Presidente do PRP: “Fisiologismo à caça dos pré-candidatos a vereador”

“O fisiologismo político ocorre no mundo inteiro, mas especificamente em Campos, a gente convive com ela em níveis inaceitáveis, numa total inversão de valores, com a troca de favores praticada abertamente pelo poder público municial, sem ser coibida pelo Ministério Público ou pela Justiça. Na cooptação de pré-candidatos a vereador, essa troca de favores ocorre com nomeações de DAS, bolsas de estudo, obras para empreiteiras que se comprometam a ajudar financeiramente na campanha deste ou daquele pré-candidato. Lógico que todo esse processo atenta contra a democracia”.

As denúncias são do presidente municipal do PRP, integrante da Frente Democrática de Oposição e também pré-candidato a vereador, Fabrício Lírio. Neste sentido, ele considera que o alerta sobre da prática de fisiologismo político na cidade, feito aqui pelo novo bispo católico Dom Roberto Ferrería Paz, “caiu como uma luva, ou melhor, como uma carapuça para esse grupo político que está no poder”.

Fabrício também não acredita que a filiação de Rosinha ao PR aconteça no evento programado pelo partido para a próxima sexta, dia 26. Todavia, tanto no partido do deputado federal Anthony Garotinho, quanto em todos as demais legendas da base governista, o presidente do PRP vê a cooptação para filiação de pré-candidatos à Câmara Municipal:

— Estou vivendo isso na pele. Eles estão à caça de todos os pré-candidatos com 700 votos, 800 votos, usando o poder e a influência do poder público nesse processo. Isso também é fisiologismo.

Mauro Silva confirma Magal: “Não há previsão oficial da filiação de Rosinha”

Sobre a possibilidade da prefeita Rosinha se filiar ao PR na próxima sexta-feira, além do vereador Jorge Magal (PMDB), o blog ouviu ainda o secretário municipal de Comunicação, presidente local do PTdoB e pré-candidato à Câmara Municipal, Mauro Silva. E, assim como o líder da bancada governista, ele disse também que essa previsão não está confirmada oficialmente.

 

Sem acreditar na filiação de Rosinha na 6ª, Magal fala de eleições, fisiologismo e Câmara

Embora não tenha conhecimento oficial do assunto, o líder governista Jorge Magal não acredita que a filiação ao PR da prefeita Rosinha (ainda no PMDB, mesma situação do vereador) ocorra no evento do partido na próxima sexta, dia 26, no Automóvel Clube Fluminense, conforme informou aqui o Saulo Pessanha. Embora o prazo para filiações se encerre em 30 de setembro, para o vereador melhor seria manter o cronograma governista inicial de só lançar a pré-candidatura da reeleição da prefeita na virada do ano, como o blog já havia adiantado aqui, desde 5 de julho. Sobre seu próprio destino, ele disse estar ainda esperando o sinal verde dos seus advogados para se desligar do PMDB e ingressar numa nova legenda, ainda não definida, mas da base governista.

Já em relação ao fisiologismo na política de Campos condenado aqui pelo bispo católico Dom Roberto Ferrería Paz, o líder do governo laico disse que o líder religioso tem razão, embora ressalvando que a denúncia foi generalizada, não direcionada à administração municipal. Quanto aos secretários municipais que pretendem concorrer a vereador, Magal  continua a acender o mesmo sinal amarelo já registrado aqui pelo blog, equilibrado entre o verde ao direito de qualquer um se candidatar e o vermelho para utilização da máquina pública. Por fim,  ele revelou que a definição do número de vereadores à próxima Legislatura será defnido em setembro e que o número deve ficar mesmo no máximo de 25, com as oito cadeiras a mais garantidas num acordo entre as bancadas governista e de oposição.

Abaixo, por partes e em maiores detalhes, o que Magal falou ao blog…

 

Filiação de Rosinha ao PR na sexta? — Sou líder do governo, mas não tenho procuração da prefeita Rosinha para falar por ela em questões partidárias. Mas, até onde sei, não tem nada de oficial na informação,  que vai acontecer é o encontro do PR. Lógico que Rosinha será a candidata e que concorrerá pelo PR, mas não acredito que vá se filiar agora. Primeiro, acho que tem que ser resolvida a questão do partido (PMDB).

Antecipação da pré-candidatura de Rosinha — Acho que são tantos os projetos públicos impotantes em andamento no município, que ela não tem nem tempo para pensar nisso agora. Como disse antes, lógico que a candidata é ela, mas acho que sua prioridade agora é governar a cidade, não antecipar a campanha, o que só interessa à oposição. O momento de lançar a pré-candidatura vai chegar, mas acho que é mesmo só para a virada do ano.

Destino partidário de Magal — Só vou me posicionar quanto a isso depois que tiver o parecer jurídico dos meus advogados (do desligamento do PMDB). Tenho convite do PR e de vários outros partidos, mas essa definição vai esperar, afinal o prazo para filização só se encerra em 30 de setembro. Ainda tem tempo. Só uma coisa é garantida: vou ara um partido da base do governo.

Bispo denuncia fisiologismo político em Campos — Considerando que ele não denunciou o governo, não tenho como negar que o bispo, sem dúvida nenhuma, tem razão nesse questionamento. Só acho que isso foi mais generalizado em Campos nos governos passados. Hoje, diante do exemplo de honestidade do governo Rosinha, o povo está mais esclarecido quanto a essas práticas.

