. Agora acho que está em torno de 1.100. A alegação é que a infra-estrutura era mais cara, por isso pagaram mais, agora é a parte de alvenaria e seria mais barata, o que não é verdade. O Ministério Público pode entrar em ação. Afirmo, vai chegar na campanha e não entregam todas. Por falta de planejamento financeiro. É inominável o que fazem com a educação de Campos. Ficamos em penúltimo lugar do estado no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Base) no ano passado. O município é rico, mas não adianta reformar prédios se não investirmos na alma da educação e no corpo docente. Os professores estão nas ruas com movimentos pedindo melhorias. Todo mundo sabe dessa situação. Não há determinação nem vontade política. O governo não tem prioridades. O programa Navegar é Preciso, que levaria internet para a população, está parado por que não interessa que o povo tenha acesso à internet. O líder deles sabe que a rede virtual é uma arma na mão do povo e ele quer frear isso. A internet tem força pra fiscalizar os governos, até mais do que os poderes instituídos. Pra quem tem vocação para Hugo Chávez isso não interessa, por isso pararam. Não estão preocupados com o povo, mas sim apenas com obras suntuosas como o sambódromo. Vão dizer que Sérgio Mendes é contra a felicidade do povo, mas temos que ter prioridades como saúde educação em dia.

 

Folha — Você falou em falta de metas e prioridades políticas. Quais os problemas que um governo desse tipo pode acarretar para o município?

Sérgio Mendes — A forma como esse grupo faz política está provocando o isolacionismo da nossa cidade. Não estou aqui defendendo A ou B, mas o casal esculhamba o governo de Carla Machado (prefeita de São João da Barra), mas querem só tomar a cadeira dela. Fazem isso com Quissamã, Macaé, com o governador, mas não estão preocupados com nenhum desses municípios ou com o Rio de Janeiro, querem apenas tomar as cadeiras desses prefeitos e do governador. Uma coisa é a campanha, você tem adversários e quer mostrar para a população as diferenças e o que você pode fazer de bom pela cidade. Acabou a campanha, temos que agir republicanamente, sentar à mesa com todos e discutir parcerias. O Porto do Açu vai ser uma explosão de crescimento para toda a região. Campos poderia liderar um movimento unindo todos, sem política belicosa, baixa, mesquinha. A estrada vai sair de lá e passar pelos municípios, temos que pensar na macro-região que será criada. Falta equilíbrio e serenidade. Isso atravanca nossa cidade, traz prejuízos enormes para nós.

 

Folha — Sobre a Frente Democrática, acha que seu nome pode ser um dos escolhidos para disputar a eleição? Como está a coligação neste momento: fortalecida e coesa ou acha que muita coisa pode acontecer, como um racha, até o ano que vem?

Sérgio Mendes — É importante ressaltar que os partidos políticos constituídos têm obrigação de representar e atuar como a vanguarda da cidade. Longe de mim ter a pretensão de que nós somos os donos da verdade. O que temos é a obrigação histórica de fiscalizar e denunciar os desmandos que estão acontecendo e, paralelamente, temos que ser agentes provocadores de novas discussões sobre: onde estamos, porque estamos caminhando desta forma e para onde queremos levar Campos dos Goytacazes? Muitas vezes, sem querer usurpar o poder de fiscalização da Câmara Municipal, dos Ministérios Públicos Federal e Estadual, temos contribuído para que as irregularidades e/ou ilegalidades administrativas não sejam varridas para debaixo do tapete. O convívio semanal, permanente, com os membros da Frente tem nos fortalecido enquanto grupo, sobretudo, de uma forma democrática, tem nos apontado rumos para caminharmos na mesma direção, em virtude do bem comum, da coletividade.

 

Folha — Alguma idéia do por que o seu nome não está na lista do Precisão? Acha que pode ser uma surpresa nas eleições de 2012 e aparecer como um nome forte contra o casal Garotinho?

Sérgio Mendes — Eu rompi com este grupo que está no poder há 16 anos, ao contrário do que disseram na minha sucessão, na eleição de1996, eu anulei o meu voto porque não acreditava mais em quem estava me sucedendo. Já tinha a convicção, de que aquele pseudo-líder, que estava subindo meteoricamente, tinha um projeto muito mais pessoal do que coletivo. Fui incompreendido, execrado publicamente. Abriram ao longo destes anos, duas CPIs contra nosso governo, e nada, absolutamente nada, ficou provado contra mim. Porém, ele atingiu seu objetivo politicamente, que foi me desgastar perante a opinião pública. Pois bem, feito isto, a vontade dele, era que eu me acovardasse, e saísse da cidade. Mas, sempre tive minhas convicções, e sabia que “a justiça tarda, mas não falha”. Hoje, talvez eu não esteja figurando nesta pesquisa, feita pelo instituto Preci$ão, porque o menino da Lapa, no seu subconsciente, quer ainda me riscar do mapa municipal. Eu, com certeza, sou um dos poucos que rompi e nunca mais voltei a recompor com este grupo. Olha que não foi por falta de convites. Agora, muito mais importante do que ser esse nome forte para a sucessão do casal, é participar da promoção de um debate altivo, discutir idéias, tentar elevar o tom político do nosso município. Precisamos dar uma demonstração de civilidade, de respeito aos adversários.

