Opiniões

Militantes de Neco agridem verbalmente PF e imprensa, chegando às vias de fato contra dois jornalistas

Em Campos, a PF para primeiro na casa de Alex Valentim (foto de Phillipe Moacyr)
Em Campos, a PF para primeiro na casa de Alex Valentim (foto de Phillipe Moacyr)

Na porta da casa de Tino Ticalu, rapaz revoltado exemplifica que a violência se cultiva desde novo (foto de Phillipe Moacyr)
Na porta da casa de Tino Ticalu, rapaz revoltado exemplifica que a violência se cultiva desde novo (foto de Phillipe Moacyr)

Já em SJB, a militância de Neco inicia suas hostilidades contra a PF e a imprensa (foto de Phillipe Moacyr)
Já em SJB, em frente ao comitê de renato Timóteo, a militância de Neco inicia suas hostilidades contra a PF e a imprensa (foto de Phillipe Moacyr)

Em frente à casa de Neco, militantes não disfarçam a atitude agressiva contra a imprensa (foto de Phillipe Moacyr)
Em frente à casa de Neco, militantes não disfarçam a atitude agressiva contra a imprensa (foto de Phillipe Moacyr)

Sobre o capô da viatura da PF, a advogada Carolina Cunha assina as intimações dos seus seis clientes (foto de Phillipe Moacyr)
Sobre o capô da viatura da PF, a advogada Carolina Cunha assina as intimações dos seus seis clientes (foto de Phillipe Moacyr)

Lamentável, sob todos os aspectos, o que aconteceu no final da manhã e início da tarde de hoje, entre a coletiva do delegado federal Paulo Cassiano Junior e as diligências da PF para entregar mandados de intimação, dando sequência à operação deflagrada na noite da última terça, a apenas cinco dias da eleição, para prender a prefeita Carla Machado (PMDB) e Alexandre Rosa (PMDB), vereador e candidato a vice na chapa governista encabeçada pelo também vereador Neco (PMDB), favorito em todas as pesquisas na corrida à Prefeitura. Por volta das 11h, enquanto gravava as sonoras com as equipes de reportagem de TV, ao final da coletiva iniciada às 9h, o delegado Paulo Cassiano interrompeu as entrevistas, dizendo que iria cumprir mandados de intimação.

Logicamente, todas as equipes de reportagem presentes seguiram a diligência do delegado, cujo primeiro ponto de parada, por volta das 11h30, foi ainda em Campos, mais precisamente no Parque Tarciso Miranda, na residência de Alex Valentim, opositor que teria sido cooptado para retirar sua candidatura a vereador para apoiar o candidato governista Renato Timóteo (PDT). Com a casa fechada, sem que ninguém atendesse, a PF pegou a BR 356, rumo a São João da Barra.

Por volta do meio-dia, o primeiro destino foi no centro da cidade, no comitê de Renato Timóteo, onde ele também não foi encontrado. Mas enquanto os policiais federais falavam com alguém dentro do comitê, centenas de militantes de Neco começaram a chegar ao local, passando a cercar a imprensa, acusada indistintamente de “sem ética” e por “estar levando dinheiro de Garotinho”, além a própria viatura da PF, sobre a qual foi entoado o grito“Au, au, au, fora Federal!”.

Dali, por volta das 13h, os agentes e a imprensa foram, também no Centro de São João da Barra, à casa de Tino Ticalu (PT do B), o único dos intimados que seria econtrado nas diligências da PF. Lá, novamente os militantes governistas chegaram, mas dessa vez em menor número, o que não reduziu as hostilidades contra os jornalistas e os policiais federais. A repórter da Folha, Ulli Marques, por exemplo, teve que ouvir as classificações de “debilóide” e “burra” de uma militante com o dedo em riste diante ao rosto de quem só estava ali para fazer seu trabalho. Mas pior ainda, lamentavelmente, aconteceu com o editor do site Ururau, Leandro Nunes, que chegou a ser empurrado por um militante e quase foi lançado ao chão.

