Opiniões

Yoani e Suplicy: democracia

Acima, a foto da blogueira e ativista política cubana Yoani Sánchez com o senador Eduardo Suplicy, um dos poucos no PT a ainda tentar resistir às tendências abertamente fascistas do partido que fundou, aliado a legendas menos cotadas como o PC do B, fundado sob os preceitos de Joseph Stálin, um dos mais sanguinários genocidas do séc. XX, cuja virtude foi derrotar na II Guerra Mundial seu congênere e ex-aliado: Adolf Hitler. Abaixo, divulgado aqui, na democracia irrefreável das redes sociais, o depoimento da jornalista Mona Dorf, testemunha ocular do conceito de livre expressão a que a cubana, dissidente do regime dos irmãos Castro, foi submetida numa livraria de São Paulo…

Mona Dorf
Mona Dorf

De luto.
Fui à livraria Cultura, onde fui convidada para um encontro com a blogueira Yoani Sánchez. Fui lépida e faceira, fazendo piadas antes, como é do meu feitio. Quem me conhece sabe que adoro uma farra.
Cheguei, me credenciei, e fui tomar uma coca. Ouvi uma turba fazendo protesto. Fui lá olhar e ouvir as palavras de ordem. “Vai embora, vai embora , blogueira imperialista . A América Latina vai ser toda comunista!” Umas belezinhas de tênis nike e camiseta gap. Eu me diverti com um slogan tão retrô.
Deu 18h30 e fomos convidados a entrar na sala 1 do cinema ao lado, onde ocorreria a conversa. Sentei-me ao lado de dois blogueirinhos simpáticos, que não tinham a menor ideia do que perguntar. Socializei minhas perguntas e até então estava legal.
Yoani faz uma breve preleção sobre como foi se tornar blogueira. E começou a responder às perguntas, que eram feitas pela ordem de chegada dos blogueiros.
Após responder a duas ou três, a organização resolve deixar entrar as pessoas – a maioria civilizada – entrassem, porque o tempo estava se exaurindo. Tudo muito civilizado.
Barbara Gancia assume a função de mediadora. Começa a ler as perguntas remanescentes, que escrevemos e entregamos a ela. Mal deu início, uns 20 delinquentes começaram a gritar palavras de ordem e apitar. Um barulho infernal.
Barbara disse que faria algumas das 40 perguntas que os blogs de esquerda postaram o dia inteiro, inclusive dizendo que eles apostavam que ela, supostamente de direita, não faria isso. As esquerdas uivavam como bichos e não deixaram ela falar. Yoani mal balbuciou a resposta sobre o wickleaks. Não deu para ouvir.
Deu-me vergonha, muita vergonha, que se somou à patética festa dos 10 anos de governo do PT, em que Dilma disse não ter recebido herança boa alguma de Fernando Henrique. Que Lula afirmou que a imprensa era inimiga do partido. Ducha de água fria em mim, que sou democrata, aposto em governos de cunho social, mas não admito mentiras.
O debate (?) foi encerrado pela absoluta falta de condições. Peguei meu caderninho, meu telefone, e caminhei triste pela Avenida Paulista. Triste com o vergonhoso e fascista comportamento dos manifestantes que não queriam ser ouvidos. Que se negaram a fazer perguntas, apesar de instados pela mediadora.
Triste esquerda brasileira. Amanhã, posto o que Yoani falou. Hoje, estou de luto.

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Este post tem 5 comentários

  1. Luiz Fernando França Vianna
    PARABÉNS ALUISIO, PELA MATÉRIA – O QUE ME CAUSA ESPANTO É QUE VÁRIOS INTELECTUAIS VÃO A CUBA É SÓ ELOGIOS A EDUCAÇÃO E PRINCIPLAMENTE A SAÚDE, ISTO SEM FALAR NA MÚSICA – VOCÊ QUE JÁ NASCEU JORNALISTA, É DOS BONS – FAÇA UMA MATÉRIA COM O NOSSO CHICO BUARQUE DE HOLANDA, sobre cuba.
    OU SERÁ QUE ANTES ERA MELHOR – TINHAMOS UM PRÓSPERO CUBANO LÁ PELAS BANDAS DE BAIXA GRANDE QUE FOI PEGO COMO TRAFICANTE DE ARMAS, ONDE ESTÁ “de la riva? GRATO E SE EU ESTIVER ERRADO ME PERDÕE.
    UM ABRAÇO,

    LUIZ FERNANDO FRANÇA VIANNA

  2. NOBRE ALUYZIO, VOLTO-LHE A INCOMODAR O GRANDE JORNALISTA.

    TEM SE QUE, CUBA SOBREVIVEU A agressão na Baía dos Porcos, a desumanidade do embargo comercial, a barbarie de Guantánamo e sobreviveu a todos os erros e crimes da política externa americana.
    A EDUCAÇÃO E SAÚDE É MOTIVO DE ORGULHO DOS CUBANOS – SERVE DE REFERÊNCIA AO MUNDO TODO, A SAÚDE DE CUBA E SUA EDUCAÇÃO OBTEVE RESULTADOS GLORIOSOS.

    a ti peço perdão, pois estes fatos, o nobre jornalista não era nascido, e nós jovens daquela época vibravámos.