 

Folha — Já fez ou pretende fazer algum tipo de pesquisa de opinião para saber a aceitação do seu nome entre a população de Campos? Teme algum tipo de rejeição que possa derrubar sua candidatura antes mesmo dela nascer?

Sérgio Mendes — Esta não pode ser efetivamente a nossa preocupação, nem a tônica do nosso comportamento. Temos que entrar neste jogo democrático, conforme afirmei na resposta anterior, com espírito público, com vontade de contribuir para políticas públicas de qualidade. De uma forma, ou de outra, vamos olhar nos olhos dos nossos adversários, do nosso povo, e afirmar que é possível andar por um caminho de desenvolvimento econômico, social, sobretudo com sustentabilidade, de uma forma absolutamente responsável. Feito isto, já estaremos cumprindo o nosso papel histórico. Por último, devo afiançar que qualquer pesquisa quantitativa, hoje, é muito prematura. O importante neste momento é uma pesquisa qualitativa, que vai nos dar uma idéia do sentimento de todas as camadas sociais da população. Ela sim poderá nortear os nossos rumos. No mais, o que se divulgou recentemente, no meu ponto de vista, é marketing dos desesperados.

 

Folha — O deputado federal Anthony Garotinho disse que “a Frente cabe toda dentro de uma van”. O senhor acredita que a coligação pode levar a melhor sobre o casal Garotinho? E quanto aos vereadores? Garotinho disse que a oposição vai fazer “apenas quatro ou cinco”.

Sérgio Mendes — A sabedoria popular me encanta muito, e ela diz: “Ninguém atira pedras em árvores que não dá bons frutos”. Dito isto, devo aconselhar ao menino da Lapa, sem querer ser pretensioso, que aprendi com as lições da vida, que a arrogância, a soberba, a presunção, cegam os homens, de bem, é claro. Todos têm o direito de arriscar palpites, faltando um ano e três meses para as eleições, porém política não é matemática exata. Talvez serenidade e bom senso não sejam o forte desse pseudo-líder tupiniquim.

 

Folha — Garotinho disse que sua administração foi a pior dos últimos tempos em Campos. Qual sua relação com o deputado e qual a opinião sobre as administrações dele na município?

Sérgio Mendes — Respeito profundamente a opinião dele. Como dizia o saudoso Nelson Rodrigues: “toda unanimidade é burra”. Mas, no meu ponto de vista, ele deveria estar mais preocupado com o governo da prefeita cantora. Temos acompanhado a falta de planejamento estratégico e financeiro deste governo. Estratégico, porque da forma que eles se comportam, geram  o isolamento total da nossa cidade. Infelizmente, seu “sonho de consumo” é mesmo ser o Hugo Chávez regional. Até porque a ambientação é muito propícia, na medida em que os municípios produtores de petróleo poderiam, com certeza, figurar hoje, na Opep (Organização dos Países Produtores de Petróleo). Só que devo lembrar a este cidadão, que Hosni Mubarak (ex-ditador do Egito) já está no banco dos réus, Pinochet no Chile já teve o mesmo caminho, Sadam Husseim teve um final mais trágico, enfim, todos os ditadores foram para a lata de lixo da história. Financeiro, porque é inadmissível que uma cidade que arrecada quase R$ 2 bilhões esteja experimentando amargamente atraso nos pagamentos de entidades sociais. Da mesma forma, empreiteiras parando obras porque não recebem suas medições, inclusive com a afirmação do Presidente do Sindicato da Construção Civil, de demissão de mais de 2.000 trabalhadores. Onde está esse dinheiro? Com a palavra a prefeita cantora. Ela nos deve esta satisfação pública, sincera, sem tergiversar. Ou talvez os Ministérios Públicos Estadual e Federal possam dirimir nossas indagações. Gostaria de deixar para nossa reflexão, uma estrofe da “Marcha da Quarta-Feira”, composta pelo poetinha Vinícius de Moraes e Carlos Lira: “E no entanto é preciso cantar, mais que nunca é preciso cantar, é preciso cantar e alegrar a cidade”. Talvez seja este o pensamento da prefeita cantora.

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Este post tem 5 comentários

  1. Campos sempre teve essa caracteristica de feudo, de provincia que queria de uma forma ou de outra se isolar do resto do mundo. Coisa que graças ao benigno Criador é impossivel.

  2. Os Garotinho que são muito esperto através de Roberto Henrique eles puderam se eleger para tomar o poder da prefeitura e a sua administração, se não fosse o RH botar “a boca no trombone”o povo campista não ficaria sabendo do Rombo feito por Mocaiber que aliás está fazendo parte do seu Governo ele e a sua família com cargos de confiança e só olhar no DO.E agora o PINÓQUIO DA LAPA VEM POSAR DE BOM MOÇO?

  3. o sergio mendes o sergio mendes o sergio mendes voce ta de brincadeira em abrir a boca para falar em administraçao . se que falar mal da administraçao da prefeita tudo bem e um direito seu mais querer dizer que ela e uma prefeita cantora mostra a sua falta de creatividade e um lado seu cheio de preconceito .

  4. ha eu nao trabalho na prefeitura e nen dependo dela fgraças a DEUS .

  5. Sergio meu querido e ex prefeito para sempre ,nos dias de hoje vc teria 2 votos o seu e de sua Sra Marivalda mesmo assim tenho lá minhas duvidas pois a mesma não sei se votaria em vc.

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