Opiniões

Dom Roberto ensina como ser cristão na discordância

Capa da Folha Dois de 24/09/12
Capa da Folha Dois de 24/09/12

No meio de toda a febril atividade eleitoral, elevada em vários graus pela incerteza jurídica que ainda nubla a escolha do próximo prefeito de Campos, foi um bálsamo ler na edição de ontem da Folha o excelente artigo do bispo de Campos, Dom Roberto Ferrería Paz, o mesmo que chegou a estas plagas criticando publicamente o fisiologismo (aqui) que, não sem razão, vê generalizado na política do município. Em defesa dos seus dogmas de fé, mas sem se furtar à colheita dialética dos frutos maduros da árvore do conhecimento (Gênesis 2:17), o clérico teceu suas restrições à pintura “A origem do mundo”, do realista francês Gustave Coubert (1819/77), que causou polêmica depois que o historiador Jorge Coli teve uma palestra interrompida na Academia Brasileira de Letras (ABL), a partir da sua exposição, episódio cuja repercussão chegou também à planície goitacá, nas páginas da Folha Dois, num artigo da professora Analice Martins e na capa do caderno da última quarta-feira (acima), em matéria da jornalista Talita Barros (aqui).

Concorde-se ou não com as opiniões do bispo católico, não há como duvidar da sinceridade das suas posições sobre o tema. Acima de tudo, ele evidenciou, no mesmo jornal de Campos que trouxe o assunto à baila, como se pode discordar com elegância e fundamento. Numa cidade onde há quem fale de Deus, numa mistura sempre lamentável de religião e política, enquanto busca de todas as maneiras o poder terreno, atacando da maneira mais virulenta todos que ousem discordar, Dom Roberto deu um belo exemplo de como as idéias podem se confrontar, sem se perder o respeito e o amor ao semelhante, grande barato do cristianismo, que apenas pensa diferente.

Abaixo, a pintura e o artigo…

“A origem da vida”, de Gustave Coubert
“A origem do mundo”, de Gustave Coubert

A Via Pulchritudinis e a pintura de Gustave Courbet : A Origem do mundo.

Participei nos dias 18 a 23 de Setembro em Buenos Aires do V Encontro de Centros Culturais Católicos do Cone Sul. Uma das iniciativas e propostas assumidas foi aderir novamente à linha diretriz do Conselho Pontifício da Cultura de anunciar e implementar a Via Pulchritudinis (o caminho da beleza ), para evangelizar e iluminar a cultura de hoje.

A pintura de Gustave Courbet, que coloca a genitália feminina num primeiro plano, na pintura denominada “A origem do mundo”, nos convida a posicionarmos e dar razão de nossa atitude e doutrina sobre a arte e a estética sob o olhar da Palavra de Deus.

Nem todo nu é pornográfico, porém depois do pecado original é necessário integrar com o pudor e a castidade o que o pecado esfacelou e dividiu.

O pudor serve de anteparo e resguardo do mistério da pessoa, para que ela não seja considerada um pedaço de carne ou ainda um órgão da genitália.

A arte contemporânea separou a beleza, da verdade e do bem, considerando realidade qualquer objeto retratado ou representado.

Ora o ser humano clama por contemplar a beleza e sabe muito bem que ela está ligada ao ser com maiúscula, ninguém por exemplo coloca uma lata de lixo na sala sob o pretexto que isso é real e estético.

Precisamos de um novo encantamento, para fruir o direito a beleza, a boniteza, a harmonia com  Deus e a criação, pois fomos pensados como um hino de amor à vida, não como um absurdo ou como participantes de um jogo sem sentido.

A pintura de Courbet é um grito desesperado para sair da banalização e da trivialização do sexo, a que somos levados pela cultura midiática hedonista e permissiva.

Caberá aos cristãos mostrar como o Evangelho nos conduz à beleza infinita, que o paraíso é um estado de união e posse de Deus, a fonte de todo bem, de toda luz, de toda realização e plenitude.

Não nos acomodemos à feiura do pecado, do mal, da desintegração da pessoa humana, existe sim um padrão objetivo de beleza e harmonia que podemos reconhecer contemplando a criação,  pois ela nos fala de Deus e de sua majestade e fascinação.

Necessitamos de pão e beleza para viver, pois  uma vida cinzenta, massificada, sem horizonte ou perspectiva não é digna de se seguir.

Jesus Cristo nos chama para uma vida plena, trasbordante, a uma aventura apaixonante criativa e inefável, sejamos com Ele portadores de alegria esperança e beleza para o mundo.

Deus seja louvado !

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Este post tem 2 comentários

  1. Lindo! Lindo!
    A visão deste envagelizador é perfeita,sem hipocrisias:
    ” Necessitamos de pão e beleza para viver,pois uma vida cinzenta,massificada,sem horizonte ou perspectiva não é digna de ser seguir.”
    “Jesus Cristo nos chama para uma vida plena,trasbordante,a uma aventura apaixonante criativa e inefável,sejamos com Ele portadores de alegria esperançae beleza para o mundo.”
    A Igreja está de parabéns.
    Dom Roberto Ferreira Paz- Bispo de Campos

  2. Alem de tudo a genitália está coberta pelos pêlos pubianos.Sempre existiu um falso moralismo.A imoralidade está na mente das pessoas.Estou com Dom Roberto :uma obra de arte é para ser admirada e não explicada .

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