Opiniões

Nahim dá razão a Anthony: “Somos irmãos, mas somos muito diferentes”

“Garotinho me conhece muito bem, como eu também o conheço”. Se a constatação não impediu que o deputado federal e pré-candidato a governador Anthony Matheus (PR) atacasse publicamente seu próprio irmão, o ex-vereador Nelson Nahim (atual PPL), depois que este foi nomeado pelo governador Sérgio Cabral (PMDB) à presidência da Fenorte, aparentemente bastou ao primogênito de dona Samira, que confirma ter seus trunfos guardados no convívio íntimo de mais de 20 anos no grupo político do irmão, mas os guardará em nome do que julga seu maior trunfo, creditando-o à criação recebida dos mesmos pais: “caráter”. Com muitos planos para a Fenorte, Nahim também os tem ainda na política, confirmando que deve mesmo deixar o PPL pelo PSD do ex-prefeito paulistano Gilberto Kassab, com quem já se reuniu pessoalmente, assim como aceitar disputar pelo novo partido a eleição para deputado federal, como sugeriu pessoalmente o vice-governador e pré-candidato a governador Luiz Fernando Pezão (PMDB). Neste sentido, ele respondeu à sobrinha e deputada estadual Clarissa Matheus (PR), crítica quanto às chances eleitorais do tio, lembrando que ela, por exemplo, teve menos votos como candidata à vice-prefeita carioca do que quando concorreu à Assembleia Legislativa. Admitindo que ainda mantém o sonho de chegar pelo voto à Prefeitura de Campos, que ocupou interinamente durante seis meses em 2010, na primeiro cassação da prefeita Rosinha (PR), de quem garante nada ter a se queixar, Nahim deu razão ao que disse Anthony: “Somos irmãos, mas somos muito diferentes”.

Folha da Manhã — Quais são suas principais metas administrativas nesse retorno à presidência da Fernorte?

Nelson Nahim — A Fundação Estadual do Norte Fluminense (Fenorte) é a única fundação instalada no interior do Estado. Sua criação se deu junto com a Tecnorte e a Uenf, para ser sua mantenedora. Porém, com a sua separação da Uenf, ficou sem uma função definida, passando ao longo dos anos por um processo de autodestruição. Quando assumi a Fenorte, há 7 anos, a convite da então governadora Rosinha (então no PMDB), realizei uma série de projetos. Todos hoje, infelizmente, paralisados. Além disso, pude regularizar naquela ocasião a questão do plano de cargos e salários dos funcionários da Fundação. Na área da ciência e tecnologia tenho como metas retomar o diálogo junto à secretaria estadual de Ciência e Tecnologia e implantar definitivamente, colocando para funcionar, a Biofábrica que deixei pronta e equipada, mas tomei conhecimento que jamais funcionou desde que saí, bem como voltar a ativar o laboratório de cerâmica, além de novamente implantar, com recurso da Faperj (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro), o programa de bolsas. Na área agrícola, estou elaborando projeto para atender aos produtores rurais e assentamentos nos mesmo moldes de quando assumi a Prefeitura de Campos, na minha interinidade como prefeito para atender aos produtores rurais não só de Campos, mas também de todos os municípios na abrangência da Fenorte, que são mais de 30. Na área da cultura, a meta é levar cinema aos alunos da rede estadual e municipal de ensino, nas cidades de abrangência da Fenorte que não possuem salas de cinema, complementando assim o projeto do governo do Estado “Cinema para Todos”. Na área social, um grande projeto que irá beneficiar milhares de crianças, a ser realizado em conjunto com as escolas estaduais, aplicando aulas de reforço escolar, educação física, com aulas de diversas modalidades de esportes, como futebol,vôlei, judô, música. Retomar a parceria com a Policlínica dos Bombeiros e reativar o setor de fisioterapia, que há 7 anos, na minha gestão, se tornou referência no tratamento dessa especialidade, atendendo não só aos Bombeiros e familiares, mas aberto também à comunidade. Retomar também a parceria que tínhamos com o IFF (Instituto Federal Fluminense), onde tínhamos projetos que iam da área do esporte à formação de detentos no curso de informática. Viabilizar cursos de qualificação profissional gratuitos preparando para as áreas fortemente instaladas não só no nosso município, como também no município de São João da Barra com a instalação do Superporto do Açu. Retomar ainda várias parcerias com a Uenf. Tudo isso só pode ser realizado se tiver vontade politica, e o governador Cabral me garantiu que dará condições para essas realizações. Disse a ele que não permaneceria na Fenorte para ocupar um cargo público apenas para receber salário. Se as coisas não andarem, saio da mesma maneira que entrei, tranquilo e sereno. Tem mais, mas o resto é segredo por enquanto.

