Antevisão da bola dividida entre os vereadores rosáceos

Com Aldair antenvendo os caminhos da bola, quem acaba no chão geralmente era o atacante
Com Aldair antevendo os caminhos da bola, quem acabava no chão geralmente era o atacante

No futebol, um dos predicados do craque é a antevisão, a capacidade de enxergar antes as várias possibilidades futuras de cada lance, por mais despretensioso e prosaico que o presente possa parecer. Entre os que vi atuar, três jogadores, mais que quaisquer outros, demonstraram em campo essa característica, rara em tudo mais na vida: Zico, Zidane e Aldair.

Perguntará o leitor incrédulo: “O que um zagueiro faz nesta lista junto com dois dos maiores meias da história?” Responderia que Aldair foi um beque que terminava os jogos com seus calções sempre limpos, porque quase nunca dividia bola ou dava carrinho. Não precisava! No mais das vezes, o zagueiro baiano que fez história no Flamengo, no Roma e na Seleção Brasileira, antecipava o lance, antevia por onde a bola vinha e a interceptava, no meio do caminho entre o passe e o atacante seu destinatário. E, quando a roubava, tinha talento para se assumir novo remetente com a vontade própria de um meia-armador, como no lançamento de 40 metros, por elevação, da defesa à ponta esquerda, nos pés de Bebeto, que cruzou para Romário concluir o contra-ataque rápido, abrindo o marcador daquele dramático Brasil 3 x 2 Holanda, jogo mais difícil da campanha do Tetra em 1994.

No futebol, ainda que aprecie se ufanar por uma habilidade que não tem, há um universo ou mais a separar Alexandre Bastos de Zico ou Zidane. Quanto a Aldair, a comparação é impossível, não só pela diferença abissal de talento, como pelo fato de que a vaidade não permitiria a Bastos atuar como defensor. Agora, na observação dos assuntos da política goitacá, sobretudo na leitura do que há de vida real no teatro da Câmara Municipal, a antevisão é sem sombra de dúvida uma das principais características do jovem jornalista e blogueiro.

Agora, nesse início de abril, endossado aqui e aqui por outros olheiros atentos do Legislativo de Campos, como são, respectivamente, o blogueiro Cláudio Andrade e o jornalista Gustavo Matheus, o racha dos vereadores rosáceos emergentes com aqueles mais organicamente ligados ao grupo, veteranos de outras legislaturas e/ou da passagem por secretarias importantes, foi definido aqui por Bastos como “duas situações”, desde 21 de fevereiro, quando anteviu na coluna Ponto Final:

— (…) existem mais bancadas do que o normal. Além da pequena oposição, com quatro vereadores, existem duas situações. Uma é composta pelos aliados mais populistas do casal Garotinho. Neste time, a meta é “jogar para a galera” e desenvolver ações que agradem as camadas mais populares. A outra bancada de situação conta com ex-secretários e figuras mais experientes. Esse time governista prefere adotar um discurso mais cauteloso (…) Com o aumento do número de cadeiras, a Câmara de Campos vai começar a contar com embates inusitados. Não se assustem se em breve a turma populista resolver bater de frente com os governistas mais cautelosos. Até porque, com uma oposição reduzida, o único risco para a situação é um embate com a própria situação.

Na dúvida sobre quando e como o deputado federal Anthony Matheus, o Garotinho (PR), irá intervir pessoalmente para debelar esse “fogo amigo” ateado pelo reflexo das suas próprias práticas clientelistas no governo de Campos, que de fato controla, fica uma certeza análoga, mas independente: por sua antevisão, como analista político, Bastos é um craque. O duro é que, mesmo sem elogiar, o cara já é chato pra caramba!!!… Rs

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Este post tem um comentário

  1. maria

    Nao acredito em racha,a partinha sera feita.

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