Depois, em torno das 14h, a diligência da PF e a imprensa que a seguia se encaminharam à residência do próprio Neco, no bairro de Água Santa, na saída de São João da Barra em direção a Atafona. Com a casa fechada, os militantes do candidato não tardaram a também chegar, novamente às centenas. E, infelizmente, suas agressões novamente excederam as verbais. A jornalista do SBT Roberta Barcelos, que sem nenhum dolo político trajava azul (cor da campanha de Betinho), teve a roupa molhada pela água jogada por uma militante vestida de vermelha, cor da campanha de Neco e geralmente associada à violência.

Por fim, ainda diante à casa de Neco,  chegou ao local a advogada Carolina Cunha, que assinou, mediante procurações previamente assinadas, os mandados de intimação de Neco, Silvana Ferreira (PR), Alex Valentim (PR), Alex Firme (PMDB), Renato Timóteo e Eliseu Motos (PDT) — os cinco últimos, ou candidatos governistas a vereador, ou de oposição que teriam sido cooptados. A advogada da coligação de Neco questionou a atitude midática de Paulo Cassiano, ao montar uma diligência para entregar mandados de intimação que poderiam ser entregues por oficiais de justiça, deflagrando a nova operação em meio a uma coletiva de imprensa, além do fato de nela o delegado ter distribuído ao jornalistas as supostas provas do seu inquérito, na forma de CD contendo um áudio de Carla Machado e um vídeo de Alexandre Rosa, que antes negou à defesa dos acusados.

Certamente a advogada tem suas razões, jurídicas e éticas, para suas críticas à atuação do delegado. No entanto, nenhuma delas é capaz de nublar o fato de que aquilo que a militância governista de São João da Barra fez hoje, contra a insituição da Polícia Federal, patrimônio que, a despeito de eventuais desvios isolados, dignifica este país, e sobretudo contra a imprensa, que estava ali cumprindo sua função constitucional de narrar fatos, culminado com duas agressões físicas a jornalistas, é tão vergonhoso quanto inadmissível.

É por essas e outras práticas arrogantes, soberbas, paridas na passionalidade desprovida de razão, típicas de quem se julga acima da lei, que o grupo de Carla tem colecionado desafetos e problemas com a Justiça, da mesma maneira que o seu principal inimigo: Anthony Mateus, o Garotinho.

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Este post tem 7 comentários

  1. E ainda alguém diz que SJB é uma pacata cidade do interior fluminense…

  2. Tá tudo aí, muito boa a matéria, estão de parabéns nota 10, o mesmo não posso dizer da militância “vermelha” da Prefeita Carla (trecho excluído pela moderação), para eles dou nota 0 (ZERO). Eu acho que o clima em SJB esquentou, digo, ferveu, no domingo vai voar faísca pra todo canto, lá sim precisa do Exército, senão o bicho vai pegar. tomara que eu esteja errado.
    Abs.

  3. CONCORDO COM A MATÉRIA, RELATOU OS FATOS OCORRIDOS COM TOTAL IMPARCIALIDADE E RESPEITO AOS SEUS LEITORES, MOSTRANDO A REALIDADE DOS FATOS. NA VERDADE A GALERA VERMELHA ESTAVA NERVOSA PORQUE A TETA ESTA TERMINANDO.

  4. Cinquentinha não existe, Beto é preso com requintes de best seller. Carla , Neco e Alexandre no xilindró. Delegado da Federal avisa de plano pra matar o vereador que presidiu a CPI contra o Beto. Tudo serve ao Garotinho. Logo depois da prisão do Beto,o pai Cassiano recebeu de presente a nomeação. Cadê a Corregedoria ?

  5. O povo de São João da Barra não é capacho.Não se iludam.

  6. Nada contra a imprensa, estava trabalhando ,mas a PAIXÃO às vêzes fala mais alto que a RAZÃO.
    “Perdoai-os eles não sabem o que fazem” Jesus Cristo

  7. Diante de tanta omissão da imprensa de Campos, apesar dos fatos que acontecem aqui, como abuso de poder do casal Garotinho, são poucos os que tem coragem e escrevem algumas linhas e cuidadosamente chamam a atençao dos eleitores para tal prática, imagino e entendo o porquê da revolta do povo sanjoanense.

    Façam primeiro o dever de casa.

    Sinto muito pelos inocentes que servem como massa de manobra para politicos inescrupulosos e espertos.

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