Folha — E suas metas políticas a partir da sua gestão na Fundação estadual?

Nahim — Trabalho é trabalho e política é política. Não estou indo à Fenorte para fazer política barata, que infelizmente muitos fazem. Aquela do toma lá, da cá. É claro que um bom trabalho, feito sem segundas ou terceiras intenções, traz reconhecimento da população, e claro pode haver ganho politico sim. Mas repito: a minha ida para a Fenorte é no sentindo de realização profissional.

Folha — Vice-governador e pré-candidato à sucessão de Sérgio Cabral, Luiz Fernando Pezão disse aqui, em sua última visita a Campos, em 15 de maio: “Nelson Nahim é importantíssimo para o nosso grupo. Inclusive, queremos que ele seja nosso candidato a deputado federal”. Disputará a Câmara Federal?

Nahim — Não estava nos meus planos, até acontecer o convite do vice-governador Pezão, participar mais da vida pública, pois esse não é o desejo de minha família, mulher e filhos. A decepção com alguns políticos foi grande durante esses 16 anos de mandato como vereador e mais uns 10 exercendo funções diversas nas prefeituras de Campos e São João da Barra. Porém, é muito bom quando você é reconhecido, primeiro pela população nas ruas, e depois por políticos que você não esteve ao lado, mas te dão valor, e a partir daí resolvi aceitar mais esse desafio.A candidatura a deputado federal virá no momento oportuno, como consequência e decisão politica do grupo que hoje participo. Se for escalado para ser soldado ou deputado, estarei pronto para participar do pleito. Eu sou uma pessoa agregadora, e não um criador de casos.

Folha — Você hoje está no PPL, mas é dada como certa sua ida ao PSD, partido do líder da situação na Alerj, deputado estadual André Corrêa (PSD), que participou da reunião com você, Cabral e Pezão, em 27 de maio, quando ficou acertada sua volta à Fenorte. Que participação o deputado teve em sua nomeação? O PSD será mesmo seu destino?

Nahim — Na próxima semana terei uma conversa com a direção estadual do PPL, na figura do nosso presidente Irapuã, pois sou muito grato a esse partido que me acolheu em um momento difícil. Tenho certeza que tudo será resolvido adequadamente. O deputado André Corrêa foi o interlocutor do vice-governador Pezão e do governador Cabral, não com o objetivo de qualquer nomeação, pois nunca tratamos desse assunto. Apenas tivemos conversas anteriores para falarmos sobre política e acertarmos uma agenda com ambos, acerca da minha ida para seu grupo politico, já que ele é o líder do governo na Alerj e é uma pessoa a quem respeito e admiro por sua postura e educação. Inclusive, já tivemos um encontro no Rio com o ex prefeito de São Paulo e presidente do PSD, Gilberto Kassab, que me convidou para ir para o seu partido, e acredito que esse será o meu caminho.

Folha – No PSD, como seria sua convivência com o deputado estadual Roberto Henriques, eleito em 2010, segundo consta, graças ao seu apoio, já que era prefeito à época, nos seis meses que duraram a primeira cassação de Rosinha?

Nahim — A melhor possível. Pois além de ter uma boa relação pessoal com Roberto, muito de seus colaboradores são meus amigos, o que vai fortalecer não só a ele, mas o partido como um todo. Eu sei que o Roberto disse a muitas pessoas que eu o ajudei bastante em sua campanha para deputado estadual. Mas ele não tem que me agradecer por nada,o que fiz com Roberto e os outros candidatos do grupo politico que fazia parte, foi cumprir o papel que todo homem, público ou não tem que ter: palavra.

Folha — Em contrapartida ao que disse Pezão, sua sobrinha e deputada estadual Clarissa Matheus, que também deve vir a federal, disse em entrevista à Folha (confira aqui), sobre a possibilidade de você concorrer contra ela em 2014: “Com relação à candidatura de Nahim, prefiro não comentar. As urnas falam, a gente ouve se quiser”. Como responde à alfinetada e como alguém que não se elegeu vereador, em 2012, pode se eleger deputado federal dois anos depois?

