Opiniões

Nildo Cardoso espera de braços abertos os insatisfeitos com Garotinho

A mesma oposição que acredita poder ganhar mais cadeiras com deserções da bancada rosácea na Câmara Municipal, não se importa em caminhar unida em outubro quando o objetivo é uma cadeira na Câmara Federal. Líder desta oposição no Legislativo goitacá e vereador mais votado na eleição de 2012, o pemedebista Nildo Cardoso atribuiu a decisões partidárias diferentes o fato dele e o petista Makhoul Moussallem entrarem na mesma disputa a deputado federal, na qual, quem for eleito, se cacifa para disputar a Prefeitura de Campos em 2016. Antes de projetar a sucessão da prefeita Rosinha, a quem cobrou transparência na aplicação do orçamento bilionário, Nildo prefere esperar o resultado de outubro próximo e seguir o dito popular: “Não devemos colocar a carroça na frente dos bois”. Ele não disse se já conversou com os prefeitos de Macaé e SJB, respectivamente Dr. Aluizio e Neco, sobre a campanha de Luiz Fernando Pezão a governador, mas aposta na força regional do PMDB para pressionar os vereadores que preferiu não nomear, embora tenha citado os órgãos estaduais onde eles teriam benesses, mesmo ainda apoiando os Garotinho.

 

Nildo Cardoso

 

Folha da Manhã – Sua pré-candidatura a deputado federal, depois que o petista Makhoul Moussallem já havia anunciado a dele, não divide outra vez a oposição de Campos?

Nildo Cardoso – A decisão da pré-candidatura a deputado federal de Makhoul é uma decisão do PT e a de Nildo Cardoso é do PMDB. É uma eleição com candidaturas decididas em nível estadual.

 

Folha – Caso Makhoul consiga se eleger em outubro, a candidatura dele a prefeito em 2016 é tida como certa. Se você se eleger, vale a mesma lógica? E se ambos conquistarem um mandato em Brasília?

Nildo – Primeiramente, eu estou focado na pré-candidatura a deputado federal, e a eleição de 2016 é um processo para ser discutido após o pleito de 2014. A política é muito dinâmica e o tempo me ensinou, como diz o povo do interior: “Não devemos colocar a carroça na frente dos burros”.

 

Folha – Não poderia desistir da sua pré-candidatura para apoiar a tentativa de reeleição do deputado federal Leonardo Picciani (PMDB)?

Nildo – Não, porque a decisão da minha pré-candidatura foi tomada pela cúpula do PMDB, para que a região tenha um representante do PMDB na Câmara Federal.

 

Folha – Da Câmara Federal à Municipal, você já se pronunciou em plenário sobre vereadores da base de apoio à prefeita Rosinha (PR) que  usufruiriam também de benesses no governo Sérgio Cabral (PMDB). Quem são eles? Quais suas benesses? Quando e como poderiam ser obrigados a optar entre uma coisa ou outra?

Nildo – Usufruíram e continuam usufruindo, mas em respeito aos nobres vereadores, prefiro não mencionar nomes. Como conseguiram as benesses, eu não sei, mas eles estão presentes na secretaria estadual de Agricultura, no Detran, na Fundação para a Infância e Adolescência, no Detro e em outros municípios administrados pelo PMDB. Depois das definições das candidaturas, aí, sim, chegará a hora da verdade.

 

Folha – Com a pré-candidatura do senador Marcelo Crivella a governador, e o controle mais firme do PRB sobre seus filiados, podemos considerar que a Câmara de Campos hoje tem seis vereadores na oposição, com Alexandre Tadeu e Dayvison Miranda?

Nildo – Estamos de portas e janelas abertas para quem quiser se unir à oposição. Como líder da oposição não irei discriminar ninguém. Quem estiver insatisfeito, será bem vindo à base da oposição, mas desde que compartilhe da nossa principal missão, que é fiscalizar e cobrar transparência na aplicação dos recursos públicos, que chega a casa dos R$ 2,5 bilhões.

 

Folha – O vereador Marcão revelou (aqui) que, diante da possibilidade de perder para governador, Garotinho anteciparia a eleição da mesa diretora, para garantir o controle da Câmara no último biênio de Rosinha. O assunto ainda não entrou em pauta. Qual a sua avaliação?