    PARABÉNS! Pela matéria, com todo o meu respeito a você e a seu falecido pai,pela culura e dignidade.

    um abraço,

    Luiz Fernando França Vianna

  3. Caro Luiz Fernando,

    Quem me dera entrevistar o Chico. Mas se o fizesse, por certo, iria preferir falar de música, literatura e futebol. Sobre política, evitaria ao máximo, até para aproveitar só aquilo em que ele é genial.
    Quanto aos De La Riva, se não me engano, eles saíram de Cuba justamente a partir da revolução de 1959.
    Sim, com um exército bem treinado na guerra civil vencida contra as tropas de Fulgêncio Batista, as forças de Fidel Castro, Raul Castro e Ernesto Che Guevara resistiram bravamente contra a tentativa de invasão na Baía dos Porcos, em 1961, efetuada por cubanos dissidentes, treinados, armados e transportados de volta à ilha com apoio dos EUA, mas sem envolvimento das forças armadas deste país nos combates, encerradas depois de apenas três dias.
    De qualquer maneira, se a recém empossada administração John Kennedy teve no episódio o ponto mais baixo da sua política externa, no ano seguinte, na crise advinda dos mísseis com ogivas nucleares instalados pela União Soviética em Cuba, há apenas 150 km dos EUA, a atuação do jovem presidente estadunidense, com o recurso ao bloqueio marítimo da ilha, serviu para evitar a deflagração da III Guerra Mundial, cujo caráter atômico colocaria em risco a própria espécie humana e da qual certamente nunca chegamos tão perto.
    Numa tensa negociação pressionada pelos militares de ambos os lados, entre Kennedy e o premier russo Nikita Krushev, os mísseis soviéticos foram retirados de Cuba, mesmo sob os protestos de Fidel e Guevara, e os EUA depois tiraram seus mísseis da Turquia. A base militar que os estadunidenses já mantinham em Guantánamo, desde 1903, ferindo o conhecido orgulho nacionalista cubano, não importou muito a Moscou.
    Passada a crise daqueles “13 dias que abalaram o mundo” em 1962, entendo o embargo comercial a Cuba pelos EUA como descabido, sobretudo após a queda do Muro de Berlim, em 1989, e o esfacelamento da União Soviética, em 1991.
    Inegável também os avanços sociais de Cuba a partir da revolução de 59, em educação e saúde, mas sinceramente não sei se, consultados os cubanos em sua totalidade, algo como numa eleição direta que lá não ocorre há mais de meio século, eles optariam por manter os avanços com a manutenção das contrapartidas negativas, como a falta de liberdade para ler, escrever, pensar e dizer o que quiserem, de ir e vir quando e para onde quiserem, num regime ditatorial antes subsidiado pelo Império Soviético e há alguns anos pelo petróleo da Venezuela de Hugo Chávez.
    Da mesma maneira, não tenho nenhuma certeza se esses fascistóides do PT e PC do B, que perseguiram a dissidente Yoani Sánchez em várias cidades do país, acaso tivessem que escolher entre a (apesar deles) democracia brasileira ou a autocracia cubana, optariam de fato por viver sob um regime como o da ilha de Fidel.
    Agradeço sinceramente pela generosidade dos elogios e, sobretudo, pela menção ao meu pai.

    Abç e grato pela chance do debate!

    Aluysio

  4. CARO ALUYSIO, BOM DIA! OBRIGADOPOR LER MEUS COMENTÁRIOS E RESPONDÊ-LOS.

    QUANDO LHE PEÇO PARA ENTREVISTAR NOSSO CHICO BUARQUE DE HOLANA, E PORQUE O NOSSO GRANDE CANTOR, TALVEZ SEJA O BRASILEIRO QUE TEM O MELHOR CONHECIMENTO E CONTEÚDO SOBRE FIDEL, CHE GUEVARA E CUBA.
    POIS, INÚMERAS VEZES FFOI A CUBA.

    OBRIGADO, ALUYSIO.
    UM ABRAÇO

    Luiz Fernando França Vianna

  5. Caro Luiz Fernando,

    Tenho sérias dúvidas se Chico Buarque é o brasileiro com melhor conhecimento real e mais conteúdo dialético sobre Cuba, Fidel e Guevara. De qualquer maneira, é como disse antes: se tivesse a honra de entrevistar o Chico, certamente teria coisas mais interessantes para falar.

    Abç e grato pela colaboração!

    Aluysio

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