Nahim — A Clarissa é uma moça inteligente, capaz, uma boa deputada estadual, atuante e tem tudo para ser uma deputada federal brilhante, mas só o tempo lhe dará uma coisa que ainda lhe falta: maturidade. Nem sempre uma derrota eleitoral significa uma derrota politica. A repercussão da minha derrota eleitoral foi maior do que se tivesse ganho a eleição. Se quiser conferir, ande comigo pelas ruas de nossa cidade e verá o que fala o povo de Campos. Do cerco que foi feito a mim, por me desligar do seu grupo politico; do massacre que sofri durante o processo eleitoral. Cada eleição é uma eleição diferente. Na Câmara de Campos tem oito vereadores eleitos que fizeram menos votos do que eu. Paciência, essa é a regra do jogo. Ela mesmo sofreu recentemente um fracasso eleitoral retumbante, quando concorreu à eleição de vice-prefeita do Rio, na chapa com o (deputado federal ) Rodrigo Maia (DEM) e fizeram juntos menos votos do que ela sozinha conseguiu para deputada estadual, concorrendo com centenas de candidatos.Volto a repetir, cada eleição é uma eleição diferente. A maturidade e a humildade são coisas que, com certas pessoas, só o tempo é capaz de ensinar, com os nossos erros e acertos. Faz parte da vida de cada um de nós.

Folha — O tal “plano Nahim”, que teria sido urdido no bloco governista da atual Legislatura de Campos, com o objetivo de pressioná-lo a não ingressar no grupo governista de Cabral, foi aparentemente deixado de lado, após um contato telefônico entre você e seu irmão e deputado federal Anthony Matheus, no início do ano (relembre aqui). Afinal, qual foi o contexto e o que foi dito nessa conversa entre você e ele? Ele realmente chegou a propor um encontro pessoal?

Nahim — Não quis comentar na época e não vou fazê-lo agora. Não foi um telefonema de um político para o outro. Foi um telefone de um irmão para o outro. O assunto só a nós pertence e a mais ninguém. Mesmo sendo homens públicos, os assuntos tratados em família, temos o direito de manter a privacidade.

Folha — Segundo consta, Thiago Virgílio (PTC), assim como Miguelito (PP), contaram com apoio particular de Anthony Matheus, na campanha de 2012, já que os dois, como você, eram fortes na 249ª Zona Eleitoral. Depois de eleito, Virgílio publicamente assumiu a vanguarda das investidas contra você, chegando a anunciar para 11 de março último a apresentação de um relatório com as investigações da sua gestão na presidência na Câmara, o que não aconteceu (recorde aqui). Com sua entrada no governo Cabral, acredita que essas ações serão retomadas? Teme-as?

Nahim — A questão da 249ª Zona Eleitoral não foi primordial para que eu não ganhasse a eleição, pois a diferença dessa última eleição para a anterior ficou na casa de 100 votos. Isto, somente, não alteraria o resultado final. Um conjunto de fatores, como citei anteriormente, é que decidiu o pleito. Quanto a qualquer vereador, seja Thiago Virgílio ou não, apurar ou investigar ações minhas, durante a minha gestão à frente da Câmara, faz parte da função de vereador. Quem está na vida publica como eu, há mais de 25 anos, não deve temer qualquer investigação. Porém, ninguém é criança para saber como isso funciona, quando se tem, como líder político, Anthony Garotinho. O que não lhe falta são puxa saco e bajuladores. Eu sou um homem de paz e Garotinho sabe e me conhece muito bem, como eu também o conheço.

Folha — Embora ressalvando ter “apreço pessoal” por você, seu irmão reagiu mal à sua nomeação, no blog dele (leia aqui). Entre outros ataques, disse que você “conspirou para que Rosinha ficasse afastada da Prefeitura” para assumir o cargo dela. A referência parece ser à tumultuada sessão da Câmara de 30 de setembro de 2011, quando você foi impedido fisicamente de cumprir uma decisão judicial para tomar posse como prefeito (reveja aqui), na segunda cassação de Rosinha. Qual a sua versão dos fatos?

Nahim — Toda a cidade sabe, e Garotinho também, que jamais conspiraria contra ninguém, primeiro, por conta da formação, do meu caráter que herdei de nossos pais, muito menos contra a prefeita do meu grupo político e minha cunhada. O que aconteceu na Câmara foi uma vergonha não para mim, mas para toda a cidade. Eu estava ali cumprindo uma decisão da Justiça. Como advogado, sei que decisão judicial só se tem duas alternativas: ou se cumpre ou se recorre dela. O que aconteceu na Câmara foi um verdadeiro vandalismo comandado por pessoas ligadas a Garotinho. Ser leal é diferente de ser subserviente.

Folha — Seu irmão também afirmou que você foi nomeado porque se voltou contra ele e Rosinha, ganhando a Fenorte de presente para participar da campanha de Pezão ao governo do Estado, ao qual ele também é pré-candidato. Como responde a essas acusações?

Nahim — Como afirmei anteriormente, nunca me voltei contra o Garotinho e muito menos contra a Rosinha, da qual eu não tenho nada a me queixar. Se essa é a sua opinião, o que eu posso fazer? Cada um tem o direito de seguir o seu caminho, mesmo politicamente em lados opostos, mas com respeito um pelo outro. É o que eu espero que ele faça, pois eu sempre fui assim, não vou permitir por causa da politica, os nossos irmãos e nossa mãe vivam sofrendo com isso. Ele tem razão quando disse: “Somos irmãos, mas somos muito diferentes”.