Nildo – Está chegando agora ao meu conhecimento essa possibilidade de antecipação. Inicialmente, a lei permite que seja feita a eleição antecipada. Hoje, com o número de vereadores que dão sustentação à base do governo municipal, eles não teriam a dificuldades em eleger a próxima mesa. Mas, a política é muito dinâmica. A oposição poderá ter adesões importantes e, assim, uma disputa em igualdade de condições.

 

Folha – Quem acompanha a Câmara e tem acesso aos seus bastidores, sabe que você tem uma entrada com o presidente Edson Batista (PTB) da qual não gozam muitos vereadores governistas. Como mantêm essa relação?

Nildo – É uma relação de respeito, pois o presidente da Câmara não é presidente de situação ou da oposição, e sim o presidente da Câmara de Vereadores. Ele sabe o que é uma oposição, ele já pertenceu ao grupo de oposição G-8, onde eu fui o líder no meu primeiro mandato. Portanto, ele respeita a minha posição política.

 

Folha – Seus colegas de oposição admitem que você, entre eles, é o mais temido, pelo muito que sabe dos meandros da Câmara e suas relações nem sempre assumidas com a Prefeitura. Se esse temor existe, o que você sabe para causá-lo?

Nildo –F O respeito é a minha trajetória política e os 6.339 votos recebidos, após quatro anos afastados da Câmara Municipal, sendo o vereador mais votado no pleito de 2012 pelo partido da oposição PMDB. Eu não tenho nenhuma relação com o poder Executivo e nenhuma benesse. Eu não abro mão do meu papel de fiscalizador e de cobrar transparência nas ações do poder Executivo municipal e na aplicação dos recursos públicos, que têm que ser usados para o benefício da população campista

 

Folha – Vice-governador e pré-candidato à sucessão de Cabral, Luiz Fernando Pezão já teria fechado (aqui e aqui) a coordenação da sua campanha na região com os prefeitos Dr. Aluizio (PV), de Macaé, e Neco (PMDB), de São João da Barra. Já conversou com os dois?

Nildo – Estamos no mesmo projeto político e com certeza iremos fazer o melhor. Nós acreditamos ser o melhor para o Estado do Rio e principalmente para a região. Após o carnaval, intensificam-se as reuniões com os partidos aliados e todos com o mesmo objetivo.

 

Folha – Apesar de ter pré-candidatura própria a governador, com Lindbergh Farias, não é segredo que o PT federal também veria com bons olhos a eleição de Pezão ou Crivella, menos de Garotinho. Isso pode ser o fiel da balança?

Nildo – Eu, como presidente do diretório municipal, estou seguindo as orientações do presidente regional do PMDB Jorge Picciani. Estamos empenhados no projeto do PMDB. As articulações são em nível regional.

 

Folha – Quem disputará com você uma cadeira de deputado federal será o atual Paulo Feijó (PR). Passado aquele episódio de 2008, quando ambos estavam no PSDB e ele o impediu de tentar se reeleger vereador, ficou alguma mágoa? Como viu a migração dele para o grupo de Garotinho?

Nildo – Eu não acredito que seja só o referido deputado que disputará a próxima eleição para deputado federal. Eu ganhei muita maturidade e experiência política para retornar a Câmara como o vereador mais votado. Estou pronto para encarar qualquer desafio, preparado e mais atento aos aliados de momento, preservando sempre a minha família e os meus amigos, que permaneceram os quatro anos ao meu lado, me apoiando. Cada um escolhe o seu destino, sendo que o futuro dirá se o caminho escolhido foi o melhor. Em 2002, o deputado foi eleito pelo PSDB, com mais de 110 mil votos, sendo que teve o meu apoio. Já na ultima eleição, em 2010, teve 22 mil votos pelo PR. Espero ter respondido à sua pergunta.

 

Folha – Em entrevista recente, Feijó disse (aqui) que considerava Rosinha “a prefeita de melhores resultados na história de Campos”. Como líder da oposição na Câmara, que leitura fez dessa declaração?