Secretários candidatos — Não mudei o que disse antes a você: qualquer um pode se candidatar, todos os secretários têm este direito. Mas reafirmo também que nenhum deles têm o direito de usar suas secretarias, de usar a máquina pública, para trabalhar por suas candidaturas. A lei determina que seis eses antes da eleição, em março do ano que vem, eles têm que deixar os cargos, mas a prefeita Rosinha, até para deixar bem claro que não vai aceitar o uso da máquina, antecipou o prazo para dezembro.

Definição do número de cadeiras à próxima Legislatura — Em setembro vamos definir isso, num acordo não só entre os governistas, mas também com todos os colegas da oposição. A próxima Câmara vai ter mesmo 25 vereadores (máximo permitido, com oito cadeiras a mais).

Severino Veloso — Na eternidade da água

Adolescente, conheci Severino Veloso vereador. Sobre esta fase da sua vida, creio que ninguém definiu melhor do que o jornalista e escritor José Cunha Filho fez aqui.

A mim, no entanto, confesso que a face de Severino que sempre mais cativou foi a do nadador, com seu contagiante entusiasmo a conquistar, já na terceira idade, tantas medalhas e troféus nas piscinas do Brasil e do mundo, representando orgulhasamente sua Folha da Manhã (como sempe a definiu), seu Fluminense Football Club e sua Campos dos Goytacazes.

Nadador generosas braçadas aquém e mais afeito a arriscá-las nas águas vivas do Atlântico e do Paraíba do Sul, guardarei minha despedida pessoal para a próxima vez em que cruzar no peito a confluência de ambos, entre o Pontal e a Convivência, no torpor solitário do reencontro líquido e certo com o útero que nos gerou — e que, se tivermos sorte, nos espera.

Até emergirmos do outro lado, fica o mergulho nos versos de Cecília Meireles…

 

 

Nadador

O que me encanta é a linha alada
das tuas espáduas, e a curva
que descreves, pássaro da água!

É a tua fina, ágil cintura,
e esse adeus da tua garganta
para cemitérios de espuma!

É a despedida, que me encanta,
quando te desprendes ao vento,
fiel à queda, rápida e branda

E apenas por estar prevendo,
longe, na eternidade da água,
sobreviver teu movimento…

Antecipação do debate eleitoral antecipa pré-candidatura de Rosinha

 

Sempre bem informado, o jornalista Saulo Pessanha revelou aqui que a prefeita Rosinha Garotinho, eleita pelo PMDB, assina sua filiação ao PR na próxima sexta, às 18h, no Automóvel Clube Fluminense, em evento do partido comandado no município por seu filho Wladimir. Em conversa agora há pouco com o blogueiro, uma fonte do primeiro escalão do governo disse ainda não poder confirmar essa informação, tampouco se o fato novo significaria a aceitação da antecipação do debate eleitoral de 2012, que Rosinha sempre declarou querer evitar em 2011, mas não conseguiu conter nem na oposição, nem no próprio marido, o deputado federal Anthony Garotinho (PR).

O fato é que essa polarização indesejada pelo governo conseguiu antecipar não só o debate sucessório, mas o próprio lançamento da pré-candidatura da prefeita à reeleição, inicialmente planejada para acontecer só na virada do ano, como o blog havia revelado aqui, em 5 de julho. Na verdade, aquela postagem foi uma repercusão, com fontes governistas, sobre o Ponto de Vista do Chistiano Abreu Barbosa, que no dia anterior (4 de julho) registrou aqui a aparente segurança que permitia à situação ditar o cronograma sucessório. Não que Rosinha tenha deixado de ser franca favorita nessa corrida, mas de lá para cá algumas dúvidas sobre sua administração foram dilatadas, abreviando em contrapartida suas datas eleitorais.

Com quase todos os setores conveniados e contratados acusando atrasos no repasse (aqui), com obras públicas paradas ou caminhando a passos de cágado (aqui), com decretos da prefeita cortando despesas em 10% (aqui), com parte da receita municipal bloqueada pelo TJ por dívidas judiciais não honradas (aqui), e sem ainda nenhuma justificativa convincente para a generalização desse aparente quadro de penúria, inexplicável diante do orçamento de R$ 1,9 bilhão aprovado para Campos desde dezembro de 2010, o momento governista é de reação. 

Reflexo claro desta necessidade, além de abreviar o lançamento da pré-candidatura de Rosinha, foi a tensa reunião de ontem à noite, com cinco horas de duração, revelada aqui pelo também sempre bem informado advogado Cláudio Andrade, na qual Garotinho teria passado um “carão” nos secretários municipais, sobretudo em César Romero, Tom Zé e  Eduardo Crespo, chegando a ameaçar os dois primeiros (responsáveis pelas obras) de exoneração.

Além dos óbvios questionamentos institucionais (e legais) de um deputado federal assumir as funções da chefe do executivo municipal, que aliás foi eleita optando por omitir o nome de Garotinho em toda sua irretocável campanha, talvez fosse a hora de alguém do governo tentar reconduzir aos trilhos da racionalidade, não ao descarrilhamento do destempero passional, essa reação que Rosinha busca e precisa, como prefeita e pré-candidata. Leitura de cabeceira do ex-governador, seria tudo que o Príncipe de Maquiavel aconselharia.

Caso contrário, a continuar conduzida na atual toada, a provável vitória governista em 2012 ficaria menos impossível de ser contradita.