Folha — Da maneira mais franca possível, seu irmão tem algo a temer em sua participação na campanha de Pezão, além do mero apoio político do irmão a um concorrente? Como alguém que participou durante anos do primeiro escalão do grupo político dele, como vereador, presidente da Câmara e até prefeito interino, você  não tem trunfos guardados na manga?

Nahim — Sinceramente, eu acho que o Garotinho gostaria que eu estivesse do seu lado, pois ele sabe que contribuí muito em todas as funções exercidas por mim, para ele e seu grupo político. Eu realmente tenho vários trunfos na manga, mas posso resumi-los a um: caráter. Eu jamais farei parte do rol dos traidores ou canalhas.

Folha — Em outra entrevista, há alguns anos, você admitiu que seu sonho era ser prefeito de Campos, que acabaria realizando de maneira interina, naqueles seis meses da primeira cassação de Rosinha? Mantém o sonho de chegar lá pelo voto do eleitor? Em 2016, será possível derrotar o candidato que seu irmão escolher à sucessão de Rosinha?

Nahim — Este é um sonho que não acabou. Ser prefeito da cidade em que se vive e à qual se ama, deveria ser o sonho de todo político. Mas veja como a vida é engraçada, mesmo que queira não poderei ser candidato a qualquer cargo na eleição de 2016 (prefeito ou vereador), pois a legislação eleitoral é clara, a prefeita Rosinha é minha cunhada, consequentemente parente afim de 2° grau. Isso caracterizaria um terceiro mandato consecutivo,mesmo estando em partidos e palanques diferentes. Paciência, tudo tem o seu tempo. Nós não sabemos, mas Deus sabe de todas as coisas.

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Este post tem 10 comentários

  1. Podemos nos preparar. Alguns interlocutores de Mauro Silva falavam abertamente na convenção que iam ter uma conversa seria com o nobre edil para que ele exija cargos ou eles preferem que Mauro apóie sem ser por debaixo dos panos Nelson nahim. Revoltados com a perca de estatus não engolem linda Mara ou Eduardo Crespo .

  2. pensou dormir numa cama beliche na parte de cima e saber que seu irmã enciumado e chorão e vingativo esta na cama debaixo? E que pressão psicológica sofreu o menino Nelson… ninguém pode ter amigos ou padrinho politico, acho que os meninos da lapa cresceram e nem todos eles viraram adultos , um ainda permanece garotinho e ainda chora e é enciumado…

  3. São diferentes sim!!! Um é vitorioso e lider nato. Já foi Prefeito, Governador, DSeputado Estadual e o Federal mais votado do Estado do Rio em todos os tempos e o outro foi apenas “sombra”. Quando achou que ia sair da sombra, queria ser prefeito e não se reelegeunem como vereador!!!!

  4. Bem diferente de muitos políticos de nossa região, é uma pessoa de bem que merece apoio, crédito, respeito e muito mais, provavelmente não agrada a todos, fato normal entre os homens, no entanto, seus pontos positivos são, sem sombra de dúvida, maiores que tudo.

  5. Caro amigo Nelson, é preciso reativar com urgência o Vila Maria que está abandonado e é um espaço cultural que deve ser bem aproveitado.

  6. Sé é do mesmo sangue..sao todos farinha do mesmo saco..se tem trunfos contra o ditador coronel bolinha pq n disse antes..pq escondeu as falcatruas do irmaozinho?Farinha do mesmo saco…

  7. Graças a Deus são diferentes,pois seria muita desgraça junta.

  8. Bom dia! MEus caros vamos mostrar resultados “voces” politicos, pelo menos alguns entram para História do BRASIL como por exemplo JK – JUSCELINO KUBITSCHEK sejam inteligentes não há nada prazeroso que reconhecimento mundial por um feito em prol a HUMANIDADE!

  9. Coisa feia esses dois irmãos ficarem brigando em público. Isso mostra que todos dois são despreparados. Na certa o Naim deve estar revoltado e com bronca do outro por ter perdido o carguinho de vereador que tinha. Isso mostra que quando ele entrou lá esqueceu do povo, não fez nada e pensou que ia enganar os eleitores sempre. Nelson Naim, você disse que é advogado. Será que você já exerceu essa profissão alguma vez? Seria mais correto de sua parte que você,ao ficar com bronca do povo por não ter sido eleito, que fosse advogar um pouco, ao invés de ficar se humilhando com o rival de seu irmão prá ganhar um carguinho no estado.

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