Nildo – A leitura que eu faço é a seguinte: ela conseguiu se reeleger, mas no que diz respeito à gestão pública, deixa muito a desejar, porque não existe transparência. Qualquer pedido de informação para esclarecer a aplicação dos recursos públicos é negado pela base da prefeita. A saúde publica está péssima, a educação tem um dos piores índices do Estado do Rio, o transporte público está sucateado, com os repasses para as empresas congelados há cinco anos. Temos obras intermináveis, com aditivos duvidosos; 50% dos R$ 2,5 bilhões para gastar como desejar, sem precisar do aval dos vereadores, como foi aprovado na Câmara Municipal pela base rosácea para o orçamento de 2014.

 

Folha – Como um partido como o PMDB, um dos maiores do Brasil e detentor há quatro mandatos do governo fluminense, pode ter em Campos uma representação tão pequena, onde apenas você figura como quadro eleitoral forte?   

Nildo – Com a saída do grupo anterior, migrado para o PR, foi deixada uma dívida de R$ 480 mil, com parcelas não pagas, originadas da multa pela apreensão de R$ 350 mil na sede do partido, na eleição de 2004. Deixaram o partido sem receita e com dívidas, e o processo se encontra sobre a responsabilidade do jurídico do PMDB regional. Na véspera do período de filiação para a eleição de 2012, ou seja, setembro de 2011, vários pré-candidatos com potencial e ex-vereadores se desfiliaram do partido. Permaneci no PMDB, correndo o risco de não me eleger por falta de legenda, mas com a coligação com o PSD, conseguimos eleger dois vereadores. E por ter sido eu o mais votado e a única representação do PMDB, fui convidado para lançar a minha pré-candidatura a deputado federal para representar Campos e região.

 

Publicado hoje na edição impressa da Folha.

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Este post tem 7 comentários

  1. O interior do estado terá uma grande oportunidade, eleger um político presente, de uma cara só, com os pés no chão e com atitude.

  2. Fico satisfeito em saber que terei uma opção decente para votar para a Câmera Federal.
    É com orgulho que vejo a candidatura do campista Nildo Cardoso.
    Campos e região já podem se orgulhar.

  3. valeu suledil!! isso foi o que você arrumou com suas intrigas e aventuras-politicas-sem-votos na câmara: uma oposição sem respostas e desrespeitada . suledil está criando um futuro muito complicado para o grupo de rosinha, onde só ele ganha. ele recolheu todas as informações estratégicas do governo e aparelhou todos os órgãos com suas indicações mentirosas usando o nome dos chefes o tempo todo! nos últimos 30 anos, é o cara mais cara de pau .

  4. Espero que agora o senhor nildo reconheça o papel fundamental do PSD do dep Roberto Henriques,e apoie o Roberto pra estadual,pq se não fosse a coligação não adiantaria nada ser “o mais votado”,acho q seria o mínimo que o senhor vereador deveria fazer e retribuir a ajuda dada a ele pelo deputado Roberto Henriques

  5. Só espero que O Sr. Nildo não faça como outros que após jogar lama e tentar furar o casco do “BARCO” em troco de meia Dz. de dolares acabou embarcando nele.

  6. O vereador Nildo tem condições de falar desta maneira pois os seus votos não vieram da base aliada cor de Rosa, esse tem condições de se posicionar da maneira como o faz sem se vender aos rosa.
    Apropósito gostaria de lhe sujerir fiscalizar os recursos da passagem de 1 real. pois nas linhas centrais não precisa de fiscais, o problema é que o município é enorme temos distritos que ficam a mais de 100 km um do outro e tendo oportunidade de viajar tenho visto que as roletas não sao ajustadas, o que favorece a fraude confirando uma retirada de recurso dos cofres públicos não talvez de forma intencional por parte do poder público, mais com o aval do mesmo quando não fiscaliza corretamente a saida deste dinheiro. Logo na condição em que se aplica este recurso sem a devida fiscalização quem sai perdendo é a população, que fica com menos recursos para outras areas

  7. Difícil é acreditar em Roberto Henriques, que está seguindo a linha do seu professor Garotinho, usando programa de radio para fazer politica com comentários maldosos e sem fundamentos.Já foi Garotinho, depois foi Arnaldo, depois foi Mocaiber puxou o tapete de Mocaiber combinado com Garotinho.Para ser deputado se vendeu aos rosas no seu jogo sujo igual ao Feijó. Não tem (trecho excluído pela moderação) pra falar de ninguém. Fez de tudo para estar no poder e agora está desesperado.

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